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FERRO-VELHO FECHADO ENTRADA PROIBIDA
No domingo,
Raquel Murillo, por segundos, n�o viu o Professor.
Era uma das imagens que faltavam para completar o quebra-cabe�a
e resolver o caso.
J� tinha o rosto de Rio. O meu.
E logo teria o de Berlim.
O Professor previra que Raquel obteria essas fotos,
como cartas dadas aos poucos,
para manter a inspetora entretida no jogo.
S� o rosto dele ela jamais deveria ver.
Mas ele j� n�o era t�o an�nimo.
A imagem come�ava a ser desenhada pela pol�cia, como um holograma.
Aquela ponta solta o colocara em risco.
Se a inspetora jogasse bem com suas cartas
e tivesse o rosto do Professor, o jogo acabaria.
O xeque-mate seria fatal.
DOMINGO 12H06
-Alison Parker. -Tem certeza?
Prefere salvar Alison aos outros oito?
Sim, tenho certeza.
Que frieza. Ela nem hesitou.
Algu�m decidir isso assim, sem hesitar,
nos deixa sem palavras.
50 HORAS DE GOLPE
� inacredit�vel que a vida de oito espanh�is
valha menos do que a de uma inglesa.
Alison � espanhola. Tem dupla nacionalidade.
Dado que o principal s�o os ref�ns,
devemos questionar o papel da Inspetora Murillo.
N�o sei se est� � altura de negocia��o desse calibre.
Ela tem extensa carreira na for�a policial.
Psic�loga, criminologista. O que mais quer?
Tem curr�culo de sobra.
O problema � que a Inspetora Murillo acaba de apresentar
den�ncia contra o marido.
-Paula! -O que tem isso a ver?
� preciso considerar isso
e como poder� afet�-la.
� prov�vel que esteja medicada, inst�vel..
Ela acaba de falar com o pai.
Paula, querida, por que n�o conta para mam�e
o que papai lhe contou? Vamos.
Se quero morar com ele e com minha tia.
E o que disse, querida?
Que sim.
Filha, n�o.
Bem, se for morar com papai,
vamos nos ver menos, certo?
Como agora. Voc� nunca est� em casa.
Ou�a, Paula...
mam�e n�o quer que v� morar com papai porque...
porque papai n�o � bom...
e me magoou muito. Entende?
Papai � bom, sim!
N�o, filha. Papai n�o � bom.
N�o � verdade. Papai me disse.
Ele lhe disse que � mentira.
Que voc� inventa bobagens.
Quero morar com a tia.
Mas, querida...
sua Tia Marta � maluca.
N�o posso falar, porque sou m�e dela tamb�m.
Mas ela tem c�rebro de trapo, como seu coelho, Eugenio.
Mam�e.
Chega.
N�o ponha a menina contra a tia.
Est� bem.
Ou�a, querida.
Quer saber?
Vamos comer hamb�rguer. Quer?
Com ketchup ?
Com ketchup, batata frita e...
quando eu terminar este caso, vamos para as Ilhas Can�rias.
� praia. S� n�s, as meninas. O que acha?
Se � um programa de garotas, tamb�m vou.
Vamos.
E sorvete de chocolate, tamb�m.
Sorvete de chocolate. sim.
Perguntas sobre o assalto que choca o pa�s se acumulam:
quem s�o os sequestradores?
Tinham inten��o de ficar l� dentro?
Querem dinheiro, ou protestam contra o sistema financeiro?
Quanto tempo podem aguentar sem que as unidades policiais
resolvam entrar?
-E a pol�cia n�o entra? -A porta est� trancada.
N�o v�o entrar...
porque ningu�m na Espanha quer isso.
Como? V�o fazer um plebiscito?
Legal.
Vejamos. Ano, 2011.
Um grupo de jovens
ocupa a Puerta del Sol, a pra�a mais simb�lica da Espanha,
reunindo mais de 20.000 pessoas.
Quinze mil, n�o?
Isso.
