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Oi.

Tudo bem?

Est� doendo.

Est� me machucando.

No fim decidiu levar todos?

Quer me dar a mochila?

Sr. Dal Masso, se precisar de algo,

- n�o hesite em me ligar. - Obrigado.

E considere a hip�tese de um instituto particular,

- tem alguns �timos aqui perto. - Os particulares custam.

- At� logo. - At� logo.

Tchau, Azzurra.

- Asia, saia da�! - Voc� me assustou.

Fique abaixado, j� vou continuar.

N�o vai continuar nada. Que diabos deu em voc�?

Esta tatuagem � complicada.

Licen�a, n�s vamos at� l� fora e depois eu termino.

- Vai demorar muito? - Eu quase acabei.

- Onde est� o Graziano? - N�o sei, n�o atende o celular.

Eu deveria contar para ele, mas n�o vou.

Agrade�o a gentileza.

Tatuagem n�o � rabisco de crian�a. � algo sagrado.

Algo que fica para sempre na pele das pessoas.

Esqueceu o que Graziano te ensinou?

O que fez na m�o?

Me cortei limpando a maquininha.

Deve lavar as m�os antes de p�r as luvas.

Al�? � da pol�cia?

Equipe inSanos apresenta:

Tradu��o e Sincronia: JuLima

Revis�o Final: LikaPoetisa

N�O MATAR�S 1� Temporada | Epis�dio 3

Tia, morango ou chocolate?

- O qu�? - Morango ou chocolate?

- N�o sei. Para qu�? - Para o bolo da minha festa.

Venha.

Ela convidou a turma inteira.

V�o destruir nossa casa.

- Voc� vir�, certo? - Vou tentar.

Mas sua m�e n�o faz sempre bolo de chocolate?

Sim, mas tamb�m gosto de morango com chantilly.

Eu prefiro de chocolate.

Est� certo, ent�o vamos fazer de chocolate.

- Mas eu n�o sei... - N�o se preocupe.

Vou preparar mesmo assim, depois voc� escolhe.

Vamos fazer compra.

Se despe�a.

- Tchau. - Tchau.

Meu Deus, sinto muito.

A vassoura e a p� ficam na varanda.

Sim, eu sei.

Tome cuidado, n�o v� se machucar.

Espere, espere.

Talvez a gente consiga salvar alguns.

- Andrea? - Fomos chamados � La Morra.

Parece ser um homic�dio, vamos verificar.

- Quer que passe te pegar? - N�o. Eu vou sozinha.

- Est� certo. - At� daqui a pouco.

Preciso ir at� La Morra, � uma emerg�ncia.

- Vai voltar para o jantar? - N�o. Chegarei tarde.

Porra!

N�o...

� in�til que me olhe assim.

Voc� precisa comer tudo.

Sen�o ficaremos aqui at� anoitecer.

No instituto voc� agia sempre assim?

N�o te ensinaram a n�o desperdi�ar comida?

Vai, me d� aqui.

Abra a boca, vamos l�.

� s� se esfor�ar que consegue.

Mais um.

Abra a boca.

Detetive.

Seu carro n�o � muito velho para continuar andando?

- Algu�m pediu sua opini�o? - Eu o levo ao mec�nico. Venha.

Nunca mencionar em v�o o carro da chefe. Nele n�o se toca.

- Mario Cattaneo, muito prazer. - Valeria Ferro.

Lamento pelo seu carro, mas voc� chegou na hora certa.

Graziano Torri, diz que estamos perdendo tempo

e que a esposa est� viva.

Repetiu v�rias vezes que n�o a matou,

sen�o n�o teria nos chamado.

Como se os culpados n�o chamassem a pol�cia.

Mas tem algo mais.

Ele disse que ela passou mal. Ela est� gr�vida.

- E afirma ter descoberto hoje. - J� checaram os hospitais?

Foi a primeira coisa que fiz, mas sem sucesso.

Falei com o ginecologista dela, mas ele n�o sabia de nada.

� por aqui.

Voc�s dois esperem aqui.

Venham, vou mostrar a garagem.

A prop�sito, todos sabem que ele n�o liga para a esposa.

- Todos quem? - Todos da cidade.

S� casou com ela por causa do dinheiro.

Ele a traiu tantas vezes

que s� restava tir�-la do caminho.

Precisamos descer. � por aqui.

Vejam isto.

O cimento estava fresco, acabou endurecendo,

pois precisamos esperar a autoriza��o do juiz.

Mas agora podemos quebr�-lo.

Vamos come�ar.

Que ideia enterrar a esposa na garagem de casa.

S� algu�m inSano para fazer algo assim.

Ali tamb�m.

Aqui n�o tem cad�ver nenhum.

Chega, podem parar.

N�o entendo.

Agrade�o o trabalho de voc�s.

Agora vamos deixar com a Per�cia.

Voc� coordena as buscas.

Tem um rio aqui, eu daria uma olhada logo.

Pode deixar.

Torri, onde est� sua esposa?

Eu tamb�m quero saber.

Onde est� sua esposa?

- Est� me zoando? - Responda a pergunta.

Voc� deveria me dizer onde ela est�.

Por que tinha cimento fresco na sua garagem?

Pois estou refazendo o ch�o, qual a liga��o com ela?

- Queria enterr�-la na garagem? - Que diabos est� dizendo?

Cavou uma vala na garagem, mudou de ideia e cimentou.

- O que est� dizendo? - Aonde a levou? A jogou no rio?

