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Anteriormente
Olá a todos. Sou a Cristina e dou-vos as boas-vindas
em nome da Prometeo Viajes.
É uma excursão de grupo, planeei tudo ao pormenor.
Cristina, isto é uma piada, certo?
Cinco turistas escapulem-se de um passeio
e encontram-se no Museu do Crime.
Nós gostamos de crime.
Deve estar a dormir.
A visita começa daqui a meia hora.
Meia-idade, obeso, bebe.
- Foi um ataque cardíaco, certo? - Parece claro.
Todos os quartos tinham secador,
exceto o do Fernando.
Alguém o atirou pela janela.
Atiraram-no para que parecesse morte natural e enganar a polícia.
Temos uma câmara que não filmou ninguém a entrar no quarto.
E temos uma caixa de música.
E também há o maneta.
Se isto foi homicídio, qualquer um pode ser o assassino.
Mesmo um de nós.
Só temos de responder a duas perguntas…
À uma no quarto 19 - Fernando
Quem era Fernando Paredes? E porque morreu?
Bom trabalho, meu amor.
Estás tão grande.
Estou?
O que estavas a fazer?
Devias estar a tomar conta dela. Só tem três anos.
Esther, querida, acalma-te. Está aqui comigo.
Ana.
Ana.
Ana, onde estás?
TERÇAS-FEIRAS DE MORTE
QUARTA-FEIRA
Não me viste. Depois conto-te.
Elevas mesmo a fasquia, não é?
Gosto disso. O mundo pertence aos corajosos.
Isto não faz sentido.
O Fernando Paredes foi assassinado.
Atiraram um secador de cabelo
para a banheira e depois pela janela.
O secador, não o Fernando.
Imagino que não seja a melhor altura para si.
A sua mulher expulsou-o de casa e vim dizer-lhe…
Não fui expulso de casa.
Como o sofá está assim
e não parece que seja de estar sentado
achei que tinha dormido aqui.
Está tanto barulho lá fora e deixa a janela aberta?
Não sei. Achei que fosse
- para arejar, ou assim. - E acha que a foi a minha mulher?
Se fosse o senhor, não estaria a usar a aliança.
E provavelmente
já não tinha esta fotografia.
Dá para ver que ainda a ama muito. São lindas.
O senhor também. Tem um sorriso lindo. Devia sorrir mais.
Desculpe. Não quero ser intrometida.
Imagino que o seu trabalho seja muito difícil, certo?
- Um caso que correu mal… - Que caso?
Não sei. Não sei. Estou a falar só por falar.
Parece que está a viver no escritório
e ontem ligaram-lhe por um caso que diz ter sido morte natural.
Parece-me tudo muito estranho.
Posso tratá-lo por Gonçalo?
Sei que mal nos conhecemos, mas às vezes é mais fácil
desabafar com um estranho, por isso, se me quiser contar algo,
seja o que for,
não digo nada.
Pura, acho ótimo teres pensado que um polícia ia dar ouvidos
a uma dona de casa que finge ser a Miss Marple.
Mas disseste que alguém o eletrocutou.
Não.
Eu disse
que ele morreu eletrocutado.
Pode ter sido acidente ou suicídio, mas não é a mesma coisa, Pura.
Certo.
E depois o Fernando ressuscitou para atirar o secador pela janela?
Ouve, Pura.
Talvez alguém tenha entrado antes de nós e se tenha assustado.
Alguém que não apareceu na gravação.
Um fantasma?
Vou conter o desejo de te ver. Mando mensagem amanhã.
É hoje.
É o meu marido. Nem sabe ligar a máquina de lavar.
Bebe o sumo de laranja antes que perca as vitaminas.
E vamos.
Mas é de tomate…
Onde está o Daniel?
- Não o viste? - Não.
- Não sabes onde está? - Não.
Tentaste o telemóvel?
Cinco vezes. Nada.
Deve tê-lo no silêncio.
Ajudas-me a procurá-lo ou preferes comer outro croissant?
Onde estiveste?
No Hotel Alvalade.
Bom dia! Bem-vinda ao Hotel Alvalade.
Como posso ajudar?
Cheguei anteontem com a Prometeo Viajes.
Tínhamos uma reserva aqui,
mas, à última hora, disseram-nos que estava cheio.
