All language subtitles for Big Mistakes - 1x02 - Episode 2.WEB.ETHEL.pt

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Original subtitles

Eu sei como isto acaba.

Levas-nos para o meio do nada, espetas-nos uns balázios na cabeça,

obrigas-nos a cavar um buraco, a despirmo-nos,

enterras a roupa, seu tarado de merda.

Chantageias-nos para um contrato sexual com um traficante de armas

ou traficas-nos para sexo. Provavelmente a mim, e mata-lo.

Não deves conseguir muito por ele.

Parece que não sabes como isto acaba.

- Acalma-te, Morgan. - Estou literalmente calma.

- Não estás. - Estou calma.

Sabes como sei que não?

Porque estás aos berros há 15 quarteirões, Morgan!

Eu estava bem quando entrei aqui.

- Tretas, tu estavas… - E depois começaste a gritar.

Tu não estavas bem!

Meu Deus!

- Expulsa-me da carrinha! - Expulsa-o. Mata-o.

A tua voz, quero morrer!

Fogo, és tão egoísta.

- Egoísta? - Não estás sozinho!

- Como fiquei com eles? - Estou morta de medo!

Não leves isso à letra! Eu sei que nos estás a ouvir!

Faço o que for preciso para sobreviver. Quem me dera que, por uma vez,

me levasses a sério e me apoiasses.

Já acabaste?

- Já. - Então, acaba.

- Para poderes ficar sozinha. - Porra.

Merda.

Estou.

Sim, estão na carrinha. Estou a tratar disso.

Não, estou a tratar disso. Estou a tratar do assunto.

Olá!

Mas que raio? Vais deixar-me aqui sozinha?

Dei-te uma saída!

A porta está aberta. Estás aí parada feita idiota.

Não vi nenhum aviso!

Sai da carrinha!

- Volta para a carrinha! - Volta!

Sai!

Volta para a merda da carrinha!

Entra. Ele sabe onde moras. Não sei para onde pensas que vais.

Eu…

Não sei!

Volta para a merda da carrinha!

Não, está tudo bem.

Estamos a divertir-nos.

Eu aviso-te quando estiver tudo tratado.

Ninguém sobrevive a um segundo local após um rapto destes.

- Mais vale matarmo-nos já. - Vá lá, anda.

- Não, eu fecho. Obrigado. - Nós fechamos.

CRIMINOSOS, MAS POUCO

Merda.

Gente estúpida!

Saiam.

- Saiam! - Está bem.

Credo.

É o que ganhas por seres um medricas de merda.

Foda-se!

Que tipo de homem deixa a irmã sozinha numa carrinha?

Pois, com um tarado de merda.

Não sejas indelicada. Não sou um tarado.

- Nem te acho atraente. - Por favor, sair-te-ia a sorte grande.

Russo de merda.

Não sou russo. Sou turco. Não soo nada a russo.

Certo.

Ouçam.

Aquele colar era para alguém muito importante, está bem?

Alguém com quem não se brinca. E lixaram tudo!

Se era assim tão importante, porque o deixaste à mão numa loja?

Estava escondido.

Se a bófia viesse à procura de joias ilegais,

não iam suspeitar de uma vitrina barata.

O que geres ali?

- A tua mãe. - Podemos ser civilizados?

Não me digas o que fazer.

Roubaram-me, e vão recuperar o colar. Mais nada.

- Não sei como. - Não me parece.

- Como assim? - Está no pescoço da nossa avó.

Então vão tirá-lo do pescoço da vossa avó.

- Céus. - Ela está morta.

Está enterrada. Estiveste no funeral dela.

- Disseste: "Os meus pêsames". - Era ela?

- Sim! - Sim!

Merda!

Foda-se!

- Não percebo o que dizes. - Soa a russo, não é?

O quê?

- Não, vá lá! - Virem-se!

De joelhos!

Ouçam-me bem.

Têm um dia

para resolver esta merda.

- Meu Deus. Por favor. - Está bem?

Se vierem de mãos a abanar, estouro-vos os miolos!