N�o era para voc� estar aqui,

deveria estar l� fora procurando minha esposa.

Fique sentado.

- O que fez esta manh�? - Fui correr.

- Que horas? - �s 9h30.

Sua esposa estava em casa?

Sim, mas quando voltei ela tinha sumido.

Que horas voltou?

- Por volta das 13h. - Correu por mais de 3 horas?

Sim.

Hoje de manh� caiu um temporal.

Eu gosto de correr embaixo de chuva, e da�?

- E eu estava feliz. - Por que estava feliz?

Porque hoje Alessandra me contou que est� gr�vida.

- Onde foi correr? - Nos campos fora da cidade.

E o que fez quando voltou para casa?

Fui at� a garagem para terminar o trabalho.

Correu mais de 3 horas e ensopado de chuva

- foi trabalhar na garagem? - Sim, exatamente.

Depois entrei em casa, vi o sangue

e Alessandra tinha sumido.

Tentei ligar no celular dela, ela n�o atendeu,

ent�o chamei a pol�cia.

Que horas percebeu o sumi�o da sua esposa?

Por volta das 14h30 mais ou menos.

Ou�a...

n�o deve acreditar no que dizem de mim na cidade.

Eu errei, � verdade, mas s�o �guas passadas.

Nos �ltimos tempos, eu e Alessandra...

realmente nos reaproximamos.

Posso ir para casa? Preciso pegar minha filha.

Sua casa est� interditada, a Per�cia est� l�.

N�o sair� daqui enquanto n�o chegar o laudo parcial.

Quando eles v�o chegar?

Voc� disse que chegariam na hora do jantar.

Mas seu pai ligou e avisou que ficaram em Turim

para comprar uma tinta que n�o tem aqui.

E por que n�o me levaram junto?

Eles n�o querem que voc� perca aula.

Mas amanh� de manh� eles vir�o te buscar, certo?

E esta noite n�s dois daremos um jeito.

Olha s�.

Este � o livro preferido do seu pai.

Espere... Aqui est�.

Eu tamb�m quero uma tatuagem.

Mas voc� � ainda muito pequenininha.

Um dia voc� ter� uma bela tatuagem.

Sabe...

muita gente v�m aqui porque virou moda,

mas seu pai me ensinou que fazer uma tatuagem

� um jeito de transformar nosso corpo.

As pernas, os bra�os, as costas,

se tornam um mapa

dos momentos mais importantes da sua vida

ou das datas, pessoas e coisas que queira lembrar para sempre.

Quantas tatuagens voc� tem?

As minhas n�o t�m nada de especial.

E prefiro fazer nos outros.

Tive uma ideia, por que n�o desenhamos

uma tatuagem para o seu pai?

Assim estar� pronta quando ele chegar.

- Bonita como as do livro? - N�o, ainda mais bonita.

Azzurra?

Puta merda, s� comigo essas coisas acontecem.

Azzurra, abra!

Est� se sentindo bem?

O que aconteceu? Por que est� chorando?

N�o quero ficar sozinha.

Eu sei, querida, mas precisa se acostumar.

Pegue, enxugue as l�grimas.

Acha que me divirto te deixando em casa sozinha?

Mas preciso trabalhar.

Voc� se trancou no banheiro, agora me atrasei.

Em que voc� trabalha?

Atendo telefone durante oito horas seguidas.

E s� posso ir ao banheiro uma vez.

Ganho uma mis�ria.

E sou tratado como um animal.

Agora d� licen�a, sen�o n�o sairei daqui hoje.

Pode entrar.

Temos os registros telef�nicos.

Ontem ele ligou duas vezes para a esposa.

�s 13h15 e �s 13h22.

Ligaram para a emerg�ncia do telefone fixo?

Sim, �s 9h47.

Qual � a sua emerg�ncia?

Al�? Quem est� falando?

Espere um segundo.

Al�? Ainda est� a�?

N�o est� me ouvindo? Est� tudo bem?

- Vamos ouvir outra vez? - N�o, � in�til.

Torri, por que n�o contou a verdade?

N�o entendo do que est� falando.

Do hor�rio em que ligou para sua esposa.

Descobrimos duas liga��es, uma �s 13h15 e outra �s 13h20.

Eu devo ter me confundido.

Ontem...

foi um dia muito dif�cil para mim.

Ontem me disse que voltou para casa �s 13h15

e foi direto para a garagem.

Por que ligaria para sua esposa da garagem?

N�o lembro, talvez quisesse avisar que tinha voltado.

Mas n�o ligou �s 14h30 quando entrou em casa e viu o sangue.

O que importa a hora que liguei?

Por que n�o ligou ao ver o sangue?

- Eu n�o sei. - Tem sangue na sua casa,

sua esposa sumiu e nem tenta ligar para ela?

Eu liguei para a pol�cia.

Alguma vez bateu na sua esposa?

Que porra de pergunta � essa?

Responda. J� bateu na sua esposa?

Isso j� durou demais.

Ainda n�o terminamos.

Quando transavam, voc� a prendia?

Alessandra gostava ou voc� a obrigava?

N�s encontramos algemas no seu quarto.

Usava com sua esposa ou com as outras mulheres?

Quando come�ou trair sua esposa?

Voc� nunca a amou, n�o � mesmo?

Ela engravidou por descuido e voc� decidiu se casar

para colocar as m�os no dinheiro do pai dela.

Desta vez...

essa crian�a...

