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"SÓ OS MORTOS VIRAM O FIM DA GUERRA." GEORGE SANTAYANA

UNIÃO SOVIÉTICA. FRENTE DE DNIEPRE, OUTONO DE 1943

OITO MESES APÓS ESTALINEGRADO, O WEHRMACHT BATE EM RETIRADA.

Batam em retirada!

Vamos! Vá!

Posicionem-se atrás da ponte!

- Sigam-me. Mais rápido! - Mais rápido!

Depressa!

Retirar!

- Retirar! - Retirar!

Retirar!

Vamos, vá!

Aos vossos postos!

Segunda vaga, à direita, aos vossos postos. Em posição! Vão!

Comandante! As nossas tropas bateram em retirada.

Tenente? Devemos fazer o mesmo?

Tenente!

Estão a chegar, Keilig?

Aí estão eles.

T-34! Estou a vê-los!

Seiscentos, contacto.

Armado!

Dê a ordem, tenente!

Philip!

Philip!

- Fogo! - Atenção!

Atingido. Destruído.

Carregada!

- No meio! Proteger! - Fogo!

À direita, outro tanque!

- Contacto. - Fogo!

Atenção!

- No alvo. - Também destruído.

- Carregada! - Metralhadora, fogo. Continuem.

Destruímos os dois à frente e bloqueámos o acesso.

- Vamos sair. - Fogo!

Atenção!

- Ouviste, Philip? - Carregada!

Podemos retirar.

- Fogo! - Atenção!

- Carregada! - São cada vez mais.

Vão fazer explodir a ponte à meia-noite.

É daqui a cinco minutos.

- Ainda temos tempo. Fogo! - Atenção!

- Temos de ir. - Faltam quatro minutos e meio!

- Quatro e meio! - A ponte tem 600 metros.

Arma antitanque! Às 12 horas!

- Não recarreguei. - Fogo!

Eu trato disso.

Atenção!

Carregada!

Não temos ajuda nem tempo, Philip.

Dá a ordem!

Dá a ordem, Philip!

Atenção. Retirar. Inverte e segue pela ponte, Hummel.

Sim, comandante.

Vai, Helmut!

Vamos lá.

Temos quatro minutos. Quatro minutos!

Acelera, Hummel.

Não vamos conseguir!

Já não vêm atrás de nós. E cessaram fogo.

- Sabem que vamos detonar. - Vamos conseguir.

Ilyushins.

Não nos afetam.

- Comandante! - Fogo.

- Pinga! - Está a entrar pelas escotilhas!

O fogo está a entrar!

- Estou a arder! - Vai, Helmut! Vai!

Está tudo a arder!

Vai, Helmut, continua! Vai!

Vai, Helmut! Acelera!

Acho que conseguimos, Philip! Nós conseguimos!

Não temos ajuda nem tempo, Philip.

Dá a ordem!

Ilyushins.

Estou a arder!

Vai, Helmut! Vai! Acelera!

Falta muito?

SECRETO

"Operação Labirinto."

LEVA CORONEL VON HARDENBURG COM DOCUMENTOS SECRETOS

"Ordem individual... Sem apoio..."

"Von Hardenburg..."

O Paul?

Os óculos?

Venham. Liga o gás.

Vá, levanta. Porra!

Tenente. Bem-vindo de volta.

Obrigado, Christian.

- Homens! - Tenente.

Tenente.

Chefe.

Como está o nosso Tiger?

Desgastado e danificado.

Mas pronto a usar.

Ótimo.

E vocês?

Igual. Uns arranhões e queimaduras. Nada de mais.

Novas ordens?

Infelizmente, sim.

Segundo o coronel Richter, temos de partir hoje.

- E a licença? - Cancelada.

- Hoje? - Hoje.

Para onde?

De novo para leste, para lá do Psel.

- Ter com os russos? - A meio caminho.

Em terra de ninguém.

As nossas ordens são localizar o coronel von Hardenburg

e trazê-lo de volta.

O von Hardenburg? Pensava que estava morto.

Também eu.

Muitos devem pensar o mesmo de nós.

