All language subtitles for Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente 1x4 1ª Temporada

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Original subtitles

Meus pêsames, eu sinto muito.

A senhora é a mãe do rapaz, Visa?

Meus pêsames.

Rogério Matias, do Jornal do Brasil.

Eu estou fazendo uma matéria para o Caderno de Saúde.

Fomos informados que o seu filho tinha AIDS e não suportou o diagnóstico.

A nossa fonte confirmou.

Não tem nada o que falar.

Foi uma... Foi uma fatalidade.

O que foi, Geza?

O pessoal do JP já sabe. Todo mundo vai saber.

Geza, calma. Respira.

A gente precisa ir embora daqui.

A gente precisa...

Eu sinto muito.

Mesmo.

Eu sei que esse não é o melhor momento, mas... As famílias que perderam os

parentes, eles estão doando o ADT.

Nando.

Chegou tarde pro enterro do Paca.

Mas fica.

Logo mais tem outros.

Parece que são três. Só de dois de AIDS.

Paca não morreu de AIDS, não, Lundo.

Morreu de preconceito.

É.

Sabe qual o problema, doutora?

É que quem pode ajudar... tá com medo.

Por isso que eu vim aqui atrás de você.

Eu não entreguei esse prontuário pra eles.

Nem vou entregar.

Em todos os hospitais tá foda.

Tem tanta morte que tá faltando até o atestado de óbito.

A gente precisa fazer alguma coisa.

Você precisa continuar trazendo o ADT.

Então eu vou continuar rolando.

Obrigado. E

você,

como você aguenta em todos os enterros?

É... É estranho, né?

Não sei.

Mas é que...

Queria até ter jeito de morrer.

Mas lembrar que eu tenho vontade de viver.

Sabe?

Sei.

Por isso que você tá assim.

Fogo.

Mãezinho! Eu... Eu vou botar a mesa.

Dona Raquel, já vou indo, tá? Tchau. Você não vai ficar para o almoço,

Vai fazer essa desfeita?

Esse feijão que eu trouxe agora para ali é uma maravilha.

Estava um calor no Espírito Santo.

Pior que aqui.

Mas só fez chover. Eu não peguei um dia de praia, acredita?

Foi por isso que eu adiantei a minha volta.

A tia dele mora em frente a essa praia de areia preta que cura tudo.

Dizem, né, mamãe? Dizem.

Mas é verdade, ué. Tem gente do mundo todo.

A minha artrose melhorou da última vez.

A gente tem que acreditar nas coisas.

Né, Raul?

Tem que ter fé.

Com certeza.

Tá uma delícia. A comida tá muito gostosa.

Ah, sua prima tá uma moça.

Perguntou por você.

Mas você tá certo de não ir lá. É uma gente muito atrasada. Não é pra frentex

que nem nós, né?

Mais farofa?

Mãe.

Vai dar uma volta.

Vai viver.

Deixa eu organizar coisas aqui.

Vem chegando o verão. O calor do coração.

Essa magia colorida.

São coisas da vida.

O Fernando, filho da Raquel do 103, é vivo!

do sereia essa noite eu quero te ter

toda se

ardendo só pra mim essa

noite eu quero te ter

E aí

Vem chegando o verão, o calor do coração, essa

magia colorida, todas as vidas, não

demora muito agora,

todas as dificuldades de fora, toque lá se na areia,

eu não sei, essa noite eu quero...

João teve câncer, João se curou e agora vê seu filho andar de bicicleta. Não,

Eduardo. Isso aqui aumentou, né?

Alberto tem AIDS.

Alberto não tem cura. Alberto vai morrer. Se você não se proteger...

Ministério da Saúde.

Mais terrorismo sem formação.

São de serviço.

A gente vai precisar fazer uma endoscopia com biópsia. Avisa o

favor.

Oi, Joana.

Me encaminharam da Fly Brasil pra cá pra ser tratado pela senhora.

Abra a boca, abra a boca. A língua, a língua.

Eu não vou nos três reais, comandante. Não tem como.

O senhor fez um juramento.

Tá lembrado?

Sabe o que estão dizendo?

Que os três lugares que mais tem essa doença no mundo são Nova York, Los

e a Fly Brasil.

Empresa que a senhora trabalha e que fica mandando esse tipo de paciente.

Prepara o paciente.

Já que ninguém vai anestesiar ele, eu vou.

A culpa não é nossa.

A culpa é nossa sim, Raul. A gente achou que ia ficar transando por aí igual

cachorro e não ia acontecer nada.

Mas não era o que a gente não tava.

