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UM DOCUMENT�RIO NETFLIX [by WILLIAN MELO]
A vida � engra�ada.
Mas eu sempre pensei que s� ia viver at� aos 30.
Para al�m disso, seria horr�vel estar vivo.
At� eu fazer 31 anos.
Depois pensei: "N�o � t�o ruim assim.
Vou segurar as pontas mais um pouco."
Ao avan�armos, percebemos de que o conceito de amadurecer �...
S� somos maduros quando somos enterrados.
Nunca somos maduros.
Mais blues que isto � imposs�vel.
Isto � que � boa m�sica.
O poder do blues era magn�fico.
Quem consegue fazer um som assim � o m�ximo para mim.
Entendem?
Para mim, a m�sica � o centro de tudo.
� algo que une as pessoas atrav�s dos s�culos, dos mil�nios.
� indefin�vel.
E nunca ningu�m ter� uma resposta para ela,
mas � muito divertido explor�-la.
NOVA IORQUE
- Anthony, como vai? - E voc�?
- Vamos l�. - Outra vez.
Mais uma tentativa.
Como tem passado, Anthony?
Muito bem, obrigado.
JORNALISTA
Keith, tenho apreciado muito as suas m�sicas novas.
Porque n�o me fala um pouco como come�ou?
O que te fez voltar a ativa?
Eu estava pensando nisso.
Acho que coincidiu com o fato de estar fazendo o livro...
S� n�o � melhor que a B�blia.
E os Stones tiveram uma...
... em que entraram em hiberna��o durante cinco anos.
Porque n�s... Os Stones trabalharam direto at� 2007.
E eu estava com vontade de voltar ao est�dio.
Amo gravar.
Sinto-me em casa em qualquer est�dio.
Todo resto �... bagagem.
Colocamos outro microfone l� dentro?
- Ou aproximamos s� o de fita? - N�o, ouve...
Toca qualquer coisa.
� melhor, n�o �?
E, de repente, o Steve Jordan veio me visitar e disse:
"Que tal irmos para o est�dio,
s� n�s os dois, e gravamos algumas faixas?
V� o que acontece."
Ele disse algo que me chocou.
E eu pedi que nunca mais dissesse aquilo.
Ele disse: "Eu j� fiz muita coisa... e agora, o livro e tudo o mais."
Ele n�o estava tocando.
PRODUTOR
E disse algo do tipo: "Talvez esteja na hora de me aposentar."
Com o que eu me passei completamente.
Disse: "O que est� dizendo?"
Eu estava son�mbulo quando falei isso.
Eu disse: "O que est� dizendo?"
Consegue?
Sim, � um pouco grave.
Musicalmente, o que notei no Keith � que ele dar muita import�ncia para os detalhes.
E temos que ser assim, se formos...
... arque�logos e... Insistimos em dados do local.
N�o s� da origem de algo,
mas tamb�m com os seus princ�pios e propriedades.
E ele � como um taxista de Londres, que conhece todos os cantos da cidade.
- Pois. - S� que ele tem isso na m�sica.
Acabei percendo, ao fazer isto,
do qu�o influenciado sou pela m�sica folk americana,
o jazz e o blues.
� aquilo que a Am�rica entregou ao resto do mundo.
Muito mais importante do que as bombas de hidrog�nio.
Em Crosseyed Heart, fa�o uma homenagem a v�rias pessoas.
E esta em especial ao Robert Johnson.
Eu cresci ouvindo principalmente m�sica americana,
embora estivesse morando na Inglaterra.
E, atrav�s disso,
Eu percebi de que grande parte da m�sica americana, blues inclu�dos,
tinham como base velhas melodias celtas,
irlandesas, escocesas, inglesas e galesas, que se tornaram parte deste pa�s.
Portanto, para mim, era facilmente traduz�vel.
Quando ouvi o Robert Johnson e o Lead Belly
e ou�o um eco...
Ou�o... Sinto nos meus ossos,
um eco que n�o dar para ouvir
porque n�o est� ao alcance da audi��o.
E � um dos motivos pelos quais queria come�ar com blues.
Eu j� n�o sou uma estrela pop.
Nem quero ser.
Podia jurar... Pensei que era em mi, pelo amor de Deus. Podia...
Eu iria para o t�mulo e dizer que toquei isto em mi at� hoje.
A minha m�e era louca por m�sica e tinha muito bom gosto.
S� t�nhamos duas esta��es de r�dio no pa�s inteiro.
E ela era mestre em sintonizar.
Se houvesse algo que valesse a pena ouvir, ela encontrava.
A Sarah Vaughan e a Ella Fitzgerald eram as cantoras preferidas dela.
Eu gostava da Billie Holiday. A Billie era mais � frente.
Mas foi com isso que eu cresci ouvindo. Entende?
Louis Armstrong...
Billy Eckstine...
... e um pouco de Mozart.
MOZART ABERTURAS
E as porcarias de sempre.
O que quer que passasse na r�dio. O que n�o consegu�amos evitar.
Sou uma escova de dentes cor-de-rosa Voc� � uma escova de dentes azul
Todas essas merdas. Dos anos 50, o que era popular, em retrospectiva.
Crescendo na Inglaterra, ap�s a guerra,
havia escombros por todo o lado.
Eu n�o tinha a no��o de que existia algo para al�m das paredes bombardeadas.
E, de repente, surge o Elvis. Ele caiu como uma bomba.
Ouvia-se "Baby Let's Play House" na altura e isso me pegou.
