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Original subtitles

'Z' (1969)

Para prevenir a apari��o de fungos...

pulverizamos as vinhas com sulfato de cobre.

H� dois preparados cl�ssicos.

Um usado em Bordeaux e outro em Bourgogne.

Bourgogne, prov�ncia francesa famosa pelo vinho.

Pulveriza suas vinhas tr�s vezes ao ano.

A primeira, quando o broto tem 12 cm.

A segunda, logo antes ou depois da flora��o.

E a terceira, um m�s depois.

A pulveriza��o � preventiva. N�o pode ser negligenciada.

Assim termina a palestra sobre combate aos fungos.

Como nos anos precedentes, avi�es soltar�o folhetos...

que lembrar�o os camponeses dessa doen�a das vinhas...

que apareceu pela primeira vez ao lado de outra doen�a...

doen�a ideol�gica, que afeta os homens.

Sobre isso, falar� o General da Gendarmerie.

QUALQUER SEMELHAN�A COM FATOS

OU PESSOAS VIVAS OU MORTAS

N�O � CASUAL MAS INTENCIONAL

O Subsecret�rio da Agricultura ressaltou...

as tr�s pulveriza��es preventivas.

Como o fungo, a doen�a ideol�gica...

deve ser combatida preventivamente.

Como o fungo...

� provocada por germes e agentes parasitas.

Portanto a pulveriza��o de homens...

por meios apropriados � indispens�vel.

Nas escolas, acontece o primeiro est�gio.

L�, se me permitem a met�fora...

os brotos n�o devem chegar a 12 cm.

A segunda pulveriza��o...

acontece pouco antes ou depois da flora��o.

Trata-se as universidades e jovens trabalhadores.

O recrutamento militar � a hora para aplic�-las.

E salvar o pa�s da doen�a do fungo ideol�gico.

Este ano, os folhetos jogados pelos avi�es...

falam aos camponeses de um fungo ideol�gico...

que se espalha no pa�s.

Esse novo fungo, mais difuso, insidioso...

� um inimigo que nos afasta de Deus e da Coroa.

� contra esse inimigo...

que faremos nosso trabalho preventivo.

N�o tome notas, est� tudo na circular.

Com apari��o de sistemas em "ismo"...

socialismo, anarquismo...

imperialismo, comunismo...

as sombras espalham-se sob o Sol.

Deus recusa-se a iluminar os vermelhos.

Os cientistas anunciam o aumento das sombras...

com o aparecimento dos "beatniks"...

e incentivo ao pacifismo...

em pa�ses como It�lia, Fran�a e Escandin�via.

Como respons�vel pela ordem no Norte do pa�s...

devo dizer que n�s, servidores do pa�s...

que devemos preservar as partes s�s da sociedade.

E devemos curar as partes doentes.

Esta noite, o inimigo se re�ne em nossa cidade.

Mas n�o somos um sistema em "ismo"!

Somos uma democracia!

N�o proibiremos esse com�cio.

E n�o impediremos em nada os que discordam do com�cio.

Com os elementos s�os, esses anticorpos...

combateremos e extirparemos as doen�as...

das vinhas e da sociedade. � s� o que eu tinha a dizer.

Pensem nisso, pensem bem...

nos dias que vir�o.

- Vai almo�ar? - Sim, rapidamente.

Depois o levo ao aeroporto.

- Obrigado. - � um prazer.

Avise minha esposa que irei busc�-la � noite.

- Sim, general. - Sr. Diretor da Pol�cia?

As bailarinas do Bolshoi visitam a cidade.

- O Bal� de Moscou? - O Bal� Bolshoi.

Ficar� 4 dias. Estreiam hoje.

Fique, assista no meu camarote.

- Devo voltar � capital. - A capital, o pal�cio.

O senhor � respeitado no pal�cio.

E se um deles escolher a liberdade, aqui?

- Como o famoso bailarino... - N�o, nada disso.

Para isso preferem Londres ou os EUA, de moedas fortes.

E j� temos muitos problemas na cidade.

Pare tudo! Tire isso.

N�o precisa de permiss�o...

para reuni�es em lugares fechados.

N�o quero problemas.

Arranje uma permiss�o para usar a sala!

Tire tudo isso! Fa�a o que eu disse!

Traga a autoriza��o ou n�o haver� reuni�o.

Ou arrume outra sala. Tire isso.

Como arranjarei outra sala?

Como avisar quatro mil pessoas da mudan�a?

� um com�cio!

Estava no recibo que assinou.

N�o assinei mais. Aqui est� seu cheque.

Eu pagarei os juros. Por favor.

- Eles o amea�aram. - N�o sei o que quer dizer.

N�o cancelaria isso sem muita press�o.

- Voc�s, advogados... - Voc� � um homem honesto.

Quem est� por tr�s disso? Qual � o motivo real?

N�o o quero aqui! N�o � um bom motivo?

Se n�o gostou, fa�a o que quiser!

Eu deveria estar assim irritado.

Meu pai morreu hoje, isso basta?

Eu alugaria com prazer...

mas o fiscal da prefeitura esteve aqui.

- Quando? - Ontem.

Preciso regularizar as cadeiras.

Virei � tarde com homens que far�o isso.

Precisam fix�-las ao ch�o. Levar� uma semana.

Isso nunca foi necess�rio.

Cancelamos tudo ou nos reuniremos na rua.

Mas seria pior sem autoriza��o.

Haver� provocadores, policiais, feridos.

N�o arranjaremos uma sala. Ningu�m nos aceitou.

Proponho que cancelemos tudo.

Ele nunca aceitar�.

Cancelamos e vamos dormir.

Ou vamos todos � estreia do Bolshoi.

E quando ele chegar, ir� conosco.

O p�blico dele tamb�m ir� ao Bolshoi.

- Conhece uma sala? - O Bolshoi.

Querem matar o doutor.

- Quem disse? - Minha esposa.

Quem disse isso? Como n�o me interessa?

O que diremos � pol�cia, ent�o?

Espere, n�o desligue.

Ela n�o quer dizer quem �.

A pessoa n�o sabia que o doutor chegava hoje.

Bom dia, senhora. � George Pirou.

Precisa nos dizer.

De jeito nenhum.

Confio nele. Ele n�o sabia do com�cio.

Ele ouviu uma conversa.

Isso ele n�o dir� e nem a mim.

Ele j� teve problemas, tem fam�lia.

Agora eles sabem.

Agora j� sabem. Fa�am alguma coisa...

� para voc�.

Sim, querida, eu sei. At� mais tarde.

O que faremos?

- Avisaremos a Cruz Vermelha. - Falaremos com o procurador.

� vago, muito vago. Uma testemunha an�nima.

Uma conversa ouvida n�o se sabe onde.

Pode ser brincadeira ou mentira.

Como essas liga��es sobre bombas em avi�es.

Quem mataria o presidente de seu partido?

Marie, abra a porta.

Vamos embora?

Vou avisar o Secret�rio de Seguran�a.

Ele tomar� medidas de prote��o.

Oficialmente, n�o temos base para a��o.

Eu me interesso pelo munic�pio de Paris.

- Caro amigo. - Estou atrasado.

Espere dois minutos. Vai ao teatro conosco?

Quanto � sala, n�o posso fazer nada.

O coronel, � o Procurador.

Os direitos de propriedade s�o respeitados neste pa�s.

Podemos mudar tudo isso, mas ainda n�o aconteceu.

- Papai? - Niki, receba o convidado.

Dois segundos.

Um dos nossos melhores magistrados.

O coronel n�o est�? Falo com o assessor.

Muito bem. Soube do com�cio desta noite?

N�o o Bolshoi.

Exato.

A vida do doutor foi amea�ada.

N�o, ele ainda n�o chegou. Ele chega...

Em breve.

Ele chega em breve.

N�o, por telefone.

Sim, como disse. Avise o coronel.

"� vago, muito vago".

"N�o temos base para a��o."

Acha que � manobra publicit�ria.

O Doutor n�o gostar� de saber...

que pedimos prote��o a esses vendidos.

- Vendidos a quem? - Aos americanos.

O que os americanos t�m com isso?

Culpamos os EUA, mesmo sem motivo.

- Eles sabem que temos raz�o. - N�o tem gra�a.

Eles est�o ali.

A pol�cia?

Deve ser. Eles me seguem h� tr�s dias.

Tudo pronto para esta noite?

Nada est� pronto, n�o temos mais sala.

E as pessoas ainda n�o sabem.

Fazem tudo para sabotar o com�cio, Doutor.

- Quem pode arrumar isso? - O Secret�rio de Seguran�a.

Vamos v�-lo depois do almo�o.

- Vamos v�-lo agora. - Tudo bem.

V�o direto para o hotel.

Tamb�m h� amea�as de morte.

