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Tommy!
Tommy, espera!
Está bem, Gabby.
Uhu! — A festa chegou!
Anda lá. Não vim para ficar aqui à espera.
Anda. Ei, ei, ei!
Vá, Gabs. Só um bocadinho.
- Para mim? - Não, não é para ti.
Sabes que não quero. — Esta bem, mais para mim.
Não, não estás. Não estás.
Não vais, caralho.
Ei. Que porra é que estamos a fazer?
Ei! — Não vou ficar aqui à espera.
Tudo bem, mestre? Como é que é? Esperar a minha vez?
Chega para trás, caralho!
Quem é este pedófilo?
Esperar a tua vez?
Não! — Ah, merda!
Que caralho?
Vou matá-lo! Vai-te foder!
Quero dançar. Anda lá, caralho, anda!
Uhu! — Uhu!
Eu trato disso.
Anda, Gabby. Anda.
Não quero. — Pára de me dizer que não.
Eu trato disso.
Assim é que é. Boa miúda, caralho.
Gabby!
Para onde é que vais agora? Para onde vais?
Vai-te foder. — Para onde é que vamos agora?
Onde é que estamos?
Uou!
Acalma-te, pá.
Ui!
Estou com uma pica do caralho!
Estás a gozar comigo? Larga-o já!
Au! Não me toques! — Vaca do caralho!
Parto-te o braço se fazes isso outra vez! — Foda-se!
Estás com ciúmes, é isso?
Não estás com um bocadinho de ciúmes?
Que merda é que estás a fazer?
Vou-me embora, foda-se. Ei, tu! Ei, tu!
Vem connosco para casa. — Não!
Por favor. — Adoro uma caminhada à noite.
Não adoras nada! — Adoro, sim.
As ruas precisam de mim. — As ruas precisam de ti?
A cidade é minha.
Volta aqui!
Anda! — Para onde vais?
Diverte-te connosco!
Eu sou o rei! E vou-me embora!
Estás bem?
Não queres dar uma olhadela?
Katrina? — Sou eu.
Prazer em conhecer-te.
Faz favor, senta-te. — Obrigada.
Obrigado por teres aceitado encontrar-te comigo.
Também é um prazer conhecer-te.
Hum… importas-te que te faça umas perguntas?
Claro.
Tens filhos?
Não. Não.
Eh, tens alguma...
marca distintiva?
Não percebo.
Marcas distintivas. Sinais, dentes em falta…
Tatuagens, deformações? — Não, nada disso.
Por fim, fumas?
Não. — Ótimo.
É importante contratarmos alguém sem…
vícios. — Não tenho vícios.
Fantástico.
Parece estar tudo legal e em ordem.
Se não te importas, assina aqui.
Sim, Princesa?
Está bem, hum…
Desculpa. Não te preocupes. Eu… eu trato disso.
Sra. Rina!
Bom dia.
Não… tínhamos combinado as onze!
Eh, sim. — São 10:22.
Apanhei um autocarro mais cedo.
Quanto mais cedo começar, mais cedo acabo.
Sim, mas às onze é às onze.
Desculpe. Não volta a acontecer.
Então apanhaste o autocarro? — Sim, não fazia ideia
de que ficavam tão longe da cidade.
Por isso é que te dei o mapa!
Pronto, deixa estar. Por favor, segue-me. Anda.
Levanta as mãos, por favor.
Posso? — Sim.
Podes esvaziar os bolsos, por favor? — Claro.
Obrigada.
Muito bem. Está bem.
Ah, não. Não usamos telemóveis em casa.
Portanto…
Podes guardar o resto no bolso.
Mm.
O teu perfil online dizia que estavas preparada
executar tarefas não padronizadas
Oh, não. Por favor, não fiques preocupada.
Não era isso que eu estava a pensar.
Ah. — Tinha outra coisa em mente.
Mas posso recusar?
Isso significaria o fim da nossa colaboração.
O acordo de confidencialidade, no entanto, continuaria a ser válido,
quer escolhas trabalhar connosco ou não.
Fiz-te um chá de gengibre.
Kathryn, esta é a Sr.ª Rina.
Esperemos que venha ajudar-nos aqui em casa.
Bom dia.
Hum…
vou mostrar-te o resto.
Este quarto é o orgulho e a alegria de Kathryn.
Temos muito Shakespeare aqui.
Edições raras, quase todas herdadas.
Mudámo-nos para o norte depois da morte do pai da Kathryn.
