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N�o h� mordomo para lavar suas m�os. Ser� a �nica a sair.
-N�s vamos ficar. -Legal!
-Muito legal. -Que valente!
DOMINGO
Papai n�o est� aqui.
-Olhe direto para n�s. -Vamos, olhe-nos.
54 HORAS DE SEQUESTRO
Esses peitos lhe valeram seguidores.
-Quieta. -Sem frescura!
-Culpa sua! -N�o basta ferrar oito pessoas?
-Ningu�m vai salvar voc�. -Vamos, aproveite!
-N�o toquem em mim! -Calma!
-Calma! -Ei!
� isso que ensinam na sua escola?
Todos contra um?
Que corajosos, n�o?
Todos em bando
contra uma pobre garota.
E voc� � o mais valente. Certo, atleta?
O que tem as maiores bolas, n�o �?
Vamos ver.
S�o como ovos de codorninha!
Como faz a codorninha?
N�o entendo muito de aves.
E como faz a galinha?
Mais alto.
Mais alto!
Muito bom.
Helsinque, leve essas crian�as. Este, primeiro.
Venha, loirinho. V�.
-Voc�, tamb�m. Entre. -Espere, espere.
Voc� est� bem?
Pode me dar outro?
Querida, isto n�o � um outlet . Tire e esfregue.
Tamb�m vou aproveitar.
S�o mais de 50 horas, subindo, descendo, imprimindo dinheiro.
E uma ducha faz falta.
Sabe o que voc� tem?
Seu problema �
que n�o conhece seu potencial. Por que n�o?
Deve ter feito algo muito mal, para ser a ot�ria da classe.
Ainda pode ser a rainha do baile. N�o � t�o dif�cil.
� como nos filmes americanos,
em que a feiosa de repente tira os �culos e...
-� um mulher�o. -N�o uso �culos.
Eu sei, querida. Sei que n�o usa �culos.
Mas deve saber fazer algo. N�o?
Dan�ar.
Certo, muito bem. Que tipo?
Cl�ssica e contempor�nea.
Certo.
Algo mais? Algo mais que saiba fazer?
Ca�ar.
Ca�ar?
Com armas?
Cacete, que mosquinha morta! Ora, isso j� d� mais medo.
Porque o que tem de fazer...
� fazer os ot�rios verem do que voc� � capaz.
Demonstrar-lhes que n�o tem medo. Veja.
Tem de esperar, pacientemente, at� chegar seu momento.
A�, voc� se coloca na mira deles...
e faz algo que diga:
"Meu nome � Alison Parker
e sou a puta que manda". Bum.
Diga voc�.
Repita. Olhe para voc� e repita.
Diga, vamos!
Eu sou Alison Parker e sou a puta que manda.
N�o, mas s�rio. Diga de verdade!
De verdade! Olhe nos olhos!
Olhe a superf�mea que voc� �!
Repita!
Eu sou Alison Parker e sou a puta que manda.
-� o qu�? -A puta que manda!
-� o qu�? -A puta que manda!
-� o qu�? -A puta que manda!
-� o qu�? Bum! -A puta que manda!
J� mandaram algo?
Com licen�a?
Vou fazer uma chamada pessoal. Pode baixar o �udio? E n�o grave.
-Sim? -Ol�, Salva. � Raquel.
Al�.
Desculpe...
� um momento ruim?
N�o, n�o, n�o.
Absurdo, s�. Estava fazendo um pouco...
de exerc�cio, no banco.
-No banco? -Sim. �...
um equipamento para gin�stica.
Bem, n�o vou tomar muito tempo. S� queria lhe perguntar.
J� escolheu um lugar para jantar hoje � noite?
Bem, sinceramente, ainda n�o.
Se leio sobre um restaurante
na Internet, eu...
d� vontade de ir ao lugar de sempre, ao Han�i.
Bem, acho boa ideia.
E deixamos as experi�ncias para outro dia.
�s nove estaria bom?
Bem, �s nove est� bom para mim.
Muito bem.
