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Desculpa, tens andado a fazer sexo este tempo todo
e não nos disseste nada?
Não diria este tempo todo. Já faz tipo um ano.
Um ano?
Meu Deus. Onde fazem sexo, na tua reitoria?
Não vou responder a isso.
Sem ofensa, mas passas mesmo a imagem
de alguém que não faz sexo há muito tempo.
"Sem ofensa"?
Queres que eu ande por aí com uma grande ereção?
Que nojo, não.
A exibi-la para saberem que tenho feito sexo? Não.
Só digo que não pareces que andas a ser comido por um empreiteiro.
Está bem, pronto. Que simpática.
Um ano. Um ano da tua vida.
AEROPORTO DE ESSEX
- Relação aberta ou monogâmica? - Pois.
- É aberta. - É um entra e sai de homens.
Nesta fase, sim.
Para vocês é diferente.
Não, é só uma relação.
Cum caraças.
Um jato privado. O que se passa aqui?
Eu posso levar isso… Está bem.
Sei que não temos estado muito em sintonia,
mas podemos parar e desfrutar de irmos a Miami num jato privado?
Champanhe, senhor?
Obrigado.
Obrigada. Olá.
Agora já ages como alguém que anda a pinar.
O quê? Esquece a minha vida sexual.
Não consigo.
Valha-me Deus.
CRIMINOSOS, MAS POUCO
Aí estão eles.
- Venham daí, amigos. - Mas que merda é esta, Morgan?
Então, como foi a viagem? Confortável?
Sim.
- O motorista sabia para onde ia? - Sim, estamos no avião.
Está bem.
Sentem-se.
Obrigada.
Bem, encontrámos o tipo.
É um amador. Deve ficar resolvido em breve.
Mas não "resolvido" resolvido.
É só reaver o dinheiro e está feito.
Desculpem, vamos falar sobre quem são eles?
Seguranças. Não te preocupes com eles.
Portas fechadas. Vamos descolar.
Então, cá estamos.
Oito pessoas responsáveis por mudar a face
do mercado da cocaína no centro de Nova Jérsia.
Sim.
Agora só temos de tranquilizar os brasileiros
mostrando que somos capazes de lhes escoar o produto.
À prosperidade e à sobrevivência!
- O que disse ele? A última parte? - Porque haveria de saber?
Senhoras e senhores.
A Miami.
Não vou mentir, esta não era a Miami que esperava
ao sair de um jato privado.
É húmido e tenho a certeza de que passámos por pessoas a queimar livros
a caminho do aeroporto. Estamos mesmo na Florida.
Sim.
O que se passa lá fora?
Isto não é bom.
O que não é bom?
Os brasileiros deviam ter-se encontrado connosco há 20 minutos.
E? O que significa isso?
Que algo não está bem.
Olá.
Olá!
Olá.
E então?
Estamos bem.
Está tudo bem. Só houve uma pequena mudança de planos.
Idiotas, cabrões!
Os brasileiros querem que jantemos em casa deles.
O plano era reunir num sítio neutro.
Eu sei!
- A casa deles não é neutra. - Percebem-no?
- Não deram outra opção! - Não sei em que é que isto ajuda.
Querias que dissesse que não? Ameaçaram cancelar o negócio.
Isto não é bom!
Odeio quando fazem isto.
- Há algum problema ou não? - O que se passa?
Têm algo bonito para vestir para o jantar?
Define "bonito". Só trouxe uma mala.
Tenho uns tops, mas não sei se são assim tão bonitos.
Cancelo o Mango's? Acho que não vamos.
Eu nunca iria ao Mango's.
Porque trouxeste isso, caralho?
Para o caso de irmos a uma discoteca.
- Ir a uma discoteca? - Discoteca?
O que achas que se passa aqui, caralho?
Vão comprar algo caro que possam devolver.
Preciso que pareçam credíveis, está bem?
Sem seguranças.
Não, gostava de levar seguranças.
Morgan, não faz mal. Ligamos-lhes se algo correr mal.
Eles querem que fiquem. Mantenham os telemóveis ligados.
Abre a bagageira.