- Que unidade nos acompanhará? - Nenhuma.

A missão é ultrassecreta.

Ele deve estar num dos nossos abrigos subterrâneos,

a leste de Novyi Yar. - Merda!

- Porquê nós? - Uma ordem é uma ordem.

Se quisessem que soubéssemos, ter-nos-iam dito.

Mas um único tanque Tiger...

Devem estar convencidos de que damos conta do assunto.

Preparem o tanque.

Vamos lá, homens.

Então, vamos lá.

Lobo para Toca, vamos entrar no labirinto durante 48 horas.

Lobo a terminar.

Helmut? Isqueiro!

O melhor tanque que já construíram,

e o condutor nem pode pôr a cabeça de fora, quando mais ver.

E vocês, idiotas, vão a levar com o sol na cara.

Os engenheiros sabiam que os condutores são feios como tudo!

O von Hardenburg?

Ficou em Estalinegrado com o Sexto depois de termos sido retirados.

É um milagre ter escapado às últimas batalhas.

Ouvi dizer que cortou a própria mão.

Também ouvi isso.

Ficou soterrado debaixo dos escombros da fábrica de tratores.

E a mão ficou presa.

Cinco dias depois,

cortou-a com uma faca.

Para sobreviver.

Eu disse-te.

Helmut? Ainda tenho o teu isqueiro.

Mas agora é meu.

Se ele sobreviveu, deve ser um espião russo.

Deve ser por isso que o querem de volta.

Pelos vistos, conseguiu sair dos escombros

e uma jovem teve pena dele e escondeu-o em casa dela.

Depois, ele fez-se passar por agricultor e voltou para o nosso lado.

E voltaram a mandá-lo para a frente?

Só com uma mão?

Quase tenho pena dele.

E agora vão mandar-nos a nós para o trazer de volta.

Cada vez mais me soa a espião russo.

Os oficiais são todos artistas manetas.

Porque é tão importante? Só porque tem "von" no nome?

Segundo a ordem, tem estado a trabalhar num plano de retirada secreto.

Contém todas as nossas posições, radiofrequências e stock de armas.

Se isso tudo cair nas mãos dos russos,

o Reich fica à mercê deles.

A nossa missão tem como nome de código "Operação Labirinto".

E não tentaram contactá-lo via rádio?

Deixou de responder depois de fazermos explodir a ponte.

Em Estalinegrado...

... ele deu as ordens, certo?

Ele era o comandante, sim.

Que estás a fazer, fedelho?

No meu tanque não há brincadeiras manuais!

Eu não fiz nada.

Eu bem vi.

Mais cinco quilómetros até à linha da frente. Depois, fiquem atentos.

Weller, que fazem eles?

Deve ser para confundir os russos.

Ou seja, vamos recuar ainda mais.

Pensei que Adolf, o austríaco, não gostava de recuar.

É dos teus, Weller.

- Não é nenhum dos que conheço. - Tu e a tua quinta de porcos tirolesa.

Primeiro, não é uma quinta de porcos. É uma vinha.

E é o Wachau. A região mais bonita do mundo.

- O Wachau... - Keilig, que diz a rádio?

Nada além de ruído.

Melhor. Assim, os russos não nos ouvem.

Hummel, deixamos a estrada daqui a 50 metros, para a esquerda.

Longe do campo aberto. Para nos abrigarmos.

Sim, senhor!

Quando acabarmos de beber, apagamos o fogo

e ficamos com a primeira vigia, Michel. Está bem?

Há cá guerrilheiros?

Nunca se sabe.

Mais vale ficarmos bem atentos.

A Bodhana disse-me...

... que a floresta está cheia de fantasmas.

Quem é a Bodhana?

Uma camponesa que conheceu em Tolokonnoye.

- Vendeu-nos leite e ovos. - E gonorreia, não foi, fedelho?

Helmut...

Eu não dormi com ela.

Mas querias ter dormido.

Ouve o tio Helmut, fedelho.

A diversão é curta, o arrependimento perdura.

E ela disse que havia fantasmas na floresta?

