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Original subtitles

Anteriormente, em Madison.

Ele pede para ser enterrado aqui.

Tem o lugar marcado no mapa.

Eu sei onde �.

Eu j� n�o lembro mais como era a cara dele.

Se eu fosse voc�s, eu n�o ouviria.

Coloca.

- Puta merda, Paul! - Segura a�.

Meu Deus!

Stacy!

Meu Deus.

Eu ouvi a morte dele.

Estou gostando de estar aqui, mas voc� n�o imagina a dor.

Se ainda tiver d�vida do que sinto por voc�,

� o suficiente pra me fazer aguentar.

Abby, se eu fosse voc�, eu agarraria esse homem bem forte e n�o largaria.

N�o se fazem mais homens como aquele ali.

Ser� que voc�s sabem o quanto isso aqui ia deix�-lo feliz?

O quanto ia alegrar o cora��o dele?

Amanh� vamos enterr�-los.

MADISON

Ali tem uma pegada de alce.

Olha!

Olha, tem outra ali.

N�o. Essa � de cervo.

Como voc� sabe a diferen�a?

Depois que aprende a rastrear, � natural.

Voc� tem alguma d�vida sobre mais tarde?

Tipo, o qu�?

N�o sei. Voc� � quem sabe.

Bom, voc�s v�o enterr�-lo.

Isso.

O que acontece depois?

Depois, eles voltam para a terra.

E os corpos se tornam parte dela.

E as almas tamb�m, eu acho.

As almas n�o v�o para o c�u?

Eu acho que aqui � o c�u deles.

O c�u �...

Como eu vou explicar isso?

A professora disse que c�u n�o existe.

N�o sei se j� percebeu isso,

mas n�o fica acreditando em tudo o que sua professora diz.

O c�u � um lugar perfeito pra voc�.

Para algumas pessoas, ele tem mares feitos de sorvete

e montanhas de marshmallow.

E, para outras, s�o essas montanhas.

Voc� entendeu?

E o c�u do vov� � aqui.

Eu acho que �.

Mas se voc� acredita que ele est� aqui,

por que est� todo mundo triste que ele morreu?

Porque o c�u dele n�o � o meu.

E...

eu n�o posso v�-lo.

E eu n�o posso falar com ele,

nem posso abra��-lo, e ele n�o pode me abra�ar.

E eu tenho saudade disso.

�. Eu tamb�m tenho.

� pra isso que temos as lembran�as.

Para podermos reviver todos os momentos bons que passamos.

As conversas, as risadas, os abra�os

e � como se fosse um filme,

que podemos assistir v�rias vezes,

quantas vezes quisermos.

S� que dentro da cabe�a.

- Entendeu? - Entendi.

S� que n�o � a mesma coisa de um abra�o de verdade.

N�o. N�o � mesmo.

Ent�o � aqui, �?

� onde ela marcou no mapa.

Estou sabendo.

�. N�o d� pra trazer uma retroescavadeira.

Acho que daria pra trazer um trator pelo rio, mas...

n�o sei se adiantaria de muita coisa.

N�o, teremos de cavar essas covas do velho jeito irland�s.

Pois �.

E como vamos trazer os caix�es pra c�?

A fam�lia do Swenson ainda tem aquela carro�a?

Boa ideia.

Voc� quer ligar ou ir buscar as p�s?

Voc� liga, eu vou.

O meu cavalo vai querer te seguir.

- Arranca a r�dea dele. - T�.

Eu estou ciente disso.

Sim, eu estou ciente.

N�s tivemos uma morte na fam�lia.

Certamente o mundo do v�lei das meninas

vai sobreviver uma semana sem ela.

�, � isso mesmo.

N�o estou levando nem um pouco em conta

o impacto disso nos outros.

Porra de escola.

Tem prolema eu ir assim?

� o jeito, filha, � a roupa que voc� tem.

Escuta.

� s� a gente. T� bom? Ningu�m vai achar ruim com voc�.

O que disseram na escola?

Que voc� est� perdendo o campeonato de v�lei.

N�o tem problema.

Est� tudo bem.

Calma.

Est� tudo bem.

- Oi. - Oi.

Onde voc� achou creme?