Vem cá ver isto. Olha.
Giro.
Mas que merda é esta?
É fruta que parece flores.
Andrei, pedi-te uma prenda boa. Vamos reunir com o cartel brasileiro.
Achas que querem 500 dólares de fruta?
O cartel brasileiro?
Sabias que íamos negociar com o cartel?
Nem sabia que havia um cartel brasileiro.
O quê? Nunca viste o Sicario?
Eles isolam as paredes com cadáveres.
Pareço-te que vi o Sicario?
Olhem para este celofane. O chocolate desfaz-se. É nojento.
Deixa isso no carro.
Pronto, vamos lá.
Sim.
Revistem-nos.
Está bem.
Telemóveis.
Está bem.
- Pronto. O que foi? - Ouve.
Só para ser totalmente claro,
não podemos devolver este vestido caro coberto de sangue.
Foquem-se no que combinámos.
Se não souberem responder a algo, não falem.
Deixem-nos liderar. Limitam-se a parecer confiantes.
- Como se já tivessem feito isto. - Já fizeste isto?
Morgan, vai à merda.
Olá.
Perdoem os meus amigos pela receção calorosa.
Espero que não tenham sido rudes.
- Não, de forma alguma. Não. - Sim?
Se soubesse que íamos vestir-nos a rigor, trazia um casaco.
- Venham. - Sim.
- Como foi a viagem? - Foi boa.
Sinto-me ridículo.
Muito bem, fiquem à vontade.
Olá. Pode dar-me um shot de qualquer coisa?
Sinto aquele a olhar para nós.
Suspeito que ele sabe que somos uma farsa.
Não.
Nicky, ouve.
Se isto der para torto,
quero que saibas que eu sei quanto espaço ocupo nas nossas vidas.
Sim? E?
Bem… Não, nada.
Só estou a reconhecer que estamos mascarados
à frente de membros de um cartel.
Se não correr bem, tenho sentimentos que quero desabafar.
- Não acho que seja necessário. - Sou desastrada e rude. Eu sei.
Parece que não consigo atinar com a vida.
Mas são coisas que quero deitar cá para fora,
caso esta seja a minha última oportunidade.
Coisas com as quais não quero morrer.
Achas que vamos morrer aqui?
Acho que as hipóteses disso acontecer são maiores do que antes.
- Mas que merda? - Sim. Mas ouve.
Eu perdoo-te, está bem?
- Porquê? - Sim, perdoo-te por tudo.
Mas o quê, em concreto?
Estou a tentar perceber o que… Merda.
Quem é aquele?
- Aquele homem é aterrador. - É importante.
Bem, aquilo foi arrepiante.
Paolo, muito obrigado.
Que porra é aquela?
Claudia, de onde veio isso?
Não era suposto ser exibido assim à frente da festa.
É fruta que parece flores.
Enfim, temos muito para discutir.
Não falamos de negócios à mesa.
- É má educação. - Claro.
E por falar nisso, é sempre bom saber com antecedência
quem vem para jantar.
Este tipo não parece um turco de Istambul.
Sim, peço desculpa. Tivemos uma mudança de…
Não gosto de adições de última hora às minhas sobremesas.
E, certamente, não gosto de adições de última hora à minha mesa de jantar.
Claro.
Vão apresentar-se?
- Sim. Queres… - Está bem.
Ou queres que seja eu?
- Certo. - Podes ser tu.
- Eu trato disso. - Certo.
- Ora viva. Sou a Morgan Dardano. - "Ora viva"?
Este é o meu irmão, Nicholas Dardano, e trabalhamos com o Ivan e o Andrei na…
- Logística. - Sim, na parte logística das coisas.
Eu podia jurar que és professora na Escola Primária de Glenview
e que tu és pastor numa igreja comunitária em Nova Jérsia.
É verdade.
Bem, então estou confuso.
Vocês tratam da logística,
ou são uma funcionária pública e um servo de Deus?
Ou ambos.
Sim, o que acaba por beneficiar todos. Passamos despercebidos,
o que é a vossa maior mais-valia.
Corrijam-me, mas não querem que as pessoas a tratar da logística de uma…
- Posso dizer droga? Rota de droga… - Claro.