� a prova do amor que existe entre minha esposa e eu.

Mas n�o � uma prova para mim.

Detetive...

Os laudos da Per�cia chegaram.

Alessandra est� mesmo gr�vida,

no sangue havia res�duos de l�quido amni�tico.

- Achou algo no carro do Torri? - Nada, est� limpo.

Lombardi est� vindo para c�.

Avisou que n�o podemos deter o Torri.

Sem cad�ver, sem homic�dio. Precisaremos solt�-lo.

Vamos intensificar as buscas.

O papai vir� me buscar?

Ele estar� aqui �s 17h em ponto.

Mas trate de se comportar.

Veja, a Laura veio.

A m�e dela morreu, foi o pai que matou.

Ou�a, eu mudei de ideia. Topa matar aula hoje?

Assim terminamos de desenhar a tatuagem para o seu pai.

Vamos.

O celular do Torri enviou sinal do interior do vale.

Levar� um tempo para cobrir toda �rea percorrida ontem.

N�o dever�amos solt�-lo t�o cedo.

Eu j� deveria ter mandado voc�s de volta.

Se eu for embora, perco a chance de peg�-lo.

Te dou 48 horas, nem uma hora a mais.

At� porque n�o temos dinheiro para mant�-los no hotel.

Voc� n�o via a hora de se afastar de Turim, n�o?

Por favor, n�o recomece.

Para voc� � conveniente n�o discutir, para mim n�o �.

Eu errei.

Te pedi desculpa. O que mais devo fazer?

Eu jamais teria te obrigado a ficar.

S� n�o precisava fugir como uma ladra.

O pai da Alessandra n�o aprova nosso trabalho.

Dar� 200 mil euros a quem ach�-la, viva ou morta.

- A mat�ria sair� amanh�. - Era s� o que faltava.

Fa�a ele mudar de ideia, antes que isso vire um faroeste.

Na minha idade, dormir com um menino como Rinaldi...

Eu preferia um quarto sozinho, o que me diz?

Lombardi nos deu 48 horas.

Voc� aguenta.

Sr. Cravero, ainda h� tempo para retirar sua oferta.

Entendo perfeitamente o que est� passando.

Mas garanto que seu dinheiro n�o tratar� sua filha de volta.

Visto que tudo come�ou por causa do meu dinheiro

� com meu dinheiro que deve acabar.

- O que quer dizer? - Que n�o retirarei a oferta.

Se esperar de voc�s, morrerei sem rever minha filha.

Estamos fazendo o poss�vel para achar a Alessandra.

Todos n�s desejamos que ela esteja viva e bem.

Alessandra est� morta.

Sabe quantos anos tem minha neta?

Agora dever� dormir embaixo do mesmo teto do homem

que matou a m�e dela.

Mas ele n�o ter� nada, n�o ficar� com meu dinheiro.

Se n�o fosse por mim, Alessandra daria tudo para ele.

Mas eu percebi quando o conheci.

Se n�o pode ter seu dinheiro, por que acha que foi ele?

Oi, Giacomo. Eu ia mesmo te ligar.

Ent�o, vai conseguir vir?

N�o conseguirei ir � festa, estou presa aqui.

Sabe que Costanza vai ficar triste.

Desculpe, preciso ir agora. Tchau.

- Al�? - Amor.

Finalmente, estava morrendo de medo.

O que houve? Por que n�o me ligou?

Roberta, acalme-se e te explicarei tudo.

Quase todas foram feitas pelo Graziano.

S�o lindas, n�o?

Voc�s acham que Graziano mudou ultimamente?

Para mim ele parece o mesmo de sempre.

N�o, n�o concordo. Eu acho que ele mudou.

- As prioridades dele mudaram. - E quais s�o agora?

Principalmente a fam�lia. A esposa, a filha Laura.

E depois o trabalho, ele investiu muito neste est�dio

e est� obtendo grandes resultados.

Investiu muito inclusive financeiramente?

N�o, quis dizer como paix�o.

At� porque vemos pouco dinheiro por aqui.

E antes quais eram as prioridades dele?

Ele vinha menos ao est�dio, por exemplo.

Voc�s sabiam o que ele fazia?

N�s somos apenas os assistentes dele.

Ele tinha muitas amantes.

E estamos interrogando todas elas.

Ele j� pediu que o acobertasse para a esposa?

- Claro que n�o. - Para mim j�.

Mas foi h� muito tempo.

Sabiam que Alessandra estava gr�vida?

N�o, eu n�o sabia.

Eu tamb�m n�o.

Se algu�m a machucou, ser� duplamente respons�vel.

Aqui est�, terminei.

Voc� foi muito bem.

- Oi. - Oi.

- Eu me chamo Valeria. - Eu sou a Laura.

O que voc� desenhou, Laura?

- Sissi, a minha gatinha. - N�o sabia que voc� tinha uma.

Ela fugiu ontem de manh� e ainda n�o voltou.

Vamos torcer para ela voltar logo.

Obrigada pela sua colabora��o.

Venha.

Vamos terminar o desenho.

- O que a p� no saco quis saber? - Aten��o com as palavras.

Laura, sabia que virei aqui esta noite

e trarei muitas guloseimas para voc� comer?

Voc� n�o sabia.

Graziano me convidou para jantar.

Com licen�a, eu j� volto.

O que Torri tem de especial?

Dormiu com meia cidade, parece o Frank Sinatra.

- E ainda batia nelas. - Elas apanhavam?

