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Yoruba
Zulu
Caro público,
bem-vindos a bordo do voo Bollywood número um da BKM.
Para vossa segurança na risada, desliguem os telemóveis
e aparelhos eletrónicos.
Caros passageiros,
desliguem todos os DVD, VCD e telemóveis, por favor.
Fazem-no no avião, mas aqui estão-se nas tintas.
Porque lá acham que podem morrer, mas aqui acham que não.
Não tenham medo!
Nenhum ser vivo será magoado neste ataque.
Esta é uma advertência padrão da Máfia.
Chefe, pode baixar-se?
Pronto, já chega.
Isto está cheio de fumo.
Agora, vamos mostrar-lhes porque viemos aqui.
Toma.
PADRINHO FADIL
Estou farto, Hulusi.
Tenho queda para as artes desde miúdo.
Aos três anos, cantava com uma escova e fazia a espargata.
Era a minha inclinação.
Fazer um padrinho de um artista!
Ando aos tiros há 20 anos. Quanto tempo mais?
Aguarde.
- Aguarde. - Não temam, está tudo bem.
Aguarde.
Aguarde.
Aguarde.
- Aguarde. - Basta! Nós tratamos disto!
Pode atravessar.
Vamos. Ouçam o sinal.
Pode atravessar.
Não há pensão, Hulusi. Muito menos férias e Segurança Social.
As pessoas mudam-se para o sul quando se reformam,
mas nós mudamo-nos para o Além.
- E vai deixar um negócio de família? - Vou.
A sério, vais ver.
Já me decidi. Vou sair da Máfia.
Jurei na campa de Eyüp Sultan.
- Desejo-lhe felicidades. Que posso dizer? - Arranca, Ridvan. Para o rancho.
Adia os meus outros compromissos. Liga à minha guru do ioga.
Pede-lhe que venha, se estiver livre. Quero purificar a minha energia.
Hulusi, o ioga faz-me bem à depressão.
Não é o ioga. O que lhe faz bem é a guru Gundhi.
É de admirar?
Ela é como uma carta de recomendação de Deus.
Vá, liga-lhe.
Mas que diabos? Para lá de comer um segundo!
- São migalhas. - Eu faço-te em migalhas aqui mesmo!
Liga-lhe já. Ou serás o assassino deste romance.
- Não me faças matar-te. - Está a tocar. Está? Guru Gundhi?
- O que é que ela disse? - "Está."
O que eu não dava por esse "está".
O turco dela está melhor. Não me dês atenção, fala com ela.
Diz-lhe que fui aos arames.
De repente, o Fadil foi aos arames.
Ela não está a perceber.
- Diz em inglês. - O que significa isso em turco?
Ao casamento do meu filho Fadil com a sua filha Alara.
A nossa família mafiosa está à sua disposição, Sr. Ministro.
Um brinde à fusão das duas famílias mais poderosas do país.
Todo o meu poder político está agora à disposição de Fadil. Todo!
Terá a sua imunidade política e uma delegação.
- Saúde, filhota! - À vossa, paizinhos!
Prova as trouxas de legumes. Estão deliciosas.
Eu não misturo hidratos com proteínas, obrigada.
Ainda bem. Até uma criança de três anos os saberia diferenciar.
Um é carne e o outro é fécula.
Namaste. Ela está a vir.
Aquela moça é um anjo.
Juro.
Olha bem para ela, olha.
Olha para ela...
Obrigado, Ridvan. Está lindo.
Emoldurou a capa da revista em que ela aparece?
Já viste alguém como ela?
Não. Nem nunca o vi tão apaixonado.
Perdido de amores.
- Mas acho que é recíproco. - Espero que sim.
Ela não costuma dar aulas. Porque as haveria de dar a si?
Quero dizer, quem é o senhor? Quem é o senhor?
Sou o padrinho de uma organização mafiosa privada.
Ridvan, encosta para deixarmos sair um cadáver.
Não, Ridvan, continua. Sou o último a sair.
Então, cala-te! Não abuses da sorte.
Como estão, meninos?
Anda cá, pai! Acabámos de noivar os miúdos.
Anda, querida Irina.
Pronto.
Vai deitar-te, Irina.
Eu já vou. Nunca nos vimos ao mesmo tempo de qualquer maneira.
Sim.
Fizeste trouxas outra vez, Gülistan?
Segue o teu caminho, mulher da vida!
Vá, querida. Mexe-te.
Aquele é avô do meu belo Fadid?
Quem me dera ter um daqueles.
É tão fofinho.
Não crescem, ficam sempre deste tamanho.
A sério?
Vou comer um ossinho.
Vou chupar até ao tutano.
Então, para quando é o leito nupcial?
Está a falar do casamento?
Não é no mesmo dia?
Não quero interromper a vossa conversa.
Vou andando.
Ajuda-o!
Nada, paizinho!
Nada, paizinho! Ele está a afogar-se!
Chamem a Polícia! Liguem para o 112!
Socorro!
- Socorro! - Pobre Fadil.
Ainda era tão novo.
Obrigado.
Obrigada, senhor metade peixe.
- Chamo-me Bugra, menina. - É de viveiro ou de mar?
Depois ligo-lhe por causa do dia do casório.
- Claro, Sr. Ministro. - Paizinho!
Estou a ir, filhota!
Adeusinho, adeus.
Que Deus nos acuda!
É melhor fazermos uma vistoria à rapariga. Deve ter alguma mossa ou arranhão.
Sim, mãe?
Tenho aqui o homem das limpezas, mas fala.
Filho, o teu pai marcou o teu casamento
com a filha de um ministro, mas a rapariga é feita de silicone.
Casa-te depressa
com a rapariga que amas
ou foge, filho. Salva-te. Envia a tua localização por telefone
e eu vou ter contigo. Beijinho, filho.
Senhor...
O que aconteceu?
Aconteceu alguma coisa ao homem.
Santo Deus.
Está? Gülistan?
Ela desligou. Aconteceu-lhe alguma coisa?
O que se passa?
Senhor?
Está a cair-lhe a cara. Senhor!
Não vá, senhor! Fique!
Senhor!
- O senhor está bem? - Estou ótimo.
Devias ter perguntado ao nosso filho primeiro, Hayri.
Coitado do rapaz! Ele tem de estar apaixonado!
São negócios. Ter uma família é um negócio importante.
Depois de ter uma família, pode fazer amor com quem quiser.
Ai é, Hayri?
Como queiras.
Olha-me para aquelas personagens.
Uma cambada de psicopatas, assassinos, loucos.
- Bem-vindo, chefe. - A quem estás a dar as boas-vindas?
Não me sinto bem-vindo aqui. O que queres dizer?
Quem é que é bem-vindo?
Eu não sou! Nada.
Sai-me da frente!
Atenção. O padrinho Fadil está exaltado.
Sorriam.
Pira-te, estás despedido!
Fica sempre estranho quando ela vem. Já me começa a assustar.
ARMAS
O que posso fazer, Hulusi? Ela é de um mundo que eu desconheço.
Se me disseres para disparar uma rajada na boca de alguém, tudo bem.
Mas quanto a isto, a esta miúda... Não sei o que fazer.
Ela já cá vem há um mês. Fez sempre ioga em silêncio?
Nunca falaram? Achei que já tinham falado.
A FAMÍLIA KARYOLANE
Não, acho que não consigo falar com ela.
Hulusi.
Hulusi, estás a ouvir?
Hulusi, para de tocar.
Não sabes tocar mesmo.
Por favor!
Até a gata está a ficar agitada. Hulusi, para com isso.
Está a ficar toda eriçada.
O que se passa?
O que se passa?
Hulusi, a gata está vacinada?
- Porquê? - Por causa dos direitos dos animais.
Vai buscar tintura de iodo.
E traz-me um antisséptico.
Pode ser que ela tenha família turca. Temos imensas Gundhis.
Ainda nem sequer lhe perguntei porque se chama Gundhi.
Como a vou pedir em casamento, Hulusi?
A menina Gundhi está a chegar ao escritório.
Entendido.
Quero lá saber disto!
Ela é de verdade, meu Deus!
Olha para as minhas mãos. Até estou a suar.
Espera...
Então? Que tal estou?
Perfeito! Cheio de carisma!
Uma mistura do George Clooney e do Kahtali Miçi.
Tu...
Está calado. Não quero ouvir um pio.
Se morreres, não visitarei a tua campa. Não contes com isso.
É melhor ela não ver isto.
Abre a porta.
MATAR SE NÃO FOR NECESSÁRIO
Cara de anjo.
Bem-vinda.
Bem-vinda ao meu coração.
Que tragas alegria à minha vida.
Olá! Vamos começando?
Vamos!
Gundhi, Gundhi Gundhi, Gundhi
Gundhi, Gundhi
És humana ou és um anjo?
Ou és um anjo?
Ama a Gundhi, Gundhi Arrebata a Gundhi, Gundhi
Quando me apaixonei por ti Descobri que tenho amor cá dentro
Ama a Gundhi, Gundhi
Soube logo que existe amor dentro de mim
Existe amor dentro de mim
Fadil? Está tudo bem?