Uma pessoa ouviu que querem mat�-lo.

- Pediremos � pol�cia... - N�o pediremos nada!

� pol�cia falaremos s� sobre a sala.

Senhor, h� um problema.

A sala n�o est� regularizada.

H� 15 dias a sala estava liberada.

Aqui est� o relat�rio.

N�o h� sa�da de emerg�ncia.

Nunca houve.

Para o teatro, n�o � grave.

N�o h� perigo.

Um com�cio como esse incita as pessoas.

Nosso com�cio n�o apresenta perigo algum.

N�o tenho motivos para impedir o com�cio.

Minha decis�o se baseia em relat�rios competentes.

Neste caso, sou neutro.

Ent�o por que mandou nos seguir?

Para sua seguran�a.

Ordem da capital, do Min. Do Interior...

para proteger os membros e sua associa��o...

contra a a��o de extremistas.

Extremistas que voc�s controlam.

Senhor deputado...

h� salas em condi��es de seguran�a.

O Sindicato dos Funcion�rios em frente ao seu hotel.

� s� atravessar a pra�a.

Neste caso, sou neutro. Acredite.

Certo, coronel.

� ali. No primeiro andar.

Uma sala pequena, para 200 pessoas.

Em uma cidade de 500 mil habitantes...

s� 200 poder�o ouvi-lo. Os outros ficar�o de fora.

Pe�a permiss�o ao coronel...

para p�r alto-falantes nas �rvores.

Com ou sem permiss�o, as pessoas vir�o.

Vamos deix�-lo agora, Doutor.

Vamos tentar avisar as pessoas.

Espalhe cartazes com a mudan�a de endere�o.

Manuel, quero discutir os termos do discurso.

George, voc� tamb�m.

Sim, espero.

Querida, como vai?

Muito bem, sim.

Problemas com a sala, como sempre.

N�o, por que acha que haver� viol�ncia?

Por que acha que haver� viol�ncia?

Sim, amanh�.

George mandou um beijo.

At� amanh�, querida.

Como v�o as crian�as?

Bem, infelizmente vejo-as pouco.

E Helene?

Problemas, como todo mundo.

N�o pensamos do mesmo modo. N�o � nada s�rio.

Dizemos que o urso que n�o come, n�o dan�a.

Os ursos n�o v�o dan�ar, v�o ler isto.

Uma caneta.

REUNI�O TRANSFERIDA

Podem ir.

Re�nam-se na R�ssia!

Decidimos nos reunir aqui!

Obede�a!

Voc� a�.

Temos autoriza��o!

Deixe-os.

� mais divertido do que o Bolshoi.

Isso � divertido?

Vim aqui por voc�.

Seus bailarinos s�o antiquados.

A n�o ser que escolham a liberdade.

Ent�o, meu jornal...

E o Pacto de Vars�via?

Somos contra a bomba, americana ou russa.

Desarmamento!

Viva a bomba!

Viva a bomba!

Desarmamento!

Viva a bomba!

Morte ao imperialismo!

Venda ao "Daily Worker" "V�timas do Fascismo".

- Eles s�o indiferentes. - N�s tamb�m.

Calma, sem viol�ncia. Sem provoca��es!

Olhem s� isso! Todos a�, preparados!

- Deixe-os em paz. - Calma!

- N�o provoquem! - Senhor advogado?

Vamos come�ar. N�o h� mais lugar.

- Apertem-se um pouco mais. - Traga os alto-falantes!

- Vamos come�ar? - Vou busc�-lo.

Entrem.

Deixe-os.

- Est� explicado. - Quem �?

O novo rosto da oposi��o. Antes dele, era um deserto.

- As mulheres o apoiam. - Comunista?

N�o, ele luta contra a influ�ncia estrangeira.

Vai ganhar as pr�ximas elei��es.

Bonit�o.

� bonit�o.

Ex-campe�o ol�mpico, m�dico, professor universit�rio.

- E pol�tico honesto. - Perfeito.

Ele tamb�m est� no Bolshoi.

Precisamos convenc�-lo a cancelar o com�cio.

- Para recuar? - Para evitar provoca��es.

Precisamos organizar os estudantes.

Bagun�a, � o que eles querem.

- A n�o-viol�ncia. - A lei das selvas.

Est�o presos nessa sala. � uma armadilha.

Armada por quem?

Queremos o fim das bases estrangeiras. A CIA.

Isso � ir longe demais...

para extremistas n�o sabem o que dizem.

E as amea�as?

N�o � a primeira vez. Conhecemos os riscos.

Ningu�m. Est�o todos no Bolshoi.

Tente de novo.

A pol�cia deve assumir a responsabilidade.

Vamos � reuni�o.

Pol�ticos! Todos corrompidos!

Pol�ticos! Todos corrompidos!

Pol�ticos! Vamos enterrar a todos!

Vamos mat�-los, a todos!

Corrompidos!

Fique l� fora.

- Quem � voc�? - Sou ma�om.

Podemos come�ar.

Fui agredido.

Por qu�?

Porque as ideias que defendemos...

provocam tal rea��o?

Por que a paz � t�o intoler�vel?

Por que n�o atacam outras organiza��es?

A resposta � simples.

Os outros movimentos s�o nacionalistas...

usados pelo governo...

e n�o incomodam nosso Judas aliado, que nos trai.

Est� muito cheio. Precisamos parar com isso.

Vou mandar algu�m desligar os alto-falantes.

Isso incitar� os outros.

N�o fa�a isso.

Onde est� o Chefe da Pol�cia?

- Soube que ele estava aqui. - Ele deve estar por l�.

N�o h� hospitais e m�dicos o bastante...

mas metade do or�amento � gasto pelos militares.

� ele!

Um tiro de canh�o...

pagaria o sal�rio mensal de um professor.

Por isso eles n�o toleram a n�s ou nossas reuni�es.

E enviam provocadores para nos atacar.

No mundo todo h� soldados prontos a atacar.

Quem deseja o progresso?

- � ele o homem? - Disseram que sim.

- � ele? - Acho que sim.

Campe�o ol�mpico?

Pare com isso!

Acabem com ele.

N�o � ele!

- Eu disse que n�o era ele. - Disseram que era!

Vamos embora!

A pol�cia bloqueou tudo.

Tomates fora da esta��o. Custam uma fortuna.

- O que disse? - Ponha um silenciador!

N�o consigo nem pagar as presta��es.

... s�o mantidos para serem manipulados.

A pol�cia!

Lutamos tamb�m por eles.

Vivemos em uma sociedade corrupta.

Cada um por si.

Aqui tamb�m est� bloqueado.

Esconda-se.

Vivemos em um pa�s onde a imagina��o � suspeita.

E precisamos dela para resolver nossos problemas.

O poder das bombas at�micas estocadas...

corresponde a uma tonelada de dinamite por habitante.

Voc� s� pensa nisso?

Querem nos impedir de falar.

Querem nos impedir de tirar conclus�es...

baseadas em verdades �bvias.

Mas n�s falaremos.

Servimos o povo, que precisa de verdades.

Nada de fotos. Que voltem para o Bolshoi.

A verdade � o in�cio de uma a��o poderosa.

E pela verdade lutaremos...

Disperse esses agitadores.

Chega de estado policial!

Chega de estrangeiros!

Chega de estrangeiros!

Senhor Inspetor de Pol�cia!

Senhor Diretor de Pol�cia!

Est�o a� de novo! O que est�o esperando?

Cuidado!

Jogue-o! Vai!

� meu primo. Dei uma brecada, ele caiu.

Fique em p�.

Voc� o atacou, eu vi.

- O qu�? - O que houve?

� meu primo. Dei uma brecada, ele caiu.

- Est� sangrando. - Seus documentos.

Documentos?

Um momento.

Aqui est�o.

Est� sangrando, ele precisa de cuidados.

Bateu com cassetete, eu vi.

- Viu? N�o foi nada. - Isto n�o � nada?

- Voc� tentou mat�-lo. - Cretino!

- E a caminhonete? - Ningu�m vai mexer nela.

Chame uma radiopatrulha.

Claro, ligue para a delegacia.

Fique aqui.

Vem c�.

Vou fugir. Finja me bater.

N�o posso explicar.

Preciso fugir. Finja que n�o me viu.

N�o se mexa.

Que horas s�o?

Tenho um encontro, n�o posso faltar.

O regime n�o p�de mudar isso.

Os russos querem viver como os americanos.

Senhor Procurador, depressa, � muito grave.

Vice-Procurador, venha comigo.

At� logo.

Senhor Procurador.

Conversaremos mais tarde.

Perdi o bal� com tanta bagun�a.

- Por que n�o contou antes? - Durante o bal�?

- O que houve? - Um acidente de tr�nsito.

- Prenderam o culpado? - Ainda n�o.