O mundo passou do preto e branco para o Technicolor.
A Am�rica parecia bastante atraente.
Todos os filmes.
N�s v�amos o que voc�s viam um ano antes.
Principalmente se gost�vamos de m�sica.
Era a nossa t�bua de salva��o naquela altura,
no sentido em que algo acontece
e queremos rapidamente fazer parte disso e entramos de cabe�a nisso.
Pelo menos, foi o que eu fiz.
O Jim Hall.
Adoramos o Jim Hall.
Jim, seu cabr�o.
O meu av� Gus estava sempre me provocando para me tornar guitarrista.
Ele era um daqueles tipos que achava sempre
que todos podiam ser m�sicos, se tivessem uma oportunidade e...
Portanto, acho que deixou os intrumentos � vista
para ver se atraia a minha aten��o.
E ele deve ter me visto durante alguns anos
falando com ele, eu olhava para a guitarra e...
Porque lembro dele dizer: "� bonita, n�o �?
� muito linda.
Pois, quando conseguir alcan��-la...
Eu deixo voc� tocar nela."
Quando ele me deu a guitarra,
me disse que o melhor exerc�cio era o flamenco
porque tem excelentes movimentos de dedilhado para os dedos.
Estamos evoluindo sem percebemos disso.
E ele tinha toda a raz�o, porque ao aprender aquilo...
Porque tinha que aprender aquilo para poder usar a guitarra...
Significava que podia entrar na casa, pegar na guitarra e tocar nela.
At� a�, seria apenas por convite.
- A hist�ria da guitarra... - � uma...
T�CNICO DE GUITARRAS
� uma Gibson ES-355 do final dos anos 50.
Portanto, � uma esp�cie de hot rod.
Ele sempre foi conhecido por tocar uma Gibson preta.
Para mim, � a cara do Keith.
E, como eu mostrei quando abri o estojo,
ele disse: "Eu fico com ela." Ele n�o... S�... Ele soube logo.
Eu trabalho com o Keith desde os anos 80.
Tenho acesso total �s guitarras dele e posso fazer o que quiser.
Muitas vezes, vou ver guitarras e trago-lhe.
Esta � a que o Robert Johnson usou, o mesmo modelo e ano.
Esta � uma L-1 Gibson de 1928.
O comprimento da escala, o bra�o chato e a largura da pestana...
Era um estilo de toque.
D� para usar o estilo dedilhado do blues.
Quase nos leva a esse tempo e a tocar dessa forma.
As notas t�m a dura��o ideal.
O equil�brio entre as cordas altas
e a parte inferior, o snap...
No arm�rio, projeto inacabado.
Uma National Guitar, aqui mesmo, no meu invent�rio das guitarras do Keith.
Diz aqui: "Para ser restaurada e talvez usada."
E eu escrevi uma nota: "Lembra um pouco o Jimmy Reed."
Descubro, ponho-lhe cordas.
E, �s vezes, pego num instrumento
e o som me leva para um lugar diferente.
� como um sabor.
O Steve e o Keith chegam. Acham que estamos fazendo outra coisa.
Abrimos o estojo. O Keith olha para ela e diz: "Fant�stica".
"Repara numa coisa, Keith.
Ela � sua desde antes de eu come�ar a trabalhar contigo.
Nunca teve cordas.
Encontrei no arm�rio e coloquei as cordas."
Logo em seguida, ele experimenta.
O Steve diz: "Se ele alinhar, eu tamb�m alinho."
Come�am a tocar, mas a sala de controle est� preparada para uma mistura ou assim.
N�o h� microfones preparados. Ningu�m est� pronto.
"Blues in the Morning", aquela sensa��o...
Foi s� ele pegando na guitarra.
N�o houve segundos takes nem repeti��es. Foi tudo improvisado.
Para n�s, na Inglaterra,
pessoas como eu, o Mick e muitos outros...
O Chuck chegou... Naquela altura, ansi�vamos por m�sica.
O modo como ele nos atingiu...
Ainda estou me recuperando disso.
Letras incr�veis, uma atitude animada e descolada.
Ele influenciou todos os guitarristas, mesmo quem n�o o conhece.
Poucos querem tocar como o Chuck porque � como enfrentar o dem�nio.
Eu aceito isso.
Isso � o in�cio dos Rolling Stones.
Sim e � uma cole��o impressionante.
Isto era o que o Mick estava levando no tr�m.
Eu entrei no tr�m da manh� para ir para a escola de artes.
E entrei no mesmo vag�o em que o Mick estava
e n�o o via h� anos.
E reparei que, debaixo do bra�o dele...
"N�o acredito.
Chuck Berry... O que tem ai?"
E disse: "Venha c�!"
Eu pensava que era o �nico cara no sudeste de Inglaterra,
que conhecia aquilo.
Ent�o, quando sa�mos do trem, t�nhamos feito um acordo, eu ia...
E foi assim que os Stones come�aram,
por causa destes dois discos. E foi assim.
Do Muddy, eu conhecia poucas m�sicas dele naquela altura.
Portanto, para mim, era magn�fico.
A primeira vez que ouvi The Best of Muddy Waters,
era a m�sica mais poderosa que j� tinha ouvido at� ent�o.
A mais expressiva.
E eu ouvia Mozart e Beethoven.
Isso est� no mesmo n�vel da melhor m�sica do mundo.
Os Stones, no in�cio,
tudo o que quer�amos era que se interessassem por isto.
Nunca ir�amos conseguir tocar como o Muddy.
Ent�o vamos torn�-la mais r�pida e agressiva.
