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Original subtitles

Oi.

Tudo bem?

Está doendo.

Está me machucando.

No fim decidiu levar todos?

Quer me dar a mochila?

Sr. Dal Masso, se precisar de algo,

- não hesite em me ligar. - Obrigado.

E considere a hipótese de um instituto particular,

- tem alguns ótimos aqui perto. - Os particulares custam.

- Até logo. - Até logo.

Tchau, Azzurra.

- Asia, saia daí! - Você me assustou.

Fique abaixado, já vou continuar.

Não vai continuar nada. Que diabos deu em você?

Esta tatuagem é complicada.

Licença, nós vamos até lá fora e depois eu termino.

- Vai demorar muito? - Eu quase acabei.

- Onde está o Graziano? - Não sei, não atende o celular.

Eu deveria contar para ele, mas não vou.

Agradeço a gentileza.

Tatuagem não é rabisco de criança. É algo sagrado.

Algo que fica para sempre na pele das pessoas.

Esqueceu o que Graziano te ensinou?

O que fez na mão?

Me cortei limpando a maquininha.

Deve lavar as mãos antes de pôr as luvas.

Alô? É da polícia?

Equipe inSanos apresenta:

Tradução e Sincronia: JuLima

Revisão Final: LikaPoetisa

NÃO MATARÁS 1ª Temporada Episódio 3

Tia, morango ou chocolate?

- O quê? - Morango ou chocolate?

- Não sei. Para quê? - Para o bolo da minha festa.

Venha.

Ela convidou a turma inteira.

Vão destruir nossa casa.

- Você virá, certo? - Vou tentar.

Mas sua mãe não faz sempre bolo de chocolate?

Sim, mas também gosto de morango com chantilly.

Eu prefiro de chocolate.

Está certo, então vamos fazer de chocolate.

- Mas eu não sei... - Não se preocupe.

Vou preparar mesmo assim, depois você escolhe.

Vamos fazer compra.

Se despeça.

- Tchau. - Tchau.

Meu Deus, sinto muito.

A vassoura e a pá ficam na varanda.

Sim, eu sei.

Tome cuidado, não vá se machucar.

Espere, espere.

Talvez a gente consiga salvar alguns.

- Andrea? - Fomos chamados à La Morra.

Parece ser um homicídio, vamos verificar.

- Quer que passe te pegar? - Não. Eu vou sozinha.

- Está certo. - Até daqui a pouco.

Preciso ir até La Morra, é uma emergência.

- Vai voltar para o jantar? - Não. Chegarei tarde.

Porra!

Não...

É inútil que me olhe assim.

Você precisa comer tudo.

Senão ficaremos aqui até anoitecer.

No instituto você agia sempre assim?

Não te ensinaram a não desperdiçar comida?

Vai, me dê aqui.

Abra a boca, vamos lá.

É só se esforçar que consegue.

Mais um.

Abra a boca.

Detetive.

Seu carro não é muito velho para continuar andando?

- Alguém pediu sua opinião? - Eu o levo ao mecânico. Venha.

Nunca mencionar em vão o carro da chefe. Nele não se toca.

- Mario Cattaneo, muito prazer. - Valeria Ferro.

Lamento pelo seu carro, mas você chegou na hora certa.

Graziano Torri, diz que estamos perdendo tempo

e que a esposa está viva.

Repetiu várias vezes que não a matou,

senão não teria nos chamado.

Como se os culpados não chamassem a polícia.

Mas tem algo mais.

Ele disse que ela passou mal. Ela está grávida.

- E afirma ter descoberto hoje. - Já checaram os hospitais?

Foi a primeira coisa que fiz, mas sem sucesso.

Falei com o ginecologista dela, mas ele não sabia de nada.

É por aqui.

Vocês dois esperem aqui.

Venham, vou mostrar a garagem.

A propósito, todos sabem que ele não liga para a esposa.

- Todos quem? - Todos da cidade.

Só casou com ela por causa do dinheiro.

Ele a traiu tantas vezes

que só restava tirá-la do caminho.

Precisamos descer. É por aqui.

Vejam isto.

O cimento estava fresco, acabou endurecendo,

pois precisamos esperar a autorização do juiz.

Mas agora podemos quebrá-lo.

Vamos começar.

Que ideia enterrar a esposa na garagem de casa.

Só alguém inSano para fazer algo assim.

Ali também.

Aqui não tem cadáver nenhum.

Chega, podem parar.

Não entendo.

Agradeço o trabalho de vocês.

Agora vamos deixar com a Perícia.

Você coordena as buscas.

Tem um rio aqui, eu daria uma olhada logo.

Pode deixar.

Torri, onde está sua esposa?

Eu também quero saber.

Onde está sua esposa?

- Está me zoando? - Responda a pergunta.

Você deveria me dizer onde ela está.

Por que tinha cimento fresco na sua garagem?

Pois estou refazendo o chão, qual a ligação com ela?

- Queria enterrá-la na garagem? - Que diabos está dizendo?

Cavou uma vala na garagem, mudou de ideia e cimentou.