- Prenderemos logo. - E a v�tima, foi grave?

N�o sei, espero not�cias do hospital.

Vou at� l�. Se permitir, no seu carro.

- Claro. - Que hist�ria!

A imprensa j� sabe?

Eu acho que n�o.

Preciso avisar o Ministro.

Sala da reda��o.

O que aconteceu?

Houve uma manifesta��o. Demos uma li��o a eles.

N�o podemos impedir que se re�nam...

mas n�o podemos deixar de reagir.

Como uma rea��o biol�gica.

Entende?

N�s, elementos s�os da sociedade, anticorpos...

acabamos com eles.

O que voc� quer de mim?

Escreva...

que estive na manifesta��o...

com aqueles que surraram os cretinos.

Para qu�?

Para que os amigos saibam.

Se � o que quer... V� ao hospital cuidar disso.

Assim saber�o que h� feridos dos dois lados.

Se for logo, ser� dos primeiros na lista.

N�s avisamos, Procurador.

Achou que era brincadeira ou mentira.

- Agora n�o � hora. - N�o � hora.

Esse assassinato � responsabilidade sua.

Engana-se, a pol�cia tem provas de que foi acidente.

Precisamos deles. Estamos em perigo.

S�o acusa��es muito graves, sem nenhuma prova.

Eles s�o cegos. Ou pior, c�mplices.

Foi um acidente, sem provas.

Sobre a tentativa de assassinato?

Quem � voc�?

Eu estava na manifesta��o, vi tudo.

- Tenho at� fotos. - Tem fotos da caminhonete?

Da caminhonete n�o. A pol�cia nos perseguiu.

Quanto cinismo!

Usar�o esse incidente politicamente.

- Com certeza. - Eles sabem fazer m�rtires.

Necr�filos!

Esperemos que ele n�o morra.

Seria conveniente para eles.

N�o h� esperan�a.

O c�rebro tem v�rias les�es.

Estamos em plena opera��o.

O cora��o luta tenazmente...

mas � cedo para tirar conclus�es.

- Precisamos de conclus�es! - Ele n�o pode ouvi-lo.

Percebe as consequ�ncias pol�ticas disso?

A outra v�tima est� fora de perigo.

Outra v�tima?

O Deputado George Pirou. Foi encontrado na rua.

� grave, mas est� fora de perigo.

Dois parlamentares feridos.

A pol�cia est� por tr�s disso.

Vou ligar para o Ministro. Em particular.

- Venha. - Obrigado.

- Avisaram a mulher dele? - N�o escuto conversas.

- Claro. - � verdade.

Quando ela chega?

Amanh�. No primeiro avi�o.

Amanh�. � hoje.

� para o meu jornal.

O que ela disse?

No come�o, nada. S� ouvi a respira��o.

Ent�o ela disse: "Ele vai sobreviver"?

O diretor n�o sabia o que dizer.

E ela disse: "Ent�o eles vieram".

Esteve l� esta noite?

Sou jornalista. Pode... escute...

A pol�cia n�o foi eficiente. Eu n�o queria feridos.

Dois deputados feridos. Um em estado grave.

- Pegamos o culpado. - Onde est�? Quero v�-lo.

Vou acompanh�-lo, est� na cantina.

Na cantina?

As celas est�o em p�ssimo estado.

- Falta de eletricidade. - N�s as usamos como dep�sito.

Falei com o Ministro. O caso � muito grave.

Uma cat�strofe pol�tica.

Se a imprensa descobre o culpado na cantina...

O Ministro quer ser informado de tudo.

N�o tem nem algemas?

- � filho dele? - N�o, vendedor de rua.

- Ele estava sozinho? - Eram dois.

Temos o endere�o do outro.

Parece que estava dormindo na hora do crime.

Ele se entregou?

Foi preso por dirigir embriagado.

Est� tudo no relat�rio.

Expire.

Sem tra�os de �lcool.

Foi a carne.

Carne de carneiro tira o cheiro.

O que fez at� agora?

Fiz o carneiro!

Ele fez o carneiro!

Ele est� aqui h� horas e n�o me contaram?

Eu n�o sabia, soube mais tarde.

Como? N�o foi avisado?

- Desde quando est� aqui? - Desde 10:30, 11 hs.

Abrigaram um criminoso! Voc�s o esconderam de mim!

O senhor sabia, coronel?

Eu sabia...

mas n�o tive tempo de avisar o general.

Ent�o o senhor chegou. Quando ouvi o general dizer...

que n�o pegamos o culpado n�o quis desmentir.

Preparem-me uma sala.

Eu mesmo farei o interrogat�rio.

Venha.

Prendam o segundo culpado.

Coma.

N�o tem ningu�m, est�o todos na impress�o.

O que foi? Usa �culos agora?

� para n�o ser reconhecido.

Tire meu nome da lista. O homem est� morrendo.

Qual � sua rela��o com isso?

Nenhuma! Um acidente, dois b�bados na caminhonete.

Se meu nome sair, serei interrogado.

- N�o ser� bom. - Eu tiro seu nome.

O que vai fazer agora?

N�o posso. Estou ocupado.

Precisa ir embora.

Por ali.

Ningu�m se mexa.

O que eles querem?

Problemas, � claro.

N�s somos sensatos, n�s recusamos.

Mas por que s�o sempre os nossos que s�o mortos?

- Ele est� vivo. - Est� clinicamente morto!

Clinicamente morto.

O c�rebro est� destru�do.

Mas o cora��o bate.

O cora��o n�o quer parar, ele bate.

Se eu disser uma palavra, eles destroem a cidade.

Por que devo cont�-los?

N�o sei se ainda desejo lutar.

Ele desejava. E por isso foi morto.

- N�s estamos vivos. - Venha c�.

Foi s� o que encontrei.

Os jornais da manh�.

A pol�cia nos culpa pelo acidente.

Quer caf�?

"A transmiss�o do discurso nos alto-falantes...

constituiu uma provoca��o.

As propostas antinacionalistas...

o ataque � pol�tica externa do governo...

provocaram uma rea��o do p�blico.

Isso levou aos incidentes violentos.

A pol�cia cumpriu seu dever com serenidade.

Mesmo assim, dois policiais e 11 agentes foram feridos."

Foi o que o general disse aos jornalistas.

Precisamos responder isso.

Devemos sublinhar o car�ter pac�fico da manifesta��o.

Nosso com�cio foi autorizado.

Foi autorizado para ser sabotado pela pol�cia.

- N�o temos provas. - Nenhuma prova.

Nenhuma prova v�lida.

S� podemos lamentar a passividade da pol�cia.

Mais tarde, podemos ressaltar as contradi��es.

Por que n�o chamamos a Cruz Vermelha...

ou os Direitos Humanos?

Voc� quer uma declara��o defensiva e lamuriosa.

Precisamos atacar, denunciar os respons�veis.

- Voc� quer a luta armada? - Por que n�o?

- � loucura! - Inadmiss�vel.

Chegamos at� aqui, precisamos pensar...

N�o faremos nada disso. Devemos agir legalmente.

- Agimos legalmente h� anos! - E continuaremos assim!

� o �nico modo de reagir.

Isso pode voltar-se contra n�s.

Voc�s n�o t�m vergonha?

Ele est� morrendo!

N�o temos nenhuma prova contra eles.

E as amea�as contra voc�?

Ele mesmo disse que n�o eram s�rias.

Ontem n�o eram s�rias! E hoje?

Aquele sujeito n�o falaria hoje? Para a imprensa?

Eu duvido.

J� estava com medo de repres�lias.

Deve estar mais amedrontado.

Precisamos tentar. Sabe onde encontr�-lo?

Depois do meio-dia. E devemos tomar cuidado.

Eles nos vigiam.

S�o eles.

Eles nos protegem.

Podemos ficar tranquilos como o Doutor.

Qual foi sua rea��o ao receber a not�cia?

O presidente dos EUA enviou um telegrama?

Dizendo o qu�?

Eram felizes no casamento?

Ele foi amea�ado de morte?

Vai deixar os comunistas explorarem isso?

A pol�cia fala em acidente. Acha que foi assassinato?

Por que chamou um cirurgi�o ingl�s?

� verdade que iam se divorciar?

Foi um acidente infeliz?

Est� sendo operado pela terceira vez.

� o diretor do hospital.

� o diretor do hospital.

Seu marido sofreu um acidente.

Conheci seu marido.

Estudamos juntos.

Eu quis acompanh�-lo na maratona pela paz...

mas quando foi proibida, n�o pude.

� grave, mas ele vai sobreviver.

O Prof. Dodd chegou de Londres esta noite.

� um dos melhores cirurgi�es ingleses.

Quer dizer a verdade aos parentes?

Viver�o muito tempo com a verdade.

