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Como estava ela?
Por momentos, pensei: "Ela vai fazer o que é certo
e não falar disto?"
É doentio, não é? Foi? Foi doentio?
Abrir um caixão e roubar o colar de um cadáver é doentio?
Vou deixar ao teu critério, sim?
Desculpa, não consegui.
- Não tive coragem. - Eu lembro-me.
Eu estava lá quando o sol nasceu.
Está bem?
Está bem.
Têm o colar?
Toma.
Toma lá.
- Porque me dás isto? - De que estás a falar?
Queria-lo de volta. Estamos a devolvê-lo.
Vão devolvê-lo a quem o roubaram.
- O quê? - Entrem na carrinha.
Não volto a fazer isso.
- Nicky, entra na carrinha. Estou exausta. - Entra na carrinha.
Saiam.
- Saiam! - Está bem.
- Vamos. - Está bem.
Larga-me.
O que foi?
Nunca foste a uma casa?
- Toca à campainha! - Não conheço esta pessoa.
- Toca à campainha! - Está bem.
Nesse tempo todo, podias ter tocado à campainha.
Entrem.
Então…
Cavaram uma sepultura.
Duas, na verdade.
Incrível.
Onde está?
Dá-lhe a merda do colar.
- Está bem. - Certo.
Não toco nisso. Esteve numa mulher morta.
Limpaste-o, Yusuf?
Bem, viemos diretos do…
Então limpa esta merda. Não quero tocar nos germes de uma morta.
Está bem.
Causaram sarilhos suficientes com isto.
O importante é que recuperou o colar. Já é muito tarde.
Adorava ir para casa e tirar o cheiro a caixão aberto antes de ir trabalhar.
Ainda assim…
Roubar um colar de uma vitrina trancada.
A chave estava na fechadura, tecnicamente não estava trancada.
Não me disseste que a chave estava na fechadura, Yusuf.
Ela assaltou-nos na mesma, por isso…
Bem, será que ela assaltou
ou simplesmente rodou uma chave
e tirou um colar de 75 mil dólares
de uma vitrina que era suposto estares a vigiar?
- É o que eu tenho dito. - Cala-te.
Seja como for, ela… assaltou-nos.
Põe a merda da chaleira ao lume.
Está bem.
Venham.
Vamos beber.
Aqui têm.
Isto é álcool às 6h15 da manhã?
Um reverendo e uma professora,
membros tão respeitáveis da comunidade,
a roubar joias e a desenterrar a própria avó.
É impressionante.
Certo.
Está bem!
Gostava que fôssemos amigos.
Parece-me que já tem amigos suficientes…
Tomem.
Um presente de agradecimento.
Não é necessário.
Eu insisto.
Está bem.
- É um telemóvel de tampa? - Telemóveis de tampa.
É muito atencioso. Obrigado.
Agora que somos amigos,
posso vir a precisar de um favor.
E os amigos fazem isso, não é?
Está bem.
Bem, acho que é tudo.
Amigos.
Quando o telefone tocar, atendam.
CRIMINOSOS, MAS POUCO
É nestes tempos conturbados que dou por mim
a pensar nos efeitos do medo.
O medo tem esta capacidade de nos visitar
do nada
e coagir-nos a fazer coisas que nunca nos imaginámos a fazer.
Em Provérbios, diz-se: "O receio do homem arma laços,
mas quem confia no Senhor está seguro."
Mas estaremos mesmo?
Se pensarmos bem,
impõe-se a pergunta:
"O que estamos a fazer?"
Estará Deus a punir-nos? Será um teste?
O que é suposto fazermos
face a, sei lá, vamos chamar-lhe "terror paralisante"?
Quando o medo toma conta dos nossos corpos,
e ficamos ali deitados à noite a pensar no que virá a seguir.
Acordamos com suores quentes.
Não comemos.
O que fazemos?
É uma pergunta genuína.
Que a graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus
e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.
Pronto.
São 10 horas. É melhor levantares-te. O Max está a caminho.
Juro por Deus, vocês os dois e o drama.
Parecem a Elizabeth Taylor e o Richard Burton,
se eles dormissem muito.
Porque está a caminho?
Ele ligou-me. O teu telemóvel está sem bateria.
Viste a minha blusa com os laços?
Estava na lavandaria, fizeste uma máquina e desapareceu.
Tenho muito que fazer hoje. Vou declarar a minha candidatura.
Tenho de tirar uma foto e agora não tenho o que vestir.
Mãe, nem imaginas. Os últimos dias têm sido muito intensos para mim.
