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DOMINGO 19H
FARM�CIA
CORPORA��O DA POL�CIA NACIONAL
57 HORAS DO ROUBO
Raquel, roubaram a farm�cia. Levaram os registros.
N�o sei como.
S� voc� e eu sab�amos.
Sabe aquele momento em que percebe algo ruim?
D�i, n�o �?
Voc� est� ali, com seu companheiro, e pensa: "Que filho de uma puta!"
Estou a caminho.
Ou: "Que sacana".
Voc� n�o quer acreditar, mas h� um traidor.
E ou � voc�, ou sua companheira.
E �ngel sabia que n�o era ele.
Raquel tentava achar explica��o para esse roubo.
Mas, quando n�o surge alguma...
h� sempre algu�m disposto a dar um empurr�o.
Sou um velho que ainda cr� em bons e maus.
E ponho a m�o no fogo que voc� � dos bons.
Voc� poderia p�r a m�o no fogo por seu subinspetor?
Porque eu n�o poderia.
�ngel achava que nada poderia piorar.
Mas poderia, sim.
Claro que poderia.
Quando se bate no fundo...
ainda resta o que o arraste at� o abismo.
Terra!
O que �?
O que foi, Moscou?
O que quer�amos!
Ainda nem era noite, no domingo...
e t�nhamos encontrado terra.
E Nair�bi tinha as prensas rodando � toda.
Tinha ultrapassado os 400 milh�es de euros.
T�nhamos selado as entradas com explosivos,
e a sensa��o era a de estar em um bunker.
Nossos dez minutos de gl�ria.
Quem precisa do mar? Isso � poesia!
Este � o cora��o do mundo batendo. Batendo por n�s, porque n�s fazemos.
400 MILH�ES DE EUROS
Porque o mundo gira por isso, cacete!
O que est� acontecendo?
O que foi?
Foi o momento mais feliz que vivemos l� dentro.
Portanto, relaxamos.
N�o se mexa.
Quer se pentear?
De onde venho, sabe como chamam dois homens fazendo amor?
Dizem "pentear para dentro".
Desculpe.
Com tantos rem�dios...
estou com o intestino solto.
-Posso ir ao banheiro, por favor? -Claro, homem.
Jacinto?
Sou eu, Arturo. Est� ouvindo?
Jacinto?
Sr. Arturo.
Est� vivo.
Tinha certeza que o tinham matado. Nem durmo.
Estamos no por�o das caldeiras,
amarrados como c�es.
Trancaram-nos l� com os quatro policiais.
Jacinto, ou�a.
Tenho uma tesoura e consigo mais ferramentas.
Chaves de fenda, uma serra... N�o sei. Posso trazer algo em duas horas.
Tem um rel�gio?
-Sim. -Pense em uma desculpa.
Tente voltar aqui em duas horas.
A partir de agora. Lembre, o segundo da esquerda.
Deixarei tudo aqui.
Que porra vamos fazer com tesouras e uma serra?
Eles t�m explosivos, M16s, tudo!
As vidas de 67 pessoas est�o em suas m�os.
Acredite.
Tudo sair� bem e, em algumas horas, acabou este pesadelo.
Est� bem.
Sim! J� vou sair.
EXPLOSIVO PL�STICO SEMTEX-H
As fotos enviadas mostram explosivos conectados a c�lulas fotoel�tricas.
Foram colocadas em todas as entradas.
Inclusive nos dutos de ventila��o.
Que tipo de explosivo?
O esquadr�o acha que � C-4.
Mas achei mais alaranjado, ent�o, mandei ao laborat�rio.
A quem?
Mandamos a Alberto.
N�o h� outro inspetor que fa�a o trabalho, sen�o meu ex-marido?
Inspetora, Alberto � o melhor.
Foi ordem do Comiss�rio S�nchez.
Certo. Ent�o? O que diz o laborat�rio?
Acham que � P-4.
Muito parecido com o C-4, de origem brit�nica.
Est�o dificultando, n�o �?
Alison!
Acho que j� � hora de ter uma conversa amig�vel com Alison Parker.