A fratura no c�rebro foi provocada pela queda.

A massa cerebral foi afetada.

O choque violento...

provocou uma explos�o no interior do c�rebro.

� imposs�vel avaliar as consequ�ncias...

mesmo se a opera��o for bem-sucedida.

A terceira opera��o acaba de come�ar.

O fator positivo � sua resist�ncia card�aca.

Quando chegou ao hospital, fizemos massagem card�aca.

Usamos tamb�m adrenalina. Seu cora��o � resistente.

Bate regularmente.

Entre, senhora.

Gen. Missou, Inspetor da Pol�cia.

Um acidente sem sentido, sinto muito.

- O Chefe de Pol�cia. - Pegamos o culpado.

- O Senhor Procurador. - Meus p�sames.

O juiz de instru��o.

Como eu dizia...

certas regi�es do c�rebro foram afetadas.

Essas les�es ainda n�o foram definidas.

Os cirurgi�es est�o otimistas.

Precisamos esperar o resultado da cirurgia.

Seu marido tem um cora��o excepcional.

Se o cora��o aguentar, ele viver�.

E pode ter esperan�as.

General, � o Ministro, da capital.

V�o explorar a presen�a da esposa.

Eles usam as emo��es.

Os arquivos.

� o secret�rio da comiss�o.

Quero um resumo de cada arquivo.

Detalhes da vida pessoal e profissional de todos.

Quero tudo esta noite.

O deputado ferido.

Este � o outro advogado.

- E o dele? Est� a�? - Acabou de chegar.

Ele � mulherengo?

N�o sei, mas deve ser.

Vamos quebrar sua aur�ola. Ele se d� bem com a esposa?

- Est� sendo vigiada? - Como os outros, general.

- Dois homens... - N�o quero saber detalhes.

- E os outros? - Reuniram-se de manh�.

Pegaram a esposa no aeroporto. Depois se separaram.

Alguns levaram a esposa ao hospital.

Quanto a esse a�...

Foi seguido. Deu declara��es � imprensa.

O senhor tem uma c�pia.

Desculpe, foi � Universidade falar com os estudantes.

Estudantes!

Chame nossos agentes � Universidade.

N�o o larguem mais.

Ele quer aproveitar-se da situa��o. Sem-vergonha.

- E � judeu, � claro. - Meio judeu.

S�o os piores. Acham-se superiores a todos.

Inclusive aos judeus.

- O Procurador chegou. - Pode entrar.

N�o o largue mais. Dia e noite.

Entre. N�s o esper�vamos.

E o segundo culpado?

N�s o pegamos. Entregou-se de manh�.

Venha � minha sala.

Sentem-se, por favor.

� o juiz que manda agora. Oficialmente.

Relate as primeiras investiga��es...

e sigam suas ordens.

O Vice-Procurador ficar� no meu lugar.

As primeiras investiga��es...

Quando posso interrogar o culpado?

Quando quiser.

Parece que ele dormia na caminhonete, b�bado.

� inocente, se isso for confirmado.

E onde estava antes?

Tenho o depoimento do motorista e a foto.

Passaram a noite bebendo no Bar do Chin�s.

Temos bares chineses na cidade?

O dono do bar lutou na Guerra da Cor�ia.

Por isso � chamado de chin�s.

Confirmou o depoimento dos r�us.

Lerei a dele.

"Eu, Bertrand... ...Bar do Chin�s...

declaro que dia 22 de maio deste ano...

Yago e Vago entraram no meu bar �s 19hs...

e ficaram at� �s 22hs.

Quando chegaram, beberam Pernod."

� proibido, senhora.

D�cima terceira testemunha...

Vi Vago e Yago beberem, n�o sei quanto.

Quando sa�ram, �s 22hs, estavam b�bados.

O Chin�s disse: "N�o peguem o kamikaze, podem bater"."

"Kamikaze"?

� a caminhonete. Uma marca japonesa.

Estamos em pleno Extremo Oriente.

Est� tudo claro.

Faltam algumas informa��es sobre os r�us...

mas a tese de acidente � indiscut�vel.

Eu concordo.

O Ministro quer tudo resolvido rapidamente...

para evitar especula��es pol�ticas...

que desacreditam o pa�s no estrangeiro.

A Procuradoria deve fazer uma declara��o...

sobre o incidente...

dizendo que os culpados foram presos...

e ser�o acusados por dirigir embriagados e agress�o.

- E fuga do local do acidente. - Naturalmente.

E o homem que o levou ao hospital?

Um momento.

� para o senhor, Procurador.

Ele acabou de morrer.

Isso n�o muda a declara��o da Procuradoria.

Em vez de "agress�o" ser� "homic�dio involunt�rio".

Deixe-me sozinha.

Eu a espero embaixo.

Acabou.

Quem � voc�?

Eu admirava seu marido, sou jornalista.

Sem fotos.

S� algumas perguntas. O p�blico...

o povo tem direito de saber.

Por que acha que n�o foi acidente?

Foi acidente? Ou n�o foi?

Ontem, disseram que houve uma amea�a.

Sabia disso?

Esperava por isso?

E disse: "Finalmente, eles vieram".

O que eu disse?

Ao diretor do hospital, ontem � noite.

E disse: "Finalmente, eles vieram".

V� embora.

Os culpados foram presos. Referia-se a eles?

Deixe-me em paz.

Desmascarar os assassinos!

Eles j� sabem?

Sim e isso � s� o come�o.

Desmascarar os assassinos!

A pol�cia � c�mplice!

N�o estou entendendo.

A queda n�o foi a causa da morte?

De modo algum.

A causa da fratura craniana foi um golpe na cabe�a.

� a nossa conclus�o.

A queda causou ferimentos leves.

Tem certeza?

Um golpe de qu�? O choque contra a caminhonete?

Esse golpe n�o foi grave.

O ferimento no cr�nio...

causado por instrumento do tipo cassetete...

barra de ferro ou coronha de rev�lver.

Ningu�m mencionou a presen�a de armas.

Continue, doutor.

A fratura craniana foi provocada...

por um golpe de cima para baixo.

Somente nesse caso h� les�es sim�tricas...

na regi�o subjacente e na regi�o oposta � les�o.

Encontramos essas les�es na aut�psia...

assim como hemorragia cerebral...

e fratura na t�mpora esquerda.

No caso de um choque...

sobre uma superf�cie dura como a cal�ada...

n�o haveria les�es sim�tricas.

Por que n�o disseram isso antes?

- Ontem, por exemplo. - Ontem ele estava vivo.

Esse � o resultado da aut�psia.

Havendo tempo para exames, chegar�amos a esses fatos.

H� outra hip�tese.

Se a v�tima foi arrastada pela caminhonete...

pode ter batido contra a cal�ada.

O incidente ocorreu no meio da rua.

Uma queda n�o provocaria essas les�es.

- Posso telefonar? - Aqui ao lado.

Yago guiava. O segundo homem estava b�bado...

e � um golpe muito preciso. Algum dos manifestantes?

Essa hist�ria est� estranha.

- Conhece-os bem? - Muito bem.

Eles fazem pol�tica?

Talvez.

- Comunistas? - N�o trabalhariam aqui.

- S�o da oposi��o? - Isso nunca se sabe.

Quero falar com o general.

Queria v�-lo porque preciso de informa��es precisas.

As informa��es parecem-me precisas.

H� um fato novo.

Est� abafado aqui.

O senhor viu o acidente?

Como aconteceu?

Em que momento?

Quando a caminhonete chegou, o que houve?

O coronel e eu est�vamos l�...

ele saiu, cumprimentando o p�blico...

que por sinal n�o o aplaudia.

Ele n�o viu a caminhonete que veio em ziguezague.

Ele foi atingido.

Os homens do coronel seguiram a caminhonete.

Dois deles tiraram as armas.

Mas seria arriscado com tanta gente.

A caminhonete continuou em ziguezague e escapou.

E depois?

Depois a pol�cia evacuou a �rea...

e p�s a v�tima em um fusca para ser levada ao hospital.

N�o achou o motorista do fusca?

Ainda n�o. Mas deve ser amigo deles.

Ofereceu-se na hora para transportar o ferido.

Quando viraram a v�tima, a cabe�a bateu na cal�ada?

Isso aconteceu no meio da pra�a.

- Tem certeza? - Absoluta.

Por que tantas perguntas? Qual � o novo fato?

Segundo a aut�psia...

a causa da morte foi um golpe de cassetete.

Como cassetete! O que esses m�dicos pensam?

Ordenei a aut�psia, � o procedimento legal.

Ficou tudo claro no com�cio de ontem!

Voc� vai nos deixar...

Uma testemunha. Este � o nome e endere�o.

Diz que tem provas de que foi assassinato.

Vir� depor hoje �s 14hs.

