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BASEADO NUMA HISTÓRIA VERÍDICA
BERLIM 2004
- Belos óculos. - Obrigado.
Ter óculos pode causar um complexo de inferioridade.
Mas a mim não.
Para mim, é mais uma questão de estilo.
Acho que me ficam bem.
És mesmo modelo, não és?
Sabes o que dizem os jornais?
Acredita em tudo o que lê nos jornais?
Não.
Eu não, mas o procurador acredita.
São provas circunstanciais.
Há imensas.
Melanie, nos assaltos um de vocês estava sempre no banco.
Não sabia que nos tratávamos por tu.
Desculpe, Sra. Hübner.
Sei o que mexe com as pessoas.
Não tem ar de quem precisa disto.
Um registo criminal porá fim ao seu estágio.
O empréstimo para a sua bela casa, o seu carro.
A subscrição do ginásio do seu namorado.
Desculpa, do seu noivo.
A sua dolce vita...
Sabe o que mexe com as pessoas?
Tome. Não preciso disto.
- Não me sinto bem. Chame um médico. - Não. É psicossomático.
Expire fundo. Ajuda.
Não tem nada!
Quer dizer-me alguma coisa?
Isto é um jogo.
Veremos qual de vocês vai confessar primeiro.
Isso será vantajoso em tribunal.
- Que se passa? - Preciso de um médico.
Precisa de um psicólogo.
E eu sou o melhor.
Também o quer.
Que tudo rebente na vossa cara.
Para afetar mesmo o seu pai. Primeira página.
É a sua oportunidade. E eu ajudo-o.
Fazemo-lo juntos. Prometo.
Vá lá, miúdo. Estou aqui. Prometo.
Olá! Olá!
- O quê? - Quanto tempo vou ficar aqui?
Para trás.
- Esta barulheira é mesmo irritante. - Quanto tempo vou ficar aqui?
Fica em espera. O Sr. Kramer está a interrogar os seus associados.
Se mudou de ideias e quiser fazer uma declaração,
faça favor. - Não tenho associados.
Acho que eles não pensam assim, Sr. Arslan.
Uma confissão. Assume a culpa. Deixamo-los ir.
Então, divirta-se.
Olá, pai.
Pai, este é o Peter.
Olá, sou o Peter.
Olá. Muhammed.
Eu e o Peter estudamos juntos.
Estamos a pensar em ir para Greifswald.
Querem um gelado?
Claro.
Também trabalhei ali à esquerda.
Por 3,50 marcos à hora.
O quê? Não gostas?
Não, gosto. É muito bom.
- Çok güzel! - Para um gelado, dirias:
Çok lezzetli.
- Çok... - Lezzetli.
- Lezzetli. Çok lezzetli. - Muito bem, Peter.
Pai...
O Peter perguntou se traí o Yusuf.
Peter, sabes com quem estás a lidar?
Somos uma família anatoliana. Não nos traímos.
Traíste?
Sabes como é o Yusuf.
Escola,
limpeza em casa, ajuda com as explicações do Soner.
Tudo.
Dás-lhe uma tarefa e sai uma solução.
Todo o teu dinheiro?
Todos os trabalhos de férias? Todas as tuas poupanças?
Gastei o resto em comida.
Tudo para ficares bem visto aos olhos da mãe.
Para voltarem um para o outro.
Onde arranjaste isso?
Onde arranjaste o dinheiro?
Soner, onde arranjaste o dinheiro?
Encontrei-o numa caixa de sapatos.
Soner!
- Queres explicar isto? - Temos muito mais.
Montes e montes!
Selda!
Posso explicar.
- Ouve... - Não quero ouvir.
O restaurante do pai. É a única opção!
Perdeste o juízo? Que acontece se fores apanhado?
Assalto a um banco? Estás louco?
Queres que o bairro inteiro saiba?
Quero saber tudo.
Só quando o pai tiver dinheiro para a mãe perceber que não é um falhado.
Se não parares agora, vou à Polícia.
- Não posso cancelar o de amanhã. - Amanhã?
Vai!
Arranca!
E foste à Polícia?
Pensei que podia fazer um acordo com o banco.
O chefe dele.
Para que tu e a mãe não tivessem um desgosto.
Devias tê-lo visto.
Naquele fato. Dentro daquele banco.
Completamente deslocado.
E aqui está o plano poupança da hipoteca.
- Hipoteca? - Plano poupança da hipoteca.
Em que posso ajudar?
Quero falar com o gerente.
Não, não é muito dinheiro.
Com o plano poupança da hipoteca, a quantia aumentará rapidamente.
A quantia vai continuar a aumentar?
Sim, assine aqui, por favor.
Preciso de outra assinatura sua.
E depois enganar pessoas. Pessoas como tu, pai.