N�o todas, s� algumas. Disseram que isso o excitava.

- O que mais descobriu? - Ele disse a verdade,

s�o casos antigos, eles nem tinham mais contato.

Elas n�o est�o envolvidas. Ele fez tudo sozinho, acredite.

Quase terminei, essa � a pen�ltima.

Sabe quem falta?

A esposa do Cattaneo.

- Entendi por que odeia Torri. - Pegue leve com ela.

E sobre o quarto, nada ser� feito?

- Por que faz tanta quest�o? - Minha preocupa��o � com Luca,

eu ronco tanto que posso traumatiz�-lo.

Eles mudaram o contrato de casamento h� duas semanas.

- Agora � com comunh�o de bens. - E como n�o achamos antes?

A mudan�a � recente, os dados n�o foram atualizados.

Mas tem aqui no registro.

Certeza que a Per�cia verificou o carro?

Absoluta, o carro ainda est� confiscado. Por qu�?

Se ele n�o foi correr,

o que fez por 3 horas no campo embaixo de chuva?

- Certamente n�o a carregou. - Exatamente.

Devem examinar o carro inteiro, checar at� o escapamento.

- Conseguiu fazer a compra? - Consegui.

Preparei coisas deliciosas, s� precisamos esquent�-las.

Obrigado.

Voc� realmente me salvou.

Eu n�o podia pedir ao Marco para cuidar da Laura outra vez.

N�o vai comer conosco?

Vou ver o advogado, achei que tivesse dito.

- Papai? - Aqui est� minha estrelinha.

Preciso dar uma saidinha.

Vou te deixar com a Asia, mas volto logo, combinado?

V� ficar com ela.

Voc� me assustou.

Preciso conversar com voc�.

Sobre o qu�?

Queria me desculpar por ontem.

Se agi de forma estranha, n�o foi sua culpa.

Eu te adoro, voc� sabe disso.

N�o tem import�ncia.

O que voc� tem?

- Hoje � voc� que est� estranha. - N�o. Por qu�?

Ontem quando vim para c�,

eu n�o sabia que minha esposa tinha desaparecido.

S� descobri quando voltei para casa.

A pol�cia tamb�m acredita em mim agora.

E se eles vierem te fazer perguntas...

n�o responda.

Pois eles mudam de ideia muito r�pido.

Sim, claro.

Droga!

Demorei mais que o previsto, me desculpe.

Vem c� um pouco.

J� entendi.

Te esperei at� �s 23h para comer.

Onde diabos se meteu?

Estava com o advogado, acho que te falei.

Esteve com o advogado at� 1h da manh�?

Estava trepando com alguma vadia, isso sim.

Quem � ela? Me diga.

- Quem � ela? - Ningu�m.

- Quem �? - N�o grite, porra!

Pensei que agora tudo mudaria.

O que quer dizer com agora?

Agora que sua esposa saiu do caminho.

Que diabos minha esposa tem a ver com isso?

O que voc� disse?

- O que acabou de dizer? - Me solte!

Papai?

Amor...

Por que estavam brigando?

N�o est�vamos brigando. Agora volte a dormir.

Papai?

Por que n�o voltamos para casa?

Porque a pol�cia est� l�.

Devemos esperar mais dois dias, depois poderemos voltar.

A mam�e morreu, n�o �?

Asia te disse essa coisa horr�vel?

N�o, a pol�cia veio aqui hoje

e fez v�rias perguntas ao Marco e a Asia.

O que eles perguntaram?

N�o sei, eu estava desenhando a Sissi.

- Voc� gostou do desenho? - Ficou lindo, estrelinha.

- Muito lindo. - � para uma tatuagem.

Vem c�, vem.

Ainda n�o respondeu minha pergunta sobre a mam�e.

A verdade � que n�o sei onde est� sua m�e.

Ela est� por perto.

Mas n�o sei onde.

- Sissi est� com ela? - Sim, acho que est�.

- Voc� colocou a ra��o fora? - Uma vasilha cheia.

Obrigada, papai. Eu te amo.

Eu tamb�m te amo, meu amor.

"N�o � a primeira vez que chega atrasado."

Papai, n�o vai comer?

Me ferraram com este discurso.

Eles me ferraram.

Quer ler?

MULHER DESAPARECIDA, 200 MIL EUROS PARA QUEM ACH�-LA

Puta merda!

Viu s�? Tem at� TV.

Posso ir com voc�?

J� te disse, o que farei n�o � coisa para crian�a.

Por que est� rindo?

Deixa, pode deixar.

Se sentir fome tem alguns sanduiches.

Tire esta blusa, est� calor.

Nos vemos mais tarde, certo?

Ursinho...

O ursinho.

Deve ter ficado em casa, querida.

Brinque com a boneca, d� no mesmo.

Ursinho.

O ursinho.

Quanta coisa ele deixa no carro?

Olhe aqui.

"Sinto muito pelo para-choque,

sa� errado do estacionamento por culpa da chuva.

Deixo meu n�mero de telefone caso ache o dano importante.

Desculpa novamente. Filippo Bianchi."

Al�? � o Sr. Filippo Bianchi?

Sou a detetive Valeria Ferro da Pol�cia de Turim.

N�o se preocupe, n�o aconteceu nada de grave.

S� preciso de uma ajudinha sua.

Anteontem voc� bateu no para-choque de um carro,

se lembra onde foi e o hor�rio?

Obrigada, desculpa incomod�-lo. At� logo.