- O que está dizendo? - Aonde a levou? A jogou no rio?

Não era para você estar aqui,

deveria estar lá fora procurando minha esposa.

Fique sentado.

- O que fez esta manhã? - Fui correr.

- Que horas? - Às 9h30.

Sua esposa estava em casa?

Sim, mas quando voltei ela tinha sumido.

Que horas voltou?

- Por volta das 13h. - Correu por mais de 3 horas?

Sim.

Hoje de manhã caiu um temporal.

Eu gosto de correr embaixo de chuva, e daí?

- E eu estava feliz. - Por que estava feliz?

Porque hoje Alessandra me contou que está grávida.

- Onde foi correr? - Nos campos fora da cidade.

E o que fez quando voltou para casa?

Fui até a garagem para terminar o trabalho.

Correu mais de 3 horas e ensopado de chuva

- foi trabalhar na garagem? - Sim, exatamente.

Depois entrei em casa, vi o sangue

e Alessandra tinha sumido.

Tentei ligar no celular dela, ela não atendeu,

então chamei a polícia.

Que horas percebeu o sumiço da sua esposa?

Por volta das 14h30 mais ou menos.

Ouça...

não deve acreditar no que dizem de mim na cidade.

Eu errei, é verdade, mas são águas passadas.

Nos últimos tempos, eu e Alessandra...

realmente nos reaproximamos.

Posso ir para casa? Preciso pegar minha filha.

Sua casa está interditada, a Perícia está lá.

Não sairá daqui enquanto não chegar o laudo parcial.

Quando eles vão chegar?

Você disse que chegariam na hora do jantar.

Mas seu pai ligou e avisou que ficaram em Turim

para comprar uma tinta que não tem aqui.

E por que não me levaram junto?

Eles não querem que você perca aula.

Mas amanhã de manhã eles virão te buscar, certo?

E esta noite nós dois daremos um jeito.

Olha só.

Este é o livro preferido do seu pai.

Espere... Aqui está.

Eu também quero uma tatuagem.

Mas você é ainda muito pequenininha.

Um dia você terá uma bela tatuagem.

Sabe...

muita gente vêm aqui porque virou moda,

mas seu pai me ensinou que fazer uma tatuagem

é um jeito de transformar nosso corpo.

As pernas, os braços, as costas,

se tornam um mapa

dos momentos mais importantes da sua vida

ou das datas, pessoas e coisas que queira lembrar para sempre.

Quantas tatuagens você tem?

As minhas não têm nada de especial.

E prefiro fazer nos outros.

Tive uma ideia, por que não desenhamos

uma tatuagem para o seu pai?

Assim estará pronta quando ele chegar.

- Bonita como as do livro? - Não, ainda mais bonita.

Azzurra?

Puta merda, só comigo essas coisas acontecem.

Azzurra, abra!

Está se sentindo bem?

O que aconteceu? Por que está chorando?

Não quero ficar sozinha.

Eu sei, querida, mas precisa se acostumar.

Pegue, enxugue as lágrimas.

Acha que me divirto te deixando em casa sozinha?

Mas preciso trabalhar.

Você se trancou no banheiro, agora me atrasei.

Em que você trabalha?

Atendo telefone durante oito horas seguidas.

E só posso ir ao banheiro uma vez.

Ganho uma miséria.

E sou tratado como um animal.

Agora dê licença, senão não sairei daqui hoje.

Pode entrar.

Temos os registros telefônicos.

Ontem ele ligou duas vezes para a esposa.

Às 13h15 e às 13h22.

Ligaram para a emergência do telefone fixo?

Sim, às 9h47.

Qual é a sua emergência?

Alô? Quem está falando?

Espere um segundo.

Alô? Ainda está aí?

Não está me ouvindo? Está tudo bem?

- Vamos ouvir outra vez? - Não, é inútil.

Torri, por que não contou a verdade?

Não entendo do que está falando.

Do horário em que ligou para sua esposa.

Descobrimos duas ligações, uma às 13h15 e outra às 13h20.

Eu devo ter me confundido.

Ontem...

foi um dia muito difícil para mim.

Ontem me disse que voltou para casa às 13h15

e foi direto para a garagem.

Por que ligaria para sua esposa da garagem?

Não lembro, talvez quisesse avisar que tinha voltado.

Mas não ligou às 14h30 quando entrou em casa e viu o sangue.

O que importa a hora que liguei?

Por que não ligou ao ver o sangue?

- Eu não sei. - Tem sangue na sua casa,

sua esposa sumiu e nem tenta ligar para ela?

Eu liguei para a polícia.

Alguma vez bateu na sua esposa?

Que porra de pergunta é essa?

Responda. Já bateu na sua esposa?

Isso já durou demais.

Ainda não terminamos.

Quando transavam, você a prendia?

Alessandra gostava ou você a obrigava?

Nós encontramos algemas no seu quarto.

Usava com sua esposa ou com as outras mulheres?

Quando começou trair sua esposa?

Você nunca a amou, não é mesmo?

Ela engravidou por descuido e você decidiu se casar

para colocar as mãos no dinheiro do pai dela.