Raquel.
Tenho informa��o sobre o Retroxil.
Ou�am, todos.
Quero que saiam da tenda.
Ser�o s� cinco minutos.
N�o acha que est� um pouco paranoica?
Lembra que h� um infiltrado?
Tem de ser um policial?
Muita gente passa por aqui.
Prote��o Civil, pol�cia municipal...
At� seu amigo do caf� esteve aqui.
Certo. O que voc� tem?
Como eu disse, Retroxil � usado para tratar Parkinson.
Est�o experimentando com distrofias musculares,
como a miopatia de Hellmer.
� administrado via intravenosa.
Como � comprado pelo correio, t�m os pacientes bem localizados.
E suponho que as farm�cias atendam aos mesmos pacientes com tais pedidos.
-Certo? -Exatamente.
Mas houve uma demanda incomum em Toledo.
Nos �ltimos cinco meses. Veja.
O distribuidor enviou medicamentos para tratar at� 40 pacientes.
E n�o h� 40 pacientes ali.
N�o. S� h� tr�s, em toda Castilla-La Mancha.
Onde ficam as farm�cias?
Todas ficam...
ao redor de Illescas, a uns 35 km.
Onde foi a �ltima compra?
Veja. Aqui em Palomeque, em 18 de outubro.
Tr�s dias antes de entrarem na Casa da Moeda.
Sim. Compraram dez caixas de medicamento.
Pe�a um mandado ao Juiz Andrade.
E v� a essa farm�cia. S� voc�.
Quero todos os registros de vendas. E, n�o sei, veja se acha algo.
-Por favor, n�o comente com ningu�m. -Claro.
Ali�s, Raquel...
veja...
n�o quero que pense que, dado o que disse ontem,
eu esteja mal com Carmen.
Na verdade, hoje mesmo...
bem, fizemos amor.
Sim.
-Que bom, n�o? -Sim, sim.
J� podem entrar, todos.
Arturito.
Tenho uma surpresa boa para voc�.
Olha.
Quero que saiba que eu...
respeito qualquer op��o.
Inclusive, tenho um irm�o homossexual.
Mora em Sitges.
Bem, ele n�o assumiu abertamente, mas...
na fam�lia, acreditamos que seja.
Faz Pilates e...
Na verdade, � uma porta que prefiro n�o abrir.
Sendo sincero.
De que porta fala?
N�o entendo.
Esta � a boa surpresa de que falava.
-Falamos de "porta" outro dia. -Helsinque.
Deixe-os. T�m muito de que falar.
Pensei que a tivessem matado.
Mas sentia aqui dentro
que a veria de novo.
E isso me deu for�as.
At� nos momentos em que fiquei entre a vida e a morte,
voc� nunca se foi.
Sua pele, seu pesco�o...
Isto nunca me aconteceu.
Juro, vou tirar voc� daqui.
Meu amor.
Est�o chegando, n�o �?
Mostre a garota.
Meu nome � Ariadna Cascales, e estou bem.
F�sica e mentalmente.
O tratamento dos sequestradores � bom, n�o tenho nada a dizer.
A not�cia junto � ref�m � de hoje.
-Um beijo para minha fam�lia. -E qual � o problema?
Os t�cnicos analisaram o v�deo.
Parece que foi editado.
Est� dizendo que, em 40 minutos, tiveram tempo para incluir efeitos especiais?
Cremos que sobrepuseram imagens da not�cia sobre imagens antigas.
A qualidade do v�deo n�o permite que seja prova de vida.
Reduziram a qualidade a 240. E foi de prop�sito. � mau sinal.
Os tiros na Casa da Moeda s�o manchete em todas as m�dias do pa�s.
Exigem ao menos uma nota. E a presid�ncia...
que entremos.
-Preciso de tempo. -Eu, de pl�stica do rosto.
Mas ele quer que entremos j�.
D�-me duas horas.
Se eu n�o conseguir as provas de vida em duas horas, entraremos.
Est� bem.
Manipular as provas n�o foi muito inteligente.
