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Zulu
E aí
Chega pra lá, maninho. Eu também tô cansadão.
Hein? Que isso?
Que é isso?
Que é, foi.
Quem é?
Da Telefônica.
Vou abrir.
Tchau.
A extensão do banheiro está com defeito? Olha aqui, dona.
Eu vim aqui para levar tudo de valor, inclusive a senhora.
Ah, então trata -se de um assalto com estupro?
Essa chave de onde é?
Do meu quarto.
Vou bater lá.
A chave, por favor.
Quem mora nos quartos?
Cada coisa no seu tempo. A chave.
Com licença.
Cuidado, dona.
Você só tem essa linha em casa?
Só.
E você, não vai me violentar?
Você está parecendo uma cadelinha no cio.
E depois você acha que eu vou te deixar sem chumbo?
E essa porta aí, o que é?
Acho que você só veio mesmo roubar.
Confesso.
Onde você pensa que vai?
Me vestir.
Já que você não quer nada mesmo.
Ou será que você é desses que...
Eita, sua putinha. E você vai ver.
Fica de pé.
Então, você gostou? Como você prefere.
Você precisa de um incentivo.
Sua puta escrota!
Viu o que você fez?
Filha da puta!
Olha só!
Não. É.
Eu sabia que o Madonna entende das coisas.
Pena que só tem o tamanho.
Eu não sei.
Estou baleado.
De onde você vem tão cansado?
De uma porrada de quebrada.
Por exemplo?
Uns assaltos, correria, teu parceiro, os Tigre Aço, o Dião Bala.
Tudo muito bom e muito louco.
Se fuderam e quem morre é porque não é de nada.
E como é um cara que não é de nada?
Quando o malandro pega e solta.
Então te sinto.
O que tem aqui que eu possa levar?
O que você quiser.
Inclusive eu.
Falo de troço que possa virar grana.
Quando quiser saltar, eu te mostro.
Você não está com medo de mim?
Eu posso meter uma bala na tua boca.
Você me promete uma coisa?
O que é?
Faz comigo tudo o que o bandido sabe fazer.
Quero você de quatro.
Bota mais.
Mais. Põe tudo.
Mais. Mais. Devagar, não.
Mais.
Pobre, pode assim.
Assim não, desgraçado.
Vai. Vai, mais.
Pera da puta.
Vai. Vai. Pode gostoso. Mais.
Quem é contigo?
É uma mina amiga minha que se vira nas bocas.
O Camburão leva ela quase todos os dias.
Mas você não conhece o Camburão.
A madame nunca vai presa, não é?
Que porra é essa?
Eu esqueci de dizer.
Aliás, nem houve tempo.
Só pode ser a Paula.
Uma amiga que mora comigo.
Eu quero conhecer essa tua amiguinha.
Que palhaçada é essa?
Pois que maravilha, Mara. Quem é eu?
É, esta é Paula, minha amiga.
Senhor? Senhor bandido. Senhor bandido, Paula.
Muito prazer.
Assaltante profissional.
Quando eu já pensava que a violência era história dos jornais...
Eis que ele surge.
Ah, tira a mão, né, Mara? É que eu quero conhecê -lo melhor.
Ah, como ele é bem servido.
Chega de apresentações.
Tira a roupa. Ah, eu tiro. Você vai me violentar também, é?
A calcinha também.
Chega aqui.
Ah, não dá, eu não quero.
Vem cá, porra!
Bem bobinho.
Sua bicha escrota.
Tô pensando que você é uma puta mina.
Vai botando tua história pra fora.
Minha biografia é curta. Mas eu espero, cowboy, que a minha vida seja longa. Não
muito longa, porque eu não quero entrar nessa de velhice caquética mijando nas
calças. Vamos ao que interessa, porra. Me tornei mulher por conta e risco, se é
isso que você quer saber. Vamos, circulando, circulando. Aí.
Encontrei uma pessoa que era a mesma que esta mulher maravilhosa já havia
encontrado. Aí ficou -se uns tempos numa boa, se encontrando nos motéis da vida.