Desta vez...

essa criança...

é a prova do amor que existe entre minha esposa e eu.

Mas não é uma prova para mim.

Detetive...

Os laudos da Perícia chegaram.

Alessandra está mesmo grávida,

no sangue havia resíduos de líquido amniótico.

- Achou algo no carro do Torri? - Nada, está limpo.

Lombardi está vindo para cá.

Avisou que não podemos deter o Torri.

Sem cadáver, sem homicídio. Precisaremos soltá-lo.

Vamos intensificar as buscas.

O papai virá me buscar?

Ele estará aqui às 17h em ponto.

Mas trate de se comportar.

Veja, a Laura veio.

A mãe dela morreu, foi o pai que matou.

Ouça, eu mudei de ideia. Topa matar aula hoje?

Assim terminamos de desenhar a tatuagem para o seu pai.

Vamos.

O celular do Torri enviou sinal do interior do vale.

Levará um tempo para cobrir toda área percorrida ontem.

Não deveríamos soltá-lo tão cedo.

Eu já deveria ter mandado vocês de volta.

Se eu for embora, perco a chance de pegá-lo.

Te dou 48 horas, nem uma hora a mais.

Até porque não temos dinheiro para mantê-los no hotel.

Você não via a hora de se afastar de Turim, não?

Por favor, não recomece.

Para você é conveniente não discutir, para mim não é.

Eu errei.

Te pedi desculpa. O que mais devo fazer?

Eu jamais teria te obrigado a ficar.

Só não precisava fugir como uma ladra.

O pai da Alessandra não aprova nosso trabalho.

Dará 200 mil euros a quem achá-la, viva ou morta.

- A matéria sairá amanhã. - Era só o que faltava.

Faça ele mudar de ideia, antes que isso vire um faroeste.

Na minha idade, dormir com um menino como Rinaldi...

Eu preferia um quarto sozinho, o que me diz?

Lombardi nos deu 48 horas.

Você aguenta.

Sr. Cravero, ainda há tempo para retirar sua oferta.

Entendo perfeitamente o que está passando.

Mas garanto que seu dinheiro não tratará sua filha de volta.

Visto que tudo começou por causa do meu dinheiro

é com meu dinheiro que deve acabar.

- O que quer dizer? - Que não retirarei a oferta.

Se esperar de vocês, morrerei sem rever minha filha.

Estamos fazendo o possível para achar a Alessandra.

Todos nós desejamos que ela esteja viva e bem.

Alessandra está morta.

Sabe quantos anos tem minha neta?

Agora deverá dormir embaixo do mesmo teto do homem

que matou a mãe dela.

Mas ele não terá nada, não ficará com meu dinheiro.

Se não fosse por mim, Alessandra daria tudo para ele.

Mas eu percebi quando o conheci.

Se não pode ter seu dinheiro, por que acha que foi ele?

Oi, Giacomo. Eu ia mesmo te ligar.

Então, vai conseguir vir?

Não conseguirei ir à festa, estou presa aqui.

Sabe que Costanza vai ficar triste.

Desculpe, preciso ir agora. Tchau.

- Alô? - Amor.

Finalmente, estava morrendo de medo.

O que houve? Por que não me ligou?

Roberta, acalme-se e te explicarei tudo.

Quase todas foram feitas pelo Graziano.

São lindas, não?

Vocês acham que Graziano mudou ultimamente?

Para mim ele parece o mesmo de sempre.

Não, não concordo. Eu acho que ele mudou.

- As prioridades dele mudaram. - E quais são agora?

Principalmente a família. A esposa, a filha Laura.

E depois o trabalho, ele investiu muito neste estúdio

e está obtendo grandes resultados.

Investiu muito inclusive financeiramente?

Não, quis dizer como paixão.

Até porque vemos pouco dinheiro por aqui.

E antes quais eram as prioridades dele?

Ele vinha menos ao estúdio, por exemplo.

Vocês sabiam o que ele fazia?

Nós somos apenas os assistentes dele.

Ele tinha muitas amantes.

E estamos interrogando todas elas.

Ele já pediu que o acobertasse para a esposa?

- Claro que não. - Para mim já.

Mas foi há muito tempo.

Sabiam que Alessandra estava grávida?

Não, eu não sabia.

Eu também não.

Se alguém a machucou, será duplamente responsável.

Aqui está, terminei.

Você foi muito bem.

- Oi. - Oi.

- Eu me chamo Valeria. - Eu sou a Laura.

O que você desenhou, Laura?

- Sissi, a minha gatinha. - Não sabia que você tinha uma.

Ela fugiu ontem de manhã e ainda não voltou.

Vamos torcer para ela voltar logo.

Obrigada pela sua colaboração.

Venha.

Vamos terminar o desenho.

- O que a pé no saco quis saber? - Atenção com as palavras.

Laura, sabia que virei aqui esta noite

e trarei muitas guloseimas para você comer?

Você não sabia.

Graziano me convidou para jantar.

Com licença, eu já volto.

O que Torri tem de especial?

Dormiu com meia cidade, parece o Frank Sinatra.

