All language subtitles for Forsaking All Others (W.S. Van Dyke - 1934) POR

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Original subtitles

Ai, Bella! Vou precisar dessa perna para me casar amanhã.

O quê?

Uma noiva coberta de manchas roxas. Lindo, né?

Não importa a cor da mancha... Você é uma louca de se casar.

Tem algo contra meu marido ou casamentos?

Ambos.

- Já terminou? - Já.

Ainda sinto sua mão nas minhas costas.

Mary, como pode ficar aí apanhando a 20 minutos do ensaio para o casamento?

- Tem que parar já. - Já terminei.

Estão todos esperando por você.

Como pode ficar nesse calma?

Fiz mil compras e estou acabada.

Parece até que nunca fui a um casamento.

Não sei o que faria sem você. Tem tanta experiência.

Não é para menos. Já enterrou três maridos.

Bella! Só dois, Bella.

- Não sei onde está o último. - Já tentou a Legião Estrangeira?

- Animada? - Acho que vou cair dura...

...ou ter um ataque antes de chegar ao altar.

A primeira vez é sempre assim.

Sempre quis saber o que uma mãe sente quando casa uma filha.

Agora sei. Sinto como se fosse minha filha.

De qualquer modo é mesmo. Devo a você quem sou hoje.

E espero que esteja satisfeita.

♪ Você chegou, eu estava sozinho ♪

♪ Você era tentação e eu... ♪

Oh...

- Céus! Não! - Querido!

Essa coisa besuntada é a minha futura esposa?

Vá embora.

É baunilha.

Desde criança você tem mania de entrar onde não deve.

- E sempre foi divertido. - Para de implicar com meu noivo.

Vou me vingar de todas as implicâncias dele desde que eu tinha oito anos.

Mary, você tem que se vestir. E você...

Fique sabendo que armas sem munição são as que mais disparam.

Aha, Dillon Todd, nosso perito em coquetéis...

Saiam!

Não quero ir. Deixa de ser mandona. Afinal, não sou o noivo?

Não tem como...

Me avisa quando se livrar dessa mulher para podermos ficar a sós.

- Eu disse a sós. - Saia!

Rápido, Bella.

Os amigos do Sr Todd têm que ir embora para a despedida de solteiro.

Eu já terminei.

Fique deitada um pouco mais e descanse.

- É uma questão de justiça. - Fora!

Tia Paula...

...o que se passa em despedidas de solteiro?

Pelo que sei, pouca coisa passa.

Entendi.

Paula!

Bella!

Ei!

Alô?

Quem?

Jeff!

Quem?

- Jeff! - Jeff!

- Querido, onde você está? - No cais.

Que lugar horrível. Venha logo para cá. Tenho ótimas notícias.

Também tenho para você.

O quê?

Oh, a Espanha está ótima. Os rapazes mandaram lembranças.

- Qual é a novidade? - Não pelo telefone.

Não.

Só conto quando chegar.

Tá bem. Já estou indo.

- Perdão. Olha onde anda.

Shemp! Seu danado.

Que bom te ver. Está com a cara ótima.

Shemp, que maravilha!

Enfim te encontrei. Já procurei um várias docas erradas.

Está a mesma coisa. Obrigado por vir me receber.

Um dia farei o mesmo com você.

E aí, tudo na mesma?

As coisas estão sempre mudando.

A propósito, isto é para você.

Um guarda-chuva? Sempre quis ter um.

Mas por quê? Presente de boas-vindas.

Ia trazer flores, mas a loja fechou então comprei um guarda-chuva.

Parece lógico. Como estão os negócios com os arreios?

- Oh... Ótimo. - Perdão.

Parece que os cavalos estão voltando para substituir o automóvel.

Melhor amigo do homem, bom para nós.

- Vamos indo. - Vai deixar aquilo?

Só não esqueço a cabeça porque está presa nos ombros.

- Sabia que ia fazer falta. - Hmm, que cheiro delicioso de sujeira.

Shemp, a Espanha é uma maravilha...

...mas espero nunca mais voltar.

Quando a Estátua da Liberdade me acenou até a achei sexy.

Dois anos inteiros trabalhando de sol a sol.

À noite o sossego da Espanha.

Mas agora que estou em casa, essa sujeira e barulho...

Daqui não saio mais.

Nova Iorque. Que cidade! Escura, fria, inóspita. Tudo de ruim.

Mas eu adoro.

Quando vi a paisagem foi uma sensação como nunca tive antes.

O edífício da Woolworth, o Chrysler...

- Ei, táxi! - Espere um momento.

Antes que queira comprá-lo, só quero avisar que você pode alugá-lo.

Vamos.

A essa altura você deve ter metade do dinheiro da Espanha.

Nem tanto.

Mas estou em condições de fazer uma coisa que sempre quis.

- Shemp, sabe o que vou fazer? - Bater num guarda?

Não, isso eu fiz quando estava quebrado.

Vou propor casamento a uma moça que eu amo...

...desde que aprendi a escrever.

- Quem? - Mary. Vim da Espanha só para isso.

- Mas... - Mas o quê?

- É uma viagem bem longa. - Por Mary eu viria a nado.

Eh...

- Eh... - O que foi?

Me fale da Espanha. Muitos espanhóis?

- Onde está querendo chegar? - É só que...

Que tal passar pela minha casa para tomar um conhaque?

Agora não. Mais tarde.

Estou muito perto de me tornar o homem mais feliz do mundo.

Espero que tenha razão.

Vamos, vamos, saia.

Pronto!

Sua camisa está suja. Não pode propor assim.

Meus antepassados andavam de camisa suja e se casaram.

Pensando bem, quantos homens casados andam de camisa limpa?

Olá!

- Como vai esse reumatismo? - Ótimo!

- Jeff! - Joanie!

- Eleanor. - Não é.

- É. - Não é possível.

Você está na Espanha. Você é um fantasma e eu estou assombrada.

Me belisca. Ai!

- Jeff! - Dill!

Bonzai!

- Jeffrey Williams! - Paula!

Querido!

Querido, eu...

- Paula! - Jeffy!

Isto é fantástico, maravilhoso.

Estava faltando alguma coisa. Você chegou na hora certa.

Cadê a Mary? Por que tanta gente? O que está acontecendo?

Muita coisa.

- Este é o dia mais feliz da minha vida. - Jeffrey Williams!

- Jefrrey Williams. - Mary!

Jeff!

- Que bom te ver. - Agora está completo...

- Não falta mais nada para... - Para quê?

Este é um daqueles jogos em que tenho que fazer perguntas...

Que história é essa?

- Jeff... - Não, deixa que eu conto.

Jeff, cheguei ao topo da minha carreira.

Vou me tornar Sra. Dillon Todd.

- Ah, é? - Não vai gritar parabéns?

Não vai mandá-lo cuidar bem da pequena Nell?

Não vai beijar a noiva?

Claro.

- Cuide bem da pequena Nell. - Nossa Nell sabe cuidar de si mesma.

Acabo de ter uma inspiração. Que tal entregar a noiva?

- Não acho que seja boa ideia. - É uma ideia maravilhosa.

Que tal, Jeff? Quer bancar o pai?

Claro. Adoraria. Por que não?

Resolvido.

Todos bebam e se divirtam que amanhã estaremos casados.

Ninguém vai me tirar o Jeffrey.

Ele é meu até me responder dez mil perguntas.

Também tenho milhares para você.

Tudo que sei da Espanha é que têm touradas e comem pimenta vermelha.

- Que mais eles têm? - Só isso.

- Agora me conta... - Não, primeiro você, depois eu.

Se importa? Sempre preferi sentar assim.

- Pois bem... - Mary! Mary!

Deixe-me vê-lo. Está mais magro!

É nisso que dá ficar comendo comida típica.

Usou seu emborrachado? Soube que não pára de chover lá.

E é cheio de insetos venenosos.

Querida, Madri é como Paris.

É mesmo? Achei que era selvagem, cheio de florestas.

- Ela nunca leu Ernest Hemingway. - Com certeza.

Me conte tudo depois com calma.

Esse casamento me tomou todo o tempo. Não é maravilhoso?

Maravilhoso não é bem a palavra.

A lua-de-mel será em minha casa no norte. De lá para a Europa e depois voltam.

E eu para um sanatório. Posso roubar a Mary de você?

