All language subtitles for Portobello - 1x06 - Episode 6.WEB.EDITH.pt

af Afrikaans
ak Akan
sq Albanian
am Amharic
ar Arabic Download
hy Armenian
az Azerbaijani
eu Basque
be Belarusian
bem Bemba
bn Bengali
bh Bihari
bs Bosnian
br Breton
bg Bulgarian
km Cambodian
ca Catalan
ceb Cebuano
chr Cherokee
ny Chichewa
zh-CN Chinese (Simplified)
zh-TW Chinese (Traditional)
co Corsican
hr Croatian
cs Czech
da Danish
en English Download
eo Esperanto
et Estonian
ee Ewe
fo Faroese
tl Filipino
fi Finnish
fr French Download
fy Frisian
gaa Ga
gl Galician
ka Georgian
de German
el Greek
gn Guarani
gu Gujarati
ht Haitian Creole
ha Hausa
haw Hawaiian
iw Hebrew
hi Hindi
hmn Hmong
hu Hungarian
is Icelandic
ig Igbo
id Indonesian
ia Interlingua
ga Irish
it Italian Download
ja Japanese
jw Javanese
kn Kannada
kk Kazakh
rw Kinyarwanda
rn Kirundi
kg Kongo
ko Korean
kri Krio (Sierra Leone)
ku Kurdish
ckb Kurdish (Soranî)
ky Kyrgyz
lo Laothian
la Latin
lv Latvian
ln Lingala
lt Lithuanian
loz Lozi
lg Luganda
ach Luo
lb Luxembourgish
mk Macedonian
mg Malagasy
ms Malay
ml Malayalam
mt Maltese
mi Maori
mr Marathi
mfe Mauritian Creole
mo Moldavian
mn Mongolian
my Myanmar (Burmese)
sr-ME Montenegrin
ne Nepali
pcm Nigerian Pidgin
nso Northern Sotho
no Norwegian
nn Norwegian (Nynorsk)
oc Occitan
or Oriya
om Oromo
ps Pashto
fa Persian
pl Polish
pt-BR Portuguese (Brazil)
pt Portuguese (Portugal)
pa Punjabi
qu Quechua
ro Romanian
rm Romansh
nyn Runyakitara
ru Russian
sm Samoan
gd Scots Gaelic
sr Serbian
sh Serbo-Croatian
st Sesotho
tn Setswana
crs Seychellois Creole
sn Shona
sd Sindhi
si Sinhalese
sk Slovak
sl Slovenian
so Somali
es Spanish Download
es-419 Spanish (Latin American) Download
su Sundanese
sw Swahili
sv Swedish
tg Tajik
ta Tamil
tt Tatar
te Telugu
th Thai
ti Tigrinya
to Tonga
lua Tshiluba
tum Tumbuka
tr Turkish
tk Turkmen
tw Twi
ug Uighur
uk Ukrainian
ur Urdu
uz Uzbek
vi Vietnamese
cy Welsh
wo Wolof
xh Xhosa
yi Yiddish
yo Yoruba
zu Zulu

Original subtitles

MILÃO 29 DE DEZEMBRO DE 1985

A justiça deste país está grave e profundamente doente.

E nós pedimos uma mudança!

Queremos uma justiça justa!

Justiça justa! Justiça justa!

Digna de um Estado de direito,

de um país civil e democrático.

Justiça justa! Justiça justa!

Justiça justa! Justiça justa!

O Enzo foi homem de palavra!

Não nos desiludiu, não fugiu.

Prometeu que se entregaria, e assim o fez!

É mesmo um combatente radical.

Tinha todas as possibilidades de fugir para o estrangeiro

depois da ignóbil condenação em legítima defesa.

Ninguém podia condená-lo. E não o fez.

Ficará a aguardar aqui, em Milão, em prisão domiciliária, pelo recurso.

Enzo! Enzo! Enzo!

Enzo! Enzo! Enzo!

Caros amigos, serei muito breve.

Como sabem, nas últimas semanas,

afastei-me do cargo de deputado europeu,

renunciando à imunidade.

E fi-lo para começar a construir um país de pessoas sérias

que dizem o que fazem e que fazem o que dizem.

Mas a Itália atual está cheia de cegos que fazem de conta que veem.

Mas aqui, contudo, como continua a dizer o Marco,

não quiseram ver.

Tiveram medo que o reconhecimento da minha inocência

pudesse comprometer a credibilidade

do seu grandioso raide contra a Camorra.

Medo de estarem enganados!

Mas um juiz não pode errar e depois admiti-lo?

Mas eu, culpado apenas de ser inocente,

não tenho medo.

E desafio-os,

entregando o meu corpo com um gesto livre

às autoridades legais.

Enzo! Enzo! Enzo!

