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Zulu
Oi, amigo. Como vai?
Veja s� este bel�ssimo tecido por apenas 5 euros.
- N�o, obrigado. - Me ajude, s�o s� 5 euros.
Volte para o lugar de onde veio.
Voc� � inSano? Racista de merda.
Senhoras e senhores, boa noite.
No terceiro dia do torneio de luta juvenil de Turim,
o lutador Massimo Rubini do Reno Box Club.
Enfrenta Nico Bosio da Sociedade Boxe Jano.
Voc� trouxe?
Onde est� sua m�e?
Ela avisou que vai chegar tarde.
Papai, n�o diga que esqueceu.
- Aeromodelo GF35. - Finalmente!
Eu tamb�m tenho um presente para voc�.
- Carlo, estou cansado. - Vamos, feche os olhos.
- N�o estou a fim de brincar. - Feche os olhos.
Assim est� bom?
- Parab�ns! - Parab�ns!
Feliz anivers�rio de casamento.
Vamos brindar?
Ent�o...
aos melhores 10 anos de nossas vidas.
- Parab�ns! - Parab�ns!
Vai, acerte ele. Com licen�a.
Vai!
Levante! Voc� consegue!
Levante logo!
Cinco, seis, sete,
oito, nove.
Nocaute!
Voc� tem uma nova mensagem.
Oi, Nico. Aqui � o Giampaolo.
Lamento, mas preciso desmarcar. N�o venha hoje.
Ficou com medo de estragar as unhas?
- Estive em vantagem at� o fim. - Voc� lutou como uma menina.
Vou tomar uma ducha.
Equipe inSanos apresenta:
Tradu��o e Sincronia: JuLima
Revis�o Final: LikaPoetisa
N�O MATAR�S 1� Temporada | Epis�dio 9
- Andrea. - Oi, Valeria.
Houve um homic�dio no Interporto, pode vir?
- Sim, quem achou o corpo? - Um vigia durante a ronda.
N�o deixe ningu�m se aproximar, te ligo quando chegar.
N�o me diga que vai sair.
Eu sei, sou a pior colega de quarto do mundo.
Por mim voc� ficaria aqui mais um ano.
Achei estas fotos numa gaveta.
Eu n�o conseguia dormir.
- Ent�o, tchau. - Tchau.
- Posso pedir que comecem? - Pode.
A primeira vista parece ter morrido
por causa de um forte golpe na t�mpora esquerda.
Ele pode ter sido atingido por um objeto pesado.
Ningu�m anda com algo assim por acaso.
Foi aquele rapaz que o encontrou.
Ele tinha acabado de come�ar o turno da noite.
- Disse que nunca o viu antes. - Se chamava Giampaolo Petrone.
Tinha 39 anos, nasceu em Cuneo e morava em Turim.
A �ltima liga��o n�o foi atendida
e � de um tal de Nico.
Descubram quem � ele.
Amanh�, antes de qualquer coisa,
voltem aqui e visitem todas as f�bricas.
Se algu�m viu ou ouviu algo, eu quero saber.
Valeria.
Tudo bem?
Tudo.
- � o seu? - N�o.
DE ROBERTO: AMOR, CAD� VOC�? TE ESPERO NO BLIND DATE
Roberto, h� quanto tempo voc�s estavam juntos?
Seis anos.
Giampaolo era a minha fam�lia.
Tem uma liga��o sua para ele �s 19h40.
Sim, liguei do trem quando sa� de Savona.
- Passei o dia trabalhando l�. - Voc� tem as passagens?
Tenho.
Aqui est�o: ida e volta.
O que conversaram ao telefone?
Nada importante.
Que deu tudo certo em Savona e nos encontrar�amos aqui.
Mas ele s� te mandou uma mensagem ap�s �s 2h.
N�o se preocupou quando viu que ele n�o chegava?
Imagina. J� tinha acontecido outras vezes.
Ele sempre tinha muito o que fazer.
O trabalho volunt�rio, a associa��o...
Ele sempre precisava salvar algu�m.
E eu nunca perguntava nada.
Ent�o n�o sabe do que ele estava cuidando ultimamente?
N�o.
Notou algo de estranho nele nos �ltimos dias?
N�o.
Al�m do mais, ele era uma rocha.
N�o se abatia perante as dificuldades.
- Ent�o havia dificuldades? - Claro.
Alguns problemas com impostos, fornecedores.
- Ele tinha d�bitos? - Entendi aonde quer chegar.
N�o, nada t�o grave.
E ele n�o era o tipo de pessoa que se envolvia com agiotas.
- Eu n�o disse isso. - Mas pensou.
Giampaolo era meu companheiro al�m de ser meu s�cio.
O que acha que ele fazia �quela hora no Interporto?
N�o sei.
Mas garanto que ele n�o escondia nada de mim.
Tenho certeza.
Chefe, ouviu falar do sujeito que foi assassinado?
Aquele que era dono do clube das bichas.
O Blind Date.
- Como ele se chamava? - Petrone.
Est�o pegando depoimentos por aqui.
Acabaram de passar na Tecnoplast.
- Youssou. - Pois n�o?
Algum problema?
Voc� fez o turno da noite ontem, certo?
E... notou algo estranho?
- Por causa do cara que morreu? - Sim.
E ent�o?
Nada de estranho.
- Mas isso pode ser um problema. - Por qu�?
Se interrogarem e descobrirem que voc� estava aqui sozinho,
eles v�o investigar.
E descobrir�o que ainda n�o tem o visto.
Isso pode ser um problema para mim e para voc�.
Sim, claro. Pode falar.
Quer que eu v� embora?
Mas quem se importa?
Eu direi que estava com voc� e n�o notamos nada.
O que n�o deixa de ser verdade.
E os mandarei embora.
Obrigado, Sr. Matteo.
Mas n�o esque�a, eu estava aqui com voc�.
- Certo. - Ficou claro?