Coronel.
H� uma chamada de celular do interior do pr�dio.
Grave.
LIGADO
� de Jun Li, um ref�m.
Aqui � Anibal Cort�s.
O que quer?
Ajudar voc�, Anibal.
Mas, para isso, precisamos que nos ajude a entrar...
e tirar os ref�ns do modo menos agressivo poss�vel. Entende?
H� explosivos em todos os acessos.
Sim.
Entrar n�o � um problema, mas...
precisamos de um aliado.
Que nos diga onde est�o os assaltantes a cada instante. Certo?
Sim. E por que vou trair meus companheiros?
V�o tent�-los com um futuro melhor, com benef�cios de pena,
com um ou dois anos.
Se nos ajudar, ter� benef�cios de pena.
Uma redu��o de sua pena a dois anos.
E, aos 22 anos, voltar� a ter um futuro.
"Divide e vencer�s." Este lema...
ajudou uma pequena aldeia da It�lia a dominar o mundo todo.
Depois, ajudou Napole�o.
E agora ajuda a Pol�cia Nacional.
Aproveitar�o o m�nimo contato...
para tentar um de n�s.
Ap�s mais de 48 horas l� dentro, come�ar� a press�o.
A ang�stia, o negativismo.
E ser� ent�o que tentar�o atingir o mais fraco.
A fraqueza n�o est� em n�s.
Est� no que temos l� fora.
Ainda � poss�vel reparar, querido.
Mas, quando tentarem contato, j� ter�o cometido seis ou oito delitos.
Nenhum juiz poder� garantir sua liberdade. Nenhum.
Ap�s entrarem, o �nico que pode libert�-los...
sou eu.
Anibal, ou�a.
O juiz garante sua liberdade em muito pouco tempo.
Est� bem. Vamos fazer contas, inspetora.
Veja. Roubo com viol�ncia...
dois a cinco anos.
Crime contra a liberdade, sequestro e condicionamento
de liberta��o dos quatro policiais do comboio, 40 anos.
Haquear alarmes, crime cibern�tico. Falamos de seis a 24 meses.
Perturba��o da ordem p�blica devido ao assalto em si. Um a seis anos.
E, com ref�ns, fica bem mais dif�cil.
Sessenta e sete ref�ns.
E o C�digo Penal estabelece seis a dez anos para cada um dos sequestros.
Como o tiroteio contra a pol�cia, no primeiro dia.
Seis a oito anos para cada agente. Al�m disso, n�s os ferimos.
Ou seja, delito por les�es
e uma senten�a de at� oito anos para cada um.
Estamos falando de...
Bem, se pegarmos um juiz duro, de 723 anos
pedidos pela promotoria. O m�nimo que podem oferecer,
o juiz, ou o promotor, sem sacanear o C�digo Penal...
...s�o 173 anos.
Ent�o, n�o se enganem.
O C�digo Penal s�o as regras do jogo de qualquer pa�s.
Ningu�m pode ignor�-las.
Mas h� algo com o qual podemos concordar.
Um indulto presidencial.
Diga que sim.
Quer que pe�a ao presidente que assine um indulto?
N�o. Quero que pe�a ao presidente que v� � TV e, frente a toda a Espanha,
diga que, se algum dos sequestradores colaborar para acabar com a crise,
ele considerar� a possibilidade de oferecer o indulto.
-Coloque o presidente no notici�rio... -� um blefe.
e depois vou considerar como trai��o.
Muito bem. Faremos isso.
Mas, para isso, precisamos de um gesto de boa f� de sua parte.
Quero que me diga o nome do Professor
e o n�mero de assaltantes a� dentro.
Vamos, Anibal. D�-me um nome e um n�mero,
e lhe garanto que voc� voltar� a ter um futuro.
De acordo.
Um nome e um n�mero. Pegue papel e caneta.
Meus culh�es 33!
Que filho da puta!
Cacete!
Aten��o! Cortamos a comunica��o com o interior.
Que idiotice fez?
Est� fodendo nossas chances de ganhar tempo!
Eu n�o estava negociando! N�o paro de ouvir cochichos!