- E ainda batia nelas. - Elas apanhavam?

Não todas, só algumas. Disseram que isso o excitava.

- O que mais descobriu? - Ele disse a verdade,

são casos antigos, eles nem tinham mais contato.

Elas não estão envolvidas. Ele fez tudo sozinho, acredite.

Quase terminei, essa é a penúltima.

Sabe quem falta?

A esposa do Cattaneo.

- Entendi por que odeia Torri. - Pegue leve com ela.

E sobre o quarto, nada será feito?

- Por que faz tanta questão? - Minha preocupação é com Luca,

eu ronco tanto que posso traumatizá-lo.

Eles mudaram o contrato de casamento há duas semanas.

- Agora é com comunhão de bens. - E como não achamos antes?

A mudança é recente, os dados não foram atualizados.

Mas tem aqui no registro.

Certeza que a Perícia verificou o carro?

Absoluta, o carro ainda está confiscado. Por quê?

Se ele não foi correr,

o que fez por 3 horas no campo embaixo de chuva?

- Certamente não a carregou. - Exatamente.

Devem examinar o carro inteiro, checar até o escapamento.

- Conseguiu fazer a compra? - Consegui.

Preparei coisas deliciosas, só precisamos esquentá-las.

Obrigado.

Você realmente me salvou.

Eu não podia pedir ao Marco para cuidar da Laura outra vez.

Não vai comer conosco?

Vou ver o advogado, achei que tivesse dito.

- Papai? - Aqui está minha estrelinha.

Preciso dar uma saidinha.

Vou te deixar com a Asia, mas volto logo, combinado?

Vá ficar com ela.

Você me assustou.

Preciso conversar com você.

Sobre o quê?

Queria me desculpar por ontem.

Se agi de forma estranha, não foi sua culpa.

Eu te adoro, você sabe disso.

Não tem importância.

O que você tem?

- Hoje é você que está estranha. - Não. Por quê?

Ontem quando vim para cá,

eu não sabia que minha esposa tinha desaparecido.

Só descobri quando voltei para casa.

A polícia também acredita em mim agora.

E se eles vierem te fazer perguntas...

não responda.

Pois eles mudam de ideia muito rápido.

Sim, claro.

Droga!

Demorei mais que o previsto, me desculpe.

Vem cá um pouco.

Já entendi.

Te esperei até às 23h para comer.

Onde diabos se meteu?

Estava com o advogado, acho que te falei.

Esteve com o advogado até 1h da manhã?

Estava trepando com alguma vadia, isso sim.

Quem é ela? Me diga.

- Quem é ela? - Ninguém.

- Quem é? - Não grite, porra!

Pensei que agora tudo mudaria.

O que quer dizer com agora?

Agora que sua esposa saiu do caminho.

Que diabos minha esposa tem a ver com isso?

O que você disse?

- O que acabou de dizer? - Me solte!

Papai?

Amor...

Por que estavam brigando?

Não estávamos brigando. Agora volte a dormir.

Papai?

Por que não voltamos para casa?

Porque a polícia está lá.

Devemos esperar mais dois dias, depois poderemos voltar.

A mamãe morreu, não é?

Asia te disse essa coisa horrível?

Não, a polícia veio aqui hoje

e fez várias perguntas ao Marco e a Asia.

O que eles perguntaram?

Não sei, eu estava desenhando a Sissi.

- Você gostou do desenho? - Ficou lindo, estrelinha.

- Muito lindo. - É para uma tatuagem.

Vem cá, vem.

Ainda não respondeu minha pergunta sobre a mamãe.

A verdade é que não sei onde está sua mãe.

Ela está por perto.

Mas não sei onde.

- Sissi está com ela? - Sim, acho que está.

- Você colocou a ração fora? - Uma vasilha cheia.

Obrigada, papai. Eu te amo.

Eu também te amo, meu amor.

"Não é a primeira vez que chega atrasado."

Papai, não vai comer?

Me ferraram com este discurso.

Eles me ferraram.

Quer ler?

MULHER DESAPARECIDA, 200 MIL EUROS PARA QUEM ACHÁ-LA

Puta merda!

Viu só? Tem até TV.

Posso ir com você?

Já te disse, o que farei não é coisa para criança.

Por que está rindo?

Deixa, pode deixar.

Se sentir fome tem alguns sanduiches.

Tire esta blusa, está calor.

Nos vemos mais tarde, certo?

Ursinho...

O ursinho.

Deve ter ficado em casa, querida.

Brinque com a boneca, dá no mesmo.

Ursinho.

O ursinho.

Quanta coisa ele deixa no carro?

Olhe aqui.

"Sinto muito pelo para-choque,

saí errado do estacionamento por culpa da chuva.

Deixo meu número de telefone caso ache o dano importante.

Desculpa novamente. Filippo Bianchi."

Alô? É o Sr. Filippo Bianchi?

Sou a detetive Valeria Ferro da Polícia de Turim.

Não se preocupe, não aconteceu nada de grave.

Só preciso de uma ajudinha sua.