Nico se chama Nicola Bosio, � um rapaz de 16 anos.
Fora a liga��o de ontem � noite, tem uma recebida � tarde
e v�rias outras no �ltimo m�s.
Este � o endere�o dele.
- Novidades? - A aut�psia ainda n�o terminou,
mas a morte ocorreu entre �s 20h e �s 22h.
Na uretra dele havia
res�duos de sangue de outra pessoa.
N�o me pe�a para desenhar.
Ele era gay assumido, tire suas conclus�es.
Ele fez sexo antes de morrer e o outro sofreu ferimentos.
Eu jamais explicaria t�o bem, sabia que n�o me desapontaria.
- Mas eu n�o entendi. - Andrea te explica depois.
Significa que temos o DNA do assassino.
Temos o DNA de quem transou com ele antes de ser morto.
Valeria, venha at� aqui.
J� temos as primeiras respostas do legista
e v�rias pessoas para ouvir.
Certo, mas quero te dizer outra coisa.
Acabou de abrir uma vaga na Pol�cia de Roma.
Eu posso te indicar.
- O que est� dizendo? - Pe�a transfer�ncia.
� a melhor solu��o para mim, para voc� e para a equipe.
N�o � poss�vel.
N�o precisa decidir agora. Por ora, concentre-se no caso.
S� estou te pedindo para pensar.
Pense no assunto.
- Um momento. - Est� tudo bem?
- Sim, me d� um minuto. - O pai da v�tima chegou.
J� estou indo.
Onde assino?
Quando poderei organizar o funeral?
� s� uma quest�o de dias.
Certo.
Quando foi a �ltima vez que o viu?
No funeral da m�e dele. H� cinco anos.
Me desculpe, mas s� quero voltar para casa.
Sr. Petrone, posso fazer uma �ltima pergunta?
O que houve entre o senhor e seu filho?
Ele nos enganou, nos traiu.
Naquele momento minha esposa come�ou a morrer.
Sr. Petrone.
Vai me deixar entrar?
Claro.
H� quanto tempo voc�s moravam juntos?
Seis anos.
Tudo o que est� vendo, n�s compramos juntos.
A paix�o pela �pera ele herdou do senhor, certo?
Precisamos organizar a crema��o do Giampaolo.
- Ele sempre disse que queria... - N�o haver� crema��o.
N�o fa�o essas coisas que contrariam a natureza.
- O que veio fazer aqui hoje? - Pegar o que � meu.
- E o que � seu? - Tudo.
Inclusive o clube, vou fech�-lo e vend�-lo.
Ele dedicou a vida ao clube. Todos conhecem o Blind Date.
Eu sei. Um circo para homossexuais
constru�do com a heran�a da minha esposa.
O senhor odiava seu filho antes e continua odiando agora.
N�o permitirei que destrua tudo aquilo que ele criou.
O Blind Date � meu tamb�m. Sou dono de 40%.
O senhor n�o pode assumir o lugar do Giampaolo.
S� tem direito ao reembolso da parte dele. A lei � clara.
- E quanto seria isso? - Acho que 100 mil euros.
N�o, 300 mil.
A heran�a da minha esposa, mais os juros.
Isso � absurdo.
Ent�o nos veremos diante do juiz.
Este � o n�mero do meu advogado, pode falar com ele.
- Quem �? - � a pol�cia.
Detetive Valeria Ferro. Seu filho est�?
Preciso fazer algumas perguntas para ele.
Com licen�a.
- Bom dia, senhora. - Bom dia.
- Sente-se. - Obrigada.
Oi, eu sou a Valeria.
Giampaolo Petrone, sabe quem � ele?
Sabemos que tentou ligar para ele ontem � noite
e ele te ligou algumas vezes antes disso.
Fique calmo, ningu�m est� te acusando de nada.
N�o v� que ele nem sabe quem �?
Deixe que ele responda
ou serei obrigada a pedir que saia do c�modo.
O que aconteceu com ele?
Ele foi assassinado.
Voc� o conhecia bem?
Ele tinha o n�mero do seu telefone.
Sim, ele me procurou, mas eu n�o atendi.
- Depois tentei ligar de volta. - Para falar o qu�?
Pedir que me deixasse em paz.
Ele visitava academias em busca de go-go boys.
Perguntou se eu queria trabalhar para ele,
mas n�o me envolvo com viados.
Ouviu, n�o? Um pervertido que abordou o meu filho.
- � o suficiente? - Sim, � o suficiente.
Nico...
Venha, te acompanho.
- Obrigada. At� logo. - At� logo.
Levante-se.
Mandei levantar.
Eu sabia que ainda estava metido com aquele sujeito.
N�o, eu n�o sei por que ele me ligou.
Voc� trouxe a pol�cia na minha casa.
Me espere em casa, mas explique o que houve.
- Carlo bateu num colega. - O qu�?
Ele te contou o motivo?
Ele n�o quis dizer e se trancou no quarto.
Venha embora logo e converse com ele.
Agora estou ocupado, mas irei assim que der.
- Bom dia, Matteo Dardi. - Investigador Russo.
- Ele � o agente Rinaldi. - Bom dia.
Espero que n�o seja algo muito demorado.
Eu preciso ir embora.
Meu filho teve um probleminha de conduta na escola.
S� te farei umas perguntas
e meu colega falar� com os funcion�rios,
- se n�o se importar. - Imagina, fique � vontade.
Soube o que houve esta noite aqui perto?
Sim. Infelizmente soube.
Procuramos algu�m que possa ter visto ou ouvido algo.
At� que horas ficou aqui ontem?
At� tarde.
Acho que at� �s 22h, mas n�o notei nada.
Soubemos que sua empresa era fornecedora do Blind Date.
Eles foram nossos clientes at� fevereiro.
Duplo malte holand�s e cerveja trapista.
- Trapista? - Sim, a cerveja dos monges.
Por que encerraram a parceria?