Ora! Quem pensa que �?
Voc� tem de executar, n�o decidir!
Nem mudar os planos, porra! E isso de cochicho, que porra �?
Rio ouviu. E, se ele diz que n�o cedeu, n�o cedeu.
Estamos brincando com a inspetora h� dias!
Ent�o, n�o � culpa dele. Certo?
Al�m disso, ela n�o vai chamar o presidente, a m�dia, nem a m�e!
Est� bem. Puta que o pariu.
Apesar de sua brilhante performance, Rio sabia que queria aceitar o acordo.
Parar o tempo...
e sair como se nada tivesse acontecido.
Gostaria de negociar com a pol�cia?
Sabe que isto n�o acabar� bem, n�o �?
Sabe o que � a vida sob condicional?
� o que me espera.
Matei um seguran�a.
E, alguns meses depois, entrei aqui, para roubar.
E atirei em um policial.
E parece t�o boazinha.
Acha que um juiz acreditar� que mudo?
N�o.
Confio no Professor.
Estou com ele, at� o fim.
Voc� n�o respondeu.
Gostaria de negociar?
Certamente.
O que acontecer�, se sairmos?
Continuaremos juntos?
Ou voc� passar� o tempo todo revidando contra mim?
Estaria traindo seus amigos.
Meus amigos?
Meus amigos com codinomes?
T�quio, Berlim, Moscou, Denver.
Pois meus amigos com nomes de cidades s�o do caralho.
E vou lhe dizer uma coisa.
Tente se esconder, se aceitar o acordo.
Porque, se eu o vir, dou-lhe um tiro na testa.
Acabo de falar com o seguran�a da Casa da Moeda.
Estava no banheiro.
Est�o trancados. Onze seguran�as e quatro policiais.
S�o nossa �nica salva��o.
-N�o estou com fome. -Tem certeza?
Sim. Obrigado.
-Como, se est�o trancados? -Temos de arm�-los de algum jeito.
Conseguir ferramentas para eles.
-Que ferramentas vai arranjar? -Bem, brocas,
martelos, qualquer coisa. Viu o arsenal que t�m l� embaixo.
Temos de roub�-las e lev�-las ao banheiro.
Ou�a, Pablo.
N�o posso ir sozinho. Entende? Preciso de ajuda.
Quando esse gorila eslavo me levar para um passeio...
preciso que o distraia.
Ele me curou, est� cuidando de mim, me leva para caminhar.
Ent�o, voc� o distrai.
E eu roubo as ferramentas e tudo mais.
Acabou o tempo.
Arturo, descanse.
Cuide do ferimento.
Volto j�.
Vamos!
Os do t�nel, aqui!
Os da rotativa...
N�o conte o plano a ningu�m.
Quantos menos souberem, maior a chance de sucesso.
E ajudaremos os outros a sair. Sim?
Arturo! J� volto.
Entre.
E sente-se.
Mercedes.
Ol�.
Eu a chamei para ver o que fazemos com sua aluna.
Ela fugiu,
e a achamos trancada dentro de um cofre.
A que acha que corresponde essa rebeldia?
Ser�, talvez, a rebeldia das virgens?
De que porra est� falando, cara?
Nair�bi.
Vemos isso em muitas esp�cies.
As virgens s�o rebeldes porque ainda n�o foram dominadas.
Com todo respeito, � o que acontece com as �guas.
At� serem montadas...
podem sair correndo, escoiceiam, s�o totalmente imprevis�veis.
J� ouviu falar desse conceito, professora?
Com que idade a senhora perdeu sua virgindade?
Mercedes, tudo bem. Fale, por favor. Aqui estamos em fam�lia.
Pode confiar.
Professora.
Bem...
sou de uma cidadezinha em Soria.
Aos 24 anos.
N�o notava essa rebeldia virginal, antes?
Bem, n�o sei.
-Pense. -Talvez.
Pense.
Na verdade...
antes de perd�-la, fugi tr�s vezes para ir �s festas de Medinaceli.
-N�o sei se � isso que... -� isso mesmo.