És grande, Enzo! Grande!

És o nosso herói, Enzo! És o nosso herói!

- Vemo-nos depois? - Sim.

- Tenho de pôr as algemas? - Não é necessário.

SEXTO EPISÓDIO

Assume proporções cada vez mais graves

o incidente da central nuclear soviética de Chernobyl, na Ucrânia.

Escasseiam notícias da desgraça que pode ter causado imensas vítimas.

A TASS fala em dois mortos.

O receio pela nuvem radioativa que se move pela Europa setentrional

reuniu os ministros dos Negócios Estrangeiros e da Defesa

dos sete países da União Europeia ocidental.

O desarmamento e o terrorismo serão os principais temas do debate.

29 DE ABRIL DE 1986

Nem sequer uma palavra sobre o recurso.

Amor, sejamos realistas. O caso Tortora já não é notícia.

Doravante, sou um cidadão italiano condenado a dez anos,

a 50 milhões de multa

e à interdição perpétua a cargos públicos.

Está sempre lá.

O quê?

A minha condenação.

É o Marmo!

- Bom dia. - Bom dia.

Tudo bem?

Bom domingo. Viva, bom domingo.

Então, deram-te o Tortora.

Viste os documentos?

É um monte de coisas. Estás satisfeito?

Ainda não tive tempo para ver nada.

Só fui nomeado ontem.

Querem o julgamento ao mesmo tempo que o Mundial.

Espero que o termines antes. É um recurso.

Se for para a frente.

A defesa do Tortora pediu a mudança do julgamento para Milão.

Dizem que há dúvidas sobre a competência territorial.

A verdade é que, na minha opinião, não confiam em nós.

Uma jogada de desespero que não dará em nada.

Este recurso não irá para a frente.

E o que achas tu?

Vou estudar este monte de coisas.

- Temos de ser inatacáveis. - Michele?

Os radicais queriam-me morto.

Até queriam que eu tivesse escolta.

É uma situação explosiva. Só para perceberes o nível.

Mas acho que as águas se acalmaram para todos agora.

Ainda bem.

Bom trabalho. Bom almoço e bom domingo.

- Bom domingo. - Adeus, adeus.

MICHELE MORELLO, JUIZ

NÁPOLES, CASTEL CAPUANO ARQUIVO JUDICIAL

- Um gato! - Por causa dos ratos.

Está aqui todo o material do julgamento.

- Como está organizado? - Como? Por arrependido.

Tudo o que o Barra disse, tudo o que o Pandico disse,

tudo o que o Meluso disse,

o Imperatrice, o San Filippo,

o Villa e por aí fora.

São imensos arrependidos.

Não há uma cronologia dos depoimentos?

Que eu saiba, não.

É preciso fazê-la.

Quer mesmo organizar esta porcaria toda?

Vamos começar.

Aos poucos.

Aos poucos.

INTERROGATÓRIOS ESQUADRA PASTRENGO

- Quem é? - Juiz Morello.

NÁPOLES ESQUADRA PASTRENGO

- Boa noite, Sr. Juiz. - Boa noite.

Era aqui que tínhamos os arrependidos e dissociados.

- Todas celas individuais? - Todas, tirando uma para quatro.

Eram imensos arrependidos, era um fluxo contínuo.

Nós e os juízes não estávamos preparados.

Era uma novidade.

Criminosos importantes, homicidas.

Gostava de saber... Conseguiam falar entre eles?

Juiz, isto é uma esquadra, não é uma cadeia.

Adaptou-se temporariamente por necessidade.

Qual era a cela do Pandico?

- As celas estavam sempre abertas? - De dia, sim.

Esta é a sala da televisão.

Se houvesse jogo do Nápoles, viam-no com os guardas.

Ou o Festival de Sanremo ou a missa de Natal,

o milagre de sangue de São Januário.

Eram arrependidos, colaboravam.

Era preciso tratá-los bem.

Não tinham vantagens garantidas nem reduções nas penas,

mas havia pequenos favores.

Queriam ser protegidos, confortados.

Uma vez, antes de um interrogatório,

aquele que matou o famoso gangster Turatello...

- O Pasquale Barra. - Pediu, e recebeu, champanhe.

Venha, venha, siga-me.

Foi para esta sala que trouxeram o Tortora de maca.

Em fevereiro de 1984.

- Certo. - Aqui mesmo.

Estava a falar-me de almoços e champanhe.

Estes arrependidos queriam comer bem.

E o comandante telefonou para o ministério

a dizer que já não havia dinheiro para satisfazer as comodidades deles.

E Di Pietro...

... decidiu pagar do seu bolso antecipadamente.

Depois, quando a instrução terminou,

pediu ao ministério a restituição da soma que tinha antecipado.

