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CELULAR DE RAQUEL CHAMANDO
Al�, � Raquel. N�o posso atender. Se for urgente, deixe recado.
Raquel, por que n�o me atende, cacete?
Depois de 15 anos com voc�, a seu lado, como um cachorro!
E n�o era para seduzir voc�.
Era por amizade.
E por amor. Est� ouvindo? Por amor!
-Entre, por favor. -N�o. Entre o senhor.
Vamos.
DOMINGO 21H45
O que � isto?
� um armaz�m.
E o pl�stico?
� s� para proteger do frio.
60 HORAS DE ROUBO
N�o me assusta.
Em frente.
Acenda a luz.
E n�o fa�a nenhuma bobagem.
O que voc� fazia antes? N�o foi sempre assaltante.
-N�o. Fiz muita coisa antes disto. -O qu�?
Mais no com�rcio.
Bem, na ind�stria qu�mica, tamb�m.
Como seguran�a, em um parque. E dancei em um clube.
-O qu�? -Sim, sim.
Sem camisa, com outros, dan�ando como loucos.
Como discoteca?
Sim. O que tocassem. Samba, twist, rock n' roll. Entusiasma!
-O qu�? E me entusiasma? -Entusiasma!
Ent�o, me entusiasme. Mostre como dan�a.
-Aqui? -Vamos, dance um pouco.
-D�-me um minuto. -Est� bem.
Ou�a. Eu estava prestes a mandar tudo � merda.
Mandar Mari Carmen � merda por uma vadia com quem nem Prieto dorme.
Est� ouvindo?
Voc� � uma vadia! Uma vadia ego�sta e obcecada!
� uma puta vadia!
Uma xana!
Vadia de cora��o de gelo!
Raquel.
Raquel, sou eu, �ngel, de novo.
Desculpe.
N�o quis chamar voc� de vadia. Sinto muito.
Voc� me destruiu.
N�o sei o que vou fazer se me despedirem, porra.
N�o sei como vou fazer.
Voc� me destruiu.
Disse que estava desempregado, mas...
este neg�cio de cidra n�o � um trabalho, � apenas um projeto.
N�o sei se vai dar certo ou n�o, e sinceramente n�o sei o que houve.
N�o sei se seu colega viu algo...
ilegal ou... � verdade que em algumas noites...
durmo aqui, na cama de campanha, e n�o tenho licen�a para isso.
N�o sei se foi isso, ou se devo...
passar por alguma inspe��o. N�o sei.
A cidra.
Posso experimentar?
Claro.
Era previsto que a inspetora quisesse entrar no esconderijo do Professor.
Por um punhado de ouro, � f�cil alugar um armaz�m
e transform�-lo no cen�rio perfeito para dar confian�a.
Acreditar, ou n�o,
cabia � inspetora.
Sinto muito, Salva.
O lugar � maravilhoso.
Estou muito...
constrangida...
por...
por ter sacado minha arma.
Por obrig�-lo a me trazer aqui.
Na verdade,
teria preferido mostrar outra coisa.
Quero dizer, como disse, algo como
de Instinto Selvagem.
Eu me sentiria...
muito menos
rid�cula e constrangida
do que estou.
E...
pensar que quase chamei meu ex-marido aqui.
Seu ex-marido?
Sim.
� um cafajeste, mas �...
o melhor
de toda a pol�cia forense. �ngel descreveu o lugar como se fosse
um laborat�rio de drogas.
Sinto muito.
-Drogas? -Sim.
Bem,
eu quase...
quase piorei tudo.
Saiba que nunca mais sacarei minha arma.
-Est� bem? -Sim.
Nem o revistarei,
nem duvidarei...
duvidarei...
duvidarei de voc�.
Est�...
Est� na hora
de pararmos de ser t�o formais, n�o acha?
Acho que sim.
Sim, acho que sim.
Acho que sim.
PILAR (UNIDADE DE CRIME)
-� boa hora? -Sim, Pilar. O que �?
Tenho os resultados que pediu.
Verifiquei as digitais do carro e da colher que me trouxe.
Bingo! Combinam.
Quem tocou na colher tamb�m tocou no carro da pol�cia.
Voc� � do caralho, Pilar! Do caralho. J� ligo de volta.
A caixa postal do n�mero chamado est� lotada.
Porra.
Est� na hora.
Os guardas est�o chegando.
Chegar�o ao dep�sito �s 22h30. Sabe onde �?
Sim, bem ali. Posso avisar algu�m?
-Cinco ou seis colegas. -O qu�? Est� louco?
-Por qu�? -Quer arruinar tudo?
Tr�s pessoas saberem do plano � muito. Quatro seria loucura.