Tome.
Caf� preto com a��car.
Obrigado.
Obrigado a Medinaceli.
E voc�, Alison?
� virgem?
Sim.
E da�?
Seus discursos de tarado n�o me d�o medo.
N�o vai me fazer nada. Sabe por qu�?
Porque n�o sou s� uma ref�m.
Sou seu salvo-conduto.
� isso mesmo.
A rebeldia das virgens est� a�, sem d�vida.
Ariadna, querida, por favor, pode me dar a pasta vermelha?
Claro.
Vejamos o que temos aqui.
Sua tia Becky.
Volunt�ria em Mali.
Aqui temos sua prima Elsie.
Linda! No King's College.
Brian. O c�rebro da fam�lia. Em Wellington.
E aqui temos v�rias fotos de...
de sua irm�, Liz. Est� aqui ao lado.
Estuda na mesma escola que voc�.
Mas acho que n�o tem seu temperamento.
Certamente, uma garota como voc� nem faz ideia de quanto custa
um assassino. Certo?
Podemos encontrar algu�m decente por 30.000 euros.
Ainda que, para disparar contra sua tia, na �frica, v�o 10.000 euros. Tanto?
As vidas de seus familiares est�o em suas m�os.
-Nair�bi. -Vamos.
Vamos.
Quando a ensinei,
deveria ter dito que o mais importante � o momento.
Controle chamando, Berlim.
Aqui, tudo bem. E a� dentro?
Tudo em ordem.
Perfeito. Volto a chamar em seis horas.
Inspetora.
O controle do subsolo encontrou oscila��es no sism�grafo.
Est�o usando maquin�rio pesado.
Com certeza cavam um t�nel.
Temos de trazer o geo-radar. J�.
Vamos descobrir onde est�o fazendo o t�nel.
Cuidarei disso.
Ou�am, todos.
Os que n�o forem imprescind�veis podem ir.
"Imprescind�vel" significa que n�o estejam fazendo algo agora.
V�o descansar.
Tomem um banho, por favor.
Porque isto j� come�a a cheirar a policial infiltrado.
Vou enfatizar.
Saiam um momento, por favor.
Tenho que afast�-lo do caso. Lamento.
Acredito que isso ser� esclarecido, mas n�o posso confiar em voc�, �ngel.
N�o pode confiar? Voc� em mim?
Acontece que s� voc� eu sab�amos sobre Toledo, Raquel.
Voc� e eu.
Que porra est� dizendo?
Que n�o sou traidor.
Ent�o, sobra s� voc�.
Pois vejamos.
Souberam que �amos entrar no museu com m�scaras, quando voc� soube.
E que �amos ao ferro-velho, quando voc� soube.
E souberam sobre a farm�cia quando voc� soube!
E n�o pode ser outra coisa?
-Que coisa? -N�o sei. Um telefonema.
-Um telefone. Um microfone! -S� voc� e eu sab�amos da farm�cia.
E voc� n�o disse a ningu�m?
E o cara esquisito da cafeteria? N�o lhe contou nada?
-O qu�? -�! Para quem se abriu em l�grimas.
Que aparece aqui um dia, e voc� voltou a ficar inteira, como nova!
Mas dele voc� n�o suspeita!
Ele esteve aqui dentro, Raquel. Dentro desta tenda.
Voc� o investigou?
Porque eu, sim. Fez seu maldito trabalho?
O sujeito tem uma oficina aqui ao lado, onde diz que faz cidra!
Tudo escondido sob lonas, sabe-se l� o que �!
-N�o diga que o seguiu! -Sim, eu o tenho seguido!
E n�o faz cidra! Nem nada!
Joga uma merda de Tetra Brik em um canteiro.
E tem lixo em toda parte, porra! E um calhambeque como carro!
E dorme em um catre, cercado de pneus e manchas de �leo.
E cheira a qu�mica, produz metanfetamina, sei l� que porra!
N�o � um cara decente, Raquel! N�o �!
E voc� suspeita de mim! Sou o �nico suspeito! Eu!
Quanto est�o lhe pagando? Um milh�o? Dois?