Estava a sonhar acordado.
Foi só um arranhão.
Bem-vinda.
Bem-vinda, Gundhi.
- Porquê "Gundhi"? - Como?
Sim! Doravante, os temas tradicionais. Passatempos, interesses, medos.
O nome é importante. Fez bem em perguntar. Isso já está.
Hulusi, se isto for muito pessoal, podes ir embora.
Já percebi! Porque é que me chamo Gundhi?
- Isso. - O meu pai queria Gandhi.
Mas o chefe enganou-se e fiquei Gundhi.
Era um chefe turco?
Sim. Ejder, de Konya.
Ele nacionalizou-se indiano e era o nosso chefe de Bombaim.
Pergunte-lhe.
Como aprendeu turco? Pergunte!
Foi com ele? Pergunte-lhe!
A criada da minha mãe, Ekrem, ensinou-me.
A sua mãe e a Ekrem fizeram bem. A Ekrem fez bem.
Porque não vais apanhar ar?
Ou então fica aqui e dá o teu último suspiro.
Não, Fadil.
Chame o seu pessoal para a aula. Estão todos tão tensos.
Há muita energia negativa.
Mas que visão! Maravilha!
Quando fazemos um ataque, eles amuam.
Quando matamos alguém, ficam tristes.
Um sorriso será pedir muito?
- Vamos começar. - Vamos!
Precisamos de um espaço com sol. Lá fora é melhor.
Claro, como preferir.
Hulusi, diz a todos
para largarem o que estão a fazer
e virem imediatamente para uma hora de meditação.
- Vamos purificar a Máfia toda? - Sim, por favor.
Ouviste o que ela disse. Em turco é: "Sim, seu idiota!"
Faça favor. Vamos lá purificar-nos.
E onde é que vive exatamente? Na Índia, em Bombaim?
Quero dizer, qual é a sua morada?
A nossa verdadeira casa é a alma, Fadil.
"Alma" é alguma morada?
Não tem código postal?
Onde raios é a aula de grupo de ioga?
Atenção. Ordens do padrinho Fadil.
Todo o pessoal deverá reunir-se para uma aula de ioga.
Larguem o que estão a fazer e quem estão a torturar, e façam ioga.
Ora bolas. Prefiro fazer as minhas abluções.
Vou pôr isto no automático.
Faz isso.
FOMOS PURIFICAR-NOS. VOLTAMOS JÁ.
Onde está a minha raiva? No exterior!
Onde está o meu amor? No interior!
Muito bem.
Eu inspiro, eu expiro.
Entra o amor, sai a raiva. Agora, todos juntos.
Eu inspiro, eu expiro. Entra o amor, sai a raiva.
Não era isto que eu esperava.
Entra o amor, sai a raiva.
Eu inspiro, eu expiro.
Entra o amor,
sai a raiva.
Não! O Bekir caiu.
Levem daqui o Bekir. Concentrem-se!
Purifiquem-se como deve ser.
Padrinho Fadil.
Atacou o restaurante do Bayram esta manhã...
Bahtiyar, estou a libertar a minha raiva. Depois falamos.
Está bem. Que Deus o abençoe.
Ámen.
Eu inspiro, eu expiro. Entra o amor, sai a raiva.
Ilustre guru...
Estou a interromper a sua respiração,
mas estamos a perder homens.
Quem está purificado já pode ir? Eu acho que é melhor.
Ninguém vai a lado nenhum.
Só depois de estarem purificados. Até lá, ninguém se mexe.
- Hulusi, já foste purificado? - Tomei banho de manhã.
Ai o c...!
Valha-me Deus.
Desculpe.
Estávamos a inspirar amor.
Continue.
Em tempos de agitação e infelicidade,
enviamos vibrações hormonais felizes ao cérebro.
Gundhi...
Desculpe.
Esta gente não é dada ao ioga.
Não me consigo concentrar, eles distraem-me.
Veja, estou todo inchado aqui. A raiva ainda cá está.
Ou pode ser o meu baço.
Estava aqui a pensar...
Podíamos ter uma aula a sós ao jantar para nos purificarmos.
Para me desculpar pelos meus homens e agradecer-lhe. Que tal?
Está bem, Fadil. Eu janto consigo.
A sério?
Muito obrigado.
E obrigado, Deus.
O que se passa?
O que se passa?
Que vem a ser isto? Quem são eles?
Onde está o meu querido padrinho?
O meu rapaz, Hulusi.
O que é isto, a Máfia dos tecidos?
Gundhi!
É a voz da Gundhi?
Quem diabos são eles?
Atirem! Matem-nos!
A Gundhi desapareceu.
Alto!
Isto não foi só um rapto. Eles levaram o meu amor.
Encontrem-nos!
Não descurem nenhuma pista ou pormenor.
Vou encontrar aqueles demónios, nem que morra a tentar.
Vou encontrar a minha Gundhi e trazê-la de volta.
Faz bem, chefe.
Dê-nos ordens para matar e nós mataremos!
Acalmem-se! Vocês ficam aqui.
Isto vai ser uma viagem pessoal de autodescoberta.
Além disso, não consigo arranjar vistos para este bando de malucos.
Chefe...
Isto caiu do carro.
Incenso.
Molho de caril.
O que é isto?
Um boneco.
Uma toca tradicional indiana.
Está bem, vão dando notícias. Adeus.
Eles dizem que a casa dela é em Bombaim e que já não sai mais de lá.
E que se formos atrás dela, vamos arrepender-nos.
Santo Deus!
Não só a raptaram, como estão a tentar intimidar-me.
Rapto e intimidação. Quem te disse isso?
Um tipo que atendeu o telefone dela. Ele fala inglês.
Onde aprendeste inglês?
Licenciei-me na loja de tapetes do Grande Bazar com um presente perfeito.
Fizeste bem, Hulusi.
Prepara-te, então. Vamos à Índia.
- O teu inglês vem comigo. - Meu Deus!
Se temos de nos purificar, fazemo-lo no caminho.
Amigo!
O que nos aconteceu?
Libertámos toda a nossa raiva. Ela deixou-nos com amor interior.
Cala-te, estou tão comovido.
Espera por nós, Índia.
Estamos a ir.
Purificação!
Vai purificar-te a Meca!
O que é o ioga?
O que é o ioga?
Nem sequer fazes as tuas orações.
Livra-te das ações judiciais primeiro.
Vais herdar de mim um império mafioso
e continuas a comportar-te como uma criança.
Tu herdaste a Máfia, por isso ralhas com ele.
Deixa o rapaz em paz. Para com isso.
Meu rico Fadil,
a mãe fez-te trouxas de legumes. Come, meu gatinho.
Mãe, precisamos de purificação. Nós vamos à India.
Primeiro comes, depois purificas-te.
Ainda a conversa da Índia.
India, diz ele. Cérebro de galinha.
Façam-lhe uma TAC à cabeça.
Quero ver o que tem lá dentro.
Gastamos a nossa saliva se ele tiver um buraco no cérebro.
Não adianta falar com este animal.
Quem é que escreve o próprio nome com buracos de bala num ataque?
Pai, eu só estava a...
Vão usar isso como prova.
Aposto que emitiram um mandado de captura.
Não digas isso!
Filho, é melhor não dares nas vistas durante uns tempos.
Desaparece.
Gülistan, não lhe dês conselhos. Ele ia para onde?
Para a Índia.
Desisto. Vai-te lixar!
É uma vaca, irmão, uma vaca
Ouve
Isto é uma vaca, irmão turista Tem cuidado
Isto é uma vaca, irmão turista Tem cuidado
Podes ser turista Mas cuidado com as nossas vacas
Podes ser turista Mas cuidado com as nossas vacas
Não te impediremos Não te atrapalharemos
Pensa na quantidade de leite Que uma vaca dá
Percebeste?
Que lhe fizemos nós?
Ela estava no meio da rua e nós enxotámo-la.
Não é preciso dançar por causa disso.
Vaca! Não!
Não mexas na minha vaca
Não mexas na minha vaca
A vaca é nossa mãe
Porque não percebes isso?
Mãe Não entendes?
Porque hás de perder a vida Por uma fotografia?
Não toques na nossa mãe
Fica longe dela Ou partimos-te os ossinhos
Não mexas na minha vaca
Não mexas na minha vaca
Não mexas na minha vaca
Não estamos interessados na vaca. Andamos à procura dela.
Gundhi.
Até que enfim!
Eles pareciam assustados.
Já é mau ter emoldurado a foto dela,
mas andar com ela ao pescoço? É assim que a vamos encontrar?
Cala a boca.
Pira-te. Não me digas o que fazer.
Pergunta às pessoas que encontrares pelo caminho.
Há muita gente na Índia. Alguém há de conhecê-la.
São 1300 milhões de pessoas.
Bolas! São assim tantas?
Alguém há de conhecê-la.
Não me desmoralizes.
Vamos já falar com o chefe antes de darmos entrada no hotel.
Se alguém sabe alguma coisa, é ele.
Espero que tenhas a morada dele.
Não deve ser difícil encontrar um chefe de Konya em Bombaim.
Konya em Bombaim...
Que chico-esperto!