Come�ou. Assassinato.

Logo falar�o em compl�, se isso se arrastar.

Eu o vi. Completamente b�bado.

Quase caiu na frente da caminhonete.

O que houve? Voc� viu?

Sim, ele escorregou e caiu.

Tem algu�m aqui?

Tem algu�m aqui?

Sou o General da Pol�cia Militar.

Eu ia dar meu depoimento e quando andava...

Voc� caiu. E bateu contra a cal�ada.

Tem uma doen�a nervosa? Epilepsia?

Fui agredido. La falar com o juiz...

Tenho provas do assassinato do deputado.

N�o foi acidente! O pr�prio Yago me disse.

La dizer isso ao juiz.

No caminho, bateram na minha cabe�a.

Com um cassetete.

Para que eu n�o contasse. Tentaram me matar.

N�o sei quem mandou contar essa hist�ria...

ou por qu�...

- N�o quero saber. - Posso esquecer tudo isso.

Digamos que foi influenciado.

Voc� � quase da fam�lia. Seu primo � policial...

o cunhado trabalha para o governo.

- Esque�a tudo isso. - Est�o chegando.

Quando sair procure-me, se precisar de algo.

Virei saber not�cias.

Sou solteiro, vivo com minha m�e.

- Profiss�o? - Trabalho com vernizes.

- Conhece bem Yago? - Muito bem, � meu entregador.

N�o conhe�o os outros dois.

- No dia do assassinato... - Do acidente.

Ao meio-dia, liguei para ele para fazer uma entrega.

Caix�es envernizados e eu sem dinheiro...

para pagar a caminhonete.

Volte � tarde, estar�o prontos.

N�o posso � tarde.

- Ent�o esta noite. - Tamb�m n�o.

� noite farei a maior besteira da vida.

Um assassinato.

No dia seguinte, soube que ele matou o deputado.

Yago contou tudo isso?

Desde quando est� no partido?

Que partido? N�o tenho partido.

Gosto s� de futebol.

O general disse que sou epil�ptico.

Que general?

O General da Pol�cia. Falou em uma doen�a nervosa.

- Ele veio v�-lo? - Logo antes de chegarem.

Eu n�o sou epil�ptico! E n�o tenho partido.

- Fale mais de Yago. - S� isso. Ele foi embora.

Ele � que tem sorte.

Quando far� a entrega?

Tentei impedi-lo de fazer bobagens...

mas ele faz o que quer.

Quem mandou procurar o juiz de instru��o?

Ningu�m. Vi a foto de Yago nos jornais.

Primeira p�gina do jornal, como um ministro.

- Quis sair no jornal. - E inventou tudo?

N�o inventou, algu�m o influenciou.

Ningu�m influenciou. At� minha m�e foi contra.

Venha comer.

- Ele matou um homem. - Que homem?

Um deputado.

- Do governo? - N�o, da oposi��o.

Fez bem. O que voc� tem com isso?

Ele saiu no jornal.

Venha comer.

- Eles que se matem. - Estou sem fome.

Ela voltou, com minha irm�.

O que foi? Quer ficar famoso?

Estou cumprindo meu dever.

Seu dever � cuidar da sua fam�lia.

Sempre cuidei da fam�lia.

Voc� tem um imbecil que a sustenta.

N�o chame meu marido de imbecil!

Acha que vai ganhar uma medalha?

Mesmo assim, eu vim.

Teria ido, se n�o fosse atingido.

Tem certeza que n�o caiu?

Teria que ser acrobata para cair sobre a cabe�a.

Pode assinar o depoimento depois, se ainda quiser.

Claro que quero, n�o sou louco.

Nossa primeira testemunha de acusa��o.

Eles n�o perderam tempo.

Uma testemunha, hoje, dez amanh�, 15 depois.

Dizem que Yago fez isso e aquilo.

Tudo sem nenhum valor jur�dico.

Eles querem criar problemas.

Eles o enviaram...

e inventaram a hist�ria do cassetete.

Para fazer um m�rtir da testemunha.

N�o bateram muito forte para que ele fale.

Hospitalizado, mas capaz de falar!

Admite que me bateram e n�o ca�?

Sabe o que � perj�rio?

N�o � perj�rio!

Eu queria ajudar. Se soubesse, n�o teria vindo.

Eu disse. Por que se meteu nisso?

N�o estava bem em casa?

Coma.

E se disser que escorregou numa casca de laranja?

Eu n�o escorreguei.

Sempre quer ter raz�o, escute-me uma vez.

S� uma.

A primeira e �ltima.

- � sempre assim. - A �ltima mesmo.

Diga que escorregou e pronto.

Vai se arriscar a ser preso.

Mandarei outros para a pris�o.

N�o arrisco nada.

Yago e sua foto.

Quem a mandou aqui? A pol�cia ou sua filha?

Sim, fui eu. O que quer? Arruinar minha casa?

Saia, mam�e.

Deixe-nos a s�s.

- N�o discutam. - V� embora!

Voc� me detesta porque tive sucesso na vida.

Voc� e seu marido me desprezam.

Deixe meu marido! Voc� j� causou problemas!

Voc� nunca ajudou e quer arruinar minha vida.

Quando papai morreu, quis que tomasse seu lugar.

Precisava de prote��o. Voc� me negligenciou.

Nunca saiu comigo.

Preferia ir ao futebol com gente como Yago.

Agora pode ser preso por perj�rio!

Passaremos por c�mplices.

Meu marido perder� o emprego.

Venha c�. Escute.

Voc� ouve que algu�m vai morrer hoje.

N�o acredita.

Depois descobre que ele foi morto.

N�o avisaria a pol�cia? Foi o que eu fiz.

Eu disse o que sabia para ajud�-los.

Ajudar a quem?

A pol�cia, a encontrar o culpado.

Est� ajudando a outros, voc� sabe.

O que voc� quer?

Sua m�e me mandou. Sou jornalista.

Direi o que houve com meu irm�o.

- Estava l�? - N�o, mas � mentira!

N�o bateram nele.

Ele escorregou ou ficou tonto e caiu.

Ou foram os oposicionistas, para causar problemas.

� o que diz a pol�cia.

Dizem que seu irm�o � louco mas n�o podem provar.

Voc� pode?

N�o posso.

Ent�o por que quer que ele passe por louco?

Eu n�o disse isso. Ele � teimoso como uma mula.

Nunca muda de ideia.

Se mudar, estar� tudo bem.

Mas se � teimoso, haver� uma investiga��o.

E se ele for louco? E se tiver epilepsia?

Diga que voc� e seu marido...

s�o de um grupo de direita...

e fale como conseguiram emprego!

Sim! � verdade!

N�o acorde o policial.

- Ela o acordou. - Ele est� dormindo?

Vai tirar fotos?

Para o jornal, como Yago?

Assim n�o!

Assim saber�o que bateram em voc�.

Bateram para impedi-lo de dizer coisas importantes.

Eles v�o bater de novo?

N�o, porque voc� vai ficar famoso.

Os jornais precisam falar de voc�.

Diga tudo o que sabe.

Quem veio aqui? Sua m�e, sua irm�, o juiz.

O general? Ele me odeia.

Eu quis ajud�-lo e ele me despreza.

Perguntou se eu era comunista.

- E �? - N�o!

Escreva isso! Gosto de futebol.

J� tenho o bastante.

Estar� na primeira p�gina por uma semana.

Desculpe.

Quem era?

Eu o conhe�o.

Ent�o tem uma doen�a card�aca?

� uma antiga fratura.

Nome, sobrenome e profiss�o.

J� foi condenado?

Quatro vezes.

Sim, quatro.

Porte ilegal de arma...

ofensa p�blica, roubo...

e estupro.

Estupro?

Fui monitor em acampamento de escoteiros.

O que fazia no hospital?

O Chefe de Seguran�a o internou.

Ele tem sopro no cora��o.

O m�dico da pol�cia deu um certificado.

J� sei.

Isso n�o explica o gesso. Nem esse cassetete.

� uma antiga fratura.

Eu estava duro quando quebrou.

Precisava raios-X, dez dias na cama.

Se paro de trabalhar, morro de fome.

� fratura de rico.

Os ricos pegam gripe, uma semana na cama.

Os pobres n�o podem parar.

Aproveitei para me curar quando estava no hospital.

Onde estava aquela noite?

No Bar do Chin�s com Yago at� �s 10hs.

V� muito Yago?

Somos amigos e primos.

- Ele tamb�m bebeu? - Muito, ele bebe muito.

O Chin�s disse para n�o dirigir.

Eu entrei atr�s e dormi.

A batida e os gritos me acordaram.

Achei que era um buraco.

Mas n�o paramos. Olhei.

Ent�o um sujeito pulou na caminhonete feito louco.