Ou�a, Raquel.
Escute bem.
V� tomar no cu.
Su�rez!
N�o posso acreditar!
Algeme-o e o tire daqui.
Calma, inspetora. N�o � o protocolo.
Sim, �, Su�rez.
Ponha as algemas! Est� louca! Algeme!
Dane-se o protocolo. Algeme-o e o tire daqui.
Posso chamar a Corregedoria.
Mas ningu�m vai algemar ningu�m.
Raquel.
-Estou h� 15 anos com voc�. -Comigo? N�o.
Est� h� 15 anos me seduzindo para ver se cedo,
sempre falando de Cercedilla. Que vai deixar Mari Carmen!
E com suas malditas brincadeiras.
E agora que, enfim, digo "n�o", o piadista se torna um traidor.
Um traidor!
O que vendeu, �ngel?
Nossa amizade?
Esta opera��o?
Saia daqui, agora mesmo.
Sabe o que significa "dano colateral"?
� um termo cunhado na guerra do Vietn� pelo ex�rcito americano...
quando n�o tinham culh�es para assumir o assassinato de civis.
Mas tamb�m � usado para se livrar da culpa,
como um bumerangue.
Era o que estava para acontecer ao Professor.
Vamos!
Depressa, depressa. Vamos!
Vamos, depressa!
Peguem algumas sacolas e recolham tudo isso.
Logo vir� o jantar.
-Consegui roubar algumas ferramentas. -Que coisas?
Bem, l�minas de serra...
chaves de fenda, limas...
-Veja. -Esconda!
Daqui a 35 minutos...
pe�a para ir ao banheiro.
Entre no segundo reservado pela esquerda.
Prenda as ferramentas debaixo da tampa da privada.
Eles chegar�o daqui a 40 minutos. Entendeu?
N�o � poss�vel. Tenho de ser eu? De novo?
J� roubei as ferramentas. Estou coberto de metal!
Quer dar tudo para mim aqui?
Fa�a sua parte, que fa�o a minha.
Raquel.
Aconteceu algo? Voc� est� bem?
Bem, estou sozinha e aborrecida, na cafeteria.
E um pouco decepcionada, para dizer a verdade.
Desculpe, n�o entendo. Decepcionada?
� que eu tinha planejado jantar com algu�m.
Meu primeiro jantar em oito anos,
com algu�m que n�o fosse de minha fam�lia.
Mas acho que me deixou plantada.
Ser� que voc� n�o se adiantou uns 36 minutos?
� poss�vel. A verdade � que sou uma mulher muito impaciente.
Desculpe, Salva.
Desculpe a brincadeira.
S� queria garantir que voc� se lembrava do jantar.
Na verdade, sinto p�nico de ficar plantada.
Eu n�o saberia o que fazer, como sair daqui se...
se voc� n�o viesse. N�o sei.
Acho que ficaria aqui, de salto alto, sozinha.
Tomando cerveja at� que viessem me expulsar.
Imune � decep��o.
N�o. Morrendo de vergonha.
N�o se preocupe.
J� vou acompanh�-la nessa cerveja. Em cinco minutos.
At� logo.
At� logo.
Perto de voc�, sinto dificuldade de respirar.
Pois respire.
Porque, daqui a nove meses, a�, sim, vai ficar sem ar.
� brincadeira, certo?
-Por favor, diga que � brincadeira. -N�o, n�o �.
M�nica, tecnicamente...
sou est�ril.
Voc� deve ser Shiva, a deusa da fertilidade.
Pe�o a minha mulher para pegar as crian�as, e vamos celebrar.
Como qualquer casal com tr�s filhos. N�o vamos nos separar.
Eu lhe trouxe uma sele��o.
Um sandu�che que...
Bem, comi algumas vezes e n�o morri, ent�o...
Alguns biscoitos.
Escolhi sem gl�ten.
Porque pensei que, talvez...
voc� possa ser cel�aca, como muitos. Esses s�o melhores.
E bolo de chocolate, porque gosto muito.
E balinhas.
Quer?