Houve mudan�a nos valores e discordarmos dos pre�os.
E o que pode me dizer sobre o Petrone?
Eu o vi poucas vezes na vida.
S� quando assin�vamos o contrato.
Se n�o tem mais perguntas, eu preciso mesmo ir embora.
Agrade�o a aten��o.
Bom trabalho.
Ol�.
Sei que vestida assim n�o estou no meu auge,
mas o faxineiro ficou doente.
Jessica.
Entendi.
N�o era para ter acabado assim.
Todos aqui adoravam o seu filho.
Venha, quero te mostrar algo.
Giampaolo a deixava aqui.
Sinto muito pela sua esposa.
Eles se adoravam, sabia?
Antes do Giampaolo, Roberto s� tinha a hero�na.
Ele o salvou.
Fez com que se desintoxicasse e deu a ele um futuro.
E seria isto?
Eu tenho que ir agora.
� melhor que fique com isto.
Voc� realmente n�o me reconheceu?
N�o.
Sou o Francesco.
Eu e Giampaolo fizemos o colegial juntos.
Eu sei por que est� aqui, Roberto me contou tudo.
Mas antes de fechar o clube,
deveria compreender quem foi de fato o seu filho.
N�o me interessa.
Se n�o interessasse, voc� n�o teria vindo.
- Nico. - O que ainda quer comigo?
O que houve com voc�? Foi o seu pai?
Eu luto boxe.
Em casa tamb�m?
Espere. Preciso que me diga a verdade.
- Por que Giampaolo te ligou? - Eu j� respondi.
Seu pai n�o est� por perto.
Voc�s e Giampaolo eram amigos?
Eu j� disse que n�o.
N�o precisa ter medo dele. Ele n�o merece.
Me diga a verdade.
- Posso te proteger. - Eu mesmo me protejo.
- Al�? - Andrea.
Cheque os relat�rios m�dicos de espancamento de menor.
Veja se surge algo no nome de Nicola Bosio.
Certo, eu cuido disso.
"Nicola Bosio: sinais evidentes de espancamento.
Rosto, peito, membros. Progn�stico, duas semanas.
Federa��o Italiana de Pugilismo."
- Isso significa? - O pai me mostrou o cart�o
e o garoto confirmou que se machucou numa luta.
- Foi o pai que o trouxe? - N�o, foi um amigo dele.
Lembro porque era cheio de tatuagens.
Sim, Marco Pietrosanti. Ele deu entrada no hospital.
Obrigada.
Oi.
Voc� � Marco Pietrosanti?
Sou a detetive Valeria Ferro do Esquadr�o de Pol�cia.
Pode ficar tranquilo, n�o vim por voc�.
Sei que voc� � amigo de Nicola Bosio.
- Ele se meteu em confus�o? - N�o por culpa dele.
O que voc� sabe sobre o pai dele?
Venha.
Quando acompanhou Nico ao hospital
foi o pai que o deixou daquele jeito, certo?
Sabe me dizer o porqu�?
Existem caras como eu que n�o fazem disso um problema,
h� os que negam e os que t�m medo.
Contei para o Nico como aconteceu comigo.
� quest�o de escolha.
Ou voc� se esconde ou decide ser voc� mesmo.
Voc�s tiveram um relacionamento?
Eu fui a primeira vez dele.
Depois o pai dele o espancou.
Por sorte ele escapou, sen�o teria morrido.
Por que voc� n�o avisou a pol�cia?
Porque Nico n�o quis.
Mas eu falei dele para uma pessoa.
Um cara que tinha me ajudado.
Giampaolo Petrone?
Giampaolo se encontrou com Nico
e eles come�aram a conversar.
Mas depois o pai dele brigou com Giampaolo tamb�m,
bem aqui, todo mundo viu.
Mas Giampaolo continuou insistindo.
Ele quase convenceu o Nico a denunciar o pai.
� verdade, eu n�o o queria perto do meu filho.
Mas quando eu o teria matado?
Como?
Voc� sabe que eu estava na luta do Nicola, todos me viram.
� verdade, todos te viram. Mas s� depois.
Ouvimos v�rias testemunhas e voc� s� chegou no fim da luta.
- Voc� matou Giampaolo Petrone? - N�o.
J� mentiu para n�s antes.
Agora descobrimos que tem motivo e n�o tem um �libi.
Estava no bar Rivalta,
perdi mil euros no baralho e precisava recuper�-los.
- Est� feliz agora? - N�s vamos verificar.
Era t�o dif�cil ter contado logo?
E virar o sujeito que levou a pol�cia a interrogar...
Eu preciso viver em Turim.
O que voc� est� fazendo?
Estou indo embora.
N�o foi seu pai que o matou.
Olhe nos meus olhos e diga que acredita nisso.
E n�o � por isso.
Assim que o soltarem, ele descontar� em mim.
O que estou fazendo aqui?
Eu estou aqui. N�o me deixe sozinha.
Ent�o venha comigo.
Mesmo que eu tenha tem deixado bravo,
vai me levar para a competi��o de aeromodelismo?
Contanto que amanh� procure seu colega e se desculpe.
Vamos l�. Me prometa.
Mesmo se Michele continuar falando coisas feias sobre voc�?
O que ele disse?
Pode me contar.
Ele disse que...
voc� gosta...
de homens.
E por que ele disse isso?
Quem falou para ele foi o Enzo, o irm�o mais velho.
Ele mentiu para voc�.
E esse n�o � um bom motivo para brigar.
Me prometa que n�o acontecer� de novo.
- Voc� promete? - Prometo.
Vem c�, me d� um abra�o.
Carlo. S�o 23h, hora de ir para a cama.
- Estou indo. - Venha.
- Tchau. - Tchau.
Como ele est�? Te contou por que brigou?
- N�o foi nada grave. - N�o?
Ele s� est� crescendo.
E se crescer muito e n�o o reconhecermos mais?