Mas tu é muito moralista mesmo, né, Genê?

Ninguém aqui tem culpa pela AIDS não, gata.

Epidemia, vírus, é problema de saúde pública.

E como é que tu sabe, hein?

Tu nem doente tá, viado.

Enquanto a prioridade da comunidade for sair transando, a gente não vai

conquistar nada.

E ainda faz festa.

E qual o problema de fazer festa?

A gente fazer festa, a gente ser quem a gente é, por aí já incomoda, já

pressiona, já muda tudo.

Interrompemos a nossa programação pra campanha eleitoral, é?

Tu vai vir candidato a presidente?

De candidato.

Que eu saiba, não tem candidato viado ainda, não. Eu posso falar, gente?

Ó, eu queria dizer que eu gosto tanto de encontrar vocês aqui. Eu era tão

sozinha, agora eu tenho vocês.

Vocês são minha família.

Se vocês não entendem, eu e minhas amigas da igreja não podem nem sonhar.

olha, eu não perdi a fé porque eu peguei AIDS.

Então, eu me toquei que hoje...

É o dia do meu baile de debutante.

15 anos que eu nasci de novo.

E que eu mostrei pro mundo que eu não sou de verdade.

E claro, faz 15 anos que toda vez que eu vou na casa da minha mãe com o meu

vestido mais lindo, com a minha maquiagem mais cara, com o meu cabelo

ela me chama pelo outro nome.

Sou eu que sustento a velha, gente.

Eu sou a filha que toda mãe pediu a Deus.

E ela não tem coragem de me chamar pelo meu nome.

Eu estou contando isso porque eu nunca imaginei que eu fosse viver tanto.

Eu já quase morri tantas vezes.

Eu já quase morri de fome, de solidão, de porrada.

Eu já quase morri de tristeza.

Mas eu tô aqui de cabeça erguida.

Então vamos dançar essa valsa de debutante, vamos.

Isso é feito.

Agora você bate antes de entrar, é?

Ó, a Alzira devolveu isso aqui.

Parece que o gravador que você trouxe tá quebrado. E ela quer o dinheiro de

volta. Eu já disse que eu não... Vem cá.

Você quer me fazer alguma pergunta?

Ah, para, não. Mãe!

Não vou dizer que eu não sabia.

Mãe sempre sabe.

Mas eu tinha tanto medo por você.

Medo da maldade do mundo.

Medo do seu pai.

Você me salvou daquele traje, sabia?

É?

Homem é o atraso de vida.

Desculpa, eu sei que você gosta, mas é.

Eu gosto de homem, bicha.

É diferente.

Mas e a Leia?

O bebê?

É seu mesmo?

Não.

Mas vai ser.

Eu vou me casar com ela no papel.

Tudo certinho.

Eu vi a senhora me criando sozinha, aluna em três trabalhos pra pagar

roupa, comida, eu... Eu não quero que ela passe por isso.

Uma vez, quando você era pequeno, você me disse que tinha medo de crescer e não

virar homem.

Ah, meu filho, ser homem é isso.

E você virou um homem maravilhoso.

Eu não quis, não quis, tá?

Deixa esse gravador aqui, depois eu resolvo e...

Deixa eu entregar a mala para o nosso comandante. Deixa comigo.

Barcelos.

O que é? Estou fora.

Se nem o que aconteceu com o Paca te comove, isso aqui te comove.

Você é tão carente que tá tentando transformar uma gozada fora de hora numa

família.

Leva as receitas.

E a grana, só mais dessa vez. Não dá.

Nunca mais vou te pedir nada.

Eu não vou me foder pra salvar ninguém, não.

Deixa comigo.

Cadê?

Eu tenho uma estratégia de convencimento.

Se você colocar no sutiã.

Bem discreto.

Não quer nunca nada.

Ó.

Pronto.

Ninguém vê.

Não vem, Yara.

Contrabando a gente tá fora.

Ah, Eduardo.

Vocês trazem um ombro pra Copacabana inteira e agora vão bancar os santos?

Passou a me rir, né?

Você sabe que eu não gosto de fazer nada de errado, Yara.

Já me denunciaram na sua empresa por causa de ruim ou mal feita?

Você tem razão.

Até porque seria muito chato chegar ao seu conhecimento da diretoria ou o

conteúdo da sua latinha.

Não é?

Esse é o maior carregamento de AZT que a gente já levou na vida.

Obrigado.

Terminamos?

Terminamos.

Ó, eu sei que nem todo mundo aqui tá fazendo isso por amor à causa, mas... Eu

também nunca fui fazer nada por ninguém.