Se lembra muito bem. Ele � vizinho do Torri.

Saiu de casa por volta das 11h, o carro estava atr�s do dele.

Ent�o o Torri n�o o usou.

Ent�o o que ele foi fazer?

- Aonde vai? - Refazer o percurso do Torri.

DE GIACOMO: N�O CONSEGUE AO MENOS VIR PARA O JANTAR?

Bom dia. Posso ajud�-la?

Sou a detetive Valeria Ferro da Pol�cia de Turim.

Posso te fazer algumas perguntas?

Alessandra Torri deveria ser cliente da loja. Voc� a conhece?

Acho que n�o.

� a mulher que sumiu h� dois dias, certo?

Sim, � ela.

E o marido dela, Graziano Torri,

ele j� esteve aqui?

Ele est� envolvido no sumi�o da esposa?

H� quanto tempo est�o tendo um caso?

Quando foi a �ltima vez que se viram?

Ontem � noite.

Que horas?

Ele passou aqui na hora de fechar.

Deve me contar o que aconteceu.

Mesmo um detalhe pode ser importante.

H� alguns meses ele veio comprar presentes para a esposa.

E depois nasceu uma amizade entre n�s.

Eu gostava dele.

Geralmente �amos para minha casa.

Mas outro dia ele veio aqui

e o levei para os fundos.

N�o sei por que fiz isso, n�o fa�o essas coisas.

Mas ele estava estranho. E parou de repente.

Olhava para o nada, estava calado.

E depois fugiu feito um doido.

Ontem ele voltou dizendo que queria conversar.

- Mas s� queria me assustar. - O que ele te disse?

Que se viessem fazer perguntas, eu n�o deveria dizer nada.

O que deseja?

N�o est� me reconhecendo?

O que est� fazendo aqui?

Vim procurar sua filha.

Mas voc� odeia a minha filha.

Ou�a, n�o tenho tempo para perder com voc�.

Me diga logo o que quer.

Se eu encontr�-la, quero o dinheiro do pr�mio.

V� embora ou chamarei a pol�cia.

Est� me ouvindo?

V� embora!

Eu vou achar sua filha.

E voc� me dar� o dinheiro.

Estacionei na rua de tr�s, perto da esquina.

- Obrigado. - Imagina.

- Est� tudo certo, n�o? - Cert�ssimo.

N�o tem problema buscar a Laura?

- Eu adoraria poder fazer mais. - Se todos fossem como voc�...

Graziano?

Tem uma coisa que n�o te contei sobre Asia.

No dia que Alessandra sumiu, voltei para o est�dio

e vi que a m�o dela estava sangrando.

Ela disse ter se cortado limpando a maquininha,

mas n�o acredito nela.

Acha que...

N�o sei.

Nem quero pensar nisso.

- Fique com isto. - N�o, � muito.

Este dinheiro vai ser �til para voc�.

S� n�o v� gastar tudo.

Obrigado.

Eu errei com Torri.

Deveria insistir at� derrub�-lo, mesmo que devesse tranc�-lo.

Mas respeitei as regras e fui feita de trouxa.

- Posso falar? - N�o!

Ele pode ter mudado o cad�ver de lugar, teve um dia inteiro.

Ou�a, Valeria. Eu falei com o chefe de pol�cia.

Est�o alertando todas as delegacias do Piemonte.

Est�o bloqueando a fronteira com a Fran�a.

Torri n�o ir� a lugar algum.

E voc� n�o fez nada de errado.

Pois se ele fugir...

ser� a prova que voc� tinha raz�o.

- Voc� vai ficar aqui hoje? - Claro.

Se voc� n�o estiver aqui, algu�m precisar� vigiar.

- Como assim n�o estarei aqui? - Acho que deve ir para casa.

E se for agora, chegar� a tempo.

Vem c�.

Eu queria te agradecer por tudo o que fez.

N�o fiz nada.

Pela Valeria e pelo Giacomo. Obrigada.

� bom rev�-la.

- Lucia... - Fale, Costanza.

Quer brincar comigo? Adultos tamb�m podem.

- N�o, eu n�o sei brincar. - N�o tem problema, eu ajudo.

- Tio, fale para ela. - N�o precisa.

Sabia que agora ela mora com a gente?

Que bom, n�o?

Azzurra!

Meu Deus! Azzurra?

- Boa tarde. - Minha filha...

Ela tem 17 anos, mas parece ter menos.

- � loira e desta altura. - Azzurra? Claro.

Me acompanhe.

Azzurra! Vamos embora agora mesmo.

- Pe�a desculpa aos senhores. - Se desculpar por qu�?

� a primeira vez que algu�m gosta da minha comida.

Papai, comi macarr�o com trufas.

Voc� me assustou. Te falei para ficar no quarto.

Vamos embora. Me desculpem.

Como p�de deixar uma garota sozinha

o dia todo no quarto de hotel? E ainda por cima trancada.

Ou�a, eu n�o sou o pai, o pai � voc�...

mas sua filha � especial.

Acho que ela merece algo melhor.

Me desculpem, eu... Vamos embora. Venha.

Obrigada.

- Dois, um... - Oi, pequena.

Feliz anivers�rio!

- Oi, tia. - Desculpa, eu me atrasei.

- Mas ainda tem bolo. - Venha, sente-se aqui.

N�o consegui comprar seu presente,

mas compro amanh�, combinado?

Ainda faz manha depois de todos os presentes que ganhou?