- Ouviram? - Sim, estás a gritar!

Se descobrirmos que foram à bófia, e vamos descobrir,

esfolo-vos vivos pessoalmente.

- Meu Deus, está bem. - Queimo-vos com ácido!

Está bem!

- Vou encontrar a vossa família! - Está bem!

- Já percebi! - Estás a ser muito dramático!

- Aonde vai? - O que está a fazer?

- Parece que se vai embora. - O quê?

Embora?

Não.

Não.

Corre.

- Aonde é que ele vai? - Merda!

Onde estamos?

Mãe?

- Natalie, que temperatura está? - Sim.

O queijo está a suar. Não é apelativo para os convidados.

A minha mãe odiaria isto.

Meu Deus.

Aquela é a Maria Sacchetti? Como entrou?

Não tenho a certeza. Tu puseste isto no jornal.

Não. Vais ter de lhe pedir para sair.

A avó pediu para ela não ser convidada. Tiveram aquela zanga terrível.

Ela pediu para alguém ser barrado no velório dela?

É assim tão chocante para ti, Natalie?

Já agora, eu disse à florista: nada de flores amarelas, e olha.

Uma, duas, três, quatro, cinco. Por todo o lado.

Sim, eu compreendo perfeitamente.

Mas não sei se expulsar uma mulher de 80 anos da nossa casa

fica bem na imagem de campanha familiar

que estamos a planear mostrar ao mundo.

- Estão aí! Porque demoraram tanto… - Desculpa.

O que aconteceu? Porque estás assim?

- Estou bem. - Vai para a cozinha.

As pessoas não vão querer ver isso enquanto comem quiche.

- Assaltados? - Sim.

Foram assaltados à porta do funeral da minha mãe?

Não diria que foi mesmo à porta. Estávamos a vir a pé para casa.

Porque vieram a pé para casa logo hoje?

Havia dois lugares perfeitamente bons no Hyundai da Natalie.

Bem, eu não sabia que ia ser assaltado.

O tipo apareceu do nada.

Estava a pedir dinheiro ao Nicky, e o Nicky fugiu,

e o tipo foi atrás dele e obviamente apanhou-o. Sim.

Isso não parece informação pertinente.

Eu disse-lhe que o nosso pai é o antigo chefe da polícia,

e isso assustou-o, mas não antes de ele esmurrar o Nicky por chorar.

Portanto, ele atacou-vos. Graças a Deus que estão bem.

Daí a cidade precisar de liderança.

- Pois. - Certo.

Está a desmoronar-se no caos. Vai lá acima refrescar-te.

As meninas do grupo do Facebook estão aqui.

Não precisamos que façam uma tempestade num copo de água.

- Meu Deus. Desculpa. - Credo, Morgan!

Escorregou-me da mão. Estou a sentir-me tonta.

Achas que tenho stress pós-traumático do…

Meu Deus.

Estás pálida. Vai lá acima e deita-te um bocadinho.

Talvez deva ir para casa.

Está bem.

A meio do velório da tua avó, perdeste o juízo?

Dói-te assim tanto?

Porque o teu irmão é que levou um murro por chorar.

Sim, sinto-me enjoada. Sinto-me mal.

Está bem.

Bem, és adulta. Podes fazer o que quiseres.

A vossa avó está a dar voltas na campa.

Vou buscar a vassoura.

O que é isto? O que estás a fazer?

O cemitério fecha em breve.

Morgan, já te disse, sou pastor.

Não posso, em boa consciência, exumar um…

Exumar um corpo para um criminoso.

Isso é de loucos.

Tens outras opções? Porque são quase 19 horas.

Não ouvi nenhuma. Não é um bufete de escolhas.

Dá-me só uma…

Há vidros.

- É melhor ter cuidado. - Obrigado.

Se me deres um segundo, talvez consiga arranjar uma resposta,

mas tem de haver outra maneira de escapar disto.

Sim, a morte.

Isto é culpa tua, Morgan.

É inteiramente culpa tua, problema teu.