E o ministério mandou-o ir passear.

Não tinha sido autorizado.

A Itália é sempre a mesma.

Quem deu, deu. Quem recebeu, recebeu.

Mas havia este milagre que nunca tinha sido visto.

Os membros da Camorra falavam. Imensos.

E portanto tínhamos autorização para lhes dar rédea solta.

Mas na teoria, e também na prática,

todos estes arrependidos e dissociados

podiam ficar de conluio na versão a dar aos juízes.

- Combinar. - Isso não sei.

Mas claro que gozavam de uma certa liberdade.

Liberdade?

Só faltava pedirem para sair para irem comer um gelado

ou para irem dar um passeio para apanharem um pouco de ar fresco.

Mas sem se afastarem muito.

Se estivessem bem, falavam com mais vontade.

É humano, não é? Era esse o objetivo.

Pode-se?

- O Morello não está? - Não, trabalha a partir de casa.

O que é isto?

A cronologia dos interrogatórios.

O que disseram, quando e onde.

- Mas para quê? - O recurso.

O juiz quer fazer tudo do início.

Depoimentos, confrontos entre arrependidos,

testemunhos, tudo.

Estamos outra vez zero a zero.

- Outro julgamento? - Sim.

Já fizemos o julgamento.

Não se faz, não se faz. Não se pode fazer isto.

Eu sou o escrivão. O escrivão não tem culpa.

10 DE JUNHO DE 1986, RECURSO PANDICO CONTRA BARBARO

Portanto, Sr. Barbaro,

o aqui presente Giovanni Pandico

declarou ter sido intermediário entre si e o Enzo Tortora

durante uma reclusão comum vossa

para negociar uma entrega de droga.

- Mas qual droga? - Os famosos panos.

Aqueles que, como diz o Sr. Pandico,

corresponderiam a outras tantas entregas de droga.

Não, é mentira, Sr. Juiz.

Desculpem.

Estão a fotografar a Sra. Nadia Marzano e o Renato Vallanzasca.

Parece-me que é proibido.

Retirem o fotógrafo.

Faça favor.

Sr. Juiz, é mentira.

Este homem, vossa graça, mente sabendo que mente.

- É a mentira em pessoa. - Eu digo a verdade.

É ele que mente. E não é por maldade, é porque...

É louco.

Cosi esses panos com as minhas mãos.

Cosi-os um a um à tua frente porque eras obcecado pelo Tortora.

Sr. Juiz, ele odiava-o.

Fazia-lhe espécie.

Desculpe, Sr. Barbaro, o que quer dizer com fazer espécie?

- Espécie. - Está bem, mas diga-o ao juiz.

Invejava-o, tinha inveja dele.

Um dia, era amigo; no outro, era inimigo.

Dizia que comunicava com ele por pensamentos.

Telepatia e coisas malucas, estava sempre a dizer-me isso.

Dizia que se ouviam de longe, todo esse género de coisas.

Entendo.

Mas, Sr. Barbaro,

mandou esses panos para o Tortora ou não?

Claro que mandei. E o Tortora até me respondeu.

Alguém deu a entender que fiz uma extorsão.

Mas a RAI ressarciu-me. Vocês até têm o recibo.

Entenda, Sr. Presidente, quiseram manter as aparências.

Mas por trás das aparências, há outra verdade.

Estou a repeti-la pela milésima vez.

Tu entregaste droga várias vezes ao Enzo Tortora.

E quando? Quando fiz isso? Nem sequer pertenço à Camorra.

Quando? Naquele período lá, nos anos 70 e 80.

- É tudo falso. - Claro que é falso!

Nesse período, estava na cadeia.

Aliás, queríamos que o Sr. Barbaro

dissesse em que período esteve preso em Porto Azzurro.

Protesto.

O doutor está a tentar condicionar a testemunha.

Chega! Que tem isso a ver?

É preciso ver a substância, não a forma do Direito.

A verdade humana desta situação dolorosa.

Desta conversa inútil.

Obrigado pela lição, professor.

A testemunha pode continuar, obrigado.

Estive detido em Porto Azzurro de 72 a 81, podem confirmar.

Como podia entregar droga se estava na cadeia?

Não podia entregar nada a ninguém.

Que isto venha em ata, por favor.

Parabéns, doutor! Só porque estudou acha que sabe tudo.

Que incompetentes! Fazias as entregas nas licenças.

Sempre fui escoltado nas licenças.

Como fazia isso? És um mentiroso!

- Este é capaz de tudo! - Mentiroso!

Ele casou-se com a mentira!

Já eu abracei a verdade, o bem comum e a justiça.

Estás aqui sentado, mas não estás. Tu não existes.

Mas tu és louco. Estão a ouvi-lo?

