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Original subtitles

UM ESPECIAL DE COM�DIA ORIGINAL NETFLIX

"DIGAM-ME UMA COISA

N�O ME PODEM DIZER NADA, FILHOS DA PUTA

PREFERIA MORRER A TER DE VOS OUVIR..."

KENDRICK LAMAR VENCEDOR DO PR�MIO PULITZER

"SEI QUE OS NEGROS GENU�NOS ADORAM"

SHAWN CARTER - BILION�RIO

Estava a sonhar quando escrevi isto

Perdoem-me se correr mal

Mas, quando acordei esta manh�

Era capaz de jurar Que chegara o Ju�zo Final

O c�u estava p�rpuro

Por todo o lado, havia gente assustada

Esta � a parte mais importante. O Prince diz...

Tentar fugir da minha destrui��o

Sabem que isso n�o me diz nada

Minha boa gente de Atlanta, nunca nos podemos esquecer

que o Anthony Bourdain...

... se suicidou.

Tinha o melhor emprego de sempre da ind�stria do entretenimento.

O gajo viajava pelo mundo...

... e comia refei��es deliciosas com pessoas extraordin�rias.

Esse homem, com esse trabalho,

enforcou-se numa suite de luxo em Fran�a.

Dizem que no ano 2000

A festa acaba, vai tudo pelo ar

Por isso, hoje vou curtir

Como se 1999 estivesse a acabar

Conheci um gajo no liceu que era um g�nio urbano.

O filho da puta tinha notas t�o boas

que saiu do bairro e entrou numa faculdade prestigiada

com uma bolsa completa.

Depois, foi para uma das melhores faculdades de direito do pa�s.

E, na faculdade de direito, conheceu uma mulher e apaixonou-se.

Iam casar-se.

Lembro-me quando ele me contou. Foi passar o Natal a casa e disse-lhe:

"Meu, meu,

guarda-me essa gaja para quando fores mais velho."

Mas ele estava apaixonado. N�o me deu ouvidos.

Casou-se quando ainda estava na faculdade e, infelizmente, eles divorciaram-se,

enquanto ele estava a estudar.

Era um tipo da rua, do bairro.

O homem n�o tinha nada... e essa cabra ficou-lhe com metade.

Durante anos, n�o o vi, at� que, h� dois anos,

em Washington DC, fui comprar meias para o meu filho � Foot Locker.

Fui � Foot Locker e adivinhem quem era o gerente?

Esse gajo.

Vestido � �rbitro e tudo!

O filho da puta tem 45 anos!

Nessa noite, fomos beber um copo e p�r a conversa em dia,

e ele disse-me que vivia com a m�e h� uns dez anos

e que estava a tentar refazer a vida. Mas a moral da hist�ria n�o � essa.

A moral � que...

... o gajo nunca pensou em suicidar-se.

Est� vivinho da silva em DC.

At� sugeri que devia tentar matar-se. "Sei l�, talvez..."

Ningu�m tem uma vida perfeita. Pode parecer muito bonita,

mas n�o sabemos as merdas que se passam.

Eu tenho uma vida �tima, mas n�o � perfeita. � boa.

Comparo-a �s piscinas desmont�veis. J� viram essas piscinas?

� uma piscina.

Por isso, lembrei-me de come�ar o espet�culo de forma diferente.

Vou fazer algo que gosto de fazer, apesar de n�o ter muito jeito para isso.

Hoje, vou fazer imita��es.

S� sei fazer duas.

A primeira � um bocado parva, mas eu gosto.

� a minha imita��o... Est�o prontos?

� a minha imita��o dos Fundadores dos Estados Unidos da Am�rica

aquando da reda��o da Constitui��o.

Prontos?

Aqui vai.

"Despacha l� isso, preto. Quero ver se durmo."

N�o � muito m�, pois n�o?

Pronto, a pr�xima...

A pr�xima � mais dif�cil.

Quero ver se adivinham quem estou a imitar.

Deixem-me preparar. Tentem adivinhar.

Aqui vai.

"Se cometeres algum erro na vida e eu descobrir,

vou tirar-te tudo, independentemente da altura em que descubra.

Pode ser hoje, amanh�, daqui a 15 ou 20 anos.

Se eu descobrir, est�s fodido."

Quem diz isto?

S�o voc�s!

� assim que eu vejo o p�blico.

� por isso que n�o passo a vida a fazer espet�culos,

porque voc�s s�o os piores filhos da puta que eu j� tentei entreter,

em toda a minha vida, caralho!

Chi�a, estou farto. � terr�vel ser uma celebridade agora.

Ningu�m se safa, est�o todos tramados!

O Michael Jackson morreu h� dez anos

e apanhou com mais dois processos em cima!

E, se n�o viram o document�rio,

ent�o, imploro-vos,

n�o vejam.

� uma nojeira do caralho.

Foi como se a HBO me espetasse com pilas de beb�s nos ouvidos

durante quatro horas.

Uma cena mesmo nojenta.

N�o quero saber detalhes.

Parece que, afinal, o Michael Jackson gostava de olhar para �nus.

Olhava para o olho do cu das pessoas.

Foi o que disseram. J� est�o a ver a nojeira.

N�o devia dizer isto, mas vou dizer.

Tenho de ser sincero.

N�o acredito nos filhos da puta.

N�o acredito neles.

Mas...

... deixem-me justificar.

