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Tchau.
pessoal da escutação aí. Está entrando no ar o programa Barulho na Cidade,
o programa que diz a verdade da vida.
Nós recebemos aqui uma cartinha da nossa ouvinte,
Carla dos Anzóis Pereira, que nos relata o seguinte.
Senhor Tutuca.
Escrevo -lhe esta cartinha completamente desesperadinha. Eu sou uma moça
muito bonitinha e também muito riquinha. Eu moro num
apartazitozinho muito moderninho, cheio de enfeites.
Mas estou escrevendo estas mal traçadas linhas por causa do meu lindo
maridinho. Sim.
O meu maridinho é uma gracinha. É o homem mais fofinho que eu já
conheci em toda a minha existência.
Ele é tão fofinho que vira a cabeça de todas as mulheres.
Resta saber para que lado as mulheres viram a cabeça.
Pois se ele for para o outro lado, significa que ele é horrível.
Eu vivo em casa.
Ansiosa, esperando o meu marido voltar do trabalho para me dar o seu calor.
Sabe, Tutuca, eu sinto muita falta do meu maridinho.
O dia inteiro aqui, sozinha.
Eu passo o tempo todo vestindo e tirando.
Todas as roupas que eu tenho, faço tudo para ficar bem bonita para ele, que
é a razão da minha vidinha.
tarde vai chegando, eu vou para a varanda do meu apartamentozinho e
fumo um cigarrinho nervosa, sabendo que ele deve estar quase
chegando.
Você não pode imaginar o sofrimento de uma esposa que fica na janela
esperando o seu maridinho. É horrível, Tutuca. É horrível. O tempo
parece que não quer passar.
Quando chega o momento pelo qual eu esperei o dia inteiro,
quando eu beijo o meu maridinho, quando eu digo
pra ele o quanto de saudade há em meu coração, quando enfim
estamos sós, o que acontece?
O que acontece, Tutuca?
Não acontece nada, Tutuca.
Aí é que está.
Não acontece nadinha, tutuca.
Sou uma desgraçada. Você não gosta mais de mim.
Mais do que isso, meu amor. Você não quer nada comigo.
Você tá ficando maluca?
Eu te adoro.
Eu te beijo, te abraço, te morro.
Faço tudo com você, né? Tudo mole, feito doce de jaca.
Tá bem.
Vamos conversar.
Eu tenho uma coisa muito importante pra te dizer.
Sou uma infeliz.
Você não me quer mais.
Sou feia. Você deve ter arrumado uma outra.
Não é nada disso, hein? Eu sou uma desgraçada. Meu marido não me quer mais.
quero morrer. Por favor, alguém me mate.
Quer deixar eu falar?
Logo eu.
Sempre foi só sua.
Nunca olhei pra outro homem.
Agora, sem mais nem menos, você me abandona?
Quer calar a boca?
Aí que tá o problema.
Você nunca deu bola pra outro homem?
Eu já trouxe uma tia.
aqui em casa e você nunca deu bola pra eles.
Assim não é possível, né?
Assim não dá pé.
Eu gosto de competir, Carla.
Se eu tenho um Mercedes -Benz, é porque o Matias tem uma.
Se eu moro nesse prédio, é porque era o mais caro do Rio.
E se eu for um cigarrinho do Paquistão, é porque era o mais caro da praça.
Entendeu, Carla?
Mas o que eu fiz de errado?
Eu tenho sido tão boazinha.
É por isso mesmo.
Você tem sido boazinha até demais.
Não, anjo.
Vê se me entende.
Eu quero que você arranje uma mãe.
Dá uma bolinha pra um cara qualquer aí.
Mas não precisa dar pra ele, não.
Tem uma mãe.
Eu sou uma desgraçada. Você quer que eu dê meu buraquinho pra outro homem.
Não é nada disso.
Ai, meu saco. Tá bem.
Depois eu te explico tudo.
Pois é, Tutuca.
O meu... O maridinho diz que eu sou fiel demais.
O que eu posso fazer, Tutuca? O quê?
vinte, Carla.
Diz ela, tanto o meu maridinho insistiu com essas histórias
malucas de amantes, que um dia eu resolvi aceitar
somente para vê -lo feliz.
Afinal, ele é tudo que eu tenho.
com um misterioso cavaleiro numa pensão, na rua da Lapa,
às onze horas da noite.
E fiquei com o meu coraçãozinho pulando, pulando,
pulando, feito um cabritinho.
Eu estava muito nervosa, Tutuca.
Afinal... Eu nunca tinha feito isto antes.
Trair o meu maridinho.
A hora marcada, ele chegou no apartamento.
Ah, Tutucã, sou eu mesmo assim.
Quanto medo eu senti naquele momento em que a porta
se abriu.
Quem é que está aqui? Ele quem?
Eu não sei o que você está falando. Não sabe, né?
Quem é
que
está aqui?
Desafinal, quem é o senhor?
Polícia!
Polícia, minha queridinha!
Vai se moçar logo antes que eu perca a paciência, hein?
Ele só deu dentro do armário.