Aceleramos e tocamos mais r�pido. E todo mundo gostou.
Nunca queriamos fazer m�sica pop.
A nossa miss�o puritana era despertar o interesse dos outros pelo blues.
Ao mesmo tempo, percebemos
de que despertamos o interesse da Am�rica pela sua pr�pria m�sica,
o que n�o t�nhamos planejado.
The Rolling Stones. N�o s�o fant�sticos?
Inacredit�vel.
- Ol�. - Que tal?
Como est�o? Tudo bem?
- Tudo bem? - Obrigado, Keith.
Fant�stico.
- Como est�o? - Bom espet�culo...
- Estou �timo. - Sim.
- Muito bem. Sim. - Belo livro.
Fixe.
Como est�, Keith?
- Tudo bem. - �timo.
- �timo. Obrigado. - Estamos bem.
Durante a turn�, sinto-me em casa.
Estar nos bastidores ou no palco, me soa familiar.
- �timo. Obrigado. - Aqui tem, amigo.
- Me d� mais cinco? - Ol�, querida.
Eu sa� de casa aos 17, sob uma nuvem preta,
sem a aprova��o do meu pai.
E a estrada tornou-se numa segunda casa para mim.
-Fiz isso parecer o sol. - Ronnie, como vai?
E ainda estou ansioso por alguns bons concertos.
Eu gostei muito de tocar no Centro-Oeste dos EUA.
Eram os lugares onde costum�vamos ir na carrinha h� 50 anos.
A Am�rica � o maior mercado do mundo.
Sermos famosos l� era o apogeu.
Eu fiquei impressionado com a recep��o calorosa.
Principalmente, pelo primeiro concerto ser em Nova Iorque.
Os edif�cios, o ambiente e o cheiro daquele lugar.
Naquela noite, lembro-me de escrever uma carta para minha m�e:
"M�e, estou em Nova Iorque.
Contarei mais coisas depois."
S� Deus sabe o que eles esperavam. Em alguns lugares...
Eu lembro-me dos Stones serem presos
por tomarem banho de cuecas na Georgia,
na piscina de um Holiday Inn, que era ao lado de uma autoestrada.
E alguns moradores locais assustados pensaram que, por causa do cabelo,
eramos um monte de viadinhos na piscina...
Ent�o, o carro da pol�cia para ao p� da piscina.
N�s olhamos para eles e eles para n�s
e foi um choque cultural.
Naquela altura, se f�ssemos mais para sul de Washington,
era uma Am�rica diferente.
Ainda estava estritamente segregada.
Paravamos num lugar, um �nibus cheio de negros e brancos, todos misturados...
Seja como for, paravamos aflitos para mijar.
E eu entrava juntos com os negros,
eles riam de mim e apontavam para cima da porta
onde dizia: "S� para negros."
Eu perguntava: "E onde vou mijar?"
Eles diziam: "Experimenta nos arbustos" ou "Na dos brancos ali na esquina."
Mas havia imensos sinais disso. At� prisioneiros acorrentados.
Foi fant�stico testemunhar essas merdas pela �ltima vez.
Mas penso que a Am�rica negra nos acolheu mais
porque �ramos diferentes.
E n�o tinhamos contato com os problemas que normalmente tinham com os brancos.
� isso mesmo.
- Vai fazer isso? - S� se quiser que eu fa�a.
Tem uma Les Paul Jr. atr�s de voc�
Quando entramos no est�dio com ele...
Ele diz que a primeira casa dele � o palco.
E a segunda � o est�dio.
� a� que temos que come�ar a prestar aten��o.
N�o vamos... N�o vamos usar nada disto.
Est�o todos afinando seus instrumentos e � quando tudo come�a a acontecer
por que ningu�m acha ainda que seja m�sica.
� como uma orquestra afinando os instrumentos. � emocionante.
Porque � uma musica que nunca mais voltar�o a tocar
e ningu�m chamaria isso de m�sica.
N�o queremos olhar para o entorno e depois percebemos
de que o mais interessante no entorno
� o que acontece fora dele.
Por vivermos na Inglaterra, de Chicago s� conhec�amos o Al Capone.
Depois descobri que havia algo sobre o mercado de gado...
... e refiro-me a carne.
Os galp�es de gado.
Quando voltei a pensar a s�rio sobre Chicago
foi quando ouvi blues num edif�cio pelo qual �amos passar.
A Chess Records, 2120 South Michigan.
N�s grav�mos l� em 1964.
Era uma sala m�gica em termos de som.
Esqueci tantos lugares, mas nunca me esquecerei daquela.
Cheg�mos aos Est�dios Chess.
Uma pessoa nos acompanha pelo corredor
e mais a frente est� um cara negro pintando o teto.
Ao passarmos, o engenheiro da Chess disse:
"Ah, este � o Sr. Muddy Waters."
Ent�o, este foi o meu primeiro encontro.
Estava cumprimentando o Muddy Waters,
que estava com tinta branca escorrendo pela testa.
E ele disse:
"Obrigado pelo que est�o fazendo."
S� digeri essa imagem mais tarde.
Fiquei chocado pessoalmente por conhecer o mesmo homem
que estava ouvindo e que tentava entender a fundo.
Isso dizia muito sobre negros e brancos.
Mas foi o que sempre disse sobre o Muddy.
Ele era um cavalheiro em qualquer situa��o em que o encontrassemos.
BUDDY GUY'S LEGENDS BLUES AO VIVO
Muddy Waters, Howlin' Wolf, Bo Diddley, Buddy Guy...
