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São sete horas da manhã.
Vejo o Cristo da janela.
O sol já apagou. Raul, amor da minha vida, isso tudo vai acabar.
Mas se eu der sorte, vai que sobra essa fita que eu tô te gravando.
Eu sei que parece ingênuo.
Mas é que eu ainda não tô pronto.
Sem o AZT, eu não sei quanto tempo eu ainda tenho.
Vai ver, eu tenho só os 60 minutos dessa gravação.
Vai ver, tudo tá por um segundo.
Mas morto nenhum para ali da vida.
Oi, Vitor. Com licença.
Preciso que o pai do Sebastião atene aqui, por favor.
Todo dia tem a euforia de ver alguém aterrissando no mundo.
Todo dia tem a despedida de alguém que já decolou.
Nunca entre as estrelas.
Que nem eu.
Já, já.
Então eu vou aproveitar esse tempinho pra te falar o que vai sobreviver.
Vai, Juninho. Limpa tudo que era essa boate cheirosa, hein? Vai sobreviver a
bravura, a tua ternura. Você aí, de coração aberto, reconstruindo a Paradise
vida de um monte de gente.
Vai ficar o esforço da Yaren voar cada vez mais alto.
Não é pra qualquer um tirar o avião do chão.
Vai sobre a saudade de voar.
Você tá chamando a mamãe?
Sim, meu amor.
De que perto deixa chorar, né?
É errado da cola agora.
É o que todo mundo mais quer.
Comprei de Natal.
Como foi a consulta?
Sempre.
Mas até era difícil, né?
Mas melhor do que não ter.
Minha imunidade.
Queda livre.
Você também sente saudade de voar?
Morro. Para pagar de herói?
Me fodi, né?
Inválido antes dos 30.
Agora é esperar o processo contra a Fly Brasil andar.
Às vezes eu acho que eu vou ficar louca.
Minha cabeça toda cega no céu.
Isso é engraçado, né? Porque tem vezes que... Tem vezes que parece que tá tudo
bem.
Sabe o que eu acho?
Deve ser igual a ver eu caindo.
É, não sei, né? Mas sei lá.
No primeiro momento você se espera.
Depois você percebe que não tem nada pra fazer, tem que ficar chorando, rezando.
Você só quer aproveitar cada segundo, né?
Tamo vivo até bater no chão.
Gente, a ceia tá pronta.
Vem, chega.
Chega, vamos lá.
o meu amigo oculto é muito
mais do que um amigo ele é o marido do meu
marido tira
Tem alguém que fica reclamando que não dá para agitar protestos em telefone.
Muda, muda o Brasil. Obrigado. Alô, protestos.
Não tenho um
minuto de sucesso. Alô?
Não.
É o Caio.
Vida, apaga a luz.
Apaga a luz. Eu não quero que você me veja assim.
Mas eu vim pra te ver, Caio.
Eu menti pra você, Vitor.
Eu menti pra você, eu menti pra mim também.
Eu já sabia que eu tava doente.
De um cara no futebol.
E eu gostava muito dele, Vitor.
Um dia aconteceu, né? No meu diário.
Aí eu sumi.
Parou de treinar.
Não me ligou mais.
Eu esqueci ele.
Te conheci.
Me apaixonei por você, né?
Ele me ligou.
Do hospital falando que...
Que estava doente, que estava morrendo.
Eu não quis ir lá ver, não, vida.
Eu nunca tinha nem ouvido falar o nome dessa doença antes. Aids.
Aids.
Me ligou de Nova York.
Nesse dia.
Eu juro, vida. Eu juro que eu ia te contar.
Eu ia te contar.
Você estava tão bem.
E na maior que eu estava bem aqui, eu estava jogando futebol pra caralho.
Desculpa, vida.
Desculpa.
Foi eu que te passei.
Desculpa.
Não faz diferença, Caio. Não faz.
Desculpa.
Precisa procurar um médico.
Você não tem vergonha disso?
Não.
Volta pra mim, vida.
Eu passei muito tempo querendo ouvir isso.