Sim, as almas dos falecidos deambulam por lá.

Os ucranianos acreditam nisso.

Muitos na Silésia também.

A Silésia é uma grande quinta de porcos.

Porque não morremos queimados, tenente?

Na ponte.

Só nos safámos porque nunca tirei o pé do acelerador.

Embora estivesse a arder. Devem-me um par de botas novas.

O tenente conhece bem o von Hardenburg, não é?

Andámos os dois na academia militar.

Eram amigos?

Sim, mas isso foi há muito tempo.

É verdade que é padrinho do seu filho?

Chega. Vão dormir.

Fogo-fátuo.

Não ligues ao Hummel.

Ele gosta de me espicaçar.

Ele perdeu o filho.

Tinha apenas 15 anos.

Operou o canhão antiaéreo durante um ataque aéreo ao Parque Humboldthain.

Foi um tiro certeiro.

O Hummel teve de enterrar um caixão vazio.

Talvez seja a forma de ele te mostrar que és importante para ele.

Vai descansar.

Eu fico de vigia.

Philip.

O que ouves?

Diz-me o que estás a ouvir.

É latim.

Ouçam isto.

"O cordeiro de Deus tenha piedade de nós."

"Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo."

"Cordeiro de Deus, dai-nos a tua paz."

É a missa.

Está sempre a dar na rádio.

Sim, mas aqui são ortodoxos.

Porque ouviriam a missa em latim?

Barreiras antitanque. Mantém-te à direita.

Os russos só nos querem desconcertar.

Desliga esse disparate.

Quem construiu isto?

Nós.

Ou melhor, o que sobrou do exército do Zhukov.

E os que eram demasiado fracos estão ali debaixo.

Hummel, há uma abertura na barreira ali à frente.

Vamos aproveitar. Vira à esquerda.

Para o tanque!

- O que foi? - Minas.

Por baixo de nós.

Merda!

E agora?

Desçam, Michel e Keilig. Temos de procurar no chão.

Cuidado. Não saiam do nosso rasto.

Minuciosamente!

Merda! Michel!

Vem cá.

Está demasiado próxima da lagarta. Temos de a desenterrar. Ajuda-me.

Keilig! Procura junto ao rasto anterior,

caso tenhamos de recuar. - Sim, senhor!

Tenente!

Nove horas, três mil metros. Pó no horizonte.

- Pode ser uma emboscada. - Fica de olho, Christian.

Ajuda-me.

Aqui.

Retira com cuidado a terra por baixo da mina

para a podermos levantar, enquanto eu tento desenroscar o detonador.

Vamos lá.

Cuidado.

Caramba, não vejo nada.

Sim, temos de a levantar.

Cuidado.

- Tenente! - O que foi?

Algo se moveu por baixo da mina eu agarrei-o.

Parece uma granada de mão.

Confere.

Os sacanas tiraram os pinos de segurança. É uma armadilha dupla.

Se mexeres as mãos,

as granadas mexem-se e acionam os detonadores.

E lá vamos nós com a mina.

Tens de ficar calmo, Michel!

Michel.

Escuta.

Respira.

Isso.

Entendido.

- Como está isso, Weller? - Parecem estar a afastar-se.

Preparem-se para recuar!

O que se passa?

Primeiro, ponho os outros em segurança. Depois, trato de ti.

Entendido?

Entendido.

Veículos desconhecidos entre os cinco e os seis quilómetros. A afastarem-se.

- Hummel! - O Michel?

Recua devagarinho sem sair dos rastos.

Onde está o Michel?

O Tiger tem prioridade.

Avança!

A direito.

A direito.

- Porra, o fedelho! - Eu disse a direito!

Para!

Corda.

Estás a ir muito bem, Michel. Muito bem.

Raios partam.

Eu levo-te...

... a salvo para casa.

Cuidado.

E agora ouve-me bem, Michel.

Olha para mim.

Agora, tira a mão muito devagarinho, pouco a pouco,

para que o peso da mina pressione a alavanca da granada.

Vá.

Devagarinho.

Continua. Mais devagar.