Estamos cheios. Lamento imenso.
Ela disse-me que a agência não confirmou a nossa reserva
e que não tinham quartos porque havia uma conferência.
E têm quartos vagos?
Acho que alguém nos queria neste hotel.
- Não é preciso. - Liguei-lhe muitas vezes
e está desaparecido há uma hora.
Tenho de agir agora porque ele não conhece a cidade.
E se fica sem bateria?
Desenrasca-se, como os outros.
Não, mas ele não é como os outros.
Temos de chamar a polícia.
Outra vez? Não se preocupe.
O que aconteceu?
A Aventura do Carbúnculo Azul. O Vale do Medo.
A Cara Amarela. A Aventura do Intérprete Grego. O Signo dos Quatro.
O Cão dos Baskervilles. A Aventura de Copper Beeches.
A Aventura do Tratado Naval. O Mistério do Vale de Boscombe.
A Aventura da Caixa de Cartão. A Aventura do Polegar de Engenheiro.
A Aventura do Homem Torto. A Aventura de W. Lodge. Silver Blaze.
- A Aventura do Vampiro de Sussex. - O que fazes aqui?
A Aventura dos Planos Bruce-Partington.
O quê?
O Quique ia mostrar-me um quarto misterioso.
Ou pregar-te uma partida.
Também é possível.
O meu telemóvel.
Ele pediu-mo para me iluminar o caminho.
Se não lho tivesse dado, não teria passado
53 minutos aqui!
Se me dás licença, tenho um assunto urgente.
Mas a questão é… Olhe, está aqui.
- Onde estavas? - Meu amor. Estás bem, querido?
O Quique trancou-me num armário durante 53 minutos.
- O quê? - Não foi divertido,
mas foi revelador. Estou com pressa.
- Mas… - Dani.
Fabio. Fabio, vem comigo.
A tua mãe tem andado louca à tua procura.
- Onde estavas? - No armário. Uma partida do Quique.
- Vamos ver dos outros dois. - Não.
O que se passa? Estás bem?
Sei como o assassino entrou no local do crime.
É todo teu, miúdo.
NÃO ENTRAR
Esperem aqui até eu dizer.
Mas…
Parece que hoje vai chover.
Isto é estúpido.
Dani.
Daniel…
Para onde foi o miúdo? Não percebo.
Onde está ele?
- Disse para esperarem lá fora. - Caraças…
Como fizeste isso?
Estes quartos estavam ligados, mas, após renovações baratas,
taparam a porta em vez de a fecharem.
- Só percebi… - Este miúdo…
… quando o Quique me fechou no armário. Estar num espaço pequeno
e escuro fez-me pensar nos armários.
Este é o quarto da Pilar.
A câmara está apontada para o quarto do Fernando.
Sim, mas o quarto da Pilar está num ângulo morto.
E como sabia o assassino que a Pilar não acordaria?
Porque toma comprimidos para dormir.
Vejamos. Foi o Bruno que distribuiu os quartos.
Mas foi a Cristina que nos trouxe a este hotel.
E há mais.
Este miúdo…
As banheiras e lavatórios foram mudados em todas as casas de banho.
Esta é a única renovada.
Mas, mais uma vez, o orçamento.
Em vez de mudarem a instalação elétrica, taparam a antiga.
Não era preciso uma extensão.
Não tínhamos dinheiro para renovações. Tivémos de improvisar.
Isso não é crime.
Vê? Já não pode dizer que somos loucos.
Têm razão. Isto é crime.
Esta tomada pode entrar em curto-circuito. Deviam chamar um eletricista.
De que está a falar? Isto é um homicídio típico. A vítima foi…
A única vítima aqui é o meu tempo,
que é tão valioso, ou mais, do que o vosso.
Tenham um bom dia.
Como podem ver,
estas avenidas são largas de traçado retilíneo.
Toda esta área foi destruída no sismo de 1755.
- E podem pensar… - Podes usar o microfone?
Desculpa, sim.
Já me ouvem melhor? Quem reconstruiu esta área?
O Marquês de Pombal. E devem estar a pensar:
"Quem é aquele, Cristina?"
- É ali. - Quando os meus filhos eram pequenos
e tomavam banho na banheira, sujavam tudo.