Usa o teu ótimo inglês para chamar um táxi, Hulusi.
Táxi!
Táxi?
- Entre. - Está bem.
Exibicionista.
Reza para que ele saiba turco. Boa sorte.
Que coisa é esta?
Queremos ir para esta morada, irmão.
Mostre-me.
Exibicionista. "Morada" é igual em turco.
Nem neste país com milhões de pessoas alguém me chateia mais do que tu.
E que tara é esta de buzinar?
Ando à procura dela.
Ando à procura dela!
Reconhecem-na?
Ando à procura desta moça. Porque estão a olhar assim para mim?
Que bizarro.
Ninguém reage? Alguém purificado.
Gundhi. Gun...
Um engarrafamento. E ninguém a reconheceu.
Já vai descongestionar.
Está a passar a maior família mafiosa. Parou por causa deles.
- É do outro lado da rua. - Ela está a dizer qualquer coisa.
A estrada vai abrir assim que eles passarem.
Ele está a dizer que está a passar a maior família mafiosa.
Por isso é que o trânsito parou.
O homem com quem vamos falar está do outro lado da rua.
O quê? O rei da Máfia está aqui? Sai.
Sai! Nós atravessamos a rua. Toma.
Para pagar a viagem.
Então?
Seu sacaninha!
- Estamos a ser assaltados! - O que estão a fazer os polícias?
Ajudem-nos!
- Como se diz "assalto" em inglês? - Eu é que sei?
"Estamos nus!"
- Está tudo bem, homem. - Meu Deus!
É normal.
São as boas-vindas. Dê-me o meu dinheiro.
Ele diz "bem-vindos" e quer o dinheiro dele.
- Tome o raio do dinheiro. - Obrigado.
Então, é isto que "livre circulação" significa na economia.
O dinheiro passa de mão em mão. Agora, vamos.
Toca a andar.
A minha cidade parece uma prisão. Até na rua me vigiam.
Fala turco, Gundhi, turco.
Desculpa, tens razão.
Fui livre durante dois anos. Berlim, Londres, Paris, Istambul...
Mas a tua mãe ficou tão transtornada. Ela tornou Bombaim um inferno para nós.
Mas ela é uma mulher e tanto. Matreira e dissimulada.
Matreira e dissimulada?
Matreira e dissimulada, sabes?
Ela fez de tudo para te encontrar.
Como me encontrou na Turquia?
Pela família mafiosa Karyolane. E da família da tua mãe também.
A Máfia encontra a Máfia. Ela falou com eles e encontrou-se.
Como tratam um padrinho assim? As pessoas esperam todas por vocês?
Não precisam do público para as vossas maroscas e trapaças?
A mãe conhece o Fadil Karyolane?
Eu só conheço de nome, mas a tua mãe sabe tudo a respeito dele.
Podem ser da Máfia, mas são uns antipáticos!
Olhem para estes exibicionistas!
Qual é o problema? Hulusi, diz aos rapazes para lhes darem um tiro na tola.
O que estão a fazer?
Hulusi, diz aos rapazes!
- Onde estão os meus homens? - Ficaram com a sua mãe.
Onde estamos?
Que foi? Há algum problema?
Viva. Estava a falar convosco?
- Nunca os vi na vida. - Nem eu.
Namaste.
Vão pagar por isto um dia.
Vamos.
Precisam de ajuda?
Um carregador? Bagageiro.
Ele é bagageiro. Vamos dar-lhe as nossas malas.
Aqui tem, irmão. Leve isso.
O senhor é de onde?
- Obrigado. - Está bem, leve isso.
Então, onde está a sua raiva?
Ficou na Turquia.
Boa, irmão! Onde está o seu amor?
Na Índia.
Escuta, Hülo...
Deixei o meu coração na Índia Deixei o meu coração em Bombaim
Escreveu uma canção para ela?
Sim. Toca o teu baglama, vá.
Isto é que é a verdadeira Bombaim!
Deixei o meu coração na Índia
Deixei o meu coração em Bombaim
Sou pobre, mas tenho orgulho O meu coração é uma bomba viva
Eu amava-te, mas enfim
Ainda acreditava, mas enfim
O meu sangue ferveu
Hare, hare Krishna
Ele roubou o lenço!
Olhe, é a Gundhi.
Esperem. Estão a fugir de quê? Parem.
Onde está o bagageiro? Saiam-me da frente!
Eles fogem quando a veem.
Porque será? Quem é ela?
Eles têm medo dela. Vire isso para o outro lado.
Espero que ela não seja vampira.
Apaixonei-me pela primeira vez e ela é uma vampira.
Vamos falar com o chefe e perguntamos-lhe.
Ele dir-nos-á quem ela é.
Vamos, traz as tuas malas.
Traz aquela também, vá.
Vamos.
Acho que é atrás deste prédio.
Vamos em volta.
- Dá esperança às pessoas. - Certo, entendido.
- Falem no geral. - Sim, chefe.
- Não entrem em pormenores. - Certo, chefe.
- Aprendam a mentir. - Certo, chefe.
Não deem comigo em doido.
Tenho aqui um espelho, se quiser.
Espelho!
Mete isso no bolso! Os espelhos dão azar!
Sai-me daqui com isso! Vocês não me dão ouvidos.
Não percebo o que estás a dizer. Nein, gein, hein. O quê?
Já disse mil vezes! Façam bem o vosso trabalho. São algum gangue?
Olhem para este dinheiro. Na Turquia, nem dava para comprar pão.
Cortei a cabeça por vossa causa!
Isto é como a Anatólia ou Sivas, da nossa infância.
Tens a certeza? Isto é o escritório do chefe?
Olha para esta gente.
Tenham um bom dia.
Tu vais morrer!
Tu vais morrer!
Ele diz que o chefe vai morrer. Vamos todos, um dia.
Estão a ameaçar-nos?
Tu morres primeiro!
Tu "fais" morrer. Disse bem?
Tu "fais" morrer!
"Fais" morrer!
- "Fais" morrer! - "Pais" morrer!
Pirem-se.
O que é isto?
Aprendam!
Vamos embora, deve ser aqui.
- Espero que sim. - Diz "Gabinete do Chefe".
O chefe tem um escritório pitoresco.
Desculpe, viemos falar com o Ejder.
- Ejder. - Ejder?
- Está bem. Só um momento. - Ela diz para esperarmos.
Porque estão a dançar agora?
Eles dançam por tudo e por nada.
O Sr. Ejder, Mukhtar Ejder Vem já aqui
Quem é agora?
Outra vez não.
Ele é como o nosso irmão mais velho Está a vir, valha-me Deus
Nós não dançamos assim. Nós fazemos assim.
Assim.
Bem-vindos.
Ejder?
Podemos falar em turco?
O senhor fala turco. Os meus compatriotas vieram! Turquia!
Bem-vindos! Obrigado por terem vindo!
Não cheiram à Turquia.
Esconda esse amuleto, não o mostre.
- Não é um amuleto. - Não mostre.
Podem tratar-me por tio Ejder.
- Porquê? - Soa bem.
Não fiquem aí plantados, venham.
Entrem.
Mas não entrem ali.
Não toquem naquela porta. Nunca a abram. Nunca.
Agora fiquei curioso.
- Desculpem, deixei aqui os impostos. - Não faz mal.
O que tomam? Sumo de abacate, musgo ou cereais?
- O que vão tomar? - Nada, obrigado.
- Faço questão. - A sério.
Então, não insisto.
Ora, rapazes cheios de energia. O que vos traz por cá?
Vocês dançam como passatempo? Ou gostam de aventura?
- Ou procuram alguma coisa? - A última.
- O que procuramos... - Espere, eu sei.
- A sério? O que é? - O que está cá dentro.
Car....
Passei anos a tentar encontrar-me. O meu "eu" verdadeiro.
Fui até ao Tibete
e fartei-me de procurar. Estava dentro de mim o tempo todo.
Mas é preciso subir uma montanha. É obrigatório.
Nunca acreditariam nisto na aldeia.
O tipo é chanfrado.
Então, Ejder. Quero dizer, tio Ejder.
Estou à procura da minha alma gémea.
Dela, a Gundhi.
- Sumiu. - Desapareceu.
Ejder! Tio!
Santo Deus.
Meu Deus!
São da Máfia? Vieram matar-me?
O que está a fazer? Largue-me a mão.
Pronto, está bem. Beije-a. Beije-a até satisfazer o seu coração.
Se a sua mãe visse como é tão famoso...
- Foi a Jagadamba que vos enviou? - Viemos por iniciativa própria.
Então, porque estou a beijar a sua mão?
Aqui, é um estranho. Porque deixa que lhe beijem a mão?
Posso ter-lhe beijado a mão,
mas por ser tradição nos feriados religiosos.
Não está a exagerar?
- Que tem a Gundhi a ver com a Jagadamba? - A Jagadamba é a mãe da Gundhi.
A maior traficante de diamantes da Índia.
A maior mafiosa.
Tal mãe, tal filha.
Não, a Gundhi é boa moça. Dá para ver só pelo rosto dela.
Há dois anos, ela renunciou à fortuna da mãe e fugiu.