Anteontem você bateu no para-choque de um carro,

se lembra onde foi e o horário?

Obrigada, desculpa incomodá-lo. Até logo.

Se lembra muito bem. Ele é vizinho do Torri.

Saiu de casa por volta das 11h, o carro estava atrás do dele.

Então o Torri não o usou.

Então o que ele foi fazer?

- Aonde vai? - Refazer o percurso do Torri.

DE GIACOMO: NÃO CONSEGUE AO MENOS VIR PARA O JANTAR?

Bom dia. Posso ajudá-la?

Sou a detetive Valeria Ferro da Polícia de Turim.

Posso te fazer algumas perguntas?

Alessandra Torri deveria ser cliente da loja. Você a conhece?

Acho que não.

É a mulher que sumiu há dois dias, certo?

Sim, é ela.

E o marido dela, Graziano Torri,

ele já esteve aqui?

Ele está envolvido no sumiço da esposa?

Há quanto tempo estão tendo um caso?

Quando foi a última vez que se viram?

Ontem à noite.

Que horas?

Ele passou aqui na hora de fechar.

Deve me contar o que aconteceu.

Mesmo um detalhe pode ser importante.

Há alguns meses ele veio comprar presentes para a esposa.

E depois nasceu uma amizade entre nós.

Eu gostava dele.

Geralmente íamos para minha casa.

Mas outro dia ele veio aqui

e o levei para os fundos.

Não sei por que fiz isso, não faço essas coisas.

Mas ele estava estranho. E parou de repente.

Olhava para o nada, estava calado.

E depois fugiu feito um doido.

Ontem ele voltou dizendo que queria conversar.

- Mas só queria me assustar. - O que ele te disse?

Que se viessem fazer perguntas, eu não deveria dizer nada.

O que deseja?

Não está me reconhecendo?

O que está fazendo aqui?

Vim procurar sua filha.

Mas você odeia a minha filha.

Ouça, não tenho tempo para perder com você.

Me diga logo o que quer.

Se eu encontrá-la, quero o dinheiro do prêmio.

Vá embora ou chamarei a polícia.

Está me ouvindo?

Vá embora!

Eu vou achar sua filha.

E você me dará o dinheiro.

Estacionei na rua de trás, perto da esquina.

- Obrigado. - Imagina.

- Está tudo certo, não? - Certíssimo.

Não tem problema buscar a Laura?

- Eu adoraria poder fazer mais. - Se todos fossem como você...

Graziano?

Tem uma coisa que não te contei sobre Asia.

No dia que Alessandra sumiu, voltei para o estúdio

e vi que a mão dela estava sangrando.

Ela disse ter se cortado limpando a maquininha,

mas não acredito nela.

Acha que...

Não sei.

Nem quero pensar nisso.

- Fique com isto. - Não, é muito.

Este dinheiro vai ser útil para você.

Só não vá gastar tudo.

Obrigado.

Eu errei com Torri.

Deveria insistir até derrubá-lo, mesmo que devesse trancá-lo.

Mas respeitei as regras e fui feita de trouxa.

- Posso falar? - Não!

Ele pode ter mudado o cadáver de lugar, teve um dia inteiro.

Ouça, Valeria. Eu falei com o chefe de polícia.

Estão alertando todas as delegacias do Piemonte.

Estão bloqueando a fronteira com a França.

Torri não irá a lugar algum.

E você não fez nada de errado.

Pois se ele fugir...

será a prova que você tinha razão.

- Você vai ficar aqui hoje? - Claro.

Se você não estiver aqui, alguém precisará vigiar.

- Como assim não estarei aqui? - Acho que deve ir para casa.

E se for agora, chegará a tempo.

Vem cá.

Eu queria te agradecer por tudo o que fez.

Não fiz nada.

Pela Valeria e pelo Giacomo. Obrigada.

É bom revê-la.

- Lucia... - Fale, Costanza.

Quer brincar comigo? Adultos também podem.

- Não, eu não sei brincar. - Não tem problema, eu ajudo.

- Tio, fale para ela. - Não precisa.

Sabia que agora ela mora com a gente?

Que bom, não?

Azzurra!

Meu Deus! Azzurra?

- Boa tarde. - Minha filha...

Ela tem 17 anos, mas parece ter menos.

- É loira e desta altura. - Azzurra? Claro.

Me acompanhe.

Azzurra! Vamos embora agora mesmo.

- Peça desculpa aos senhores. - Se desculpar por quê?

É a primeira vez que alguém gosta da minha comida.

Papai, comi macarrão com trufas.

Você me assustou. Te falei para ficar no quarto.

Vamos embora. Me desculpem.

Como pôde deixar uma garota sozinha

o dia todo no quarto de hotel? E ainda por cima trancada.

Ouça, eu não sou o pai, o pai é você...

mas sua filha é especial.

Acho que ela merece algo melhor.

Me desculpem, eu... Vamos embora. Venha.

Obrigada.

- Dois, um... - Oi, pequena.

Feliz aniversário!

- Oi, tia. - Desculpa, eu me atrasei.

- Mas ainda tem bolo. - Venha, sente-se aqui.