-N�s ajudaremos de fora. -Tr�s pessoas? Quem � a terceira?
M�nica Gaztambide.
Est� gr�vida. Temos de lev�-la.
-Sim. Aonde vai, cacete? -Busc�-la.
E eu? Fico aqui? Como vou ao dep�sito? N�o posso entrar e sair!
Descubra um jeito.
N�o me aborre�a. O que vou fazer � pior.
Bem pior. Tenho de convencer o cara a se afastar de M�nica.
E me livrar dele.
Vai mat�-lo?
N�o vou ficar esperando que me deem um tiro.
Se for preciso, tem ser feito.
Helsinque.
O que �?
Ainda n�o me sinto bem.
O que �, Arturo? Quer mais comprimidos?
N�o.
Se pudesse resolver isso com uma aspirina.
N�o � isso.
� que antes, quando vi M�nica Gaztambide, viva e bem...
me senti deprimido
e n�o reagi como ela esperava.
A quest�o � que, depois...
seu colega, Denver,
a levou para baixo, para descansar...
e senti necessidade de falar com ela.
Senti muito forte.
Por favor.
Homens ajudam homens apaixonados. Por favor?
Ficar� tudo bem.
Est� bem, Arturito. Est� bem.
-Vamos. -Obrigado.
Aproximava-se nossa primeira derrota,
e o c�rebro da opera��o, ausente.
Porque, ainda que muito brilhante, tinha apenas dois olhos.
E, nesse momento, eram s� para a inspetora.
O qu�?
Nada.
O qu�?
Estava me olhando?
� que...
N�o sei. Sem...
sem os �culos, parece outra pessoa.
� como...
Super-Homem e Clark Kent.
Gosta mais de mim de �culos?
N�o disse isso.
Vou colocar de novo.
� um pouco estranho dormir de �culos, mas tudo bem.
Geralmente, eu tiro.
Mas � um dia especial.
Melhor?
A quest�o � que...
n�o posso dormir aqui. Sinto muito.
N�o sei. Quero...
acordar com minha filha,
lev�-la � escola. Mostrar que ela ainda tem m�e.
Claro.
RAQUEL - CASA CHAMANDO
Al�? � Raquel. N�o posso atender agora.
Se for urgente, deixe mensagem.
Raquel, eu, de novo.
Ligue. Sua caixa postal est� cheia. N�s pegamos! N�s o pegamos.
Temos o sujeito que est� ajudando de fora.
Para levar sua filha � escola, ainda restam sete ou oito horas.
Voc� poderia chegar � meia-noite, ou...
� uma...
ou �s sete da manh�. Seria suficiente, n�o?
� Salva! Salva! O cara da cidra!
Ele esteve no ferro-velho! Ele amea�ou o russo, porra!
Sinto muito.
N�o vou ficar.
E aquele piano ali? Voc� toca?
Ele est� usando voc�! As digitais dele estavam no carro!
Aproximou-se de voc� para se aproveitar! Ele a usa, Raquel!
Merda!
Cacete!
� sua esposa?
N�o.
M�nica n�o faz esc�ndalo. Deve ser uma amiga dela.
N�o pare!
N�o pare!
Porra!
O que faz aqui?
Arturo finalmente tivera um gesto heroico.
Em vez de fugir sozinho, decidira resgatar sua princesa.
Mas o tiro saiu pela culatra. Porque princesas tamb�m t�m uma vida.
O que houve, M�nica?
E segredos.
-O selvagem a estava estuprando? -N�o foi isso. N�o diga asneira.
Sempre ouvimos hist�rias de maridos que encontram a esposa com o amante.
Arturo?
Mas, quando Arturo encontrou o amante de sua amante,
se esqueceu da fuga.
Arturo, homem!
Respire.
E s� ouvia uma palavra.
Estou bem.
-Tudo bem. -Respire.
Vingan�a.
-Vista-se, amor. E saia daqui, por favor. -O qu�?
-Vista-se e saia, por favor. -N�o.
-Tire-a daqui. Deixe-me com ele. -O que pretende?
N�o fa�a cena, Arturo.
-Podemos discutir isso. -N�o quero sair.
Tire-a daqui, j� disse!
Quero ficar sozinho com esse merda!
Sim! Voc� e eu! Sim! Aqui!
Agora! Voc� e eu!
Filho da puta.
-Por favor. -Saia.
-Saia. -Pode ir, est� tudo bem.
-Tudo bem. -N�o.
-Tudo bem. -N�o.
-Tudo bem, saia. -O que voc� vai fazer?
-Quero ficar. -V� para fora.
V�, est� tudo bem.