Todos eles estavam em Chicago e gravando nos mesmos est�dios.
E todos diziam: "Por que voc� quer ir para Chicago?"
H� um motivo.
Um, dois, tr�s.
Como vai Buddy?
Quer beber um pouco?
Toma u�sque de milho?
Espera l�.
- Podiam ter tratado de voc�. - Pois.
Muito bem, white lightning a sair.
Muito bem.
� forte.
Joga voc� primeiro. Depois eu...
Isso mesmo. Eu tenho de acertar naquela, certo?
Acho que acerto esta, Keith.
Depois volto ao in�cio.
Vim para c� no dia 25 de setembro de 1957.
Havia imensos clubes de blues. Alguns s� tinham lugar para 22 pessoas.
Nesta altura do ano, mal havia ar-condicionado
e mantinham as portas abertas
para que, se passassem em frente a porta, ouvissem as harmonias e baterias.
E descobri que, se toc�ssemos bem,
fic�vamos bebados e arranj�vamos mulher bonita,
se o som fosse bom.
Isso mesmo.
Sim.
N�o sei se vo�� lembra de que existia um programa de TV chamado Shindig.
E tentavam levar voc�s
Sim, o Howlin' Wolf foi l�.
Sim, queriam que voc�s tocassem. E o Mick disse...
Eles disseram... Acho que o Mick disse: "Vamos trazer o Muddy Waters."
E eles disseram: "Quem raio � esse?"
E ele disse: "Est�o me dizendo que n�o sabem quem ele �?
O nosso nome vem de um dos discos famosos dele, Rollin' Stone."
E podes cre que at� chorei com isso.
Foi quando levaram l� o Howlin' Wolf e o Muddy.
E foi a primeira vez que os vi na televis�o.
Foi gra�as a esses caras.
Fale-nos um pouco dele, Brian.
Quando come��mos a tocar juntos,
foi porque quer�amos tocar rhythm and blues.
E o Howlin' Wolf era um dos nossos grandes �dolos.
E � um prazer saber que ele est� aqui esta noite.
- Pois �. - Obrigado ao Howlin'.
Agora, todo mundo calado
e chame o Howlin' Wolf ao palco. - Concordo.
Muito bem! Vamos cham�-lo. Que venha o Howlin' Wolf.
Conhecia-o muito bem. O Chester, acho que era o nome verdadeiro dele.
Um homem enorme. Um gigante gentil.
Quando se � assim grande e intimidante,
n�o h� nada que possamos fazer.
Entendem?
Estes tipos eram cavalheiros no verdadeiro sentido da palavra.
N�o tenho d�vida de que poderiam ser maus...
E n�o quero saber.
Mas tinham uma delicadeza inata.
Eles estavam espantados por sequer ouvirmos falar deles.
E n�s por os conhecermos.
Havia um reconhecimento social rec�proco,
que dura at� aos dias de hoje.
Isso mesmo!
Eu costumava ir a Chess e tentava p�r o amplificador at� o talo
e eles me colocavam na rua e diziam: "Ningu�m quer ouvir isso."
Mas quando eles come�aram a tocar e o Leonard soube, ele disse:
"Os brit�nicos tocam assim e est� se tornando popular."
Ent�o, levantei o som do amplificador como os brit�nicos.
Temos de ter aquela vida para sermos m�sicos de blues?
Temos de ser negros ou brancos para tocar blues?
Nem pensar!
O ponto principal � que se trata de bons e maus momentos.
E, se n�o teve nenhum momento ruim na vida, ent�o continue vivendo.
Muito bem.
Eu desisto.
Tudo bem.
Foi aqui que o deixei.
Porque me dei ao trabalho de tocar piano? Por causa de um cara chamado Ian Stewart.
Ele criou os Stones
e era um dos melhores pianistas de boogie que j� ouvi.
Especialmente na Inglaterra.
Havia uma coisa que ele tocava.
Eu disse: "Ouve, tenho que aprender a fazer isso."
Me ensina s� o b�sico.
Para mim, com a disposi��o e o instrumento certos,
temos a sensa��o de sermos como uma antena,
receber o sinal e depois repassar.
Eu me sentava pr�ximo ao piano, pegava na guitarra
e tocava alegremente m�sicas do Buddy Holly ou do Otis Redding.
E, depois, outras coisas, com um pouco de sorte,
Percebemos de que algo que pensavamos ter tocado mal,
era na verdade...
... o in�cio de uma m�sica completamente diferente.
Eu disse: "Tenho que aprender isto."
Compus imensas coisas no piano.
Compus: "Let's Spend The Night Together," "Have You Seen Your Mother, Baby",
mas n�o me considero um pianista.
Uso-o como uma caixa de aquarelas, s� para...
Um toque aqui e outro ali.
Normalmente, s� a m�o direita.
Na verdade, improviso imenso. E depois �...
� o que me apetece.
Mas sempre adorei tocar piano.
Acho que um dos motivos...
Como guitarristas, o nosso instrumento est� numa estranha...
... posi��o diferente.
Mas, o piano, para mim, � como um jogo de xadrez.
Eu adoro a m�sica country.
A m�sica country...
Eu ouvia o Porter Wagoner em 1953.
Johnny Cash, Hank Williams...
N�o os ouv�amos muito na Inglaterra,
mas sabia da exist�ncia deles.
A minha m�e garantiu isso.
A m�sica country, para mim,
eu ouvia hist�rias das quais n�o t�nhamos total certeza,
por mais indecentes que fossem.