Muito bem, Michel. Muito bem.

Continua.

Devagarinho.

Continua.

Cuidado. Continua.

Ótimo.

Cuidado.

De pé.

Anda.

Anda.

Saiam todos! Atrás do tanque!

Esta é tua.

Tens nervos de aço.

Entrem.

Incrível.

Daqui não levas um abraço, fedelho.

Mas podes pendurar a fotografia da tua namorada

no meu tanque que não me importo.

Curva apertada à esquerda.

Alto!

Tanque às doze horas. Para trás! Avança!

Curva apertada à esquerda!

Liberta o fumo.

A direito.

Precisamos de mais distância, Hummel. Sai da floresta.

Acelera!

E para!

Aquele era de calibre pesado. Um SU-100, pareceu-me.

O terror dos tanques. Com aquele calibre, se nos acerta, já éramos.

Tenente?

Vêm aí mais. Pelo menos, mais três tanques.

Vamos fugir.

Podemos ficar e enfrentá-los um a um.

São muitos, não podemos pôr a missão em risco.

Estamos encurralados entre o rio e o inimigo.

A única opção é atacar. Têm-nos entre a espada e a parede.

O rio.

Temos uma hipótese.

Para trás e depois para leste, às 3 horas.

Alto.

Desliga o motor.

Philip, que estás a fazer?

Saiam todos.

Mas que raio?

Vá!

Preparem-se para mergulhar.

- O quê? - Este Tiger foi feito para submergir.

Só o fizemos na instrução.

Vão!

Nunca em combate.

Parece-me a altura ideal para o fazer.

Fomos muito atingidos. Podemos ir ao fundo como uma pedra.

Tu reparaste-o e eu confio em ti. Vamos.

Vá. Mexam-se, vão!

Perfeito.

Vá, todos para dentro.

Hummel, liga o motor.

CONDUÇÃO NA ÁGUA

Em frente. Vamos sair daqui.

FECHAR

Temos contacto com a água.

Para, Hummel.

Faz muito barulho.

- Podemos desligar o motor? - Não.

Não.

Se o motor não voltar a ligar, morremos aqui.

Mas assim veem o fumo do tubo de escape. Desliga o motor.

O quê? Se não voltar a ligar, estamos tramados.

Desliga.

Como está isso?

Por enquanto, tudo nos conformes.

- Aqui também. - Não há água a reportar.

Durante quanto tempo podemos ficar submersos?

Barulhos de motor.

Estão a aproximar-se.

Morrer queimado no tanque é uma coisa,

mas afogado...

O Weller tinha razão. Devíamos tê-los enfrentado.

- Estamos encurralados. - Silêncio!

Pelo sim pelo não, ficamos aqui.

- Até quando queres esperar? - Até ter a certeza

de que não caímos numa armadilha assim que emergirmos.

Que horas tens, Keilig?

Pouco antes das 12, mas parou desde a ponte.

A Bodhana disse-me que há um espírito nos lagos

que nos puxa para as profundezas.

A tua namorada é uma lufada de ar fresco.

Silêncio no manicómio. Já.

Philip.

- Tenente! - Merda, temos uma fuga!

Temos de emergir. Quer lá estejam ou não.

Muito bem. Atravessamos o rio e emergimos do outro lado.

- Atravessar o rio? - Podem estar por perto.

É mais seguro. E poupamos combustível à procura de uma ponte.

Helmut, liga o motor.

- Merda! - Vá. Tenta outra vez!

Vá lá, Hummel!

Vá lá, Helmut! Outra vez!

Sim!

Em frente, Helmut.

Se ficarmos aqui presos, nem conseguiremos abrir as escotilhas.

Eu não sei nadar.

Eu também não.

Nem é preciso. Morreremos num caixão de ferro.

Para, desliga o motor.

Nada à vista. Saiam todos.

Preparemos o tanque para terra.

O combustível dá para mais 20 quilómetros.

- Sim. - Sim.

Merda!

O que foi?

Os russos devem-me um maço.

- Foi por pouco. - Vamos lá, temos uma missão a cumprir.