Cuidado!
Cuidado!
Deixa de procurar homem no armário.
Venha só uma mulher na cama.
Pois é, Tutuca. O Sérgio agora só conseguia me amar
inventando essas histórias completamente
malucas.
Tadinho, o meu maridinho tá ficando maluquinho. Mas ele é
tão fofinho que eu faço qualquer coisa por ele.
Você acha que eu tô errada, Tutuca?
Viu, meu amor?
Eu não disse?
Era só colocar um pouco de emoção que a coisa funcionava.
Aquela história de todo dia a mesma coisa.
Mas tanto Antônio que é bem.
Vou botar o que chama.
Pior tutuca foi quando o Sérgio resolveu abrir aquele
armário.
O que ele tá fazendo aí, ô cara?
Bora, cara.
Esperando o trem.
749 Recreio.
Este ônibus, parado às margens do canal, vai receber
uma carga de passageiros especiais.
Passageiros, todos eles condenados por um sofrimento comum.
Parece que a vida reuniu neste ônibus personagens condenados pela
miséria humana.
Não importa a idade ou o sexo, Cada um traz o
seu problema pessoal, particular Cada um carrega um
sofrimento
do sofrimento, o senho franzido, a boca tensa.
Até Maria Tissão e seu filho Pentelinho, que
caminham alegremente pela beira do canal, estão à beira de um drama.
Uma família a criar, pois ela já não podia sustentar o menino.
Um momento, esse casal de religiosos não estava no meu
script.
Mas de qualquer jeito, sejam bem -vindos.
Porque com a carga de sofrimento que este ônibus carrega, bem serão úteis.
Pastores de Deus junto a estas pobres almas.
O sétimo passageiro foi Zé Chulé, branco, 55 anos, lavrador.
Trazia consigo o Mico Januário, seu único amigo.
A roça de inhame que ele plantara há dois anos tinha sido destruída pela
Zé Chulé estava na miséria, arruinado.
O trocador foi logo avisando que macaco não podia viajar no ônibus. A viatura
não vai para o zoológico.
José levou uma cascata argumentando que Januário era seu primo.
E acabou sentando lá atrás.
Imagina se isso tem cabimento.
Um macaco como Januário não poder viajar no ônibus.
Januário é um macaco doutor.
Joga ronda como ninguém. E é tão popular aqui na várzea, que se bobearem, ele
acaba eleito deputado.
Depois vieram Mimi Duzentinho e Ernesto Pé de Cana.
Mimi Duzentinho, assim chamada por ser uma menina de altos princípios morais.
Só saía com o indivíduo por 200 pratas.
E o pé de cana, como o nome tá dizendo, mamava pitu em vez de leite.
E agora, ele tava afinsão de mamar a Mimi.
Tauzinho embreagem.
Era o motorista do ônibus da desgraça.
O Nacipe Salomão, como sempre, chegou atrasado e ia perdendo o ônibus.
O Nacipe era dono da única quitanda da Bárbara.
Faturava uma barbaridade o patrão.
Mas não se engane não com essa cara de satisfação.
Também o Nacipe estava com o seu problema.
Calzinho embreagem estava cismado.
Botou uma coisa na cabeça e ninguém conseguia tirar.
Um par de chifres.
Ele cismou que a Yolanda estava corneando ele.
Mas vocês sabem quem é a Yolanda?
A Yolanda é uma mulata da casa da Matilde.
Mulher da vida fácil, que quer mesmo é rosetar. E ainda dá uma boa vida pro
embreagem. Que dirige ônibus de teimoso e sacana que é.
Mas ele estava cismado mesmo.
A Yolanda estava jogando água fora da bacia.
A irmã Francisca puxou um ronco firme, sonhando com um bando de veadinhos,
cordeirosa, a pular pelos campos.
E o padre Barnardo sonhou, pecaminosamente, que comia todos os
veadinhos assados.
O trocador tava era de saco cheio daquele balanço.
Maria Tissão já ia sentindo saudades do pentelhinho. É verdade que ele era um pé
no saco, comia feito um cavalo baio, dava um prejú desgraçado. Mas sabe como
mãe é mãe.
A filha acusar a dona Elvira de roubar dinheiro da carteira dela.
E de ainda querer lhe comer o marido.
Sua própria filha.
O pé de cana ia olhando a paisagem. Mas a paisagem não dava muita bola pra ele
não. O pé de cana não tinha nem o da passagem. Quanto mais os duzentinhos.
O Nicanor se sentia livre.
Condenara a fome e a necessidade.
Sua mulher e dois inocentes bebês.
O vento que lhe batia o rosto não lhe tocava o coração.
Logo, logo, começou a encher o saco.
Fazendo o motorista mandá -lo tomar caju.
O pé de cana não desistiu de morder as coxas da Mimi. Que, vamos admitir, não é
um mau prato.
Prometeu pagar a menina com a dentadura do tio dele.
Que ele ia roubar hoje à noite para vender lá na praça.
E garantia que ela dava uma nota firme.
Mas com a Mimi, fiado só pra viado.