AUDIT�RIO RYMAN LOCAL DO THE GRAND OLE OPRY 1943-1974
Belo trabalho na madeira.
O palco, lugar sagrado.
Eu s� toquei aqui uma vez, com o Willie Nelson.
Foi constru�do como uma igreja.
E agora � um templo da m�sica country.
Qual � a diferen�a?
Todos vimos aqui para adorar e rezar aos melhores.
E Deus sabe que j� todos estiveram aqui.
Eu ouvi m�sica country pela primeira vez numa esta��o de r�dio pirata.
A rece��o n�o era muito boa.
Requeria muitas manobras pela sala com a antena.
Mas a m�sica country chamou logo minha aten��o.
Acho que foram as melodias e as guitarras.
Aquele pedal steel era o m�ximo.
�s vezes, as m�sicas s�o completamente rid�culas.
Mas, �s vezes, a m�sica mais rid�cula tinha a melhor melodia.
E, ao mesmo tempo, alguns tipos eram muito � frente.
Em particular, o Hank Williams.
Podemos avaliar a m�sica country por este tipo.
Hank Williams, Johnny Cash, Merle Haggard...
Eles eram casca grossa.
A realidade de uma turn� de m�sica country � totalmente diferente.
O rock and roll n�o chega nem aos p�s disso.
Os Stones apareceram uma vez num Holiday Inn
em Fresno ou algo assim.
E cheirava a tinta fresca por todo lado.
Disseram: "Aquele � o quarto de voc�s."
E: "O que aconteceu?" Eles disseram: "Bem,
o Johnny Cash e o Luther Perkins estiveram aqui h� duas noites
e pintaram o quarto todo de laranja. Cortinas e tudo."
Se eu soubesse, tinha levado um diluente.
Nunca tiveste fatos Nudie?
Sabes que mais,
o Gram Parsons costumava me dar algumas roupas dele.
Eu tive um dos fatos Nudie do Gram.
Foi feita por um alfaiate em San Fernando Valley chamado Nudie.
Costum�vamos ir l�.
Que homem louco.
O Gram Parsons me ensinou muitas coisas sobre a m�stica da cena "country".
Eu sentia uma grande admira��o por ele e foi a grande influ�ncia.
O Gram estava conosco quando grav�mos Exile On Main Street e "Wild Horses".
Quando conheci o Gram, fiquei de cace�a na m�sica country.
Mas, por mais que fosse um rapaz country e adorasse a m�sica country dele,
o conceito dele da Am�rica era muito bizarro.
Eu disse: "Isso � bizarro."
E ele disse: "Que ver o que � bizarro? Ent�o veja isso."
Ele tinha chifres enormes na frente do Cadillac dele.
Para mim, todo este templo para um Stetson e imita��es de diamante �...
Isso mostra do que trata o outro lado da m�sica country.
� a agita��o.
� o Coronel Parker e as galinhas dan�arinas.
Eu nem reparei no Stetson e nas imita��es de diamante.
S� ouvi a m�sica.
E sempre soube que isto era o centro.
� onde a m�sica americana foi misturada
e revelou ser algo muito precioso.
Era rock and roll.
Era onde a m�sica country e os blues se encontravam.
Eu sempre me senti realizado por estar num lugar em que, na Am�rica,
esses estilos musicais se misturavam e virou prata pura.
Foi �timo assistir e fazer parte disso e agora ser o rei.
Acabou-se. Sim.
Prestem aten��o, eu n�o ando por a� deliberadamente procurando as m�sicas.
Porque acho que, basicamente, as m�sicas t�m de vir at� n�s.
Andar por a� a procura delas com uma vara comprida:
"Venham c�, seus filhos da puta."
Eu compus uma esp�cie de m�sica country andando pelo os corredores da casa.
E n�o � normal a minha mulher sair de repente do banheiro,
olhar para mim e dizer: "Essa m�sica � boa."
Se a mulher diz que sim...
Era muito ao estilo de Hank Williams.
Depois pensei: "N�o, est� muito Hank Williams.
Vamos aceler� isso."
Adoro trabalhar com um baterista. � um lance de mano a mano.
E � uma forma surpreendentemente simples de lidar com...
Especialmente no rock and roll.
E outra coisa tamb�m, enquanto f�,
adoro o jeito como ele toca baixo.
Foi muito empolgante para mim
ter o Keith tocando o maior n�mero de instrumentos poss�vel.
Porque alguns dos meus �lbuns preferidos dos Stones
s�o aqueles em que ele tocou baixo e todas as guitarras.
Eu j� gravei algumas faixas no baixo. Adoro tocar baixo.
Na verdade, devo ser melhor baixista do que guitarrista.
- Olha pra voc�! - Adoro esta merda.
Isso � da altura em que o Steve Jordan me disse:
"Ouve, meu," com a sua forma de ser t�mido e despretensioso...
Ele disse: "Como gravou 'Jumpin' Jack Flash'?
E 'Street Fighting Man'?"
Naquela �poca, dir�amos, Que horas vamos est�...
"Que horas no est�dio?"
Pod�amos dizer 20h00 ou 21h00 e a banda aparecia perto da meia-noite.
�s vezes, eu chegava propositalmente mais cedo e...
Por exemplo, se estivesse com o Charlie, eu diria: "Vamos mais cedo e..."
E, basicamente, ia s� para testar algumas id�ias.
Mas, de vez em quando, descobr�amos que a faixa era aquela.