… sejam as últimas duas pessoas de quem a polícia iria suspeitar?
Temos a ficha limpa e não temos cadastro criminal.
- Tenho uma multa por conduzir bêbada. - Não…
Foi aos 17 anos e já foi apagada do cadastro.
É verdade. Sem perda de pontos.
- Somos uma incrível mais-valia… - Resumindo…
Resumindo, acho que queremos pedir desculpa.
Está bem. Foda-se!
Já chega.
Quem tem fome?
Para vocês.
Para provarem.
Não vá haver alguns agentes federais entre nós.
- Nunca fiz isto. - Faz como eu.
É muito boa.
Esta noite, damos-vos as boas-vindas.
Como assim, perdoas-me? Não gosto do que isso me faz sentir.
Lamento que não gostes do que isso te faz sentir.
Acho que te importas com muita gente. Eu não sou uma delas.
Claro que me importo contigo.
- És minha irmã. - Claro.
É algo inerente e garantido. Não devia ter de o dizer.
- Algumas famílias dizem-no. - Está bem.
Queria que admitisses que me abandonaste quando os pais se separaram.
- Abandonei-te? - Sim.
Fui para o seminário. Que querias que fizesse?
Para seres um herói?
Eu fiquei em casa com a mãe a dar em doida. E tu?
- Desapareceste. - Não sabia que precisavas de mim.
Não sabia. As tuas palavras favoritas eram "vai-te foder".
Psicologia invertida.
Era a minha forma de dizer que precisava de ti.
É doentio. Se é assim que dizes às pessoas que precisas delas.
Mas eu leio mentes?
Além disso, eu admirava-te.
Não sabia. Não me deste essa informação. Desculpa.
- Obrigada por isso. - Estou arrependido.
- Lamento muito. Sinto-me tão mal. - Vê-se que vem do fundo do coração.
Não te julgo se quiseres fazer isso.
Talvez o faça, mas não será pelas razões que pensas.
Tem sido uma boa ferramenta medicinal para nós em termos de comunicação.
Nesse aspeto, tem sido ótimo.
Não tens de explicar. Eu também adoro cocaína.
Eu percebo porque é que isto pega, porque as pessoas gostam disto.
- Sim. - Percebo porque ficam viciadas.
Não te vicias. É uma questão de personalidade.
É muito. Posso cheirar à cara podre?
- Adorava ver alguém fazer isso. - É loucura. Seria uma loucura.
- Força. - Não. Não posso.
Está bem.
Está ocupado.
Pois. Posso ajudar nalguma coisa?
Diz-me tu.
Estiveste a olhar para mim
a noite toda.
Achei que estavas a olhar para mim.
- Porque estavas a olhar para mim. - Certo.
Como pastor que olha para homens, pensei que isto podia ser o nosso segredo.
Acho que houve um mal-entendido.
Pode ter havido um erro de comunicação.
Porquê? Não olhas para homens?
Vá lá.
Pareces-me muito gay.
Bem, eu olho para homens. Só que tenho namorado, por isso…
Beijar é mau?
Porque, no Brasil,
beijamo-nos para dizer olá.
E para nos despedirmos.
Meu Deus.
Acho que estou…
Estou mais preocupado com o que acontece a seguir ao beijo.
Não temos uma relação aberta,
embora agora me arrependa de não ter tido essa conversa,
mas acho que não nos devemos beijar na despedida ou para dizer olá.
Então, porque me olhavas?
Pensei que talvez não confiasses em mim.
Porque não haveria de confiar? Não sou como o meu pai, sabes?
Desculpa, quem é o teu pai?
O Paolo, já o conheceste. Não nos damos muito bem.
O Paolo é teu pai?
Então?
Está bem.
É segredo.
- Não grites. - Não grito.
O meu pai não ia gostar de saber que estou aqui contigo.
Então, porque estamos aqui? Não devíamos estar aqui.
- Não vais contar a ninguém? - Não.
Ninguém sabe.
Quero manter isso privado por agora. Entendes?
Claro que entendo.