- Mal pudemos falar. - Terá bastante tempo para isso.

Alguém trocou todos os cartões e os presentes.

- Tem que me ajudar a consertar. - Não pode pedir à Eleanor?

Ela não está em condições. Vamos.

Espere aí até eu voltar. Rápido senão complica mais ainda.

Ficarei plantado aqui.

- Por que não me disse? - Queria, mas não sou bom nisso.

Deve ter achado engraçado.

Eu já previa. Sabia que gostava da Mary.

Só você mesmo sabia.

Olha.

Sempre foi assim.

Eu enchia os pneus da bicicleta, mas Dill é que andava.

Vamos embora. Tenho que me aprontar para entregar a noiva.

Tenho a bebida perfeita.

Conhaque, whiskey, vodka, uma pitada de rádio...

...e mantenha distância.

O que vou fazer com 38 castiçais e 19 molduras?

Eu revenderia.

Jeff estava me ensinando a ser pai.

Nunca entreguei noivas. O que devo fazer, embrulhá-la para presente?

Isso mesmo. Com endereço para devolução.

Vá procurar o Dill antes que ele solte os cachorros.

Sempre me pergunto: quem é que encontra os cachorros?

Anda logo!

Vamos.

Ainda tenho um tempinho.

Está feliz por mim?

- Estou se você está. - Oh... Estou muito.

Lembra quando tiramos aquela foto?

Claro.

Chorava antes de dormir na expectativa de que Dill...

...viesse me levar num lindo cavalo branco.

Em vez disso, colocava chiclete no meu cabelo.

Mas você era um doce.

Naquela época você gostava de mim, lembra?

Era coisa de adolescente.

Eu sempre amei o Dill.

Engraçado. Amores de infância geralmente não duram.

Às vezes duram.

- Às vezes crescem. - É o que aconteceu comigo.

Só fez crescer.

E depois de tantos anos, deu certo.

Estou tão feliz que quero chorar, rir, cantar...

Entende?

Imagino. Deve ser ótimo.

E a despedida de solteiro? Vamos logo.

Quero ir. Nunca fiu a nenhuma.

Sabe a dança dos véus?

Se eu sei? Eu que inventei.

Certa vez vi uma moça dançando com um ventilador elétrico.

Foi horrível.

Melhor irem se vestir para o último voo solo do Dill.

- Está ficando tarde. - Não me apresse.

O avião pode parar em Pago Pago...

...com os turistas dizendo que foi culpa de alguma mulher.

Sei que voltará. Jeff se responsabilizará, não é, Jeff?

Sim.

Mas depois que se casar será problema seu.

- E vou adorar. - Vamos.

Só temos 12 horas para beber o suficiente para uma semana.

- Oh... Quisera eu ser homem. - Ser ou ter?

Cansei de ser dama de honra.

Queria ser a noiva para poder vestir um chapéu decente.

Boa desculpa para se casar.

Vamos, crianças, todos a bordo para a despedida de solteiro.

- Vai levar isso? - Claro, é o presente do noivo.

Leve para o quarto do Sr. Todd, por favor.

Vou pegar meu chapéu.

Adeus, querido.

Surpreso?

Se estou. Pensei que fosse o Fu Manchu.

Fu Manchu te ama muito.

Ele... isto é, ela ama mesmo?

Ela o amará até o sétimo filho do sétimo filho.

O tenente americano ama sua pequena?

Ama sim.

- Sério? - Sério.

- Nunca vai haver outra, não é? - Como poderia?

Nunca coube mais uma. Nem nunca caberá.

Houve a Connie.

- Connie não me tomou muito tempo. - Seis meses em Paris é muito.

Isso faz parte do processo de amadurecimento.

Todo homem tem uma Connie, Bonnie ou Susie.

Elas não significam nada.

Elas são experiência. Você é amor.

Oh... Que lindo discurso.

De hoje em diante serão minhas palavras favoritas.

Ah... Namorando no armário, hein? A lua de mel vai ser no porão?

Nos seis melhores.

Acredite se quiser. Procurava meu chapéu.

- E eu estava dentro. - Acredito.

Agora vão, Shemp e Jeff estão a postos.

E não venha com a piada "com o que a postos?"

- Até logo, querida. Te vejo na Igreja. - A hora está chegando.

Vamos, noiva, de volta para a arruaça.

Quero anunciar que sou o campeão dos sortudos.

- Correndo contra ou a favor? - Vocês dois não têm como não ser felizes.

É só dar valor ao que têm.

Pretende me ensinar como não perder um diamante de milhões de dólares?

Chegamos.

Até mais tarde. Não se atrasem e não estejam sóbrios.

Podemos atrasar, de resto não se preocupe.

Johnson, cadê você?

- Onde estava, Bathsheba? - Estava aqui o tempo todo, senhor.

Escondendo de novo, hein, Johnson?

- Falta pouco. - Sim, senhor.

Johnson, você tem que se casar.

Não fica bem você aqui solteiro e eu aqui casado.

- Eu não me incomodo. - Que tal uma empregada francesa?

Madelon, Madelon, Madelon.

Prefiro ficar como estou, se não se importa.

Mas eu me importo.

Que tal uma Colleen irlandesa?

Johnson, J...

Johnson, nada de cara feia.

Que tal uma señorita espanhola?

Johnson?

Johnson?

Johnson, saia de onde estiver.

Aha, Johnson.

Te peguei!

Te peguei!

Connie, vá embora daqui.

Não, querido. Estou tão triste. Não aguento mais.

- Mas você não sabe. - Só sei que te amo e a ninguém mais.

- Nunca amei outra pessoa. - Espere aí, Connie.

Você não entende.

Vou me casar amanhã.

- Casar? - Sim, casar.

Oh, Dill!

- Como pode? - Como assim?

Oh... Nem sei o que dizer.

Tudo tão de repente.

Não faz tanto tempo assim.

Você esqueceu bem rápido.

Nem vem. Nós terminamos.

Sabe disso desde que terminamos.

- Quem terminou foi você, não eu. - Eu terminei?

Você me deixou e eu é que terminei?

Só queria te dar uma lição.

E deu.

E agora vai se casar com uma qualquer só para esquecer.

Ótimo para nós dois.

Amo a moça com quem vou me casar. Dá para entender?

Eu a amo.

- Acho que sempre a amei. - Onde eu fico nisso?

Sou um copo descartável?

Nem para me dizer. Tive que descobrir sozinha.

Então já sabia e veio com segundas intenções. Que cara de pau!

Tinha que vê-lo. Ouvir da sua boca.

Então, agora sabe.

Então não tem mais nada a fazer, não é?

Não tem não.

Pelo menos eu tentei.

Como vou saber que parou?

Porque cheguei tarde.

Dill, subi aqui para chorar, mentir, gritar e desmaiar.

Qualquer coisa para que voltasse.

Agora que perdi, posso ser honesta.

É...

É disto que eu gosto em você.

Sua honestidade varia de acordo com o dia.

Ok.

Eu sei. Pode falar.

Não estou te culpando de nada.

Se estou triste é porque fui descuidada.

Eu errei.

Nós nos divertimos, mas...

...só eu me apaixonei. Esse é o problema.

- Não sei o que dizer. - Então não vamos dizer nada.

Afinal, não sou uma velhinha.

- Oh, não. - Sabe...

Posso encontrar outro Dill na minha vida.

Talvez me apaixone de novo. Não tanto, mas mesmo assim...

- Não é o fim, né? - Oh, não, claro que não.

- Talvez esteja até começando. - Apenas começando.

Boa ideia. A felicidade que me aguarda.

A felicidade que nos aguarda.

Gostaria de brindar a isso.

Posso?

Vamos?

Claro, claro.

- Johnson, Johnson! - Senhor.

Oh, Johnson! Champagne e...

- Lembra-se da srta. Barnes, não? - Claro que sim, senhor.

Ainda tem a borboleta que o Sr Todd tatuou no seu ombro, Sr. Johnson?

Vou morrer com ela, madame.

Pode não tornar Mary a mulher mais feliz do mundo...

...mas certamente nunca se sentirá entediada.

Lembra de Nuremberg, quando fomos todos parar na prisão?

Será que o prefeito acabou encontrando seu cavalo?

Até hoje não entendi como conseguiu botar aquela égua dentro da barbearia.