- O que dizes? Não estou aqui? - Tu já não existes.

O teu ser desapareceu.

Como assim? Estou aqui. Tu és louco e mentiroso.

Já não existes. Percebes? Já não existes.

Tu não estás bem. Ouvem-no?

Tens 30 segundos de autonomia.

APRESENTA UM QUADRO COMPATÍVEL COM ESQUIZOFRENIA

ASPETOS MITÓMANOS

DELÍRIOS

DESFASAMENTO DA REALIDADE

ESQUIZOFRENIA

PARANOIA

MITOMANIA

Mas aqui não está escrito que o meu filho pode ter invalidez.

Minha senhora, o seu filho tem 30 anos. Tem de trabalhar.

- Mas não está bem. - O que tem ele?

- Não se consegue levantar. - Educação e democracia.

Depois de 15 minutos, é preciso dar a vez.

- Por favor, minha senhora. - Faça favor.

Giovanni Pandico. Quero outra cópia da certidão de nascimento, por favor.

Mas já tem a certidão. Porque quer outra?

Esta tem uma dobra.

E outra aqui.

Quanto tempo demora?

Próximo.

Incompetência, preguiça...

Essa arrogância entediante. Mas eu em relação ao tédio...

Socorro!

Sra. Marzano, pediu para ser ouvida.

O que nos quer dizer?

Sim, portanto, eu...

Queria dizer o que não consegui dizer no outro julgamento.

Porque não conseguiu dizê-lo? Lembrou-se de repente?

Tive medo e fiz-me de louca.

Funciona sempre.

Ninguém percebe nada da loucura.

Não! Tu és mesmo louca!

- Silêncio! - Sr. Presidente, por favor!

- Esta senhora é psicopata! - Barra, silêncio!

- Devia ser internada! - Barra, silêncio!

Devia estar num manicómio!

- E o que é isto? - Silêncio, Barra!

E tinha medo de quem? Do quê?

O Pasquale Barra ameaçou-me, disse que não devia contradizê-lo.

Que tinha de dizer tudo o que ele tinha dito.

Caso contrário, matava-me.

Matar, para ele, é uma brincadeira.

Um homicídio a mais ou a menos...

Para ele, matar é como...

... pisar uma barata.

- De cor preta, Sr. Presidente. - Pandico, não interrompa.

E o que quer dizer? As baratas são todas negras!

Para não a confundir com o escaravelho.

Acabo de ler "O Escaravelho de Ouro" de Edgar Allan Poe.

- Um livro muito particular. - Chega!

Obedeço, vossa graça.

Guarda, é mesmo uma boa história. Recomendo.

E então, Sra. Marzano?

E então...

O Enzo Tortora não se afiliou na minha casa.

Em 1978, eu estava em Madesio com o meu filho.

Nem um ano tinha.

E há um contrato de arrendamento pela casa de Milão a partir de 1979.

A casa não estava pronta antes.

Não estava habitável.

Portanto, não houve qualquer afiliação.

Em minha casa, não.

Escrivão, anotou?

O doutor é obcecado pela hipótese de o escrivão não anotar.

Porque na primeira fase aconteceu muito.

Com o pretexto de a senhora estar confusa.

Mais uma lição do professor.

Minha senhora, de plena lucidez, confirma tudo o que disse até agora?

Sim. Confirmo tudo.

Obrigado. Pode ir.

Mesquinha!

A criança? Cresceu?

Ficou bonita como tu?

Muito bem, Nadia.

Sr. Presidente, parece-me claro como isto vai acabar.

Em vez de julgarem os acusados, julgam os arrependidos.

Já ouviram um monte de pessoas

que recuaram ou mudaram de versão a favor do Enzo Tortora.

E sabem porque o fazem?

Porque têm medo.

Também tentaram comigo.

Disseram para tirar as acusações contra o Tortora,

mas apesar de todas as pressões, Sr. Presidente,

estou aqui e confirmo de novo tudo o que já disse.

Ou seja, que o Enzo Tortora trabalhava para o Francis Turatello!

Repito tudo de início. Já não tenho nada a perder.

Isto é que é um homem!

Silêncio!

Silêncio nas celas!

Silêncio!

O Meluso é um herói! É preciso ter respeito!

Silêncio!

Um herói analfabeto.

O acusado Vallanzasca pediu um confronto consigo.

Aceita o confronto?

Como quiser, Sr. Presidente.

- Mas não sei o que ele quer de mim. - Provar que és um aldrabão!

Não tenho medo.

Acompanhem o Vallanzasca.

Vamos ouvir como um homicida,

assaltante de bancos e raptor me quer incriminar e porquê.

Vamos ouvir. É o bom do direto.

Sacana!

Mato-te!