Eu diria que foi mais para imbecil.
Por favor, inspetora.
N�o podemos reduzir nossa rela��o a mensagens t�o secas e desqualificadoras
sem as sauda��es iniciais de praxe. Direto ao ponto. N�o diga que � assim.
Ou�a, francamente, n�o tenho tempo para bobagens.
Mas nossas vidas n�o v�o mudar nos 15 segundos que perdermos. Diga.
Imagine que encontra algu�m.
E que dorme com ele.
� o tipo de mulher que se levanta e escapa no meio da noite?
Sem nem lembrar o nome dele? Isso a satisfaz?
Para dizer a verdade, eu adoraria faz�-lo.
Sim.
Mas estou programada para outras coisas antes.
Como... n�o sei, conversar.
Rir, contar minha vida, tomar um caf�,
ir passear, ao cinema, dan�ar.
Sem essa ordem de coisas,
n�o me vejo indo para a cama com ningu�m.
Pode me chamar de puritana.
N�o. N�o, n�o.
Na verdade, compartilho essas prioridades. Mas acrescento mais uma.
Ir a um caraoqu�.
Parece estranho, mas...
n�o posso evitar. Adoro. Mas n�o tomarei mais seu tempo.
-Diga. -� muito simples.
Essas provas de vida n�o t�m valor. N�o temos op��o sen�o entrar.
Podemos faz�-lo para observar, calmamente,
ou para libertar essa gente com g�s e artilharia.
Deixe-me ver se entendi bem.
Pede que os deixe entrar?
� sua decis�o.
Ou mando os tanques...
ou tomamos um caf�, e me mostra que os ref�ns est�o vivos.
Ficarei encantado de receb�-la.
N�o sei se chegaremos ao caraoqu�, mas n�o posso negar.
-Raquel! N�o vou permitir que entre! -Aqui, eu dou as ordens, n�o voc�.
-Est� bem. -�ngel.
Desculpe.
Ou�a. No momento, h� mais trabalho l� fora do que aqui.
Al�m disso, voc� � o �nico em quem posso confiar.
Muito bem.
Senhores. Senhoras.
Vamos entrar.
Levante as m�os.
Prossiga.
Pernas.
Onde est� o Professor?
Ele pede que o desculpe. Por quest�o de discri��o, n�o pode estar aqui.
O rosto dele n�o est� em todas as manchetes. Como as nossas.
N�o tem armas.
Rio, sua vez. Fa�a as honras.
Desculpe, mas devemos ser meticulosos.
Raquel.
A pol�cia n�o � burra, mas �s vezes parece.
Achou que poderia entrar com um microfone?
E achou que meu pessoal n�o cuidaria da minha seguran�a?
T�quio, reviste-a de novo. Desta vez, com um pouco mais de seu entusiasmo.
Acaba de me deixar morto.
A pol�cia tem a �ltima tecnologia. Microfone perianal.
Livre-se disto.
Terminou.
Acompanhe-me, por gentileza.
Nesse momento,
Rio ficou paralisado.
"Raio."
Era como a m�e o chamava, em crian�a, quando corria nas tardes de ver�o.
Ele dizia que seria campe�o ol�mpico. Mas trocou o esporte por consoles
e planos ao ar livre, sob risco de acabar na pris�o.
Juiz Andrade.
Sou o Subinspetor Rubio, do sequestro � Casa da Moeda.
Liguei porque precisamos de um mandado de busca e apreens�o
para uma farm�cia em Toledo.
Sim.
Sim, estamos na pista de um dos sequestradores.
Certo.
Bem, temos a sensa��o
de que algu�m est� vazando informa��es.
Por isso, pe�o extrema discri��o.
Est� bem.
Certo. Est� bem. Muito obrigado.
Raquel n�o est�.
N�o, s� vim tomar algo.
Perd�o, mas como vai o sequestro?
Soube que houve tiros...
e parece que est� demorando, n�o?
N�o, n�o. Est� quase terminando.
-S�rio? -Sim.