Repararam que o Fernando não tinha uma gota de água no chão?
Significa que não resistiu.
Ou o assassino tinha uma esfregona.
Ou apanharam-no desprevenido.
Não.
Estava virado para a porta.
Sim.
Talvez o tenham drogado enquanto jantava.
Continuo a achar que não foi homicídio.
Mas, se querem brincar, vamos a isso.
Demasiado confuso, não achas?
Droga-o, atira um secador para a água, atira-o pela janela…
Não sei, querido.
Esfaqueava-o enquanto dormia e pronto.
- Podes… - Ouve, Pura.
Como foi feito não importa. O importante é o porquê e a pessoa.
O quem é…
… o primeiro passo de Agatha Christie.
E o que farias para passar ao segundo?
Se estivesse a investigar, que não estou,
ficava por perto e ouvia as pessoas.
A Estufa Fria, que são três.
Estufa Fria, Estufa Quente e Estufa Doce.
Quero dizer, vamos lá, grupo.
Vão ficar surpreendidos.
Dezassete suspeitos são demasiados.
Será mais fácil encontrar o assassino se conhecermos o Fernando.
O que sabes sobre ele?
Bem-vindo ao grupo.
Viveu em Badajoz.
- Obrigado por pararem. - A Cristina disse.
Não ia para Madrid se nós passamos por Badajoz.
E barbeou-se antes da viagem. Com esta idade,
é muito raro cortares-te.
A mala era muito pequena para uma viagem de sete dias.
Gostava de história.
Não tirou uma única foto.
O Fernando tinha barba, mas fê-la para a viagem.
Talvez não quisesse ser reconhecido.
E só podemos ser reconhecidos
onde já estivemos.
Ele era de Lisboa!
Como sabemos a morada dele?
Pelas revistas na mesa de cabeceira. Eram de assinatura.
- Devem ter a morada, não? - Claro.
Duvido que as entreguem voluntariamente.
Sim.
- Pura, falas português. - Bem…
Estou a ligar.
És a viúva dele. Diz que queres cancelar a assinatura da revista
e não sabes se mandam as revistas para a casa de Cascais
ou a de Lisboa. Toma.
- Estou? - Vá.
Olá. Sou…
Sou a viúva do Fernando.
O Fernando Paredes.
Morreu.
Ele morreu.
Está morto, querida.
Quero cancelar Lisboa.
- A assinatura. - Não.
Quero dizer, a assinatura.
A subscrição.
Não sei se vai para Lisboa ou…
- Cascais. - Cascais.
Ele morreu ontem,
mas só encontrámos o corpo esta manhã.
Esta manhã.
Sim.
Imagina como deve ser triste morrer sozinho?
Às vezes
pergunto-me
como se terá sentido.
Será que teve medo?
Será que pediu ajuda?
Muito triste, sim.
Meu Deus…
Muito obrigado.
Muito obrigado.
Muito obrigado.
É muito triste, sim.
Deus a abençoe também.
Ouvi a caixa de música pela ventilação da casa de banho.
E depois?
Como assim? A caixa de música estava no museu.
E na noite em que morreu, ouvimo-la no quarto dele.
E agora que morreu, toca outra vez.
Pode ser o motivo do homicídio.
Pura…
E a caixa explicaria a presença dele no museu.
Os 15 minutos para encontrar uma casa de banho não se justificam.
Estás a dizer que foi ao museu para roubar a caixa?
E depois alguém lha roubou.
Se encontrarmos a caixa,
encontramos o assassino.
Temos de procurar em todos os quartos.
Não. O que vamos fazer? Abrir as fechaduras? Isso é ilegal, Pura.
Vamos fazer as coisas bem.
Podemos ir a casa do Fernando e decerto encontraremos algo lá.
O Gonçalo pode conseguir um mandado.
Não, a polícia não. Temos de fazer isto sem…
Levantar suspeitas.
Nada de polícia?
Força.
Eu?
Não.
Alguém tem de ficar, caso a caixa apareça.
- Eu trato disso. - Vou contigo.
- Não. - Sim, pode ser perigoso, querida.
Vou buscar as minhas coisas.