E isto não é uma promessa. Faço-o mesmo.

Percebeste, Renatinho?

- Vai-te lixar! - Filho da mãe!

Não tens vergonha de estar preso com quatro da Camorra?

Vai pavonear-te!

- Renato, pensa na tua mãe. - Mete-te na tua vida.

Tens uns lindos olhos azuis.

Ou são azuis-claros? Não se percebe.

És tão bonito, Renato. Pareces um príncipe francês.

És mesmo bonito.

- O que aconteceu, Sr. Vallanzasca? - Não aconteceu nada.

- Queriam falar comigo. - Então, fale connosco.

Primeiro, quero dizer que não tenho nada com a Camorra.

Fui arrastado. Como este senhor aqui.

Primeiro, mete-me na NCO

e depois diz que recebeu droga do Turatello para o Tortora.

É tudo falso. O Meluso nem conhecia o Turatello.

És um fala-barato de merda! Têm uma foto juntos!

Silêncio! Silêncio!

- Gianni. - Renato.

Diz-me quando conheceste o Turatello.

Não me lembro ao certo.

- Não te perguntei o dia. - Não me lembro.

Não faças como o Tortora, que queria saber a cor das meias, da gravata.

Gianni, não fujas à pergunta.

Não me confundas com o Tortora. Eu não sou como ele, percebeste?

- Vou lixar-te à frente de todos! - Sr. Vallanzasca!

Meça as palavras, não estamos no mercado.

Gianni,

tu não sabes de nada sobre droga em Milão.

Em Milão, só serias ladrão de galinhas, assaltante de velhotas

ou chulo daquelas quatro raparigas que obrigavas a trabalhar nas ruas.

Só podias fazer isso porque és um prostituto.

Gianni Belo, Giani Cha Cha Cha.

O que queres de mim, Renato?

- O Turatello tinha uma tatuagem. - Uma tatuagem?

Na mão esquerda.

O que mostrava essa tatuagem?

É este o trunfo do Vallanzasca? Uma tatuagem?

Uma tatuagem. Que tatuagem era?

Não te lembras? Até te ajudo, caramba.

Era um animal.

Um animal que fez no reformatório.

- Aonde queres chegar? - Que tatuagem era?

Deixa-me responder! Estás sempre a falar por cima!

Sabes que mais sobre essa tatuagem? Nem tu sabes o que era.

Que tatuagem era, Gianni? Não me faças perder tempo!

Que tatuagem era? Fiz-te uma pergunta.

Que tatuagem era?

Bem, Sr. Presidente, nunca reparei nessa tatuagem.

Aliás, que fique escrito que eu nunca a vi.

Muito bem, o assunto está fechado.

Tatuagem enorme na mão esquerda e ele nunca a viu.

Sabes porque nunca a viste?

Porque o Turatello tinha-te a dez metros.

Nem lhe podias dirigir a palavra.

- Não é verdade! Por favor! - Gianni! Gianni!

Agora vem a parte difícil.

Presidente, o Turatello tinha uma mulher.

Quem era a mulher do Turatello?

Como se chamava?

Como era? Alta? Baixa? Loira? Morena?

Como era?

Disseste que o conhecias bem. Diz-me como era.

A verdade é que não sabes nada.

Já te topei.

Fazes isto para defender o Tortora.

- Que me importa o Tortora? - Sim, estás a fazê-lo.

- Por uma questão moral, por missão. - Gianni!

- Sr. Presidente? - Sim?

O Meluso disse que ajudar a defesa de Tortora é uma questão moral.

De princípio. O princípio da justiça.

É uma missão voluntária.

Uma confissão, uma verdade.

Obrigado, Meluso, por deixar escapar isso.

Eu disse isso?

O Renato Vallanzasca, por amor à verdade,

porque não consegue aceitar que um inocente volte a ser preso,

depôs contra um falso acusador.

E envergonhou-o em público, desqualificando-o.

Mas não acaba de dizer que não quer saber do Tortora?

Aliás, literalmente, "porra nenhuma".

Não comento, presidente.

Presidente...

Nem ele conhecia o Turatello. Por favor!

És mesmo estúpido, Gianni.

Sr. Presidente,

a tese da Defesa é que o Pandico é louco e, portanto, totalmente falso.

Um louco falso.

Mas não é punível.

O Pandico nunca procurou essa escapatória.

Ele declarou-se corréu.

As suas confissões agravaram a sua posição pessoal.

O Pandico nunca usou o escudo da loucura.

Mas... Mas mesmo que fosse louco,

a loucura não é um estigma perpétuo.

A loucura muda.

É mutável.

E temos de admitir, todos temos um pouco de loucura,

que por sorte somos capazes de controlar.

É essa a diferença.