N�o.
Ele sempre ser� nosso filhotinho.
Eu te amo tanto.
Sinto muito, querida.
Vou te esperar na cama.
Sinto muito.
- N�o demore. - N�o vou.
Nico, o que faz a�? Venha dormir.
Voc� � o Enzo?
Seu irm�o estuda com meu filho.
O que quer de mim? Me deixe em paz.
O que andou falando para o seu irm�o?
Eu sei o que voc� fazia no clube das bichas.
� melhor que v� embora.
Eles s�o meus clientes.
Eu vou ao clube a trabalho.
E o que voc� fazia l�?
Ou � melhor perguntar para o seu pai?
De hoje em diante, esque�a que existo.
Oi. Sim, sou eu.
N�o, eu sei, mas precisamos nos ver.
Ou�a, n�s precisamos conversar.
O �libi de Antonio Bosio foi confirmado?
Ele passou a noite num cassino clandestino.
Devemos solt�-lo, Valeria.
Podemos incrimin�-lo por jogo de azar
com o agravante de viol�ncia infantil.
Me apresente uma queixa e uma testemunha.
A pris�o preventiva serve para isso.
O juiz acabou de suspend�-la.
Sabe o que ele far� quando chegar em casa?
Espancar� o filho.
Minhas m�os est�o atadas, n�o posso fazer nada.
Voc� est� fazendo de tudo para dificultar as coisas.
Mas n�o se livrar� de mim t�o facilmente.
"N�o se livrar� de mim?"
- O que quis dizer? - Deixa pra l�.
N�o atende.
Luca, ligue para a casa e o celular de Nico Bosio,
se ele atender, nos avise.
Talvez esteja no Centro Social.
N�o pense tanto, Berlim n�o � a lua.
Vou comprar as passagens.
Bom dia.
O que foi? N�o est� feliz com a volta do papai?
Sabe o que queriam fazer comigo?
Me acusar de homic�dio.
E sabe quem deu essa ideia para eles?
- Seu viado de merda. - Me solte, eu n�o disse nada.
Parado!
Solte-o agora mesmo!
S� estava avisando meu filho que estou bem.
N�o � mesmo, Nico?
Te espero em casa.
Por que voc�s o soltaram?
N�o foi ele que matou Giampaolo.
Ent�o quem foi?
Voc� foi a �ltima pessoa para quem ele ligou.
E voc� ligou de volta.
Por qu�?
T�nhamos combinado de nos ver na noite da luta.
Ele dizia que dependia de mim.
J� tinha organizado tudo.
Tudo o qu�?
A queixa, um lugar seguro.
Quando ele me ligou eu ainda estava no ringue.
E deixou um recado cancelando o encontro.
Posso ouvir o recado?
Eu apaguei.
O que dizia?
J� disse, que n�o poder�amos mais nos ver.
Ele disse o motivo? Lembra das palavras exatas?
Tipo: "Lamento, mas precisamos desmarcar. N�o venha hoje."
Mas n�o ouvi o recado inteiro
porque meu pai entrou no vesti�rio.
E quando foi a �ltima vez que o viu pessoalmente?
Algumas horas antes, durante a tarde.
E n�o notou nada fora do comum?
N�o.
Fui v�-lo, mas ele estava saindo com a funcion�ria dele.
Quem?
A gente se via todos os dias.
Descobrimos que ele fez sexo poucas horas antes de morrer.
Havia vest�gios org�nicos.
Precisarei pedir ao juiz que te submeta ao exame de DNA?
Certo. N�s fizemos amor aquele dia e da�?
Voc� o matou?
N�o.
Estava com ele aquela noite entre �s 20h e �s 22h?
Eu estava em casa. Sozinha.
Roberto sabia da rela��o de voc�s?
- N�o existia rela��o alguma. - Mas voc�s fizeram amor.
N�o deveria ter acontecido.
E pe�o que n�o conte ao Roberto.
Ele j� est� sofrendo o suficiente.
Voc� e Giampaolo se mudaram juntos para Turim.
Pensaram em abrir o clube, mas ent�o surgiu o Roberto.
E Giampaolo escolhe ele como s�cio e n�o voc�.
Me diga o que devo pensar.
Eu jamais teria sido uma boa s�cia.
Na �poca, eu estava ocupada ganhando a vida nas ruas.
Talvez... mas � um motivo.
Sabemos que estiveram juntos e voc� n�o tem um �libi real.
Estou vivendo um momento dif�cil com meu namorado.
Precisava falar com Giampaolo como faz�amos antigamente.
- Desde que nos separamos... - Por causa do Roberto?
N�o.
Por causa da minha decis�o de ser quem realmente sou.
Giampaolo nunca aceitou a ideia da cirurgia.
N�s conversamos,
sa�mos de casa e acabamos num hotel onde fizemos amor.
Por volta das 20h, ele recebeu uma liga��o.
- De quem? - Sei l�. Eu estava me vestindo.
Ele estava no banheiro
e saiu dizendo que precisava ir embora.
E me pareceu muito preocupado.
- E depois voc� foi para casa. - N�o, eu n�o fui para casa.
E aonde foi?
Um servi�o de acompanhante. Uma festa particular.
�s vezes devo fazer algo assim.
Ainda preciso terminar de pagar a cirurgia.
Mas ningu�m te dir� nada.
Eles n�o abrir�o a boca.
Com quem voc� estava?
Valeria.
O assessor confirmou o �libi da Jessica.
Pedi que operadora enviasse
os arquivos de mensagem da caixa postal do Nico.
Certo.
Mais alguma coisa?
- Vi o pedido de transfer�ncia. - Voc� mexeu nos meus pap�is?
N�o acredito que voc� vai embora.
Andrea... Eu errei com voc�.
Me desculpei v�rias vezes e volto a me desculpar,
mas n�s somos apenas colegas.
Eu quero continuar trabalhando com voc�.