Mas ver vocês aqui, hoje, se arriscando pra ajudar pessoas que vocês nunca viram

na vida.

Isso é do caralho.

Viu? Mesmo.

Um brinde.

Um brinde.

Saúde. Saúde.

Saúde.

Ah,

eu não devia ter bebido? Um golinho, eu vomitei as tripas.

Nossa, eu não gosto de vodka.

Não puxou os pais nenhum.

Ai, queria, mas não posso.

Então sorria.

Ai, eu tô estranha. Tem uma pessoa aqui dentro.

Fica decidindo tudo que eu devo e não devo fazer.

Eu nunca me senti tão sozinha.

Sozinha? Você é legítima esposa aqui e você falando que tá sozinha?

Aliás, eu vi o vestido.

É lindo.

Não era pra ter visto, dá azar.

Mais azar do que eu casar com a mulher e você com a bicha?

Gente,

me bateram uma afa.

A Polícia Federativa vai fazer uma vistoria em todas as bagagens da

assim que a gente pousar no aeroporto do Galeão.

Parece que foi uma denúncia anônima de tráfico de drogas.

Anônimo é o caralho.

Não foi, Barcelos. Ele é covarde, mas existe a ferrar pra ele também.

Você falou que eles vão olhar só as bagagens.

Senhoras e senhores, dentro de distância, pousaremos no aeroporto

do Galeão.

A previsão de aterrissagem está para 6 horas e 32 minutos.

Por favor, mantenha os encostos da poltrona na posição vertical e mesas

e travadas.

Observem os avisos luminosos e apertados.

Bom dia.

Bom dia.

Bom dia.

Bom dia.

Bom dia.

Bom dia. Bom dia.

Bom dia.

Bom dia.

Bom dia.

Seu Henrique, que liberou a Leia.

Está tudo limpo, Santos.

Alarme falso.

Está tudo certo.

Pode ir que eu finalizo aqui com a tripulação.

Correto, capitão.

Bora.

Todo mundo liberado.

Vocês dois ficam.

E aí?

Qual de vocês vai assumir?

Quem tem que se assumir é você.

Vocês vão me ameaçar de novo? Assume que você tá cansado de se esconder por trás

dessa fada.

Eu não tá, capitão. Tá todo mundo sabendo do esquema.

Até a polícia internacional tá na cola de vocês.

É? E vão me punir com o quê? Com pena de morte?

Eu já tô condenado, meu bem.

Você não quer prender a gente, Henrique.

Se você quiser, você já tinha prendido. Eu não tenho nada contra vocês, pô. Isso

aqui é meu trabalho.

Quantos cachos que você pegava aqui tão com AIDS?

Fala a verdade, capitão.

Bom, vocês vão comigo pra salinha.

Eu vou dar um tempo com vocês lá, depois eu libero.

E o AZT? Bom, se eu apreender, vai dar merda pra vocês.

E se vocês saírem daqui com a mala cheia dessa porra, vai sujar pra mim.

A Sueli já rodou e eu não vou ser o próximo.

Nunca mais.

Vocês vão trazer nem meio comprimido.

Eu vou fazer questão de avistar vocês na alfândega, um por um.

Vocês estão me ouvindo?

O resto vai ter que sumir.

Oi, amor.

Quase na hora de acordar ele pra tomar o AZT.

Não, mãe.

O que te ouviu?

Eu olhei no seu armário, filho.

E eu não devia, eu sei, mas... Mas eu olhei.

Eu vi tudo.

Eu não sabia como te contar.

Eu não queria que você tivesse perna de mim.

Eu não queria que... Eu não queria que você tivesse que me enterrar, filho.

Não é justo como você.

Eu não vou enterrar você.

De jeito nenhum.

Não tenho mais remédio, mano.

Tenho que fazer.

A gente vai onde tiver que ir.

Vai vender o que tiver que vender. Vamos passar areia preta, vamos inventar um

remédio, jogar xingue, fazer promessa. Eu não sei.

Eu só sei que você vai ficar bom.

Tá me ouvindo?

Você vai viver para ver seu filho crescer?

Yara, me ajuda aqui.

Respira, vai.

Você já leu o aviso no mural ali fora?

O que foi?

Mais demissões?

Os programas periódicos vão ser dentro de algumas semanas.

E aí tem o treinamento de combate ao fogo, o setup completo, tudo o resto.

Bom, uma hora eu ia ter que comunicar à empresa, né?

Eu já estou exalta.

Eu soube de mais uma coisa também.