É muito mais espaçosa do que a nossa outra casa.
Londres mudou muito. Já foste a Londres?
Hum-hum. Não. — Não perdes grande coisa.
Este é o meu filho.
Olá. Sou o Jonathan.
Tenho dez anos e gosto de filmes da Disney e de futebol!
Olá, sou a Katrina.
Podes chamar-me Rina. — Olá. Prazer.
Prazer.
- Vamos? - Sim.
Eba!
E este é o nosso quarto.
A Kathryn está lá dentro agora,
por isso não a vamos incomodar.
É fundamental que todos os objetos fiquem no seu lugar.
A minha mulher detesta quando as coisas estão fora do sítio.
E ela vai, hum, bem... acaba por descarregar em mim.
Posso ir contigo?
Vou só mostrar a cave à Rina.
Agradeço não teres gritado,
porque não há motivo para alarme.
Ele está doente, mas vamos tratá-lo.
Garanto-te que ninguém foi,
nem alguma vez será magoado nesta casa.
Sr.ª Rina, verifiquei o estado do teu visto.
Fiz uma pesquisa sobre ti.
Vejo que teve um começo difícil aqui.
Não sei do que fala. — Quero dizer,
especialmente com a tua ordem de expulsão.
Isso está a ser reconsiderado.
Tenho a certeza que sim.
Mas com o seu passado,
pode não ser fácil para uma rapariga da Macedónia.
Ouça.
Eu não julgo ninguém.
E tenho a certeza de que…
não tiveste grande escolha no que estavas a fazer.
Queres que eu
fale com um meu no Ministério do Interior?
Não. Não, por favor, não.
Estou a tratar disso.
Muito bem.
Não será permitido trazer produtos de limpeza de fora
para dentro de casa.
Os produtos que usamos são ecológicos,
não tóxicos, sem químicos. Somos uma casa de desperdício zero.
Levamos isto muito a sério.
Por favor, tira o casaco.
E quando limpares a cave,
lembra-te de não levar a peito
nada do que o Tommy te possa dizer num momento de stress.
E se te sentires ameaçada,
não hesites em usar estes objetos.
Segurança desligada.
Segurança ligada.
Quanto ao spray, é bastante óbvio.
Só tem cuidado com os teus olhos.
Oh, não tenhas medo.
Prometo-te.
Ninguém te fará mal nesta casa.
Ei!
Quem és tu, caralho?
Ouça, ouça, venha cá! Desata-me, está bem?
Por favor, estou mesmo mal. Venha cá e desate-me.
Ei! Ei! És surda ou quê?
Não me ignores, caralho! Olha para mim.
Vem ajudar-me. Rápido, antes que eles voltem.
Anda cá e desata isto.
Por favor, rápido, enquanto eles estão fora.
Não, não, não! Foda-se!
Sr.ª Rina? Sr.ª Rina? Está… Desculpe. Correu tudo bem?
Sim. Só desci para, pôr a roupa a lavar.
Olhe, eu sei que pode parecer estranho,
mas acredite, não o vamos manter lá muito tempo.
O Tommy está numa fase rebelde, percebe?
Está tudo limpo e arrumado. A sério.
Obrigado. Fizeste um ótimo trabalho.
Hum, acho que por hoje é tudo.
Sim? — Sim.
Ótimo, ótimo. Vejo-te na quinta-feira.
Duas vezes por semana? Como no contrato?
Sim. — Sim?
Sim. Quinta-feira. Perfeito. — Obrigada.
Estudos mostram que a música clássica…
pode melhorar a memória e reduzir o stress
para o bem‑estar mental geral…
…e até melhorar o desempenho escolar das crianças.
Quem é? — Ida.
- Ida quem? - Gostava de ser tua amiga.
O meu filho fez a pizza
Tens de comer alguma coisa, Tommy,
Então pode muito bem comer isto.
Isso não foi nada simpático.
Vou partir-te todo quando sair daqui.
Espera para ver. Vou dar‑te uma tareia do caralho.
Juro que te vou arrancar o crânio,
E depois vou esfaqueá-lo no pénis.
Ele… ele gostou da pizza, pai?
Sim. Sim, adorou.
O que é que fizeste?
Tenho tudo sob controlo.
Porque caralho é que me eletrocutaste?
Foi legítima defesa, Tommy.
Estamos a ver porno juntos agora?
Vamos reviver alguns dos teus grandes momentos, pode ser?
Aqui vamos nós, caralho!