O Nacipe foi fumar seu
cachivinho e pegou logo a esculhambação da Dora Elvira, que já tava puta nas
calças, fazendo um tricô para se acalmar.
E o padre, a essas alturas, já tinha comido quase...
viados e gamos lá no seu sonho.
se desculpou todo, inventou que a vovó tinha morrido de diarreia e prometeu
arranjar a grana do seu ananis.
O problema era aonde arranjar as 500 pratas do
seu ananis.
O calça -proxa tava mais sujo na praça que pau de galinheiro.
Não tinha crédito nem pra comprar um copo d 'água com palito.
cego, aonde é que ele ia poder levantar essa nota?
Aonde? De onde?
Será que Deus está do meu lado?
Será que o pobre pode me ajudar a sacar essa nota?
Pois sim, padre dá, mas é outra coisa.
Perguntaram ao motorista se macaco podia viajar no ônibus. Ele mandou ela ficar
sentadinha, que ninguém ia ver.
E o januário enchendo o saco de todo mundo.
Todo
mundo
tava afim de fazer um picadinho de macaco pro jantar.
Um pode falar ou guinchar a hora que bem quiser.
Até o piedoso padre ficou puto.
Foi quando Calça Frouxa finalmente decidiu aonde ia descolar as 500 fratas
seu Ananias.
Caminhou pra frente do ônibus cheio de moral e entupido de razão.
o curto três oitão e convidou o motorista para dançar uma valsa.
O pessoal gelou, todo mundo se cagando.
O calça frouxa mandou tocar o ônibus para Caxias.
O padre quis ir fazer queixa ao bispo, mas logo desistiu. Parece que o bispo
andava muito ocupado.
E o calça lá com o três oitão no focinho de todo mundo.
Perereca, você pula, pula, pula e não fica careca. O cabelo gruda na cabeça
feito carrapato.
Gomalina perereca é boa de fato.
O calça mandou o motorista entrar em umas quebradas para poder limpar o
mais calmamente.
E aí E aí E aí E aí E aí
Em troca desse garoto. Você não pode fazer mal a uma criança.
Então bota aqui dentro. Eu tenho algo de muito valor.
Acredite em mim. Bota aqui dentro. Deixa o garoto comigo. É uma criança, ele não
tem nada com isso. Abaixa a mão, meu filho. Guarda, guarda esse revólver.
confiar em mim. Você deve ter um pouco de Deus no seu coração ainda, não tem?
Confia em mim. Bota o que tem aí dentro.
É algo de muito valor que eu tenho para dar a você, meu filho.
Você jamais esquecerá disso.
os padres se pode confiar hoje em dia.
Eu já.
Quantas vezes?
Em Madureira, umas seis vezes.
Mas em Caxias, mais de vinte.
Vinte? Vinte, senhor.
Meu amigo, o senhor tem sido muito assaltado ultimamente ou os gaturamas
a sua cara? Não paro de ser assaltado. Todo lugar que eu vou me assaltam. Na
padaria, no botequim, quando eu compro pão. Qualquer lugar, no ônibus, até no
táxi. Estou desconfiado que isso aqui não é um assalto, não?
Não dá nem mais pra sair na rua. Qualquer coisa que você faça, você tem a
impressão que é um assalto. Querem te tirar dinheiro de todo lugar.
Mãos altas, mãos altas, mãos altas, mãos altas, mãos altas.
Onde já se viu, cretino maldito, aos asfaltos,
aos ônibus, vestir -se com a roupa sagrada do
hábito?
Imagem do padre para sacar de uma arma.
Assaltar uma criança que passa na rua para fazer as cobras do pai. Uma senhora
que vai à feira.
Um pobre trabalhador de marmita na mão.
Que vai para o trabalho ou que retorna à casa.
Mediante maldito, covarde, infeliz.
Ave de rapina.
Ave de rapina.
Ainda se diz homem.
Aproveitar... para atirar numa criatura.
Uma sofrida que passa para o trabalho, uma mocinha que vai para o serviço,
o relógio, arrancar as miçangas, a roupa,
invadir um lar pobre, roubar o interior de uma casa.
Isso dizem homens.
O que é que significa isto?
Significa que são trapos da sociedade.
O trabalho existe.
necessidade. O assalto?
O assalto significa covardia e se diz valente que aparecer no jornal,
nas revistas.
Por que isto?
Por que isto, eu pergunto?
Está cheio de cachorro por aí, sem vergonha, sem vergonhas.
Mulheres também assaltando, mulheres assaltando, levando para o cara e
assim está cheio.
E agora eu digo para os senhores, o que é que devemos fazer com esses cachorros?
Com esses covardes?
Com esses estúpidos?
O que devemos fazer?
Assim eu pudesse.
Assim eu pudesse.
Mas eu tenho certeza que um dia tudo isso vai acabar.
O respeito vai existir.
Vamos resolver. Você tem que pagar pelo assalto. Vai dar bem caro. Vai pagar.
Pode olhar para os meus olhos.
A propósito.
Vocês conhecem aquele animal?
É uma hiena.