Fico feliz, porque...
imagino o que deve sofrer essa gente...
-Sim. -Os ref�ns, quero dizer.
Sem falar de voc�s.
-Trabalha por aqui? -Sim, sim. Aqui ao lado.
Raquel disse que era desempregado.
Perdi o emprego h� alguns meses e agora estou...
-tentando tocar minha empresa. -Certo.
Bem, uma empresa pequena.
-Um empreendedor? -Sim.
Que tipo de neg�cio?
Cidra.
N�o diga!
Cidra ecol�gica.
Minha m�e era de Oviedo.
-N�o � poss�vel! -Sim, sim.
Eu mesmo fa�o, em minha oficina.
Em vez de mamar leite, mamei cidra.
Sim. Meu av� tinha uma planta��o de macieiras, pequena,
ent�o, fui em frente.
-E a oficina � perto? -Sim.
Adoraria experimentar.
Claro. Combinado.
-Um dia, trago uma garrafa. -Obrigado.
O Professor disse que pediu um caf�. Trouxe um descafeinado.
N�o queremos que perca o sono.
Vamos come�ar as provas de vida.
� frente!
Para come�ar, temos Arturo Rom�n. Diretor da Casa da Moeda.
Vai trazer os ref�ns um a um?
Pois �.
Para que n�o se confunda nas contas.
Arturo.
Esta senhora � Raquel Murillo. A inspetora que ordenou o tiro em voc�.
Mas n�o tenha medo.
N�s a revistamos exaustivamente, e est� desarmada. Por favor,
seja delicada com ele. Arturo � realmente um homem sens�vel.
E ficou um pouco traumatizado.
Como vai, Arturo?
J� tive dias melhores.
Quero me desculpar...
em nome da pol�cia e no meu mesmo, claro.
Foi um erro imperdo�vel,
e espero que melhore logo.
-Pode passar ao seguinte. -N�o seja impaciente.
N�s lhe damos a cortesia de entrevistar cada um deles.
Desculpe, mas n�o posso ficar o dia todo.
Uma pena.
J� come�ava a ter ilus�es.
Tenho uma tesoura.
O qu�?
Peguei por medo, mas agora estou em perigo.
O que est� fazendo? Esconda. Vai nos criar problema!
N�o quero! Vou largar aqui.
-Esconda. -N�o, n�o quero.
Esconda.
-Entregue para mim. Entregue. -Arturito.
Venha comigo.
Que tiros foram aqueles?
Por favor.
V�o matar todas n�s.
Uma por uma.
De um em um.
Assim, os ref�ns passar�o em frente � inspetora.
-Diria que seu ferimento foi bem tratado? -N�o posso reclamar.
Como passam as crian�as em frente a Papai Noel no shopping.
Tem conseguido dormir?
Consigo descansar.
Essa me recorda minha tia.
Embora ela esteja morta.
J� terminou seu caf�?
Gosto desse que vem agora.
Extremamente silencioso.
Nem pense em falar do tiro.
Est� bem.
-M�nica? -Sim.
Voc� est� bem?
Um pouco enjoada.
Porque estou gr�vida.
Desculpe perguntar, mas...
foi voc� quem pediu o comprimido abortivo?
Sim.
Fui eu, sim. Mas mudei de ideia.
N�o sei se vou sair daqui e...
se sair, n�o sei se serei capaz de cuidar da crian�a,
mas gostaria de continuar a gravidez.
Ser� capaz.
Por mais dif�ceis que as coisas fiquem,
as crian�as sempre conseguem.
O problema surge quando crescemos.
Se entendo algo, inspetora, � de mulheres e crian�as.
Ent�o, n�o se preocupe.
A mam�e ser� bem atendida. A seguinte, por favor.
M�nica, voc� est� bem?
Tamb�m a levaram � inspetora? O que ela disse?
Se eu estava bem, se descansava.
E me mandaram n�o falar do ferimento.
-Eles querem prova de vida. -Felizmente, estamos bem, Arturo.