Nem pensar!
Foda‑se, que cena!
Isto é tão ridículo!
Este vídeo teve muitas visualizações, sabes.
Diz lá que não é a coisa mais louca que já viste.
Olha para isto!
Não! Não! Sim!
Grande maluco! Vai lá, meu…
Que espetáculo, pá! Olha para mim.
Danos criminais. Condução sob efeito de álcool.
Uso de veículo sem consentimento do dono.
Perigo para terceiros.
E achas isto tudo engraçado?
Parece que gaguejei?
Anda lá! Isto é brutal. Não mintas.
Sim, tens razão. É brutal.
Devia ter sido uma estrela de cinema.
Isto não é um filme, Tommy. Isto é a vida real.
Sabias que mais de 3 551 acidentes
acontecem todos os anos
por causa de condução sob efeito de álcool só no Reino Unido?
Uau, és mesmo um talento do caralho.
Há 11 casos de mortes… Continua a ver.
E, por favor, não uses a palavra com M.
Surpreendentemente, um em cada 20 acidentes mortais no Reino Unido
é atribuído à condução sob efeito de álcool.
Portanto, mantém-te em segurança.
Capítulo Dois.
Quando sentires a raiva ou agressividade a subir,
faz uma pausa antes de responder.
Algumas respirações profundas ou contar até dez
pode ajudar-te a recuperar o controlo
e evitar uma reação impulsiva e agressiva.
Pratica uma comunicação compassiva…
…usando linguagem que promova compreensão
em vez de divisão. — Não!
Mas que…? Quando estiveres frustrado, tenta enquadrar os teus pensamentos
de forma a criar ligação.
Princesa,
queres vir comigo lá abaixo vê-lo?
A nossa primeira aula correu muito bem,
mas tenho a certeza de que lhe faria bem
ver alguém que não fosse só eu.
Vai fazer-lhe bem.
Prometo.
Tommy.
Tommy.
Tommy, o que fizeste à tua sanita?
O que fizeste, Tommy?
Kathryn! Sobe, por favor!
Princesa, sobe!
Lamento muito isto.
A culpa foi minha. Foi demasiado cedo.
Queres que te prepare um banho?
Prometo que trato disto.
- Pai? - Sim, meu filho?
Não... não importa. Importa sim.
Diz. O que ias dizer?
Achas que o Charlie se importa que eu leia as bandas desenhadas dele?
Acho que não se vai importar.
Mas… não digas nada à tua mãe, está bem?
Será o nosso segredo.
Obrigada.
Oh, porreiro. Vais morar comigo?
Seu pedófilo!
Trouxeste tudo? Pijama, escova de dentes, produtos pessoais?
Não gostei da forma como trataste a minha mulher.
Tratei? Estás doido?
Deves-lhe um pedido de desculpas. — Nem pensar.
Vocês é que me deviam pedir desculpa.
Eu é que sou a vítima aqui.
Esse é o problema da tua geração.
Tendem sempre a agarrar-se a algum tipo de vitimização.
Vou-te destruir assim que sair daqui!
Juro! Já estás morto, seu miserável!
Vou arrancar-te a cabeça, cabrão.
Vou arrancar a cabeça à tua mulher
e obrigar o teu filho a ver.
O teu filho estranho, pequeno e feio.
Seu pedófilo de merda!
Vou agarrar essa puta da tua mulher.
Vou cortar-lhe a cabeça e fazê-la em pedaços,
e obrigar-te a comê-la, seu monte de merda, filho da puta!
Detesto cada bocadinho de ti… Ai! Ai, mas que raio?
Que é isto? Fogo.
Menino mau! Menino mau! Menino mau!
Menino mau! Menino mau! Menino mau!
Menino mau! Menino mau!
Menino mau! Menino mau!
Menino mau!
Pai?
Está tudo bem?
Está tudo bem, meu filho.
Não tens nada com que te preocupar.
Já fiz o meu trabalho de álgebra e… e geografia.
Achas que posso brincar com o Tommy depois?
Claro que sim. — Não precisamos de brincar.
Podíamos ver um filme com ele.
Acho que é uma ótima ideia.
Mas talvez ainda não.
Fiz alguma coisa de errada, pai?
Olha quem voltou.
Já percebi. Continua com o teu trabalho.
Vê‑se que não tens problema nenhum em trabalhar num sítio destes.
Não te posso ajudar. — Já sabia que eras estrangeira!
Via‑se logo pela tua cara.