Um, dois. Um, dois, tr�s, quatro.
"Street Fighting Man" acho que foi a primeira que surgiu assim.
Eu e o Charlie estavamos improvisando.
E, ali dentro, parecem s� dois tipos de caras tocando.
O Charlie tocava numa pequena bateria de viagem
e eu numa guitarra ac�stica.
"Pois, vamos intensificar isto um pouco."
Aquela m�sica n�o tem nenhuma guitarra el�trica.
� s� guitarras ac�sticas distorcidas.
Eu percebi que podia usar um leitor de fitas como captador.
Toquei uma guitarra ac�stica atrav�s dele e deixei t�o alto
que ficou completamente distorcido.
O Norelco de 1967, o mesmo que levava para todo lado. Encontrei.
Toque mais uma vez.
Isso j� est� bom. Vamos ver o que sai.
Depois, colocavam um microfone naquilo e espalhavam por todo o est�dio.
Basicamente, temos uma guitarra el�trica, mas que parece uma ac�stica.
Isso j� est� bom.
Come�ava basicamente ali e o Mick terminava.
Trabalhavamos tanto nessa altura, que n�o tinhamos feito tantas letras suficiente.
Eu juntava o baixo e outra guitarra
e entregavamos a faixa em duas horas.
Mas, �s vezes, nunca se sabe.
Estamos gravando, podemos chegar l� com tudo planejado
e a coisa n�o funciona.
"Sympathy" tinha uma estrutura completamente diferente.
Acho que demorou 35 takes.
Soam muito bem juntos.
E essa m�sica, durante esses takes, passou de uma esp�cie
de balada al� Bob Dylan
para apenas uma guitarra ac�stica e quase uma esp�cie de lamento.
Fizemos isso durante algum tempo e dissemos:
"Esta m�sica precisa de mais energia."
E, lentamente, intensificou-se...
Eu fiz o baixo com o Charlie
e tornando numa esp�cie de samba.
De repente, todos olharam
e ele disse: "Pois. Muito bem."
Nunca sabemos bem quando surge a magia.
Cada m�sica tem pelo menos dez m�sicas no seu interior,
que podem surgir da m�sica e podemos fazer...
Pomos ter duas m�sicas sozinhas numa sala e ter�o filhotes.
Se querem come�ar a compor m�sicas, tem que come�ar a pensar como uma.
Tentam entrar no ritual da m�sica.
� como o Houdini, s� que ao contr�rio.
N�o tentam escapar. Tentam que deixem entrar.
A hist�ria que ouvi sobre como se conheceram...
... acho que foi durante Rain Dogs.
A minha mulher disse: "Quem voc� quer chamar?"
E eu disse: "Keith Richards."
Estava dizendo: "O Lenny Bruce,
o Muddy Waters."
E ela foi em frente e come�ou a fazer contatos.
Era como uma partida telef�nica.
E ele atendeu.
N�s encontramos h� 30 anos.
Eu adorei ele desde o primeiro minuto.
Quando ele veio, chegou num caminh�o com cerca de 300 guitarras.
Eu tamb�m n�o esperava isso.
E ele tinha um encarregado das guitarras,
que as trazia como se fossem bebidas e sobremesas.
E foi simplesmente... Foi um pouco avassalador para mim.
O Tom � um exc�ntrico. A primeira vez que o vi,
ele tinha uma sala cheia de instrumentos dos mais estranhos que existe.
Ele tinha um Mellotron, mas s� fazia sons de viaturas.
Sim, h� algumas partes.
Perdi o enquadramento, mas n�o acho importante
porque podemos s�...
Se for um entrave, podemos mudar e trazer de volta.
Naquela primeira vez, estavamos improvisando h� uma hora e, depois,
eu nem sequer... E havia muito �lcool.
Tenho de admitir, eu estava tentando acompanhar,
algo que nunca devemos tentar fazer.
E, ap�s uma hora ou assim, eu n�o sabia onde estava.
E, depois, eu disse: "O que conseguimos? Conseguimos alguma coisa?"
E depois ele diz: "Escriba."
E percebi que o escriba era eu.
Eu devia est� registrando tudo.
Sim, algo assim.
Eu sinto-me muito feliz por ter podido compor m�sicas com ele.
Porque demorei muito tempo pra perceber que ele nunca compunha
a n�o ser com a Kathleen, a mulher dele.
Portanto, para mim, foi um... Um verdadeiro privil�gio.
Podemos retirar o...
Tens "Love Overdue". Pode falar sobre essa faixa?
Sim, isso foi outra homenagem ao...
Eu sempre adorei essa m�sica e o Gregory Isaacs.
Adoro quase todos os trabalhos do Gregory.
Tem uma certa prem�ncia e verdade.
Portanto, sab�amos que �amos fazer. "Vamos faz�-la."
"Me d� uma batida reggae, Steve."
Eu sempre adorei reggae.
Basicamente, comecei a viver na Jamaica
em 1971, 1972, na altura em que o reggae come�ava a ser popular.
De fato, Catch a Fire tinha sido lan�ado, o Bob Marley e...
... Jimmy Cliff, The Harder They Come. Houve uma explos�o nesse ano.
E eu vivia l�.
Parecia o in�cio do rock and roll.
Sentia a mesma energia e alegria
e sentido de descoberta entre as pessoas,
que tinham descoberto a sua voz.
A Jamaica representou uma explos�o fant�stica de talento e energia.
Foi muito refrescante para mim.
� como se voltassemos ao in�cio de algo.