Eu sei muita resposta no chuveiro.
Se você tá ouvindo isso, é porque eu já decolei.
Agora eu sou só essa fita.
Eu sei que você vai ficar puto.
Vai achar que eu perdi a esperança.
Mas é que... Acho que eu tô assustado.
Com tudo.
Assim, com tanta notícia de gente doente.
Mas essa coisa de não saber...
Não saber quanto tempo a gente vai durar.
Mas sabe o que eu sei? E foi você que me ensinou.
Que pro medo passar, a gente tem que enfrentar sem vergonha.
Enfrentar o medo de amar e de perder o amor.
Como é que ele tá?
O que é isso?
É uma manifestação.
Que manifestação?
A Flay Brasil.
Vendo o Caio se escondendo no mundo com vergonha.
É como se ele já tivesse morrido, sabe?
Mas eu não vou ficar quieto.
Não é justo o que a Flay Brasil está fazendo.
Espera aí, meu amor.
Uma coisa é você processar a Fly Brasil.
Outra coisa é você dar a tua cara a tapa, Nando.
Amor, o que eu tenho a perder, vida?
Mas tem gente que tem.
A Yara.
Logo agora que ela vai ser promovida pilota.
Tem a Joana também. Você sabe que eles já estão de olho nela, né?
Não estou te entendendo, não.
Você sempre disse para não ter medo.
Vai defender a Fly Brasil agora? Não, eu não estou defendendo ninguém.
Só acho que o nosso foco... O que a Pantera falava?
Que a gente tem que morrer gritando.
Não tem meio termo, vida.
Ou você está vivo, ou você está morto.
E eu estou vivíssimo.
Eu vou fazer a Fly Brasil lembrar disso.
Você tá sabendo que a gente vai fazer um ato amanhã no aeroporto?
É, sobre os exames que a Fly Brasil tá fazendo sem autorização, também sobre as
aposentadorias, as demissões.
É crime o que eles fizeram.
Mais de 40 demitidos, não sei mais quantos chamados inválidos.
Morning.
Não podiam fazer uma coisa dessa.
Fazer exame sem avisar.
Piotr, demitir sem contar o resultado?
Um dia as pessoas vão olhar pra trás e ver que a AIDS causou um genocídio.
E Samir?
A gente não pode ficar quieto.
Olá. Boa tarde.
Boa tarde.
Tudo bem?
A gente não pode ficar quieto, viu?
Olá. Boa tarde. Boa tarde.
A gente não pode ficar quieto. Por mais que os de oxigênio não vão cair
automaticamente. Importante todo mundo se informar. Menino forte.
Os funcionários exigem da Fly Brasil o fim das demissões e aposentadorias e a
proibição de exames de AIDS que foram feitos de forma ilegal.
Segurança, compareceram ao check -in da Fly Brasil, urgente.
Já mostrou isso aqui pra Joana?
Já.
Ela falou que é só passar álcool e assim deu forte.
Você nem abriu meu presente, né?
Achei tua cara.
Eu vi lá no larovinho desse artista, Leonilson, sabe?
Bati uma foto e pedi pra Soninha bordar igual.
Léo não consegue mudar o mundo.
Mas a gente consegue.
Olha o novo programa de prevenção do HIV, tá?
Camisinha. Não esquece de usar, tá bom?
Importante. Eu acho o máximo.
No meio dessa loucura toda que é a vida da gente, todo mundo tentando
sobreviver, aí tem você.
Um cara que gasta o tempo pra ajudar os outros.
É uma coisa tão delicada, até romântica, sabe?
Entregar -se minha vida na mão das pessoas e encorajando uma galera a fazer
mesmo.
Sempre precisa de mais voluntário.
Aqui, Olívia, a gente trabalha com prevenção, amparo e indignação.
Não é só para dar assistência a quem está doente.
Não é só uma questão médica, é uma questão política também.
Agora o nosso alvo é o governo.
Você vai ajudar a recolher algumas assinaturas para o documento que a gente
mandar para o congresso.
Isso faz a consciência da gente aumentar.
Faz a gente ficar mais forte.