Este é o formulário de cancelamento. Assine quando estiver em casa.
Confie em mim.
Quer que lho devolva?
Querem enganá-lo aqui.
Ao vê-lo assim,
sabia que não o podia denunciar.
Obrigado, meu filho.
Que Alá te proteja.
Ele é o melhor irmão que podias desejar.
- Não o traíste? - Não.
Como pôde ser tão burro e fazer algo tão estúpido?
Dizes sempre que ele pensa bem nas coisas.
Ele devia saber que isto lhe ia sair pela culatra.
Se tivesse pensado bem...
Espera.
Quando lhe ligaram por causa da detenção...
Está um envelope debaixo da secretária. Abre-o.
- Eu sei... - O quê?
Eu sei quem o traiu.
Olá?
Que se passa?
- Olá, sou o Peter. - Olá.
- E então? - Certo.
O Yusuf não ficou surpreendido ao ser preso.
Como se estivesse preparado.
Daí o cartão de visita.
Como podia saber que o iam denunciar?
Porque é típico do Yusuf.
Isto é a cara dele.
- Ele assume tudo. - Assume o quê?
A responsabilidade. Como vocês.
Ele fez asneira e agora tem de pagar por isso.
Estás a dizer que ele se traiu a si mesmo?
Já foram todos presos.
Vamos fazer o que combinámos agora. Posso contar consigo?
Sabias que isto ia acontecer.
Quase tudo.
UM MÊS ANTES DA DETENÇÃO
Só quando o pai tiver dinheiro para a mãe perceber que não é um falhado.
Isso acaba agora. Ou vou à Polícia.
- Não posso cancelar o de amanhã. - Amanhã?
Ainda és meu irmão? Estás a estragar tudo!
São meus amigos! Também têm famílias!
Pensa em algo ou vou à Polícia.
Tens tido sorte até agora.
Se isto está assim tão bem pensado,
pensa em como te vais safar.
Acabamos a cerveja e vamos comer qualquer coisa.
Ao fim de semana, vamos ao cinema ou ao teatro.
Gostava muito.
Mas não vou comer contigo, ou ao cinema ou algo assim,
se não parares com isto.
Gostaria de falar contigo a sós por um momento.
Com licença.
O Borchert tem algo interessante para dizer.
As finanças da tua comunidade não estão bem.
A maior parte do dinheiro é enviado para casa, dinheiro sujo.
Ele diz que tem um pé na porta e é você que a abre?
O Sr. Borchert é um idiota que explora as pessoas.
Temos de falar.
Podemos ir para outro lado?
Sim. Está tudo bem? É por causa do Malte?
Vem comigo.
- Que se passa? - Não faço ideia.
Não acredito.
Crianças a assaltar bancos.
Quem pensas que és? O que me impede de ir à Polícia?
A situação descontrolar-se-ia.
Como pode estar menos controlada do que isto?
O meu filho anda a assaltar os meus bancos.
Sabes que podes destruir o banco com esta história?
Pensando bem, porque não?
Pensei numa coisa.
É um pouco mais complicado do que um assalto a um banco,
porque há algumas incógnitas. Mas pode resultar.
Mas fica entre nós. O Malte também não pode saber.
Finja que o está a ignorar, como sempre.
Aconteça o que acontecer, tem de parar.
E o banco, eu e o Malte temos de sair dele ilesos.
Mas não suporto ter de confiar em ti.
Não tenho só a responsabilidade pelo Malte, por si e por mim.
Tenho os meus pais.
O meu irmão e a minha irmã. Os meus amigos.
Têm de sair disto impunes.
- Desligue. Está a deixar-me nervoso. - A sério?
Eu entrego-me.
Só eu.
Assumo a responsabilidade.
Considerei tudo
e é a melhor forma de sairmos disto.
Precisamos do polícia que a imprensa critica por nossa causa.
ASSALTANTES: 4 POLÍCIA: 0
Com alguma sorte, agirá impulsivamente.
Entrará à primeira oportunidade.
Tirando o primeiro assalto, não me podem acusar de mais nada.
Porque não param?
O risco de não pararem de procurar é demasiado grande.
Precisamos de uma condenação.
Vamos oferecer-lhes um culpado.
Eu.
ENTRADA PRINCIPAL POLÍCIA DE BERLIM
Vamos voltar ao polícia de cabeça quente que lidera a investigação.
Acho que, se entregar a carta no momento certo,
Até posso decidir quando me vão prender.
Bom golo, miúdo.
Estiveste bem.
- Isto não vai acabar bem. - Duas condições.
O banco não pode tomar medidas para recuperar o dinheiro.
Além da quantia necessária para a redução da pena,
os outros ficam com o dinheiro. - Sim, claro.