No mesmo shopping center que eu achei o vestido.

Eu tenho que admitir que Bozeman me impressionou.

Eu nunca imaginei encontrar Donna Karan no interior.

Eu comprei uma coisinha pra voc� tamb�m.

O Preston iria querer me ver de jeans.

Acho que ele iria se sentir um pouco vitorioso com isso.

Ele merece um pretinho b�sico, e foi isso que eu comprei pra voc�.

Os meninos disseram quando pode ir?

Devemos ir ao meio-dia.

Como eles v�o levar os dois pra l�?

Eu n�o perguntei, e eles n�o me disseram.

S� falaram que est� resolvido.

Mais umas duas horas.

O Preston explicou no di�rio

como saber as horas a partir da posi��o do Sol,

e � impressionante como � exato.

As meninas me pediram pra agendar o avi�o.

Pra quando?

Pra hoje.

Caramba.

Elas t�m que virar essa p�gina.

E n�o pode ser aqui.

Elas t�m as vidas delas, e precisam voltar pra l�.

Eu queria muito fazer um vel�rio pra ele na cidade.

Ele tinha muitos amigos que merecem se despedir.

- Ele tinha? - Tinha.

Voc� sabe muito bem.

Pod�amos fazer no Explorers Club.

Espera, para.

E se for no apartamento?

Com buffet do Carbonne?

Ele adorava l�.

J� falei com eles.

Voc� tamb�m vai embora?

Eu tenho um marido paranoico.

Ele tem certeza de que um primo distante do Unabomber

vai me sequestrar, me trancar num por�o e pedir resgate.

Dependendo do primo, eu n�o acharia nada ruim.

Fala s�rio!

Claro que pensei num sequestro distorcido de livro de romance.

Duvido que um sequestro seria assim, Lili.

Seria assim na minha cabe�a, depois de dois Percocet, sabe?

- Voc� acha que estou brincando? - N�o.

Eu te amo.

Sabe que prefiro mil vezes estar com voc�

quando voc� precisa de mim.

Eu sei.

Trouxe uma garrafa de licor,

se quiser dar uma animada nesse seu caf�.

�, Agora voc� ganhou minha aten��o.

ADAPTA��O | REVIS�O | SINCRONIA: E-MAIL | loschulosteam@gmail.com

Mais um pouco, mais. Pode p�r.

T� bom.

Pronto.

� claro que voc� ia trazer o melhor vestido.

Tem algum p� de vestido preto na beira do rio

que eu acabei n�o vendo?

Vamos, meninas.

E Russell.

Cad� eles?

- A caminho. - T�.

Meus sentimentos.

- Meus sentimentos. - Obrigada.

- Desculpa o trabalho. - N�o, est� tranquilo.

Eu nem sei dizer o quanto eu estou sentido.

Obrigada.

Vamos l�, rapazes.

- Cuidado. - Devagar.

Sra. Clyburn, meus sentimentos para a senhora.

Obrigada.

Voc�s chamaram um padre?

Esqueci. Eu nem pensei.

Esse enterro vai ser sans padre.

O que � isso?

Significa que n�o vai ter padre.

Mas vai ter algu�m para conduzir os ritos?

N�s...

� nosso primeiro enterro aqui, ent�o estamos improvisando.

Bom, esse aqui, com certeza, n�o � o meu primeiro enterro.

Voc� quer que eu diga algumas palavras,

e depois chame a fam�lia para voc�s falarem?

Eu n�o acho que minha fam�lia tenha muito a dizer agora.

Posso fazer uma ora��o?

Pode, sim.

Senhor, hoje estamos aqui com os cora��es tristes.

Com a gl�ria do amor vem a dor da perda,

e pedimos ao Senhor que nos conforte.

Lembre-nos de que essa dor � ego�sta,

porque o Senhor nos prometeu um lugar chamado c�u,

onde nossos finados se alegram na luz da Sua gra�a.

Eles n�o s�o mais homens, eles agora s�o anjos.

Que nos guiam na escurid�o, nos amparam na nossa fraqueza

e alimentam nossas almas e esp�ritos.

Nossa dor � ego�sta,

porque n�s n�o conhecemos esse lugar, o c�u.