Se a caixa for valiosa, devíamos criar perfis para classificar
os suspeitos com base nas suas necessidades financeiras. Isso permite…
Daniel, ótimo. Faz tu, está bem?
- Alicia, fiz-te sandes. - Não quero.
Trabalhar é mais fácil de barriga cheia.
Espera.
Quique, certo?
Sim.
Ouvi dizer que gostas de partidas.
Prega outra partida ao Daniel
e assusto-te tanto que até fazes chichi na cama.
Percebeste?
Boa, miúdo.
Anda, vamos.
Bateu-te assim com tanta força?
Não quero falar mais disso, mãe.
Ora, ora. Aquele grupo é feito de psicopatas, não é só a maluca
que ameaçou o meu filho. São todos.
- Bateu-me, mãe, a cabra maluca. - Não o devias ter trancado.
Ele é que se trancou. É atrasado.
Esperem. Grupinho…
Deixa estar. O que foi?
Está a estragar-nos a viagem.
Não é, mãe?
Não estraguem a minha despedida de solteira.
Sim?
As fotos em ambientes naturais são 20% mais aceites
do que as urbanas.
Aceites?
- Sim. - Queres dizer gostos?
Devias publicar a que tiraste na Estufa Fria,
ao lado do feto da Tasmânia.
O enquadramento e o foco estavam perfeitos.
A tua cara também.
A minha cara estava perfeita?
Isso significa que estava bonita?
Nada, tenho umas chamadas de trabalho.
Não quero atrasar o grupo.
Não te preocupes. Toma o itinerário de hoje.
Liga-me e digo-te onde estamos.
Muito obrigado. Só uma chamada rápida.
Muito bem, grupo. Vamos ver um mural muito bonito.
Não é um grafíti, mas um mural. Vamos embora. Vá lá, grupo.
Não posso, está bem?
- Estás bem? - Sim…
Quando fomos ao quarto do Fernando, a caixa estava no armário.
Fomos ao corredor para dar a notícia e estavam todos lá.
Todos, exceto três.
A Carolina.
O Coté.
E a Mónica.
Ninguém tocou no armário até a polícia chegar,
por isso, quem roubou a caixa, fê-lo depois de encontrarmos o corpo.
Se não está no hotel
é porque o ladrão tem a caixa.
E só pode haver uma razão.
O ladrão quer vender a caixa esta tarde.
Não posso tirar fotos assim!
- Tem cuidado. - Está bem? Vá lá.
- Meu Deus. - Está bem.
- Fabio, foste rápido! - O grupo tem de criar laços.
Não sei porque não podíamos
ter feito um desvio ou assim.
Paguei como todos e quero ver o mesmo que todos.
É grafíti. Vândalos a destruir edifícios urbanos.
Chama-se arte. E a mãe gosta. És tão rabugenta.
Deixaste cair a carteira.
Pronto.
- Então! - Mãe!
Isto é o vosso plano para herdarem a fábrica? Fingir um acidente?
Que par de idiotas.
A inclusão é importante.
- Eu ajudo. - Ajuda-me, por favor.
O meu filho é um idiota!
- Vejamos… - Pronto.
- Está bom? - Obrigada, bonitão.
- De nada. - Vão matar-me.
Vamos ver, grupo.
Não a mim, não tenho interesse histórico.
Vou explicar tudo, está bem?
Este mural representa o fado "badiu",
ou vadio, como dizem os portugueses.
O fado boémio, vagabundo.
Que é como um género amador de fado,
que é um pouco mais underground.
Podes dizer o que quiseres, mas o Fernando era esquecido.
Não reparaste que se esqueceu da chave do quarto depois do jantar?
E digo-te já que alguém assim guarda sempre uma cópia.
Vejamos, sai.
Nada.
E o melhor sítio…
O melhor sítio é aquele em que ninguém toca.
Nem para o limpar.
Vamos ver.
Deixa-me ver, querida.
Entra. Entra.
Esta é a famosa igreja.
É a linda igreja de que estás sempre a falar, avó.
Tão linda.
Também me teria casado aqui.
Com o teu ex ou… Desculpa, miúdo.
Ou com alguém que não fosse um bêbado?
Tanto quanto sei,
o único que vomitou numa reunião foste tu.
Entra.
Más notícias. Não vale dois cêntimos.
