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Boa tarde.
Seu nome, por favor. André.
André.
Ah, é consulta com a Dra. Katia, não é?
Exatamente. É a primeira porta à esquerda.
Obrigado. De nada.
Boa tarde.
Boa tarde.
Deite -se ali e abaixe as calças.
Seu caso é muito sério. O senhor está broxa.
Broxa!
E finalmente, Kelly, ela mandou que eu me escondesse numa pequena cidade do
litoral, onde o ar é mais puro e por isso mais adequado para o tratamento
minha pequena deficiência.
Eu queria te levar junto.
Ela não aprovou a ideia.
Acha melhor eu ficar sozinho, sem ninguém por perto, de quarentena?
E como se isso não bastasse, uma enfermeira vai me acompanhar.
Uma mulher?
Estranho. Eu não vejo nada de estranho nisso. É natural.
Ainda mais que essa tal mulher deve ser uma velha esquelética, dessas que mal se
aguenta nas pernas. Sei, sei.
Kelly, meu amor.
Você não acha que eu seria capaz de... Eu não estou pensando coisa nenhuma.
Não estou preocupada com isso.
Porque você, meu caro, na situação atual, você é o mesmo que um sanduíche
churrascada. Não serve para nada.
Eu estou pensando em mim, no meu futuro.
Ele tem que se movimentar muito e seguir a risca o que está aqui na receita. Eu
não vou me esquecer.
Ah, já ia me esquecendo.
Não faz mal nenhum se você puser um shortinho curto aqui, uma esfregadinha
essas coisas que você sabe.
Somado a isso, seus dotes naturais e esse ímpeto de mulher desejável.
E seus dotes físicos podem ajudar mais, muito mais que todos os xaropes e
pírolas do mundo. Entendeu?
Claro, confie em mim, doutora.
Eu vou erguer o mastro que tombou ou não me chamo Nora.
Meu São Jorge, me ajuda.
Assim não dá pra aguentar.
Não tá vendo?
É carne saindo por todo lado e eu aqui tomando sopa.
Você entende o meu ponto de vista, não entende?
Eu preciso só de uma forcinha.
O senhor que conseguiu derrubar um dragão, pode bem levantar outro, não
Vai, me ajuda.
É um dragãozinho assim, ó.
Qualquer formiga leva pro seu buraco.
Isso vai te ajudar.
Ajudar? Eu quero ver esse monstro passar pela minha garganta.
A senhorita tem certeza que não está enganada?
Enganada? Como assim?
Isso é para engolir mesmo ou é para enfiar?
Você que sabe. O rabo é seu. Toma.
Que mulher, que esbanjamento de saúde.
Prazer, então.
Ai, o prazer esse fica chamando a gente, dizendo... Vem, vem, vem, vem,
vem, venha.
E eu que não sou nenhuma besta?
Já tô indo.
Besta não.
Bosta!
Claro que só vou comer com os olhos.
Não posso comer de outro jeito mesmo.
Ela está pela dona.
Como seria bom se você levantasse agora.
Dá uma colher de chá, dá.
Não há mortal que aguente.
É demais.
É demais.
E você, minhoquinha?
Não fala nada?
Digo sim.
Sua noiva vai lhe meter o chifre.
Chupa, vem, chupa.
Ai, que gostoso.
Isso.
Grande amorzinho.
Eu vou te comer.
Deixa eu chupar um pouquinho.
Ai,
ai, ai, mas como é bom.
Devagar com a louça, devagar com o baby.
Sim, Benzinho. Já vou.
Nada!
Nem buscando o alento de uma situação semelhante.
Só comigo podia ter acontecido isso mesmo. O que vem mostrar que eu sou um
azarado de merda!
Um mulherão desse solto por aí, eu nessa de bicha.
Se essa porra não levantar, eu acabo explodindo.
E não é pra menos.
Que rabo, hein?
Ela está lá, peladona, doidinha para dar.
E você aqui encostado numa pedra feito um dois de paus.
É, André, você já não é mais o mesmo.
E pensar que alguns dias atrás...
Se fosse quem? Vera Fischer?
Não, minha vovó.
Afinal, por que está zangada?
E você ainda me pergunta?
Você devia estar deitado, descansando agora.
Se a gente não seguir a risca, a prescrição médica, você não vai se
tão cedo.
Mas que mal tem eu estar sentado aqui?
Tem que amanhã a gente vai ter um dia cheio. E aqui você não está descansando
coisa nenhuma.
Pois não, vovó.
Deixe estar, jacaré.
Um dia eu me recupero. Aí quero ver você rebolar desse jeito.
Eu tenho fé no meu santo.
São Jorge, vai me ajudar, não vai?
O cu!
Saravá! Quem sabe se você sentar na espada dele...
Qual é, garotão? Não estou te reconhecendo.
Antigamente, por muito menos, você já estava aí mais duro que bloca de
E agora, nada.
Fica aí nessa.
Tudo isso na nossa frente e você aí nessa.
Toma vergonha, rapaz.
Não me deixe assim.
Coopera comigo.
Eu não te peço muito, não.
Nem o mastro já me quebra o galho.
Eu não merecia isso.
Não, não merecia.
Eu sou teu melhor amigo.
A gente vive juntos há 35 anos. E há 35 anos que eu cuido de você com o maior
carinho. É talquinho pra cá, talquinho pra lá, perfuminho nos pentelhos.
Nunca te faltou uma comidinha gostosa.
E o que é que eu recebo em troca, hein? Hein? Hein? Hein?
Nada.
Quando eu mais preciso de você, fica aí feito um gato de armazém deitado em cima
do saco.
Tinha que fortalecer a porra das pernas. Tinha mais é que dar um jeito em outro
lugar. Mas ali nem com o maçarico aceso embaixo.