Se algu�m tivesse nos dito
que 20.000 pessoas acampariam
na Puerta del Sol por um m�s, sem interven��o policial,
jamais ter�amos acreditado. Achar�amos imposs�vel.
Mas foi assim.
A pol�cia n�o agiu.
Por qu�?
Porque toda a Espanha estava com os jovens.
�. Mas os jovens tinham barracas, e n�s carregamos armas.
-� diferente, n�o? -� verdade.
Pol�tica � pol�tica.
Dinheiro � dinheiro.
Sangria � sangria.
Na S�rvia, a pol�cia interviria nisso.
Sa�de, amigos.
N�o! N�o fa�a isso.
-Que nojo. -T�o cafona.
N�s...
seremos os resistentes presos na ratoeira.
Assim como eles foram os resistentes da Puerta del Sol.
A resist�ncia � bem-vinda.
-Se n�o funcionar... -Voc� tem seu p�blico.
-Como? -Desculpe.
Continue.
Obrigado.
Se isso n�o funcionar,
a pol�cia saber� que temos armas.
Que temos explosivos.
Nenhuma unidade de elite poder� distinguir ref�ns de assaltantes.
Nenhum Ministro do Interior...
dar� a ordem. Nenhum.
E por qu�?
Porque h� menores.
ESPANH�IS CIDAD�OS DE SEGUNDA CLASSE
Escolher a vida de Alison Parker sobre as outras foi decis�o sua.
Disse que assumiria as consequ�ncias.
Portanto, v� l� fora
e diga � imprensa que voc�s decidiram isso.
O Servi�o Secreto n�o pode dar declara��es.
Mas tranquilize-se.
O presidente est� a par. E o governo a apoia.
Ou�a, pouco me importa
esse apoio.
Importa o que minha filha pensa. Minha m�e.
N�o o Sr. Presidente.
Inspetora...
eles jamais liberariam Alison Parker nem os oito menores.
Era uma cilada.
Mas se me permite dizer...
quando isso acabar,
ningu�m se lembrar� disso.
�...
como a sele��o espanhola. Tanto faz como come�a o torneio,
desde que consiga um desenlace feliz.
Ser� a hero�na do pa�s.
Se houver um rastro de corpos,
estaremos fodidos.
Todos n�s.
Lamento meus erros.
E estou a sua disposi��o.
Mas, se quiser que v�...
Su�rez.
Quero todos em opera��o.
Quero os relat�rios cient�ficos do Seat j�.
E o relat�rio sobre o subsolo? O que houve?
E, principalmente, Sr. Prieto,
que o Servi�o Secreto me diga como os assaltantes v�o sair.
Professor, uma d�vida.
Como vamos sair?
-Por um t�nel. -� esse o plano?
A pol�cia ficar� sabendo.
Sim.
Vejam.
Esta �...
a Casa da Moeda, vista de cima.
Assim que entrarem,
colocar�o os ref�ns a cavar bem aqui.
No por�o das caldeiras.
Que fica exatamente a 13 metros dos esgotos.
Treze metros?
Nessa dist�ncia, qualquer radar nos detectaria.
Certo?
� verdade.
O radar de pulso tem alcance de 15 metros.
Se n�o, usar�o um sism�grafo captando as vibra��es do martelo.
V�o pensar que fugiremos por aqui.
Mas n�o vamos por a�?
N�o.
Sairemos por outro t�nel.
Um t�nel...
que eles n�o poder�o ver.
Porque est� a 26 metros de qualquer outro duto de saneamento
e j� est� pronto.
S� precisamos acess�-lo daqui,
do cofre n�mero tr�s.
Quem fez esse t�nel?
Mandei constru�-lo h� cinco anos.
Uma vez que entrem no t�nel, saindo da Casa da Moeda,
ter�o 486 metros, j� escavados, at�...
um hangar...
que j� tenho pronto.
N�o.
-Tiro o chap�u para voc�! Vamos. -E a calcinha.
Mas o piso do cofre...
tamb�m � concretado.
Exatamente.
H� uma camada de a�o e outra de concreto armado.
Al�m disso, l�...
n�o podemos usar o rompedor.