N�o felizmente, M�nica. � o contr�rio!
Se a prova de vida falhar, ver�o que algo vai mal.
N�o teriam escolha sen�o entrar.
Ou�a, Alison.
S� voc� pode nos tirar daqui. Tem de sumir, enquanto durar essa prova.
-H� um cofre. � bem escondido. -N�o.
Basta voc� entrar e trancar por dentro. H� uma sequ�ncia num�rica...
-N�o posso fazer isso. -Voc� � o salvo-conduto!
Se n�o aparecer na prova de vida, n�o restar� op��o sen�o virem resgat�-la.
Tem de ser, por favor. � simples.
Dois, nove, um, sete, cinco, dois, tr�s, dois. Pode fazer isso?
Dois, nove, um...
-tr�s, sete... -Um, sete, cinco.
Dois, nove, um, sete...
-Cinco! -Dois, nove, um, sete, cinco...
-tr�s, sete, dois... -Nove, um, sete, cinco, dois, tr�s, dois.
-Dois, nove, um, tr�s, sete.... -Dois, nove, um, sete.
Artur, deixe-a!
N�o v� que n�o h� nenhuma chance? Levei um tiro na perna. Voc�...
Tudo vai dar certo.
Tenho a tesoura. Ou�a.
-Se a atacarem, revide com isso. -O que disse? N�o quero isso!
Ataque com ela.
O ferimento est� sangrando.
Sim. Tentei limpar, e acho que um dos pontos abriu.
Tudo bem se eu olhar?
Est� bem.
-Ela precisa tirar a roupa? -Como quer que ele ajude?
Est� vendo esses dobr�es?
Acharam na barriga de um marinheiro espanhol.
Mumificado.
Pelo visto, o capit�o descobriu que ele estava roubando parte da carga
que traziam das �ndias.
E o fez engolir todas as moedas que roubara, uma a uma, at� que se afogou.
Imagine se aplic�ssemos a voc�s o mesmo castigo.
Acabar�amos como um arm�rio embutido de seis portas.
-� muito engra�ada, inspetora. -N�o vim para fazer piadas, Fonollosa.
Ainda preciso ver quatro policiais, onze seguran�as
e tr�s adolescentes, entre eles, Alison Parker.
Por favor, tem de relaxar. N�o seja impaciente.
A sobremesa � sempre no fim.
Mas essa sobremesa est� demorando muito,
e receio que minha digest�o pare. Quero ver Parker agora.
Ela est� se arrumando.
Sabe como s�o as adolescentes, muito vaidosas.
No fundo, acho que � inseguran�a,
que acompanha certas mulheres por toda a vida.
-O que h� com os c�es? -Helsinque os tirou do cercado.
Levante-se.
Fa�am uma cara alegre. Sua chefe veio v�-los.
Vamos! De p�!
Naquele sil�ncio,
a Inspetora Murillo p�de ouvir as m�quinas a todo vapor, imprimindo.
E percebeu que a t�nhamos enganado. Que os tiros tinham sido encenados.
E que sua visita ao museu s� servira para nos dar
duas horas mais, enquanto ela estivera fora do jogo.
E n�s t�nhamos ganhado mais 16 milh�es de euros.
O Professor tinha raz�o. Neste assalto,
a porra do tempo era ouro.
Na primeira aula, eu lhes disse...
bem, que, de certo modo, n�o vamos roubar.
N�o vamos roubar nada que perten�a a outros, certo?
Bem.
Pois eu menti.
Porque, sim, h� algo que vamos roubar.
Vamos roubar o tempo da pol�cia.
Vamos deixar migalhas.
Eles v�o recolh�-las e v�o dar em becos sem sa�da.
E n�o se concentrar�o no objetivo principal, que � tirar todos n�s daqui.
E, quando tivermos o tempo da pol�cia
e sua aten��o,
s� teremos de dilat�-los.
Estic�-los, como se fosse chiclete. Enquanto as m�quinas operam sem parar.
N�o s�o burros.