Só engessando.
Uma roupa dessas correndo aí na frente e o palhaço aqui de garfo na mão.
É ou não é muito azar?
Você pode me responder uma coisa?
Se estiver ao meu alcance.
Como foi que você chegou a essa situação?
Isso é comum nos velhos, e você não tem nada de velho.
Eu não sei.
Realmente, eu não sei.
Você é casado?
Não, era noivo. A gente ia se casar.
Interessante. Me conta tudo, desde o princípio. Quem sabe isso não pode
Você quer dizer, desde quando eu conheci a Kelly?
Exatamente.
Bom, a coisa aconteceu mais ou menos assim.
Um dia...
Desculpe -me, o que mais sabe fazer?
Tudo que você possa imaginar.
Horas extras?
Sempre que for preciso.
Viagens? Para onde você quiser, sem qualquer impedimento.
Está empregada.
Vírgula. Vírgula.
Vírgula.
Vírgula. Ponto.
Continuando, na atual conjuntura, achamos por bem
encerrar os trabalhos já começados.
Será que ela vai gostar?
É, André.
Desta vez, você foi flechado para valer.
É
maravilhoso.
E você é um amor.
Qual nada, Ben.
Não passo de um homem comum igual a todos os outros.
A bem da verdade, um chantageista.
Chantageista?
Pois é.
Esse anel me dá todo o direito de ter você só para mim.
É ou não é uma espécie de chantagem?
Puxa.
Sabe que eu nem havia pensado nisso.
A nossa felicidade.
coisas entre a gente corriam as mil maravilhas.
A nossa vida era um verdadeiro mar de rosas.
Até que um dia...
O que está acontecendo com você?
Eu não sei. Eu estou tentando tudo.
Qual é a tua, hein? Isso vai ou não vai?
Está meio duro.
Ah, está não. Eu não estou sentindo nada.
Eu quis dizer que está meio duro de levantar.
E não é por falta de esforço, não.
Ele é que não coopera.
Só faltava essa.
É o cúmulo, sabia?
Isso me deixa encabulada.
Encabulada. Você.
Se alguém aqui deve ficar encabulado, sou eu.
Você não tem razão nenhuma.
Ah, não.
Pensa um pouco.
Se eu não consigo mais te citar, é porque alguma coisa está errada comigo.
Ou então, você já se cansou de mim.
Você está dramatizando.
Eu? É de morrer de rir. O homem me prepara e na hora H pifa. E eu estou
dramatizando? Mas Kelly... Ora, não perturba.
Kelly, meu amor.
O espadeador emérito, o rei dos comedores, broxou.
Bifou vergonhosamente em pleno campo de batalha. Que azar!
Eu tinha que ficar justo desse jeito.
Mais seco que pinico de cego.
Eu tentei outras vezes, mas os resultados foram sempre negativos.
Finalmente... Toma, agora
não tem mais razão a gente continuar.
Escuta, Kelly.
Isso que está acontecendo comigo é passageiro.
Logo, logo tudo vai voltar ao normal.
E aí a gente pode ser feliz novamente. Eu não creio nisso.
O galho que você já era.
É como se fosse um jornal. A gente lê e joga fora.
Que merda!
E você aí, não fala nada, é?
Se você está impotente, nós temos o remédio para o seu mal.
E isso foi tudo.
Ou melhor, quase tudo.
Porque eu ainda desconheço a origem do problema.
E nem sei se vou voltar a ser o mesmo homem de antes.
Claro que vai, André.
Isso é uma questão de tempo.
Quem é que você pensa que eu sou? O Super Paul?
Esbanja virilidade.
Eu transava com ele na hora que ele quiser. Só você é. Eu topava qualquer
parada.
Vai, Marcia. Vai. Vai se fuder, hein?
Você deve ajudar o rapaz, Nora.
Deve se valer de seus dotes naturais. E citá -lo até.
Faça com que ele sinta que você é mulher.
Isso faz parte do tratamento.
E nada.
Os resultados foram sempre negativos.
Não está de todo perdido.
Obrigado.
Ela não precisava se esfregar tanto. Assim acaba gozando.
Mas que é bonito de se ver lá, isso é.
Ah, garoto, se você não estivesse de sacanagem comigo.
O que é, meu chapa? Você nunca viu, é?
Fiquem à vontade.
Fiquem à vontade. Não se preocupe, não. Eu já fui embora.
Pode deixar.
Continua, Benzinho. Continua.
Obrigada.
Que cara é essa, velhão? A gente é amigo desde a infância e não tem razão você
fazer isso comigo.
Afinal, você é que acaba saindo perdendo.
Fica pisando na bola, acaba secando de vez. E aí, ó, adeus xoxotas.
Cretino, tô quase te dando os bufetões pelas fuças.
Escuta aqui, ô porra. Qual é a tua, hein? Me fuder?
Eu acabo te enforcando, hein?
Olha o nível, hein? Nossa, que tesão de homem.
Olha você aí em cima.
O que é
isso?
Obrigada.
Não precisa insistir, André.
A gente agiu certo, porque assim ninguém se machuca.
Além do que, você já não é o mesmo de antes.
Ah,
foi ao andar a cavalo.
A cavalgada foi a origem de tudo.
Não sei porquê e nem como, mas me bloqueou temporariamente.
Faz tudo o que quiser.
Não vai fugir de mim.
Não agora.
Não depois de ficar me provocando o tempo todo.
Alisando.
Esfregando essa bunda gostosa na minha cara.
Calma, André. Por favor, calma. Você ainda não pode.
Ainda está fraco.
Calma uma pinóia. Desta vez não tem perdão.
Por favor, calma.
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