N�s nos amparamos na f� de que ele existe

e na sua miseric�rdia para que haja um lugar para n�s

onde possamos estar sob a Sua luz

e ao lado das pessoas que amamos, para ficar em paz para sempre.

Am�m.

Algu�m gostaria de falar?

Stacy.

N�o � a primeira vez que voc� faz essa ora��o.

N�o, senhora.

Eu gostei.

Quer dizer alguma coisa?

Eu tenho muito a dizer, mas eu n�o quero falar agora.

Ent�o, acho que � isso.

E o que acontece agora?

A gente cuida de tudo.

Espera. Acabou? � s� isso?

Se quiser, pode falar alguma coisa, Paige.

Eu n�o sei o que dizer. O que a gente tem que dizer?

� isso que ela quis mostrar.

Qual � o do Paul?

Voc� � um filho da m�e por tir�-lo de n�s.

Eu te amo.

Cada um tem um jeito de lidar, n�o �, rapazes?

Eu acho que elas n�o est�o lidando com nada.

Pelo menos, ainda n�o.

� compreens�vel.

- Pega aqui. - T�.

Danadinha, fazendo um enterro sem avisar pra gente.

Eu achei que ningu�m ia fazer quest�o.

Deixamos voc�s com o enterro, mas ningu�m tira o nosso banquete.

Quando eles vieram com a ideia das cabanas,

quiseram fazer tudo sozinhos.

Serrar a madeira, estruturar, passar a fia��o, tudo mesmo.

Olha a base l�, como �. Eles constru�ram em cima de vigas.

E eu nunca entendi pra que diabos eles precisariam fazer isso.

Avisei que eles iam tremer igual vara verde no inverno,

e que ia aparecer gamb�, guaxinim e todo tipo de bicho

pra fazer casa ali embaixo deles.

O Preston olhou pra mim e s� mexeu a cabe�a, n�o falou nada.

Uns seis meses depois,

um avaliador fiscal apareceu l� em casa

e disse: "Viu essas cabanas que constru�ram a� do lado?"

E eu disse: "vi."

A�, ele me perguntou se eu j� tinha as visto andando.

Eu disse: "andando? Mas como assim, andando?"

O avaliador fiscal disse que foi calcular o valor das cabanas,

e seu marido disse pra ele que eram casas m�veis.

� s� pegar com uma empilhadeira e levar embora.

Ele perguntou se eu j� tinha os visto as levando.

E eu disse: "claro, eles carregam essas casas pra todo canto."

E se voc�s olharem na parte de tr�s do banheiro,

o seu marido atou rodas de carrinho de supermercado

e disse que aquela merda tamb�m era m�vel.

Estava fugindo de imposto, aquele ali.

Fiquei sem entender pra qu� as rodas.

O Preston nunca se deu bem com autoridades.

Uma casinha com rodinhas. Essa eu nunca tinha visto.

Taco dos �ndios.

Isso � bom.

Voc� quer?

Acho que vou querer aquele biscoito.

S�bia decis�o.

Eu queria pegar uns tr�s.

O que a sua m�e vai achar disso?

Minha m�e n�o vai achar nada, porque ela n�o vai ver que eu comi.

Isso morre com a gente.

Essa � uma �tima ideia.

Obrigada pela ajuda.

Voc� n�o sabe o quanto foi importante.

Eu precisei dessa ajuda, eu sei como � importante.

O triste � o motivo.

A gente vai embora hoje.

As meninas j� perderam muita aula e eu j� esgotei meu guarda-roupa.

Mas...

eu vou querer voltar.

Ou ser� que arrisco te chamar pra Nova York?

S� me levaria pra Nova York se o estado se separasse do pa�s

e o ex�rcito me convocasse pra tom�-lo de volta.

Olha, voc� podia pegar mais leve com a minha cidade, est� bem?

Eu n�o estou desprezando, eu s� n�o quero ir.

Est� certo.

Eu venho te ver.

�timo.

Venho mesmo.

Est� bem.

De verdade.

Eu sou um subdelegado de pol�cia que ganha 52 mil d�lares por ano.

Eu tenho 12 mil d�lares no banco e vou gastar 6 daqui a pouco

num cavalo de rodeio bem mediano.