E, em algum momento, perceber�o que tudo isso � um jogo,
uma manobra de distra��o para continuar imprimindo dinheiro.
Mesmo assim, n�o poder�o fazer nada.
Porque s�o obrigados a resolver o sequestro sem fazer v�timas.
Parecia f�cil.
Talvez com outra inspetora.
Mas Rachel era uma mulher em um mundo de homens.
Uma m�e solteira no meio de um div�rcio.
Uma mulher que aguentara os maus-tratos do marido.
E ali, na frente de Berlim,
se sentia � vontade.
Como uma professora � frente dos alunos rebeldes.
E n�o ficaria de bra�os cruzados vendo como ca�oavam dela.
Apliquei pontos de aproxima��o, para n�o precisar costurar de novo.
O que �? Agora � m�dico?
Quero dizer, no m�nimo, lavou as m�os. Certo?
Claro, Arturito. Para lhe dar uma bofetada com o perfume de sua m�e.
Estou meio enjoada. Talvez pudesse voltar, para descansar.
Sim.
Vamos.
Ou�a, Alison! Isso n�o � negoci�vel!
Preciso que fa�a isso.
Preciso que o fa�a por todos!
Quer mesmo continuar sendo saco de pancada de seus colegas?
-O que voc� sabe? -O que sei?
Vi como riem de voc�.
Como sussurram �s suas costas. Eu vi.
Vi como a tratam como uma puta ot�ria.
Voc� pode mudar tudo.
Hoje. Agora.
Est� em suas m�os.
Tem de ser capaz de mudar seu destino.
Mas tem de seguir meu plano. Certo?
A sa�de geral � boa, ent�o?
Sim. Pode-se dizer que sim.
Helsinque, por favor.
Acompanhe-o aos seus aposentos.
Muito bem.
Acho que vi todos os ref�ns, menos Alison Parker.
Entendo que � a vez dela, n�o?
Se n�o?
Vai nos algemar?
Por favor, senhoras. Paz!
� cedo para tirar a lama e os biqu�nis.
Ou�a.
Desde que estou aqui, s� ouvi voc� dizer besteiras.
Esperava algo mais substancioso de algu�m que tem... Quanto?
Sete meses de vida?
De que est� falando?
-Que porra � isso? -Ele tem miopatia de Hellmer.
Uma doen�a degenerativa muito agressiva,
com uma expectativa de vida de...
quatorze a 25 meses.
Possivelmente, seus m�sculos
tenham come�ado a se paralisar, o que se traduz em espasmos,
tremores de m�os.
J� notaram que � cada vez mais dif�cil para ele segurar a arma?
Pisei na bola.
Pensei que n�o houvesse segredos entre voc�s, que fossem...
amigos.
Quero ver Alison Parker.
Agora.
Posso ir ao banheiro?
Por favor, � urgente.
Depressa!
Ah, Senhor.
Condor Tr�s, v� algum movimento?
Nada. Tudo limpo.
De acordo.
Sr. Berlim.
Posso lhe falar?
� que me sinto muito melhor.
Estou menos nervosa. Queria ficar com os outros.
N�o est� bem aqui? Tem alguma queixa?
N�o.
Estou bem. Muito bem.
� por isso que...
poderia colaborar nas tarefas que est�o fazendo.
Diga, Ariadna, como poderia colaborar?
Com qualquer coisa.
Cozinhar, cavar.
Acho que est�o fazendo um t�nel...
Pode vir mais perto?
Cavar com essas m�os seria pecado.
E j� temos gente para isso.
Tamb�m temos gente para imprimir...
para carregar as bobinas. Na verdade, temos gente para tudo.
Ontem � noite, levou Silvia, e ouvimos os tiros.
N�o aguento mais ficar aqui. Preciso sair.
Todos precisamos.
Ang�stia, estresse, ansiedade.
Eu, por exemplo,
agora mesmo...
tenho a certeza sombria de que n�o vou sair vivo.
Em sua idade, tamb�m acreditava que poderia engolir o mundo.
Que jamais olharia para tr�s para essa vida e...