Não consegui comprar seu presente,

mas compro amanhã, combinado?

Ainda faz manha depois de todos os presentes que ganhou?

Olha só quantos.

- Vocês se divertiram? - E como!

Imagine 20 crianças enlouquecidas.

Estou acabado.

Nós esperamos por você.

Então, vamos apagar as velinhas como se deve?

- Com mais força. - Mais forte.

- Apague todas. - Mais forte ainda.

Amor, eu não queria que me ligasse

só porque Alessandra poderia suspeitar.

Só por isso.

Está certo. Eu acredito em você.

E não sabe o que eu daria para saber se está viva.

Por que, ela poderia estar viva?

Não.

E sua filha?

Não estou pronta para ser mãe.

E para ser minha mulher você está pronta?

Deveremos ser prudentes agora.

Senão todos pensarão que a matou para ficar comigo.

- Sim, eu sei. - Estou falando sério.

Não poderemos nos ver nem nos falar.

Não pode mais me ligar.

Nem do orelhão.

- Vai ser difícil. - Sim.

Mas vai valer a pena.

Ela finalmente dormiu.

Obrigada.

Ela falou de você sem parar.

Está apaixonada.

Achou seu bolo delicioso, linda a roupa que deu.

Quase fiquei com ciúmes.

É a primeira vez que festeja o aniversário da Costanza

e você já conseguiu ser perfeita.

- Então, qual é a sensação? - Vale, o que está dizendo?

É boa.

Quando devo interrogar alguém,

se percebo que não está dizendo a verdade,

faço a mesma pergunta várias vezes.

E a repito até fazer a pessoa enlouquecer.

Sempre funciona. No fim, ou enlouquece ou diz a verdade.

- Então, qual é a sensação? - Valeria, por favor, pare!

Qual é a sensação?

Boa.

Como você se sente?

Estou feliz de estar aqui com a minha família.

Claro.

- Como você se sente? - Valeria, chega!

Não percebeu que ela está mentindo?

Vou perguntar pela última vez.

Como você se sente?

Eu mesma respondo.

Não se sente nada bem em estar aqui conosco.

Se sente muito mal, e é justo que seja assim,

do contrário seria doentio.

Eu percebi assim que te vi.

A propósito, esse costuma ser o meu lugar.

E pensei: "Quem é a estranha sentada com a minha família?

Eu não a conheço."

E não a conheço porque ela não fez parte da minha vida.

Quando tinha 15 anos, Davide me deixou

e eu chorei por dias a fio

você não estava aqui para dizer que essas coisas passam.

Não estava presente...

quando me formei. Quando entrei para a polícia.

Quando fui operada, Giacomo segurou minha mão e não você.

E todas as vezes, como uma imbecil...

eu quis que você estivesse aqui.

Sabia que era impossível, mas era meu desejo.

E sabe por quê?

Quando éramos pequenos,

você dizia que o amor na nossa família

duraria para sempre.

E nós todos estamos aqui, sua mãe tinha razão.

É mesmo? Todos?

E meu pai onde está?

Porque eu não o vejo.

Talvez tenha saído para comprar cigarro.

A verdade é que o amor não durou para sempre.

Posso te dar um conselho?

Se Costanza te perguntar o significado de "para sempre",

diga que não significa nada, que é um palavrão.

Garanta que ela repetirá aos filhos e aos netos,

e talvez um dia essa palavra desaparecerá da face da Terra.

Sim.

- Posso entrar? - Pode, entre.

Eu queria falar com você.

Basta não perguntar como me sinto.

E então?

Não leve em consideração o que a Valeria disse.

Eu acredito que podemos recomeçar.

Perdão, mas não consigo achar as palavras certas.

Você ouviu o que ela disse.

Ela deveria me perdoar, mas jamais conseguirá.

Eu quero tentar.

E você?

Por que você é sempre tão bom comigo?

Talvez por pensar que fui muito malvado quando criança.

Lembra que naquele dia você gritou conosco

porque tínhamos sumido no bosque?

Depois você e o papai brigaram

e cismei que tudo acabou daquele jeito

por nossa causa.

Nunca te disse onde eu e Valeria estávamos escondidos.

No nosso esconderijo secreto.

Laura, eu já disse que não.

Por favor, Marco.

Você é muito nova e seu pai não me perdoaria.

Já não gostará por ter matado aula hoje de novo.

Não vamos contar, vamos inventar uma mentira.

Você sabe mentir para ele?

Mas saiba que vai doer.

Gostou?

Agora vamos preencher.

Eu te adoro, Marco.

Eu também te adoro, estrelinha.

Você me chamou de estrelinha. Como o papai.

Vai me fazer cair na água!

O que está fazendo?

Para trás! Vá para trás, é perigoso!

Me dê isso!

Vamos embora.

Vamos embora daqui.

Venha.

Desculpe te fazer voltar correndo,

mas o celular da Alessandra foi ligado, ele deu sinal.

- Conseguimos rastreá-lo? - Mattei está tentando.

- De onde vem o sinal? - Cobre boa parte do centro.