Tanto faz. Isto reafirma porque vivemos na mesma cidade

e nunca falamos um com o outro.

Vou resolver o meu problema.

- Não faças isso. - Morgan, querida.

- Vá lá. - Há vidros por todo o lado.

- Estou farta de tudo. - Deixa-me ajudar.

Não, eu trato disto. Vai-te refrescar.

- Viste as mulheres do Facebook? - Certo.

Estão por todo o lado.

- Se te virem… - Está bem.

Sabe-se lá o que vão pensar.

Morgan, espera.

Sim.

Ias embora e deixar-me sozinho com a tua família?

Desculpa. Sim, não, parecia que te estavas a divertir.

Com a tua tia bêbada?

Sinto que estou a chocar algo.

Só quero deitar-me na cama durante umas horas.

Vou buscar o casaco.

- Vou contigo. - Não, vou só eu.

- Um de nós devia ficar, não? - Foda-se. Não, Morgan, tipo…

- O que devo dizer? - Sei lá. Qualquer coisa.

Estão sempre aos gritos.

Isso stressa-me. O tom da minha voz não sobe tanto.

É muito constrangedor se ficar sozinho com a tua família.

Conhece-los há 17 anos. É como…

Então?

- Vai buscar o casaco. - Sim.

- Rápido. - Espera aí.

Estarei aqui.

- Olá, pai. - Filho, como estás? Já comeste?

Não, mas estou bem.

- Como está a Denise? Obrigado. - Foi um serviço…

- Está bem. - Boa.

- Boa. - Boa, obrigado.

Tenho uma pergunta. Se…

Se um criminoso te dissesse que saberia se fosses à polícia…

Isso é real? A polícia ainda é subornada?

Foi isso que ele usou contigo? Esses gajos veem demasiada TV.

Não te preocupes.

Só tens de te preocupar se for um crime de alto nível.

- De alto nível? - Sim.

Tipo o quê?

Roubo de joias?

Ele roubou-te joias?

- Isso é… - Nicky, não sei.

São crimes de alto nível, crime organizado.

São os que têm gajos lá dentro.

Então, as pessoas subornam a polícia?

Claro, às vezes, mas não o tipo de gajos que cometem crimes

que são tão característicos.

Como assim, característicos?

A tua mãe quer que eu abra uma investigação.

- Ela… - Porquê?

Ela está preocupada que talvez tenhas sido um alvo.

Alvo? Eu…

Isso é impossível. Eu não conhecia a pessoa.

Eu sei, mas os crimes de ódio são assim.

- Quando… - Crime de ódio?

- O que foi? - Como assim?

Ela está preocupada com o facto de seres…

… sabes, sensível.

Ela acha que fui atacado por ser gay?

Ela acha que ia aos saltinhos pela rua?

Estás a levar isto a mal. Já agora, é uma das coisas que todos amamos em ti,

mas tens um andar muito musical.

"Todos"? A família toda discutiu isto?

Faço isto pela tua mãe.

Se acho que vai dar algo? Talvez não.

De facto, alguns já malharam num gay ou dois.

Pai, não podes dizer "um gay".

Desculpa, um homossexual. Já não se pode dizer gay?

"Gay" pode-se. "Um gay" é diferente. Não quero ter esta conversa agora.

Vou ter com a malta da esquadra.

- Se quiseres que fale das joias… - Não.

Não preciso que fales com eles nem que menciones as joias.

Tenho a informação de que preciso. Não digas nada.

- Está bem. - Certo. Prometes?

- Prometo. - Está bem.

- Ias-te embora sem mim? - Não ouço nada.

- Então, abre a merda da janela. - Sim.

- O que se passa contigo? - Nada.

Estou a ter uma enxaqueca ocular.

Está a minutos de me lixar a cabeça.

Mais uma razão para não estares ao volante. Eu guio.

Não, amor. Eu estou… Foda-se!

Estou ótima. Não, estou bem.

Estou bem. Não.

Espera, sai do carro.

- Sai. - Não, ouve.

Só preciso de um tempo sozinha, e tu és um condutor cauteloso.