Tr�s vezes por semana, vou coloc�-lo num trailer

e rodar Montana com ele pra recuperar o que gastei nele,

e em outubro, vou levar meus filhos pra passar um m�s na montanha

pra abastecermos o freezer de alce.

Eu nunca vou deitar numa praia.

Eu nunca vou pra Europa, ou pra S�o Francisco,

ou pra qualquer lugar maior que Billings. Nunca.

Alguma coisa te interessou nisso?

N�o, nada.

Agora, me fala da sua vida. O que voc� n�o vai mudar?

- N�o enfrento esses obst�culos. - S� fala da sua rotina.

A Macy vai pra gin�stica de manh�.

De l�, eu vou para o pilates. Do pilates, eu vou pra minha terapia.

Da minha terapia, tomo caf� com minhas amigas

pra contar as merdas que a terapeuta falou da minha vida.

Da� eu pego a Macy, depois a Bridgett, e vamos ao bal�.

Tem apresenta��o toda sexta-feira. S�bado de manh� � dia de competi��o.

Eu as levo pra S�o Bartolomeu no Natal,

pra It�lia nas f�rias de julho, inclusive, voc� ia adorar.

Eu tenho que dizer.

Quem cuida dos cavalos?

Voc� n�o pode contratar algu�m?

� s� voc� que pode fazer isso?

Certo.

Beleza, a gente n�o tem futuro,

mas voc� � alto, � legal, e � gostoso pra caralho.

- Voc� que � alta, legal e gostosa. - �timo.

Ent�o, j� que n�o tem sa�da,

vamos tocar o foda-se juntos e usar esse tempo pra transar muito.

- Meu Deus! - At� n�o poder mais.

Essas mulheres da cidade s�o bem diretas, n�o �?

�, a gente � bem direta. � assim mesmo.

Passamos de, "quando vamos nos ver de novo"

pra "quando voc� vai embora de vez".

Eu prefiro ficar com a saudade.

- Eu ainda n�o fui embora. - Voc� me entendeu.

Ent�o est� acabando aqui?

- Eu acho melhor. - Meu Deus!

Deixa eu te lembrar.

Voc� est� terminando comigo do dia do enterro do meu pai.

N�o estamos juntos pra ser um t�rmino.

Est�vamos bem juntos ontem, com voc� deitado em mim.

- Abby, olha... - N�o vem com "Abby", porra!

Vai ficar com a saudade? � isso que voc� quer?

Pode come�ar agora.

Est� na hora de ir pra casa, n�o est�?

Passou da hora, amiga.

Quando foi que o seu pai morreu, Russell?

Faz seis anos em abril.

Onde o enterraram?

Minha m�e mandou cremar.

A ideia era jogar as cinzas na nossa propriedade em Montauk,

mas...

nunca jogamos.

N�o sei por qu�.

Ent�o, ele est� numa urna em cima da lareira.

Eu sempre achei isso estranho.

As cinzas de uma pessoa numa urna

em cima de uma lareira cheia de cinzas.

Do que voc� sente mais falta nele?

Ele me ligava toda segunda-feira para me contar uma piada.

� mesmo?

- E voc� ainda lembra? - Demais.

Me conta uma.

- N�o, n�o, n�o. - Conta.

O meu pai tinha um senso de humor meio errado.

A essa altura, eu n�o me ofendo t�o f�cil.

Ent�o t�.

Vamos l�.

Tinha quatro freiras dentro de uma Van.

Da� a Van cai num abismo e elas morrem.

� engra�ada.

N�o, n�o, eu ainda... N�o, essa � s� a premissa.

�. Eu sei, eu sei.

Da� elas v�o para o port�o do c�u.

S�o Pedro olha bem pra elas, e fala pra primeira freira:

"Essa � sua �ltima chance de se confessar

antes de passar pelos port�es do c�u.

Sua consci�ncia deve estar bem limpa antes de entrar."

A freira pensa um pouquinho e depois diz: "Olha,

eu �s vezes ia espiar o padre Riley tomando banho".

E S�o Pedro diz: "Isso muito feio, minha filha.