Falando de cavalos, que fim levou aquele marquês...

...com quem te encontrei no Lago Como?

Não tenho a menor ideia. Mas me lembro do seu ataque de ciúmes.

Afinal, era quase como um tio para mim.

Tios assim acabam atrás das grades.

Não era qualquer um, e sim um alto membro da nobiliarquia.

Assim como aquele conde francês que roubou 80 francos da minha calça.

Só estava brincando, sabe como Pierre gostava de aprontar.

Pobre Pierre. Mas levou a brinvadeira a sério.

Nunca devolveu o dinheiro.

Tem algo no formato dessa garrafa que me faz sentir em casa.

Não tomo isso desde...

...desde Biarritz.

O primeiro Magnum que tomei foi você quem comprou.

Quando a rolha estourou, meu coração foi junto.

Aqui está.

Ao marquês, a Pierre e ao prefeito de Nuremberg.

E ao cavalo do prefeito.

Por aqui, por favor. Sigam-me.

- O extintor está ligado. - Deve ter ficado assim a noite toda.

A água está sainda por uma das portas.

Olha onde está. Abram a porta!

Dê um empurrão.

- O que aconteceu? - Espere, espere aí.

Espere!

Pronto.

Desligue a mangueira. Desligue!

O que é isso? Dois malucos.

Acorde! Acorde!

Acorde!

Que tempo horrível!

Você arruinou dois andares do meu hotel!

- Isso é uma piada? - Shhh...

Fale baixo para não acordar meu irmão inválido.

Não importa.

Estragou este quarto e o de baixo e vai pagar por isso.

- Vai me processar? - Claro.

Nem que recorra a todos os tribunais do país.

Só deste país? Paris é lindo na primavera.

Se não sair e me deixar dormir, não verá um centavo meu.

Também está acordado, é?

Sua voz não é bem uma canção de ninar.

Se está acordado, por que não abre os olhos?

Se abrir, podem rolar pelo chão.

Fomos a uma despedida de solteiro e acho que ele exagerou no sorvete.

Que horas são?

11:00.

Bom dia, Jeffy.

Bom dia, Shempy.

- Você é o da voz de tenor? - Sou o gerente deste hotel.

- Teria uma Alka-seltzer? - Claro que não!

Não achei que tivesse. Hotel de segunda.

Isso na melhor das hipóteses.

- Toca acordeão? - Não, senhor!

Ah... É pena.

Hoje minha cabeça daria um ótimo acordeão.

- Feche essa porta. - Vamos saindo, pessoal.

- Soube do Dill? - Nada.

Liguei para ele às 4:00 e uma mulher atendeu.

Isto é, espero que tenha sido uma mulher.

Deve ser por isso que não foi à despedida. Estava fazendo manicure.

Temos que encontrá-lo.

O casamento é daqui a uma hora e alguém tem que casar com Mary.

Casar com Mary.

Casar com Mary. Isso mesmo.

Oh... Isso me lembra uma coisa.

Alô.

Alô. Ligue para a florista.

O quê?

Não sabe usar um telefone?

Sim, Tally, a florista.

Nós dois juntos daríamos um homem nu.

Desde criança que Mary adora centáureas.

O mínimo que posso fazer é comprar umas para seu casamento.

Alô. Alô. É a florista?

Quantas centáureas tem aí?

Como?

Só isso?

Oh... Não consegue mais?

Então saia e compre todas que conseguir.

Espero que tudo dê certo.

Lírios são para casamentos ou funerais?

Nem me falem como Dill foi gentil em mandar todas essas centáureas.

Quando era criança só pensava em me casar com um vestido de centáureas.

Dill se lembrou.

Vou me casar cercada delas.

- Que casamento perfeito. - Questão de gosto.

Para mim, antes fosse álcool.

Não se preocupe, Paula, estarei tão velha...

...que terão que me conservar em alguma coisa.

Isso me lembra: os refrescos.

O serviço de buffet se encarrega disso.

Mas quem se encarregará do serviço de buffet?

Ela se preocupa mais com o que se preocupar do que com uma preocupação.

Pode repetir?

Como vai?

- Shemp, já chegaram todos? - Está lotado.

Parece que muitos terão que ficar de pé antes...

- Como está Dill, nervoso? - Bem, eu imagino. E a Mary?

- Nas últimas. Tenho que... - Espere. Espere.

Parece até que vão para a guilhotina. Se eu fosse me casar...

Eu sei, teria criados assírios te seguindo.

- Agora tenho que ver o coral. - Espera aí!

- O quê? - O seu time está pronto?

Oh... Não seja tolo!

Não deve ter nada para beber aqui.

O coral está começando. Cadê o Dill?

Não sei de nada. Tente a carrocinha. Podem tê-lo recolhido.

Mas está começando...

...e não sabemos dele desde que o deixamos em casa ontem à noite.

- Pode ter acontecido alguma coisa. - Bobagem.

Não vai se atrasar para seu próprio casamento.

Vou procurá-lo. Deixe o coral cantando.

- Boa ideia. - É... É...

Imagina só atrasar-se para se casar com uma moça como Mary.

- Sr. Jeffrey Williams? - Sim, o que sobrou dele.

Sou do seu clube e mandaram entregar esse telegrama.

Quem daria meu endereço aqui?

Não reconhece a letra?

Não.

Onde vai?

Espera! Não precisa botar abaixo. Pensa que é um bombeiro?

Mary, cadê a Mary?

Não estou um prato apetitoso para um noivo?

Mary.

- Jeff, Dill está doente? - Bobagem.

- Ele se casou. - Com quem?

Connie Barnes.

Está brincando.

- Diga que está. - Mandou um telegrama.

Casaram-se ontem à noite.

Não vou desmaiar. Não faz meu gênero.

Tem que tirar essa roupa imediatamente.

Pobrezinha. Vou cuidar de tudo.

Jeff...

Deve ter dito que sentia muito no telegrama.

- Disse. - Que bom.

Fico feliz que sente por mim.

O bom e atencioso Dill, sempre pensando em mim.

Não quer se sentar, Mary?

Para quê?

Noivas devem ficar de pé, não podem casar-se sentadas, não é?

Claro que não.

Devem ficar de pé no altar e beijar o noivo.

Só que não tem noivo para beijar.

Ele acaba de se casar com Connie Barnes.

Pare com isso.

Já parei.

Pobre Jeff, nem teve que me entregar.

Por mim, tudo bem.

Vamos, vamos andando.

Que cheiro é esse? Ar puro?

Não respire fundo, pode acabar com seus pulmões.

Talvez seja esse meu problema.

Deus ajuda a quem cedo madruga.

Já olhou a cara de um leiteiro?

Anda direito.

Não sei como a Paula aguenta.

A menos que Elizabeth Arden tenha uma loja aqui.

Deve estar sendo muito valente.

Assim que acabarem seus cremes se tornará uma pioneira.

Enfim, a cavalaria americana.

Cadê o cachimbo?

Não vejo um homem branco há meses.

Conte as novidades.

- Quem é o prefeito agora? - Max Baer.

Hmm, muito bonito.

E esta é a sala de estar, ou algo parecido.

- Encantador, não querido? - Lindo, lindo.

Diga-me, qual é a escola mais próxima?

Trinta milhas a cavalo e de trenó.

- Bom para o Júnior. - Bom até demais.

Querido, de quantos quartos precisamos?

Um para Júnior e a babá, um para minha mãe...

...minha mãe mora conosco desde que casamos.

- Sempre ajuda. - Seus tolos!

Oi!

Ela vem com a casa?

Alugo pela metade do preço se ficar com ela.

Vou pensar.

Por fora está linda!

- Por dentro? - Por dentro, perfeita.

Ótimo.

Na verdade nunca me senti melhor.

- Também te sinto muito bem. - Pudera! Ela não para.

- Montando, nadando, andando. - Cortar lenha é o segredo.

O melhor exercício do mundo.

Não acredita, então sinta.

Vem gente de toda a parte pegar madeira.

Também a acham louca.

- O que é isso, uma lareira? - Não, o ar-condicionado.

- Trouxe meu correio? - Uma mala cheia.

Ótimo, depois do jantar leremos tudo.

Onde está o jantar?

Hoje é sua vez.

Só me sobrou uma unha no polegar direito.

E quero guardá-la para quando voltar para a cidade.

Ela não é difícil.