-que nunca me arrependeria de nada. -Mas, um dia,
algo a faz parar. De repente.
Sim. E � melhor que isso que a faz parar tenha a ver com o trabalho,
ou que lhe tomem sua casa.
E n�o policiais, a tiros.
A quest�o � que...
j� me pararam de repente com tiros.
Especificamente, um que foi direto ao cora��o de meu namorado.
Saia...
e conte a todos...
que j� n�o sinto mais nada.
E que podem entrar para me pegar...
com tiros.
Unidades prontas para entrar.
Por que ela demora tanto?
Aguardar instru��es.
Quando Mussolini estava perdendo a Segunda Guerra,
e uma enorme nuvem negra n�o o deixava pensar,
ele percebeu que a �nica coisa que...
conseguia anim�-lo era sexo.
Ent�o, puseram uma prostituta em um quarto ao lado de sua sala.
De vez em quando, ele ia v�-la,
para recuperar a alegria.
Posso ajud�-lo a resolver seus problemas.
Acha que posso estar com uma mulher que me procurasse contra sua vontade?
E notasse seu desprezo?
Na verdade, eu quero.
Experimente.
Experimente, Sr. Berlim.
Nem sei se quero estar com voc�.
Mas eu a notei, com certeza.
Por que n�o dan�a um pouco?
Dance.
Para Ariadna,
entregar-se ao sequestrador-chefe era o modo mais seguro de se salvar.
O que ela n�o sabia � que n�o corria perigo...
e que esse ato era t�o desesperado quanto a tentativa de fuga de Alison,
que teve os santos ov�rios de tentar fugir de Nair�bi.
Talvez isso leve ao desespero:
ov�rios.
E a absoluta determina��o de agarrar a vida como cadela raivosa.
Puta merda! Alison!
Alison!
Alison!
-Ol�, Salva. -Oi.
Estava aqui na vizinhan�a e...
vi voc� entrar e pensei: "Ser� Salva?" E � voc�.
Posso entrar?
-Agora? -Sim, agora.
Claro.
Entre.
Que maravilha esse sistema.
Desculpe a intromiss�o, mas estava querendo provar a cidra que prometeu.
Claro. Venha por aqui.
N�o � t�o boa.
Obrigado. Sa�de.
J� disse, sou amador.
N�o est� ruim, cara.
Bem, um pouco amarga. Diga uma coisa.
Como vai com Raquel?
Est�o saindo, n�o �?
Bem, vejamos...
saindo mesmo, n�o.
Quero dizer, conversamos algumas vezes
-e vamos jantar. � verdade. -Certo.
H� afinidade, mais de minha parte.
Eu a considero uma mulher com muito carisma.
Mal nos conhecemos.
Se pretende lhe dar isto, � melhor acertar.
Sim. Se lhe der tr�s copos disto, ela ter� c�licas.
N�o seria muito...
-ideal, certo? -Claro.
Muito obrigado pelo conselho.
Sei por que tem essas ma��s secando.
Sim.
Este lugar � muito �mido.
Silene,
sem o microfone, n�o podem saber se estou bem, ou n�o.
Unidades dois e tr�s, preparadas.
Nove minutos.
-Em posi��o. -Em posi��o.
Deveria instalar uma estufa.
Bem, podem apodrecer.
Deveria procurar outro lugar.
Ou�a.
Tenho de sair, para evitar um massacre.
Com ou sem provas de vida. Entende?
Sente-se.
Quatro minutos.
Falei chin�s, porra? Sente-se!
Alison, Alison, Alison.
H� dez mil metros quadrados aqui! Onde est�, porra?
Com licen�a.
Sim?
Chamem o Professor. V�o!
Est� pronta? Est� bem. O juiz assinou?
Est� bem. Perfeito. Estou indo. Obrigado.
Desculpe. O dever me chama.
� uma pena.
-Quer levar uma garrafa? -N�o, obrigado.
Nunca atendo. Quem liga para telefone fixo?