Tenho a certeza de que sim, querida. Aqui está ela!
Graças a Deus.
Acho que tens de te comportar como uma mulherzinha
e fazer as pazes com o teu noivo.
Vais declarar a tua candidatura?
Vais gritar numa sala cheia de pessoas?
É muito cedo para sarcasmo, Morgan. Não é atraente antes do meio-dia.
Sê simpática para ele. Ele é uma pessoa pouco funcional.
- Morgan? - Linda, estou aqui com o Max.
Espero que tenhas descafeinado, jurei deixar a cafeína.
Annette, não sabia que vinhas. Tenho a certeza de que tenho.
Descemos num instante. Não tenho descafeinado. Quem é que tem?
- Porque trouxe a mãe dele? - É uma excelente pergunta, Morgan.
Annette, lamento imenso.
O Max não disse que vinhas,
senão tinha comprado bolo de café.
Espero que não tenha sido uma grande surpresa.
Não, de todo.
Esperemos que esta conversa não exija bolo de café.
Max, acho que ter esta conversa
à frente das nossas mães não vai ajudar.
Como não queres ir à terapia comigo,
acho que a presença delas nos vai tornar mais simpáticos.
Linda, não sei quanto a ti,
mas, se vai haver um casamento entre as nossas famílias.
e se vou investir dinheiro nisto,
quero ter a certeza de que não estou a queimar dinheiro.
Exato. Sim, digo isso quase todos os dias.
Este prato dá-me vontade de me matar.
Hoje foi dia de compras. Desculpem lá qualquer coisinha.
Não, a sério, é mais do que suficiente.
Max, querido, temos coisas para fazer.
Sim, está bem, mãe.
Certo.
Morgan, desculpa ter-te chamado nomes.
Não foi simpático.
Sim. Obviamente que peço desculpa.
- Isso é óbvio. - Nem consegues pedir desculpa.
Então peço desculpa agora. Peço desculpa.
Meninos, se vamos ser úteis nesta conversa,
acho que um pouco de contexto ajudava.
- Eu também te traí. - Traíste?
- O quê? - Traíste?
Para ser justa, pareceu-me que ambos traíram.
Eu meio que traí.
O que é "meio que traí"?
Não fizemos tudo. Só fizemos coisas com os dedos.
- Massimo! - Meu Deus!
Não é melhor.
É melhor do que o pénis todo.
Não digas "pénis" à frente da Linda.
- Do que está ele a falar? - Diz-me quantas vezes.
Quantas vezes usaste os dedos com uma pessoa qualquer?
Se não conseguimos ter esta conversa sem referir "dedos" e "pénis",
sinceramente, não devíamos estar aqui.
Annette, quero pedir-te desculpa em nome da minha filha.
Não é preciso. Max, eu eduquei-te melhor do que isto.
Não está a correr como o Dr. Costa disse que correria. Eu só… Morgan.
Sabes o que sinto por ti. Por isso vou para casa,
e fica a saber que ficarei feliz por ouvir-te entrar,
se for isso que ainda queres.
- Mamã? - Não.
- Desculpa a manteiga de amendoim. - Odeio manteiga de amendoim.
Não sei se o Max te disse, mas decidi candidatar-me à Câmara,
já que a minha mãe morreu.
Senti necessidade de ser útil de uma forma maior,
mas como vês, as coisas ficaram agitadas por aqui.
Por favor. Agora és tu que me dá vontade de me matar.
Eu acabei de apoiar o Tom Donaldson.
O Tom Donaldson? O tipo das Jimmy John's?
Sim, ele arrenda-me uma série de lojas.
- Pediu-me na semana passada. - Pois.
- O Tom vai candidatar-se? - Sim.
Não pensei que ele tivesse tempo. Parece sempre ocupado a comprar barcos.
O homem tem muitos barcos.
Deixa que te diga, acho que isto é ótimo para ti.
- Obrigada, Annette. Obrigada. - Acho mesmo.
Agradeço.
Morgan.
Sei que provar fatos não é a tua praia, mas desafio-te a pareceres mais infeliz.
Está com sorte. Consegui encontrar um 40 para o seu…
Primo. Sim.
- Primo? - Sim. Somos chegados.
Pois, estou a ver.
É o meu par num evento para a semana.
Vou ser homenageado pelo meu ativismo queer.
- Sim. - Estive em Stonewall nos motins.
Obrigado pelo seu serviço.
Na altura era um polícia no armário.