Obrigada. Obrigada. Não se sentir mais tão pequeno.
Vamos lá?
Faz a gente virar multidão.
Ei, Nilson, nesse ritmo aí, essa cadeira não vai ficar pronta tão cedo, né?
É que eu não transo para fazer nada afobado.
Para mim tem que ser tudo.
Um capricho.
Ai, ai, eu não digo é nada.
Joga. Um, dois, três, quatro, pisa, volta.
Doutora?
E a Jenny?
Ela foi internada sem previsão de alta.
É tuberculose?
É.
É uma das reflexões oportunistas mais comuns para os pacientes. Eu sei.
Eu conheci um cara que teve.
Porra, você transformou a Paradise em, sei lá, num vulcão, um movimento, um
lugar político. É foda, tua voz é fogo, Raul.
Ela se espalha e incendeia o mundo.
Se a água não bate na bunda, a galera nem tchum.
O medo às vezes é necessário. Eu mesma não peguei por isso, porque eu sou
cagona.
Colega, ajuda a dizer, pegou AIDS já pro brejo.
Não, gente, não é engraçado não, gente.
Não é engraçado, é... é covarde.
O slogan deles é AIDS mata.
Mas não explica porra nenhuma, ainda ofende quem vive com a doença.
Aí a bicha tá lá, tranquila, querendo, né, aleijar sua cuca assistindo a
querendo saber quem matou a Odete Reutemann. Vem no intervalo da novela o
governo dizer que você vai morrer.
O governo do Brasil já definiu suas vítimas, gente.
É bicha, puta, travesti, drogado, presidiário.
Eles querem deixar a AIDS fazer uma faxina por eles.
Não faz isso, para.
Amor, se tentarem, eu mostro o meu RG.
Pra me prender, vão ter que reconhecer que eu sou mulher.
Você terminou a parede, né?
Hum, tá.
Beijinha. Eu, particularmente, não... Eu não curto muito essas coisas assim. Não
tô novinhão, sabe?
Tipo, roupa muito gasta.
Você gastou porque gostava.
Vamos dar uma gastada nessa parede?
Vamos.
Ai.
Não, Félio.
Desculpa, desculpa. Ai, minha senhora.
Eu não posso, não.
Eu... Eu sei que você tem.
O que você acha que eu estou aqui?
Eu também tenho.
É só se proteger.
Eu tenho um camisinho.
Baby, vou lá dar um beijo de ano novo pras meninas. Você cuida desse bebezão
aqui pra mim? Eu cuido.
Vamos lá.
Baby, vamos dançar, vida? Vamos, baby.
Sabe, vida?
Se eu pudesse escolher uma coisa, uma coisinha só, pra não desaparecer nunca,
ser a alegria da Leia.
Se desse, eu colocava nossas rezadas num museu.
Aí, no futuro, os adolescentes seriam vocês já vendo a gente ali.
Os nossos ciúmes, a nossa gentileza, a nossa fúria, o nosso amor.
Se só isso sobrar.
Eu morro em paz.
Ei, vamos tentar um pouquinho?
Se poupa, me poupa, vamos vida, vem, vem.
Não, não, meia pau.
Meu top 3 de jeito de morrer.
Dormindo, dançando e transando. Mas agora eu vou dançar. Tá, então
dança que eu vou te ver.
Você estava aquele dia com a doutora Joana, tirando foto?
Isso.
Como
você
pegou?
Quietinha, mas quando fala, né? Você vai perguntando isso a todas as pessoas.
Não pode?
Pode, claro que pode.
Eu não peguei.
Mas eu não ligo o que você pensa.
Eu sou soro interrogativa.
Eu também não peguei.
Eu gostei de um cara que pegou.
Ele se matou.
Sempre muito.
Mas que bom.
Você tá aqui agora.
Feliz ano novo, mãe.
Ele é o nome de Deus.
9, 8, 7, 3, 2, 1.
4, 3, 2, 1.
Feliz 1990!
Achou que eu não ia chegar nos anos 90, né, vida?
Você vai chegar até os 90 anos, meu amor.