O que eu adoro no reggae � que � t�o...
... natural.
N�o tem nada for�ado.
E, naquela altura, eu come�ava a ficar farto da m�sica rock.
Do rock and roll, nunca me cansou.
Mas havia cada vez menos disso e mais m�sica rock,
o que �, na verdade, uma vers�o do homem branco que �...
Basicamente, tornam-se numa marcha:
Estamos tocando rock, sim!
Pois, no final, � essa a... � a vers�o rock deles.
� do g�nero: "Desculpem, eu prefiro o roll."
E foi a� que os jamaicanos apareceram com os sopros.
Felizmente, o Steve tem bons conhecimentos.
Sim.
Eu disse: "Precisamos de uma esp�cie de se��o de sopros jamaicana."
Precisamos fumar mais. Traz mais erva.
- V� l�. - Posso fazer isso.
Sim.
Tens um cachecol vermelho, preto e verde ou assim?
Podem trazer a faixa do Keith?
N�o vai me esconder. Est� bem, eu fa�o.
Ent�o, quando come�ou a gravar solo?
Eu estava muito relutante em rela��o a uma carreira solo.
A minha cena sempre foi os Stones.
Sa�mos por nossa conta e risco.
Mas as coisas...
Mas as circunst�ncias mudaram no final dos anos 80 e,
obviamente, n�o �amos...
Eu e o Mick n�o �amos trabalhar juntos durante algum tempo.
Eu chamei ao per�odo entre 1985 e 89 de Terceira Guerra Mundial.
Num relacionamento de 50 anos fazendo o que fazemos,
claro que h� brigas, os irm�os discutem.
Somos irm�os.
N�o havia sinal dos Stones voltarem a aparecer.
E eu n�o estava fazendo nada.
De repente, ligaram pra mim para fazer o filme do Chuck Berry, Hail! Hail! Rock 'n' Roll.
Obviamente, tinha de entrar naquilo.
A vida n�o estaria completa. O c�rculo n�o seria quebrado.
A modula��o come�a aqui.
Come�a na de cima.
Escuta.
Muito bem.
Ele ficou grato por voc�s atuarem?
O Chuck tem uma forma pr�pria de mostrar gratid�o.
- Porque estava sendo feito? - Sim.
N�o toque no amplificador. A� n�o ser� feito.
Ele j� disse que n�o tocou.
- Ele diz porque est� sendo feito. - Est� bem.
Est� sendo feito porque n�o est� gravando bem.
Est� bem.
E � o que vai acabar no filme.
Se acabar no filme, � como o Chuck Berry toca.
Entendeu?
- Entendo. - Eu estava falando com o Andy sobre isso.
Depois, tem que viver com isso. Eles tentam...
Eu vivo h� 60 anos com isso!
- Eu sei. - Ent�o, entende isso!
Mas isto vai ficar depois de todos morrermos.
Eu estava no camarim dele
e o estojo da guitarra estava aberto e a guitarra estava ali.
Eu estava esperando ele. Eles disseram: "Ele vem j�."
E eu estava s� inclinado, tocando nas cordas.
Ele entrou e me deu um soco.
Foi um dos grandes momentos do Chuck.
Nenhum problema podia interferir com o fato de ser s� curti��o.
E foi a� que comecei a trabalhar com o Steve Jordan.
Eu e o Steve diz�amos: "Estamos no c�u do rock and roll."
Uma...
Uma palavra de Keith Richards!
Boa noite, senhoras e senhores.
A estrela da noite.
De repente, tinha reunido uma banda incr�vel.
Palmas para a banda!
E era bastante natural para mim e para o Steve compormos m�sicas.
Dissemos: "Vamos gravar qualquer coisa."
Senhoras e senhores, Keith Richards.
Quando comecei a tocar com o Keith,
soube que eramos compat�veis s� de ouvir o que fez ao longo dos anos
e ouvir as m�os tocando nas cordas.
Mas, sim, demo-nos logo bem.
De certa forma, pensei: "Como � �bvio, tenho que fazer isto"
porque era org�nico.
Seria de pensar que ter uma banda famosa numa vida j� � um milagre.
Ter duas ent�a, de certa forma, � estranho.
Tamb�m percebi melhor o trabalho do Mick...
... de ser o l�der da banda.
Estar em cima de tudo, da primeira nota at� � �ltima,
de fato, me deu alguma disciplina, da qual eu estava precisando.
Mas ao trabalhar fora dos Stones,
Percebi que os Stones eram a minha casa.
Criamos isso e entregamos as pessoas e agora pertecemos a eles.
E n�o posso desaponta-las.
Os Rolling Stones est�o de volta na primeira turn� em quase uma d�cada.
Esta � a d�cima terceira grande turn� nos EUA desde 1964.
Os Rolling Stones iniciaram a turn� mundial Bigger Bang,
com concertos no Canad�, EUA, Am�rica do Sul, Europa e �sia.
At� 2007, os Stones andaram em turn�s durante muito tempo.
E t�nhamos chegado a um ponto...
E me ocorreu que talvez estivesse no tempo de escrever um livro.
No in�cio, nem levei aquilo muito a s�rio.
Mas com o passar do tempo, percebi que...
KEITH RICHARDS - 'LIFE' UMA VIDA, UM LIVRO, UM EVENTO.
... eu sei quem sou e as pessoas que me conhecem tamb�m sabem.
Mas, percebo que a grande maioria ainda pensa que o Keith Richards
estava fumando um cigarro, com uma garrafa de Jack Daniel's na m�o e vai pela estrada
falando mal da loja de bebidas por est� fechada.