Estou convencido de que a vergonha me deu lúpus.
As camisas e gravatas estão no provador.
Com licença.
- Obrigado. - Ora essa.
- Sou eu? - O quê?
É isso que sou para ti? Um gay mau?
Ele tem uma aliança.
- Para. Não é simpático. - Tu és pior. Estou a brincar.
Não acho graça nenhuma,
não é divertido e não gosto de mentir às pessoas,
nem quero brincar aos primos incestuosos numa loja de aluguer de fatos.
Não quero apanhar lúpus.
Então para de mentir por um dia.
Compreendo que não queiras que fique na tua casa
ou que andemos de mãos dadas, mas estamos longe.
O Brent quer lá saber. Não conhecemos esta pessoa.
- Por favor, para. - Credo, isto é urticária?
- O que se passa? - Traz-me a camisa.
- Estás cheio disso. - Eu sei. É do stress.
Está bem?
Desculpa.
- O que posso fazer para relaxares? - Nada.
Não parece que precisem da minha ajuda, mas se precisarem,
estarei aqui à espera.
- Não tem piada. - Certo.
Por favor, trata tu dele.
- Ele precisa do tamanho acima. - Sim. Por aqui.
- Foda-se. - Está tudo bem?
Sim, estou só à procura do telemóvel.
Estou?
Sim, é o próprio.
Não o ouço.
A rede é má. Deu-me um telemóvel de tampa!
O que aconteceu à tua mão?
O que aconteceu à tua cara, sua cabra de merda?
Qual é o teu problema, caralho?
Tu és o problema.
Já tinha muito para tratar
e agora tenho-vos, palhaços, agarrados à perna como uma bola de crime.
- Uma quê? - Uma bola de crime!
Aquelas bolas que prendem à perna dos criminosos para não fugirem.
A bola de metal.
Uma bola de ferro.
O que quer que seja em inglês. Não sei.
É uma bola de ferro em inglês.
- Aonde vamos? - Cala-te!
Desculpa, mas preciso de saber o que nos estão a pedir para fazer.
Tenho uma certa reputação nesta comunidade.
E há limites para aquilo em que posso participar.
Sim? Diz isso à tua avó morta. Estúpido.
Muito bem.
Tomem. Entrem. Está um homem à vossa espera.
E não estraguem tudo.
Porque não podes ir tu?
Porque vocês os dois são como pão de forma.
Como bolo de baunilha seco que dão aos pombos.
É por isso que o Ivan gosta de vocês. Safam-se de tudo.
Então, que tipo de homem… vamos encontrar lá dentro?
Um homem, está bem? Está à vossa espera. Deem-lhe o dinheiro e façam o negócio.
Está bem.
Não sei de que negócio fala. Podes deixar-me sair, por favor?
- Estou a sufocar… aí dentro. - Que maldisposto.
Dá-me isso.
- Eu sabia que era droga. - Droga?
Sim, é tráfico de droga. Hilariante.
Como sabes?
Porque fui uma atriz em dificuldades em Nova Iorque durante cinco anos.
- Fica caro. - Não gostei de uma única palavra tua.
E se entrássemos e saíssemos pelas traseiras?
Podes acalmar-te?
É simples, se não agires como um bófia a ter um ataque de ansiedade.
Tremes como um cão pequeno.
- Não estou! - Estás.
- Emana uma vibração de ti. - E se emanar?
Isto não é natural para mim.
Podes tentar centrar-te durante 20 minutos?
- Que coisa estúpida de se dizer. - Talvez 20 minutos. Nem tanto.
Olá.
Estou à espera há meia hora.
Não, pedimos desculpa. O nosso motorista é idiota.
Vamos a isto?
- Sim. - Eu…
Vamos.
PARA BAIXO
Meu Deus.
Não há maneira de fazermos isto à superfície?
Está bem.
Então?
Estás bem?
Se…
Se estou bem?
Não sei. Morgan, estou bem?
Estou bem. Tu estás bem?
- O melhor possível. - Boa.
Está bem.
Está-me a escapar algo?
Sim.
Bem, tenho de atender.
- Claro. - Sem problema. O trabalho primeiro.
- O que se passa, Morgan? - Não faço ideia.
- Ele está a fazer joguinhos. Não é fixe. - Não devia haver droga?
- Sim, normalmente. - Onde está?
Não sei. Deixa-me só…
É um assassinato?
Vão matar-nos?
- Vimos de mais? - Não.
Não quero que este apartamento seja a última coisa que vejo.
- Estou a falar a sério. - Posso pensar um segundo?