Eu sou um "injuriador de v�timas", como se diz na g�ria.

Se algu�m vem ter comigo e diz: "Dave, o Chris Brown bateu na Rihanna",

eu pergunto: "O que � que ela fez?"

"Dave, o Michael Jackson abusou de crian�as."

"O que � que os putos tinham vestido?"

N�o acho que tenha abusado.

Sabem que mais? Mesmo que tenha abusado...

Est�o a entender?

Voc�s entendem.

� o Michael Jackson.

Sei que mais de metade das pessoas que est�o aqui j� sofreu abusos.

Mas n�o foi �s m�os do Michael Jackson, pois n�o?

O puto levou um broche do Rei da Pop.

E o resto do pessoal s� tem direito a reuni�es de fam�lia inc�modas.

Imaginam como se deve ter sentido bem quando foi para a escola?

"Billy, esse fim de semana?"

"O meu fim-de-semana?

O Michael Jackson fez-me um broche!

Foi a minha primeira experi�ncia sexual. Se come�o aqui, ent�o, o c�u � o limite!"

Parece cruel, mas algu�m tem de ensinar os putos.

N�o h� viagens � pala para o Havai.

O gajo vai querer ver-vos o olho do cu.

Sabem porque n�o acredito?

Se ele abusou de tantas crian�as, porque n�o abusou do Macaulay Culkin?

O Macaulay disse numa entrevista

que o Michael nunca fez nada de impr�prio com ele, nem ao p� dele.

Pensem l� nisso.

Sabem,

eu n�o sou ped�filo.

Mas se fosse...

... o primeiro puto que eu fodia era o Macaulay Culkin. Garanto-vos.

Era um her�i, cara�as. "Aquele gajo fodeu o puto do Sozinho em Casa.

E o puto � tramado de apanhar."

A minha cabe�a diz-me: "N�o..."

Est� bem, o R. Kelly � diferente.

Se fosse de fazer apostas a dinheiro, apostava que o gajo fez aquelas merdas.

Tenho quase a certeza que fez aquelas merdas.

Foi mau. H� uns anos, ia dar um espet�culo em Detroit.

Estava no meu camarim e entrou uma amiga minha, a Dream Hampton.

Ela disse-me, mesmo antes de entrar em palco:

"Dave, estou a realizar um document�rio sobre o R. Kelly.

Queres participar?" E eu respondi: "N�o, bacana, dispenso."

Fui atuar, esqueci essa merda e, dois anos depois,

saiu o document�rio Surviving R. Kelly.

Quando saiu, a Dream andava a promov�-lo e s� falava em mim.

Disse: "Convidei o Dave Chappelle para entrar no meu document�rio

e ele disse que era muito controverso para a televis�o."

Bacana, eu n�o disse isso.

Eu nem falo assim.

"� muito controverso para a televis�o." Jamais diria essa merda!

Mas vou explicar-vos porque n�o participei no document�rio.

A raz�o � muito simples e n�o me canso de frisar isto.

A �nica raz�o pela qual n�o participei, isto � muito importante...

... � que eu n�o conhe�o o gajo, de todo!

N�o sei nada que n�o me tenham contado!

N�o me dou com o gajo! Nada!

Porque haveria de entrar no document�rio, caralho?

Anda a� a circular outro v�deo de sexo do R. Kelly.

J� viram isto? O gajo faz mais v�deos de sexo do que m�sicas.

� o DJ Khaled dos v�deos de sexo.

"Mais um." Chi�a, meu!

S�o muitos v�deos.

O �ltimo � t�o mau que nem foi exibido.

Nunca vi uma coisa assim.

O procurador de Chicago deu uma confer�ncia de imprensa

e leu � comunica��o social uma transcri��o do v�deo.

J� viram uma coisa destas? O gajo leu o que dizem no v�deo de sexo.

E era t�o mau que o R. Kelly, pelas transcri��es, parecia culpado!

� incr�vel, caralho.

Menciona 16 vezes a idade da mi�da. N�o � de loucos?

O cabr�o � um idiota. Estava a fod�-la e dizia:

"Nunca fodi uma pita de 14 anos t�o boa na minha vida."

E ela diz: "Gostas de pitas de 14 anos?" "Gosto, pois." O gajo devia estar calado.

Tens de ajudar o teu advogado.

Devias ter dito: "Nunca fodi... uma gaja de 36 anos t�o boa na vida."

Assim, o advogado podia dizer que ele achava que ela tinha 36 anos,

como mencionou 16 vezes no v�deo.

Mas eles v�o perceber que � mentira.

Toda a gente sabe que... n�o h� gajas boas de 36 anos.

Diga eu o que disser...

Se est�o em casa a ver esta merda na Netflix,

lembrem-se que selecionaram a minha cara!

� a �poca de ca�a �s celebridades. Diga eu o que disser, v�o lix�-los todos.

Acho que n�o fiz nada de mal, mas logo veremos.

At� lixaram o desgra�ado do Kevin Hart.

J� imaginaram? O Kevin Hart? Vou dizer-vos uma coisa.

O sonho do Kevin Hart era apresentar os �scares.

Ele disse-mo.

E lembro-me que ele me disse porque pensei:

"N�o � um sonho propriamente normal para um afro-americano."

Qual � o negro que sonha em apresentar os �scares?

O Kevin. E ele chegou l�!