Obrigado.
Pelo quê?
Por estar aqui.
Oh, meu amor.
Ter você do meu lado diminuiu meu medo. Vem cá, vem.
Parecia que nada ia acontecer de errado comigo.
Mas é que sem tratamento, não tem jeito.
Eu penso na morte o tempo inteirinho.
Como será que é?
Será que é tipo um foguete?
Sobe o mais alto que puder e se desfaz em faísca e vapor.
Só o que sobra é o espanto e a alegria de quem viu.
Ai, Sônia, a nossa dança foi ótima. E a senhora tava divina, viu?
Eu balancei tanto esse leque que chega a minha mulher que ficou doendo.
E ó, a senhora vai me prometer uma coisa.
Nunca mais vai esquecer que é uma gostosona.
Viu, sua gostosa?
Oxi, bicha.
Caiu com o peso da roupa, foi.
Sônia.
Sônia.
Sônia. Sônia.
Sônia. Sônia!
Acorda, Sônia!
Sônia, acorda, por favor!
O que é isso aqui, Leandro?
Nada.
Isso aqui... Isso aqui é o que eu estou pensando?
Não é nada, Vitor.
Eu já disse, me dá aqui, tá?
Dá aqui pra mim. É um testamento.
Você está desistindo, meu amor?
Você que vai jogar a toalha agora.
Tá todo mundo fazendo tudo pra você ficar vivo, né? Eu não pedi nada pra
ninguém, Raul.
Eu não quero que você se engane. Eu quero você vivo, porra. Eu quero você
Nando.
A tua mãe.
A Joana. A Leia.
Ninguém desistiu.
Eu não desisti.
Eu não desisti da gente, meu amor.
Não desisti de mim, não.
Não sou que nem você.
Eu tô com medo.
Eu tô com medo, meu amor.
Acho que eu não penso merda também.
Você acha que eu não fico paranoico?
Que eu entro numa paranoia por causa de uma afta na sua boca?
Você sabe o que eu faço, Leandro?
Eu escolho pensar no que pode dar certo.
Que vão achar uma vacina, vai ter uma cura.
Que vão encontrar uma gestão, que o vírus não transmita alguma coisa, né? Eu
escolho pensar que você vai ficar vivo.
O que é?
Eu quero ouvir isso aqui, olhando no teu olho.
Ai, Fran.
Vou te tirar daqui, viu?
Tu vai voltar lá pra boate.
E a doutora Joana que vai te atender.
Sai mais daqui não, baby.
Para de falar besteira, mulher.
Você ama... te ver.
Ele tá falando coisa com coisa.
Veja dentro da sua roupa.
Eu sempre bordo os segredinhos.
Ninguém sabe o que tá lá. Eu sei, sim.
Ai, Fran, olha lá.
O oceano.
O deserto.
O céu.
Eu acho que...
A gente tem três vidas.
Criança.
Nosso ano inteiro pra nadar.
Exército no casamento.
E você, Fran.
Com você eu conheci o céu.
É por causa da Paradise, né?
Não, Fran.
Você...
Me ensinou a abrir a asa.
O amor é a cura.
Abaixo ao preconceito. O amor é a cura.
Abaixo ao preconceito. O amor é a cura.
Abaixo ao preconceito. O amor é a cura.
E aí?
Como estou?
Quer dizer que agora eu sou oficialmente o marido da primeira mulher a pilotar
um avião da Fly Brasil?
Mais que isso.
A primeira pilota preta da Fly Brasil.
Está acontecendo.
E você merece.
Comandante.
Pronta pro primeiro voo?
Eu acho que não é deselegante da minha parte te pedir uma gentileza em
reconhecimento ao favor que a empresa tá te fazendo.
Favor? Se não acho que a gente tá te dando o voo internacional à toa.
Tua foto no cartaz vai pegar bem lá fora.
E... qual seria a gentileza?
O que vocês precisam?
É sobre o cliente do teu marido que tá processando a gente.
Esse processo, manifestação... Barulho na imprensa. Isso pode comprometer a
empresa.