Portanto, o Pandico até pode ter sido louco,

mas hoje temos de reconhecer que mudou.

Está lúcido e nunca se contradiz.

E quem mente mais tarde ou mais cedo contradiz-se.

O Giovanni Pandico nunca se contradisse!

Paranoico? A história está cheia de génios paranoicos.

Exatamente, é isso mesmo.

Como Torquato Tasso, que convido todos a lerem.

Ou o grande escultor napolitano Vincenzo Gemito,

que se internou voluntariamente num manicómio.

Ou seja, todos grandes artistas.

E até o Sr. Procurador talvez seja um pouco paranoico.

Sim, sim, claro. Também me incluo.

Pandico, não interrompa o procurador-geral.

Peço desculpa, vossa graça. Não me consegui conter.

E o Meluso?

Loucura não é com ele.

Ou acreditam ou não acreditam no Meluso.

- Isso. - Se não recorda certos pormenores

sobre os encontros com o Tortora ou sobre a vida privada de Turatello,

isso dá mais peso às suas palavras.

Se tivesse inventado tudo, ia preparar-se melhor.

Teria todos os pormenores que a opinião pública tanto adora.

E os juízes também.

E ainda temos sete arrependidos a confirmar as suas declarações.

Sr. Presidente,

membros do tribunal,

o Enzo Tortora não é um vendedor de morte.

E isto é a novidade que quero introduzir.

É importante, não? É apenas um colaborador da Camorra.

Reconheço essa atenuante importante.

Mas o Enzo Tortora, não se ofenda,

é um mentiroso!

A mentira é-lhe natural!

O Enzo Tortora é aquele rapaz que nas férias do verão

mente que viu Nossa Senhora para poder prolongar as férias,

demonstrando...

... uma imaginação,

uma despudorada determinação

que eu até reconheço no Tortora de hoje.

A outra parte, a mentira, foi necessária

para poder conservar a celebridade que conseguiu com grande esforço.

E foi necessária

para poder manter a sua parte quotidianamente.

Tinha de mantê-la quimicamente!

É por isso que o considero mais um consumidor.

Mas um ávido consumidor.

"Snifava como um louco!" Está escrito no depoimento.

Mas não um traficante.

Conclua, por favor.

O meu pedido é o seguinte...

Não o absolvam!

Salvar o Tortora significa não acreditar no Pandico, no Meluso e no Barra.

E portanto,

absolver todos os acusados.

Sr. Presidente, absolva todos ou nenhum!

A lei é igual para todos!

Não tem escolha.

- Assim está bem! - Muito bem, doutor!

- Olá. - Olá.

- Olá, Tulio. - Olá.

A central nuclear de Chernobyl alberga quatro reatores,

de mil megawatts cada um, em dois edifícios.

Não te fartas?

Não.

Como vão as coisas?

Acabámos. Agora é a nossa vez.

E?

O Tortora é inocente.

Mas não era da Camorra?

O Barra arrepende-se e não fala no Tortora.

O Pandico arrepende-se e não fala no Tortora.

Só o faz depois de o procurador

lhe mostrar o nome do Tortora na agenda da parceira do Puca.

E não era Tortora, mas Tortona. E tinha um número de telefone.

Nenhum indício. Nada.

E só depois de o Pandico ver a agenda

é que confessa que o Tortora pertence à Camorra.

E atrás dele vai o Barra, no décimo oitavo interrogatório.

E depois uma avalanche de confissões,

arrependimentos e até invenções.

Aliás, no julgamento, nenhuma acusação vingou.

Nenhuma prova ficou de pé.

Mas porque é que quase todos os juízes

do tribunal de Nápoles, nos quais me incluo,

acreditaram em criminosos que mentiam sem pudor

sem terem a mínima dúvida

sobre o seu arrependimento?

Os juízes estão de tal maneira habituados ao silêncio,

a que não digam uma palavra,

que quando um homicida da Camorra

sem pedir nada em troca, aparentemente,

confessa, fala, diz nomes, relata factos,

bem, para um juiz, isso parece um milagre.

Como é possível?

Uma confissão dita e anotada por uma testemunha que se diz corréu?

Juntamente com muitas outras.

Mas de que adianta para eles esse maldito indício?

Eu acredito em ti. É um ato de fé, é uma libertação.

E se o Tortora é inocente, vai ser solto?

Vais dizê-lo em câmara de conselho?

12 DE SETEMBRO DE 1986

A Acusação terminou.

Portanto, acabámos.

Se o Ministério Público,

os advogados da parte civil ou qualquer acusado têm algo a dizer,

podem fazê-lo agora antes de nos reunirmos em câmara.

Eu.

Vamos ouvir.

- Anoto? - Sim, anote.

Não os desafies.