Foi quando esta criatura incrível me telefonou e disse sem mágoa, Paula,
querida, se você gosta do meu marido e ele gosta de você, por que você não vem
aqui morar com a gente?
Ah, como me emocionei, Mara, querida. Quando me lembro, fico toda arrepiada.
Ah, que compreensão, não é? Hoje formamos uma bela família.
Nós aqui e nosso homem viajando pelos continentes. São cinco, né? Ou seja lá
quantos forem, não interessa.
Que história maluca é essa, hein?
Conta pra ele, Mara.
Sabe como é que o povo chama isso?
Putaria da grossa.
Pensei que gostasse. Ai, meu Deus do céu. Neste país até os bandidos são
moralistas.
Vem cá, bundinha.
Ai, eu vou.
Sabe o que vai acontecer, bichinha de merda?
Tu vai lembrar o teu tempo de homem... e vai comer a mara na minha frente.
Agora, se não conseguir... eu vou te dar uma segunda chance.
Vai chupar teu próprio pau!
Se fracassar, vai ficar de cu pra cima.
E eu descarrego a máquina toda.
Vai gozar de montão.
Primeiro banho da madame que tá esperando.
Para você aprender que eu não gosto de bicho.
Qualquer vacilo, eu arrebento com você, tá sabendo?
Não.
Cai fora.
Agora, a madame é bichinha escrota, vou me dar um banho.
É isso aí.
Você, viado... lava o meu peito.
E você, madame, lava a minha caceta.
Aqui.
Isso.
Tira a mão da minha bunda!
Viado, tu toma jeito, hein?
Ah, cowboy, deixa eu botar a boca, deixa.
Ah, você quer botar uma boquinha, hein?
Então vem.
Agora a guichinha escuta. Vai preparar um lanchinho, né?
Quem está na porta é o recenseador.
Mande ele voltar outra hora.
Oh, Mara, dá um tempinho, que é coisa rápida. Afinal, ele é uma autoridade,
Autoridade? Aí.
Fique calma.
Ele vem aqui só para preencher umas fichas.
Para quê?
Afinal, atendo ou não atendo?
Vê se decide.
Vai lá e... A minha... Ah, pois não.
Por favor, entra.
Tenha vontade. Por favor.
Muito obrigado.
Boa tarde, cavaleiro.
E a senhora?
Com licença.
Tudo bem.
Boa tarde, senhoras. Boa tarde.
A senhora é a dona da casa? Sou eu mesmo. Ah, muito bem.
Eu estou terminando o trabalho nesta área e gostaria de lhe fazer algumas
perguntas.
Quantas pessoas moram na casa?
Tem. Somos eu, meu marido que está viajando, Paula e
uma sobrinha que é menor de idade.
Qual é a renda média da família?
Meu Deus, quanta pergunta.
Isso eu não sei, amor.
O
que
faz seu marido?
Ele é industrial.
Está sempre viajando.
Agora, quanto ele ganha?
Sinceramente, eu não sei.
Quanto a senhora gasta por mês para manter a casa, mesmo aproximadamente?
Com abastecimento e tudo, mais gasolina e jardinagem, uns 100 mil por mês.
A senhora trabalha fora?
Não.
Eu faço de tudo, mas só em casa.
Bem... Aceita um Guaraná?
Aceito.
Obrigado, já passou a sede.
É um amigo da família, primo de Mara. Ah, sim.
O senhor não mora na casa?
Eu faço temporada.
Ah, sim.
A senhora tem filhos?
Não. Nunca ninguém conseguiu me engravidar.
Por isso eu adotei uma senhora.
Sua sobrinha estuda em colégio pago? No Santa Leocádia. Uns oito mil por mês.
A senhora é católica?
Sim, senhor.
Vou à missa toda semana e comungo uma vez por mês.
Comunga uma vez por mês.
Senhorita.
Eu não tenho religião, não.
É um saco essa de preparar a alma para o futuro.
Não vai escrever, não, é?
E... politicamente, dona Mara, como é que a senhora se situa? É mais a favor
do... ou... contra?
Bom... A princípio, eu sou contra os comunistas.
É, isso aí.
E essas greves que andam por aí?