Lamento muito,
meu Deus, que tenhas de esconder
uma parte de ti.
É mesmo muito difícil.
- Sou o teu primeiro homem? - Não, pino imenso.
Está bem.
Mas pino maioritariamente modelos masculinos.
- Certo. - Altos, musculados.
- Já pinei com um dentista. - Certo.
- Todo bom, tinha uma pila grande. - Tanta gente boa.
Pessoas que não são tão próximas da minha família.
Certo.
Isto é muito arriscado.
Eu percebo.
Ouve, se…
Se alguma vez precisares
de falar,
terei todo o gosto em oferecer os meus serviços.
Agradeço. É…
É bom saber que o meu segredo está seguro contigo.
- Vais guardar o nosso segredo? - Vou.
- Sim? - Vou, sim.
Senão…
Que engraçado.
- Estou a brincar. - Eu sei.
Está bem? Não contes a ninguém.
- Não. Boa. - Diverte-te.
Cum caralho!
Um brinde a esta noite do caralho!
Morgan, temos de ir para casa.
Meu Deus. O que é isso?
- Não sei. - Posso beber?
- Claro. - Meu Deus. Adeus. Amo-te.
- Vai com cuidado. - Amo-te. Tu também.
- Quem é aquela? - Não sei.
Merda.
Não estou bem, Morgan.
É da cocaína.
É isto que a cocaína faz? Porque é que alguém se mete na cocaína?
Ontem perguntaste se podias arranjar receita.
O quê? Quando?
Acreditam neste tempo? Está lindo para caralho.
É o dia perfeito para estar na água.
- Vamos. - Está bem.
Era desta Miami que eu falava.
Não te sentes mal?
Não. A cocaína faz-me bem.
Temos negócios a discutir. Por favor.
O que se passa? É a nossa gente. Vêm connosco.
Não se preocupem. O Paolo vai mostrar-lhes a baía.
Não os vamos deixar sozinhos.
Vocês fazem os negócios. Não querem fechar negócio?
Como fechamos negócio com o Paolo no barco? Paolo!
Eu fecho os negócios. Ele aprova-os.
Espera, o que…
- O que se passa? - Para onde vão?
Têm um negócio para fechar.
E nós vamos para onde?
Divertir-nos um pouco. Vamos.
Não…
Pois.
Os criminosos são tão indiretos.
Porque há todo este teatrinho só para dizer às pessoas o que se passa?
Tipo, digam logo que nos vão matar no barco.
Não estava a pensar nisso.
- Agora, não penso em mais nada. - Estava a gozar.
Mas há melhor sítio para largar um corpo do que um iate privado no meio do oceano?
Eles ligam à mãe. Identificam-te pelo pé. É tudo o que resta de ti.
Estou enjoado.
Onde estamos?
Vamos.
Ouve.
- Amigo, o que se passa? - Saiam.
Está bem.
- Amigo. - O que se passa?
Podes… Elucida-nos. O que se passa aqui?
Cavem.
Não me vais perguntar porque estamos aqui?
Não.
O Tareq estava em apuros
e ofereci-me para vir em troca da ajuda do Ivan e do Andrei.
Espera…
Estamos com o cartel brasileiro
para ajudar o teu namorado?
Sim.
Não sabia que era o cartel na altura, mas sim.
E lamento muito por te ter envolvido nisto.
Desculpa.
Tenho de acabar com o Max.
O quê?
Nunca faria algo assim por ele. Estamos juntos há 17 anos.
Convenci-me de que havia alguma intenção
por detrás da tua… bondade.
Que não é genuína, porque se fosse, sentir-me-ia ainda mais uma merda.
Mas não há.
Tu, de alguma forma, és só
uma boa pessoa.
É tão irritante.
Boa pessoa?
Não me ouviste? Pus-nos a ambos em perigo.
Tanto faz. Eu queria isto. Tu sabes, eu sei.
Está bem.
Foda-se.
Acho que estás apenas a ressacar de demasiada coca.
Não foi muita. Já consumi muito mais.
- Como? - Sim, não foi muita.
Morgan, por favor.
Isso é assustador.