Lave seus olhos nessa tigela de �gua benta

e reze cinco ave-marias."

Ela vai e ele a deixa entrar.

Da� ele olha pra segunda freira e faz a mesma pergunta.

Ela diz: "�, de vez em quando, eu gostava de passar as minhas m�os

no membro do padre Riley."

S�o Pedro s� balan�a a cabe�a,

manda ela lavar as m�os na tigela de �gua benta

e rezar dez ave-marias.

Ela vai, e ele a deixa entrar.

Quando a terceira freira vai � frente,

a outra freira a puxa, a joga no ch�o e vai at� a tigela de �gua benta.

S�o Pedro diz: "Minha filha, por que voc� fez isso?"

E a freira diz: "Eu quero lavar minha boca nessa �gua

antes dessa mocreia colocar a bunda dela!"

Eu retiro o que disse, Russell.

Ainda d� pra me ofender.

Eu escolhi uma piada ruim, desculpa. Foi a primeira que me veio na cabe�a.

Me desculpa mesmo.

Foi p�ssima.

O fator em comum do problema delas acaba que era o padre Riley.

�, ele era bem rodado.

O que � isso?

Vodca e refri.

Eu maneirei no refri.

Deus te aben�oe.

Vou encontrar o Stefan na academia �s 09h, se quiser ir tamb�m.

�. Exerc�cio � exatamente o que eu preciso.

Parece que a hist�ria com o caub�i n�o terminou bem.

N�o tinha como dar certo.

A Paige est� quietinha.

Pra ela, o impacto vai ser muito maior,

eu acho.

Por qu�?

Quando algu�m dedica a vida inteira a atrair a aten��o de uma pessoa,

qual � o prop�sito dela quando essa pessoa morre?

As meninas est�o lidando bem, pelo menos.

�, elas s�o muito novas pra entender a diferen�a.

� s� um presente a menos que v�o ganhar no Natal.

Eu conhe�o um excelente terapeuta, Stacy.

Voc� � minha terapeuta.

Voc� � minha melhor amiga.

Eu sou incapaz de ser imparcial.

Devia falar com algu�m que veja a situa��o com clareza

e que n�o d� opini�o.

Mas o que eu preciso � opini�o.

Se eu quisesse uma vis�o t�cnica do luto, eu compraria um manual.

Pedi uma t�bua de frios na charcuteria do Eli.

Tamb�m pediu pizza no Joe's?

Algu�m aqui tem que pensar no seu colesterol.

A pizza � para o Paul.

� a �nica coisa de que ele sente falta nessa cidade.

Olha s�.

Olha s� o qu�?

Homem � que nem crian�a.

Vai come�ar.

�, sim. A sua cara quando voc� pega esse par de botas esfarrapado

� a mesma de uma crian�a pegando uma chuteira pra ir jogar.

Voc� faz a mesma cara quando tem promo��o da Gucci.

Isso � diferente. Ali � economia do seu dinheiro.

Engra�ado. Isso a� � prova da diferen�a gen�tica

entre homens e mulheres.

Diga-me, �, amor da minha vida,

de que maneira as compras que voc� faz na promo��o

economizam o meu dinheiro.

Eu vou comprar de qualquer forma.

Esperar a promo��o � uma demonstra��o de amor.

Isso quase faz sentido.

Faz todo sentido a partir do momento em que voc� se conforma

que a compra vai ser feita.

Vamos ver.

Por que voc� faz isso?

O qu�?

Por acaso a sua amantezinha da montanha tem ci�me de mim?

Quer saber mesmo?

Eu quero saber. Eu quero saber mesmo.

� porque eu a perdi uma vez.

Ela caiu dentro do rio, passei dois dias procurando por ela,

e n�o quero que aconte�a de novo, ent�o eu a deixo aqui em casa

pra n�o arriscar.

Entrou em p�nico, n�o �?

Me desesperei.

Bom saber que eu ainda causo isso em voc�.

Meu amor, e como causa, meu bem.

Avenida Madison.

De onde ser� que veio esse nome?

Eu acredito que venha de James Madison.

- O presidente. - �.

- � l�gico, faz todo sentido. - �.

Imagino que o rio Madison tenha esse nome

por causa dele tamb�m.