Eles apanharam-na e prenderam-na no palácio.
Para verem como a mãe é psicopata.
Gundhi, a tua mãe decidiu que vais casar com o Sharu.
O avô do Sharu tem uma doença potencialmente fatal.
A promessa que o teu avô fez tem de ser honrada.
É a tradição.
Quem é que se casa por causa de uma promessa do avô?
Ekrem, que outro país permite isso?
A Turquia.
Foste prometida no berço.
Chegámos à minha prisão.
Tem paciência, Gundhi.
Não quero ver a mãe.
Mas ela já nos viu. Para.
Temos de ir lá, Gundhi.
Vamos cumprimentá-la.
A mãe passou dois anos sem falar?
Ainda traduzes os olhares dela?
Não disse uma palavra.
Silêncio total.
Vamos.
Olá, rainha Jagadamba.
A tua mãe diz "bem-vinda".
Eu percebi, Ekrem.
Não te preocupes.
Achas que em dois anos me esquecia desse teu olhar?
Não me sinto bem-vinda, mãe.
Lindo menino.
Lindo menino, Gandhu.
Muito lindo, querido. Lindo...
Dê-me a morada da Jagadamba.
Nem o primeiro-ministro faz negócios com ela.
Quer morrer hoje?
Nunca se sabe quem morre e quem vive.
Dê-me a morada dela. Hulusi...
Dê-me a morada.
Certo. Tudo bem, irmão.
Vá lá usar o seu direito à eutanásia. Mas não me suje o escritório de sangue.
- Dê cá isso. - Pegue.
Dê cá.
Não vim cá para arranjar chatices.
Vim para uma cerimónia auspiciosa.
Veja.
Está mesmo a falar a sério!
Em nome de Deus e do Profeta,
eu, Fadil, peço a mão da sua filha Gundhi em casamento.
O que quer?
Ele perguntou o que quer.
Já lhe disse. Traduz o que eu disse.
Eles têm 1500 deuses. Se fizer isso,
vão perguntar de qual deles está a falar.
Deus há só um!
Deus há só um! Não quero blasfémias!
Não me façam pecar.
Gundhi!
Gundhi...
Sinto muito.
Não queria que viesses desta maneira.
Sinto-me muito mal.
O nosso estimado primeiro-ministro, a sua mulher
e o filho de ambos.
Apresento a imperatriz Jagadamba.
Antes de começarmos a refeição,
quero apresentar o dote que darei a Sharu no dia do enlace.
Este diamante azul de 25 quilates e 3,5 cm assegurará o futuro dos vossos filhos.
Não havia necessidade.
A união das nossas famílias é uma honra.
Não tínhamos pensado num dote.
Mas nós pensámos. As nossas tradições
vêm antes de tudo o resto.
O diamante foi deixado pelo meu pai. É uma joia de família.
Vais dá-lo ao Sharu?
Quando a avó e o pai morreram, o meu coração sofreu.
As minhas lágrimas correram. Mas tu nada disseste.
Não disseste nada durante 12 anos.
Mãe, até eu ganhar a minha liberdade, não falarei na tua língua.
Porque chamaste o Ekrem?
Durante anos, tentei perceber a minha mãe.
Mas agora está na altura de todos me perceberem.
Eu não amo o Sharu.
Outro homem conquistou o meu coração.
Eu apaixonei-me por ele. Amo-o perdidamente.
Sabe quem ele é? Aquele que tens seguido como uma louca!
O Fadil Karyolane.
Vejam, diz aqui "manjar turco".
Para falarmos com mais doçura.
E isto? Flores.
Com uma doce fragrância.
Somem tudo. O que dá?
Amor.
Amor.
Eu amo a Gu...
Parem com isso. Para que são as armas?
Eu também tinha uma.
Mas faz-me tosse.
Trouxe flores e doces
e apontam-me armas.
- O quê?! - Largue isso.
- Pouse essa arma. - Fadil?
Fadil Karyolane?
Acabei de falar de ti à minha mãe.
Tu estás na Turquia.
Devias estar na Turquia. Volta para lá, seu louco. Rogo-te.
Estou à procura dela.
O Ejder deve ter-lhes dito onde eu estava.
Quem são vocês? Saiam daqui!
- Ele mandou-nos ir bugiar. - Não te assustes ainda.
Estão mesmo a pedi-las. Ataquem, rapazes.
O quê?
O que disseste?
Foge!
Foge!
Foge!
Não. A sério, Gundhi. Não.
Eles ameaçaram-me. Tive de lhes dar a tua morada.
Precisam de passaportes e documentos. Não podem fazer nada.
Não, deixaram cá as malas.
Não os vou deixar partir. Tenho muitas casas para alugar.
Amanhã, fujo daqui e vou ter com o Fadil. Vou pedir-lhe que vá embora.
Para irritar a mãe, disse-lhe que o amava.
Depois, vi-o à minha porta.
Não!
O que foste fazer?
A tua mãe vai transformar Bombaim numa carnificina, acredita.
Já és lento assim.
Eles estão aqui, desliga! Namaste.
O que faço agora? Olá, rapazes.
A sério, tio Ejder, podemos ficar num hotel. Para que é isto?
E vão para onde?
Pedi ao rapaz para vos preparar um quarto.
Feito. Lindo menino!
E a Gundhi vem cá amanhã. Onde vai?
- Não quero ferir os seus sentimentos. - Obrigado.
O que se passa?
O que é que eu estava a fazer?
Vamos...
Toca a andar.
Com licença, venho já.
O que é aquilo? Um esqueleto.
Tenho convidados. Não posso assinar nada, entendem?
Hoje não há assinaturas. Voltem para dentro.
O que foi fazer, Hulusi?
Porque os deixou sair?
Eles assombram os meus sonhos.
Que alívio!
Quem lhe mandou abrir a porta?
Há dois anos que tentam que eu assine aqueles papéis.
Com uma população de mil milhões, como tenho mão neles?
São mortos-vivos.
- Apanhei um susto de morte! - Lógico.
É diabólico. Se está morto,
vá deitar-se. Porque é que eles andam por aí?
Não grite, estou assustado.
Desculpe, tio Ejder. Não sabia que até os zombies
dançam neste país.
Não faz mal. Percebe o que quis dizer?
A sério, até na Turquia eu dançava em menos casamentos.
Aqui, dançam quando vão comprar pão.
É mesmo um país fascinante.
Credo!
Arrancaram o dente ao homem e ninguém fez nada!
Ele é dentista.
- Trabalham em tendas aqui. - Está a brincar!
Santo Deus.
Aquilo é uma loja turca?
AS MELHORES SEDAS INDIANAS
O que acha?
- É a sua loja? - Sim.
Como consegui, com o salário da função pública?
Investi as poupanças naquela loja. Senão, como iria pagar as contas?
Tens a morada que te dei?
- Tenho. - E a chave?
Não é preciso. Empurre a porta que ela abre.
- Então e os ladrões? - Ladrões?
Aqui ninguém rouba casa, só pessoas.
Cuidem-se. Adeus!
E esta?
Ele achou que eu estava a brincar. Passaram mesmo por nós.
Chegámos? Que lugar é este?
Eu perdi tudo. Como é que eles conseguiram?
Como conseguem ser tão rápidos?
A minha mãe deve estar raladíssima.
Amanhã procuro um telefone e ligo-lhe.
Achei que tínhamos um hotel decente. Isto é uma favela.
- Vá o chefe à frente. - Desvia-te.
Que espelunca é esta?
Olha, é uma desgraça.
- Não! - Está podre!
Maldição!
Está tudo podre. As escadas estão podres!
Onde está o meu baglama?
Está dentro de mim. Tira-o do meu rabo.
Agora vai ficar desafinado.
Olha-me para esta casa.
Uma lâmpada e uma cama.
Estão 38º e continuam a pôr colchões na cama.
Partiu-se a corda do Dó.
Hulusi, vou estrangular-te com essa corda.
Estrangulo-te já aqui.
Apaga as luzes e vamos tentar dormir.
Estou exausto.
Está bem.
Vamos tirar estes colchões. Fica mais fresco.
Mas são loucos? Com este calor? Está tudo húmido e pegajoso.
Como se diz "húmido" em inglês? Humidade. Eles não falam de outra coisa.
Há imensa humidade.
Vou dormir vestido.
Estou demasiado cansado para me despir.
Dorme bem, Hulusi.
Até que enfim que vamos dormir.
Não há nada como a nossa cama.
Está ocupado!
Sou aprendiz na barbearia. O Ejder ligou-me.
A Gundhi estará à espera do Fadil daqui a uma hora.
A Gundhi estará no templo daqui a uma hora.
O rapaz é aprendiz de barbeiro.
Deixa ver a morada.
As flores são para a Gundhi.
O Ejder comprou um ramo de flores para a Gundhi.
Aquele Ejder é ótima pessoa.
Olha...
Pergunta ao rapaz se há um telefone na barbearia.
Quero ligar à minha mãe e cortar o cabelo,
antes de ir ter com ela.
Amigo!
A tua barbearia tem telefone?
Perfeito! Obrigado.
Espera, eu vou contigo.