Contra todas as probabilidades, tornou-se o humorista mais famoso do mundo

e foi o segundo homem negro escolhido para desempenhar aquela tarefa.

Ia apresentar a 80.a cerim�nia dos �scares. N�o sei se o conhecem bem,

mas eu sei que ele � quase perfeito.

� a pessoa mais perfeita que j� conheci.

Ali�s,

se n�o fossem quatro publica��es no Twitter, ele seria perfeito.

H� dez anos, ele fez coment�rios muito homof�bicos.

N�o vou repetir o que ele disse

porque estamos em Atlanta.

Voc�s entendem.

De certeza que est�o aqui muitos gays... com as esposas.

N�o quero ofender ningu�m.

Est� bem, eu repito o que ele disse.

Mas lembrem-se que as palavras n�o s�o minhas. S�o do Kevin!

Foi h� muito tempo.

E vou parafrasear porque n�o tenho jeito para contar as piadas dos outros.

Ele disse...

... que se o filho dele demonstrasse ou exibisse

um comportamento homossexual em casa, que o repreendia.

Diria: "Isso � coisa de maricas."

E disse que, depois, partia uma casa de bonecas na cabe�a do puto.

A comunidade gay ficou furiosa.

N�o os censuro.

Tenho muitos amigos gays.

E todos eles, sem exce��o,

me contaram hist�rias horr�veis sobre as merdas que passaram

para serem eles mesmos. Hist�rias do arco-da-velha.

E nenhuma dessas hist�rias inclu�a...

... o pai partir a puta de uma casa de bonecas na cabe�a deles.

Obviamente, o Kevin estava a brincar.

Pensem bem. Teriam de comprar uma casa de bonecas para a partir na cabe�a dele!

Isto faz sentido? Algu�m faria isso?

A comunidade gay ficou chateada

e pressionou tanto a Academia que eles disseram ao Kevin:

"Se n�o pedir desculpa a esta comunidade, n�o pode apresentar os �scares."

E o Kevin disse: "Que se foda, desisto."

Depois, foi a todos os talk shows e pediu desculpa durante seis semanas.

O Kevin fez merda.

Compreendo o erro dele porque tamb�m o cometi no in�cio da minha carreira.

Foi h� uns 15 anos, estava a fazer o Chappelle's Show.

Obrigado.

Os canais de TV t�m um departamento chamado Normas e Pr�ticas.

� esse departamento que estipula o que podemos ou n�o dizer na televis�o.

Se estivermos a trabalhar bem, n�o nos dizem nada.

Se estiverem a fazer o Chappelle's Show, os filhos da puta n�o vos largam.

Aten��o, isto foi h� 15 anos. Cometi um erro, mas nem me apercebi.

Escrevi um sketch em que constava a palavra...

... "larilas"!

Tive de ir ao departamento, mandaram-me chamar.

Eu n�o sabia o motivo, mas gostava da diretora do departamento.

Costumava ser justa e foi das pessoas com quem mais gostei de trabalhar.

Mandou-me sentar e tivemos uma conversa agrad�vel.

Disse-me que os sketches era �timos.

E eu disse: "Fant�stico. Ent�o, o que fa�o aqui?"

Ela respondeu: "Porque, David, jamais...

... poder� dizer a palavra...

... 'larilas' no nosso canal."

N�o fiz por mal e n�o tentei defender-me.

Disse-lhe: "Que se foda, eu tiro a palavra. Passar bem."

Ao sair, lembrei-me de algo. "Ren�e, uma pergunta r�pida.

Gostava mesmo de saber.

Porque � que posso dizer 'preto' sem sofrer qualquer consequ�ncia...

... mas n�o posso dizer 'larilas'?"

E ela disse: "Porque, David,

voc� n�o � gay."

Eu respondi: "Bom, Ren�e...

... tamb�m n�o sou preto."

O que eu n�o percebi na altura e o que o Kevin aprendeu da pior forma,

� que est�vamos a violar uma regra t�cita do mundo do espet�culo.

Se eu disser, saber�o que � verdade.

A regra � que, fa�amos o que fizermos na nossa express�o art�stica,

jamais, mas jamais, podemos arreliar...

... a malta do alfabeto.

Sabem a quem me refiro.

A malta que se apoderou de 20 % do alfabeto.

Diria as letras, mas n�o quero invocar a sua ira.

Que se lixe, agora � tarde. Estou a falar dos eles, dos b�s, dos g�s

e dos t�s.

Eu tenho amigos que pertencem a todas estas letras.

Todos me adoram e eu adoro todos.

Tenho amigos que s�o eles, tenho amigos que s�o b�s.

e tenho amigo que s�o g�s.

Mas os t�s n�o me podem ver � frente.

N�o os censuro. A culpa n�o � deles, � minha.

N�o consigo parar de dizer piadas acerca dos gajos.

N�o quero escrever essas piadas, mas n�o consigo parar!

Fartamo-nos de ouvir essas letras juntas.

"LBGT, LGBT", e pensamos que � um grande movimento unido.

Mas n�o �.

Todas essas letras t�m causas pr�prias.

Mas viajam juntas no mesmo carro.

E...

... eu deduzo...

Mas estamos no liceu? Este gajo deve ter uma ama.

Vai l� atender o telefone, desaparece. Estou a fazer uma coisa importante.

N�o era engra�ado se goz�ssemos com ele

e, quando ele atendesse, lhe dissessem que a m�e morreu? "N�o!