A hiena vive de carne podre.
Copula uma vez por ano.
E ri da miséria. Vive fazendo loucuras de gargalhadas.
Saltando gargalhadas.
da miséria que ela vive.
Vocês são também miseráveis da sociedade.
Vocês assaltantes. Não assaltem, porque vocês vivem da miséria alheia e rindo da
podridão.
Vamos passar agora o caso do peru que falava.
O peru falava. Falava tão bem que quase foi contratado para locutor esportivo
em Minas Gerais.
No aprazível lugarejo de Nossa Senhora do Mato Dentro, a vida corria mansa como
Deus gosta.
Os homens pitavam seu fuminho de rolo e as mulheres pitavam...
Uma... Bom, deixa as mulheres pra lá.
Seu neném, branco, casado, 48 anos e acostando o
saco, como todo matuto mineiro.
Pedindo a benção a papagaio e dando conselho a tatu.
Tá bom por mim, né, velho?
Casou com a Terezinha Machadinha, filha do trapezista voador do circo dos irmãos
Aurélio, moça prendada. Fazia uns empanados de milho e uma taioba refogada
machucar o coração de qualquer brasileiro.
Sinceramente, de tirar o chapéu.
E o seu neném matutava, que mulher mais bonita que eu casei. Deus me protegeu.
Sou devoto de Santo Antônio, mas não merecia tanto.
Para mim bastava uma mulherzinha magra para catucar. Nem precisava ter bem.
A Tereza Machadinha era a moça mais séria da
região.
Casou com o seu neném e nunca mais...
Olhou para outro homem.
De vez em quando, ela ia pegar umas bananas no mato. E
demorava por lá, admirando a natureza.
O seu neném tinha um vizinho muito engraçado. O Zeca Mentira.
O Zeca Mentira era o sujeito mais mentiroso da região.
Para contar história, ele estava sozinho.
Além de mentiroso para burro, era preguiçoso.
Não fazia nada o dia inteiro.
Contava para todo mundo que era aposentado. Quem dava duro e sustentava
família era a dona Mariazinha Levatroxa, mãe
de família exemplar.
que se sacrificava na bacia para comprar o pão de cada dia.
O Zeca Mentira passava o dia inteiro pitando, tentando descobrir
um jeito de enganar o otário. Porque atrás dele, ele tinha uma mulher
que sustentava a casa.
Dona Maria, a senhora é uma santa.
Nem só Amélia era mulher de verdade. A senhora é o orgulho da sua
família. Meus sinceros parabéns.
Um belo dia de sol, o Zeca Mentira, passeando pelo mato, viu
algo interessante.
Era a dona Teresa Machadinha que estava recolhendo umas bananas para fazer um
doce.
Ela se acostumara com essa mania de fazer doce de banana por causa da
sua avó. Que lhe ensinaram uma receita em fogo lento que todo mundo
gostava muito.
A verdade é que o Zeca Mentira ficou muito...
Impressionado com...
Doce de banana da dona Teresa Machadinha.
Ele ficou inquieto, indócil, agoniado. Por
que ele nunca fora convidado?
Pra comer o tal doce de banana.
E o Zeca, que não tinha nada pra fazer... Passou a
observar de perto a dona Tereza Machadinha.
Tentando fazer amizade.
Quem sabe, assim, um dia...
Ela convidava ele para comer um doce.
O seu neném, de vez em quando, voltava da roça mais cedo e
aproveitava para ficar pertinho da sua amada e santa
mulher.
Mas ela, mulher muito séria, não admitia essas intimidades durante o dia.
Enquanto a Maria trabalhava no tanque, o Zeca ficava cada
vez mais nervoso. Assim, ele acaba ficando maluco.
Ele coçava a cabeça e pulava no mesmo lugar, feito um macaco.
Foi aí que ele resolveu voltar pra casa, com aquele jeito de quem não quer nada,
de quem está olhando a banda passar.
Pois bem, ele tinha outras intenções.
Indivíduo desqualificado e inescrupuloso.
Ele foi incomodar a sua própria esposa durante o trabalho.
Que absurdo! Que coisa mais ignóbil!
Indivíduos como esse é que tornam o nosso amanhecer mais escuro.
Indivíduos como esse fazem as rolinhas pararem de cantar. Mas
Dona Maria leva trouxa que tinha que lavar seis...
Quilos de roupa, ainda naquele dia, colocou o marginal
em seu devido lugar.
Foi quando o Zeca viu...
O Piru Kojak.
O Zeca amarrou o bichinho numa corda, sem se
preocupar com quem era o dono do piru.
E começou a pensar como poderia ganhar um dinheirinho com ele.
Lá pelas tantas, depois de pensar muita besteira, ele teve
uma ideia.
Uma ideia que lhe pareceu sensacional.
Piramidal fantástica.
Embriagou a...
com uma caninha braba pra chuchu daquelas que provavelmente
matou a mãe do guarda
depois
botou o peru debaixo do braço e
caminhou na direção da casa do seu neném,
disposto a executar fielmente o
plano que concebera há poucos minutos atrás.