- Foi o Coté. - O Coté?
- Foi o Coté? - Não.
Mas não é o assassino.
Deve ter entrado, encontrado o corpo
e, não sei porquê, decidido roubá-lo.
Mas não é o assassino, está bem?
Como descobriste?
Não.
Não volto a explicar.
Acende uma vela por mim.
Tudo bem?
Meu Deus.
E limpar isto tudo?
Não toques.
Era professor de História.
Se vivia aqui, porque se inscreveu num passeio de grupo?
A questão não é porque voltou, mas porque saiu à pressa.
Que nojo!
O que foi?
Está tudo podre. Nojento.
Olha. Diogo Alves.
Por isso voltou a Lisboa.
E foi direto ao museu para roubar a caixa.
A caixa.
Desculpa.
Procuro sítios para jantar. Ou vens ter comigo…
Jantar parece-me bem. Uma confusão… Depois conto.
Às sete. Tenho o sítio perfeito.
- Polícia, alto! - Assustaste-me!
Não viram igrejas impressionantes.
Como vão as coisas?
Encontrámos fotos da caixa,
mas nada que ligue o Fernando a alguém do grupo.
Ainda assim, parece que ele te conhecia?
A mim?
De todo.
E a caixa tinha-a o Coté.
O Coté?
O tipo de bigode que está com a mulher na cadeira de rodas.
- A sério? - Mas não é o assassino.
É um ladrão e dos pequenos.
Não lhe dão nem três euros por isto.
Como sabes?
Fui antiquário em 2015.
E há aqui coisas boas.
Que cheiro estranho.
- Sim. Algo cheira mal. - Rápido.
Quem acendeu uma vela?
Que vela?
Então, a Alicia disse algo sobre uma vela,
e eu disse: "Que vela?" E pronto!
Explodiu tudo.
Uma vez, um Campingaz explodiu-me em cima na praia de Burras.
Assustou-me tanto…
Alguém queria tirar-nos do seu caminho, Alicia. Confia em mim.
E estavam as duas sozinhas?
- Não. - Sim.
Sim.
Foi tentativa de homicídio.
Foi uma fuga.
Se alguém vos quisesse matar,
teria causado uma explosão maior.
Sim. E não é estranho uma explosão na casa de um homem
que morreu há dois dias em circunstâncias estranhas?
Também é estranho que tenham entrado ilegalmente na casa dele.
Estou, Belém?
Não vou levar a Carlota a patinar.
Levei-a antes de ontem
e ainda me dói a anda da queda.
Mal podia andar.
Não posso levar as tuas netas
- antes das nove. - Esquece.
Como assim? Porque estou a trabalhar.
Adeus.
Parem de brincar ao Sherlock Holmes.
Tirem fotos, comam bacalhau e comprem toalhas como os espanhóis normais.
E voltem para casa.
Quero comprar toalhas.
Virgem do Pinho, estou cheia de medo.
Nem consigo respirar.
Ainda estão inteiras.
Mas onde estiveste, querido?
Vieste connosco e desapareceste.
Fiz o que vocês deviam ter feito.
Não foram presas por milagre.
Então, porque foste?
- Somos uma equipa, certo? - Espera.
Cristina.
Percebes o que ela diz?
Não.
É essa a questão desta maldita música.
Emociona-nos sempre.
E você? Sabe o que está a dizer?
A canção é sobre feridas que nunca saram,
agarrar-se a memórias, aprender a dizer adeus.
E se não quiser dizer adeus?
Queres um conselho de uma velha que está com os pés para a cova?
Não gostes de nada de que não te consigas desligar num minuto.
Nada e ninguém.
Adoro como esta mulher canta.
Ela e Los Sabandeños.
Vá lá!
"Katia".
Mantiveste-a em segredo?
- Todos temos segredos. - Não. Eu não.
Contamos tudo uma à outra.
Toda a gente mente. A tua amiga mente. Olha.
E o teu namorado mente.
E tu mentes e não há problema.
Eu?
Meu amor, olá. Sim, desculpa.
Estou num… jantar aborrecido.
Roubou-o primeiro.
Roubar a um morto não é roubar.
E já não precisava dele.
A caixa não vale nada.
Vá lá, miúdo. Pago-te umas cervejas e ficamos quites.