A mam� morreu!"

Esta chamada veio numa altura estranha.

O telefone do gajo deve ser gay.

Estava eu a dizer...

... que deduzo...

... que quem conduz o carro s�o os g�s.

Para mim, faz sentido. Porque h� homens brancos que s�o g�s.

Eles tentam contornar a discrimina��o e opress�o,

e j� sabem como s�o os brancos. "Conhecemos estas estradas.

Ali�s, fomos n�s que as constru�mos.

Os restantes, ponham o cinto. N�s levamo-vos ao vosso destino."

Os g�s � que v�o a conduzir.

Ao lado dos g�s, no lugar do pendura,

est�o os eles.

Todos gostam dos eles.

Menos os g�s.

N�o sei porqu�, mas os g�s n�o v�o � bola com os eles.

Est�o sempre a mandar bocas.

Cenas desnecess�rias. N�o � cruel, mas pronto...

Dizem coisas do estilo: "Eu n�o vestiria isso."

E a �nica coisa que alivia a tens�o entre os eles e os g�s s�o os b�s,

no banco de tr�s.

Pois �, isso mesmo.

Gritem quando disser a vossa letra.

Se h� coisa em que os eles e os g�s concordam,

� que os b�s s�o nojentos.

Os eles e os g�s acham-nos gananciosos. Est�o a ver? V�o no banco de tr�s a dizer:

"Eu fodo toda a gente neste carro. Tudo bem, meu?"

E, ao lado dos b�s,

bem l� atr�s, completamente sozinhos, a olhar pela janela...

... est�o os t�s.

Todos no carro respeitam os t�s,

mas, ao mesmo tempo... ningu�m gosta deles.

Os t�s n�o t�m culpa, mas todos os ocupantes do carro acham

que os t�s est�o a atrasar a viagem.

Tudo o que eles dizem irrita toda a gente.

E nem dizem nada de especial. V�o l� atr�s, a falar sozinhos.

"Estou com calor." "Cala-te!

Cala-me essa boca, caralho!

Abre a janela, sua...

Nem sei o que tu �s, caralho."

"O qu�?

S� disse que estava com calor.

Podes sair na pr�xima sa�da? Tenho de ir � casa de banho."

"N�o h� casas de banho para ti nos pr�ximos quatro estados!

Podes calar-te, caralho, para chegarmos ao nosso destino?"

E, quando o ambiente n�o podia ficar mais tenso,

os qu�s est�o a pedir boleia na berma da estrada.

� um gajo branco de cal��es curtos a andar junto � via-r�pida.

Os g�s veem-no. "Este pode ser um de n�s.

Est� bem? Precisa de ajuda?"

Ele aproxima-se, de cal��es, e debru�a-se pela janela.

"Est� tudo bem, rapazes?

Minha senhora.

Voc� a� atr�s, n�o sei que pronome pessoal prefere.

Pois �.

N�o sei bem para onde vou.

N�o sei se sou gay, h�tero ou outra coisa.

S� sei que...

... quero muito entrar neste carro."

E obrigam-no a sentar-se entre os b�s e os t�s.

Tenho pena dos t�s.

Mas s�o muito confusos.

A culpa n�o � s� minha, t�m de assumir alguma responsabilidade por estas piadas.

N�o fui eu que inventei esta ideia,

de que uma pessoa pode nascer com o corpo errado.

Mas t�m de admitir que � uma situa��o hilariante como o caralho.

Tem uma piada do caralho.

Se fosse comigo, riam-se. N�o riam?

Se fosse comigo, n�o tinha piada? Eu acho que teria.

E se me tivesse acontecido? E se eu fosse chin�s?

Mas nascesse com este corpo grand�o de negro. N�o tinha piada?

E teria de fazer aquela cara para o resto da minha vida.

"Ol�, pessoal, sou chin�s!"

Ficavam todos zangados. "N�o fa�as essa cara, � ofensivo!"

"O que foi?

� assim que me sinto c� dentro!"

� dif�cil n�o escrever estas piadas e n�o pensar nisto.

At� quando vejo desporto, penso nisso. Imaginem s�.

Imaginem que o LeBron James mudava de sexo.

Est�o a topar? Pronto.

Ser� que pode ficar na NBA ou, uma vez que � mulher,

tem de jogar no campeonato feminino,

onde marcar� 840 pontos por jogo?

O que significa a igualdade de g�nero? Est�o a entender?

Se as mulheres fossem iguais aos homens, n�o havia um campeonato feminino.

Seriam suficientemente boas para jogar connosco na NBA.

Aqui fica outra ideia que vai ser muito controversa,

podiam... calar-se com essa merda.

Desculpem, senhoras, mas j� estou farto do MeToo.

J� n�o aguento mais.

Foda-se, � muito dif�cil ver o que se est� a passar.

Eu disse no meu �ltimo especial

que tinham raz�o, mas fartaram-se de implicar comigo

porque acho que a abordagem n�o � a correta.

Mas eu sou parcial, admito.

O Louis C.K. era um grande amigo meu antes de morrer

naquele acidente terr�vel de masturba��o.

Foi no quarto dele, leram a not�cia. Estava a masturbar-se no quarto dele.

� a� que nos devemos masturbar. E disse: "Malta, vou mostrar a pila."

Ningu�m fugiu, nada disso.