O Zeca Mentira ia muito feliz e satisfeito, confiante na
sua ideia.
E o seu neném, como sempre, estava dando duro, como homem
honesto que era.
Bom dia, seu neném.
Bom dia.
Não.
Muito obrigado.
Sabe,
seu neném...
Eu vim cá para lhe propor uma negociação.
Que negociação é essa, hein, seu Zeca Mentira?
Veja aqui que eu trago uma maravilha desse mundo de Deus para lhe propor.
Para mim isso aí é um peru, compadre.
Mas acontece, seu neném, que esse peru aqui...
É um peru da gota serena, uma maravilha. Olha aí, dá uma foadinha. Eita!
Entendeu?
Eita, peruzão.
Esse peru não é como os outros, não, senhor.
Esse peru aqui fala.
Não é, Cojoc? Fala aí.
Fala aí, Cojoc.
Esse aqui fala.
Olha aí, seu Zé, que é mentira.
Com o devido respeito que eu tenho pro senhor, esse negócio de peru que fala
é comigo não. Se o senhor quiser, pode pegar outro otário por aí.
Que o quê, seu neném?
Então eu não conheço o meu peru? Esse peru fala, ele que tá tímido agora.
Ele tá tímido por quê? Eu ameacei ele com as foladas, né? Fala, Kojak.
Fala, Kojak.
Peraí que você vai ver como é que ele fala já. Fala, Kojak.
Vai falar, rapaz.
Fala aí, Kojak. Vai, vai.
Fala, rapaz. Fala aí pro seu neném ver.
Fala aí.
Fala.
Fala, Kojak. Fala, Kojak. Fala.
Ah, também com esse som. Agora já sei.
É que a gente tem que ir pra uma sombrinha, seu neném. Esse peru é
Nós vamos pra uma sombrinha, fitar um cigarrinho e o senhor vai ver como é que
ele vai falar maravilhas desse mundo.
Né, Kojak?
Vamos lá, seu neném.
E os dois foram procurar uma sombrinha para o
peru não ficar muito quente.
Bom, tá pequeno esse lugar. Agora que a gente está aqui numa sombrinha, muito
pequena. A gente vai transar a Duque Duque, sabe como é que é? Que o Kojak é
meio safado, sabe? Ele gosta assim de vez em quando de fazer o charmezinho
como se diz lá na cidade.
Você sabe de uma coisa, seu neném? Eu ontem à noite tive um sonho, sabe?
Eu tive um sonho que era um carro. Sonhei que era um carro. E aquela sua
sobrinha... Ela cismou que tinha que comprar um carro e foi escolher um carro
me escolheu.
Aí entrou no carro e foi dar um passeio.
Quando chegou na esquina o carro enguiçou. Sabe o que ela fez?
Ela resolveu ver o que o carro tinha, entrou debaixo de mim, pegou na alavanca
começou.
Como é que é, Cojaco? Vai falar ou não vai falar?
Olha, Sunenê, mudando a voz de um povo para o outro, o negócio está muito
Com esse peru, se o senhor for para a Feira de Santo Estóvão, fique sabendo
o senhor vai ficar cheio do dinheiro.
Mas cheio do dinheiro.
Ainda mais um cara boa pinta, assim como você.
Claro, você não está lá, mas também não está de se jogar fora.
E se você for pro Círculo Santo então com ele, nem se fala.
Aquela do Vale Tudo, do Círculo Santo, vai ser, vai ficar assim de mulher e de
grana, como se diz, mas grana, muita grana. Agora, claro, eu não vou porque
tô meio aí numa, eu tô querendo fazer umas viagens aí, não tô pensando muito.
quanto você quer por esse peru? Pelo peru?
Bom, a gente mora por aqui, a gente se conhece.
Claro, eu tenho um respeito muito grande pelo seu neném. E a gente podia... um
negocinho simples, né?
Sabe a sua mulher?
A sua mulher.
Eu sei que ela não gosta de você.
Estou sabendo disso.
A minha também não gosta de mim. Então a gente podia fazer uma trocazinha. Quer
dizer, eu trocava o peru pela sua mulher. E sabe por... uma bimbada só. O
Uma bimbada? O que é que você está pensando?
O seu neném ficou uma onça.
Queria pegar o Zeca Mentira e fazer picadinho dele. Onde já se
viu? Isso é proposta que se faça?
Enquanto isso, dona Tereza Machadinha, o pivô do rumoroso caso...
Inocentemente, aguardava na janela de sua casa a cauda do doce de banana ficar
no ponto.
Foi quando surgiu Zeca Mentira com o tal Piru Falang.
E forçou uma certa intimidade com a dona Tereza. Que, apesar de ser
uma senhora casada, não quis ser grosseira com o vizinho.
Mas seu neném apareceu na hora exata e espantou o piro.
Outro dia, quando seu neném preparava um caniço para fazer uma vara de pesca,
pensando nas tainhas, nas traíras, nas piabas,
o indivíduo persistente.
Insistente e indecente, Zeca Mentira tornou a fazer a
indecorosa proposta ao seu neném.