Recebes uma bela quantia pelo teu sucesso.
No seu mundo, isso chama-se bónus, certo?
Não tem problemas com isso.
Segunda condição.
Para o evento improvável, mas possível,
em que Malte, Steven ou Melanie sejam presos,
temos de arranjar uma solução.
Vou precisar da sua ajuda.
Queres que te faça um túnel de fuga por baixo da prisão?
Posso contar consigo?
Caso penses em desiludir o Yusuf...
Se correr mal...
... perdemos tudo.
Podes mostrar ao Malte que és alguém em quem ele pode confiar.
- Ele sabe que o adoro. - Mostra-lhe.
Não direi nada.
O Yusuf é o meu melhor amigo.
Eu sou seu amigo.
Tome. Leia outra vez.
Só tem de assinar.
Uma confissão. Simples.
O Yusuf vai preso por dez anos e você safa-se.
Até lhe trouxe a minha caneta preferida.
Ele estava só a usá-lo.
Eu sou seu amigo.
Kramer, o Dr. Kaiser está aqui.
Surpreende-me vê-lo aqui.
Estou aqui como representante legal do meu filho.
Está detido sem causa provável.
São testemunhas voluntárias
livres para sair quando quiserem.
Acha que pode continuar a safar-se, mas isso acaba agora.
- Há provas concretas? - Temos uma testemunha.
Precisa de ajuda?
Eu cá me arranjo.
É o momento da verdade. Pare de fingir.
É a última oportunidade de sair bem disto.
Os outros serão libertados em menos de uma hora.
Que está a arriscar?
O colar. É do meu avô.
- E se eu ganhar? - Então, conto-lhe tudo.
Apanha os dez anos por mim. O que quer que ganhe com isso.
Venha comigo.
Certo. Sorri. É a última vez.
Estamos quase. A senhora está a chegar.
E trouxe o Arslan.
Se a testemunha não aparecer em cinco minutos, levo o meu filho para casa.
Sou a Ryang, a procuradora. Ainda bem que aceitou fazer isto.
- Claro. - Então, vamos a isto.
De certeza que quer ver o alinhamento? Eles são criminosos.
Não tenho medo.
Acho que o avô vai ficar do lado do neto.
Não sei.
Aqui não. Lá fora.
- Não pode estar a falar a sério. - Sim, claro que estou.
- Sim. - A sério?
Como fez isto? Como?
- Meu Deus, Kramer! - Diga-me!
- Para! - Está em cima do meu pé.
Já chega. Acabou-se.
Sr. Kramer? O colar.
Faça da mulher gerente da sucursal. Assim, ela nunca nos reconhecerá.
Nunca resultará.
Em vez do Borchert.
Vamos lá.
Yusuf!
Deves-me um jantar.
- Reserva uma mesa para dois. - Sim.
Deduzindo o tempo que já estiveste detido,
estarás em casa a tempo do próximo Euro.
Até podes conseguir regime aberto.
Obrigado. Por tudo.
Tenho a sensação de que não me disseste a verdade.
Podes dizer-me agora.
Onde está o dinheiro do apartamento?
Que dinheiro?
Aprendi uma coisa.
Admite apenas o que os outros podem provar.
Talvez devesses ser advogado. Ou banqueiro.
Pode dar um recado à minha irmã?
O carro vem na terça. Por volta do meio-dia.
O carro dela?
Esteve estacionado no campo de jogos este tempo todo.
Há uma coisa para ela na mala.
VAI PARA GREIFSWALD COM ESSE IDIOTA. E ARRANJA UM EXPLICADOR PARA O SONER.
- Como estão os outros? - Pensei que não os conhecias.
Entra.
Vá lá. Vai lá.
Se ficares nalgum sítio mais tempo, diz-me.
Mando um postal?
Nunca se sabe, posso estar por perto.
Se não te importares, é claro.
Vá lá, sai daqui.
Momo?
- Hanna? - Meu Deus.
- Os outros? Os convidados. - Como assim?
Disseste que a abertura era para um grupo restrito.
Muito restrito.
Ena!
- À tua. - À nossa.
- Isto é bom. - Bom?
Vão fazer fila à tua porta.
À nossa porta.
Que estará ele a fazer agora?
Amanhã levamos-lhe comida.
O quê?
Arslan!
Que quer ele?
Não faço ideia. Não te preocupes.
A mamã veio visitar-te outra vez?
Aonde vamos?
Arruma as tuas coisas.
- Diga-me porquê primeiro. - Arruma as tuas coisas.
Bem-vindo aos Serviços Secretos Federais, Sr. Arslan.
Quer voltar para a prisão, ou vamos falar do seu futuro?
Pessoas como você dão-nos sempre jeito.
Tradução: Miguel Martins Iyuno
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