Ficaram ali a pensar se ele estava a falar a s�rio.

E ele veio-se na pr�pria barriga! Pronto.

H� alguma amea�a nisto?

As senhoras j� viram um tipo a vir-se para cima da pr�pria barriga?

� o filho da puta menos amea�ador que j� se viu.

S� se v� uma express�o de vergonha

e a esporra a escorrer, como manteiga numa panqueca.

N�o fez nada que pudesse ser participado � Pol�cia. Desafio-vos a tentar.

Participem isso. "Estou, Pol�cia?

Estou a falar ao telefone com o humorista Louis C.K.

e acho que ele est� a masturbar-se

enquanto fala comigo."

Sabem o que a Pol�cia de Atlanta vai dizer? "Est�o a falar de qu�?"

Estragaram a vida ao sujeito, ele voltou a atuar em clubes de com�dias

e ainda acham que as mulheres v�o ficar indignadas com isso.

Onde querem chegar, senhoras?

O machismo acabou? N�o, ali�s, aconteceu o oposto.

Eu avisei que ia piorar e chamaram-me insens�vel.

Mas oito estados, incluindo o vosso,

aprovaram as leis mais restritivas contra o aborto

que esta na��o j� viu desde Roe v. Wade.

Eu avisei.

Vou ser sincero, apesar de se estarem a cagar para o que eu penso.

N�o sou a favor do aborto.

Cala-te, p�.

N�o sou a favor, mas tamb�m n�o sou contra.

Tudo depende... da gaja que eu engravido.

Estou-me nas tintas para a vossa cren�a religiosa.

Se t�m pila, t�m de estar caladinhos em rela��o ao aborto.

A s�rio.

Elas � que decidem.

T�m o direito inequ�voco de decidir. N�o s� acredito que t�m esse direito,

como acho que n�o t�m de consultar ningu�m,

a n�o ser um m�dico,

sobre como exercer esse direito.

Cavalheiros, � justo.

E, minhas senhoras, em defesa dos homens,

tamb�m acho que, se decidirem ter o beb�,

um homem n�o � obrigado a pagar.

� justo.

Se podem matar o cabr�o, ent�o, eu posso abandon�-lo.

O dinheiro � meu, eu decido.

E, se eu estou errado, se calhar, estamos todos.

Decidam l� essa merda voc�s.

A s�rio, o que andamos a fazer, caralho?

N�o consigo viver no mundo novo que me prop�em.

E, enquanto nos preocupamos com estas merdas, o que acontece?

Mataram mais 12 pessoas num tiroteio em Virginia Beach.

Esta merda acontece todas as semanas. Acontece tantas vezes que j� nem ligo.

Voltei para casa de uma viagem.

Trazia vestido um fato de 12 000 d�lares porque a vida me corre bem.

Cheguei mais cedo a casa e estavam a fazer o jantar.

J� chegaram a casa quando est�o a fazer o jantar? Cheira bem.

O meu filho viu-me e disse: "Chegou o pai!"

Levantou-se da mesa e veio dar-me um abra�o,

mas tinha gordura de frango na cara e eu afastei-o.

"Olha a�, meu!

Cuidadinho, filho, este fato foi caro.

N�o quero que fique cheio de gordura de frango."

E ele respondeu: "Mas que merda.. gordura de frango?

Pai, isto � pato."

At� verti uma l�grima.

Nunca pensei ser t�o bem-sucedido

ao ponto de criar um filho besuntado com gordura de pato na cara.

Sent�mo-nos e fal�mos de tudo.

Contei � minha esposa como os espet�culos estavam a correr

e contei-lhe as piadas dos transexuais, mas ela detesta-as.

Sabem porque ela detesta? Porque � asi�tica.

Mas eu n�o fa�o aquela careta em casa, a n�o ser que nos zanguemos a s�rio.

N�o est�vamos a discutir, entendem?

Ela s� me mandou parar de fazer a careta e eu tentei mudar de assunto.

"Como v�o as aulas, meninos?"

E o meu filho disse-me que, nesse dia, n�o tinham tido aulas.

Eu perguntei porqu� e ele explicou que houve um exerc�cio de tiroteio.

Nunca tinha ouvido falar disto.

P�em os mi�dos a fazer exerc�cios em que treinam o que t�m de fazer

em caso de tiroteio.

Nunca ouvira tal coisa. "Mas que caralho?"

N�o queria, mas tive de dizer a verdade aos putos. "Filho..

Filho, ouve.

Caga para esse exerc�cio.

Se aparecer algu�m na escola aos tiros, tenho de ser sincero contigo.

Provavelmente, vais levar um tiro. Estou a ser realista.

Tens um pai famoso. Eu digo montes de merdas.

V�o atr�s de ti, puto.

Baixa-te, corre em ziguezague

e n�o tentes salvar ningu�m, filho. Entendes?"

Porque poriam os mi�dos a treinar algo que eles n�o controlam?

S� fazem com que fiquem preocupados. Nunca ouvi maior parvo�ce.

E, enquanto os treinam nos exerc�cios,

n�o estar�o a treinar o atirador?

O gajo est� a aprender como os outros.

Sentado l� atr�s...

"Onde temos de nos reunir?"

Para um pai, isto � aterrador.

� assustador. Os pais andam todos de olho uns nos outros,

porque sabemos, como pais,

que um de n�s est� a criar um atirador.