Mas toda cozinheira fica assim depois que as conhecemos melhor.

Sim... Eh...

Tenho que confessar uma coisa.

- O quê? - Sou ótimo cozinheiro.

O quê?

Só preciso de uma panela, um barbante e papel laminado.

Podem me dispensar do jantar. Não estou me sentindo muito bem.

Oh... Tolice. Vamos, para a cozinha.

Imagine, um homem que sabe cozinhar.

Devia vê-lo fazendo bainhas.

Pode começar e melhor que fique gostoso.

As vagens estão ali.

- Colhidas por mim do nosso jardim. - Tem carne?

- Uns filés. - Ótimo, farei um cozido à la Jeff.

Shemp, você e Paula limpam os legumes...

...enquanto eu e Jeff tiramos água do poço.

Tenho uma casa onde consigo isso apertando um botão.

Devia ter ficado lá.

Em vez disso, dirijo 13 horas sob sol a pino para descascar batatas.

- Jeff, foi ótimo. - Obrigado.

Ainda tem cozido?

Shemp debochou e está comendo feito um porco.

Estava muito bom, mas também eu estava faminto.

Perdão.

Vamos, Shemp, temos trabalho na cozinha.

Prefere lavar ou secar?

Não podemos descartar tudo?

Você lava. Vamos me ajude aqui.

Mas amanhã você vai embora, para que lavar?

- Tome cuidado. - Tomarei.

Para onde você está levando?

Para o Cairo, onde mais? Vamos para a cozinha.

Vamos lavar o que sobrou num instante.

- E minhas cartas? Vamos. - Tinha quase esquecido.

- Ainda nem li. - Leremos juntos.

Ótimo, nunca li cartas dos outros.

- O que temos aqui? - A melhor maneira de saber é abrindo.

E lendo.

Exatamente o que estava querendo saber.

- O que foi? - O Mercado Schulz...

...está me convidando para a inauguração de uma seção especial de peixaria.

Passaremos por lá qualquer tarde dessas.

Uma mensagem meio constrangida dos Roger.

Mandam solidariedade etc.

Chatice.

Conta de gás. 35 dólares. Como assim?

Teve muitos suicídios na sua casa mês passado?

Três ou quatro. Mas não podem ter usado tanto gás assim.

Vou conversar com o Wiffens.

Escuta só.

Daremos uma festa terça-feira às nove e gostaríamos muito que viesse.

Por favor, venha. Assinado, Connie e Dillon Todd.

Então?

Então, é depois de amanhã.

Dill não faria isso.

Parece mais coisa maquinada pela própria mulherzinha.

A primeira coisa que faria é ir ao cabeleireiro.

- Depois... - Você vai?

Claro que vou.

Está sendo orgulhosa. A mulher só quer é humilhá-la.

Não está pronta para isso.

Como você conhece pouco as mulheres.

Connie não quer que eu vá.

Não entende? A humilhação está na carta.

Ela acha que estou chorando num travesseiro com as mãos cobrindo o rosto.

Acha que estou me consumindo de tristeza.

Mas nós vamos, Jeff, e vamos nos divertir como nunca.

Vamos cantar, dançar, nos pendurarmos nos lustres...

...e jogar vasos da varanda.

E o que acontecerá quando vir Dill?

Olharei para ele como se fosse um chapéu velho.

Vou parabenizá-lo, direi que a festa está ótima...

...e perguntarei como vai.

Não percebe, Jeff? Estou curada.

Dill está tão apagado que nem me lembro a cor dos seus olhos ou se tem nariz.

Boa noite, Sr Williams, que bom que veio.

Obrigado.

Esta é a Srta Clay. Mary, esta é a Sra Todd.

- Como vai? - Prazer em conhecê-la, Srta. Clay.

Dill fala tanto de você.

- Como vai ele? - Muito bem, obrigada.

Acho que lhe devo um pedido de desculpas.

Desculpas, por quê?

Por ter roubado Dill de você no altar.

Acha que realmente fez isso?

Na verdade casou com ele ano passado em Paris, não foi?

- Não. Só conheci Dill em Paris. - Engraçado...

Um amigo meu disse que todo mundo supunha que vocês dois estavam casados.

São apenas boatos.

E tolos.

- Não quer tirar seu casaco? - Sim, por favor.

É no quarto à esquerda. Cora, ajude a Srta. Clay.

Quer que o apresente ou prefere ficar solto por aí?

Prefiro ficar solto.

- Divirta-se. - Obrigado.

Olá, Jeff.

- Que bom que passou por aqui. - Olá, Dill.

Não passei, fui convidado.

Oh, sim, claro. Tinha esquecido.

Então, como vai a...

- Como vão as coisas? - Bem, bem, bem.

Como vão as coisas com você?

Oh... Estão indo.

Tem visto o pessoal?

De vez em quando... a maioria deles.

Pessoas legais.

Shemp e Eleanor estão aqui.

Como vai a...

- Como vai a Paula? - Bem. Bem.

- E Wiffens, como vai ele? - O reumatismo está pior...

A propósito, Mary também veio.

O quê?

- Você trouxe a Mary? - Não, como convidada ela me trouxe.

Oh...

Oh... Não sabia disso. Sabe que eu não...

Claro, sei que não.

Não estou entendendo.

- Me dá licença? - Com prazer.

Posso falar com você um minuto, Connie?

Querido, estou aprendendo a sapatear.

Mas isto é mais importante que sapateado.

Com licença, meu verdugo me chama.

O que foi, Dill? Podia ter um pouco mais de consideração.

- Por que foi convidar a Mary? - Como assim?

Às vezes você é vulgar e acho que esta é uma das vezes.

Onde está querendo chegar?

Ela é fina demais para respirar o mesmo ar que eu?

Ou isto faz lembrar de como você foi vulgar?

Não tem nada a ver. Poderia pelo menos poupá-la.

Ninguém é obrigado a aceitar todos os convites que recebe.

- Ela veio porque... - Veio por razões...

...que nem decoradas você entenderia.

- Veio porque... - Porque é tudo que sua esposa não é.

Não é?

Foi você quem disse, não eu.

Então um bêbedo no trem perguntou ao outro que horas eram...

...o outro olha o relógio e diz: "Quarta-feira".

O outro responde: "Então tenho que saltar aqui".

Muito engraçado, não acharam?

Tem uma muito mais engraçada que essa.

Olá, Dill.

- Estou interrompendo? - De jeito nenhum.

Estávamos comentando como a festa está linda.

- Olá, Mary. - Olá, Dill.

- Já ouviram a do... - Já.

Achava que sim.

Gostaria de falar com você.

- Dill, você não tem direito... - Cale-se, querida.

Jeff, por favor.

Sim?

Vamos, crianças. Vou arranjar uns fósforos para brincarmos.

Mary.

Só queria que soubesse que não fui eu que a convidei.

Fiquei tão surpreso quanto você.

Eu sei.

Sei que Connie não tinha segundas intenções.

Ela não é tão má pessoa.

Fez como um gesto de boa amizade.

Com certeza.

Só queria que soubesse.

Obrigada.

Eleanor disse que você tem passado uns tempos lá nas Adirondacks.

É uma beleza lá.

É perto do Lake George onde íamos quando criança?

Não.

Bem, gosto de qualquer parte nas Adirondacks.

Para mim, tudo quanto é árvore é igual.

É bom podermos falar assim, não?

É verdade, é ótimo.

Então vamos continuar...

Depois falaremos da Rússia e dos livros bons que leu...

...mas mais cedo ou mais tarde teremos que falar...

...sobre o que se passa em nossos corações.

- Não quero ouvir isso. - Mary...

...fiz uma coisa tão horrível que nem parece real.

Não vou dizer que sinto muito porque seria muito pouco.

Mas nem imagina como me tem amargurado.

O que acha que tenho feito? Pulado amarelinha?

É isso que me magoa.

Pensar em você.

Mas não precisa.

Já superei.

Não vê que já passou? Não sobrou nada, nada mesmo.

Quando vou vê-la outra vez?

- Não haverá outra vez. - Fala sério?

Claro que sim. E sabe que tenho razão.

Não é questão de certo ou errado. Não roubei um pedaço de pão.

Eu te amo.

Mas eu não te amo mais.

Não pode ter parado de uma hora para a outra.

Por favor.