Olha s� quantos.

- Voc�s se divertiram? - E como!

Imagine 20 crian�as enlouquecidas.

Estou acabado.

N�s esperamos por voc�.

Ent�o, vamos apagar as velinhas como se deve?

- Com mais for�a. - Mais forte.

- Apague todas. - Mais forte ainda.

Amor, eu n�o queria que me ligasse

s� porque Alessandra poderia suspeitar.

S� por isso.

Est� certo. Eu acredito em voc�.

E n�o sabe o que eu daria para saber se est� viva.

Por que, ela poderia estar viva?

N�o.

E sua filha?

N�o estou pronta para ser m�e.

E para ser minha mulher voc� est� pronta?

Deveremos ser prudentes agora.

Sen�o todos pensar�o que a matou para ficar comigo.

- Sim, eu sei. - Estou falando s�rio.

N�o poderemos nos ver nem nos falar.

N�o pode mais me ligar.

Nem do orelh�o.

- Vai ser dif�cil. - Sim.

Mas vai valer a pena.

Ela finalmente dormiu.

Obrigada.

Ela falou de voc� sem parar.

Est� apaixonada.

Achou seu bolo delicioso, linda a roupa que deu.

Quase fiquei com ci�mes.

� a primeira vez que festeja o anivers�rio da Costanza

e voc� j� conseguiu ser perfeita.

- Ent�o, qual � a sensa��o? - Vale, o que est� dizendo?

� boa.

Quando devo interrogar algu�m,

se percebo que n�o est� dizendo a verdade,

fa�o a mesma pergunta v�rias vezes.

E a repito at� fazer a pessoa enlouquecer.

Sempre funciona. No fim, ou enlouquece ou diz a verdade.

- Ent�o, qual � a sensa��o? - Valeria, por favor, pare!

Qual � a sensa��o?

Boa.

Como voc� se sente?

Estou feliz de estar aqui com a minha fam�lia.

Claro.

- Como voc� se sente? - Valeria, chega!

N�o percebeu que ela est� mentindo?

Vou perguntar pela �ltima vez.

Como voc� se sente?

Eu mesma respondo.

N�o se sente nada bem em estar aqui conosco.

Se sente muito mal, e � justo que seja assim,

do contr�rio seria doentio.

Eu percebi assim que te vi.

A prop�sito, esse costuma ser o meu lugar.

E pensei: "Quem � a estranha sentada com a minha fam�lia?

Eu n�o a conhe�o."

E n�o a conhe�o porque ela n�o fez parte da minha vida.

Quando tinha 15 anos, Davide me deixou

e eu chorei por dias a fio

voc� n�o estava aqui para dizer que essas coisas passam.

N�o estava presente...

quando me formei. Quando entrei para a pol�cia.

Quando fui operada, Giacomo segurou minha m�o e n�o voc�.

E todas as vezes, como uma imbecil...

eu quis que voc� estivesse aqui.

Sabia que era imposs�vel, mas era meu desejo.

E sabe por qu�?

Quando �ramos pequenos,

voc� dizia que o amor na nossa fam�lia

duraria para sempre.

E n�s todos estamos aqui, sua m�e tinha raz�o.

� mesmo? Todos?

E meu pai onde est�?

Porque eu n�o o vejo.

Talvez tenha sa�do para comprar cigarro.

A verdade � que o amor n�o durou para sempre.

Posso te dar um conselho?

Se Costanza te perguntar o significado de "para sempre",

diga que n�o significa nada, que � um palavr�o.

Garanta que ela repetir� aos filhos e aos netos,

e talvez um dia essa palavra desaparecer� da face da Terra.

Sim.

- Posso entrar? - Pode, entre.

Eu queria falar com voc�.

Basta n�o perguntar como me sinto.

E ent�o?

N�o leve em considera��o o que a Valeria disse.

Eu acredito que podemos recome�ar.

Perd�o, mas n�o consigo achar as palavras certas.

Voc� ouviu o que ela disse.

Ela deveria me perdoar, mas jamais conseguir�.

Eu quero tentar.

E voc�?

Por que voc� � sempre t�o bom comigo?

Talvez por pensar que fui muito malvado quando crian�a.

Lembra que naquele dia voc� gritou conosco

porque t�nhamos sumido no bosque?

Depois voc� e o papai brigaram

e cismei que tudo acabou daquele jeito

por nossa causa.

Nunca te disse onde eu e Valeria est�vamos escondidos.

No nosso esconderijo secreto.

Laura, eu j� disse que n�o.

Por favor, Marco.

Voc� � muito nova e seu pai n�o me perdoaria.

J� n�o gostar� por ter matado aula hoje de novo.

N�o vamos contar, vamos inventar uma mentira.

Voc� sabe mentir para ele?

Mas saiba que vai doer.

Gostou?

Agora vamos preencher.

Eu te adoro, Marco.

Eu tamb�m te adoro, estrelinha.

Voc� me chamou de estrelinha. Como o papai.

Vai me fazer cair na �gua!

O que est� fazendo?

Para tr�s! V� para tr�s, � perigoso!

Me d� isso!

Vamos embora.

Vamos embora daqui.

Venha.

Desculpe te fazer voltar correndo,

mas o celular da Alessandra foi ligado, ele deu sinal.

- Conseguimos rastre�-lo? - Mattei est� tentando.

- De onde vem o sinal? - Cobre boa parte do centro.

N�o deve estar longe daqui.