- Já te dei dez. - Isto tem de ser dito.
- Não duravas um dia no Survivor. - Eu não vejo o Surviv…
Ouve. Vamos comprar-te a droga ou não?
Desculpa?
Isto é uma piada, caralho?
Não, não é, caralho.
Acham que vendo droga?
Morgan?
Porque pensariam isso? Pelo meu aspeto?
- Não. - Nunca disse isso.
Olham para mim e pensam: "Ele tem tatuagens. Assusta-me."
- "Deve vender droga." - Não.
Disseram-nos para vir…
Disseram o quê? Espera. Disseram-vos que vendo droga?
- Foi a Carmela, do 2B? - Foi a Carmela?
- Porque ela vende droga. - O quê?
- Já não vendo droga. - Está bem.
Sou um senhorio legítimo que tem orgulho dos apartamentos que arrenda.
- Está bem? - Certo.
Sim.
É um senhorio, Morgan. Está a arrendar-nos um apartamento.
Percebido. Houve aqui um grande mal-entendido.
Quando eu dizia: "Vamos comprar a droga",
estava a falar: "A droga."
Estava tipo: "A droga." Tipo, a mercadoria, a propriedade,
Tipo, vamos fazer negócio: "Mostra-me o dinheiro".
Mostra-me o dinheiro.
Sim, como quando se faz um negócio. Não interessa. Nós ficamos com ele.
- Ficamos com ele? - Ficamos.
Que giro. Se achas que arrendo este apartamento, és doida.
Meu Deus.
Eu acho que fizeste um trabalho maravilhoso com este espaço.
Acho que vais gostar do design do site da campanha.
Talvez tenhamos de contratar um web designer,
mas tenho uma estética bem definida, não deve demorar.
Não sei, parece caro.
Também encomendei placas de jardim.
Sim! Sei que achaste os pins fatelas.
- Mas podiam resultar. - Olá, Kurt.
Os miúdos a pô-los nas mochilas, etc.
Por falar em miúdos, acho que devíamos envolver-nos
com as associações de pais das escolas primárias locais.
Considerando que o nosso foco é a comunidade e a família,
podia ser um ótimo sítio para conhecer gente.
Pois.
Estava a pensar se não devíamos fazer uma pausa.
Em quê?
Na campanha. Tirar um momento para avaliar os riscos.
Desculpa, do que estás a falar?
É que tenho uns meses muito ocupados pela frente,
com a questão da herança da avó e a loja.
Será que tenho tempo para servir a cidade
da forma que quereriam?
Isto é por causa do Tom Donaldson?
Ele é milionário.
Tem um diploma da Ivy League. Eu desisti da faculdade.
Querida, eu vendo pás.
Vai destruir-nos à frente de toda a cidade.
Não acho que tenha estofo neste momento
para esse tipo de humilhação.
Estou a ver.
Está bem.
Querida.
O que se passa?
Nada. Estás só a demonstrar
como deve agir uma mulher forte
quando confrontada com a mínima intimidação.
Estás a falar-me
sobre o que constitui uma mulher forte?
Não. Só acho um pouco ofensivo.
Natalie, só uma pergunta.
Como pode a tua geração ofender-se com o que quer que seja
quando ficam ofendidos por tudo?
Eu nunca tive tempo para me ofender.
Estava ocupada a proteger três filhos das consequências de um divórcio,
para não falar numa loja para gerir, uma casa, almoços para fazer,
diretores para falar sobre o que a Morgan tinha feito nessa semana.
Não havia essa coisa do autocuidado.
Uma mulher forte era qualquer mulher que fazia o trabalho
e tinha um minuto livre ao fim do dia para um copo de vinho tinto.
Quando é que isso mudou?
Não mudou, Natalie. Ainda recebo chamadas sobre a Morgan.
E, no entanto, pareces ter tempo para deixar o Tom Donaldson
impedir-te de fazer o trabalho.
Nunca te devia ter armado com uma educação.
Mostra-me o site.
Não podemos fazer nada para mudares de ideias?
Nada. E tu, para a próxima,
não ponhas a tua mulher a tratar dos teus negócios.
Eu sei.
Ela só…
Ela não me ouve e…
Está bem.
Peço desculpa. Não devia ter descarregado em ti.
Mas eu e o meu marido…
Estamos a passar por dificuldades.
Ele levou-nos à ruína financeira.
Estou a falar de vício no jogo, vício em sexo.
E eu sei que este homem tem um aspeto horrível,
mas ele endireitou a vida dele.