Infelizmente nem tudo depende de n�s.
E ent�o...
quem o matou?
Voc� tem algum palpite?
Ou�a, os �ltimos dias foram um inferno.
O que voc� quer? Quer voltar comigo agora?
N�o acha que � um pouco cedo?
Voc� sabe que n�o podemos mais.
Ent�o a conversa termina aqui.
Espere, espere.
Eu queria te dizer...
Diga.
Me ajude a ficar fora disso.
Claro.
Pode ficar tranquilo, ningu�m sabe de n�s.
Seu segredinho est� a salvo comigo.
Sua esposa.
� melhor eu ir embora.
Pegue.
Atenda.
Adeus.
- Carlo sumiu. - O qu�?
Ele n�o est� na escola e n�o voltou para casa.
- Vou chamar a pol�cia. - Eu vou procur�-lo, espere.
- Vou ligar para a pol�cia. - Eu vou... Te ligo de volta.
Carlo. Carlo!
- J� chamamos a ambul�ncia. - Carlo.
A ambul�ncia vem vindo.
Ele caiu sozinho, juro que n�o tive culpa.
D� o fora daqui.
Meu Deus.
- Carlo. Mas o qu�... - Ele est� s� dormindo.
- Mas... - Ele est� sedado.
O m�dico disse que podemos nos acalmar.
Est� tudo bem.
Mas o que houve?
N�o sei.
Obrigado por ter vindo, meu caro.
N�o, n�o, minha cara.
Se come�ar fazer essas caras, vou embora.
N�o, na verdade, gostaria de me desculpar.
Sabe, para mim foi uma surpresa.
E eu tamb�m queria conversar com voc�.
�timo. Mas n�o aqui.
Por que n�o?
Porque quero te mostrar algo. Vamos.
Veja s�.
Giampaolo podia contratar os melhores DJ's,
mas quando estava sozinho, Maria Callas reinava.
Eu fico toda arrepiada.
Quer saber qual � o segredo do Blind Date?
Seu filho.
Ele e tudo aquilo que voc� deu a ele.
E tudo que tirou depois.
Ele foi embora.
Voc� o obrigou.
Sempre o tratou como um doente.
Doente?
Claro, um doente.
Eu tenho nojo de tudo isto.
Voc� est� b�bado.
E tamb�m tenho nojo de voc�.
- Vou chamar um t�xi para voc�. - Me solte.
Ent�o v� embora, fa�a o que quiser.
Tia! Ela chegou.
Sabe que a tia nunca esquece de voc�, certo?
Oi. Pegue, eu n�o sabia qual escolher.
Obrigado.
Vamos para a cama?
Vou te levar para escovar os dentinhos. Venha.
- Boa noite. - Boa noite.
Sabia que a mam�e decidiu doar sangue?
O que quer dizer com isso?
Me fez vir s� para contar que ela doar� sangue?
Ou tem mais alguma coisa?
Quero saber quais s�o seus planos.
Afinal n�o pode continuar vivendo assim.
Vem ver a Costanza s� quando a mam�e n�o est�.
Me desculpe.
� O NICO BOSIO, PODEMOS NOS VER?
Vai me responder?
Acha que estou me divertindo?
N�o, mas voc� criou esta situa��o.
E sempre h� tempo de voltar atr�s.
Meu medo � que n�o d� para voltar atr�s.
Talvez eu arranje outra solu��o.
O que quer dizer com isso? Qual solu��o?
N�o sei. Esque�a, falei por falar.
- Espere, aonde vai? - Dormir.
Dispenso a grapa, vou dirigir.
- Por que voc� � t�o cruel? - Porque ela merece.
N�o com a mam�e, consigo mesma.
Garanto que � confort�vel. E voc� n�o tem frescuras, certo?
Esta n�o � sua casa, n�?
� do meu tio.
Estou ficando aqui por um tempo. E ele est� no trabalho agora.
E voc� n�o tem casa?
N�o mais.
Bem-vinda ao clube.
Voc� pensou no que vai fazer?
Eu conhe�o meu pai.
Vou dar um tempo at� se acalmar. Cedo ou tarde isso passa.
Giampaolo tinha raz�o.
Voc� deve denunci�-lo e viver sua vida.
Denunciar � coisa de covarde.
Espancar mulher e filho � coisa de covarde.
- Ent�o, boa noite. - Boa noite.
Valeria.
Voc�s descobriram quem o matou?
Ainda n�o. Mas descobriremos.
- Bom dia. - Bom dia.
Tentei te levar para sua casa,
mas voc� nem se lembrava do endere�o.
- Bom dia. - Bom dia.
- Quer caf�? - Sim, obrigado.
Prazer, sou o Stefano. Meus p�sames.
Obrigado.
- Tchau, amor. - Nos vemos � noite.
Venha jantar conosco um dia desses.
Claro.
Fique � vontade.
A contabilidade do Blind Date.
A verdadeira.
- Do que est� falando? - D� uma olhada.
Todos os valores n�o declarados.
Tudo ideia do Giampaolo
e do Roberto que adulterava as contas.
Mas seu filho fazia isso com um bom prop�sito.
Ele usava todo o dinheiro na associa��o.
Para ajudar os viados que voc� tanto odeia.
A contabilidade adulterada durante todos esses anos
salvou metade de Turim.
Ilegalmente, � �bvio.
E por que est� me contando?
Voc� disse que tem nojo de tudo isso.
�timo.
Agora pode enterrar junto com seu filho
tudo aquilo que ele construiu.
Talvez seja melhor eu ir embora.
Talvez sim.
Oi, maravilha. Sei que n�o estou apresent�vel.
Se est� procurando seu h�spede,
devo ter atrapalhado o sono dele.
Ele saiu correndo assim que me viu.
- Quer caf�? - Quero.
Sch�neberg, o bairro mais legal de Berlim.
Os caras que v�o nos hospedar, moram perto de Nollendorfplatz.