Tem de ser feito � m�o. Lan�a t�rmica.
Quantos metros?
Dezesseis cent�metros de a�o.
Oitenta cent�metros de concreto armado.
Finalmente, terra.
Seis metros e setenta, no total.
� um buraco e tanto.
E quanto tempo vai levar...
para cavar esse buraco?
Dez, doze dias.
� o tempo que estaremos l�.
Imprimindo...
uns 200 milh�es de euros por dia.
Dois mil e quatrocentos Milh�es
Boa!
Sa�de!
A t�cnica confirmou presen�a de amon�aco e �lcool no painel,
tape�aria, vidros...
Pelo carro todo.
O relat�rio qu�mico informa que isso foi aplicado
minutos antes de chegarmos.
O que nos leva a supor...
que algu�m relacionado ao bando esteve ali quase junto conosco.
E quanto ao mendigo?
Nem vest�gio.
Verificamos as c�meras do tr�fego
e das lojas pr�ximas. Mas nada.
H� uma boa not�cia.
Conseguiram isolar uma digital no bot�o que voc� achou no carro.
O dono tem antecedentes. V�o enviar a ficha.
Aten��o, todos. Ou�am bem.
Preciso que saiam da tenda por alguns minutos.
Todos exceto o Subinspetor Rubio.
Ser� por poucos minutos, colegas. Obrigado.
Obrigada.
E exceto o CNI.
Acham que foi por acaso...
que o mendigo chegasse ao ferro-velho antes de n�s?
N�o. N�o foi acaso.
H� algu�m infiltrado.
O que vamos fazer?
Encontr�-lo.
Temos a ficha policial.
INFORMA��O PESSOAL ANDR�S DE FONOLLOSA
Calma.
Calma.
Est� tudo bem.
Calma.
Descanse.
Quieto.
Calma.
Est� tudo bem.
Est� tudo bem.
Volto j�.
Est� bem.
N�o h� infec��o.
Muito bem.
Muito bem.
Trinta e sete e seis.
N�o h� problema.
Quarenta?
Problema!
Trinta e sete e seis...
n�o � problema.
Durante a guerra, cuidei de muitos homens.
Homem cuida de homem.
N�o h� problema.
Est� tudo bem.
Est� tudo bem.
M�nica.
M�nica.
Como se sente?
Melhor.
O que faz aqui?
� minha hora de dormir, mas queria saber de voc�.
Faz calor aqui.
Sim.
E n�o h� muito oxig�nio.
Se quiser, pode dormir aqui. N�o me importo.
-S� preciso me sentar um pouco. -Est� bem.
Sim, sim.
Andr�s De Fonollosa.
Tem mandado de busca e captura.
Joalherias,
furg�es, casas de leil�es. Crimes de colarinho branco.
N�o tem carimbos de sa�da no passaporte eletr�nico.
Certamente, usa um falso.
Tamb�m n�o h� registro de familiares ou amigos.
E os informantes n�o o conhecem.
N�o tem endere�o, n�o est� no censo.
Minha �nica ideia seria seu colega de cela.
Ficaram sete meses em Soto del Real.
Est� bem.
Coordene tudo para traz�-lo o quanto antes.
Espere. O mais interessante sobre ele � o que anotou a psiquiatria forense.
Devo ler?
"Estamos frente a um narcisista egoc�ntrico...
com del�rios de grandeza."
Eu os reuni aqui para
lhes contar um pouco de como v�o as coisas.
E para calar os boatos.
"Mostra absoluta falta de empatia."
Sei que corre um boato por a� que a Srta. M�nica Gaztambide...
morreu. E isso n�o � bom.
Os boatos geram,,,
incerteza, ansiedade.
� por isso que quero esclarecer isso.
Efetivamente, a Srta. M�nica, sua colega, foi executada.
"Um exc�ntrico, com tend�ncias � megalomania,
que o impedem de distinguir o mal do bem."
Mas tamb�m quero...
participar-lhes outras not�cias.
Boas not�cias.
Porque a verdade...