- Por que n�o veio ontem? - De novo? Est� me interrogando?

Se n�o vem trabalhar, precisa dar satisfa��o.

- N�o para voc�. - Agora eu sou o respons�vel.

Nota-se que voc� � respons�vel.

Basta ficar sozinho e tatua uma crian�a de 7 anos.

Est� ficando entediada? Vamos dar uma volta?

Voc� n�o vai a lugar algum, Laura n�o vai com voc�.

Posso entrar?

Fique � vontade.

Voc� atende j� que � o respons�vel.

Graziano n�o est�?

Hoje n�o. Pode falar comigo.

Vamos dar um passeio.

Pensei em fazer outra embaixo desta.

- J� tem alguma ideia? - Pensei num tribal.

Beleza.

O sinal continua por aqui.

Vamos nos espalhar, vou ligar para ele.

Vamos, atenda.

R�pido, vamos.

Sente-se.

- � seu este celular? - N�o. Meu pai achou no rio.

E onde est� seu pai?

Por que est� com o celular de Alessandra Torri?

N�o tenho nada a ver com isso.

Maldito! Me diga o que voc� fez. Me diga onde ela est�.

- Sr. Cravero, por favor! - Me diga o que fez.

N�o aconteceu nada. Est� tudo bem.

Sr. Dal Masso...

est� envolvido no sumi�o de Alessandra Torri?

N�o.

O Sr. Cravero n�o parece pensar do mesmo jeito.

- Aquela � outra hist�ria. - Que hist�ria?

- Pergunte ao Cravero. - N�o, quero saber do senhor.

Minha filha nem sempre foi assim.

At� os seis anos ela foi uma garota normal.

Loira, parecia um anjo.

E depois houve a trag�dia.

No dia do anivers�rio dela, fomos jantar fora para festejar.

Quando sa�mos do restaurante,

atravessamos na faixa de pedestres.

� algo importante, sabia? E n�s est�vamos na faixa.

Mas o carro vinha t�o r�pido, creio que nem a enxergou.

Minha filha estava dois passos na minha frente,

o carro a acertou em cheio.

Foi uma grande batida.

Ela sobreviveu por milagre.

Por isso ela ficou assim.

E Alessandra n�o passou um dia sequer na pris�o.

N�s est�vamos na faixa, a culpa foi dela.

Mas sabe como � a vida,

o pai dela tinha muitos amigos.

Eu n�o tinha praticamente nenhum.

Durante o processo, o advogado nos acusou

de querer tirar proveito.

Porque pedimos indeniza��o por danos morais.

Por acaso o que minha filha sofreu n�o foi um dano?

Foi muito dif�cil aguentar.

Minha esposa n�o conseguiu superar a dor.

Vou repetir a pergunta: tem liga��o com o sumi�o

- de Alessandra Torri? - N�o!

Ent�o por que veio at� aqui se n�o mora na cidade?

Pela mat�ria do jornal.

Pela recompensa a quem a encontrasse.

Agora que achei o celular perto do rio

pensei que pudesse me ajudar.

Por isso fiquei com ele.

No fundo, tudo isso que aconteceu

� a prova que existe um tipo de justi�a divina.

O que houve?

Onde est� a Asia?

Eu estou aqui agora, est� tudo bem.

Estrelinha...

me conte o que aconteceu.

Lembra da policial que esteve no est�dio outro dia?

Precisa contar para ela o mesmo que me contou, certo?

Laura... pode vir.

Eu n�o vou me mover, estrelinha. Vou te esperar aqui.

Asia disse que minha m�e morreu

e agora devo cham�-la de m�e.

E explicou por que voc� deveria cham�-la assim?

Porque ela vai morar na nossa casa

- e se casar� com o papai. - Ela te disse algo mais?

Pode me dizer?

Ela disse que eu ia ter um irm�ozinho,

mas como a mam�e morreu, n�o terei mais.

Ela realmente disse isso?

Obrigada, Laura.

Voc� me contou coisas muito importantes.

N�s terminamos, eu te acompanho at� a sa�da.

Mande buscar Asia Moroso, assistente do Torri.

- Obrigado. - Esperem aqui.

Tinha uma mo�a no est�dio.

A pol�cia a levou faz uns cinco minutos.

Ela estava sozinha?

Sim.

Se veio fazer tatuagem, dever� voltar depois.

N�o, ou�a...

eu sei que voc� a matou, mas fique tranquilo,

n�o direi nada a ningu�m, ficar� s� entre n�s.

S� precisa me dizer onde escondeu o cad�ver.

Quem diabos � voc�? Me solte! Suma daqui.

Eu preciso do dinheiro, podemos dividir.

- O que est� dizendo? - Me diga onde est� o cad�ver!

Vou acabar com voc�. Tire a m�o, vou te matar.

Papai!

Chega, chega. Pare com isso.

O que est� fazendo aqui?

Laura, o que aconteceu?

Asia me disse que a mam�e est� esperando um beb�.

- Onde est�? - Quem?

- Asia. Onde ela est�? - L� dentro sendo interrogada.

Que diabos est� fazendo?

O que voc� disse para ela?

- Solte! - O que voc� disse?

Solte.

Asia? Asia!

Queria matar a Asia tamb�m?

Fez o mesmo com Alessandra, a estrangulou?

Laura n�o podia saber do irm�o, n�o era para contar.

Torri, voc� sumiu por um dia inteiro.

Onde esteve?