Al�? � Raquel. N�o posso atender agora.
Se for urgente, deixe recado.
Raquel.
Raquel, � �ngel.
Ou�a, pe�o que reconsidere.
Entendo a cabe�a quente...
e tamb�m passei dos limites, mas...
mas, porra, n�o � nossa primeira briga.
Ou�a, sou um babaca,
ou o que quiser, mas...
mas n�o sou um espi�o.
N�o sou o espi�o, porra!
Vai foder minha vida, Raquel.
Vai foder minha vida, caralho.
Ligue para mim.
No que pensa...
na manh� antes do assalto?
Voc� se levanta e... e a�?
N�o sei.
Voc� acorda ao amanhecer.
Fuma.
Fala de besteiras.
Por que est� fumando t�o cedo?
Vi que fumou o ma�o todo.
Como voc� est�?
Bem. E voc�?
Nada de outro mundo.
Tem de ter muita coragem.
Quero dizer...
penso nessas coisas, sabe?
Nas pessoas no corredor da morte.
Ou em gente como voc�, que entra dando tiros .
-N�o � t�o dif�cil. -�.
Acredite, sou uma covarde.
Olhe para mim.
Estou com um cara casado para evitar um fracasso, ou ser abandonada.
-Voc� n�o � uma covarde. -Sou, sim.
Roubou um celular durante assalto.
E me pediu para lhe dar um tiro na perna.
E enfrentou Berlim.
E precisa ter muito peito para me puxar e me beijar.
E transar comigo.
Precisa coragem para transar com um criminoso com m�scara de Dal�.
Voc� � como Nikita.
Para ser franco, na manh� do assalto...
eu estava apavorado.
-� uma puta loucura. -O que �?
Tudo isso, papai.
Aquele cara.
Parece esperto, mas...
-Sei l�. � tudo loucura. -N�o �.
Ele sabe o que diz.
Comecei a...
questionar tudo.
N�o sei por que estou aqui.
Para estar comigo.
Sim, mas todos t�m sua especialidade.
A garota que falsifica bem.
Voc� � incr�vel, papai. Mas eu?
N�o fiz nada direito.
Mas esse cara incr�vel...
disse que precisavam de mim, e aqui estou.
Conhecendo a garota mais linda de toda esta loucura.
Um minuto.
Estas s�o as ferramentas que conseguimos.
Tire a roupa e grude no corpo, para levar para o por�o.
Corte os canos da sala da caldeira e tudo que puder usar como arma.
O jantar � �s nove.
Aproveite a hora para desarmar os captores e fugir.
E nos encontramos no armaz�m, escondidos atr�s das bobinas.
Levarei o maior n�mero de ref�ns, sem arriscar o plano.
S� um segundo.
Fora.
Ainda bem que apareci.
J� que o encontro combinado...
a deixou plantada.
Sim, sim.
N�o sei o que seria de mim, se o senhor n�o viesse.
E esse encontro...
interessa-lhe especialmente, ou...
N�o. N�o mais.
Que pena.
Que pena.
Bem, vejamos se, ao menos, sirvo para algo.
Com certeza, sim.
Que bom. Por�m, tenho de confessar...
que n�s dois estamos em perigo, porque...
se eu tomar outro destes, posso come�ar a cantarolar.
E a� teremos um problema.
Tenho certeza de que ser� engra�ado.
At� quando continuaremos sendo t�o formais?
At� depois que voc� me olhar por baixo da mesa.
Vamos, Salva.
D� uma olhada.
Olhe por baixo da mesa.
J� aviso que, se vai fazer algo como em Instinto Selvagem...
vou precisar de algo mais forte, porque sou um pouco antiquado.
Fa�a o que digo.
N�o quero que fa�a uma cena aqui.
Tenho raz�es para suspeitar que esconde algo na oficina onde diz fazer cidra.
Ent�o, tem duas op��es.
Ou fazemos isso de boa vontade...
ou esperamos aqui at� eu receber um mandado.
Mas estou avisando. Pode levar horas.
Ent�o...
voc� decide.
Legendas: Marcia V. de A. Torres
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