� que este roubo vai de vento em popa.
Vai como um tiro.
"Tem grande sentido de honra.
E uma necessidade patol�gica de causar boa impress�o,
especialmente entre desconhecidos."
Por isso, quero...
lhes agradecer, tenho de agradecer
a todos aqueles...
que est�o contribuindo com seu esfor�o...
e colabora��o. Mas a uma pessoa, em particular.
Ao Sr. Torres.
Sr. Torres.
Venha.
Paco.
Paquito.
Paquito.
Sr. Francisco Torres.
Este senhor tem impresso notas
h� 27 anos.
E hoje ele bateu seu pr�prio recorde, porque,
depois de 40 horas, ele imprimiu... Diga quanto, Sr. Torres. Diga.
Trezentos e onze milh�es de euros.
Mas diga bem alto, com orgulho. Que todos saibam.
Trezentos e onze milh�es.
Trezentos e onze milh�es de euros!
Trezentos e onze milh�es de euros...
sozinho!
Bem, com a ajuda de meus colegas, claro.
E � humilde. Obrigada, Sr. Torres. Obrigada.
Muito obrigada a todos.
Sr. Torres, sabe o que o senhor �?
O senhor � a porra do sequestrado do m�s!
Isso mesmo. Vamos dar o aplauso que merece...
o Sr. Torres!
Vamos.
Que notem todo o amor que lhe temos!
Voc� � um monstro.
Notem o amor que temos.
Obrigada!
Mas, como boas not�cias nunca v�m sozinhas,
gostaria que receb�ssemos...
como merece...
e lhe demos uma ova��o inesquec�vel...
ao Sr. Arturo,
o diretor geral que finalmente est� fora de perigo!
Obrigado, Paco.
Posso lhe falar em particular?
Quero que divulgue tudo sobre ele � imprensa.
Por qu�?
-Por qu�? -Sim.
O sujeito est� fazendo um grande show,
como se fosse um filme.
Vejamos o que a Espanha pensa,
quando vir que um doido det�m um bando de ref�ns com armas.
Raquel.
Acho que n�o ganhar� a opini�o p�blica dizendo que o sequestrador � doido.
Este pa�s adora os loucos. Precisamos de algo mais.
Tr�fico de mulheres.
Um caso n�o resolvido de proxenetismo.
Algo que a sociedade n�o perdoe.
N�o fa�a isso.
Raquel, n�o caia t�o baixo. N�o fa�a isso.
Divulgue. Proxeneta.
Com um caso aberto por tr�fico de mulheres.
Algumas, menores.
E por ter sa�do por colaborar com a pol�cia.
Ou seja, um alcaguete.
Gosto de seu estilo.
Vou � ag�ncia preparar tudo.
Ou�a.
N�o! Ou�a-me, Raquel.
Est� claro, n�o �?
Vamos caluniar algu�m.
-Caluniar algu�m? Sim. -Sim.
�ngel, estou sendo crucificada na TV.
E na imprensa internacional, como a maior filha da puta do reino.
E, por acaso, meu ex-marido aproveitou esse momento de gl�ria
para perguntar a minha filha se quer morar com ele.
Sabe o que � isso?
Vai me tirar a cust�dia de minha filha.
Vai dizer a um juiz: "Merit�ssimo, a maior filha da puta do reino
n�o pode criar minha filha.
Al�m disso, a menina quer morar comigo".
Nenhum juiz dar� cust�dia a um cara que a maltratava!
Se minha m�e n�o acredita, acha que um juiz acreditar�?
Eu acredito, Raquel.
Acredito em voc�.
Posso testemunhar a seu favor.
-Testemunhar? -Sim.
O que vai dizer? Voc� n�o viu nada.
Porra! Vamos caluniar Fonollosa. Aqui se caluniam todos!
Cacete. Seu marido em primeiro lugar!
Pois digo que...
que vi seus hematomas.
Sim. Embaixo da minissaia.
-Mas nunca uso minissaia, �ngel. -Tanto faz, cacete.