- Em Turim. - Fazendo o qu�?

Procurando a Alessandra.

Por que em Turim?

Porque ela tem amigas que moram l�.

Achei que pudesse ter ido v�-las.

Era a �ltima possibilidade.

Fui motivado pelo desespero, estava enlouquecendo aqui.

Me ajude a sair deste pesadelo, te suplico.

Est� chorando, papai?

Eu chorando?

Imagina.

Voc� tem uma nova mensagem.

Oi, Valeria.

Sei que est� trabalhando e n�o quero atrapalhar.

Mas continuo pensando na noite de ontem

e naquilo que voc� me disse.

Meu amor, eu n�o tra� a minha promessa.

N�o pergunte mais. N�o tente saber mais.

Um dia entender� quanto amor pode haver

no cora��o de uma m�e.

Asia est� bem, foi s� um susto.

Aonde est� indo?

- Quero ouvir a liga��o de novo. - Por qu�?

Vou recome�ar com a �ltima coisa que Alessandra fez.

E o Torri?

Pode solt�-lo.

Qual � a sua emerg�ncia?

Al�? Quem est� falando?

Espere um segundo.

Al�? Ainda est� a�?

Espere um segundo.

Espere um segundo.

Al�? Ainda est� a�?

Obrigado.

A gente se v� amanh�.

Al�?

Ol�.

Sim, de vez em quando ele vai me buscar,

�s vezes fica para o caf� da manh�.

Asia nunca, ela n�o tem carro.

Por que est� perguntando?

Boa noite, Marco.

Queria te fazer umas perguntas, posso entrar?

Tem algo errado?

N�o, s� algumas perguntas de rotina.

Pode entrar.

Vou secar o cabelo. Pode me esperar aqui?

Tudo bem.

Voc� ser� acusado de homic�dio em primeiro grau

e oculta��o de cad�ver.

Sabe o que te espera?

O que n�o sabe � que Graziano Torri

corre o risco de ser preso como seu c�mplice.

Est� se perguntando o motivo?

Achamos na garagem do Torri um buraco id�ntico

ao que voc� cavou para enterrar o cad�ver da Alessandra.

Ser� dif�cil convencer o juiz que a ideia n�o foi do Torri.

Primeiro ele escolheu a pr�pria casa,

mas depois aproveitando da sua devo��o,

- preferiu a sua adega. - N�o. N�o foi isso.

A ideia foi minha, Graziano n�o est� envolvido.

Se � assim, voc� deve me contar como tudo aconteceu.

Aquele dia estava chovendo

e pensei que Graziano gostaria de uma carona.

Mas quando cheguei, ele n�o estava l�.

Ela veio ao meu encontro com a roupa suja de sangue,

dizendo: "Marco, ainda bem que voc� chegou."

Estava transtornada, nunca a vi daquele jeito.

E continuava gritando: "Me ajude, por favor."

Me pediu para lev�-la ao hospital,

estava com hemorragia e temia perder o filho.

Eu a coloquei no carro e dirigi como um doido at� o hospital.

Eu queria salv�-la.

O que aconteceu depois?

Ela come�ou delirar.

Achei que fosse pelo medo de perder o beb�, mas n�o era.

Ela disse que Graziano queria mat�-la.

Achei que era brincadeira, mas ela estava s�ria

e queria chamar a pol�cia.

Queria ir � delegacia quando sa�ssemos do hospital.

- Voc� achou que ela iria mesmo. - Claro que iria.

Dizia que Graziano queria envenen�-la,

que estava viva por milagre.

Que o gato tinha morrido ap�s beber o leite dela.

Depois ela achou o buraco na garagem.

Sim, isso.

Ela tinha certeza que ele queria enterr�-la l� dentro.

E percebi que se ela tivesse procurado a pol�cia,

eles teriam acreditado nela.

Por isso a vida do Graziano estava nas minhas m�os.

Ent�o parei o carro, a estrangulei,

voltei para casa, deixei o corpo na minha cama,

sa�, joguei o celular no rio e depois fui trabalhar.

Aquele dia n�o voltei para casa, pois precisei ficar com a Laura.

Quando voltei e vi o cad�ver na cama,

pensei em usar a ideia do buraco.

Ent�o fui at� a adega, quebrei o ch�o,

despedacei o cad�ver com uma serra el�trica

e misturei os peda�os com cimento.

Creio que foi uma �tima ideia para cobrir os rastros.

Quero falar com o Graziano.

Estava tudo pronto, n�o � mesmo?

Tudo pronto para qu�?

Voc� mudou de ideia no �ltimo momento.

Quando Alessandra te contou da gravidez.

Estou te ouvindo.

O leite envenenado, o buraco na garagem.

Mas, um pouco antes de p�r o plano em pr�tica,

Alessandra te deu a grande not�cia.

Voc�s teriam um filho.

E ent�o tudo mudou.

Voc� derrubou o leite, assim ela n�o o bebeu.

E depois foi correr.

N�o porque estava feliz, mas por se sentir um monstro.

Foi isso que houve, n�o foi?

N�o existem provas, Torri.

Voc� sair� ileso desta hist�ria.

Sou eu que quero saber a verdade.

Foi assim?

At� logo, detetive.

E a Sissi?

Sissi fugiu, estrelinha.

Mas amanh� iremos juntos pegar um gato novo.

Aonde estamos indo, papai?

Vamos para casa?

Entre.

Pode entrar.

A mam�e foi embora.

N�O MATAR�S

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