Leve e feroz como um tigre.

Ele me agarrou e me jogou para fora, na rua.

Como ele pulou?

- Como um tigre. - N�o, a frase toda.

Leve e feroz como um tigre.

Yago usou os mesmos termos.

Mas n�o o viu.

Simples coincid�ncia.

Eles n�o se viram depois do acidente.

A pol�cia confirmar�.

Eu fiquei no meio da rua, quase fui atropelado.

E ent�o?

Fui para casa.

De manh�, quando vi o jornal...

procurei a pol�cia, que me p�s no hospital.

Ele se perdeu nos corredores procurando o quarto...

e encontrou um jornalista por acaso.

Isso combina com o outro testemunho.

Mas uma de suas frases me fez pensar.

Pode mudar toda a investiga��o.

- Acho que voc� � comunista. - Eu?

Voc� e Yago, s�o amigos!

Algo que voc� disse me fez pensar.

"Os ricos pegam gripe, uma semana na cama.

Os pobres, n�o podem parar."

N�o terminou a frase porque viu que se tra�a.

Eu odeio comunistas!

Quero provas.

S� um comunista diria isso!

Sou de uma organiza��o que combate os comunistas.

- Yago tamb�m! - Que organiza��o?

Combatentes Monarquistas do Ocidente Crist�o, CROC.

Voc� criou uma tempestade.

Yago foi preso como c�mplice.

Portanto, foi premeditado.

O juiz acreditou em voc�.

Descobriu que Yago e Vago s�o de um grupo secreto.

- Secreto? - CROC.

Todos conhecem.

A pol�cia os usa para manter ordem nas visitas oficiais.

N�o tem nada a temer agora.

Em um ano, tudo estar� esquecido.

Ningu�m pode mexer com voc�.

Conhece algu�m que possa me mostrar esses CROC?

Eu pago.

- Eles me bateram. - Para desmascar�-los.

Conhece algu�m?

Mas n�o diga que fui eu que disse.

� Dumas.

Nasceu na R�ssia.

Entrou para o CROC porque foi obrigado.

Porque o irm�o se encrencou.

Ele quer ir para a Alemanha.

Mas n�o tem passaporte.

Se lhe der um passaporte...

O passaporte? No bolso.

Consegui atrav�s do meu jornal.

Fotos?

Promessa � d�vida.

Agora, � sua vez.

N�o gostou?

As perguntas?

O CROC re�ne-se regularmente?

Onde?

Na casa de um sujeito, no sub�rbio.

- S�o numerosos? - �s vezes, sim.

- O que acontece? - O chefe fala da p�tria...

A religi�o e a monarquia s�o os pilares da p�tria...

e da civiliza��o crist� ocidental.

Eu escuto.

Quem n�o escuta, n�o tem trabalho.

O que mais?

Na R�ssia, n�o se pode fazer greve.

Nem acreditar em Deus. Nem ter casa e jardim.

O indiv�duo � esmagado pelo totalitarismo.

Voc� concorda?

Li o mesmo nos jornais.

O indiv�duo n�o tem nada, tudo � do Estado.

Yago ia �s reuni�es?

Sempre. Eles falam dos capitalistas.

Chega de capitalistas, chega de oper�rios.

Nada de esquerda e direita.

Todos juntos, o mesmo povo.

Para isso, devemos acabar com todos!

A come�ar pelos intelectuais!

A livraria vizinha!

Falavam dos parlamentares corruptos.

Dos movimentos de jovens.

O que diziam?

Precisamos reunir os jovens.

E dar-lhes um ideal comum.

No exterior dizem: "Fa�a amor, n�o a guerra".

Aqui dizemos: "Fa�am a guerra...

� corrup��o e ao liberalismo...

e � liberdade indiscriminada"!

Digamos que eu concordo, mas n�o ligo.

- E Yago? - Ele concorda.

Quer pagar sua caminhonete.

Depois do ataque, ele pagar� tudo.

Por isso ele matou o deputado?

Voc� disse que n�o queria acusar ningu�m.

- Quanto devo? - Eu pago, senhor.

Mostre-me esse homem para fotografar.

� isso o que quer?

Os tr�s na caminhonete.

O a�ougueiro.

O gordo � o dono do bar onde se re�nem.

O barbeiro.

O mec�nico e os dois de preto.

- Com a roupa c�qui. - Aquele?

Ex-boxeador.

Morou nos EUA e voltou para c�.

No jardim, o chefe.

Era oficial alem�o durante a ocupa��o.

O vendedor de figos.

Falador, sempre na primeira fila.

Espere.

Alguns figos, por favor.

Fotos?

Ali, sentado. Ele vende o sangue.

Nas emerg�ncias vende muito caro.

Aquele vendeu um olho para um americano.

Agora ficou rico e n�o vai �s reuni�es.

Ele enxerga mal. E vende o sangue.

Nem este?

E ele?

Estes?

Tamb�m n�o?

Parece...

� ele.

Bateu em mim duas vezes.

No hotel e na ambul�ncia.

Escreva isso na margem.

Publique isso no jornal.

Assine a legenda.

Publique.

N�o no nosso jornal. Em um grande jornal.

Tem mais leitores, pagam melhor.

E eu?

No meu jornal, amanh�.

Chame o juiz, darei as outras fotos.

O que voc� quer? N�o quer que funcione?

Em um jornal local passar� despercebido.

No meu jornal, ser� informa��o.

Voc� me reconhece?

Voc� me desonrou!

Voc� fez de mim um g�ngster!

N�o estive na passeata! N�o participo da pol�tica!

Os pol�ticos s�o todos canalhas!

Solte-o.

Saiam.

Sou o juiz de instru��o.

Explique-se.

Eu sa� nos jornais.

O Sr. Pirou me acusa de bater nele.

E me reconheceu na passeata.

Eu n�o estava l�, tenho testemunhas.

Isso � pol�tica. Canalhas.

Eu estava vendendo figos.

Em que jornal voc� apareceu?

N�o sei o nome.

O jornal da capital que chega �s 10hs.

N�o sei ler. N�o muito.

O vendedor de jornais me mostrou.

E leu para mim.

No mercado, me olham feio.

Quero uma explica��o, de homem para homem.

Falou com um jornal da capital?

Ainda n�o me reconhece?

Que jornal � esse?

O jornal da capital que chega �s 10hs.

Eles n�o chegaram hoje. O avi�o n�o p�de decolar.

Quem o mandou vir aqui?

Eu bati nele.

Mas n�o fui eu...

eu fui for�ado.

A pessoa que me avisou... me for�ou.

Quem? Como se chama?

N�o posso dizer. Ele � importante.

Muito importante. N�o posso.

Ele veio me avisar.

Barone, sua foto sair� em um jornal da capital.

Minha?

O jornal chega �s 10hs. �s 10h45, mas n�o antes...

v� ao hospital ver Pirou.

Fa�a um esc�ndalo. Diga que � inocente.

Grite, fa�a uma bagun�a.

Os jornalistas estar�o l�. Repita o que vai fazer.

Vou para o hospital... Saia daqui.

Procuro Pirou.

Diga o nome dessa pessoa.

N�o posso, � muito importante.

Certo. Siga-me, por favor.

Sou inocente. Vim para testemunhar.

Isso � coisa da esquerda.

Essa pessoa importante...

n�o perguntei o nome...

ele o ajudou?

Sim, no trabalho. E com meus p�ssaros.

Eles acordam os vizinhos. Eu teria que mudar.

Mas os p�ssaros s�o bonitos. Devia v�-los, Sr. Juiz.

E me ajudou no trabalho.

Conseguiu a licen�a no mercado.

No dia do acidente, ele o procurou?

Jimmy, o boxeador, disse: "O chefe est� l� embaixo".

Ele estava no carro.

Entre.

Sabe que ser� hoje?

N�o � poss�vel.

Eu esperava uma entrega de figos.

Eles s�o fr�geis.

Para vender figos precisa de uma banca?

- Tenho a banca. - E a licen�a?

- Eu tenho uma. - Mas por quanto tempo?

- Seis meses. - E como vai renovar?

� ele que d� as licen�as?

Ele nos deixou na rua.

Esta tarde quero um bom trabalho.

Se der certo, ter� uma licen�a definitiva.

Talvez uma casa nova para os p�ssaros.

Eu disse: "Coronel, farei o melhor poss�vel".

� o coronel da Pol�cia?

Bom.

Sente-se, vamos come�ar de novo.

Pode vir, Vice-Procurador.

A prorroga��o da investiga��o...

d� chance � oposi��o de a��es subversivas.

De que lado est�?

N�o � prorroga��o, � um novo caso.

H� pontos obscuros, mas o caso � claro.

N�o, ao contr�rio.

Come�amos com um acidente e dois b�bados...