Eu já podia ter ido.

Porque paro nos stops?

- Agora, sim. - Não parar é ilegal.

Andas tão evasiva ultimamente. Estás… Tenho tido dificuldade em…

Morgan, tens sido tão difícil de definir emocionalmente, tipo…

Sinto que há um abismo emocional entre nós.

Não há abismo nenhum.

Mas tu dirias se houvesse um abismo.

Sim, sem dúvida.

Parece que me andas a mentir ou a esconder-me alguma coisa,

tipo um caso.

- Um caso? - Não sei. Diz-me tu.

Morgan, não vou sair do carro.

Está bem.

Tive um caso.

Tretas. Não acredito.

Acabaste de me acusar de ter um caso.

Estou a dizer-te, tive um caso.

Está bem.

Deixa-me sair da merda deste carro, Morgan.

És uma porca!

Sou uma porca vadia, concordo.

- Desculpa, mas é verdade. - Sim, eu sei.

É o que tu és. És uma porca vadia.

Então…

Foda-se…

Não fiz mais nada senão venerar-te desde que tínhamos 16 anos.

E o que fazes com todo este amor e generosidade que despejo em ti?

Tu simplesmente…

Tu simplesmente engoles essa merda.

Porque sou uma puta porca vadia.

Nunca diria "puta".

Sabes o que penso do trabalho sexual.

Dá-me o anel.

Olá, desculpem interromper.

Há uma fuga, e ele é empreiteiro. Vou roubá-lo, se não se importa.

Muito obrigado.

- Certo… - Tomaste algo para o olho?

O olho está bem. Não é sobre isso.

Ouvi a Maria a dizer ao teu pai que a casa de banho de baixo

está sem papel higiénico, e dizia-o alto o suficiente

para as pessoas ouvirem.

- Pareceu intencional. - Não acho.

É assim que ela presta homenagem à minha mãe?

Pus-te encarregue de ficares de olho em tudo.

Queres que fique à porta da casa de banho e espreite depois de cada convidado?

- O teu olho está a piorar. - O olho está bem.

Põe mais gelo assim que repuseres o papel higiénico.

- Os meus pêsames, Sra. Morelli. - Tareq.

O facto de teres vindo significa muito.

Antes que me esqueça, a madeira foi entregue na loja ontem.

Isso devia ser a menor das suas preocupações.

Um dos últimos homens capazes neste planeta.

Sei que te digo isto sempre que te vejo. Como não tens marido?

Natalie!

Tenho uma ideia que quero partilhar contigo.

E se marcássemos o cruzeiro esta noite?

Simplesmente ir, despedirmo-nos, viajar pelo mundo, seis meses.

- Para muito longe. - Está bem.

- A Morgan teria de vir… - Acabaste de ser agredido.

- Tu e a Morgan vão ficar bem. - Não.

É um pensamento independente. Está enraizado em romance e liberdade.

Não podemos despedir-nos. Ainda estamos a poupar.

Adoro o entusiasmo, mas estiveste envolvido num crime de ódio.

Como é que isto escalou para um crime de ódio?

Quem empilha papel higiénico na vertical?

- Nick, pousa o papel higiénico. - Eu estou bem.

Agora estás seguro.

Estás bem.

Não sei se estou bem. Passa-se muita coisa que tu desconheces.

Está bem.

Então conta-me.

Tenho de levar isto para dentro.

Está bem?

FERRAGENS MORELLI

SEGURANÇA

- Olá. - O cemitério está fechado.

- Abrimos logo de manhã. - Certo.

- Obrigada. - De nada.

Mas, senhor, é só que a minha…

Isto é pessoal, mas…

Prometi à minha avó que lhe faria companhia, está bem?

Ela nunca cá esteve antes, sabe?

A sua avó está lá dentro perdida?

Não, ela… está morta.

Ela… Enterrámo-la hoje.

Mas ela tem demência. Não sei se isso passa para o além.

Não sei o que sabe,

se tem experiência com isso, um familiar, mas é triste.