- Onde fica o rio Madison? - Montana.

Que � pra onde seu marido ia?

Foi l� que ele morreu?

N�o, ele morreu foi em outro rio.

Ali�s, n�o, ele morreu numa montanha.

N�o, n�o teve rio nenhum. Nenhum.

Que sentimentos v�m � tona agora?

Quais voc� acha que s�o?

Eu n�o posso supor. � por isso que eu perguntei.

Mas n�o � seu trabalho?

Me dizer o que eu estou sentindo?

Meu trabalho � te ajudar a entender o que est� sentindo.

Mais que isso, meu trabalho � te ajudar a entender

como esses sentimentos afetam seu comportamento.

E como voc� avalia o meu comportamento no momento?

Hostil.

Hostil?

Desconfiada.

E eu compreendo.

Voc� n�o me conhece,

mas, mesmo assim, voc� veio, teoricamente,

disposta a expor

pra mim seus pensamentos mais particulares

e sentimentos mais �ntimos.

Pe�o que confie na minha interpreta��o

desses comportamentos e sentimentos

para te ajudar a tomar boas decis�es no futuro.

Tomar boas decis�es? O qu�?

Voc� est� questionando minhas decis�es?

- N�o estou questionando nada. - Mas voc� acabou de falar.

Meu marido morreu.

Ele � o amor da minha vida, ele � o pai das minhas filhas.

Minha ess�ncia, minha alma, se foi.

Se voc�, por acaso, tiver a� na sua m�o alguma informa��o

que possa me ajudar a conter esse desejo de arrancar os meus olhos

com a merda de uma colher s� pra ver se a dor passa,

eu ficaria muito satisfeita com isso.

Eu n�o preciso de voc� sentado a� me olhando

como se eu fosse uma dona de casa � toa

tentando justificar por que tem um caso

com a merda do professor de t�nis.

Eu conhe�o mulheres assim, eu conhe�o muitas.

Eu n�o sou que nem elas.

Eu...

estou sofrendo.

E eu preciso de ajuda com isso.

Se puder.

Se n�o puder,

eu vou embora agora.

Sem pedir o meu dinheiro de volta.

Aceita uma bebida?

T�, eu quero.

Eu n�o costumo fazer isso.

O que mais fa�o aqui � tentar convencer meus clientes

a n�o se automedicarem.

- Pode ser u�sque? - Qualquer merda que voc� tenha a�.

� disso que voc� precisa.

Voc� precisa muito.

N�o disso.

Voc� precisa falar.

Gritar, chorar. Precisa muito.

E mais vezes.

Com o tempo,

essas mem�rias v�o voltar a ser boas.

Elas n�o v�o mais te causar dor.

E a� voc� vai...

rir.

Vai amar de novo?

Talvez.

Eu tamb�m n�o fa�o ideia se voc� ia querer.

Vai se sentir completa de novo?

Ser� que vai voltar a ser como era antes dele morrer?

N�o.

Voc� sabe disso.

Mas voc� vai melhorar, se voc� se permitir.

O tanto que voc� vai viver ainda � o tanto que voc� permitir.

Ou n�o vai viver nada.

N�o vai ter vida.

Entende o que estou dizendo?

Entendo.

Que bom.

Agora, termina de beber e manda bala.

S�rio. Manda. Pode descer a lenha.

Voc� � um terapeuta horr�vel, voc� sabe, n�o �?

�, E essa merda de su�ter rid�culo.

Voc� usa muito a palavra "merda", n�o �?

Pois �.

� que eu estou achando muito...

libertador nesse momento.

Que bom.

Fala de novo.

Vai � merda. Vai querer falar da minha inf�ncia agora?

Charlat�o de merda.

Voc� come�ou muito bem.

Vai l�, continua. Pode ir.

� s�rio.

Eu estou pensando nisso, eu estou pensando seriamente.

Eu sei, eu sei..

Eu sei que � uma fuga, que � fugir dos problemas.

S� que o problema vai comigo, ent�o eu n�o estou, exatamente,

fugindo de nada.

Daria saudade das meninas?

Sinceramente, eu n�o...

Eu n�o sei.

E, em parte, eu acho que faria muito bem pra elas.