Dê-me a morada do templo. O barbeiro pode dizer-lhe onde fica.
Eu vou ao templo e podemos desejar um bom Bayram um ao outro.
É hoje?
A mãe deve estar tão preocupada.
Espera um minuto. Não vás a lado nenhum.
A barbearia é isto?
Estava à espera de um salão de beleza, mas enfim...
Não te esqueças do telefone e da morada.
Obrigado.
Bom dia.
Também têm vacas?
Louvadas sejam.
Disseram-me que eram sagradas.
- É sua? Louvada seja. - Sim.
É nossa empregada.
Não percebi patavina.
Quero um penteado natural.
Aqui, tudo é natural.
Eu bem vi.
Um telefone!
Rapaz, trouxeste-me ao telefone mais antigo que encontraste.
Este é do tempo do Graham Bell.
É um modelo de 1910. Enfim...
E trouxeste a morada. Estás a ser uma grande ajuda.
Obrigado.
Mangala!
Valha-me Deus!
Então, foram os indianos que nos deram o "lambidela de vaca"?
Que tipo de penteado é aquele? Valha-me Deus.
Mangala.
O que se está passar?
Por amor de Deus, homem. Tenha calma.
Tenha calma.
Que doido.
Mãe querida!
Desculpa, só consegui ligar agora.
- Feliz Bayram. - É o meu rapaz!
Estás crescido, mas ainda te lembras da mãe nas festas.
Mãe...
Quieto!
Não era para ti, mãe.
Deseja um bom feriado ao pai e ao avô. O pai não fala comigo.
O teu avô foi passar o feriado a Moscovo.
Mas vou passar ao teu pai.
Hayri, toma.
Hayri, pega, ou então tu e a tua Máfia podem apodrecer no inferno!
Beija-lhe a mão e leva-a à testa. Vai lá.
O que é isto?
Põe-te a andar.
Pira-te.
- Está. Sim? É o Hayri. - Pai, é o teu filho.
É bom voltar a ouvir-te.
Já estás puro, meu idiota?
Tu e o teu parceiro deviam ser purificados pelos vossos pecados.
Não cuspa.
Faça isso bem! Que está a fazer?
Estou a falar com o meu pai.
Com o meu pai. Faça isso bem.
Pelo amor de Deus!
Sacrifica uma vaca para o Bayram.
Cumpre o teu dever.
Já arranjámos uma vaca.
Liguei-lhe assim que a encontrámos.
Ouve, Fadil, vou ser sincero.
Sendo meu filho, ninguém te ama
e, como és meu filho, é claro que eu não te amo.
- Sim, faz sentido. - Mas não fiques triste.
Não te odeio. Quero dizer,
nutro alguns sentimentos por ti.
Pai, vou tentar conquistar o teu amor.
Tem um bom Bayram.
Feliz Bayram, pai.
Mangala.
O que aconteceu? Eu queria um penteado festivo!
Estragou-me o cabelo!
- Muito bonito. - Qual bonito, qual quê? Tome.
Tome lá o dinheiro. Maldito!
Como vou disfarçar isto?
É melhor do que nada.
Tenha um bom... Então?
Isso eram as flores da Gundhi! É a gorjeta da vaca?
Raios partam! Porquê eu?
Ela está à espera.
Para esta morada.
Maldição!
Espere, tem aqui o dinheiro.
Passe bem.
Porque estás descalço?
É assim que se entra no templo.
Olhe.
Hulusi, não foi só o amor que me trouxe aqui.
Este lugar foi feito para mim. Este é o meu país.
Já tomou o pequeno-almoço?
- Quer um wrap de salsa? - Não, obrigado.
Só cheira a incenso.
Hulusi, estou com desejos de carne.
Temos de arranjar uma maneira de deixar de comer legumes.
Então, tenho a surpresa ideal para si. Venha daí.
Desejo-lhe um santo Bayram.
Hulusi, tu és doido?
Eles lincham-nos se virem o animal assim.
Estamos na Índia!
Estão todos a meditar, ninguém nos verá.
Vamos despachar isto, antes que a Gundhi chegue.
O chefe é bom com facas. Pode fazê-lo por mim também.
Reconhece aquela vaca?
É a que nos atacou no dia em que chegámos a Bombaim.
Os amigos dela protegeram-na lá, mas eu trouxe-a para cá.
Hulusi, és um monstro!
Um assassino de animais tresloucado! Passa-me a faca.
Que Deus me perdoe.
Segura aqui.
Deus é...
Deus é...
Eu declaro sem qualquer dúvida
Que só existe Deus para adorar
- Fadil? - Deus é...
Deus é grande!
Fadil Karyolane, o que está aqui a fazer?
Nada! Por sua causa.
Não consigo passar sem o ioga.
Pensei que podíamos fazer na sede.
Viemos para nos purificarmos.
Por isso, estamos aqui. A purificar-nos. Até estarmos purificados.
Esse turbante fica-lhe bem.
Mas falta qualquer coisa.
Agora está perfeito.
Temos de fazer isso depois de cortar...
Costuma fazer festas aos animais?
Como assim? Ouviste?
Ela perguntou se gosto de animais.
Eu e as vacas, as vacas e eu...
Não sei viver sem elas.
Sou assim desde pequenino.
Porque é que tem as pernas atadas?
As pernas? Tem varizes.
Trouxemo-la aqui para fazer alongamentos.
- Continue a fazer festas e a rezar. - Está bem.
- Será que posso participar? - Claro. Faça favor.
Não podemos usar o nome de Deus em vão. Trauteemos qualquer coisa.
Começamos em Sol.
Porque é que a vaca está vendada?
Ele pergunta porque a vendámos.
São os anos da vaca.
São os anos dela.
Preparámos-lhe uma festa surpresa.
Hulusi, vai buscar o bolo. Faz um bolo ou encontra-me um.
Vamos, Hülo. Arranja um bolo! Corre, Hülo.
Estamos a comemorar o aniversário da vaca. Não é fascinante?
Feliz aniversário.
Ela estraga-nos com mimos.
Estava capaz de te comer, estava mesmo.
Vou comer o teu lombo.
Vou comer as tuas costeletas.
Vou comer a tua alcatra assada.
Olhe para estas costelas.
Chefe...
Voltei.
Voltei.
És o maior.
Até arranjaram uma vela. Vocês são fantásticos.
Pegue, comece a dançar.
O que é isto? Colheres de pau.
Eles dançam por tudo e por nada.
Vamos mostrar-lhes os nossos passos. Também temos as nossas danças.
Uma halay supera qualquer dança deles.
Seu chacal!
Vamos caçar perdizes na planície
Amarrar-lhes a asas a um ramo de pinheiro
Vamos dançar, sukadak
O que foi? Não sabem dançar assim?
Não se sabem dobrar assim?
Ela vai perceber.
Gundhi, quer dançar connosco?
Dê o seu melhor.
Ela aceitou.
- O que foi fazer? - Está tudo bem.
Deixa comigo.
Mãe vaca Não fazes anos todos os dias
Mãe vaca Não fazes anos todos os dias
Vou dar-te de comer erva o dia todo E o bolo dos convidados
Vou dar-te de comer erva o dia todo E o bolo dos convidados
Anda, deixa-nos adornar-te Vamos cantar como estrelas rock
Anda, deixa-nos adornar-te Vamos cantar como estrelas rock
Estás feliz?
Parabéns, vaca
Muitos parabéns, vaca
Parabéns, vaca
Vaca, vou comemorar os teus anos Todos os dias
Vaca, vou comemorar os teus anos Todos os dias
Este é um dia fantástico
Devíamos festejar o dia todo
Mesmo que eu não perceba Nada do que dizes
Amo-te perdidamente
O que eu digo não importa Vim aqui para o aniversário
Gundhi.
Continuo sem perceber Continuo a amar-te
Gostava que me percebesses E que me amasses perdidamente
Estás feliz?
Parabéns, vaca
Estás feliz?
Parabéns, vaca
Muitos parabéns, vaca
Vaca, vou comemorar os teus anos Todos os dias
Vaca, dava a vida por ti
Vaca, vou comemorar os teus anos Todos os dias
Vaca
Parabéns, vaca
Pede um desejo primeiro.
O desejo vai realizar-se depressa. Já comeu tudo!
Estraguei a minha pinta.
Não faz mal.
Obrigada, Fadil. Obrigada, Hulusi.
Divertimo-nos muito.
Eu vim cá para falar de outra coisa.
- Mas agora vai ser difícil. - Não nos custou nada.
Gundhi, por favor. Venha comigo.
Não, não.
Os guardas da minha mãe estão lá fora.
Sei de um sítio onde podemos falar a sós. Dez minutos, está bem?
Claro. Porque não?
Não, é por ali.
Não há pipocas para ti.
Comes tudo o que é nosso e nós não te podemos comer a ti.
Mas se estivéssemos em Sivas,
dividíamos-te com sete familiares
e distribuíamos a carne pelos carenciados.
Aqui, levamos a Sra. Dona Vaca a passear.
Dá graças a Deus por teres nascido na Índia ou já estavas na grelha.
Este é um sítio muito especial para mim.