- Obrigado. - Gelo, querida.

Os testemunhos concordam em detalhe.

Confirmados pelo Chin�s.

A segunda aut�psia anula o resultado da primeira.

Outra aut�psia provar� o contr�rio.

E a outra, provar� o contr�rio da segunda.

N�o explorei essa hip�tese...

porque uma testemunha confirmou o assassinato.

Baseado em uma conversa vaga.

Ele n�o p�de testemunhar porque foi atacado.

- Est� no hospital. - O que sugere?

N�o sugiro nada, enumero fatos.

O jornalista entra em cena. Ele n�o � militante.

Descubro que Yago e Vago pertencem � CROC.

Combatentes Monarquistas do Ocidente Crist�o.

Eu conhe�o.

� qual pertencem o agressor do parlamentar...

e a maioria dos manifestantes.

Parece que a pol�cia os conhece...

e os usa em eventos, como visitas oficiais.

Isso n�o foi provado.

Como o fato de o Chefe de Pol�cia...

ter levado em seu carro este homem � manifesta��o.

O Chefe de Pol�cia n�o se relacionaria...

com esse tipo de gente.

N�o abertamente! Ningu�m acreditaria nisso!

Minha conclus�o � esta...

Como um caso de motorista embriagado, � simples...

mas imposs�vel.

Se admitirmos um ato premeditado de um grupo...

com a ajuda ou toler�ncia da pol�cia...

tudo se torna claro.

O que diz � muito s�rio. Devo informar o Ministro.

Prefiro a tese do acidente.

Premeditado, talvez, por dois fan�ticos b�bados.

O senhor n�o fuma.

Precisamos resolver rapidamente.

A cidade, o pa�s, talvez o mundo...

observam e esperam.

Nosso pa�s est� em perigo.

N�o precisa interrogar esses miser�veis.

Voc� � jovem, de futuro.

Este caso pode abrilhantar ou acabar sua carreira.

Creia na minha experi�ncia.

Meu grupo � autorizado pelo Estado.

Somos cidad�os honestos, elementos s�os da sociedade.

Somos anticorpos na luta contra as doen�as.

Defendemos a civiliza��o crist� ocidental...

atrav�s de ideias, de exemplos.

Nenhum membro do grupo participou da manifesta��o.

Onde estava durante a manifesta��o?

Estava com o tesoureiro do Sindicato dos Doqueiros.

�libi confirmado.

Joguei cartas com meu irm�o e nosso dentista.

�libi confirmado.

Sou padeiro.

Durmo at� meia-noite atr�s da loja.

�libi confirmado.

- Estava no Bar do Chin�s. - �libi confirmado.

- Estava no Bar do Chin�s. - �libi confirmado.

Joguei cartas com meu irm�o e o dentista.

�libi confirmado.

N�o � voc�? S�o fotos da manifesta��o.

Parece comigo.

Processe-o por perj�rio...

e a todos que confirmaram a hist�ria, perj�rio...

obstru��o da justi�a e inj�ria a um magistrado.

Leve-o.

Testemunha 27 morreu de ataque card�aco.

� dono da sala onde o CROC se reunia.

Declarou que Yago o atacou com um cassetete...

como os da pol�cia. Mant�m a declara��o?

Sim, Senhor Juiz.

O Procurador o avisou...

sobre a amea�a de morte contra o deputado.

Seus superiores disseram que n�o recebeu o recado.

Esqueci de dizer a eles.

Sabe que isso � grave?

Respondo a meus superiores, n�o ao senhor.

Naquele dia, foi avisado da amea�a ao deputado.

Como conseguiu as informa��es?

A esposa de um colega. Ela n�o quer dizer quem foi.

Ela precisa dizer.

Ele me autorizou a falar. Est� esperando no corredor.

V� busc�-lo.

Chama-se Coste.

- No dia do assassinato... - Do incidente.

No dia do incidente...

ele me disse que ouviu uma conversa.

Ele dir� melhor do que eu.

N�o mencione meu nome aos jornais.

N�o quero ser conhecido.

Por qu�? O que dir� n�o � verdade?

Eu n�o quero problemas.

Procure-me, se tiver problemas.

Espere no corredor, por favor.

Nome, sobrenome, profiss�o.

Ilya Coste, entregador.

- No dia do assassinato... - Do incidente.

O assassinato n�o foi provado.

No dia do incidente chovia um pouco.

Eu me mato de trabalhar...

e o banco fica com a metade do dinheiro.

Algu�m o chama.

De novo?

Qual deles?

- Este aqui. - Continue.

Ouvi Yago dizer...

- E se chover? - E da�?

- Derrapa! - N�o vai chover.

N�o terminei os pagamentos.

Cuidaremos disso.

Todas as presta��es?

O envernizador ligou, quer que v� l� � tarde!

Uma entrega de caix�es.

� bom sinal. At� mais tarde.

Ele veio na minha dire��o.

Vou lhe pagar um trago.

Quando ele sentou vi o cassetete.

Para qu� isso?

Tenho uma entrega, isso ajudar� e muito.

Que entrega?

Uma entrega para o inferno. Um deputado da capital.

Trabalho sujo.

Ningu�m sabe.

Se souberem saberei que foi voc�.

O mesmo homem voltou mais tarde.

Sem uniforme, o coronel fica diferente.

Como sabe que era ele?

Pedi licen�a para uma caminhonete.

Eu o procuro h� 2 anos pedindo a licen�a.

Est� sempre de uniforme.

Por que ele escolheu Yago?

Porque � o melhor motorista da cidade.

Devia v�-lo dirigindo seu Kamikaze.

Este homem tem antecedentes pol�ticos.

Foi da resist�ncia com os comunistas...

durante a ocupa��o e depois foi deportado.

- Seu testemunho... - Suspeito, � claro.

Eu n�o o levaria em conta.

Deixe-o.

Querem eliminar todas as testemunhas inc�modas.

O primeiro n�o deu certo, tentaram algo mais eficiente.

- Do que est� falando? - Tentativa de assassinato.

Agora mesmo. O compl� continua.

E continuar� at� pegarem o verdadeiro culpado.

N�o preciso dos seus conselhos.

O caso foi concebido no alto.

A pol�cia foi o instrumento.

A pol�cia n�o tem possibilidade ou coragem...

de cometer um assassinato dessa import�ncia...

sem autoriza��o ou prote��o.

Procure os culpados no governo...

ou mais alto, no pal�cio...

onde o Gen. Da Pol�cia foi chefe da guarda.

Como o pal�cio n�o age sem os estrangeiros...

Mais uma palavra...

e ser� processado por inj�ria.

N�o est� em uma passeata.

O que houve?

Tentaram me matar.

Sabiam que eu tinha informa��es importantes.

A caminho daqui tentaram me atropelar.

Tem testemunhas?

Tr�s m�es de fam�lia honestas...

aceitaram testemunhar.

E o guarda do parque, ex-combatente condecorado.

Quais s�o suas informa��es?

O VW pertence � pol�cia.

O VW que levou a v�tima ao hospital?

Como a pol�cia n�o p�de acompanh�-lo...

o motorista prolongou o trajeto.

Eu sei, estava l�.

Esse carro pertence a um dos seus amigos.

Ele deve ser amigo deles.

Ofereceu-se para transportar o ferido.

De modo algum. Quem contou isso?

N�o h� sinal do carro no hospital.

A p�gina do registro foi arrancada.

N�o � ins�lito?

Acho que inventou tudo para p�r lenha na fogueira.

� este aqui?

Encontre o dono deste carro.

Quer lavar-se?

N�o, obrigado, estou bem.

Sente-se.

Espero suas revela��es.

Pode ser acusado de perj�rio e obstru��o da justi�a.

Fale.

O carro esperava ali, encoberto pelos policiais.

E quando a caminhonete chegou?

Ele se aproximou.

Sr. Diretor de Pol�cia!

Sr. Inspetor da Pol�cia!

Ele ia pedir para evacuar a pra�a e evitar viol�ncia.

Venha.

Vieram de novo! O que espera?

Vi a caminhonete chegar.

Cuidado!

O homem atr�s estava em p�?

Ele o atingiu?

N�o sei. Foi muito r�pido.

E depois?

Ele caiu de joelhos. Foi uma confus�o.

De joelhos? A cabe�a n�o bateu na cal�ada?

Ele estava de joelhos, cercado por manifestantes.

A pol�cia n�o fez nada.

Que manifestantes? Quem estava l�?

Imposs�vel dizer.

N�s o tiramos de l�. Ent�o ele desmaiou.

Um VW apareceu, n�o sei de onde.

S� ent�o a pol�cia interveio.

Tentaram entrar no carro.

Vamos!

R�pido, para o hospital.

O que est� fazendo? V�.

Mais depressa, buzine!