Seu neném, coberto de razão,
saiu bufando, feito um
trem. atrás do Sacripanta.
Só que, desta vez, o seu neném estava disposto a acabar com
essa história.
Correu atrás do Zeca, igual os meninos da seleção do Coutinho.
O Zeca Apesar da confusão, não largava o
Kojak de jeito nenhum.
Quando os dois já estavam bastante cansados, com a língua de fora igual o
cachorro ladrão, o Zeca correu para trás da casa.
Ouviram -se gritos terríveis, horrorosos.
Passados alguns segundos, o seu neném apareceu com o facão
e o peru na mão. O que teria acontecido ao pobre
Zeca?
O Zé Cã ficou chorando porque cortaram o seu... quer dizer,
roubaram o seu peru.
É verdade que ninguém acreditava que aquele peru falava.
Mas, de qualquer modo, fazia uma falta danada, hein?
Resolveu dar um jeito também na dona Tereza.
Pendurou a mulher de cabeça para baixo, para ver se ela mudava o seu jeito
de encarar as coisas.
O Kojak acabou não falando nada e virou um almoço.
Seu neném confiscou a Maria Levatroxa e viveu muito feliz.
O resto da sua vida.
Para a felicidade dos seus vizinhos.
Acontece que o Kojaki não morreu.
Mataram foi o irmão dele, o Piru.
E o Kojaki falava tão fluentemente que acabou o locutor da rádio local.
E hoje é nosso colega.
Dona Eudóxia, residente aqui no MET, toda bonita, de amarelo, toda viçosa.
Eudóxia, me responda uma coisa.
A senhora já viu um peru falante?
Ah, meu filho, desde que meu marido morreu, não vejo nem um peru calado,
mais um peru falante.
Agora, no programa Barulho na Cidade, vocês vão ouvir uma fábula. Uma
fábula que aconteceu de verdade.
O Aristides e o Aristeu eram dois grandes amigos.
Um não largava o outro por nada.
A vida os jogara na mesma miséria.
E a necessidade os uniram na mesma amizade.
Aristides, o baixinho e careca, era o mais velho e o mais sonhador.
Aristeu, o magrela, apesar de mais jovem, tinha os pés mais próximos ao
Eles não tinham o que comer, onde dormir, o que vestir.
ligava pra eles eram para o passante indiferente dois mendigos dois páreas da
sociedade e nada mais mas conseguiam rir da desgraça e
levar a vida em frente melhor do que muita gente rica que tem por aí
porque a alegria meus amigos é algo que se traz dentro
da gente como uma flor de cristal onde se cultiva com a água do amor ao próximo
e do coração livre.
Assim, Aristides e Aristeu iam enganando a morte.
Sobrevivendo a tudo graças a sua amizade.
Um dia Aristides achou uma ficha de telefone no chão.
Ficou feliz, todo contente.
Ia falar num telefone.
Mas falar com quem?
Aristides não conhecia ninguém que tivesse telefone.
Aliás, o Aristides não conhecia ninguém além do Aristeu.
O pai do Aristides morrera de cachumba quando ele ainda era bebê.
Sua mãe, enlouquecida pela dor, se atiraria dois dias depois.
nos trilhos da central para morrer atropelado.
O menino Aristides foi criado por uma velha cega que morava num barraco
ao dos seus pais.
Ela tentou lhe dar o carinho de mãe, mas sendo cega, vivia espetando o alfinete
da fralda no Aristides.
Um dia, ele aproveitou a porta aberta e fugiu. Tinha apenas cinco anos.
Desde então, viraram vagabundo.
Um Zé Ninguém.
A escola da vida o fez doutor em sofrimento.
O Aristeu tinha uma história praticamente igual.
Em vez de cachumba, seu pai morrera de sífilis.
E em vez de atropelada por um trem, sua mãe morrera de pá.
Um belo dia, o Aristides resolveu fazer amizade com o mar.
Abriu os braços e foi chamando pelas ondas, elogiando a beleza da espuma e
louvando o frescor da brisa.
Completamente integrado com a natureza.
Acontece que ele não sabia nadar.
O mar pegou -o e deixou -o quase morto.
Correu a socorrer.
Aristides, se virando para o mar, dizia, Por que me tratas assim?
Por que me tratas assim?
Aristides engolira muita água saudável.
O seu estômago, acostumado a fome, ficou todo feliz, pensando que a água do mar
era uma flor.
Aristeu tentou uma respiração boca a boca para salvar o amigo.
E foi o que funcionou.
Aristides estava fora de perigo, graças a Deus.
Para comemorar, Aristeu deu uma guimba de presente ao Aristides.
Isso ficou muito comum.
E foram fazer compras para o jantar.
Comentaram como a vida andava cara, que assim não havia mais dinheiro que
chegasse. Que estava tudo custando os olhos da cara.
Aristides achou, presa numa moitinha de caipim, uma fotografia.
A fotografia da mulher mais linda que ele já vira em toda a sua vida.
O Aristides achou a menina boboca. A mãe dele era muito mais bonita.