Weller.

Tomem os vossos chocolates.

Vai ser uma noite longa.

E quero que fiquem bem despertos.

Não, prefiro manter-me focado.

Para.

Desliga o motor.

O que foi?

São dos nossos.

Liga o motor. Avança.

Desliga o motor. Desmontem.

Alto! Mãos no ar! Devagarinho.

Vá. Tragam os animais para aqui.

Tragam-nos.

Heil Hitler. Pessoal do tanque.

Vamos, mais rápido.

Depressa, se fizerem a gentileza.

Rápido, cavalheiros.

Os cavalos também.

Tenente Gerkens, 503.o Batalhão de Tanques Pesados.

- Solicito mantimentos e combustível. - Líder da Unidade de Assalto, Krebs.

O que se passa? Perderam-se?

Missão especial.

Este pessoal dos tanques... é sempre algo especial.

Foi-me dito que não havia mais tropas aqui.

É a nossa missão especial.

Limpar as aldeias que apoiavam os guerrilheiros.

Toca a andar. Vá! Mexe-te!

Vão enviá-los para campos de trabalhos forçados?

Esses tempos já lá vão.

Trancamos a porta e, quando lhe pegarmos fogo,

serão esmagados pelos animais.

Poupa munições.

É uma pequena contribuição para a causa maior.

O Reich desenvolveu um apetite tal por mortos

que não há munições que cheguem.

Já estamos quase terminados aqui.

Lança-chamas.

Recorda-se das chamas, não é verdade?

O meu trabalho aqui está feito.

Sim, a vossa gasolina.

Retirar!

Vamos sair daqui agora.

Esta noite, dormimos no Tiger.

Retirar!

Philip?

Que se dane!

Michel? Dá-me algo em condições.

Mais.

Néctar dos deuses.

Não eras vinhateiro?

Até eu, um simples professor de latim, sei que isto é uma zurrapa.

Baron von Claussen, 1937.

Grüner Veltliner Smaragd.

O melhor vintage que já fiz.

Frutado e delicado, acidez equilibrada e...

... notas delicadas de alperce.

Chamámos-lhe "Néctar dos deuses".

O Göring, marechal do Reich, gostou tanto que comprou metade do vintage.

E agora, isso não passa de...

... uma memória.

E não me resta alternativa senão beber este mijo.

Mijo ou não, serve o propósito.

Tenente?

Como é que um agricultor austríaco aprende

a fazer vinho suficientemente bom para o marechal do Reich?

No Wachau,

a vinicultura está-nos no sangue.

Aprendi com o meu pai e ele aprendeu com o pai dele.

Se tu fizeste o vinho, quem é o Barão von Claussen?

Eu era o vinicultor dele.

Então, é o teu vinho.

A terra e as vinhas eram dele.

O Sol, o vento e a chuva também?

Para professor de latim, soas a comunista, Keilig.

Se houve coisa que os romanos nos deixaram,

o grande contributo deles para o conhecimento humano,

foi a guerra.

Passaram a vida em guerra.

E não para subjugar o inimigo, mas o seu próprio povo.

Sempre em conflito, sempre em guerra, sem nunca parar.

O professor de latim, o vinicultor,

o maquinista, o agricultor juntam-se.

Não há outra forma. "Sim, senhor. Não, senhor."

As ordens são para se cumprir.

Esquece quem eras e o que amaste.

Cumprimo-las para proteger aqueles que amamos.

São a única coisa que nos resta.

Sem elas, tudo se desmorona. O exército, a sociedade, tudo.

No meu tanque não se fala de política.

E estás errado.

Os romanos não tinham maquinistas.

Até eu sei isso.

E tu não sabes muito.

Cala-te!

Aos maquinistas.

Os salvadores da sociedade.

Weller. Isqueiro.

Não sei o que dizes.

Oxalá pudesse esquecer.

Esquecer quem fomos.

Nunca mais será igual.

Como poderia, depois...

Depois disto tudo?

Quem éramos?

Continuamos iguais.

Seguimos ordens e fizemos o que nos foi pedido.