O amor-próprio do juiz não tem limites.

Sem lições.

Sr. Procurador-geral,

uma coisa entre tantas feriu-me neste último julgamento.

E é a última transformação que sofri graças a si.

Já não sou um cínico comerciante de morte,

não sou um fraco, mas um tolo

que se deixou enganar porque tinha pouco dinheiro.

Queria dizer já a este tribunal

que se eu me pusesse a traficar, num momento de fraqueza,

quilos de droga como foi dito neste julgamento,

não me consideraria fraco, mas um criminoso.

E é por isso que não venho pedir uma redução da pena.

Se me considerarem culpado, deem-me trinta anos.

E também vi, Sr. Procurador,

que foi remexer o lixo das revistas de há trinta anos.

É verdade, sim.

Numa entrevista, contei que, em rapaz,

no longínquo ano de 48, imagine,

eu e uns amigos divertimo-nos a dizer que vimos Nossa Senhora numa gruta.

Uma brincadeira audaz, admito,

mas não sei se o senhor alguma vez foi jovem.

Espero que tenha sido.

E o senhor tira uma conclusão deste episódio.

Se fingia ver Nossa Senhora quando era rapaz,

o Tortora deve ser mentiroso para sempre.

Portanto, pode ser da Camorra.

Um homem de mil caras.

Bem, Sr. Procurador,

penso que seja muito menos grave fingir ver Nossa Senhora

aos 18 anos, por brincadeira,

do que acreditar, como o senhor acredita,

no Giovanni Pandico.

Esquizofrénico e homicida.

Ou no Meluso.

Assaltante e aproveitador de prostituição.

Ou no Barra.

Atroz homicida em massa.

E fazer destes homens heróis!

Portanto, neste julgamento,

eu não fui um acusado a julgar.

Em alguns momentos, digo-o com um arrepio,

tive a sensação de ser um inimigo a esmagar,

porque este homem fraco,

desde o primeiro dia ousou gritar a sua inocência,

porque este homem fraco perturbou o vosso dogma

segundo o qual ou se é irredutível ou se é arrependido.

Mas também se pode ser irredutivelmente inocente.

Paguei duramente esta diversidade com uma pena de dez anos.

Por causa da Camorra? De droga?

Não me ofendam de novo, peço-vos, por lesa-majestade.

E tenho de concluir dizendo que tenho confiança.

Mas devolvo a pergunta.

Vocês teriam confiança?!

Digo-vos que estou inocente!

Grito-o há três anos!

Gritam-no os documentos,

gritam-no os factos que surgiram nestas audiências.

Eu estou inocente!

Espero do fundo do coração que vocês também o sejam.

Obrigado.

Podia ter-nos poupado esta.

A audiência está encerrada!

Esplêndido.

Próximo.

Tortora, Enzo Claudio Marcello.

De pé.

A audiência vai começar.

15 DE SETEMBRO DE 1986 LEITURA DA SENTENÇA

Em nome do povo italiano,

o Tribunal de Recurso de Nápoles, secção penal 5,

ao abrigo do artigo 523 do Código Penal,

sobre a pena do Tribunal de Nápoles de 17 de setembro de 1985,

recorrido ao Ministério Público e ao procurador-geral pelos acusados,

que não enumero todos por questões de brevidade,

absolve por não ter cometido o facto Salvatore San Filippo.

Absolveram-me!

E Giovanni Meluso.

E absolve os seguintes acusados, já condenados.

Vincezo Atraus, Mario Corino, Gerardo Mandado, Nadia Marzano,

Santo Tucci, Renato Vairano, Renato Vallanzasca.

E confirma as condenações recorridas

e condena os acusados a pagar as despesas de processo.

A saber, Roberto Mario, Domenico Donnarumma,

Franco Matano, Tommaso Matrone, Giovanni Pandico...

"Na nona estação, Jesus diz pela terceira vez."

... absolve por não ter cometido os crimes anunciados

ao abrigo dos artigos 416 e 416B do Código Penal,

e porque o facto não mantém o crime anunciado ao abrigo 71,

os seguintes acusados já condenados:

Aniello Cozzolino, Riccardo Cozzolino, Simone Cozzolino,

Anna Mariniello, Luigi Moccia e Enzo Claudio Tortora.

São todos da Camorra!

Juiz? Juiz, quer comentar?

Condenámos quem tinha de o ser e absolvemos quem tinha de o ser.

Esta sentença histórica é para nós a justiça justa.

Confio na omnisciência de Deus apesar da falácia dos homens.

Sim, estou muito satisfeito, mas a verdade é esta.

O Tortora é da Camorra!

Deus vê-vos. Está a olhar-vos neste momento.

Esperem, quero dizer...

O Estado tem de nos defender! Tem de nos ajudar!