Vamos.
Tem muito culh�o
para se aproveitar de algu�m indefesa e ferida!
Vamos ver se tamb�m tem para me enfrentar, filho da puta.
Vai se ferir, cuidado.
-Pare! -Sou um ref�m!
-Vim encontrar Arturo Rom�n. -Onde est� ele?
N�o sei. Mandou eu vir aqui �s 22h30.
Vamos logo, por favor.
Esperemos o Sr. Arturo. Faltam dois minutos.
Ela est� gr�vida. Sabia?
Ela carrega meu filho. Meu!
E acho que meu filho n�o quer voc� invadindo.
Canalha!
Arturito, voc� est� pedindo. Pare.
Vou matar voc�!
Quem est� rindo?
N�o estou ouvindo sua risada idiota.
Voc� tentou me matar
com uma tesoura de ponta redonda, Arturito?
Desculpe.
Foi um acidente, juro.
� esse maldito estresse! Faz com que eu cometa erros!
Sinto muito.
Voc� � t�o idiota.
N�o me soque!
-N�o me soque! -Olhe para mim!
D�-me uma puta raz�o
para n�o abrir sua cabe�a agora!
-D�-me uma puta raz�o! -Est�o fugindo.
-O qu�? -Est�o fugindo.
Dezesseis ref�ns, agora mesmo.
E sei por onde.
Tempo esgotado, senhores. Vamos!
Parem!
Explosivos pl�sticos.
Est�o fugindo.
Dezesseis ref�ns, pela zona de carga.
T�quio, v� buscar Nair�bi.
Rio, Denver, tragam Oslo e Helsinque.
O que houve?
-Dezesseis ref�ns tentam fugir. -Cacete!
E vamos peg�-los.
Vamos?
Vamos!
Vamos!
Achem onde se abrigar!
-Est�o todos abrigados? -Sim.
Vejamos.
Aten��o!
Explos�o no edif�cio! Quero falar com a equipe de assalto!
-Interven��o, um e dois. -Para a zona da explos�o!
Vamos, vamos!
Prioridade: resgate de ref�ns.
Avaliar pontos de entrada.
Visual da zona de carga!
Isso!
Aten��o! H� movimento. Est�o saindo.
Temos visual. Repito, temos visual.
S�o ref�ns.
S�o ref�ns.
Temos visual.
Aguardamos confirma��o.
Sabe que um bloqueio ap�s um acidente n�o � pelo acidente?
� porque os carros param para ver.
N�o podem evitar.
No fundo, somos t�o b�sicos como um mosquito que voa para a luz.
Como qualquer inseto que procura escapar,
se ficar preso.
E a Inspetora Murillo
tamb�m n�o era mais complexa, afinal.
Pode me dar um caf� com leite?
Claro.
E estava ali.
Lavando as axilas e sorrindo tolamente ao espelho,
enquanto seu parceiro lutava entre a vida e a morte.
Confirmado!
S�o ref�ns.
Protocolo de resgate. Quero uma extra��o limpa!
Em marcha!
Vamos.
Temos de sair daqui.
Temos de sair.
Vamos.
Venham.
R�pido, r�pido.
Vamos!
Temos de sair daqui.
Param�dicos, preparem-se. Quero os ref�ns aqui. Vamos!
Vamos!
Estamos aqui.
Por favor, quando eu mandar.
Afastar.
Dez segundos.
A� est�.
Todos, afastem-se.
Movimento no interior.
Usa uma m�scara de Dal�.
Condi��es favor�veis.
Aguardamos ordens.
Equipe de assalto, preparar. Vamos entrar.
O mundo podia desmoronar, enquanto ela s� pensava
em nada.
Que � como voc� se sente, depois da transa do s�culo.
Mas sempre h� algo que a traz de volta � realidade.
E n�o costuma ser suavemente.
Testemunhas presenciaram uma grande explos�o na Casa da Moeda.
E a poss�vel fuga de 15 a 16 ref�ns,
cuja identidade ainda n�o se sabe.
Aparentemente, n�o h� feridos graves.
Not�cia de �ltima hora. O Subinspetor �ngel Rubio,
um dos policiais encarregado da crise com ref�ns,
sofreu um grave acidente de tr�fego na M-506,
que liga Getafe a Pinto, em Madri.
Seu ve�culo saiu da estrada e capotou v�rias vezes.
O Subinspetor Rubio est� sendo tratado pelos param�dicos,
e desconhecemos seu estado, no momento.
N�o houve outros ve�culos envolvidos no acidente.
E ainda n�o se sabe
se foi uma falha mec�nica, ou uma distra��o.
Mari Carmen.