Só isso.

Quando tudo isto acabar,

vais visitar-me à Áustria e mostro-te a minha vinha.

E bebemos uma garrafa os dois.

Combinado.

Alto!

O que se passa?

Isto não me agrada.

É melhor manter a distância.

O bunker fica mesmo por trás e não podemos fazer um desvio.

Estejam a postos.

Distância?

Mil.

Helmut, passa à esquerda do moinho, mas devagar.

- Contacto. - Avança!

Deve ter sido um alvo de treino.

Estamos a entrar no alcance.

Keilig, a metralhadora.

Disparar à vontade.

Maldito sol.

Fiquem atentos!

Parem! Disparo de canhão às 13 horas!

Hummel, recua agora! Vá!

- Weller, responde ao fogo! - Sim! Raios!

Tanque livre!

- Hummel, não pares! - Sim!

Keilig, a metralhadora! Fogo!

Sai da linha de fogo. Posição, esquerda!

Pé no acelerador, Hummel!

Para!

Weller, ao lado da vela do moinho.

No sítio destruído. Novecentos.

Identificado!

- Contacto. - Armado!

Fogo!

Nada à vista. Nenhum alvo reconhecido.

Merda!

O que foi?

- Um SU-100. - É o mesmo SU?

- Mas que... - Porra!

- Não pode ser. - Deve ter-nos seguido.

Não é possível.

Manobra evasiva, Hummel. Keilig, continua. Avançar!

- Fogo! - Atenção!

Fez ricochete. A armadura é demasiado forte.

Carregado!

Distância. Mais distância! Temos de os atingir na lateral.

Merda! Foi o tubo de escape.

- Cum caraças! - Vá, Hummel! Recua mais. Mais!

Fumo!

Onde estás?

- Penetração total! - Está tudo bem?

- Estão bem? - Sim.

- Está a dar a volta! - Merda!

São demasiado fortes, Philip.

Certo, mas é só um canhão com lagartas.

Somos mais rápidos e ágeis. Eles têm de virar o tanque todo para disparar.

Hummel, avança devagar, vira à esquerda.

Quero atacá-lo pela lateral.

- E o nosso flanco? - Confia em mim. Vai!

Canhão às 3 horas.

Estamos mesmo à frente do cano do canhão.

Mantém-te calmo.

Tenente!

Mantém-te calmo!

Estamos nas mãos dos russos não tarda.

Weller, agora. Fogo. Distrai-os.

Para!

- Vá lá, Philip! - Ainda não.

- Contacto! - Espera.

Tenho-o na mira!

Espera.

Metralhadora, para.

- Fogo. - Atenção!

Atingido. Destruído.

É o problema destes tanques.

Não veem o que está mesmo à frente deles.

Devíamos tê-los atacado quando os vi na floresta!

O raio do tanque quase nos destruiu!

Keilig.

- Estás bem, Keilig? - Keilig?

- Keilig? - Keilig, seu filho da mãe!

- Tenente! - Onde foste atingido, Keilig?

Um estilhaço.

Nos pulmões.

Merda!

Levem-me para o sol.

Deitem-no aqui em cima.

Pega nas pernas.

Cuidado.

Está tudo bem, Keilig.

Tu e o Hardenburg... É pessoal, não é?

Tenta não falar agora.

Escreve...

Escreve à Louise e às meninas.

Eu escrevo. Juro.

Queria voltar a ensinar.

Em 1939, tive uma turma do 12.o ano.

Um dos melhores verões.

Depois disso, foi só guerra.

Eu...

Keilig...

Vamos tratar do Tiger.

Pode ser consertado, mas...

Tenente!

O que foi?

Merda!

Os cadáveres não ardem assim.

Basta.

Vamos voltar e dizemos-lhes que não encontrámos o Hardenburg.

Algo não bate certo.

Só faltam 20 quilómetros.

Temos o escape partido.

Reparamo-lo. Com peças do SU, se for preciso.

Mas o combustível só dá para mais 30 quilómetros.

- Não chega para voltar. - Há lá um depósito de abastecimento.