E, al�m disso...
conto para eles sobre nossa noite na Sierra.
Que n�o foi em Cercedilla, foi em Miraflores.
Com licen�a, inspetora.
Posso?
O que �?
Fomos ao ferro-velho. Interrogamos o russo.
Nikolai Dimitrievich, o guarda.
Parece que um homem perguntou por um carro uma hora antes.
E falou em russo.
Segundo a descri��o, ele poderia ser
o mesmo que falou com Almansa. O mendigo.
Tragam o russo.
Que olhe todas as fichas dos delinquentes do Leste.
E fa�am um retrato.
Quero todas as fotos
de todos os russos que foram interrogados, detidos ou acusados.
H� um software que ajuda a criar um retrato.
O rosto do Professor era an�nimo, como um quebra-cabe�a de mil pe�as.
Mas uma testemunha juntaria todas as pe�as.
E Raquel,
que jamais acreditara em retratos,
teria a chave de toda a opera��o.
Cacete.
Jessica.
Elena.
Denise.
Paula.
Elizabeth.
Aurora.
E Allison.
Desculpe t�-la amarrado.
Mas me apontou um rifle. O que esperava?
A filha do embaixador � um tanto rebelde.
O que queria? Foi a segunda loucura que fiz.
Sim? E qual foi a primeira?
Inscrever-me em Dan�a.
-Escondido. -Muito doido!
Cuidado, porque dan�a pode levar a algo mais perigoso, como violino.
Meu pai decide tudo, em minha vida.
A escola, a carreira...
at� onde vou morar depois de obter o mestrado em Oxford.
"Alison.
Isso vai com o peixe. Alison, esse copo, n�o.
Alison.
Vai aprender xadrez."
E assim, tudo.
Claro.
Para deix�-lo zangado, matricula-se no bal�.
Escolhi isso porque meu pai odeia bal�.
E v�lei, aos s�bados.
Aos s�bados, n�o posso fazer nada sem que ele saiba.
Certo.
Peguem a n�cessaire, e vamos fazer fila.
De que falavam?
De nada.
Falavam de Oxford.
Eu ouvi.
N�o. Era sobre minha vida.
Meu pai � mand�o.
Vai convid�-lo � embaixada?
Quem?
Rio.
N�o gosta de meu namorado?
N�o.
Adoro o sorriso dele.
Voc�, n�o?
N�o.
Eu a vi. Por que mente?
Rio n�o � fofo?
Sim, bem...
V� como gosta dele?
Tudo bem, admita.
Bem...
ele est� comigo.
Mas n�o sou uma cadela raivosa, que morde quando se sente insegura.
Se gosta de brincar,
temos de brincar juntos, n�o?
V�.
H� quanto tempo est� a�?
Tr�s agress�es sexuais.
Seis intoxica��es com drogas.
Exibicionismo.
No total...
trinta e oito anos de pris�o.
E ainda falta um julgamento.
Por que me trouxe aqui?
Dividiu cela com este homem.
Lembra com quem ele falava?
Com ningu�m.
Mas deveria ter fam�lia.
Namorada? Parceiro?
N�o sei.
Amigos?
N�o mencionou.
Est� me dizendo que...
em sete meses, ele n�o mencionou ningu�m?
H� algo?
Responda, h� algo?
Ele falou de sua casa?
-N�o. -N�o?
Do bairro, uma aldeia? N�o sei.
Devia pensar em voltar a algum lugar.
N�o sei. N�o dizia nada.
Acho que n�o est� entendendo como isto funciona.
Preciso que me d� alguma coisa.
Entende?
Alguma pista.
Pense, por favor.
-H� uma coisa. -O qu�?
N�o vou dizer assim, sem mais.
Estou preso h� quatro anos.
-Quero algo em troca. -Claro.
Ou�a, n�o encha o saco.
-�ngel. -Isto n�o � um filme.
N�o, n�o. Voc� fala. E veremos se podemos ajudar.
Cante, depois, ganhar� o biscoito.
-Est� me ouvindo? -�ngel!
Calma.
Ou�a.