Sabe, para serem independentes.

Mas e se elas fossem com voc�?

Porque, pelo que voc� falou, n�o tem nada que as prenda aqui.

Foi o que eu disse! Minha filha mais velha precisa muito.

Eu...

ameacei tirar ela do testamento se ela n�o fosse comigo.

Isso foi sacanagem.

Agora est�o ensinando sarcasmo no cursinho de terapia.

Se voc� quis dizer Universidade de Darthmouth, sim.

Foram eles que inventaram o sarcasmo.

Ser� que eu devia?

N�o cabe a mim dizer, mas...

voc� devia pensar na possibilidade.

Quer saber por qu�?

Porque voc� est� pensando num futuro concreto

e nas consequ�ncias das suas a��es nesse futuro,

e isso faz bem, faz bem pra sua alma.

Voc� indo, de fato, ou n�o, n�o faz diferen�a,

mas voc� devia cogitar mesmo.

Cogite a possibilidade de ir morar na Europa.

Vai passar um ano viajando.

Voc� tem recurso financeiro,

n�o h� nenhum compromisso aqui que te impe�a.

Cogite todas as possibilidades.

Queria t�-lo conhecido. Parece ter sido um cara foda.

Porque voc� � uma mulher foda.

Voc� tem consci�ncia de quem voc� �, e n�o tem vergonha nenhuma.

E � isso, os gritos, os choros, as reflex�es.

� isso que se espera que voc� fa�a.

Isso � o luto.

� aceitar uma perda imensur�vel na sua vida

e trabalhar sua cabe�a para achar uma forma de superar isso.

Voc� vai achar.

Obrigada, Phil.

Foi uma experi�ncia...

agradavelmente cat�rtica.

Quando eu vi esse su�ter, eu n�o botei muita f� em voc�,

mas voc�...

Voc� me surpreendeu.

Afinal, voc� n�o � um terapeuta horr�vel.

Bom, essa foi bastante ofensiva.

Obrigado.

Mesma hora amanh�?

Vai ser melhor � tarde.

Ainda tem cinco clientes hoje e eu estou bem b�bado.

Voc� devia estar no �ltimo atendimento,

n�o no primeiro.

T�. Amanh� no happy hour.

Quem � seu corretor?

Olha, eu n�o sei o que vou fazer, mas n�o posso ficar aqui.

Lili, tem o cheiro dele aqui.

Espera. Espera a�.

Est� tudo bem a�?

Olha, a Paige s� fica na cama.

Ela n�o fala nada, ela n�o para de chorar,

ela est� hiperventilando, e pensei em chamar a ambul�ncia,

mas estou com medo dela piorar se eu chamar.

N�o, est� certo. Ela vai. Eu chego a� em uns 15 minutos.

- Chama a Abby. - T� bom. Vou ligar agora.

- Ela est� no quarto? - Est�.

Voc�s t�m doce aqui?

Doce?

Vou precisar de sorvete,

Rocky Road e compra bolinha de chocolate.

P�e tr�s colheres de sorvete num copo de leite,

joga as bolinhas por cima, e pega uma colher e leva l� pra mim.

Achei isso um pouco nojento, na verdade.

N�o pedi pra voc� dar sua opini�o, Russell.

Eu trouxe o Rocky Road.

Medida dr�stica pra uma situa��o dr�stica.

- Trouxe o chocolate? - Daquele bem ruim que ela gosta.

�timo. Ent�o pra voc� sobrou pegar o copo, Russell.

- Pega pra ela que ela sabe preparar. - Pode deixar.

Ei, ei, calma. N�o fique assim.

Desculpa.

Calma, calma. Sabe por que voc� est� assim?

- N�o. Por qu�? - � porque voc� o amava muito.

E agora seu corpo n�o sabe o que fazer com tanto amor, entendeu?

Mas n�o existe uma coisa certa a se fazer.

E n�o precisa parar de amar algu�m s� porque ele se foi.

Inclusive, muito se diz que a gente tem que amar ela ainda mais.

E quer saber de uma coisa triste da vida?

Voc� vai sentir isso de novo.

- N�o. - Vai, quando eu morrer.