Merda! Merda! Merda!

Vem cá! Quero fazer uma declaração!

Itália levantou-se!

"Chorem, crianças inocentes.

"Antes adormecidos, mas honestos.

"Nesta terra, um vento furioso

"está a destruir bosques e florestas.

"E o céu cinzento e ameaçador.

Preparam-se tempestades terríveis."

Porque ri?

Não, não estou a rir.

- Isso era Pascoli? - Pandico.

Um Giovanni na mesma.

- Parabéns. É muito bonito. - Obrigado.

Para si.

O que está a fazer? Não é permitido.

Vê-se que é um jovem inteligente. Quantos anos tem? 25? 26?

- 24. - Com a sua idade, já estava preso.

Para estar tanto tempo na prisão, é preciso ter interesses e amigos.

- Por favor, não se pode. - Não se poderia.

Se eu pedisse algo em troca. Mas não peço nada.

Apenas homenagear um amante da poesia.

- Isso, não se irrite. Não me ofenda. - Não, não...

Nunca.

O guarda é corrupto!

Tirou-me o relógio!

Quero falar com o diretor! Diretor!

O guarda é corrupto!

Chamem o diretor! Diretor!

MILÃO 20 DE FEVEREIRO DE 1987

Portanto,

onde é que tínhamos ficado?

Podia dizer imensas coisas, mas vou dizer poucas.

Vão permitir-me uma.

Muitas pessoas viveram comigo,

sofreram comigo,

nestes anos terríveis.

Muitas pessoas deram-me o que podiam.

Por exemplo, rezaram por mim.

Nunca esquecerei isso.

E este agradecimento

a estas pessoas boas

têm de mo permitir. Aliás, já o fiz.

E acrescento uma coisa.

Estou aqui, eu sei,

também para falar em nome de quem não pode falar.

E são muitos. São demasiados!

Eu estou aqui, estarei aqui,

também por eles.

E agora,

vamos começar exatamente como fazíamos antes.

Aqui está ele!

Acompanhado pelas notas da marcha triunfal de "Aida"!

Bem-vindo! Bem-vindo!

Bem-vindo, comandante. Vem num passo acelerado.

Talvez já tenham percebido de quem se trata.

É o nosso Portobello!

O símbolo da nossa transmissão!

Bem, Portobello, queres sair?

Aqui está ele! Aqui está ele finalmente!

O Portobello voltou ao seu lugar.

Queremos começar a sério.

E queria começar com um convidado.

Um convidado que estimo muito.

Uma senhora que, no passado,

não consegui reparar na dor profunda nos seus olhos.

Queria que recebessem com um belo aplauso,

senhoras e senhores, a Aurora.

O seu nome é um lindo auspício,

mas a partir de hoje vamos tê-la como convidada fixa

e vamos chamar-lhe a Rapariga Misteriosa Que Chora.

- Enzo, não tenho palavras. - Esperem, festejamos depois.

- Enzo? - Deixem-no estar.

Fez-me chorar, obrigado!

Não me perguntas como correu?

Como correu?

Muito bem. Um grande sucesso.

Anna, é mesmo a última temporada.

Já não consigo fazer este programa.

Espera.

Não mudarei de ideias.

E já sei como acaba.

Como assim?

Nada de trágico.

Uma mudança.

- Enzo, está tudo pronto. - Vou já.

Papá? Vens?

Já vou, já vou.

Foi assim.

Já não consigo jogar.

Aqui estamos nós.

Desculpem interromper a vénia,

mas espero que a câmara nos apanhe, chegámos agora mesmo.

Trazemos crianças que representam todas as partes do mundo.

Uma chuva miúda que por sorte está cada vez mais fraca,

um público afetuoso que esta noite está em volta...

Quero a câmara 15.

Um abraço aos milaneses que nos trouxeram com afeto

os seus animais, grandes e pequenos.

E é neste ambiente insólito,

junto às escadas da arca...

Estávamos à espera para meter o camelo na arca.

Vamos deixar entrar o camelo.

Devagar.

Acho que tenho de agradecer a tantas pessoas

que prolongaria imenso este programa.

Mas o imenso público que acompanhou este programa durante anos

tem de ter a nossa gratidão.

Obrigado à minha irmã Anna e ao Angelo Citterio,

que foram os autores deste episódio especial de sexta.

Obrigado a Gigliolia Barberi, ao canal Rai 2

e a todos os que com o seu trabalho, a cada sexta-feira,

construíram esta história.

História de pessoas, história de gente.

Enzo Tortora morrerá onze meses depois.

Aos 59 anos.

FIM

www.tvsubtitles.net

Can't find what you're looking for?
Get subtitles in any language from opensubtitles.com, and translate them here.