A buzina est� quebrada?

- N�o � � direita! - Assim evitamos o tr�nsito.

Ele fez tudo para perder tempo.

Ent�o bateu em outro carro.

Bateu de prop�sito! Continue!

Preciso fazer um BO!

H� um homem ferido, � quest�o de vida ou morte.

Pegue o n�mero da placa!

Pode ir.

Ele bateu de prop�sito.

Se os policiais estivessem no carro...

teriam matado o deputado.

Por que acham que foi de prop�sito?

Eles estavam irritados, eu entendo.

No hospital, ningu�m se importou comigo.

Aluguei o carro porque tive um encontro.

Eu a levei para casa e passei por l�.

Estava fechado ao tr�fego.

Devo ter entrado sem notar. Nem os policiais.

No hospital, fui lavar os bancos do carro.

Havia muito sangue.

Voc� disse: "Sou motorista, mas � um bico".

Mas tamb�m disse que era militar.

Estou fazendo o servi�o militar.

Em que arma?

Na Pol�cia Militar.

� motorista da pol�cia?

Em que se��o?

A servi�o do general.

- Em que cargo? - Motorista pessoal.

Desde quando?

Um ano.

� motorista do general h� um ano.

Foi ao local do assassinato por acaso?

Eu escrevo "assassinato"?

O senhor disse "assassinato".

O Procurador ligou. Sabe quem chegou?

O Procurador... deixe-nos.

O Procurador Geral do pa�s, conselheiro do governo...

veio falar com voc�, totalmente inc�gnito.

Sim, Sr. Procurador. Sim, chegou.

Pegarei os documentos e irei.

Ent�o � voc�. Sentem-se.

Quer indiciar o Chefe de Pol�cia...

- e o General da PM? - Parece-me inevit�vel.

S� a vontade divina � inevit�vel.

As provas s�o irrefut�veis, general.

Provas? S�o boatos.

As supostas provas de supostos pacifistas.

- Querem criar um her�i. - Com certeza, general.

Mas o apoio da pol�cia aos manifestantes foi provada.

Esses homens assinalados s�o policiais � paisana.

Admitem ter participado da manifesta��o.

O Chefe de Pol�cia encontrou Yago no mesmo dia...

al�m de outros manifestantes.

O general declarou n�o conhecer o motorista do VW.

Descobri que � motorista pessoal do general.

Sem falar na passividade da pol�cia na manifesta��o.

E a intimida��o das testemunhas.

Vago foi hospitalizado em segredo...

por um m�dico da pol�cia.

Foi visto no quarto de uma testemunha...

portando um cassetete.

H� a arma do crime, o cassetete de Yago.

V�rias pessoas o viram.

O cassetete desapareceu quando ele foi preso.

E o agente admitiu ter refeito seu relat�rio.

N�o mencione o cassetete no relat�rio.

Ele j� foi feito, senhor.

Sou o Inspetor Geral da Pol�cia.

� vontade.

N�o precisa se justificar. Cumpriu seu dever.

H� quanto tempo � policial?

Seis anos.

Vai refazer o relat�rio.

Sr. Procurador!

Foi nesse momento que o senhor entrou.

O policial n�o mentiu. A confiss�o lhe custar� caro.

S�o provas para um processo.

N�o bastam para condenar oficiais de pol�cia.

O j�ri cumprir� seu dever, e eu, o meu.

Vai desacreditar a pol�cia e a justi�a...

que ser� culpada por absolv�-los.

Nosso pa�s est� sendo invadido...

por bandidos cabeludos e ateus viciados.

Agora quer que duvidem das for�as armadas...

e da justi�a, c�lulas intactas...

do pa�s destru�do pelo parlamentarismo.

Quando sonhamos com a renova��o...

de um pa�s sem partidos, sem esquerda ou direita.

Um pa�s obediente a Deus.

Quer arruinar tudo!

Escute bem.

Tenho uma proposta.

Entendo seus escr�pulos.

Eles o honram.

Minha proposta conv�m ao governo e ao senhor.

Divida o caso em tr�s partes.

Uma, o processo dos dois criminosos.

Depois, as autoridades da pol�cia.

A neglig�ncia � evidente.

Mas o caso n�o sair� da compet�ncia do tribunal.

Uma quest�o administrativa, resolvida internamente.

Em terceiro lugar...

uma a��o contra os organizadores do com�cio.

Pela transmiss�o com alto-falantes...

s�o respons�veis pela viol�ncia.

� uma regra antiga...

veja quem se beneficia do crime.

O Ministro da Justi�a perguntou...

se o senhor � de esquerda. Eu neguei.

Tenho testemunhas que o ajudar�o.

Parece que n�o queriam matar o deputado...

s� intimid�-lo.

Imagino que o convenci.

Ao menos quanto � prote��o da lei e da ordem.

� o �nico respons�vel por sua consci�ncia.

N�o suportarei a desonra.

Se me indiciar, cometerei suic�dio.

A desonra � insuport�vel.

Minha vida est� em suas m�os.

Nome, sobrenome, profiss�o.

Assine seu depoimento.

� acusado de homic�dio volunt�rio e premeditado.

O mandado est� pronto.

A lei d� 24hs ao oficial antes de prend�-lo.

Para evitar os jornalistas, saia por ali.

� acusado de homic�dio volunt�rio e premeditado.

N�o � poss�vel!

N�o tem direito de fazer isso!

Fui atirado aos c�es.

Nome, sobrenome, profiss�o.

� acusado de homic�dio volunt�rio e premeditado.

Sente-se.

Para mim s� h� uma alternativa.

Se n�o for inocentado...

cometerei suic�dio para evitar a desonra.

- Nome, sobrenome, profiss�o. - � a rotina, general.

O que fez no dia do assassinato?

Havia decidido ir ao Bal� Bolshoi.

N�o pela dan�a, n�o gosto dessas pervers�es.

Mas era uma chance de conhecer os comunistas.

Na manh� do assassinato...

foi avisado da amea�a contra a v�tima.

Ningu�m me falou da amea�a! Foi uma manobra...

para justificar os incidentes posteriores.

Meus homens n�o conseguiram parar a caminhonete.

Mas um homem pulou sobre ela...

leve e feroz como um tigre.

N�o conhe�o ningu�m deste grupo!

Nunca tive contato com esses combatentes...

CROC.

Tenho uma foto do senhor em um banquete...

em agradecimento a servi�os prestados...

em uma visita oficial.

Ele � comunista? Por que quer me pegar?

Seu pai foi Chefe de Pol�cia.

Essa foto � falsa. N�o � uma prova.

� acusado de homic�dio volunt�rio e premeditado...

e abuso de poder.

� v�tima de um erro judicial como Dreyfus?

Dreyfus era culpado!

H�l�ne!

Foram todos acusados, at� o general!

Bom dia, senhora.

O juiz n�o se amedrontou.

� como se ele estivesse vivo.

� uma verdadeira revolu��o.

O governo vai cair.

Os extremistas ser�o varridos.

Venceremos de longe as elei��es.

O PROCESSO

O substituto n�o p�de assistir ao processo.

Morreu de doen�a card�aca, segundo o legista.

Sete pessoas n�o puderam testemunhar.

Morreram antes do processo.

Um acidente de autom�vel...

uma explos�o de g�s... um suic�dio, um afogamento...

um acidente de trabalho, outro acidente de carro...

ataque card�aco ao dirigir.

"As mortes n�o s�o suspeitas"...

disse o novo Chefe de Pol�cia.

Quatro meses depois, Vago foi condenado...

a oito anos em uma pris�o agr�cola...

onde um ano vale por dois.

Yago, onze anos nas mesmas condi��es.

Dez meses de pris�o por perturbar a paz.

Um ano com possibilidade de diminui��o da pena.

Para os quatro oficiais...

san��es administrativas n�o p�blicas.

De forma geral, o governo teve que renunciar.

Depois do processo...

parece certo que a esquerda vencer� as elei��es.

Semanas antes das elei��es militares tomaram o poder...

e demitiram o juiz.

Ao ser transportado em um carro de pol�cia...

o Dep. George Pirou morreu de embolia...

segundo os policiais.

Deportado �s ilhas.

Durante o interrogat�rio, caiu do s�timo andar...

tentando fugir, segundo os policiais.

Tr�s anos de pris�o por revelar documentos oficiais.

Paralelamente, os militares proibiram...

cabelos compridos, minissaia...

S�focles, Tolstoi, Eur�pides...

brindes russos, greves, Arist�fanes, Ionesco...

Sartre, Albee, Pinter...

liberdade de imprensa, sociologia...

Beckett, Dostoievski...

m�sica moderna, m�sica popular...

matem�tica moderna e a letra "Z"...

que significa "Ele est� vivo", em grego antigo.

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