S� n�o sabemos quem �.

A �nica certeza que temos...

... � que a probabilidade de ser um pai branco...

... � muito superior � probabilidade de ser um de n�s.

Tiroteios em escolas � cena de putos brancos.

� de loucos. Eu detestava a escola, mas nunca me passou pela cabe�a...

... matar toda a gente na escola!

� de loucos.

Fa�am como eu fiz, experimentem cenas.

J� se baldaram �s aulas? Meu, balda-te �s aulas!

D� uma volta e conhece outros mi�dos. Que se foda a escola.

Experimenta drogas. J� experimentaste?

� assustador.

Tenho pensado muito nisto.

N�o vejo uma forma pac�fica de desarmar os americanos brancos.

S� h� uma coisa que pode salvar este pa�s de si mesmo.

� a mesma salva��o de sempre.

Os afro-americanos.

Pois �.

Sei qual � a pergunta que muitos de voc�s fazem.

"Devemos salvar o pa�s?"

Sim, caralho, devemos.

Independentemente do que eles dizem ou vos fazem sentir,

n�o se esque�am de que este tamb�m � o vosso pa�s.

Cabe-nos a n�s...

... salvar o nosso pa�s.

E sabem o que temos de fazer. Este ano h� elei��es. Temos de levar isto a s�rio.

Todos os afro-americanos capazes t�m de se registar

para obter uma arma de fogo legal.

S� assim � que mudar�o a lei.

Pessoalmente, detesto armas.

N�o as suporto.

Mas tenho v�rias.

N�o as quero, mas sinto que preciso delas. N�o se esque�am que vivo em Ohio.

E toda a gente que sabe alguma coisa sobre Ohio sabe

que a palavra "Ohio" � uma antiga palavra amer�ndia.

Quer dizer, literalmente,

"terra de brancos pobres".

N�o sei como � aqui, mas, pela minha experi�ncia,

os brancos pobres adoram, mas adoram mesmo, caralho,

hero�na.

Gostam daquilo que se fartam.

No in�cio, nem percebi o que era. Ia a conduzir e dizia:

"Porque � que estes brancos est�o cheios de sono?"

� muito mau.

Ali�s, estava a sair da discoteca em Dayton, uma noite destas,

e tinha o carro estacionado no beco.

Estava sozinho, n�o tinha guarda-costas, nada.

Estava na minha terra, na boa. Assim que abri a porta do carro,

sozinho, de repente,

saltou um desses brancos toxicodependentes de uma lata do lixo.

Caguei-me todo, at� gritei.

E vi que era uma mulher. Estava toda fodida, disse...

"Calma, meu.

Calma, meu, descontrai.

Estou doente, sim?

Preciso de droga, meu.

Por favor! Fa�o-te um broche por cinco d�lares, meu". E eu...

"Dois d�lares."

Obviamente, estou a brincar.

A crise de opioides �, de facto, uma crise.

Vejo isso todos os dias, � t�o mau como dizem.

Arrasa com vidas, destr�i fam�lias...

Sabem o que isso me faz lembrar?

Faz-me lembrar os negros.

Esses brancos s�o exatamente como n�s durante a epidemia de crack.

� de loucos assistir a isto.

E as merdas que passam nas not�cias sobre como a na��o est� dividida,

eu n�o acredito. Sinto que, atualmente, estamos a ver como realmente somos.

� marado porque at� tenho uma ideia de como a comunidade branca se sentiu

ao ver a comunidade negra passar pelo flagelo do crack.

Eu tamb�m me estou nas tintas.

"Aguentem-se � bronca, brancos.

Basta resistir. � assim t�o dif�cil?"

Lembram-se de quando nos disseram isso? N�o faz mal.

Sem ressentimentos. Finalmente, fizeram algo.

Quando os vossos filhos entraram nisso, viram que � um problema de sa�de.

S�o doentes, n�o s�o criminosos. S�o pessoas doentes.

Dito isto...

... ando armado at� aos dentes.

A primeira arma que comprei foi uma ca�adeira.

Eu n�o queria, mas mudara-me para uma quinta

e, um dia, estava no alpendre

e vi um branco a atravessar a minha propriedade como se fosse dele.

Como se devesse estar ali. Trazia uma espingarda. N�o � fodido?

Eu disse: "Que caralho faz este gajo na minha propriedade?"

Estava danado, mas n�o estava armado.

E, feito cag�o, acabei por acenar ao filho da puta...

Assim que ele se afastou,

meti-me no carro e fui ao Kmart.

Isto � numa �rea rural de brancos.

Lembrem-se, estava nervoso porque tinham invadido a minha propriedade, eu sou negro

e estava a suar.

Entendem? Corri at� ao balc�o das armas.

Todo negro e suado, suado e negro... Pus-me a olhar...

Parecia um escravo.

Disse: "Preciso de uma arma, j�."

Tal e qual.

O tipo n�o me perguntou nada. Pegou numa ca�adeira

e deu-ma.

Nunca pegara numa arma, mas n�o sou parvo.

"Faltam as balas."

O tipo baixou-se e p�s duas caixas de balas em cima do balc�o.

E disse: "Muito bem, amigo, qual das caixas quer?"

Eu n�o sabia.

Uma caixa tinha uns patos.

E a outra tinha uns veados.

Perguntei o que tinha a caixa dos patos.

Ele respondeu: "S�o chumbos."