Eles vão testar pra AIDS sem avisar.

E quem tiver positivo vai ser demitido.

Eu vou lá, meu bem.

Foi bom te conhecer.

Não da corda.

O treinamento de combate ao fogo terminou e você ficou dormindo aí.

Onde é que eu tô?

Rio de Janeiro.

Aí eu fiquei no inferno.

É.

No verão é parecido.

Eu quero saber teu troço, em pleno voo.

Se eu parar de voar, é aí que eu não sobrevivo mesmo.

Eu tenho tanta vontade de viver, né?

Desde que eu falei pro Guga que... que não tem mais AZT, ele...

Ele bebe todo dia.

Está se acabando.

Parece que... O que é morrer mais rápido?

Ficar tentando viver o tempo inteiro cansa.

Como é que vai ser amanhã no exame de sangue?

Fiz um exame.

Você não está sabendo.

Eles vão incluir HIV nos testes periódicos.

Se descobrirem, vão te demitir.

Meu marido, Humberto, pode te ajudar.

Bora, vem.

Levanta que ninguém pode desconfiar que você passou mal.

Vem, te ajudo.

E aí

E

aí

Ah, vou ter que ajustar aqui.

Ah, emagrecido.

Não, ele tá lesionado. Já sei, peraí.

Gente,

por quê? Eu vou jogar por quê? Vai,

joga!

Estou pronta!

É um!

É dois!

E... Joga!

Aqui é Ana Leia Guimarães, eu sou funcionária e eu queria fazer um

Eu estou grávida de seis meses e eu não posso mais voar, então eu queria pedir o

meu afastamento.

Não, de jeito nenhum.

Vamos trazer o Papa, a Madonna, vamos trazer a Xuxa. Eu não vou fazer o exame

sangue. Fernando, sem o exame não voa.

Se você não voar, por que faltou o exame?

É justa causa.

Isso é muito antiético, né?

Esse exame é um absurdo. Como é que eles fazem o paciente testar para a greve

sem avisar a pessoa?

Sim.

Mas se é o exame, eles vão demitir ele e alegar que não sabiam da doença.

Mas eles sabem.

Todo mundo sabe, gente. Vocês não conhecem a APA?

Associação de Sofoqueiros da Aviação. Não escapa uma.

É um horror.

Sim, mas sobre o ponto de vista da lei, tem que ser um comunicado oficial.

Se você comunica a Fly Brasil antes de fazer o exame, eles não podem te demitir

falando que não sabiam. Meu filho, você quer se expor desse jeito?

O que é que você quer?

Quem vai ficar exposto são eles.

Porque eu vou jogar merda no ventilador. Eu vou fazer esses ratos saírem do

armário.

Não sei, bebê.

Acho que você devia começar com alguma coisa mais forte.

Por que você não escreve uma carta aberta?

Pra todo mundo, sabe?

A quem interessar, possa.

Rio de Janeiro, 1979.

Hospedados da diretoria da Fly Brasil.

A quem interessar pode.

Eu, Fernando Alves Rodrigues, 29 anos, comissário de bordo e homossexual,

declaro para os devidos fins que tenho AIDS.

Essa doença não define quem eu sou. Não define minha competência, muito menos o

meu caráter.

Ao contrário, julgar a mim.

ou a qualquer pessoa pela AIDS, isso sim define o caráter duvidoso de quem o

faz.

Eu não precisava fazer essa revelação em público.

Se tem uma coisa que todo gay sabe fazer, é esconder.

É uma vida inteira treinando essa habilidade, fugindo dos risos de vocês,

piadinhas, das grosserias.

Só que isso é que deixou a gente mais esperto.

A gente criou casca, criou asa, a gente voou.

Vocês não saíram do lugar.

Mas eu cansei. A partir de agora, que finja e que puja quem realmente tem algo

esconder. Os hipócritas, os criminosos, os caretas.

Pra esses, como dizem por aí, a melhor saída é o galeão.

Eu vou é a luta.

Porque é isso que nós, Os esquecidos por vocês fazemos sempre.

Portanto, eu desejo para todos aqueles que escolhem o amor acima de tudo, uma

ótima passagem aqui na Terra.

Reclinem as poltronas, abram as janelas, aproveitem que a viagem é linda,

é única.

E dessa viagem, senhores, ninguém, nem bichos, nem machos.

Nem santos e nem demônios vão sair vivos.

O que não dá certo?

Vem o processo, velho.

Você tá com medo?

Tá tendo, não? Pode perguntar.

Na cidade que não tem mais fim Ora dando fora, ora bola

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