A senhora tem razão.
E a senhorita?
Ah, eu, hein? Nessa de política, eu não me meto. Eu já vi tanta gente se foder,
democraticamente, né? Que me dei por satisfeita.
Obrigado, moço. Não precisa acompanhar.
Puxa, você deixou o cara apavorado. Está bem, ele está me encerbando, não é?
Ô, bichinho, vai preparar uma sanduba, vai.
Eu devia ter enfiado isso aqui no cu daquele recenseador.
Aqui não, senhor bandido.
Eu não estou lhe entendendo.
Por que no dele e não no meu?
Você veio aqui para me violentar.
Estou ficando à vontade.
Porque eu nunca fico bem.
Estou à espera de um homem.
Vou meter um filho no teu bucho.
Pronto, Alteza, mais sanduíches.
Está aí, olha.
Quer mais alguma coisa?
Eu vou comer a Mara. E eu como isso?
Tira a roupa dela.
E se eu não quiser?
Não quero, não é?
Tira a roupa dela!
Ah, bom, assim eu tiro, né? Vem cá, Marinha, vem.
Que merda, já encheu meu saco.
Puxa, Amara, você poderia ter comido algo melhor.
Ele parece mais filho do Idi Amin Dada, refugiado no Brasil.
Fica de bruxo aí.
Vem cá, Amarinha, vem. Vem cá. Ele era bem melhor. Não tinha nada de revolver.
Era bem mais educado.
É sacanagem, né?
É sacanagem o que vocês querem, né? Pois vocês vão ter.
Espera aí.
Você, estou sentindo uma coceirinha aqui. Vem cá ver o que é.
Vem logo.
Era só o que faltava. Vem logo, porra!
Por que o senhor está rindo, hein?
Eu descobri que bunda de madame é igual a bunda de pobre.
Afinal, cowboy, qual é a tua, hein?
Você veio aqui para violentar a gente.
Por que não violenta? Se concentra um pouquinho. Essa merda não se mexe.
Olha aqui, ô bichinha, tu já deu no saco, viu?
Porra, não dá pra entender.
Ninguém trata bandido como vocês estão tratando.
A gente só queria que você não fosse tão mal... e fizesse eu e a Mara gozar
bastante.
Ah, então é esse o problema, né?
De pé.
Tira a roupa.
Põe o pé aqui.
Eu não.
Põe o pé aqui, porra!
Chupa ela.
Chupa ela!
Isso.
Morde a bicha.
Mordi.
Morde, madame.
Com vontade.
Isso, madame.
Morde com força.
Quero ver sair sangue dessa bicha.
Morde, madame. Mastiga.
Mastiga, sim.
Está gostando, viadinho?
É?
Isso.
Assim.
Fala, está gostando?
A madame está caprichando.
A madame parece que gosta.
Morde, porra.
Morde com gosto.
Se não, eu meto uma bala. Esta merda não vale nada mesmo.
Está gostando?
Outra vez, calma.
Você já me machucou toda.
Eu não estou aguentando mais.
Tá, Alecão. Vamos ver qual é o lucro que eu vou levar nisso tudo.
Onde estão as joias nessa casa?
Onde é que estão as joias?
Ali, ó. Ali onde?
Nos lustres.
Continua chupando.
Eu não queria, Paulina. Eu sei, Mara.
Aqui não tem nada.
Os outros, os outros.
Está melhorando.
Que porra é essa?
A comenda de Michel.
Comenda?
Uma homenagem.
Uma espécie de medalha.
Estou sabendo.
Vem cá, bichinho.
Mas está cheio de caco de vidro.
Vem cá, porra.
De joelhos.
Rabinho empinado.
Vou encomendar sua banda.
Fica quieto, viado. Se não, eu meto uma bala na tua bunda, hein?
Não faz isso com ela.
Vai doer um pouquinho, mas vale a pena.
Cuenta, está quase terminando.
Viu só, Mara?
Maravilha.
Depois dessa perversidade, o que vai acontecer?
Eu não acho que é perversidade.
Levanta, bichinho.
Levanta, porra.
Ela tem um rabo que merece ser encomendado.