Sem dúvida está ensaiando uma cena.

Sem dúvida.

E qual era o papel do Dill?

- Um cavalheiro? - Espere aí, Connie.

Espere aí, uma ova.

Sou suficientemente vulgar para querer saber do que se trata.

Sem dúvida, também.

- Se quer saber, posso contar. - Não se preocupe. Eu conto.

Afinal, Sra. Todd, conheço Dill há muito mais tempo que você.

E tínhamos algumas coisas que queríamos falar.

Dill não fala com as mãos.

É mesmo? Que engraçado. Costumava.

Deixa disso.

Vou lhe dizer uma coisa, Lady Mary.

Ainda está para aparecer uma mulher que possa passar a perna em Connie Barnes e se sair bem.

Connie, não queremos que todos nos ouçam.

- Mas eu quero. - Eu também não me incomodaria.

Não se faça de tão indiferente.

Criou uma situação e não vai se safar impunemente.

- Posso explicar. - Jeff, onde você estava?

- Tudo não passa de uma... - Sei, sei, sei...

- Não é o que está pensando. - Como sabe o que penso?

- Como ele sabe que você pensa. - Não é hora para piadas.

Por favor... Posso explicar, sério.

- Admito que a situação é comprometedora. - Maneira educada de colocar as coisas.

Sim, mas se me escutar, tenho certeza de que posso esclarecer tudo.

Está tudo muito claro e óbvio.

Por favor, me escute.

Comecei a vida trabalhando para o avô de Mary.

O Coronel Lemuel Q. Clay do Exército Confederado.

- Exército da União. - Confederado.

- Da União. - Confederado.

Da União.

Na época eu era escravo negro e torcia para que os sulistas ganhassem...

...para que eu recebesse meus atrasados. Ainda estou esperando.

Como ousa dizer isso? Pagamos US$1.80, adiantado.

Vou contar a minha história.

Era uma vez uma mulher entrou na varanda...

- ...e encontrou seu marido... - Sim, parece muito interessante...

...mas deixe-me acabar minha história. Como eu ia dizendo...

...o tempo passou e me tornei um homem muito importante...

...na fábrica do pai da Mary que também se chamava...

- Lemuel Q. Clay também. - Produzíamos "bludgets".

- Hã? - "Bludgets".

- O que é um "bludget"? - Quer dizer o que são "bludgets".

- O que são "bludgets"? - Nunca consegui descobrir.

Um "bludget" é um golpe rasteiro para sair de situações constrangedoras...

Sra Todd, está sendo muito desconfiada.

Mãe, meus pés estão doendo. Podemos ir?

Claro, pai, chame a carruagem.

Jeff.

- Sim? - Agora estou feliz. Muito feliz.

Como assim?

Lembra quando lhe disse que não amava mais o Dill...

...e que não significava mais nada para mim?

Sim.

Na hora estava mentindo. Mas agora não.

Hoje cortei ele de vez, como se...

...corta fora fora um naco de maçã podre.

Não existe mais...

...agora sou livre e feliz.

- Mary. - Hmm?

Ainda está mentindo.

Eu sei.

- Jeff, o que vou fazer? - Ora, vamos, por favor.

Mademoiselle não vai usar seu casaco?

Não, voltarei na hora do jantar.

Muito bem, mademoiselle.

Não! Não podem fazer isso!

Corry!

Corry, o que está acontecendo?

Pare! Pare!

Corry!

Madame chamou?

Mademoiselle precisa de algo?

Só podia ser Nero ou Napoleão. Como conseguiram escapar desta vez?

Fomos dispensados. Os loucos estavam ficando louco.

Está comprometida ou podemos alugá-la pelas próximas 8 horas?

Queremos que nos acompanhe aos canais de Veneza.

Às pagodas chinesas e ao Taj Mahal.

Às estepes congeladas da Rússia...

...e às planícies escaldantes do Tibet ou vice-versa.

Vamos a Coney Island para implicar com os guardas.

Quer vir?

Adoraria ir, mas...

- ...acho que não estou muito animada. - Ótimo, nós a animaremos.

Não, na verdade não posso.

- Está doente? - Não.

Então não tem desculpa. Onde já se viu?

Fazemos um convite e diz que não está animada.

- Já viu coisa igual? - Sim...

Uma vez na Abissínia. Uma mulher chamada Sam.

Mas ela acabou mal. Casou-se com um acrobata itinerante...

...e tornou-se a primeira mulher a cruzar Piccadilly...

...de cabeça para baixo na cabeça do marido.

- Algumas mulheres têm sorte mesmo. - Chega de conversa. Vamos.

Não, Jeff, realmente não posso.

- Eu atendo. - Deixa que eu atendo.

Não tem problema, madame.

Alô, Grand Hotel. Sim.

- Quem? - Dillon Todd. A Srta Clay está?

Sim, um momento.

Dill.

- Alô. - Mary, querida, está pronta?

- Sim. - Já estou indo.

Sim.

- Não me deixe esperando. - Não vou demorar.

- Até logo. - Até logo.

- É por isso que não estava animada? - Sim.

- Faz quanto tempo? - É a primeira vez.

- Não aguentou, né? - Pode ser.

- Não vá a esse encontro, Mary. - Por que não?

- Porque estou pedindo. - Mas eu prometi.

Ele já quebrou uma promessa.

- Está sendo injusto. - Talvez.

Mas quero evitar que seja injusta consigo mesma.

- Controle-se. Dill está casado. - Não precisa ficar repetindo.

- Ele errou, claro. Mas está infeliz. - Não me diga.

No mínimo também se desculpou por não ter mandado um presente de casamento.

Não percebe que não é da sua conta?

Também não é da minha conta ver cachorro apanhando...

...mas sempre tentarei impedir. O que aconteceu com você?

Por que tem que sair correndo sempre que ele chama?

- Está me chamando há semanas. - Meses, anos, séculos, que seja.

Não se iluda. Está rastejando de volta.

Não posso sair com um homem sem ser tachada de perdida ou marginalizada?

Não com Dill, que te abandonou no altar.

Não quando quando está apaixonada a ponto de perder seu amor próprio.

Pare de bancar o irmão mais velho.

Põe na cabeça que sou maior e vacinada...

...e farei o que quiser com meu amor próprio.

Tenho me comportado e o que ganhei com isso?

De agora em diante eu dito as regras.

- Você está louca. - Ótimo.

Nada como loucos para se divertirem.

Não quero medalha por bom comportamento.

Nem hoje nem nunca. Acho que estou certa.

E, a partir de agora, farei o que achar certo.

E agora está mentindo para si mesma.

- Não diga! - Digo e repito!

Tem algo mais a dizer?

Tenho.

Me dá aquela escova.

- Não se atreveria. - Ah, é?

- Me larga! - Cuidado, é de ferro.

- Dê-me isso! - Não faça isso! Jeff!

Jeff... Jeff...

Mocinha, acabou de salvar minha vida. Como a recompensarei?

Quem sabe alguma coisa para comer?

Muito bem. Beija-flor, língua ou caviar?

- Quero um hambúrguer. - Coincidência...

...mas seus desejos serão cumpridos.

Obrigada.

Estou faminta.

Olá.

- Olá, meu nome é Todd. - Prazer, Frankenstein.

Sr Frankenstein, Sra Clay. Sra Clay, Sr Frankenstein.

- Como vai? - Encantado.

Como estão os hambúrgueres?

Não são dos melhores nem dos piores.

- Com tudo? - Depende. O que é tudo?

Mostarda, pickles, tomate e cebola.

- E hambúrguer. - E hambúrguer.

- Cebola? - Cebola.

Cebola. Cebola.

E para beber? Temos cerveja, refrigerante, leite e cidra.

Que tal a cidra? Forte?

Nem tão forte nem tão fraca. Tipo medíocre.

É assim que eu gosto. Duas cidras.

Tá saindo.

- Simpático. - E alegre.

Deve ter uma fazenda, esposa...

...uns vinte filhos. O que mais poderia querer?

Nada.

Que tal comprarmos este lugar e nunca mais voltar para a cidade?

Ele cuida da fazenda e nós da venda.

Ah, clientes.

Como vão? Meu nome é Frankenstein.

- Sou a Sra. Cobal. - Como vai?

- Sra. Gordon. - Como vai, Sra. Gordon? O que desejam?