O que voc� tem?
Nada, n�o vejo a hora de partir.
- Al�? - Onde voc� est�, Nico?
Desculpe por ter sa�do daquele jeito,
mas despedidas n�o s�o meu forte.
Eu posso te hospedar por uns dias.
O trem para o aeroporto sair� com 20 minutos de atraso.
Agrade�o sua ajuda, agora preciso ir.
Qual � a esta��o mais pr�xima que leva ao aeroporto de Turim?
Esta��o Dora.
Fique tranquilo, n�o sou eu que vou viajar.
- Vou indo. - Tchau.
Nico.
Como fez para me achar?
Pelo ru�do de fundo.
E o que far� agora, vai me prender?
Se Giampaolo acreditava em voc�, talvez devesse fazer o mesmo.
Ou planeja passar a vida toda fugindo?
Diz a pessoa que n�o dorme na pr�pria casa.
Posso saber qual � o problema?
Ele finalmente decidiu se libertar daquele idiota.
E n�o precisa de ningu�m dizendo o que deve fazer.
S� quero me certificar que ele sabe o que est� fazendo.
�s vezes as hist�rias que n�o encerramos
nos perseguem pelo resto da vida.
Nico. O trem vai partir.
Tchau, detetive.
Eu sei o que est� pensando.
� rid�culo, mas tamb�m sentirei falta de Turim.
N�o. N�o � isso.
� por causa da minha m�e.
Ela escolheu continuar com aquele animal.
Pode ir embora quando quiser.
S� acho que ela merecia uma vida melhor.
S� isso.
M�e.
- Voc� est� bem? - Nico, o que faz aqui?
- Eu voltei por voc�. - Voc� precisa ir embora.
N�o vou embora se n�o vier comigo.
- Nico... - Vamos embora juntos.
Voc�s n�o ir�o a lugar algum.
- Pai, me escute... - Antonio.
Eu errei com voc�.
Percebi o que voc� era, mas n�o quis acreditar.
Voc� me envergonha. Saia de perto de mim!
Era melhor ser preso do que ter um filho viado.
Seu babaca!
- O que foi que eu fiz? - M�e...
- Ele n�o nos deu escolha. - E o que faremos agora?
Este � o boletim de ocorr�ncia.
Voc�s s� precisam assinar.
E o que acontecer� com o meu marido?
Uma a��o penal.
Garanto que ele n�o poder� fazer nada a voc�s.
Depois poderemos ir embora?
- E ent�o, vamos? - Para onde?
Vamos.
Tchau.
At� logo.
Recebemos a grava��o da mensagem do Giampaolo para o Nico.
Obrigada.
Oi, Nico. Aqui � o Giampaolo.
Lamento, mas preciso desmarcar. N�o venha hoje.
Roberto acabou de ligar e preciso resolver um problema.
Aguente firme e n�o me desaponte.
Giampaolo deixou este recado para Nicola Bosio
um minuto ap�s falar com voc�.
Sobre o que voc�s conversaram?
- Por que faz isso comigo? - Porque voc� mentiu para mim.
O que conversaram?
Certamente n�o foi que deu tudo certo em Savona.
Ele era ciumento.
Eu n�o podia passar um dia longe que ele ficava paranoico.
Foi isso que conversamos. Liguei para tranquiliz�-lo.
E qual seria esse problema que Giampaolo citou?
Eu mesma te digo, ele ficou paranoico
porque descobriu que voc� o tra�a.
Foi isso?
Isso aconteceu h� dois meses.
Giampaolo descobriu e eu terminei na hora.
Mas o outro cara continuou me ligando
e aquela noite eu contei ao Giampaolo.
Deveria ter contado para mim tamb�m.
Quem � ele?
Um pai de fam�lia que pulou a cerca.
Quero o nome dele.
Se chama Matteo Dardi.
Ele � um cara legal, n�o o destrua por minha causa.
N�s conhecemos esse tal de Dardi?
Sim, tem um dep�sito no Interporto.
E fica perto do local do crime.
- Mas? - Mas ele tem um �libi.
Um funcion�rio que passou a noite toda com ele.
Traga o funcion�rio agora mesmo.
- E reviste o dep�sito. - Pode deixar.
H� quanto tempo trabalha para o Dardi?
H� cinco anos.
E por que ele n�o regularizou seu contrato at� agora?
Fui eu que pedi.
Para enviar mais dinheiro para casa.
Eu posso ajud�-lo.
Mas se prefere esperar a deporta��o...
Voc� n�o � muito diferente dele.
"Ou faz o que digo, ou te mando de volta para casa."
Me diga o que sabe e te deixarei fora disso.
Pode confiar.
Naquela noite ele foi embora �s 20h.
E no dia seguinte me aconselhou a dizer que est�vamos juntos.
Mas n�o � s� isso.
Eu vi algo m�s passado
quando Giampaolo Petrone foi at� o dep�sito.
Papai.
Como voc� est�, pequeno?
O que aconteceu?
Nada, s� estamos no hospital, mas est� tudo bem.
- Minha cabe�a est� rodando. - N�o se mexa.
Me d� um minuto, vou chamar a enfermeira.
E tamb�m chamarei sua m�e.
Espere.
O que foi, amor?
- Tudo que Enzo falou de voc�... - N�o, agora n�o.
� tudo mentira, n�o �?
Preste aten��o, Carlo. Voc� est� crescendo
e logo entrar� numa fase chamada adolesc�ncia.
Onde tudo � lindo e horr�vel ao mesmo tempo.
Mas � normal, todo mundo passa por isso.
E voc� n�o sabe mais quem �,
e n�o sabe o que quer ser.
Por que est� me dizendo isso, pai?
Porque ando me sentindo assim.
O papai n�o sabe mais ao certo quem �.
N�o tenha medo, eu estou com voc�.
Voc� � meu her�i.
- Amor, voc� acordou. - Oi, m�e.