Desfila.
Desfila.
De costas, bicha. De costas.
Agora rebolando.
Isso, assim.
Isso, rebolando.
E eu? O que vai fazer comigo?
A festa vai começar agora.
Ei, vixinha.
Ei, vixinha.
Estou falando com você, porra. Que é?
Vem cá.
Senta ali.
Ah, comida. Senta em cima.
Cai de boca nela.
Vou querer ver isso duro, hein?
Bom dia, empinada.
Agora vocês vão conhecer Nilo Barrão das Quebradas.
Como é que é? Ficou duro?
Ficou ou não ficou?
Já tá ficando.
Tá gostando, peixe esclota?
Vamos trocar de lugar.
Vem pra cá.
Vem pra cá.
Abaixa, campeão.
Tá gostando, bichinha?
Não goza, bicha!
Fica de pé!
O que há, Camila?
Você está bem?
Não.
Você não deixa.
E nem colabora.
É?
Então é a sua vez.
Cai de boca!
Cai de boca, porra!
Bota as pernas dela no ombro!
Porra de lesinha é essa? Minha sobrinha.
E uma menina ainda.
Você vai abrir a porta, mas estou de olho em vocês duas, hein?
Oi, Tiazinha.
Oi.
Que cheiro de água sanitária.
Não é água sanitária. É seiva de homem.
De um assaltante.
De um assaltante, Tiazinha?
De verdade?
De verdade, meu amor.
Ele ainda está aqui. Quero ver o assaltante.
O que está na sua cabeça, Paulina? Um bandido.
Ele é desnaturado.
É.
Ele é perverso.
Pois é, sua tia gostou.
Ele é tão mau, que ele me colocou a comenda do Michel.
E onde ela está?
Desculpa, Paula, mas é um barato.
Eu quero ver se é assaltante.
Calma, Lizine.
Trata -se de um assaltante de verdade.
Não é como esses que aparecem na televisão.
Será que ele consegue me violentar? Sem dúvida nenhuma.
Eu não acredito.
A gente deu tudo para ele.
Deu tudo o que tinha que dar.
Quer dizer...
A gente deu, mas ele não aceitou.
Onde é que ele está? No quarto da Paula.
Cuidado, menina.
Será que ele vai gostar de um, César?
Claro que vai.
Chega de papo furado.
Aí, saquei todo o papo, inclusive o da bichinha escrota.
Agora tem o seguinte, madame que trança piado.
Não é papo pra mim.
Agora, com a menininha vai ser diferente.
Vem cá, neném.
Como é seu nome?
Lizinha, e o seu?
Nilo Barrão.
Por que essa de Nilo Barrão?
Porque eu não brinco em serviço. Deu pra sacar?
Segue.
Oh, Lizinha.
Por que não desliza só com a blusa? É mais leve.
Essa aí não atrapalha.
Eu acho que você fica mais bonita.
Então tira.
O que vocês estão tramando?
Ah, cowboy, a gente não tá tramando nada, não.
É melhor assim.
Dá uma volta pra eu ver.
Legal. Gostei.
Escuta.
Desliza até lá.
Volta de costas com isto aqui para cima.
Por que assim?
Para começar nossa brincadeira.
E se eu não quiser de costas?
Escuta, faz o que eu digo.
Para a gente se entender.
Fica!
Bicho escroto.
Olha aqui, cowboy. Vai à merda.
A madame está aqui só para ajudar.
É, tira a blusa dela.
Tchau.
Mas você está toda machucada, meu amor.
Mas eu quero mais.
Espere mais um pouco.
Não se faz mulher.
Agora...
Obrigado.
Foi a bronca da figura.
Bronca do Barrão?
Aos 15 anos fugiu da Funabem.
Já adulto, 12 estupros, 14 latrocínios, barbarizou muita gente.
Agora a gente barbariza ele.
Olha lá.
Mais um, não é, filho da puta?
É sim.
Quer ir com ele?
Você é amanhã.
Viado.
Seu merda.
Porra, estão matando a gente e ninguém faz nada.
Viado, filho da puta.
Carniceiro, puto.
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