- Queremos algo para refrescar, - Que tal uma ducha fria?

- Como assim? - Pode ser dupla ou uma para as duas.

- Não queremos duchas, meu rapaz. - Oh, desejam algo para beber.

O que preferem, refrigerante, cidra, leite, cerveja?

- Como está a cidra. - Suave como bochecha de bebê.

Deviam é experimentar o leite.

Nossas vacas além de satisfeitas são paparicadas.

Não consigo decidir entre a cidra e o leite.

- Nem eu. - Senhoras, poderão se fartar.

Que tal leite e cidra meio a meio?

Nunca vi isso.

Claro, acaba de ser importado da Rússia.

É uma bebida russa tradicional.

Na verdade, quando reconhecemos a Rússia, reconhecemos cidra e leite.

- Mas pode dar azia. - Nada disso.

Felizmente contamos hoje com a presença...

...da famosa dieticista russa, Madame Kieveskovitch.

O que acha de cidra e leite, madame?

Achar que ser bom.

Desculpem seu sotaque.

- Passou muitos anos na Suécia. - Assim como seu cachorro.

- Não, não. - Claro, duas cidras com leite.

Olha o que eu encontrei!

Esse jovem está passando bem?

Acho que sim.

Quer dar uma volta no guidon?

Claro que quero.

- Suas bebidas já estão vindo. - Até logo.

Ei, Dill. Lembra quando éramos crianças... Ai!

Pare com isso.

Ei, Dill, pare. Quero saltar!

- Cuidado. Pare. - Não posso.

Vai entender. Talvez eu esteja errado.

Feliz?

Nunca esqueci aquelas centáureas.

- Sabe onde estamos? - Saberia de olhos vendados.

Queria ver quanto tempo levaria para reconhecer estas bandas.

Devemos estar a 2 ou 3 milhas da casa de Paula.

É.

A casa da nossa lua-de-mel.

Vamos parar e dar uma olhada de novo?

Está abandonada. Há meses que ninguém põe os pés.

Nós estaremos lá.

Eu te amo.

Você está bem?

Oh... Onde estou?

- Se machucou? - Não.

Era o que estava precisando. Esqueci do hambúrguer.

Engraçado. Faz pouco a rua ainda estava aqui.

- Batemos em quê? - Acho que foi um recife.

Acho que não tem jeito. Ouvi alguma coisa quebrar.

Parece que foi o cárter.

- E é. - E foi.

- Como pensei. - O quê?

Nade demais. O cárter já era.

- É sério? - Não, mas sangra muito.

Antes tivéssemos a bicicleta agora.

Onde ficaria o povoado mais próximo?

- Não vejo vivalma no horizonte. - Gosta de andar?

Acho ótimo, contanto que me carregue.

- Olha! - Ei! Ei! Ei!

Uma pedrinha de nada.

Não acha um pouco tarde para avisar?

Vamos.

- Desculpe, querido. - Tudo bem.

- Como vai, Sr. Evans? - Como vai?

Não o culpo se não me reconhece. Sou a Srta. Clay.

Sim, e o Sr. Todd.

- O que andaram fazendo? - Andando.

Noite e dia, dia e noite, nem me lembro quando começamos.

Gostaríamos das chaves da casa da Sr.a Langdon.

- Sim, mas... - Vocês as têm, não?

- Sim, mas... - Tudo bem.

Eu assumo total responsabilidade.

Escuta, se não me der as chaves...

...ficarei inválido para o resto da vida. Como vai se sentir então?

Melhor ligar e pedir que seu criado mande logo outro carro.

Ótima ideia. Posso usar seu telefone?

Certamente. Tem um na sala dos fundos.

Oh...

Aqui está, Srta Clay. Estão todas aí.

- Obrigada. - Vieram andando desde Nova Iorque?

Sim. Como está suja!

E de salto quebrado.

Sim, Senhor.

Estou numa cidade chamada Phoenicia...

- Sim, senhor. - Quero que venha me buscar.

Isso mesmo... sim... e...

Johnson...

Amanhã de manhã?

Sim, senhor.

Obrigado.

Estarei aí.

- Era o Sr Todd, Johnson? - Sim, senhora.

- Onde ele está? - Não disse.

Onde ele está?

Phoenicia

Phoenicia, Nova Iorque.

- Parece que vai chover. - Era só o que nos faltava.

Vamos andar mais rápido.

Não correria nem se fosse uma tromba d'água.

- Começou. Vamos correr. - Não consigo!

- Conseguimos. - Queria estar em casa.

Estou com frio, você não?

Não tem luz.

Não?

Importa-se?

Quando me abraça sinto como se estivesse nadando.

Em janeiro.

Estou com frio, você não?

Não muito.

Anda, você acende a lareira enquanto eu vou procurar roupas secas.

Lareira e roupas secas. O que mais se pode querer além de você?

Vai acender a lareira. Estou com frio.

Mary!

O quê?

Eu te amo.

Oh... Seu bobo.

Dill! Machucou-se?

Não, só quebrei a coluna.

Tome cuidado.

Acha que vou cair de novo?

Dill.

Tem fósforos?

Não preciso.

Consigo acender um fogo esfregando dois escoteiros.

Quero me esquentar.

Belas labaredas. Não devia dizer, mas digo.

Dizem que o fogo é presente dos deuses, e eu acredito.

Como é que se prefere, ao ponto ou bem passada?

Escute...

Vai para a cozinha enquanto mudo de roupa.

Quer me banir para a cozinha que deve estar congelada?

Os esquiimós fazem isso metado do ano e você reclama de uns minutinhos.

Se lhe mostrar uma maneira de preservar...

...tanto o calor quanto sua modéstia, posso ficar?

Claro, Sr Einstein.

Agora entendi.

Pronto.

Pronto. Este lado é o vestiário dos meninos...

...e o outro o das meninas.

É a primeira sala de estar mista que conheci.

- Espero que goste. - Tudo bem.

Sente-se e fique sentado.

- Mary. - Hmm?

O que tem do outro lado do biombo?

- Eu. - Isso eu sei.

Quero dizer o que tem desenhado no biombo?

Oh... Eh...

Uma chinesinha.

Uma chinesinha, hein?

Deste lado tem dragões.

A chuva não parece tão forte quando se está dentro de casa.

Não.

- Não, o quê? - Não, não parece.

A lareira também é gostosa, não?

É, ótima.

- Puxa vida! - Vamos, tire esse biombo daí.

Oh, Dill!

Isso me dá arrepios na espinha.

Isso é bom sinal.

Sabe, estou realizando uma das minhas maiores ambições.

- Como assim? - Isto.

Eu e você, uma casa...

Embora não seja nossa casa...

...só tem nós dois aqui.

Tudo me parece muito familiar.

Já vi em algum lugar.

Talvez nos meus sonhos.

Nos seus sonhos, Dill?

Aham.

Sabe de uma coisa?

Tivemos os mesmos sonhos.

Aos oito anos...

...éramos bonecos na minha casa de bonecas.

Mais tarde...

...eu era uma princesa e você um príncipe numa castelo sombrio.

E desde então...

...era eu e você, aqui...

Parece perfeito, não?

É perfeito.

O fogo está apagando.

Já vou reavivá-lo.

O Johnson não deve estar chegando?

- Johnson? - Faz uma hora que o chamou.

Oh, é. Eu sei...

Mary.

Johnson não virá.

Quer dizer que mandou que não viesse?

Não até amanhã de manhã.

- Fez muito mal. - Sei que fiz.

Por que fez isso?

Estragou o que era para ser só diversão e camaradagem.

Talvez tenha sido culpa minha.

Não devia tê-lo visto, mesmo que quisesse muito.

Afinal, não tinha o direito de imaginar que...

Eu sei, eu sei...

Sei mais que isso. Sei que foi burrice, tolice e loucura.

E, se me permite a expressão, vigarice.

Estou ficando famoso por isso.

- Tudo bem. - Façamos o seguinte.

Eu durmo lá fora se você quiser.

Deixa pra lá. Pode até ser divertido.

Quem sabe a casa não é assombrada pelos maridos da Paula?

Então não se importa se passarmos a noite aqui?

Vamos mudar de assunto.

- Que tal comer? - Comida é a única coisa...

Dill, vá vestir uma roupa seca.

O que acha que consegue preparar? Pode ser filé com cebolas?