� uma imagem.
� como uma bola e uma corrente.
N�o � como uma sombra porque est� l� 24 horas por dia.
Quando o sol se p�e, n�o desaparece.
Muito disto tem a ver com a imagem.
Temos de ter uma esp�cie de armadura
para que possamos continuar evoluindo enquanto seres humanos.
� como termos uma receita, uma bebida
e um sanduiche com o nosso nome, basicamente.
� o ponto fundamental, certo?
Mas ainda assim, dentro disso, conseguimos crescer e mudar.
� como ventriloquismo, na maior parte do tempo.
PRIMEIRO, UMA AM�RICA LIVRE DE DROGAS!
Mas � muito mais seguro do que nos expormos,
como a Judy Garland, e consumirmos todas as noites.
N�o podemos comprar uma imagem.
Podemos invent�-la ou t�-la.
A minha ideia do c�u � ser uma estrela de rock and roll que nunca ningu�m v�.
Completamente an�nimo.
�s vezes, temos que sair e fazer certas coisas.
E, ap�s o livro ser publicado, quando estou ali,
o Steve vem at� mim e diz:
"Vamos deixar as garotas ai."
E depois: "Diz que estamos trabalhando, entende?"
H� destinos do rock and roll.
Para tal, tiramos as medidas uns aos outros e dizemos:
"Um, dois, vamos l�!"
� disso que se trata o rock and roll.
Sentimos como se levit�ssemos.
E quando todos � nossa volta est�o tocando e dizemos:
"Eles tamb�m est�o sentindo. Eu sei disso."
E temos aqueles momentos em que voamos mesmo.
E agarramos a eles o m�ximo que podemos
porque � uma das melhores sensa��es do mundo.
Pode ser s� rock and roll,
mas, sabem que mais,
� o que importa.
De todas as pessoas que conheci, o Muddy Waters foi como um pai para mim.
- Isso mesmo. - E o Keith?
Ele me acolheu.
Foi fant�stico finalmente tocarmos juntos.
Se me senti honrado por isso? Eu morri e fui pro c�u.
Pela primeira vez na vida...
Num concerto dos Stones: "Perguntei que roupa usar?"
"N�s ficamos preocupados", entendem?
No concerto no Checkerboard, eu e o Ronnie dissemos: "O que vamos vestir?"
"Camisas brancas, coletes pretos."
Conversamos antes sobre o que vestiriamos antes de entrar no palco.
Foi a �nica vez que lembro de fazer isso.
Isso mesmo!
Ent�o.
A casa do Muddy.
Esperava que Chicago cuidasse melhor do cara.
Era muito mais vibrante quando estive aqui pela �ltima vez.
Tinha uma festa � noite.
Acho que foi o Willie Dixon que me trouxe.
Estava melhor quando cheguei. Lembro disso.
S� n�o me lembro de sair.
Eu dormir aqui. S� que acordei na casa do Howlin' Wolf.
N�o sei o que aconteceu. Me empolguei.
A festa continuou e eu fui junto.
Tragam uma toalha para o Mick, sim?
Muito obrigado, senhoras e senhores.
Vamos continuar o espet�culo.
O Sr. Muddy Waters! Palmas para ele!
O Muddy era mais novo naquele �poca do que voc� � agora.
Parece que, quando era mais novo,
voc� queria ser um deles.
E, agora, de certa forma, � um deles.
Sim, eu sei.
A vida � engra�ada.
E ningu�m quer envelhecer,
mas tamb�m n�o queremos morrer jovens.
E s� temos de seguir isto at� o fim.
Depois que eu sair de casa, os meus pais se separaram.
Eu n�o tive contato com meu pai durante 20 anos.
Talvez porque pensasse: "Meu Deus, o que ele deve pensar de mim?"
Ele era um homem honesto. Um trabalhador s�rio.
A id�ia do filho dele ser preso por drogas.
Imagino ele dizendo:
"Ele nunca faz nada direito."
Ap�s 20 anos, escrevi-lhe e recebi uma resposta.
E combin�mos um encontro na minha casa na Inglaterra.
Levei o Ronnie Wood para ajudar. Estava mesmo cheio de medo.
As portas abriram-se e aparece um homem velho.
Com as pernas fraquejando e ele...
Mas era o meu pai e foi...
Foi t�o f�cil. Resolvemos tudo em poucos minutos.
E ele tornou-se meu melhor amigo pelos 20 anos seguintes.
Durante mais 20 anos,
ele foi em todas as turn�s, concertos, correu o mundo comigo.
E adorei mostrar-lhe o mundo.
E ele tamb�m n�o se importou de o ver.
Este pobre gato. � mais velho do que eu.
Tudo bem, querida?
A minha fam�lia � incrivelmente importante.
Quando vemos filhos dos nossos filhos, tudo passa a fazer sentido.
Uma coisa � ter um filho.
Mas quando temos netos e netas,
isso �... � uma sensa��o fant�stica.
N�o sei de qu�. De realiza��o? N�o sei. Ou de continuidade?
Mas, basicamente, de amor.
Eu fui aben�oado.
Eu vou tocar enquanto conseguir.
E � tudo o que posso fazer.
N�o estou envelhecendo. Estou evoluindo.
Isso mesmo.
- Isso mesmo. - Foi um belo trabalho.
Mais uma vez, Larry, gostei de te ver.
- Muito bem. - Sim. Eu gosto disto.
� o m�ximo, meus senhores.
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