Oxalá o teu von Hardenburg justifique isto.

Mas se for um espião,

eu próprio lhe dou um tiro na cabeça.

Mãos à obra.

Vão.

Recorda-se das chamas, não é verdade?

Tenente?

Keil...

Verifica o rádio, Michel.

Tenente?

Desliga. Desliga!

Até quando?

Até quando continuamos?

Até o encontrarmos e levarmos para casa.

Casa?

Qual casa?

São só o raio das nossas linhas.

Até chegarmos à próxima, na retirada.

E à próxima e à próxima.

Porque é que esse von Hardenburg é tão importante?

Têm medo que deserte?

O Keilig tinha razão.

Ele já desertou e nós...

... vamos cair numa armadilha.

Ou ele é importante para ti?

O Keilig tinha razão.

Ele disse que era algo pessoal entre vocês.

Porque nos arrastas para isto?

- Porquê? - São as ordens.

Se os russos o encontrarem,

terão todas as nossas posições, radiofrequências, táticas...

"O Reich fica à mercê deles." Eu sei, Philip!

Mas nós também!

O inimigo sabe que estamos aqui!

Philip!

Não entendes isso?

Por favor, acorda!

Acho que estás a correr riscos desnecessários.

E não estás a ser objetivo.

Eu voto em dispensar-te do comando até voltarmos.

Muito bem.

Digam de vossa justiça. Agora.

Michel?

Eu apoio o tenente.

Helmut?

O condutor és tu.

É o teu tanque.

Estás connosco desde a Barbarossa.

Sim, está bem.

Quer dizer, o Keilig está morto.

Exato.

E na ponte e quando estávamos submersos,

correu riscos.

Lamento.

Weller...

... eu apoio o comandante.

Não voltamos a falar nisto.

Segundo o mapa, há um carreiro algures aqui

que vai dar à zona arborizada onde está o bunker.

Ligeiramente à esquerda, Hummel.

Philip.

Para o tanque.

O que foi?

Pegadas. Saiam todos.

Michel.

Armas a postos.

Pegadas de bota.

Fabrico alemão.

Acabem de carregar.

Para, Michel!

Uma armadilha.

Também alemã.

O bunker deve estar perto.

Destranquem as armas.

- Mas que raio? - Paraquedistas.

Enviaram-nos porque eles não foram bem-sucedidos.

Vamos.

Entrem!

Tenente.

Procuramos o coronel von Hardenburg.

Claro.

Ele está no bunker de comando e já está à sua espera.

Eu levo-o até ele.

Mas se quiser ficar mais um pouco...

De certeza que o mantemos bem entretido.

Maria, traz vinho e algo para comer aos cavalheiros.

Vai lá.

Estão com ar de quem fez uma viagem longa.

À vida.

E agora leve-me ao coronel von Hardenburg.

É um prazer, tenente.

Assim sendo,

acompanhe-me.

Sozinho.

Venha.

Não tema.

Tenente?

Nova ordem via rádio.

Retirada das últimas forças da Ponte Dniepre,

antes que vá pelos ares à meia-noite.

É um verdadeiro labirinto.

Coragem.

Paul.

Então, as histórias são verdade.

A Alemanha perdeu muito em Estalinegrado.

O que é uma mísera mão em comparação?

Anda para junto da lareira.

O cabo disse que estavas à espera de alguém.

Não. Não estava à espera "de alguém".

Estava à tua espera.

Então, deves saber que estou aqui para te levar de volta.

Claro.

Tinhas de fazer esta viagem.

Eu era o teu melhor amigo.

Lembras-te? O verão na academia militar?

Aquela noite quente de agosto em que te apresentei à Marion?

No dia a seguir, fomos nadar.

Até à ilhota arborizada no meio do lago.

Foi um verão mágico.

Foi o verão mais bonito de sempre.

Depois disso, só houve guerra.

Temos de ir.

Presumo que tenhas vindo no teu Tiger.

Sim.

É muito apertado.

É estranho terem-te mandado naquela coisa para nos virem buscar. Não achas?

Lá terão as suas razões.