Sem comparação.
Mas Aristides guardou aquela foto junto ao coratão.
como o bem mais precioso da sua vida miserável.
Ao entardecer, com o alvoroço das cigarras, os dois se prepararam para
A noite prometia ser fria e a casa deles era muito ventilada.
Aristides, encantado com a foto, dormiu abraçado.
E então ele sonhou.
Sonhou que entrava numa casa muito rica.
Muito bonita.
O chão e as escadas eram de mármore, os corrimãos de ouro e
os tapetes dignos de um imperador persa.
Seus olhos, acostumados à pobreza, ficavam ofuscados com o brilho do
luxo.
Ao passar por uma diafa na cortina de rendas da Grécia, ele encontrou um
que jamais esperara encontrar.
A menina da fotografia que ele achara à tarde,
Era dona desse palácio de sonhos.
Ela dançou diante de seus olhos com a graça e a leveza de um beija -flor.
Ela ria dele, pois ele ficava todo sem jeito, encabulado.
Ela era a pureza e, ao mesmo tempo, o pecado. A sua nudez de virgem
representava todo o prazer que a vida lhe negara.
Sua beleza infantil era, ao mesmo tempo, sensual.
O coração de Aristides pulava de alegria.
Brincavam como se fossem crianças.
Aristides, na sua pureza, tratou a menina como sua filha,
enchendo -se de cuidados com ela.
meu caro ouvinte porque todos nós somos crianças nós temos no
canto mais escondido da nossa alma uma criança e se nós
deixássemos essa criança falar o mundo seria melhor
não
haveriam guerras nem fome
Crianças não morreriam abandonadas pelas ruas.
Os velhos não seriam largados como lixo imprestável por seus
próprios filhos.
Aristides, na sua miséria, na sua vida à margem da sociedade,
era, antes de tudo, um adulto que sabia ser criança.
Nem por um momento, em toda a sua existência, deixou de rir,
de amar o seu próximo, de encontrar,
no simples fato de estar vivo, uma razão para agradecer a Deus,
o Supremo Criador.
Mas de repente, como todo sonho, este sonho acabou.
A figura da menina foi se apagando.
Aristide se despediu dela e saiu pela porta dos fundos do sonho.
O dia amanheceu quente, ensolarado, febril.
Aristeu foi o primeiro a acordar.
Já pensando no café da manhã que tinha que ser arrancado a unha desta cidade
hostil, ele catucou Aristides.
Mas parecia que o Aristides ainda estava no sonho.
Aristeu tentou ouvir seu coração e nada.
Desesperado, sacudiu.
Olhou o entorno buscando auxílio.
Inútil.
Aristides estava morto.
Curioso é que, entre as pessoas que assistiam ao drama de Aristeu,
chorando sobre o corpo de Aristides, desesperado,
estava a menina da fotografia, que provavelmente,
num descuido, perdera o retrato a poucos metros dali.
Ela que, sem saber, encheira de alegria o último sonho do mendigo
Aristides. Por ilumina do destino, estava ali, morta,
a seus pés, e ela nem sequer conhecia.
O caso aconteceu em Ipanema, bairro de Granfino, onde a madame de Zaylo viu pra
porteiro e essas mumunhas todas e fica tudo bem.
A família Almeida é composta por Almeida pai, Almeida mãe e Almeida filho,
que levavam a gatinha pra comer no local e estava de saída para um fim de semana
em Cabo Frio.
A casa, como sempre, ficou entregue a Isaura, uma mulata muito
da boa zuda que estava marcando uma toca de doméstica enquanto não arranjava um
português para casar.
A sacaninha, mal saíram os patrões, grudou o falador no telefone e saiu
convidando o bairro inteiro para uma festinha.
Eu já disse aqui neste
programa que é preciso tomar muito cuidado com esse negócio de deixar
sozinha em casa. Muito cuidado!
Entra em campo a turma da sacanagem.
Mariazinha do cento e quatro de goleiro. Manoel da arquitanda de lateral
direito.
Martinha Babali, zagueiro central.
E Carlinhos Açougueiro jogando no meio de campo.
Getúlio Pipoqueiro levando o piano.
Levante, Betinho Motorista de ponta esquerda
e Janete Arromadeira de meia esquerda.
E o técnico Isaura do centro.
Os atletas resolveram se banhar. O calor que fazia era
infernal.
Os que não tinham toalha se enxugaram na grama.
Lá pelo começo da tarde, o que se deu naquela
reunião seria... Algo condenável pelos mais flexíveis
padrões de moral existentes na atualidade.
As pessoas não tinham o mínimo de decência.
Porém, algo aconteceria para estragar a
pequena reunião social.
vestiu uma almofada e foi até a porta para ver quem era.
Que estímulo, Isaura. Mas que calor, hein?
Pois é, né, dona Lucie? Tá certo que tá quente, mas não exagera, né, nega?
Acabo de tirar de palito, estou exausta. Cadê o Beto?
Acabei de fazer um cafezinho agora delicioso pra senhora.
Mas cadê o Beto? Não, ele não vai demorar, ele não vai demorar.