Podes beber com a medicação?
Então? Já se babaram todas?
Odeio despedidas de solteira.
Vais dizer-me porque vieste para Lisboa?
Nunca cá tinha estado.
- Não acredito nisso. - Alicia.
Aquele homem ali, vi-o na explosão…
- Esquece a explosão. - Perto da casa do Fernando.
O miúdo está em perigo. Andam atrás dele.
A Aventura do Tratado Naval.
A Aventura da Caixa de Cartão. A Aventura do Polegar de Engenheiro.
A Aventura dos Planos Bruce-Partington.
A Aventura de Wisteria Lodge. Silver Blaze.
A Aventura dos Óculos Dourados. A Aventura de Beryl Coronet.
A Aventura do Construtor de Norwood. A Aventura do Pé do Diabo.
A Aventura de Abbey Grange.
Dani.
Tu aí!
Ele tem a caixa!
Mas não é maneta.
É pena, ele…
Meu Deus, Alicia!
Deves estar a brincar.
Vamos pelas escadas?
- Sim. - Sim.
Não percebo.
O pedinte disse que era maneta.
Meu Deus.
Eliseo! Como estás, querido?
O quê? Sim, acontece que…
… temos uma reserva num restaurante e estamos muito atrasados.
Perdemo-los!
Sim. Não.
Perdemos a Conchín.
Sabes como ela é lenta. Está sempre a mandriar.
A caixa.
Não! Calma, calma. Queremos a caixa. Acalme-se.
A caixa, Alicia! Está no bolso!
Mas ela deve estar a chegar.
Desta vez, não fugiste.
Não tive tempo.
Quem era aquele tipo?
Não faço ideia.
Ele tinha isto no bolso.
Sais para passear e um suicida cai ao vosso lado?
Deixa o miúdo em paz, por favor.
Supostamente, sim. É a história que combinámos contar.
Combinaram?
Estivemos a falar e concordámos que foi um acidente horrível.
Mais um.
Não posso permitir que a viagem se transforme num cemitério.
Tens razão, Cristina.
Devíamos fazer algo diferente amanhã
para melhorar o moral.
Não vamos fazer nada.
Amanhã voltam para Espanha.
Impossível. O plano era para sete dias.
- Não há plano nenhum, Daniel. - Sim.
Cristina, isto foi azar.
Duas mortes em dois dias, David.
Não é azar, é uma maldição.
E esta maldição acaba quando o grupo voltar para Espanha.
Entra.
Como estás?
Como achas que estou?
Todos os anos há a matança do porco.
E está tudo coberto de sangue.
Mas o que aconteceu hoje foi… Meu Deus!
Foi um acidente, Pura.
Sim, um acidente.
E a explosão também foi um acidente?
Acho que o polícia tinha razão.
Não podemos brincar aos detetives.
Não gostas de mistérios?
E gosto.
Mas gosto de os ver na televisão.
- Na vida real não são divertidos, Alicia. - Pois.
Aquele homem estava
- todo achatado. - Acabou. Está tudo bem.
Vais ficar em Lisboa amanhã?
Não sei.
Não sei o que faço aqui.
Não sei o que estou a fazer.
Não devia estar aqui.
- as minhas cabras… - Estavas a ajudar o Fernando.
Queria partilhar isto contigo.
Estava no bolso do morto.
"Alvalade".
TÉCNICO DE MANUTENÇÃO
É linda.
Conhece a canção?
É uma canção de Natal muito antiga.
Falta o refrão.
O quê?
O refrão.
Quem faz uma caixa de música sem o refrão?
O site do Museu do Crime diz que uma mulher chamada Margarita Moure a doou.
Pesquisei online, mas não encontrei informação relevante sobre ela.
É melhor assim. Era bebida barata.
Vejamos.
Algo não funciona. Dá-me luz.
O que estás a fazer?
Ver o que se passa.
Vês alguma coisa?
Não parece haver nada.
O que fazem aqui?
E o que é isto?
- Cuidado. Não. - Cuidado.
O que é isso?
A letra é tão pequena.
Sim.
O que diz?
"O conde está seguro. O tesouro volta à vida
se o rei girar o cubo e tocar na sua barriga."
Tradução: Rui Vivas
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