Vai comer o que tiver.

Olá, gatinho. Pode entrar.

Vem, bichaninho.

Quando vamos comer?

Querido, você está divino.

Acabei de encontrar cobrindo um velho tear.

Por que não sinto o cheiro de carne?

Sardinhas.

Não gosto de sardinhas. Não tem outra coisa?

- Claro. Sardinhas. - Acho que não entendeu.

Mim não gostar de sardinhas.

Escute...

...não tem gás, nem comida ou água ou eletricidade.

Só esta latinha de sardinha, deu para entender?

Se tem uma coisa de que gosto é de sardinhas.

- Foi o que pensei. - Você também é bem saborosa.

Mãos à obra, nada de brincadeiras. Abra a lata, anda.

Até as sardinhas têm que...

- Oh... Deixe-me tentar. - Não, não, não.

Conhece o jogo "Quem está com a sardinha"?

Vê como é simples quando se aprende?

- Está sentindo cheiro de fumaça? - Não. De onde poderia estar vindo?

É fumaça e deve estar vindo da sala.

- Será que a lareira... - Lareira?

Hey. Corre.

Mary!

- Mary, eu... - Dill! Dill!

Tire isso daí, rápido!

É só um tear velho.

- O antigo tear da Paula. - Não tinha lenha nenhuma.

Isso são flores?

Como ia adivinhar onde guardavam a lenha?

Paula adorava aquele tear.

- Estava na família há anos. - Eu compro uma nova.

Ei! Espera!

Está pegando fogo!

Estou em fogo! Estou em fogo.

- Fique quieto. - Estou em fogo.

Sr. Jeffrey Williams.

- Chamada para mim? - Sim...

- E ela diz que é muito importante. - Já vou.

Passe a toalha.

Tudo bem, vou atender.

- Quer que atenda para você? - Não se incomode.

Manda alguém telefonar para mim.

Alô?

Quem? Oh, olá, Paula.

Não, não estou fazendo nada.

O que foi?

O que eu tenho a ver com isso?

Não irei atrás deles, não senhora.

Jeff, querido, você tem que ir.

A moça da imobiliária está louca atrás de mim.

Disse que boa coisa eles não estão fazendo.

Jeffrey, você tem que ir comigo.

Mas a Mary precisa de você.

Precisa de mim tanto quanto de um resfriado.

Sempre banquei a babá para aquela moça, mas agora chega.

Entendeu? Chega.

Mas Jeffrey, pense na Connie.

Vai descobrir e sairá em todos os jornais.

Conhece a Connie.

- Será um escândalo horrível. - Ótimo.

Talvez assim crie juízo.

Não vou!

E assim que resolver meus negócios...

...volto para a Espanha e me meto numa boa revolução.

Cala a boca!

- Só estava cantando. - Acha que é hora para isso?

Sabe-se lá o que vamos encontrar na minha própria casa.

Chegamos.

Espero aqui fora, caso eles pulem da janela.

- O ninho. - Jeffrey, não na frente do motorista.

Tenho as chaves, mas acho melhor tocar ou bater, não?

O procedimento normal é botar a porta abaixo com um machado.

Você está absolutamente insuportável desde que partimos.

- Já é hora de parar. - Pois ainda nem comecei.

Então não faz sentido sua presença.

Estou até arrependida que tenha vindo.

Parece até que fui eu que te chamei.

Mas você é seu amigo mais antigo, são quase irmãos.

- Você é quem diz. - É seu dever.

E aqui estou. Vamos resolver isso logo.

Quem é? Mary, querida, você está bem?

O que está fazendo aqui? Como sabia que ia nos encontrar?

A Sra. Riggety da imobiliária ligou. Não achou bem dar as chaves.

Claro que eu disse que não se preocupasse.

Querida, como pôde?

Acreditou no que aquela fofoqueira disse?

Eu...

Eu não tinha nada que vir, Mary, eu...

- Não queria vir, mas... - Então, por que veio?

Pelo jeito era necessário alguém para lembrar-lhe...

...que Dill tem uma esposa chamada Connie...

...que adoraria espalhar isso em todos os jornais do país.

- Ótimo. Deixa ela. - Oh...

- Entendo. - Além do mais...

- ...o que você tem a ver com isso? - Você é uma idiota.

Uma criança mimada que merece uma surra de vez em quando.

- Você é bom nisso, né? - Você bem sabe.

Isto é muito constrangedor...

...ficarem se agredindo como um bando de marujos.

Mary, você chama o Dill ou prefere que eu o faça?

Ele está na sala dormindo. Toma, dá para ele.

Com prazer.

Seja gentil com ele, Jeff.

Mary e eu esperaremos vocês no carro.

Não se preocupe, o carro do Dill já deve estar chegando.

Vamos embora, não pode ficar aqui desse jeito.

Ei, acorda.

Johnson, vá embora.

Acorda, acorda.

Johnson, vou despedi-lo, eu...

Oh, Jeff.

Estou um trapo.

Que bom te ver.

Trouxe algum médico com você?

- Médico? Para quê? - Porque estou mal. Eu...

Uh...

Estou com queimaduras de terceiro grau.

- Quer ver? Oh... - Não precisa, já vi.

- Parece que passou por um moedor. - Antes fosse tão simples assim.

Tudo começou com o cárter quebrando.

Aí andamos horas e mais horas por milhas e milhas.

Começou a chover.

Isso foi ótimo.

Já andou milhas debaixo de chuva?

Aí chegamos nessa casa velha.

Devia ter cuidado de não me molhar.

Tudo que podia acontecer comigo aconteceu.

Me queimei, me cortei...

E agora estou resfriado.

Puxa vida.

- E a Mary? - Quem?

Oh, a Mary.

Mary está bem. Subiu e me deixou sozinho.

Ela não se queimou nem se cortou.

Deve ter dormido como nunca.

Onde quer que tenha dormido.

Qual é a graça?

Nunca saberá.

Está procurando alguma coisa?

Sim, esqueci uma coisa.

A coisa está lá dentro se vestindo.

Não é o que esqueci.

- Não? - Não.

Esqueci de agradecer por ter vindo.

Já disse que foi por conta da Paula.

Eu sei. Mas você está decepcionado comigo.

Decepcionado? Não sou seu pai. Você conseguiu seu Dill.

- Não é o que eu queria. - Como?

- Não quer o Dill? - Claro que quero, mas não assim.

Ontem eu me enganei.

- Os loucos não se divertem tanto assim. - Você deve saber bem.

Imaginei que pudesse passar por cima das regras...

...mas acho que faço o gênero.

Essa não é a resposta.

Já é alguma coisa. Quem sabe outra surra e...

Encontrarei as respostas sem ajuda sua.

Certo. O problema é seu...

...e nunca mais vou te ajudar. Esta será a última vez que...

- Ótimo! - Está bem!

- Está bem! - Está...

Oh... Minha nossa!

- Espere até eu voltar. - Sim, senhora.

Oh, Jeff...

- O que vamos fazer? - Espera.

Acho que posso dar um jeito.

Ela sabe que estamos aqui?

Por que haveria de vir? A casa não é dela.

Mantenha a pose e cuidado com os golpes baixos.

- Não me deixe sozinha. - Pode deixar.

- Desligou as luzes, querida? - Sim. E também botei o gato para fora.

- Conhece a Sra. Todd. - Claro, que prazer de vê-la.

- Eh... Onde anda o Dill? - Não me venha com essa.

Só perguntei.

Agora é minha vez. Cadê o Dill?

O que ele estava vestindo quando foi visto pela última vez?

Uma corda no pescoço.

Espera, Connie. Dill não está aqui.

Não acha que sendo casado já estaria longe daqui?

Tenho provas. Meu mordomo disse que ele ligou daqui.

Espere, Connie.

Ninguém viu o Dill.

Anda, vamos voltar para a cidade.

Dill. Dilly, vem cá.

Olá, Connie.

- Ora veja, está aqui. - Escuta...

Ora, ora, nos pegou, hein?

Não vejo qual é a graça.

- Me queimei, estou todo queimado. - Não diga.

Ela sabe como se sente, também está pegando fogo.

Jeff, chega de brincadeiras.

Sinto muito, Sra. Todd.

- Pois vai se sentir mais ainda. - Deixe-me explicar.