Segundo andar, escrit�rio 17, dentro do cofre.
-Porra de garota! -N�o!
-Alison, est� bem? -Estou.
-N�o temos tempo. Se houver algo, diga. -N�o estava com pressa? Pois v�.
Rio, comigo.
Como vai, Pilar?
Achou alguma coisa?
Sim. Havia uma digital.
E?
Ela n�o coincide com a dos policiais que patrulhavam.
Como assim?
Verificou no banco de dados?
Sim. Mas n�o h� coincid�ncias.
A digital n�o est� registrada na Espanha.
Ou�a, fa�a um favor.
Compare com as digitais desta colher.
Ligue assim que tiver os resultados. A qualquer hora.
-Certo. -Obrigado.
Onde conseguiu a colher?
-Oi, Alberto. -Achou o faqueiro dos sequestradores?
N�o exatamente.
� outra coincid�ncia. S� um palpite a descartar.
Sabe que n�o podemos analisar sem documentar a proced�ncia.
Sim, mas pe�o como um favor pessoal.
Cacete! N�o vale a pena, �ngel.
Sabemos mais do sequestro pela TV!
N�o se preocupe. Quando tivermos o resultado, ligamos. Est� bem?
Obrigado.
Como vai Raquel?
Est� superando?
Sim, vai. Pouco a pouco.
Companheiros,
ap�s severa reflex�o,
queria pedir desculpas por n�o...
ter sido totalmente sincero.
A inspetora tinha raz�o.
Tenho uma doen�a degenerativa.
Realmente filha da puta.
E meus dias est�o contados. Mas...
n�o � minha inten��o deix�-los tristes.
Muito menos, que tenham pena.
Afinal, falamos de uma doen�a que atinge uma entre...
cem mil pessoas.
E isso me torna algu�m especial.
O que quero � convid�-los a comemorar. Rio.
Todos vamos morrer.
E brindo a isso...
porque estamos vivos.
E porque o plano segue como uma bala.
� vida.
E ao plano.
Anibal Cort�s...
� o elo mais fraco da cadeia.
Aquele microfone seria pego em uma revista.
Por isso pedi aos t�cnicos
que inserissem nele uma mensagem.
E como sabemos que o rapaz viu o v�deo?
Oi, filho.
Contratamos um bom advogado, que conseguiu um acordo de colabora��o.
Se Anibal Cort�s se entregar,
significar� que nosso plano deu certo.
Tamb�m falamos com a pol�cia.
Disseram que, se voc� se entregar e colaborar com a investiga��o,
o juiz lhe dar� uma senten�a favor�vel.
Voc� n�o passar� nem um ano preso.
Estamos fazendo tudo o que podemos,
para voc� ficar bem, quando sair.
N�o tem nada a fazer a�, Raio.
Pense a respeito, por favor.
Pense! Isso pode ser reparado, querido.
Raio, ainda temos tempo.
-Sim. O que �? - Voc� vem jantar?
N�o. Acho que n�o chego para jantar. Tenho um assunto em uma farm�cia.
- Eu espero, querido. -N�o. N�o � em Madri.
� em Toledo, em uma aldeia. Palomeque.
Ligo mais tarde.
Ajude, por favor. Fomos roubados.
Calma. Sou policial.
S� queriam...
os registros de compras, receitas, a contabilidade,
os estoques e registros de vendas.
E, como no xadrez,
h� vezes em que, para ganhar, � preciso sacrificar uma pe�a.
Neste caso, uma das mais valiosas.
Nosso cavalo de Troia.
O Professor pusera �ngel em situa��o complicada, ao ir � farm�cia.
Uma situa��o que o faria descer ao inferno.
Raquel, ou�a.
Um sujeito veio � farm�cia, antes de mim.
N�o sei como pode ter acontecido.
S� n�s dois sab�amos.
E foi assim que aconteceu,
com grande dor no cora��o,
quando o bom rapaz, �ngel, enfiou o nariz no hangar,
o Professor o sacrificou.
Legendas: Marcia V, A. Torres
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