E, depois, disse... n�o estou a exagerar:

"Isso n�o mata um homem.

"Mas chega-lhe o lume ao pelo." Eu disse: "Mas que caralho? Lume ao pelo?"

Sabem o que quer dizer chegar o lume ao pelo?

Quer dizer que, quando o cartucho explode,

s�o expelidos chumbos quentes do cano da arma.

Isso n�o mata o filho da puta,

mas penetra na pele e faz ferimentos superficiais.

Essa porra deve doer. Chumbos quentes?

Lembram-se quando o Dick Cheney atingiu um cabr�o na cara

e o gajo sobreviveu? Isso foi com chumbos.

Perguntei o que tinha a caixa dos veados. E ele disse que eram balas maiores.

"At� furam um cami�o, se quiser.

Qual das caixas quer?" Pegou na das balas maiores e agitou.

Achei que me estava a enganar. Perguntei: "Tem alguma caixa

com a imagem de um branco a invadir uma propriedade?

Era isso mesmo que eu queria."

Mas n�o sabia que, ao defender a minha casa com uma ca�adeira,

tinha de comprar as duas caixas, como dita a f�rmula.

Eu n�o conheci a f�rmula.

� assim: uma ca�adeira de cartuchos de calibre 12 leva seis balas.

Ao carreg�-la, fazemos assim:

primeiros, pomos chumbos

e, depois, pomos uma bala maior.

Chumbos e, depois,

� a loucura, � s� bal�zios grandes.

T�m de imaginar. Imaginem que estou a dormir na cama

e a minha esposa me acorda. "David, acorda!"

Eu acordo e digo:

"Olha quem mudou de ideias." E tiro a pila para fora do pijama.

E ela diz: "N�o, ouvi qualquer coisa." E eu: "Foda-se esta merda..."

L� me levanto...

... e pego na arma.

Digo-lhe: "Fica aqui, eu vou ver. Tranca a porta quando eu sair."

Meu Deus, ela tinha raz�o!

Na minha cozinha, encontrei um gajo branco, viciado em hero�na.

Estava a remexer no frasco dos trocos, junto � porta.

Mas trabalhei muito por aqueles trocos e tinha de fazer algo. Engatilho a arma.

"Olha l�, filho da puta!"

� um teste.

Esse barulho faz parar

qualquer ser humano racional.

Mas o gajo n�o era racional.

� a doen�a da droga, estava remexer nos trocos.

Tinha de ser r�pido, o gajo j� tinha quase um d�lar e meio.

"Eu avise-te."

E disparei!

E pronto.

Os chumbos quentes entram na pele amarelada do toxicodependente.

Mas n�o era para o matar, era s� para lhe chegar o lume ao pelo.

Ele soltou um grito de heroin�mano.

A coisa devia ter ficado por ali.

Mas...

... enganei-me.

Enquanto ele estava deitado no ch�o, reparei que tinha os dentes manchados.

A hero�na n�o faz isso, pois n�o? � das anfetaminas!

O gajo levanta-se logo, ileso.

Estava na hora de atacar a s�rio.

Toma l� balas grandes!

E, se ele estivesse acompanhado, ainda tinha chumbos.

Repetia o ciclo.

Depois desse caso, s� uso balas normais.

E fico rodeado de toxicodependentes moribundos

a proferir as suas �ltimas palavras idiotas.

"Acertaste-me, meu.

D�i-me, meu. D�i-me."

A �ltima coisa que dizem � sempre palerma.

"Porque tem a pila de fora?"

Tenho medo de ser atacado.

Acontece a todos. N�o se esque�am do que aconteceu �quele ator franc�s.

Sabem a quem me refiro.

Jussie Smollett, � um ator franc�s muito famoso.

Nunca ouviram falar dele?

Jussie Smollett � um ator franc�s.

E ficou famoso na s�rie Empire.

E, uma noite, estava em Chicago,

e foi v�tima...

Foi v�tima de um ataque racista e homof�bico.

� que o Jussie Smollett �...

... gay e negro, para al�m de ser franc�s.

� uma hist�ria de loucos.

Parece que ia a descer a rua � noitinha

e apareceram dois brancos do nada,

com bon�s MAGA, que o agrediram.

Puseram-lhe uma corda ao pesco�o, chamaram-lhe preto,

deitaram-lhe lix�via em cima e fugiram.

Esta merda foi not�cia internacional.

E todos ficaram furiosos, especialmente em Hollywood.

Todos partilharam no Twitter e Instagram. "Justi�a para o Jussie" e merdas assim.

O pa�s ficou em polvorosa. N�o se falava de outra coisa

e, por algum motivo,

n�s, os afro-americanos, est�vamos muito caladinhos.

Fic�mos t�o caladinhos

que a comunidade gay come�ou a acusar a comunidade afro-americana

de ser homof�bica, porque n�o o apoiava.

O que eles n�o perceberam � que est�vamos a apoi�-lo

com o nosso sil�ncio.

Porque percebemos

que o gajo, nitidamente, estava a mentir.

Nada daquilo batia certo!

Disse que ia na rua em Chicago e que foi abordado por uns tipos brancos.

"Olha l�, n�o �s aquele preto larilas de Empire?"

Mas que merda � esta?

Algum branco fala assim?

Eu conhe�o brancos, n�o falam assim.

"�s o preto larilas de Empire?" Jamais diriam isso.