Venha aqui um segundo.
A pol�cia est� te procurando.
Eu j� volto, campe�o.
Bem, e ent�o? Dormiu bastante?
Chantageou um funcion�rio para que confirmasse seu �libi.
E n�o foi muito esperto, temos testemunhas
que o viram chegar em casa �s 21h
para festa surpresa organizada pela sua esposa.
Ele foi morto perto de onde eu estava.
Eu fiquei com medo.
E n�o tenho liga��o alguma com essa hist�ria.
Ainda dever� me provar isso.
Onde esteve aquela noite entre �s 20h e �s 21h?
N�o leva uma hora do Interporto at� sua casa.
Eu estava voltando para casa
quando vi aquele carro maldito
no campo ao lado da estrada.
Percebi que havia algo estranho e decidi n�o me meter.
S� que quando cheguei...
Eu tinha quase sa�do do Interporto.
Mas mudei de ideia e voltei. Que p�ssima ideia!
Foi por isso que perdi tempo.
E quando reconheci o Petrone,
n�o pude acreditar.
- Por que n�o chamou a pol�cia? - J� te disse, fiquei com medo.
Eu nunca tinha visto um morto.
Mas deveria ter dado as costas e ido embora.
E n�o sei o que ele fazia l�.
Faz tempo que cortei rela��es com eles.
Com ele talvez,
mas e com o s�cio dele?
Quanto durou sua rela��o com Roberto?
- Quem te disse essas coisas? - Responda a pergunta.
N�o houve rela��o alguma.
Giampaolo j� tinha descoberto uma vez
e amea�ou contar para sua esposa, correto?
O que est� dizendo?
Ent�o no m�s passado, Giampaolo foi ao seu escrit�rio
e foram ouvidos numa discuss�o bastante acalorada.
E o Blind Date deixou de comprar seus produtos.
Giampaolo faria qualquer coisa para segurar o Roberto.
Ele o considerava como uma de suas cria��es.
Era completamente louco por ele.
E eu tamb�m era.
N�o sei o que deu em mim.
Eu n�o sou gay.
Roberto era como uma droga. N�o sei explicar.
Mas quando percebi os riscos, eu terminei com ele.
Fiz isso pela minha fam�lia, pelo meu filho.
Por favor, n�o...
Foi retirado de uma empilhadeira do seu dep�sito.
Isso � um absurdo. N�o tenho nada a ver...
Voc� continuou atr�s do Roberto apesar das amea�as do Giampaolo.
- N�o � verdade. - Ele descobriu
e desta vez contaria mesmo para sua esposa.
Foi por isso que o matou.
Sei que n�o acredita em mim.
Mas o que mais posso dizer?
Eu gostaria de ver minha esposa.
Preciso falar com ela, por favor.
- Voc� mentiu para mim. - Eu sinto muito, Ludo.
- Mentiu por todos esses anos... - N�o. Aconteceu.
Foi de repente e eu nem notei.
- Eu nem pude evitar. - V� se foder.
- Espere. - N�o encoste em mim.
- Eu preciso explicar. - Explicar o qu�?
Explicar o que passei, eu queria contar, mas n�o podia.
Eu repetia a mim mesmo. "� s� um momento.
Vai passar e tudo voltar� a ser como antes."
Mas n�o passou.
No fim, s� compreendi que este sou eu.
Sabia que n�o me interessa o seu tormento interior?
N�o importa se gosta de homens. S� me importo comigo agora.
E do que me acontecer�, do que precisarei enfrentar.
Dez anos... Foram dez anos.
Eu at� preparei uma festa para voc�.
E quando n�o conseguia fazer amor comigo...
- Por que n�o contou antes? - Porque...
Acha que casamento � ter uma mulher que faz seu jantar
enquanto voc� transa com homens?
N�o tire o Carlo de mim. Te imploro, n�o fa�a isso.
- Voc� foi acusado de homic�dio. - N�o fui eu.
E como poderei acreditar em voc� agora?
Ludo, por favor. Por favor!
Sinto muito.
Realmente lamento que acabe assim.
- Sra. Dardi. - Sim.
O que far�o com ele agora?
Por ora, ele ser� indiciado.
Todos os ind�cios est�o contra ele.
Mas garanto que farei de tudo
para que ele possa esclarecer o lado dele.
Voc� cumpriu com seu dever, detetive.
� justo que ele receba o que merece.
At� logo.
Por que ainda acha que n�o foi Matteo Dardi?
N�o sei.
Talvez porque me pare�a simples demais.
- Al�? - Jessica, � a detetive Ferro.
- Pode falar. - Preciso te perguntar algo.
Por que aquele dia voc� e Giampaolo
foram para o hotel e n�o para a casa dele?
- N�o era mais simples? - Para n�o encontrar o Roberto.
Mas Roberto estava em Savona.
Mas ele n�o sabia.
- Voc� tem certeza? - Claro.
Giampaolo n�o sabia?
N�o, ele quis ir para o hotel.
- Obrigada, Jessica. - �s ordens.
Ele mentiu para mim.
Que sua alma descanse em paz no lugar mais alto do c�u.
Em nome do Pai, do Filho e do Esp�rito Santo.
- Am�m. - Am�m.
- Sr. Petrone? - Sim.
Preciso da sua assinatura para autorizar o sepultamento.
N�o.
- O que houve? - Meu filho queria ser cremado.
Senhores, vamos organizar a crema��o.
N�o pode envolver a Pol�cia Ferrovi�ria
com o indiciamento em curso. E sem a autoriza��o do Lombardi.
Lombardi diria n�o.
E n�o � a primeira vez que quebramos as regras.
E se eu for embora, ser� a �ltima.
Se voc� resolver ir embora, eu continuarei aqui.
E Lombardi, irritado como �, seria capaz de tudo.
Ele pediu que eu me transfira, n�o voc�.
E por que n�o tenta falar com ele?