Por aqui.
Esta é a minha família.
Que Deus os tenha.
Eles queriam estar aqui, juntos.
Muito prazer.
Perdeu a sua família num incêndio?
Vou dizer uma oração pelas suas almas.
Veja!
Este é o meu tio.
E a minha tia Esha.
A sua tia devia ser uma senhora forte.
- O que é isso? - São as cinzas da minha avó.
Ela adorava massa de pimentão.
Que descanse num frasco sereno.
Quando a minha avó morreu, o avô deixou Bombaim
antes de espalharmos as cinzas dela.
Ele ficou destroçado.
Eles eram tão apaixonados.
Gostava que todos tivessem um amor interminável como o deles.
Quero dar as cinzas dela ao avô um dia.
Das cinzas às cinzas.
Fadil, quando eu era bebé, o meu avô prometeu-me em casamento.
É uma estúpida tradição indiana.
E agora, a minha mãe raptou-me e trouxe-me de volta para cá.
Para me casar.
Ela seguiu os teus passos para me encontrar.
Fiquei tão irritada com ela que disse que te amava.
Desculpa.
A sério? O quê?
Eu, a sério? Disseste-lhe que me amavas?
A tua mãe...
Eu amo a tua mãe! E a ti também!
Foi o destino, eu e tu. Passámos pela mesma coisa.
O pai também me tentou casar.
Eu recusei. Disse-lho na cara.
E ele disse que eu tinha de casar.
Desculpa, usei o teu nome.
Como assim?
Gundhi, como assim? Usa o meu nome as vezes que quiseres.
O teu o nome é meu e o teu é meu.
- Como assim, "usaste"? - Eu menti.
Para irritar a minha mãe.
Mas parti o teu coração.
Nunca imaginei que estivesses na Índia.
Estava com medo que a minha mãe fosse lutar com a tua Máfia.
Eu vi-te no portão do palácio. Os guardas agora conhecem-te.
Sai deste país, por favor.
Gundhi, ouve...
É um crime
chatear um anjo como tu.
Eu posso tirar-te daquele palácio.
Tenho os meus métodos. Eles nunca nos encontrarão.
Acredita em mim.
A menos que queiras casar com outro.
O quê? Não quero.
Tudo o que quero é liberdade.
Não faças nenhuma loucura, Fadil.
Tenho de ir, desculpa.
Adeus, Fadil Karyolane.
A minha amada, saída das cinzas
Corre para mim
Minha amada, olha para mim
Olha ao vires para mim
Põe um sorriso na tua cara triste
Vem ter comigo a sorrir
Nunca deixei de sonhar mesmo.
Os sonhos são o que dão valor à vida.
Hulusi?
- O chefe está bem? - Estou.
Vinha à procura de um lugar para tocar baglama.
Não estava a ouvir às escondidas.
Ouvi a parte do fim.
Eu sabia que faltava algo.
Estou a atrapalhar outra vez.
- É melhor ir-me embora. - Vem cá. Onde é que vais?
Atrapalhar?
Como me encontrava sem ti?
O que sou eu sem ti? Vem cá.
Tu ouviste o que ela disse.
A Gundhi quer liberdade. E tem razão. O que posso fazer?
Não vai acontecer nada entre nós. Mas se queres saber,
o amor não é prender uma pessoa, é dar-lhe liberdade,
Não é? Pelo menos, eu penso assim.
Ajudas-me a libertá-la e a resgatá-la do palácio?
Faço qualquer coisa por si.
Somos melhores amigos até ao fim.
Mas estou faminto. Não sacrificámos a vaca.
Tenta controlar-te!
Anda, está tanto calor.
Vai um mergulho rápido?
É melhor não.
Pode ser sagrado. Ainda nos fulminam.
Vamos.
Espero que esteja tudo bem.
O que se passa?
- Ámen. - Era o meu pai?
- Um padrinho da Máfia. - Ó Deus.
- Apaixonou-se. - Ó Deus.
- Por uma guru. - Ó Deus.
- Ele foi à Índia. - Ó Deus.
Deus! Ó Deus!
Deus! Ó Deus!
Deus! Ó Deus!
Calem-se, seus loucos!
Não me obriguem a fazer algo de que me arrependa!
Gülistan, o que se passa?
O que fazes aqui?
Criaste um culto?
Não.
Faz sete dias que o Fadil se foi. Estamos a realizar um serviço fúnebre.
Queres juntar-te a nós? Tenho saudades do meu filho!
Só passaram três ou quatro dias. Como assim, sete?
As horas.
As horas!
Esqueces-te da diferença horária. Quantas horas são?
O que é que vos deram de comer?
Ao menos, podias ter feito um docinho.
Não vens à missa do teu filho, mas refilas da comida?
Saiam! Mafiosos de meia tigela!
Bahtiyar,
livra-te deles todos.
Está bem.
Rapazes, eu...
Eu também vou indo.
Fique bem.
Eu trato disto.
E nós partimos esta noite.
Prepara-te. Fiz-te as malas.
Para onde, Gülistan?
Para a Índia, Hayri, ter com o nosso filho.
Vamos?
- Eu, tu e o pai? - O pai não pode ir, está ocupado.
Vamos, Irina! Vá!
Guerra dos Tronos!
Mais! Mais força! O meu tendão de Aquiles!
Isto é sério! Prometi que o Fadil casava com ela!
- Que vou dizer ao ministro? - "Encontra outro."
Tanto trabalho só para entrar no palácio.
Hülo, não te chegues muito. Não me queimes.
Está a ferver.
Está a arder, chefe!
Estou a arder!
Olá.
- Olá. - Sim, Baba?
Diga-me coisas boas a meu respeito.
Pergunta-lhe se ele é casado.
Ainda não é casado.
Ele sabe.
Muito bem, Baba, muito bem.
É óbvio. Ele tem calos nas mãos.
Ele nunca vai casar.
Masturba-se muito, por isso não se vai casar.
Que raios está para aí a dizer?
Porque disseste isso? Não traduzas tudo.
Pirem-se, ó fabricados na China!
Eu sou de fabrico turco.
Chefe?
Que bela melodia é esta?
Uma música de Sezen Aksu, "Hadi Gülümse".
A cobra vai ficar deprimida. Já está a cortar os pulsos.
Toque algo mais animado.
Já sei o que vamos tocar.
Vamos deitar-nos e acordar E estamos em Bombaim
Vamos deitar-nos e acordar E estamos em Bombaim
Vamos deitar-nos e acordar
Não se está a levantar. Continua deitada.
Não gosta de música pop. Toca uma música para dançar.
Espera, vais ver.
Ela vai sair da cesta.
Esta tem um ritmo de 9/8.
Pronto, para. Eles também não gostam dessa.
Estás acordada, mãe cobra?
Vá! Sai daí!
Um segundo. Não se está a sentir bem. Santo Deus.
Espera, cobra.
Estás a dormir, querida.
Vá...
Chupa.
Não.
O que andam a tramar?
Que barulho é este?
A tramar? Que barulho?
Fomos mordidos por uma cobra.
Isso é normal por aqui. Estranhem é quando elas não mordem.
Esqueçam isso agora.
Tenho más notícias e péssimas notícias.
Digas as que quiser. Nós já batemos no fundo.
A Gundhi ligou.
Disse para desistir e que tem receio que algo lhe aconteça.
Disse para ir para casa.
É demasiado tarde, o casamento é amanhã.
Apaixonei-me pela primeira vez e ela vai casar amanhã.
E pior ainda, os seus pais estão cá. Quiseram fazer-lhe uma surpresa.
- Vieram pedir a mão dela. - Merda!
- Perdão. - Não faz mal. Merda duas vezes.
Não falem assim perto do Buda.
Encham os vossos rostos de energia.
Alta voltagem.
Ótimo, perfeito.
Acompanhem-me.
Põe o colarinho para cima. Não deixes que eles vejam isso.
Entrem.
Surpresa!
Mãe, pai, mas que grande surpresa.
Bem-vindo.
Bem-vinda.
Deixe-me beijar-lhe a mão.
Porque estás a abanar o pescoço?
Constipei-me e fiquei com um torcicolo.
Onde está a futura noiva? Ela que me venha beijar a mão.
A noiva?
Nem isso conseguiste, não foi?
Apaixonaste-te e vieste para cá contra a vontade da tua família,
mas não a fisgaste, certo?
Onde está ela, Fadil?
Mãe Gülistan, que é uma noiva? Hoje está aqui, amanhã já não está.
Hoje não está aqui e amanhã já está.
Fadil, há uma futura noiva ou não?
Em teoria, sim. Na prática, não. Por enquanto.
Teoricamente, vamos pedir a mão dela.
Trata do lado prático, está bem?
Vamos lá pedir a mão dela.
Onde estão os pais dela?
- O pai dela já faleceu. - Que Deus o tenha.
E a mãe?
A mãe dela está a matar. A morrer, quero dizer.
Já fez duas peregrinações. Mais vivaz era impossível.
Tem umas bochechas tão rosadas.
Tem mais familiares? Quero conhecê-los.
Só um tio e uma ama. Ela não tem mais ninguém.