Vou solicitar � junta da condicional uma recomenda��o.
Sob duas condi��es.
Primeiro, que d� a informa��o j�.
Se for boa, eu lhe direi a segunda condi��o.
Tem minha palavra, que conseguir� a condicional.
Precisava de um medicamento.
Todo dia.
Tenho o relat�rio da enfermaria, mas...
n�o diz nada sobre isso.
�. Eu sei.
Ele guardava segredo disso.
Algo degenerativo.
Lembra-se do nome do rem�dio?
-Retroxil. -Como conseguia?
N�o sei se sabe, mas � muito f�cil contrabandear de tudo na pris�o.
No reto.
Agora, diga qual � a segunda condi��o.
Que se submeta voluntariamente a tratamento de castra��o qu�mica.
Enquanto o solicita, assinarei seus pap�is.
-N�o? -N�o.
Su�rez, leve-o.
-Vamos. -Deu sua palavra!
-Grande puta! -Vamos.
Descubra para que serve o Retroxil.
Rastreie compras suspeitas, em todas as farm�cias, nos �ltimos seis meses.
Se o cara usa isso todo dia,
ele deve ter garantido seu estoque, antes de entrar.
S� voc�.
N�o confiemos em ningu�m, at� achar o traidor.
Est� bem.
-O russo est� a�, inspetora. -Nikolai.
Mandei cham�-lo para que identifique o homem de hoje cedo.
No ferro-velho.
Consegue lembrar seu rosto?
Pode ajudar com um retrato?
Com certeza.
�ngel, diga aos demais que podem entrar.
Venha comigo.
Ou�a...
Estou preocupada com Silvia, minha aluna.
Porque ela �...
particularmente fr�gil.
E acho que ela se sentiria mais protegida
com o grupo, entende? Com os colegas.
Que aulas d� na escola, professora?
Eu?
Bem...
-Filosofia, �tica... -Filosofia?
-Sim. -Que bom.
Hist�ria das Religi�es.
-E algumas oficinas. -Oficinas de qu�?
Meio Ambiente, Educa��o Sexual.
A mais importante, certo?
J� que � especialista,
talvez possa me ajudar a resolver
um problema que tenho, com sexualidade.
Bem, na verdade,
gostaria de lhe explicar minha teoria.
Posso?
Sim, claro.
Diga.
Tem a ver com piadas.
Piadas?
Piadas.
Sabe que, para que uma piada seja engra�ada,
deve ter uma parte de verdade
e outra de dor?
Sim? N�o sabia.
N�o sabia. � curioso.
Pois �.
� verdade.
Sabe...
a da dor de cabe�a?
N�o.
O marido chega em casa:
"Querida,
Eu lhe trouxe uma aspirina."
E ela diz: "Mas n�o estou com dor de cabe�a".
"Ent�o, vamos trepar."
J� percebeu
a quantidade de piadas que mostram o homem
sempre obcecado em convencer a mulher
para conseguir sexo?
A mulher � sempre for�ada, como se n�o gostasse.
O que acha de tudo isso?
Voc�s n�o t�m os mesmos apetites, professora?
Acho que sim.
Talvez n�o com a mesma frequ�ncia, certo?
Talvez.
Mas e Silvia? Posso lev�-la comigo?
Silvia, certo.
Ou�a. Levante-se um momento, por favor.
Venha comigo.
Venha.
Veja. A� est� Silvia.
Veja que tranquila.
Ol�!
Ol�!
Diga "ol�", professora. Garanto que ela vai gostar.
O que foi, Nair�bi?
Voc� est� na TV.
Oslo.
Foi um prazer, professora.
Volte quando quiser. Falaremos de �tica.
Leve-a.
Vamos.
Acho que este nariz.
Almansa.
Como vai o retrato?
Bem. J� reconhecemos alguns tra�os.
-Logo teremos seu rosto. -Est� bem.
Aquelas palavras levaram o Professor a fazer algo que jamais imaginara.
Procurar a pol�cia para se salvar.
Legendas: Marcia V. A. Torres
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