- Ele está a falar comigo? - Eu…
- Estás a falar comigo? - Sim, tu. Vem.
Que caralho é que ele quer de mim?
Senhor.
Senhor. Ouça.
Podemos tratar de 100 vacas por mês.
Cem… Possivelmente mais.
E estamos a entrar lentamente no território deles,
sem os italianos saber.
Querem dizer-nos por que motivo o pastor e a professora estão aqui?
Como assim? Já falámos disso ontem à noite.
Estou a pedir a verdade.
Não tem nada que ver com o desaparecimento do turco?
Não. Quem disse isso? Não.
Não me fodam.
Se houver alguma ponta solta, temos de saber.
Não há nada com que se preocupar. Confie em mim.
Eu tratei dele!
O Yusuf fugiu para a Turquia.
Mas arranjei alguém lá para tratar do assunto porque…
… se houver um problema,
nós resolvemos.
E voltarei a fazê-lo se algo atrapalhar o nosso negócio.
Então, temos negócio?
Ou continuamos a cavar?
Temos de trancar a porta? Está bem.
- À prova de som. - Sim.
Incrível, não é?
Parece fino, mas não se ouve nada.
Sim. É um barco bonito.
Navegaste… com ele do Brasil ou…
Isso seria uma estupidez do caralho. Não. Do México.
Sou mexicano.
Peço desculpa. Pensei que eras… do Brasil.
Não. Sou de Sinaloa.
Matei o meu caminho até ao Brasil.
Estou a brincar.
Vou para onde o pó me leva, como se diz.
Senta-te.
Anda cá.
O que queres beber?
Dói-me a cabeça, por isso, só água.
Não gosto de beber sozinho. Há um certo julgamento. Tequila?
Sim.
Divertiste-te ontem?
Os pratos não costumam estar vazios. Desculpa.
Tive de me certificar de que falavas a sério.
Mas era da boa, não era?
Sim, era…
… mesmo da boa. Muito pura.
Muito boa.
Então, soube que conheceste o meu filho.
Não sei quem é o teu filho…
Filipe.
Aquele com a bela cabeleira?
Acho que nos podemos ter cruzado na discoteca.
Somos muito diferentes.
Está bem.
Ele é homossexual.
Interessante.
- Ele sabe que tu sabes que… - Não.
Talvez fosse bom dizeres-lhe que sabes e que estás…
Não vou fazer isso.
Como alguém que já escondeu partes de si, posso dizer-te
que saber que a família está do nosso lado significa muito.
Matei o meu pai com uma faca de manteiga.
Heitor.
Bem,
parece que não vou ter de te matar hoje.
Temos um negócio para fechar.
Está bem.
Sim.
Boa noite a todos.
Pensar que havia uma hipótese muito real
de toda esta equipa de americanos e russos ser morta a tiro.
Mas olhem para nós agora.
Saúde!
- Ele está a gozar? - Não sei.
Há alguma parte de ti que goste disto que estamos a fazer?
Nem pensar. Mal posso esperar para me ver livre disto.
Acho que há algo de errado comigo.
Morgan, não há nada de errado contigo.
Podes ser inquieta, aborrecer-te facilmente, estar presa numa má relação
e, sei lá, provavelmente ter TDAH por diagnosticar.
E devias mesmo investir numa agenda,
mas não há nada de errado contigo, sim?
Sim.
Obrigada por dizeres isso.
Sim, acho que precisava mesmo
de ouvir isso.
Snifaste mais coca?
Não. Uma ou duas linhas.
Uma linha. Andas a consumir?
- "Consumir"? - Não sei.
- Estamos em 1997? - É uma coisa estranha…
Tipo, agora és viciada em coca?
Ages como se fosse metanfetamina. Falas como se fosse metanfetamina.
Bem, é alguma coisa.
Que bonito.
Tenho de admitir
que esta viagem foi uma tábua de salvação para nós, não achas?
Tem sido qualquer coisa.
- Algo bom, certo? - Sim.
Sei que isto é piegas.
Mas gostei mesmo do tempo que passei contigo.
Cum caralho.
Foda-se.
Legendas: Nuno Oliveira
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