O vício é uma doença do caraças.
Eu sei.
O meu tio perdeu tudo em Atlantic City.
É… uma treta.
Então, percebes.
E com ela grávida, é…
- Parabéns. - Obrigada. Estou grávida.
Sim, estamos só a tentar encontrar um sítio para aumentar a família.
- Está bem. - Obrigada.
Preciso da carta de condução, Segurança Social.
- Claro. Sem dúvida. - Mas…
Há alguma maneira de fazermos isto sem nada disso?
- O quê? - Eu…
- A tua mulher pediu-me droga. - Pois foi.
Não vou arrendar um apartamento sem verificar o crédito.
Tudo em dinheiro. Seis meses. Caução.
Talvez uma gorjeta.
Está bem.
Não me façam arrepender disto.
- Não vais. - Claro.
Eu levo as chaves.
- Isso é… - Muito obrigado.
- De nada. - … muito sexista.
Assumo que vais pintar.
- Sai daqui. - Está bem.
Carochos de merda.
Pronto. Toma.
Obrigado.
E toma.
- O que é isto? Que estás a fazer? - Fizemos o que pediste.
Queres que diga ao Ivan que queres acabar com a amizade?
- Algo se perde na tradução. - Deu-nos isto para lhe fazer um favor.
Fizemos o favor.
Está bem.
Eu digo-lhe.
Só para estarmos em sintonia, o que lhe vais dizer exatamente?
Vou dizer-lhe que vão devolver os presentes e matar a amizade.
Não é a palavra certa. "Matar" não é a palavra certa.
Dá um ar negativo à coisa.
Além disso, estou confusa. Vai haver mais favores?
Não vai haver mais favores. Vamos devolver o telemóvel.
Eu não devolveria os telemóveis.
Não consigo fazer mais isto. Não aguento nem mais um dia.
Sou boa pessoa.
Mereço paz e sossego.
Mereces uma pila grande e grossa na boca, sinceramente.
Este celibato religioso todo tornou-te um ressabiado.
Mereces descontrair.
Bem, tu mereces ordem na tua vida, Morgan.
Mereces uma vida limpa, sem confusões e ordenada.
Achas que eu não sei isso?
Não tens de dizer às pessoas que a vida delas é confusa.
Não ajuda. Nós já sabemos. Já teríamos feito algo se pudéssemos.
- Porque tens o pescoço vermelho? - Erupção.
Caguei para o que merecem, especialmente os teus problemas de pele.
- Está bem. - Está bem.
- Isso é indelicado. - Fiquem com ele.
E ele avisará quando não precisar mais de vocês.
- Está por todo o pescoço. - Eu sei.
É nojento.
EDIFÍCIO MUNICIPAL DE GLENVIEW
Natalie.
Natalie. Esferográfica ou feltro?
- O quê? - Para assinar a papelada.
Não. Só vamos entregar a petição.
Querida, preciso dessa informação. Não serei apanhada desprevenida no fim.
Mãe, está tudo bem.
- Tu estás bem. - Meu Deus.
Está perfeito. Lembras-te do que eu…
Obrigada por vires comigo.
Obrigado por admitires o teu erro.
- Quero melhorar. - Boa.
Já agora, ambos estávamos errados.
Boa! Morgan.
Não estava à espera de vos ver.
Só quisemos vir mostrar o nosso apoio.
Nem sabem o quanto me alegra ver-vos juntos.
Meu Deus, lá está o Tom.
Parece que alguém já fez as pazes.
Mãe, não precisas de fazer um drama disso.
Bem, quero apresentar-te ao Tom Donaldson.
- Certo. - Vai.
- Tom Donaldson. Linda Morelli. - Olá.
- Olá. Tom Donaldson. Olá. - Olá.
Gere aquela pequena farmácia na cidade, certo?
Adoro aquele sítio. Ótimos bibelôs.
Loja de ferragens. É a Ferragens Morelli. Está na cidade há mais de 70 anos.
- É inconfundível. - Muito bem.
Anseio por uma campanha entusiasmante.
- Sr. Donaldson? - Sim, eu também. Olá.
Prazer em conhecê-la, Lana. Isto vai ser divertido.
- Homens. - Pois.
- Recuso-me a deixar este homem ganhar. - Ele é um cretino.
Quem combina a gravata com a camisa?
Olá.
Olá.
Desde quando posso dormir aqui?
É para a minha saúde mental. Alinha, está bem?
Está bem.
Legendas: Nuno Oliveira
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