- Registados, pelo menos. - Vamos lá conhecê-los.
As famílias têm de conhecer-se primeiro. Tens de ver o que lhes trouxe!
Almôndegas panadas, bolo, pastéis...
Eles sabem que a Gundhi se vai casar amanhã?
Não.
Eles vieram até aqui, alinha na farsa.
Olá, Fadil.
Levante-se. Aquele peregrino convidou-nos. Vá beijar a mão dele.
Vá, não fique aí sentado.
- Onde? - Siga o cheiro.
Vai levá-lo a uma silhueta.
Quando o vir, saberá que é ele.
É um tipo misterioso, deixe que lhe diga.
Vá lá!
Dá-me licença, mãe.
Vou lá. Não demoro.
Olha para aquelas cabeças!
Como é que eu chego lá?
- Como vou ter com o tio? - Pelo lado.
Se for a direito, vai embater no cachimbo dele. Vá a direito.
Vão-se embora, génios. Para trás, génios.
Muito prazer.
Beijava-lhe a mão, se a encontrasse.
Os meus sentimentos. Só tem um dedo?
Que raio é isso?
Pode ser o meu filho, mas é mesmo idiota!
Não consegue sair do fumo!
O fumo também me subiu à cabeça.
Fadil, segue a minha voz.
- Mãe. - Filho.
Ejder.
E quanto é que este tipo vai querer de dote da Gundhi?
A Necla quer saber
quanto é que vão querer de dote.
Qual é a tradição na Índia?
Na Turquia, é a família do noivo que paga.
- Mas aqui é a da noiva. - Mãe?
- Mãe? - Anda, meu menino.
- Senta-te ao pé de mim. Chega para lá. - Estas a falar a sério?
O menino do papá!
O meu leão, o meu menino corajoso.
Mãe...
Mãe, onde está o pai? Quem é este?
É mesmo brincalhão.
O nosso filho está apaixonado. Ele vai casar.
Como vai o mercado aqui?
Ainda no outro dia, ofereceram a um possível noivo da Gundhi
um diamante de 25 quilates e 3,5 cm. Sabia disso?
Valha-me Deus.
Minha senhora, como deve saber,
não é fácil criar um Fadil nos dias que correm.
Ele é um menino educado e de boas maneiras.
Uma verdadeira joia.
Acham que é tudo? Há mais.
Ele é tão puro como o leite que mamou.
Totalmente alimentado a mama.
Ejder, pode traduzir?
Desculpe, é urgente.
Está?
Anda, Hulusi. Vamos apanhar ar.
Hulusi, levanta-te.
Levanta-te.
Quando disser om, desligo. Um, dois, três, om.
Om, vá.
Adivinhem quem ligou?
- Quem? - O meu professor budista do Tibete.
Ele vem cá rezar antes do casamento do Sharu e da Gundhi.
Ou seja? Convidaram o meu professor.
Que quer isso dizer?
Vou meter-vos no palácio. Também fomos convidados.
Tio Ejder!
Obrigado! Que Deus o abençoe!
Que Deus o abençoe!
Tio Ejder.
- Que foi? - Quero perguntar-lhe uma coisa.
- Força. - Estava a falar turco com ele?
Ele fala 17 línguas. Eu também sou bom a línguas.
Falo turco, hindu e inglês como um nativo.
- Estou a trabalhar o meu Kamasutra e Tao. - Não são técnicas de fazer amor?
O meu Kamasutra e o meu Tao não são famosos.
- Entendo, mas não consigo fazer amor. - Está a falar de quê?
O que foi aquilo? Veja lá!
- O que é isto? - Água de colónia.
Obrigado.
A minha cabeça, tio Ejder... Continua cheia de fumo.
Mas que mansão.
Fadil, senta-te aqui. Senta-te aqui.
Que a paz esteja convosco.
Ela é uma deusa.
Já que viemos a um templo,
vamos todos adorá-la.
Que piada!
Sente-se.
Mas foi uma boa piada.
Caros homens sábios e sagrados. Bem-vindos ao nosso evento.
Apresento-vos a imperatriz mais estimada,
nobre, de boa casta... - Está a louvar a Jagadamba.
... mais poderosa e grandiosa da Índia,
a imperatriz Jagadamba Sandhuu!
Que tipo de casamento é este?
- O que é tudo isto? - Pois.
Alegremo-nos! Não é assim que se faz.
Eu mostro-vos como um casamento deve ser.
- Traz o teu baglama. - Firme.
- Que casamento é este? - Eles estão no meio do caminho.
- Levanta-te, anda! - Onde vai?
Raios.
Que engraçadinho. Comporta-te.
Fadil?
- O chefe está bem. - Estou ótimo.
Anda.
O que é isto? Está tudo sentado.
Vamos ficar sentados?
Estão todos contraídos.
Misturem-se e socializem.
Saia daqui!
Vem cá, irmão.
A próxima canção é dedicada
a todos os que amam
e aos que amaram e perderam.
Começa, Hulusi.
Deixei o meu coração na Índia
Deixei o meu coração em Bombaim
Sou pobre, mas tenho orgulho
O meu coração é uma bomba viva
Eu amava-te, mas enfim
Continuei a acreditar, mas enfim
O meu sangue ferveu
Hare, hare Krishna
Esquerda, direita, centro
Abanem-se e dancem
Soltem a barriga, eu entendo
Façam a dança do Dalai Lama
Esquerda, direita, centro
Abane-se e dancem
Soltem a barriga, eu encontro-a
Façam a dança do Dalai Lama
Façam a dança do Dalai Lama
Lama!
Mestre, dá-me um beijinho?
Façam a dança do Dalai Lama
Mãe!
A mãe diz que vocês são muito novos para morrer.
Se querem viver, parem de andar atrás da minha filha e do meu diamante.
Qual diamante?
- Aquela coisa? - Chegou o tipo de rosa.
Aquele calhau?
Andar atrás daquilo?
O que é isto?
Que importância tem esta pedra?
Um diamante azul sem valor.
Em qualquer mina onde escavam
vão encontrar um destes.
Mas conseguem encontrar alguém como ela?
Nenhuma mina tem nada assim.
Mas disto têm com fartura.
Um diamante...
Leve isso daqui. Feche a caixa.
Saia-me da frente.
A minha joia é esta.
A minha joia é a sua filha Gundhi.
Está?
Está?
O quê?
O que aconteceu, Sharu?
O que aconteceu, Sharu? Diz-me, filho.
O que aconteceu, filho?
O avô morreu.
O que aconteceu?
O avô?
As pessoas nascem e morrem, é normal.
Ele está morto. Está mesmo morto.
- Que Deus o tenha. - A vida continua.
- Vem cá. - O que foi?
Não faças cara de contente.
Gundhi, agora que o avô dele morreu,
a situação mudou.
Tanto quanto sei,
a promessa feita no berço fica sem efeito.
O teu avô não tem de dar a sua bênção de novo?
E a tua mãe também.
Mãe, não é a altura certa,
mas não preciso da bênção do avô outra vez?
Tenho de perguntar ao meu avô. Se ele disse que sim, eu caso com o Sharu.
Se disser que não, o casamento está cancelado.
Fadil...
A mãe felicita-te pela tua coragem.
Nunca ninguém a desafiou como tu.
Como me dás tanto valor,
ela diz para tentares a tua sorte com o avô.
O que aconteceu?
Gundhi, o que se passa?
Eu, tu e o Fadil vamos todos falar com o meu avô.
Casarei com quem ele achar melhor.
Isto faz parte da tradição?
Fadil, onde vai? Vocês não sabem o caminho!
Vou trocar de roupa antes de ir.
Tio Ejder, ele está a ir embora. Não me atrase!
Volte aqui!
Quem é aquele?
Ele foi por um atalho. Corram!
Não é preciso, conseguimos.
Fadil, está a ir na direção errada.
Estou a ir para o templo.
Eu consigo.
Estás muito bem.
O meu mundo está de cabeça para baixo. Consegui.
Céus.
Gülistan!
O que estás a fazer?
Hayri, nunca te vi assim.
Ficas direito assim. Ficas estranho da outra maneira.
Olá, ministro Behlül. Como vai?
É verdade.
Viemos até aqui.
Parece que o nosso filho está apaixonado.
Em coisas do coração, o que se pode dizer?
Mas se visse a rapariga,
é uma verdadeira pedra preciosa.
E com pedra preciosa, digo diamante.
Azul, 25 quilates, 3,5 cm.
Está a brincar? O que vou dizer à minha filha?
Íamos fundir as nossas famílias.
Íamos apoiar-nos mutuamente para o que desse e viesse.
Olá, paizinho.
Vou para a minha despedida de solteira.
Gostas?
Continuo a apoiá-lo
até ao fim, ministro.
Tem o meu voto.
E um voto é um voto, certo?
Maldito Hayri...
Senhor!
Liga ao ministro da Justiça.
É o meu signo!
- Gundhi? - Quem está aí?
Assustei-te? Desculpa. Sou eu, o Fadil.
Como sabias que eu estava aqui?
Vais visitar o teu avô.
E disseste que, quando te apaixonasses,
levavas as cinzas da tua avó para junto do teu avô.