Não deve estar longe daqui.

- Por que não veio ontem? - De novo? Está me interrogando?

Se não vem trabalhar, precisa dar satisfação.

- Não para você. - Agora eu sou o responsável.

Nota-se que você é responsável.

Basta ficar sozinho e tatua uma criança de 7 anos.

Está ficando entediada? Vamos dar uma volta?

Você não vai a lugar algum, Laura não vai com você.

Posso entrar?

Fique à vontade.

Você atende já que é o responsável.

Graziano não está?

Hoje não. Pode falar comigo.

Vamos dar um passeio.

Pensei em fazer outra embaixo desta.

- Já tem alguma ideia? - Pensei num tribal.

Beleza.

O sinal continua por aqui.

Vamos nos espalhar, vou ligar para ele.

Vamos, atenda.

Rápido, vamos.

Sente-se.

- É seu este celular? - Não. Meu pai achou no rio.

E onde está seu pai?

Por que está com o celular de Alessandra Torri?

Não tenho nada a ver com isso.

Maldito! Me diga o que você fez. Me diga onde ela está.

- Sr. Cravero, por favor! - Me diga o que fez.

Não aconteceu nada. Está tudo bem.

Sr. Dal Masso...

está envolvido no sumiço de Alessandra Torri?

Não.

O Sr. Cravero não parece pensar do mesmo jeito.

- Aquela é outra história. - Que história?

- Pergunte ao Cravero. - Não, quero saber do senhor.

Minha filha nem sempre foi assim.

Até os seis anos ela foi uma garota normal.

Loira, parecia um anjo.

E depois houve a tragédia.

No dia do aniversário dela, fomos jantar fora para festejar.

Quando saímos do restaurante,

atravessamos na faixa de pedestres.

É algo importante, sabia? E nós estávamos na faixa.

Mas o carro vinha tão rápido, creio que nem a enxergou.

Minha filha estava dois passos na minha frente,

o carro a acertou em cheio.

Foi uma grande batida.

Ela sobreviveu por milagre.

Por isso ela ficou assim.

E Alessandra não passou um dia sequer na prisão.

Nós estávamos na faixa, a culpa foi dela.

Mas sabe como é a vida,

o pai dela tinha muitos amigos.

Eu não tinha praticamente nenhum.

Durante o processo, o advogado nos acusou

de querer tirar proveito.

Porque pedimos indenização por danos morais.

Por acaso o que minha filha sofreu não foi um dano?

Foi muito difícil aguentar.

Minha esposa não conseguiu superar a dor.

Vou repetir a pergunta: tem ligação com o sumiço

- de Alessandra Torri? - Não!

Então por que veio até aqui se não mora na cidade?

Pela matéria do jornal.

Pela recompensa a quem a encontrasse.

Agora que achei o celular perto do rio

pensei que pudesse me ajudar.

Por isso fiquei com ele.

No fundo, tudo isso que aconteceu

é a prova que existe um tipo de justiça divina.

O que houve?

Onde está a Asia?

Eu estou aqui agora, está tudo bem.

Estrelinha...

me conte o que aconteceu.

Lembra da policial que esteve no estúdio outro dia?

Precisa contar para ela o mesmo que me contou, certo?

Laura... pode vir.

Eu não vou me mover, estrelinha. Vou te esperar aqui.

Asia disse que minha mãe morreu

e agora devo chamá-la de mãe.

E explicou por que você deveria chamá-la assim?

Porque ela vai morar na nossa casa

- e se casará com o papai. - Ela te disse algo mais?

Pode me dizer?

Ela disse que eu ia ter um irmãozinho,

mas como a mamãe morreu, não terei mais.

Ela realmente disse isso?

Obrigada, Laura.

Você me contou coisas muito importantes.

Nós terminamos, eu te acompanho até a saída.

Mande buscar Asia Moroso, assistente do Torri.

- Obrigado. - Esperem aqui.

Tinha uma moça no estúdio.

A polícia a levou faz uns cinco minutos.

Ela estava sozinha?

Sim.

Se veio fazer tatuagem, deverá voltar depois.

Não, ouça...

eu sei que você a matou, mas fique tranquilo,

não direi nada a ninguém, ficará só entre nós.

Só precisa me dizer onde escondeu o cadáver.

Quem diabos é você? Me solte! Suma daqui.

Eu preciso do dinheiro, podemos dividir.

- O que está dizendo? - Me diga onde está o cadáver!

Vou acabar com você. Tire a mão, vou te matar.

Papai!

Chega, chega. Pare com isso.

O que está fazendo aqui?

Laura, o que aconteceu?

Asia me disse que a mamãe está esperando um bebê.

- Onde está? - Quem?

- Asia. Onde ela está? - Lá dentro sendo interrogada.

Que diabos está fazendo?

O que você disse para ela?

- Solte! - O que você disse?

Solte.

Asia? Asia!

Queria matar a Asia também?

Fez o mesmo com Alessandra, a estrangulou?

Laura não podia saber do irmão, não era para contar.

Torri, você sumiu por um dia inteiro.

Onde esteve?