Isso não é bom pra ninguém.
Muito menos pra você.
A gente vai propor um acordo ao Fernando.
E a Fly Brasil espera que você interceda a nosso favor.
Eles se comprometem a trazer tudo o que você precisar. Por tempo indeterminado.
AZT, DDI, terapia dupla? O que for? Desde que o Nando pare com as
contra a Fly Brasil.
Você vai se tratar, Nandinho?
Eles estão com medo.
Deve estar rolando uma pressão internacional, né?
Bondade aqui não é.
Gente, o que importa é que... É que você ganhou, Nando.
O que foi, vida?
Você não tá pensando em não aceitar?
Tá?
Eu acho que você devia.
Aceita, filho.
Eu aceito.
Mas com uma condição.
Eles trazem para mim, para quem mais precisar.
Eles têm que fazer um negócio institucional.
Tem que ser... Tem que ser legalizado, tem que ser política
de empresa.
Eles abrem um guichê, colocam um atendente para receber a receita e
aí eles passam para o comissário para levar para a farmácia do esquema.
E o que na nossa mão era contrabando, até ele já vira contrapartida social.
Marketing.
Aí o AZT entra com o aval da Polícia Federal.
A gente recebe os remédios e a gente fica vivo.
É algo mais, comandante? A Yara comandando os voos internacionais. Não,
obrigado. Fly Brasil.
A salvadora da pátria.
E todos estão salvos.
Até a segunda ordem.
E Raul?
O que houve?
O Nando.
Ele... Ele foi internado.
Eu vou precisar funcionar uma veia na sua perna, meu amigo.
Eu fico cega, gente.
Não dizem que a gente morre e bate um globo.
Vai ser hoje não, que eu tô um lixo.
Gente, eu já sei qual é o primeiro voo, vida, que o Tião vai pegar.
Vai ser pra Nova York, vai ser com a Yara pilotando.
Que honra.
Yara, parabéns, Yara. De verdade, parabéns. Foi muito lindo o voo de hoje,
gente. Vida, você vai estar junto, viu?
A gente vai servir o Tião na primeira fileira, né? Tomara que eu tenha visto
lá, né? Pra ele também.
Se não tiver, a gente dá um jeitinho, né?
A gente tá indo pra
manifestação.
Arrasa.
E o que foi que a gente combinou?
Ah... Ela tá aqui esperando.
Amanhã.
Capitã. Manda beijo para o Humberto e para o Leandrinho. Pode deixar.
Lembra que você é forte.
Olha quem fala.
Vai ficar tudo bem.
Ah, doutora, pra cima de moi.
Assim que eu sair de lá, eu volto pra cá, tá bom?
Tô indo lá por você, você sabe disso.
Que que eu sou teu?
Deixa ligado, deixa.
Quero ver se o Cid Moreira vai falar do ato.
Tá bom.
Te amo.
Tchau.
E aos pés do Cristo Redentor acontece a tão aguardada, a maior manifestação do
país em solidariedade às vítimas da AIDS.
O protesto denuncia para todo o Brasil a negligência do governo no combate à
doença. A gente está distribuindo panfleto, a gente está distribuindo
preservativo e a gente exige dignidade e a gente exige tratamento. Porque o que
mata não é a doença, o que mata é o preconceito. A gente tem que apelar para
vida, a gente tem que apelar para a utopia, a gente tem que apelar para o
princípio revolucionário da solidariedade. Não é, gente?
Bem -vinda, minha vez.
Vai, deixa eu te filmar.
Queria lembrar aqui hoje de todas as pessoas que fizeram parte dessa luta
histórica, principalmente travestis, transexuais, lésbicas, gays
e tantos outros corpos, corpos políticos, que abriram caminho para que,
de seis anos de luta, a gente possa comemorar hoje, no dia 13 de novembro de
1996,
a Lei 9 .313,
Garante a vida com distribuição gratuita de medicamentos para todas as pessoas
vivendo com HIV ou que estão doentes de AIDS.
A gente venceu essa porra!
Ainda estamos aqui.
Vida.
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