Então, pensei que estivesses aqui.
Ena, ouves o que eu digo.
Como sabes que estou apaixonada?
Como? Não sei.
Não foi isso que quis dizer. Não sou convencido.
Só existo eu e o Sharu. Tenho boas probabilidades.
Cinquenta, cinquenta.
Estava a sentir-me com sorte e tu não és mau partido.
Queres que me vá embora?
Tens piada, Fadil.
Fico feio quando me rio.
Diz-me, porque vieste aqui se não estás apaixonada?
E porque não estás? Apaixona-te.
Eu não me apaixonei.
Eu sabia.
Fizeste-me apaixonar, seu casmurro.
A sério?
Credo! Desculpa!
Ela beijou-me!
Quero ir contigo. Tens lugar para mim?
Na minha cabeça e no meu coração.
Vou pedir um riquexó ao tio Ejder.
Temos lugar no riquexó para a Gundhi?
- Tenho tanta fome. - Cala-te!
Assustaste-me. Tudo bem.
Ela sabe o caminho. Ligaram do consulado.
Tenho de ir ou perco o emprego.
Deixa-me perguntar uma coisa.
O Sharu vai chegar antes de nós? Conheces algum atalho?
- Conheço! - Ótimo.
- Certo. - Entrem.
Gundhi...
- Namaste. - Pelo outro lado.
Estou a ir, Nirvana.
Saiam da frente!
Mandei-vos saírem da frente!
Então, encalharam? Desculpem, vou entregar o táxi.
É o turno do próximo motorista. É hora da troca!
Não posso apanhar mais passageiros!
Têm ótimo aspeto.
- Não têm? - Sim.
Obrigado.
Não lhe consigo dizer que não.
Cuidem-se.
As sementes transformam-se em mudas e as mudas em árvores.
As árvores em floresta. E nós também. O que é isto?
Só queria uma carninha!
Queres?
Gundhi, estou tão empolgado. A sério que estou.
Nem consigo comer.
Desculpa, nunca conheci uma perita antes.
- Um homem sábio. - Isso, um homem sábio.
Faz bom proveito.
Vou deitar-me um pouco.
Estou a dar em doido!
Especiarias, sal, alguma coisa. Não há nada?
Ena!
Ela tem um esconderijo privado.
O que será isto?
Deixa cá ver.
É pimento ou cominho?
Cheira bem.
É bom.
É bom estar ao ar livre.
O que se passa?
Quero deitar-me ao teu lado.
A sério?
As estrelas estão quietas. Não se vê uma estrela cadente.
Estás mesmo aqui ao meu lado.
O que fará o avô quando lhe der as cinzas da avó?
Pois, o que irá fazer?
O que será? A minha falecida avó fazia algo assim parecido.
O que será?
Para que o nosso amor também seja interminável,
ele podia espalhar as cinzas em cima de nós.
Achas?
O que se passa?
O que se passa?
Podemos fazer isto? Quero dizer...
Fazem isto antes do casamento?
Em certos sítios, é pecado.
Noutros é pecado.
Há vários tipos de costumes, tradições e práticas.
É diferente em todo o lado.
Desculpa, estou um pouco desequilibrado.
Estão tão apaixonado por ti.
Nunca ardi assim de desejo, Gundhi.
- É porque estás a arder. - A sério?
Se me dás licença...
Vou levantar-me.
Volto já.
Raios partam!
Fadil? Estás bem?
Estou só a apanhar ar!
Precisas de ajuda?
Não façamos o avô esperar. Vou chamar o Hulusi. Senta-te.
Está quase no fim.
É a melhor parte.
Mais...
Delicioso. Não há nada igual.
Hulusi, despacha-te.
Agora, é por um carreiro. Vamos a pé. Estás pronto?
Disseste que querias carne. Isso é um wrap de legumes?
Sim, mas achei este delicioso frasco de especiarias
que sabe a carne. Estou feliz da vida.
- Guardei um pouco para si. - Deixa-me provar.
Dá-me uma dentada.
Ena...
Estou a salivar.
É ótimo!
Delicioso!
Onde encontraste isto?
Olhe...
Fadil?
Trazes o meu saco?
Estão lá as cinzas da avó.
O meu pior pesadelo realizou-se.
Deus, perdoa os meus pecados. Por favor, Deus.
Meu Deus!
Isso é aquela especiaria.
Meu Deus!
Está a dar-lhe uma coisinha má.
Devem ser gases. Solte cá para fora.
Já passou!
Porque estás a comer a avó?!
Deste-me as cinzas da querida avozinha para comer?
Deus vai castigar-te.
Deus vai castigar-te.
Como é que eu havia de saber que a avó estava aí dentro?
Achei que eram especiarias. Acha que eu comia a avó?
As mãos da avó foram beijadas por Bayram.
Podes perguntar como são,
mas não as podes comer!
As pessoas não comem as avós!
Tens de saber isso!
Eu sei.
Não sabes a ponta de um corno.
Hulusi, incendeia qualquer coisa.
Enche o frasco de cinzas.
Queima-te a ti, se for preciso. Não me desgraces
à frente da Gundhi. Enche o frasco com cinzas.
Vou fazer um fogo.
Cuidado!
Fadil!
Meu Deus!
Está a arder! Céus! Está a arder!
Fadil!
Gundhi!
Enche isso.
Vamos encher isso.
Gundhi.
Está tudo a arder.
Gundhi.
Gundhi.
Graças a Deus, salvámos a tua avó.
És o meu herói, Fadil.
Mas não havia menos cinza antes?
Talvez a avó tenha inchado de orgulho.
É possível. Deve ser isso.
Fizemos um grande percurso, Gundhi.
É normal incharem.
São as mudanças de pressão atmosférica e a elevação.
Vês, estamos todos inchados. O Hulusi virou uma bolha.
Isto passa.
Não há montanha, só planícies.
Santo Deus.
Não me apoias, só comes, e ainda te queixas.
Credo!
Ali está.
O meu avô, Bilge Ganesh.
Louvado seja Deus.
Vou primeiro eu sozinha.
E prometo dizer que o outro avô morreu.
Vais dizer-lhe que o avô do Sharu morreu?
Sim, é um assunto de família. Acena quando acabares, Gundhi.
Vai lá.
Avó...
Gundhi.
Minha filha.
Onde andaste
depois de 12 anos?
Gundhi, minha filha.
O avô do Sharu morreu.
O noivado foi cancelado. Quero apresentar-te alguém.
Fadil.
Vem, Fadil.
Corre! Corre, badocha!
Espera aqui, é um assunto de família.
Não se levante.
Não se levante, querido avô.
Deixe-me beijar-lhe a mão.
Sou o Fadil. Espero que esteja tudo bem.
Muito prazer.
Gundhi,
só tenho uma oportunidade para amar.
Só sei uma coisa.
Podes traduzir?
Está bem.
Na vida, todos tentamos esconder as nossas falhas e defeitos,
com a nossa saúde, a nossa força, o nosso dinheiro
e as nossas posses.
Quando alguém aparece e nos tira esta máscara,
escondemo-nos atrás das nossas posses e dizemos: "Este sou eu."
Temos medo. Sentimo-nos inadequados.
Para nos sentirmos mais seguros, dizemos: "Aquelas posses são minhas."
Mas, na verdade, estamos a dizer: "Não sou nada sem as minhas posses."
Não nos apercebemos de que o estamos a fazer.
Mas já não quero acreditar
nas invenções das pessoas e em objetos de adoração.
Só acredito nas bênçãos de Deus e em milagres.
Como a sua neta.
Eu amo-te!
Eu amo-te, meu filho! Muito obrigado.
Ele disse "eu amo-te"? Ele ama-me?
- Obrigado. - Olhe só para si!
É mesmo um querido.
Avô, trouxe as cinzas da avó.
A sua mulher. A Gundhi tomou conta dela.
Não fique triste. Ela vive dentro de nós.
Não é, Hulusi?
- Dentro e fora, está em toda a parte. - Energia.
Que esta pulseira te proteja e te ajude a vencer o mal como a deusa Indra.
Para de pensar e começa a viver.
Para de pensar e começa a viver.
- Como se diz? - Obrigado.
Eu é que agradeço. Obrigado.
Minha querida Gundhi.
Vão ficar todos sentados?
Se não danças no casamento do teu filho, vais dançar quando?
Gülistan, não consigo dançar em andamento, desculpa.
Gundhi, bem-vinda ao meu coração.
- Trouxeste alegria à minha vida - Estou feliz por estar aqui, Fadil.
O meu coração transborda de alegria.
Parem!
Vocês são irmãos, não se podem casar!
Tio Ejder? De onde é que o senhor apareceu?
Não sou eu quem o diz. O consulado mandou isto. Não matem o mensageiro.
Isso é um mandado de captura internacional?
É obra do ministro Behlül.
Maldito sejas, Hayri!
O que está a acontecer, Fadil? Diz-me.
Não é nada, Gundhi.
Diz-me, envias-me cuecas lavadas
durante os próximos 20 ou 30 anos?
Eu dou-te a minha morada.
Legendas: Paulo Montes
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