- Em Turim. - Fazendo o quê?

Procurando a Alessandra.

Por que em Turim?

Porque ela tem amigas que moram lá.

Achei que pudesse ter ido vê-las.

Era a última possibilidade.

Fui motivado pelo desespero, estava enlouquecendo aqui.

Me ajude a sair deste pesadelo, te suplico.

Está chorando, papai?

Eu chorando?

Imagina.

Você tem uma nova mensagem.

Oi, Valeria.

Sei que está trabalhando e não quero atrapalhar.

Mas continuo pensando na noite de ontem

e naquilo que você me disse.

Meu amor, eu não traí a minha promessa.

Não pergunte mais. Não tente saber mais.

Um dia entenderá quanto amor pode haver

no coração de uma mãe.

Asia está bem, foi só um susto.

Aonde está indo?

- Quero ouvir a ligação de novo. - Por quê?

Vou recomeçar com a última coisa que Alessandra fez.

E o Torri?

Pode soltá-lo.

Qual é a sua emergência?

Alô? Quem está falando?

Espere um segundo.

Alô? Ainda está aí?

Espere um segundo.

Espere um segundo.

Alô? Ainda está aí?

Obrigado.

A gente se vê amanhã.

Alô?

Olá.

Sim, de vez em quando ele vai me buscar,

às vezes fica para o café da manhã.

Asia nunca, ela não tem carro.

Por que está perguntando?

Boa noite, Marco.

Queria te fazer umas perguntas, posso entrar?

Tem algo errado?

Não, só algumas perguntas de rotina.

Pode entrar.

Vou secar o cabelo. Pode me esperar aqui?

Tudo bem.

Você será acusado de homicídio em primeiro grau

e ocultação de cadáver.

Sabe o que te espera?

O que não sabe é que Graziano Torri

corre o risco de ser preso como seu cúmplice.

Está se perguntando o motivo?

Achamos na garagem do Torri um buraco idêntico

ao que você cavou para enterrar o cadáver da Alessandra.

Será difícil convencer o juiz que a ideia não foi do Torri.

Primeiro ele escolheu a própria casa,

mas depois aproveitando da sua devoção,

- preferiu a sua adega. - Não. Não foi isso.

A ideia foi minha, Graziano não está envolvido.

Se é assim, você deve me contar como tudo aconteceu.

Aquele dia estava chovendo

e pensei que Graziano gostaria de uma carona.

Mas quando cheguei, ele não estava lá.

Ela veio ao meu encontro com a roupa suja de sangue,

dizendo: "Marco, ainda bem que você chegou."

Estava transtornada, nunca a vi daquele jeito.

E continuava gritando: "Me ajude, por favor."

Me pediu para levá-la ao hospital,

estava com hemorragia e temia perder o filho.

Eu a coloquei no carro e dirigi como um doido até o hospital.

Eu queria salvá-la.

O que aconteceu depois?

Ela começou delirar.

Achei que fosse pelo medo de perder o bebê, mas não era.

Ela disse que Graziano queria matá-la.

Achei que era brincadeira, mas ela estava séria

e queria chamar a polícia.

Queria ir à delegacia quando saíssemos do hospital.

- Você achou que ela iria mesmo. - Claro que iria.

Dizia que Graziano queria envenená-la,

que estava viva por milagre.

Que o gato tinha morrido após beber o leite dela.

Depois ela achou o buraco na garagem.

Sim, isso.

Ela tinha certeza que ele queria enterrá-la lá dentro.

E percebi que se ela tivesse procurado a polícia,

eles teriam acreditado nela.

Por isso a vida do Graziano estava nas minhas mãos.

Então parei o carro, a estrangulei,

voltei para casa, deixei o corpo na minha cama,

saí, joguei o celular no rio e depois fui trabalhar.

Aquele dia não voltei para casa, pois precisei ficar com a Laura.

Quando voltei e vi o cadáver na cama,

pensei em usar a ideia do buraco.

Então fui até a adega, quebrei o chão,

despedacei o cadáver com uma serra elétrica

e misturei os pedaços com cimento.

Creio que foi uma ótima ideia para cobrir os rastros.

Quero falar com o Graziano.

Estava tudo pronto, não é mesmo?

Tudo pronto para quê?

Você mudou de ideia no último momento.

Quando Alessandra te contou da gravidez.

Estou te ouvindo.

O leite envenenado, o buraco na garagem.

Mas, um pouco antes de pôr o plano em prática,

Alessandra te deu a grande notícia.

Vocês teriam um filho.

E então tudo mudou.

Você derrubou o leite, assim ela não o bebeu.

E depois foi correr.

Não porque estava feliz, mas por se sentir um monstro.

Foi isso que houve, não foi?

Não existem provas, Torri.

Você sairá ileso desta história.

Sou eu que quero saber a verdade.

Foi assim?

Até logo, detetive.

E a Sissi?

Sissi fugiu, estrelinha.

Mas amanhã iremos juntos pegar um gato novo.

Aonde estamos indo, papai?

Vamos para casa?

Entre.

Pode entrar.

A mamãe foi embora.

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