E se eu recusar?

Quero evitar chegar a isso.

Mas se chegar a tal...

Nesse caso, enviaram a pessoa certa, correto?

No fundo, ordens são ordens.

Anda, Philip. Vamos comer.

A última ceia, por assim dizer.

Não há tempo para isso. Temos de ir.

Não há tempo para um velho amigo?

Sou o padrinho do teu filho.

Deves-me a tua felicidade.

Senta-te.

Quando passas cinco dias soterrado nos escombros

e começas a morrer à sede lentamente,

tens muito tempo para pensar.

Vês muitas coisas.

Nas sombras.

Soube do teu salvamento.

Notável.

O que fizemos em Estalinegrado, Philip?

Não tenho tempo para os teus joguinhos.

O que fizemos em Estalinegrado?

Paul, são ordens.

Vieram diretamente da divisão.

Major, os outros comandantes estão a ficar nervosos.

Alguns dizem estar na mira do inimigo. Querem saber o que fazer.

Há mulheres e crianças ali abrigadas.

Mas também sabemos que está cheio de forças russas.

Controlam a fábrica de tratores e esta parte da cidade.

Este avanço será em vão se não agirmos já.

- Ouvem alguma coisa? - Não.

Paul.

São ordens. Não nos cabe a nós decidir.

Não me digas.

Os outros comandantes aguardam.

Paul!

Vamos, rapazes. Preparem-se para o confronto.

Passa a ordem.

Os outros tanques, disparem à vontade.

Todos os tanques, fogo.

Fogo!

A decisão não foi nossa.

Não tivemos escolha. Tínhamos ordens.

Talvez assim fosse.

Mas tínhamos a responsabilidade.

É meia-noite.

Tens de voltar pelo Dniepre.

Estou aqui por tua causa.

Todos nós estamos aqui por tua causa.

Não vês isso?

Estou aqui na Operação Labirinto.

Operação Labirinto?

És tu.

Philip!

Devo tirar-te daqui.

Estou aqui porque...

O coronel Richter enviou-me.

E quem é esse?

Será que ele existe mesmo?

Sim.

As pistas estiveram lá desde o início.

Que horas tens, Keilig?

Pouco antes das 12, mas parou desde a ponte.

Os cadáveres não ardem assim.

Algo não bate certo.

Recorda-se das chamas, não é verdade?

Porque não morremos queimados? Na ponte.

Por favor, acorda!

Mas o Krebs...

- O... - Talvez fosse parte de ti.

Tal como todos nós.

Philip!

É meia-noite.

Tens de voltar pelo Dniepre.

Philip! Dá a ordem!

Porque adiaste a ordem de bater em retirada?

Não é típico teu.

Colocares-te a ti e à tua equipa em perigo.

Sim.

Tenente?

Sim, esteve aí o tempo todo.

MULHER E FILHO MORRERAM EM ATAQUE A HAMBURGO A 24/7 - OS MEUS SENTIMENTOS

O telegrama a informar-te de que a Marion e o teu filho Fritz morreram em Hamburgo.

Quando o raide aéreo começou, a 24 de julho,

eles procuraram abrigo na Igreja de São Nicolau.

Quando as bombas caíram, eles morreram queimados na tempestade ígnea.

Fogo!

Fogo!

Lutei nesta guerra para os proteger.

Colhemos o que semeamos.

Tu trouxeste-me aqui.

Aqui onde?

O que se passa aqui?

Paul, o que se passa aqui?

O que se passa aqui?

Chegámos ao fim do teu caminho.

O meu já tinha acabado na altura.

Nunca saí da fábrica de tratores.

Vem, velho amigo.

É hora.

Os meus homens esperam-me, Paul.

Sem mim, não sobrevivem.

Vai! Segue!

Pé no acelerador!

- Vou, Helmut! - Estou a arder!

Não desistas, Helmut! Acelera!

- Vai! - Acelera, Helmut. Vai!

Onde estou, Paul?

Onde estou eu?

Legendas: Cristina Luz

Supervisão Criativa Hernâni Azenha

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