Para pedir permiss�o para ficar?
- N�o me parece m� ideia. - Seria uma p�ssima ideia.
Eu e ele n�o conversamos mais.
Uma vez na vida voc� poderia fazer o esfor�o
de deixar seu orgulho de lado?
Fa�a o que eu mandei.
Aqui est�o todos os hospitais, n�meros de telefones e hor�rios.
As doa��es s�o feitas no hemocentro.
Perfeito, obrigada.
Tem certeza que vai fazer isso?
Voc� est� um pouco p�lida.
O que est� dizendo? Estou �tima. N�o estou p�lida.
Obviamente n�o quer que te acompanhe.
N�o, sou capaz de ir sozinha. Obrigada, amor.
- Como queira. - Obrigada.
A Pol�cia Ferrovi�ria me mostrou a grava��o.
Ele pegou o trem em Savona e desceu em Porta Nuova.
E tem as passagens que confirmam.
Ele tem um �libi forte.
- Ele pegou o inter-regional? - Isso mesmo.
Quero as filmagens das paradas intermedi�rias
entre Savona e Turim. As externas tamb�m, se houver.
E as imagens de radar da rodovia para Turim.
- Afinal, o que est� procurando? - Uma prova.
Voc� � maluca.
Eu amava o Giampaolo.
Sim, voc� o amou
enquanto era conveniente. Depois o traiu e o usou.
Assim como usou Matteo Dardi.
- E o que eu ganharia com isso? - A administra��o do clube.
Eu j� o administrava.
Sim, mas sempre na sombra do Giampaolo.
Que besteira!
Era ele quem tomava as decis�es importantes.
Era ele quem investia tudo em benefic�ncia.
Voc� teria sido o segundo a vida toda.
E para piorar, ele era ciumento, paranoico.
Por isso, ou voc� o deixava e abria m�o de tudo
ou o eliminava.
- Sabe que eu estava no trem. - Sim, eu sei.
San Giuseppe di Cairo, primeira esta��o ap�s Savona.
Torino Lingotto, �ltima esta��o antes de Porta Nuova.
O trem regional leva duas horas, mas com uma moto r�pida,
os 100 km de San Giuseppe ao Interporto
leva menos de uma hora.
Voc� o atraiu ao local do crime com aquela liga��o,
desceu do trem, o matou, voltou para o trem
e deixou a moto no estacionamento.
E planejou tudo de um jeito que incriminasse Matteo Dardi.
- Mas essa moto n�o � a minha. - Claro.
� uma moto roubada que um receptador arranjou
e deixou para voc� fora da esta��o de San Giuseppe.
O que voc� est� dizendo?
Como faz para dizer que aquele sou eu?
Isso n�o passa de dedu��o. Voc� n�o tem nada contra mim.
Na verdade, eu tenho a moto.
Nunca confie num receptador
que promete sumir com um ve�culo.
Voltamos � estaca zero. Talvez seja a moto da foto,
mas n�o sou eu que apare�o dirigindo.
Veja que existem digitais evidentes na chave.
S� precisarei pegar as suas e compar�-las.
E no pneu h� vest�gios de terra compat�vel
com a do local do crime.
Te conv�m confessar, acredite em mim.
Giampaolo salvou a minha vida. Eu admito.
Mas depois a quis s� para ele.
Eu era um brinquedo, algo para exibir.
Eu n�o podia falar, n�o podia pensar.
Tem ideia do que � um amor assim?
� uma pris�o.
Voc� o atraiu para o Interporto ligando do trem, correto?
E disse que Dardi tinha te procurado de novo.
Voc� n�o faz ideia do quanto eu o amei.
N�o faz ideia do quanto me custou.
Venha comigo.
O que faremos se Lombardi pedir para fazer a per�cia
e n�o encontrar nem as digitais, nem a terra?
N�o precisa.
Temos a confiss�o.
Pode entrar.
Foi o companheiro, Roberto Chiani.
Se quer ganhar tempo com a transfer�ncia,
- n�o funcionou. - Temos as provas e a confiss�o.
Est� brincando?
O pedido de transfer�ncia j� est� assinado.
Pai.
Papai.
Eu sabia que eles tinham se enganado.
A mam�e me explicou tudo.
Vai me levar ao torneio?
Ou podemos ir a outro lugar, n�o me importa.
Pode lev�-lo de volta �s 20h?
- E depois? - N�o sei.
Vou arrumar uma mala com suas coisas, depois...
O resto decidiremos com calma.
- Vamos. - Tchau.
Obrigado.
Agrade�o a presen�a de todos voc�s.
Para n�s, isso � muito importante.
N�s temos certeza que este...
� o at� logo que Giampaolo desejava.
Mas tamb�m temos certeza que ele ia querer
que estivesse aqui, esta noite,
um convidado especial.
O seu pai.
Eu... n�o sou bom com as palavras.
Ent�o deixo meu filho falar no meu lugar.
Esta � a �ltima carta que ele me enviou.
Gostaria de ler algumas linhas para voc�s.
"Lembra daquele filme que sempre passava na TV
quando eu era pequeno?
Havia um garoto que voava num grande drag�o branco.
N�o sabe quanto desejei um drag�o daquele.
Um drag�o que me fizesse voar
que me desse uma nova perspectiva
e me fizesse ser outra pessoa.
O Blind Date foi o drag�o que me fez al�ar voo.
Adoraria que um dia voc� viesse me encontrar aqui em cima.
Eu te amo, papai."
Agora eu gostaria de apresentar o novo propriet�rio do clube.
Jessica.
Ele ia querer que fosse assim.
Pode vir amanh� retirar o resultado.
Me desculpe, esqueci o formul�rio.
Sra. Ferro!
Sra. Ferro, o formul�rio para pegar o resultado.
Maria Grazia! Maria Grazia!
Maria Grazia, me espere! Maria Grazia!
N�O MATAR�S
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