Isso parece-me mais algo...

... que eu diria!

Um racista homof�bico n�o saberia quem ele �, porque n�o v� essa s�rie.

Os negros nunca t�m pena da Pol�cia, mas, neste caso, tivemos.

Conseguem imaginar um veterano da Pol�cia a anotar a queixa do puto?

"Sr. Smollett, diga-me o que aconteceu.

Muito bem, eram 02h00.

Saiu de casa �s 02h00, estavam 26 graus negativos e...

Muito bem.

Ia a andar na rua. A andar. Muito bem.

E aonde ia?

� Subway?

Comprar sandes?

Foi quando eles o abordaram? Viu-os? Eles tinham...

O que tinham vestido? Bon�s MAGA?

Bon�s MAGA em Chicago?

S� um segundo, Sr. Smollett. Frank, chega aqui.

Averigua onde o Kanye West estava ontem � noite.

� uma hist�ria completamente descabida.

Disse que lhe puseram uma corda ao pesco�o. J� foram a Chicago?

Sim!

Muito bem, j� l� foram.

Digam-me, lembram-se de ver alguma corda?

Mas quem � que anda com cordas atr�s? Mas o gajo foi assaltado em 1850?

Quem anda com cordas na rua?

Essa merda foi terr�vel. Pronto.

Eu estava a fazer um espet�culo, estava em palco,

e estava um bocado b�bedo.

E pensei: "Que se foda, vou falar do gajo."

Achei que n�o havia problema porque n�o eram permitidos telem�veis.

E arrasei com o puto, fartei-me de dizer merdas.

Mas n�o sabia que havia um jornalista na assist�ncia.

E, infelizmente para mim,

esse filho da puta...

... tirou apontamentos muito exatos.

Contou tudo o que eu disse, at� p�s as piadas no t�tulo.

O t�tulo dizia: "Dave Chappelle Afirma

que Quer Partir Casa de Bonecas na Cabe�a de Jussie Smollett."

Mal li aquilo, pensei logo: "Pronto, j� era, a minha carreira acabou."

Felizmente, nesse mesmo dia,

a Pol�cia de Chicago apanhou os filhos da puta que fizeram isso

e, ironia das ironias, eram os dois nigerianos.

N�o s� n�o eram brancos, como eram muito negros.

Eram nigerianos, � de morrer a rir. A hist�ria tinha muito mais piada.

"Este � um pa�s MAGA, seu preto larilas.

Seu preto larilas."

Se fazem parte de um grupo com o qual eu tenha gozado,

quero que saibam que, provavelmente, s� fa�o isso porque me revejo em voc�s.

Gozo com brancos pobres porque eu j� fui pobre.

E sei que a �nica diferen�a entre um negro pobre e um branco pobre �

que o branco pobre n�o acha normal ser pobre.

O resto � tudo igual.

Sei o que � viver sem aquecimento.

Em mi�do, s� podia aumentar o term�stato se pedisse ao meu pai,

mesmo que a casa estivesse um gelo.

Dizia: "Pai, por favor, posso aumentar a temperatura,

sei l�, para zero, meu? Est� um frio do cara�as."

E o meu pai dizia-me: "Veste mais roupa, David."

"J� vesti as tr�s roupas que tenho. Estou a morrer de frio."

E ele dizia-me para n�o pensar no frio.

E eu respondi � frente dele, para ele ouvir, mas n�o falei para ele.

Disse: "Foda-se, detesto ser pobre!"

O meu pai ficou muito chateado. N�o era homem de gritar ou mandar vir.

Mas atirou com o jornal ao ch�o e disse: "David...

... tu n�o �s pobre.

Ser pobre � uma mentalidade.

� uma mentalidade que poucas pessoas conseguem superar.

Nunca te esque�as, filho.

Tu �s teso.

Isto s�o circunst�ncias financeiras que espero superar em breve."

E eu disse: "Pai, chame-lhe o que quiser,

mas n�o � nada agrad�vel."

Ia haver um baile na escola. Tinha 12 anos e pedi ao meu pai para ir ao baile.

Ele disse: "Claro, quero que saias e conhe�as mais crian�as."

Eu respondi: "�timo, a entrada � tr�s d�lares."

E o meu pai disse...

"Desculpa, filho,

mas o pai n�o tem.

E eu respondi: "Mas que caralho? N�o tens tr�s d�lares?

Ent�o, como estamos vivos, pai?

S� queria sair deste inferno! Dava tudo para n�o ser pobre.

Se puder, mostro o meu �nus ao Michael Jackson!

Tenho de sair deste inferno!"

E ele disse: "Se queres muito ir ao baile, fazemos o seguinte.

H� dinheiro no frasco dos trocos, vai busc�-lo."

Tinha 12 anos. Fiz isso mesmo. Cheguei cedo ao baile.

Tinha uma fila de mi�dos atr�s de mim, enquanto contava 300 moedas para entrar.

Nunca me esquecerei dessa merda enquanto for vivo, caralho.

Caramba, quem j� foi pobre sabe como �.

Sentimos vergonha, sentimos que a culpa � nossa.

Os putos todos a rirem-se de mim: "Olha como o Dave Chappelle � pobre."

Pensando bem, foi a �nica altura da minha vida em que pensei:

"Devia matar toda a gente da minha escola!"

Muito obrigado a todos e boa noite.

Legendas: Georgina Torres

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