Quem vai dar exlicações sou eu nas manchetes de todos os jornais.

- Cruzes, não! - Cruzes, sim.

A notícia vai correr o mundo.

Eu já tive um rádio.

Vamos, Shemp, você vai com Mary e Paula.

Connie, pode nos dar carona?

- Temos que conversar. - Vai precisar de muita conversa.

Somos ótimos de conversa. Vamos, Dill.

- Assim, cuidado. - Estou assado dos pés à cabeça.

Entre com cuidado, vamos.

Jeff!

Sim?

- Obrigada. - O quê?

Oh, claro.

- O que você está fazendo aqui? - O que sugere?

Está no carro errado, Shemp.

Tudo bem, levo vocês onde quiserem.

Pode se afastar um pouco. Está no meu lado torrado.

Quando acabar com você estará torrado dos dois lados.

Conheço um aparelho que faz isso.

Olha, olha, é uma vaca.

Certo, Shempy...

Daquelas que fazem "muuu"!

Onde já se viu?

Sra Todd, somos todos amigos aqui.

Assim como numa jaula cheia de panteras.

Se é como ele se sente, imagine eu.

- Não estamos aqui para brigar. - Eu estou.

Ninguém vai tirar o que é meu e se safar.

- Por quem me toma? - Já que perguntou...

Quer ficar calado.

Entendo perfeitamente porque está aborrecida.

Mas sei que podemos resolver tudo.

Somos todos adultos...

...embora admita que Dill parece ter estacionado nos cinco.

- E você, vai bem? - Muito bem, obrigado.

- Eu também. E você, Connie? - Estou fula.

- Mas isso não vai me impedir de... - Connie, isso não vai ajudar ninguém.

Todos sabemos que eles erraram e agiram como adolescentes.

Mas foi só um passo em falso e sei que Dill vai pagar por isso.

Quando diz "pagar", acha que Dill não deve apenas sofrer?

Sei que sofreria se não pudesse garantir o seu futuro.

Generosamente.

Parece que estamos nos entendendo...

...Jeff.

- Obrigado. - Acho que eu também.

- E você, Dill? - Perfeitamente.

Mais forte, Bella. Não estou nem sentindo.

Mais forte e eu te furo.

Mesmo assim não estou sentindo.

Então está em ótima forma para se casar amanhã.

Mary, o mundo está em êxtase e você fica aí sendo massageada.

Cuidei de tudo. O padre ficou tão feliz de me ver de novo.

Está virando um hábito para ele me casar.

Quantas vezes vocês têm que se casar antes de dar certo?

Uma média de três.

Desta vez nada pode acontecer.

Dill conseguiu o divórcio e Connie viajou.

- E nada do Jeff. - Nada.

Deve saber o que está fazendo, mas acho loucura.

Minha vida sempre foi uma loucura.

- Olá, como vai seu reumatismo? - Muito bem, obrigado.

Antes de se curar, o doente toma dose de vírus de tifo só para se certificar.

Escuta, esta é sua última chance. Ainda podemos encher a cara antes da viagem.

Quero ver a Mary.

Na minha opinião, você não vai para a Espanha mas para um hospício.

Jeff, onde tem andado?

- Oh... Por aí. - Estava te procurando.

Mary e Dill se casam amanhã.

- Já soube. - Então por que não veio antes?

- Mary ficou muito magoada com você. - Não diga.

- Olá, Dill. - Oi, Jeff.

- Bela festa. - Nem tanto.

- Esteve fora? - Sim, com Shemp.

- Ótimo. - Então, amanhã é o grande dia, hein?

- Por isso a festa. - Bela festa.

- Está animada. - Mary está por aí?

- Deve estar descendo... - Lá está ela.

- Olá, Jeff. - Olá, Mary.

- Sabia que viria. - Como sabia?

Sabia porque queria que viesse.

Então, aqui estou.

Por que você foi embora?

É uma história comprida.

Não posso contá-la aqui.

- Onde podemos ir? - Vamos entrar aqui.

Desculpe se está zangado comigo, Jeff.

Sente-se.

Não estou zangado.

Mas, Mary...

...cheguei a uma conclusão.

E tenho três recados para lhe entregar.

Vou falar por ordem de importância.

Claro.

Primeiro, parabéns pelo casamento com Dill.

- Obrigada. - Acho que Dill é definitivamente...

...o único homem que você já amou.

E acho que poderá fazê-la feliz. Sei que tentará.

Não poderia ser diferente com você.

Nos amamos há tanto tempo que não pode dar errado.

Conheço-o tão bem.

Por dentro, ele é atencioso e desprendido.

- Tenho certeza que sim. - Mas é mesmo. Especialmente comigo.

Faz daquelas pequenas coisas que significam tanto.

Lembra do outro casamento?

Da sala cheia de centáureas?

Foi o Dill. Típico dele.

É. Imagino que sim.

Agora o segundo recado.

Não haverá nenhum problema no seu casamento amanhã.

Vou para a Espanha daqui a meia hora.

Não tem sentido eu permanecer aqui.

Então eu a deixo com a bênção do tio Jeffrey.

- Por que, Jeff? - O que me leva ao terceiro recado.

Lembra do dia em que voltei da Espanha?

Achava então que iria realizar meu maior desejo.

- Cigarro? - Não, obrigada.

Jeff...

Que desejo era esse?

Sabe...

Nesses 20 anos em que esteve apaixonada por Dill...

...eu estive apaixonado por você.

E há 20 anos espero que se desapaixone para que eu possa me declarar.

Querido, eu nunca soube.

- Acredite. - Claro que não.

Mas é isso.

Não sei o que dizer. O que posso dizer?

Pode dizer:

Adeus Jeff, boa viagem...

...coma bem no navio e não deixe de escrever.

E quanto a você, case-se e seja feliz.

E esqueça que vim aqui hoje.

Só quero um presente de despedida seu.

- Está dado. - Seja feliz.

Me prometa isso.

Custe o que custar...

...seja feliz.

Da minha maneira desajeitada, sempre quis fazer isso por você.

E detestaria ver 20 anos jogados fora.

Bem...

...então adeus.

- Não quero interromper, mas... - Já sei. O navio.

Adeus, Mary.

Jeff!

Eu sou Shemp. Jeff é aquele de terno cinza.

Shemp, ele me ama.

- Ele ama a mim! - Certo, adivinhou.

O que eu vou fazer?

Há muito que tenho pensado numa coisa.

Você nunca chegou a agradecer as centáureas que ele mandou da última vez.

As centáureas?

Jeff?

Está me dizendo que foi Jeff quem as mandou?

Achei que tivesse sido o Dill.

Essa é a resposta.

Sempre foi.

- Qual era a pergunta? - Como é que eu não percebi?

Shemp, como não vi?

Não sei, sou um estranho no ninho.

Oh... Está tudo tão claro agora.

Oh!

Mas não posso magoar ele.

Já aguentou antes, ele aguenta de novo.

Oh... Que tristeza.

Já aguentou antes, ele aguenta de novo.

- Acho que já repeti isso. - Que mais posso fazer?

- Ele aguentou antes... - Escuta.

Mesmo que tenha feito a mesma coisa, que mais posso dizer ao Dill?

- Dill? Pensei que falasse do Jeff. - O que posso dizer?

- Dizer o quê? - Oh... Cadê o Jeff?

Pensei que falasse do Dill.

Tenho contar logo para ele.

- Quem? - Dill! Cadê o Jeff?

Com licença, o Sr Williams não pôde esperar.

Partiu e mandou se despedir.

- Oh... Meu Deus. - Vá pegar o Jeff, rápido.

- Por quê? - Porque vou casar-me com ele.

- Com quem? Jeff? - É...

Oh, sou o homem mais feliz do mundo.

- Corre. - Mas você vem comigo.

- Não. Eu vou contar para o Dill. - Eu conto. Você vai.

Não seria correto.

Você embarque naquele navio. Pier 57, North River...

...no President Hoover. Não, este afundou...

- É um navio, você encontra. - Escuta...

...conte para o Dill e diga que não foi culpa do Jeff.

Quem você disse que amava?

Jeff!

Só falta esquecer quem ela disse.

- Deseja mais alguma coisa, senhor? - Sim, sim.

- Me arranje um casamento. - Sim, senhor.

Não fique parado aí.

- Faça alguma coisa. - Sim, senhor.

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