Sinto muito.
As coisas de �ngel.
O que aconteceu?
Ele bebia, antes do acidente.
Falei com a pol�cia.
Ele lhe ligou 16 vezes.
O que aconteceu?
O que disse a ele?
Nada.
N�o atendi o telefone.
Estava trabalhando.
Diga o que aconteceu entre voc�s.
�ngel desviou.
Invadiu a pista oposta.
Foi como se quisesse acabar com tudo.
Amigos me mandaram este v�deo.
Diga.
Por que ele tentou se matar?
N�o sei.
-O trabalho n�o ia bem. -O trabalho?
Espero h� sete anos.
Sete anos esperando que um dia ele n�o esteja mais apaixonado por voc�.
Agora, s� espero que acorde.
Sim?
Nair�bi, tudo bem?
Acho que estou com febre.
Deixe-me ver.
N�o. N�o parece febre.
Talvez seja a comida. Tamb�m n�o me sinto bem.
Bem, deite.
H� lugar.
Professor.
N�o vou morder.
Sou eu, ou...
h� uma tens�o no ar?
-Tens�o? Aqui? -Sim.
Veja.
Talvez sejam os quatro meses
fechados aqui.
Ou a febre. Ou...
seu sex appeal .
N�o sente o mesmo por mim?
Caramba!
Nair�bi, n�o h� d�vida...
de que � uma mulher forte.
Uma mulher confiante.
De arrasar.
E, claro, n�o sou insens�vel
a essas coisas. Absolutamente.
Mas os relacionamentos
n�o s�o permitidos.
Sim.
Mas n�o estou pedindo que se case comigo.
Mas n�o dever�amos.
Uma vez?
Por favor.
Meu Deus!
Est� bem, est� bem.
N�o quero mago�-la, mas n�o podemos.
N�o pode me magoar.
Na verdade,
� o homem que j� foi mais gentil comigo.
Voc� e seu plano.
T�quio me contou
que o plano n�o � seu.
Mas voc� n�o disse de quem �.
Bem...
da pessoa mais importante de minha vida.
Eu era uma crian�a enferma.
E um adolescente enfermo.
Ent�o,
passei muitos, muitos anos em uma cama de hospital.
Lendo muito.
Meu pai
me contava hist�rias,
filmes
que via sobre assaltos.
Que exemplo.
N�o �?
Em vez de ler O Patinho Feio.
Um dia,
ele me contou do filme mais extraordin�rio j� feito.
"Sabe que h� uma f�brica que faz dinheiro?", perguntou.
E eu disse...
que n�o.
E essa m�quina est� em um lugar
que se chama Casa da Moeda.
E com um plano, um plano magistral, tem de ser magistral,
voc� poderia entrar...
e fazer todo dinheiro que quisesse.
Sem roubar ningu�m.
Entende?
Nesse dia, ele foi morto a tiros na porta do Banco Hispano-americano.
N�o contava sobre filmes.
Contava seus pr�prios assaltos.
Poderia realizar seus sonhos...
sem ferir ningu�m.
Vamos!
Vamos!
Senhor, h� movimento l�.
R�pido!
Vamos!
-Est�o bloqueando a porta! -Fogo de cobertura!
Fogo de cobertura!
N�o consigo!
Rio!
Pegue algo para refor�o.
Depressa!
E Oslo! Ache Oslo!
Tire isso!
Helsinque!
N�o consigo!
Abaixe-se!
Maldi��o!
Helsinque!
Helsinque!
Vamos!
Vou ajudar Helsinque! Cubram-me!
Deem cobertura! Em tr�s, dois, um, fogo!
Cubram-me.
Helsinque!
Ajudem!
O que aconteceu?
Onde �?
N�o, n�o.
O colete salvou-o.
N�o foi nada.
V�o!
Equipes de assalto, lancem granadas de fuma�a e v�o pelos flancos.
Fogo de cobertura! J�!
Porra!
Lan�ar granadas.
Agora!
Eles t�m vis�o t�rmica.
A fuma�a vai nos cegar! Saiam!
Vamos, Moscou!
J� vou.
V�o entrar!
Temos de fechar!
Entrem!
Cubram a porta! Um, dois, tr�s!
Fogo!
Est�o a� fora!
V�o entrar!
Est�o em cima de n�s!
Cubram-me!
Vou entrar!
Cubram-me!
Uma metralhadora!
Abriguem-se! Est�o atirando!
Feche!
Vamos!
Porra!
V�o, v�o!
Ajudem!
Vamos, Berlim! Depressa!
Depressa!
-Onde est� Oslo? -N�o sei.
Legendas: Marcia V. A. Torres
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