No fim, ela não sabia o nome dela. Achava que eu era o marido dela.

Eu vestia os fatos dele, dançava com ela, só para a fazer feliz,

Era o quanto a amava. Não vou desistir dela agora.

Vou entrar, vou beijá-la na boca se tiver de ser.

O meu maior medo é que ela esteja ali, confusa.

Ela não sabe onde está, percebe?

É uma boa mulher, está bem? E eu fiz-lhe uma promessa.

Não há hipótese de me dar as chaves?

Eu tranco. Prometo que me porto bem. Quero fazê-lo. Ela merece.

Não a conhece, mas ela merece. Ela era enfermeira.

Uma enfermeira de guerra em Pearl Harbor.

- A sério? - Tranque tudo antes de ir.

Muito obrigada. Isto é pelas tropas, a sério.

Deus vai abençoá-lo por isto. O meu irmão é ministro.

- Tenho de te contar uma coisa. - O que é?

Meu Deus!

- Não sei. Carreguei num botão. - Dão-me licença?

Só um minuto. O Kevin trabalha em fintech.

- O quê? - A sério, fintech.

Eu compreendo.

Estou a tentar pôr o diaporama de homenagem.

Porque mudaste a playlist?

- Porque achas que mudei a playlist? - Palpite. Não sei.

- Preciso de… - Está tudo bem?

Não, estou a tentar pôr o diaporama de homenagem.

Pronto.

- Meu Deus. - Está bem.

- Querido. - Sim.

- Estás estranho. O que me querias dizer? - Eu sei.

- Acho que perdi um botão de punho. - O que disseste?

Olhei para a camisa e percebi que um dos botões tinha caído,

e percebi que acho que caiu no caixão

quando fui abraçar a avó.

O que queres que faça com essa informação?

Não sei. Só estou…

Foram um presente da igreja.

- São antigos. Por isso, eu… - Nicky, do que estás a falar?

Nada. Só estou a dizer que não sei o que fazer.

- Arranja outros. - Porque falamos de botões de punho?

Não me lembro de te convidar para esta conversa. São valiosos.

Creio que eram de ouro. Era um botão de ouro.

Caiu lá, e estou a tentar perceber se há maneira de os recuperar.

- "Recuperar"? - Está enterrado. O que podes fazer?

Bem, acho que não… Quer dizer, acho que nada.

Como foi enterrada esta manhã, a terra pode estar solta o suficiente…

- Nicholas! - Meu Deus.

Estás a sugerir exumar a minha mãe por um botão?

Não! Claro que não.

Eles fazem isso?

Perdeste oficialmente o juízo.

- Estou a perguntar. - Meu Deus.

São as costas nuas da minha mãe.

- O quê? - Mãe.

- Céus. Mãe. - Natalie, o que puseste?

Estas são as fotos do álbum de homenagem.

- Resolve isto. - Céus, não.

Tu é que tens o telemóvel.

- Querido, para isto. - Desculpa.

- Pronto. - Meu Deus.

- Certo. - Vou desligar a televisão.

A Morgan devia ter visto isto, e agora não está em lado nenhum.

A minha mãe ficaria envergonhada.

Entendo. Sabem que mais?

Todos beneficiaríamos de ser um pouco mais amáveis uns com os outros.

Está bem?

Todos fazemos o luto de formas diferentes. E a Morgan…

A Morgan anda por aí algures,

atolada em desgosto.

- De certeza que está numa rave. - Então?

A avó não pode estar envergonhada, mãe.

Ela não está aqui.

Está no Céu.

A julgar as pessoas lá.

Está bem?

Por isso preciso que, pela primeira vez na tua vida, respires fundo.

Está bem? Esta mesa está linda, mãe.

Mereces sentar-te e beber um copo.

- Mas vamos começar o diaporama. - Sim.

Então, depois do diaporama.

Está bem?

Bom, acho que tenho de ir.

Dói-me a cabeça. E as pessoas estão a olhar.

Obrigada. Agradeço-te, querido, porque é difícil olhar para a tua cara.

Muito bem. Então, vou andando.