Não,
um cafezinho, um cafezinho. Que história é essa de cafezinho? Escuta, Isaura,
que história é essa de cafezinho? Eu quero o Beto, Isaura.
Não, seu chuchu, ele não vai demorar. Juro que ele não vai demorar. Mas cadê o
Beto? Meu chuchu, Isaura, para com isso. Cadê o Beto, Isaura?
Não, mas ele não demora. É só um cafezinho gostoso que eu fiz com tanto
Mas muito, mas gostoso é o meu chuchu. E para com isso. Cadê o Beto, Isaura? Mas
que coisa, meu Deus!
Mas, Isaura, para com isso. Que absurdo, que isso?
Mas a sua roupa é tão bonita, você comprou onde? Em Paris, Isaura. E a sua?
a sua roupa, Isaura? E cadê o Beto, Isaura? Me solta! Ele não vai demorar!
Isaura!
Mas que horror!
neta, né? E agora?
Bonito, hein, Zota? Me correndo na minha própria festa.
Ah, minha filha, vacilou, dançou. Ah, mas quer dizer então que os casalzinhos
estavam formados? Eu vou chamar a polícia, bombeiro!
Que sacanagem!
Ah,
tô na...
Estava realmente muito invocada com aquela reuniãozinha.
Sua babaca, você quer saber quem é o teu chuchu?
Aquele sacana do Beto?
Pois bem, ele foi pra Cabo Frio, enfiar o cabo quente na Laurinha. Sabe quem é a
Laurinha? Aquela franguinha aí do lado.
E antes disso...
E até a tua amiga íntima, Márcia.
Você conhece a Leonora? Ele papou ela também.
Tomou uma decisão um tanto ao quanto drástica para a situação
com que ela se deparou naquele momento momentâneo.
Resolveu, digamos, como dizer, aderir à
situação formada ao impasse do momento.
Ela tirou a roupa. Ela resolveu ficar mais à vontade.
Eu considero isso uma reação um tanto ou quanto irresponsável.
Mas o que ocorreu depois é que foi pior ainda.
Quem chegaria, de repente, no meio dessa pedra?
um pijama, ficou foi com azeitona no ouvido, dois chifres na testa e sete
pra baixo da terra.
Meu amigo, vamos supor que o senhor fosse um tremendo de um galhão, vivesse
aí nessas festinhas de embalo e de repente um dia encontrasse a sua própria
noiva numa dessas festinhas.
O que o senhor fazia aí?
Cara, eu pegava essa safada, enchia ela de porrada.
Fazia uma reforma total na fachada dela.
Mandava direto pro Miguel Couto.
Os senhores querem saber de uma coisa?
Eu estou de saborido triste.
Eu não sou pessimista, eu sou realista.
Já não suporto mais.
É mulher vestida de homem, é homem vestido de mulher.
É uma confusão danada, ninguém se entende mais.
As artistas de hoje, as atrizes, dizem atrizes, basta tirar a roupa, ficar nua,
despida. Mostrar o corpo, a carne. Eu sou atriz, sou artista.
Antigamente tinha que ser artista.
Hoje os homens, basta botar batom, fazer pitiados bonitos e apertarem todos, são
atores.
Vergonha! Os verdadeiros artistas, as grandes atrizes, eram atrizes.
Vocês que vêm pra ele pra se beijarem em cena, ficarem na cama, fazerem loucura.
E vocês que estão aí nas cadeiras, sentados, assistindo.
Assistindo o que é sexo?
O que é que vocês têm na cabeça?
O que é?
Vocês são tarados também.
Sim. O que é que vocês vieram fazer aqui?
Assistir essas cenas malditas?
Essas mulheres nuas?
Esses peixes?
Licenciosismo? Erotismo?
Maldição! Para eles todos que fazem esses filmes. Quem faz filme assim não
personalidade, não tem qualidade.
O filme tem que ser amor, carinho, bom exemplo.
Não safateza. Mulher com a nádega de fora.
Homem tarado.
Mulher com o cheiro de fora. E vocês com os olhos loucos, alucinados, babando
nessas cadeiras aí. Qual é a de vocês?
Qual é a de vocês?
Vocês são uns tarados. É uma pouca vergonha. É uma cachorrada.
E a mulher que vem com o marido parece também... Esse jogo maldito também está
na chocada.
Eu quero respeito, meu mundo, respeito. A plateia tem que me respeitar o resto
da vida.
Quer saber de uma coisa?
Já não estou aguentando mais tanta nudez, tanta safadeza.
E vou explicar a vocês.
Eu vou ao banheiro.
E mais.
O banheiro, hoje em dia, não devia ser mais banheiro.
E sim, origem de animais. Que ganhem mais.
Porque não existe mais cavaleiro.
Nem dama. Tudo é um drama.
Uma miséria.
Maldição para vocês.
Eu vou para o banheiro vomitar.
Vestirado. E aqui encerramos mais um programa Barulho na
Cidade. Um programa que é uma necessidade.
Boa noite, pessoal. E até outra ocasião.
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