Quando seu marido morrer, os seus amigos,

e, um dia, seus filhos v�o sentir isso

quando for a sua vez.

Nossa, m�e, agora eu estou muito melhor.

Eu trouxe um presente.

N�o estou com fome.

Isso n�o � comida.

� uma droga.

� uma mistura de a��car e chocolate

que s� o seu corpo � capaz de processar

de um jeito que n�o vai parar no seu quadril.

E � por isso que eu te odeio.

Eu comia isso quando eu tinha uns cinco anos.

Voc� ainda tem aquela mentalidade.

- V�o voc� e sua raiz � merda. - Olha ela a�.

Eu n�o consigo entender.

� a croc�ncia e o gelado com a cremosidade do sorvete.

Entendi.

Essa explica��o n�o convence, Paige.

Voc� fica com ela?

Eu fico, mas n�o posso passar a noite.

Eu passo a noite aqui.

- Eu amava tanto isso aqui. - Eu sei.

Ela est� bem?

Est�. Ela vai ficar.

Tem algum bar por aqui?

Tem um boteco virando a esquina.

Bom, um boteco de bairro "gourmetizado".

Como se chama esse bar?

N�o fa�o ideia. Eu acho que ele nem tem nome.

Por favor.

Oi.

Como � o nome desse bar?

O nome?

O povo aqui s� chama de "bar".

Ou de "bar do fim da rua", coisa assim.

- N�o tem nome? - N�o tem, n�o que eu saiba.

Como est� no seu contracheque?

XT Companhia Limitada, uma coisa assim.

Beleza. Ent�o, "aquele bar que n�o tem nome".

Sem nome. V�o beber o qu�?

Meu Deus, eu n�o estou em condi��es de tomar nenhuma decis�o.

Martini?

N�o, isso � coquetel,

e esse lugar n�o tem cara nenhuma de bar de coquet�is, ent�o...

Verdade. Quer um carro-bomba irland�s?

Eu n�o fa�o ideia do que seja isso.

- Confia. - T� certo.

Vai tomar o qu�?

- Quais cervejas Amber Ale voc�s t�m? - V�o ser dois carro-bomba irland�s.

Voc� � da hora. Dois carros-bomba, ent�o.

- Eu trabalho amanh� cedo. - � s� um drinque, Russell.

Por essa, eu n�o esperava.

Nossa. Mil perd�es, Russell.

Isso vai doer.

Voc� vai...

Legal.

Tem que...

- Est� certo. - Pois �.

Desceu pelo buraco errado.

Eu engasgo muito f�cil.

N�o, n�o, eu n�o estou rindo de voc�.

Ent�o de qu�?

Da vida.

Das escolhas que a gente faz na vida.

Sendo bem sincera, ela acertou quando te escolheu.

Quais s�o os seus sonhos?

Sonhos?

Ou, sei l�, "aspira��es" pode ser palavra melhor.

Pra sua vida.

Pra minha filha.

Pois �, ent�o, a gente acabou de comprar aquela casa, ent�o...

N�o, mas isso � uma compra. N�o um sonho.

Voc�s dois falam em come�ar uma fam�lia?

Voc� conhece a Paige.

Ela acabou de chegar no peso que queria,

e se esfor�ou muito pra isso.

Russell, pense por voc�. Voc� consegue?

�, Eu acho que eu quero ter filhos.

- Legal. - Eu quero cuidar deles, e eu quero...

Eu quero sair da cidade, sabe, pra eles terem uma inf�ncia.

Sabe, brincar na rua, e poder jogar bola.

E ficar soltos sem perigo, sabe?

N�o, eu n�o sei.

N�o, eu n�o sei, eu criei as minhas aqui.

Pois �.

Meu sonho � esse.

E quando eles crescerem?

Qual � o sonho pra depois?

Eu sei l�.

Eu sei l�. Eu ainda n�o cheguei nessa parte.

Ent�o tem que arrumar outro sonho.

Sinceramente, eu sempre vi o sonho em voc� e no Preston.

Eu tamb�m, Russell.

Mas esse sonho acabou.

Ent�o voc� tamb�m tem que arrumar outro.

Verdade.

Tradu��o e legendagem por Grupo Macias

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