- Sim. - Sim?

- Adoro-te. - Adoro-te.

- Certo. - Obrigada.

Estás bem?

Viste o que a Bethany trazia vestido?

Vi.

Meu Deus.

Morgan.

Morgan.

Maria?

Quero agradecer-te por teres vindo.

Sei que, dado o que se passou entre vocês,

não deve ter sido uma decisão fácil.

Do que estás a falar?

A tua mãe era uma cabra, mas eu amava-a.

A mãe dizia sempre:

"A indiferença é a pior coisa que podes receber de uma pessoa."

Não sei muito bem o que aconteceu,

mas acho que podemos concordar que ela sabia ser crítica.

Não escreveste um cartão de agradecimento à minha mãe há 15 anos.

Ela enviou-me um cabaz de agradecimento por recomendar o meu catering.

Devo enviar um cartão de agradecimento pelo cabaz de agradecimento?

É de loucos, não é?

Ela ouviu dizer que o levaste para a igreja

e o partilhaste com amigos.

Agora ela quer controlar o que faço com o cabaz de agradecimento.

Não conseguia comer aquele queijo todo sozinha.

Ouve,

apesar de todos os defeitos da tua mãe,

és uma mulher decente, Linda.

Construíste uma família muito simpática e honrada.

Vamos concordar em deixar que esse seja o legado dela.

Bem, eu…

Agradeço imenso, Maria. Obrigada.

Só te quero lembrar

de que uma vez lhe emprestei 18 dólares.

- Nunca mos pagou. - Nunca tos pagou.

- Sim. - Só estou a dizer.

Só chegaste até aqui?

Isto é mais difícil do que parece. Tenho as mãos cheias de bolhas.

- Não usaste luvas? - Não usei luvas.

Não pensei na saúde das mãos. Nunca cavei uma sepultura.

Não sei o que fazer numa situação destas.

- Está bem. - Lixei as costas.

Lixei as mãos.

Estamos lixados. E eu sou uma merda.

Sim.

Credo.

Vou viver a minha vida toda sem nunca ter feito nada importante.

Certo. Muito bem.

Morgan, vou precisar que me dês a mão.

- Agora. - Está bem.

Vamos a isso.

Pronto.

Preciso que te recomponhas.

- Certo. Sim. - Está bem?

Primeiro, não és uma falhada.

És professora numa escola pública.

E tirando ser mãe, é o trabalho mais ingrato dos EUA.

Obrigada. Não disse que era uma falhada.

E se continuarmos a cavar,

devemos chegar ao caixão antes do sol nascer.

Nunca pensei dizer isso em voz alta.

Vais cavar?

Vou cavar.

- Estive aqui a noite toda. - Está bem.

Apareceste. E de alguma forma, estás a fazer o mínimo possível.

- Está bem. - Sabes? É tipo…

É o que eu precisava agora.

Morgan.

Sim.

Quem é o Alan Botkins?

Não sei. Quem é o Alan Botkins?

Diz-me tu. Estás a cavar a sepultura dele há duas horas.

O quê?

Não, isso é…

- Não. - Meu…

- Não, isso… - Olhaste para a lápide?

Ou viste um lote fresco e começaste a cavar?

Foi aqui que o funeral foi feito.

Não, o funeral foi feito aqui.

Morgan!

Não.

- Caramba. - Meu Deus!

Está um breu do caralho.

Quais as probabilidades de haver duas campas recentes?

Estamos na parte nova do cemitério. É muito provável.

Há campas recentes por todo o lado.

Há uma ali. Há…

- Há uma aqui. Campa recente! - Não!

Há duas aqui.

A sério. Preciso que sejas simpático comigo.

É este o estado do sistema de educação público?

Não faças isso!

Eu sabia que não era ótimo, mas isto é assustador.

Para, estou a falar a sério.

Que raio é isto?

É uma pá pequena.

Não, isto é uma enxada, Morgan.

Isto é uma enxada.

- O quê? - O que puseste neste saco?

Pás!

Legendas: Nuno Oliveira

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