Sua ingrata!
Volta para o teu país, parasita!
Escumalha.
Sra. Rina,
o Tommy está a ser desagradável consigo?
Custou‑me ter de te disciplinar.
Mas não me deixaste escolha.
O teu comportamento é completamente inaceitável.
Aqui tratamo‑nos com respeito.
Agora, deves um pedido de desculpas à Sra. Rina.
És um tipo doente, tu.
Desculpa. Não! Não, não. Desculpa, está bem?
- Não era isso que eu queria dizer. - Não para mim.
Então?
Não volto a fazer.
Pronto. Vês?
Não foi assim tão difícil, foi?
É tudo? — Sim, Sra. Rina, muito obrigado.
Trouxe‑te uns analgésicos.
E o meu filho preparou uma pequena surpresa para ti.
Tommy…
nós não somos psicopatas.
Assim deve chegar.
Ah, um filme. Porreiro. O que vamos ver?
Eu a fazer asneira quando tinha quatro anos?
Algo um pouco mais glorioso.
Os Canhões de Navarone. Um clássico de guerra.
Uma história de coragem e amizade contra todas as probabilidades.
Na verdade, importas‑te que vejamos outra coisa?
E o que seria?
Kes, talvez?
É o filme preferido do Charlie.
Hoje és tu quem escolhe, Sol.
Acho uma escolha maravilhosa.
Jovem ator: Vá, Kes!
Kes!
Esta é a melhor parte. Senta‑te.
Muito bem, Casper.
A coisa mais emocionante que já vi na vida.
Ótimo.
Um momento inesquecível, rapaz.
Deixa ver.
Não está lindamente marcado?
Acho que já chega.
Leva-me para baixo
Pausa.
Gostaste?
Como se eu já não estivesse deprimido o suficiente a viver numa cave.
Agora posso dormir?
De todos os filmes que ele poderia ter escolhido…
Acho que isso me faz lembrar sempre dele.
Eu sei.
Lamento muito.
Sonhei com ele outra vez ontem à noite.
Estava a entrar pelo portão, a subir a entrada,
e ele vinha visitar-nos, e parecia tão saudável.
Tão feliz.
A minha estrelinha...
A cocaína é uma droga potente e perigosa.
Pode dar uma breve sensação de euforia,
mas as consequências são graves.
Saúde destruída, famílias destruídas,
e futuros perdidos.
Ataca o corpo e turva a mente.
Sê inteligente. Mantém‑te longe da cocaína
e escolher opções seguras e saudáveis.
Lição número quatro.
Não deixes o medo tomar conta de ti.
O medo leva sempre à autodestruição.
Liberta‑te do medo.
Tudo o que te rodeia… está cheio de amor e confiança.
Não estás sozinho. Estás em segurança.
Abre a tua mente e acolhe o progresso.
O progresso é impossível sem mudança.
E quem não consegue mudar a sua forma de pensar
não consegue mudar nada.
O segredo da mudança é focar toda a tua energia,
não em lutar contra o passado, mas em construir o novo.
Quero pedir desculpa pelo que te fiz.
Não me comportei como devia.
E por isso quero pedir desculpa e dizer que lamento.
Tenho muita vergonha de mim próprio
e não vou…
Prometo que não volto a fazer.
Eu espero que consigas encontrar no teu coração o perdão.
Sim.
Não se deve mijar nas pessoas, sabias?
Sim, Tommy, eu sei.
Desculpa aceite.
Tenho muito orgulho em ti, Tommy.
Isto não é fácil para nenhum de nós.
Mas agora estou mais esperança que percebas
o que estamos a tentar fazer por ti.
Porra! E agora o quê?
Notei que estavas a semicerrar os olhos durante o filme.
Não, vejo perfeitamente.
Faz‑me a vontade.
Como queiras.
É igual.
Caramba!
Isto é em alta definição! Nem parece real!
Consigo ver tudo muito melhor.
Ainda bem.
Obrigado… Kathryn.
Força.
: Aí vamos nós!
Qual é o teu ponto?
Não percebo. A sério.
Deixem‑me perguntar-vos uma coisa.
O que acham que a minha agente de reinserção vai fazer
quando perceber que não falei com ela?
Eles… eles vão começar a procurar‑me.
Tommy, achas mesmo
que eu não fiz uma verificação do teu passado?
O que é que isso quer dizer? — Não tens agente nenhuma.
Conseguiste escapar a todas as tuas asneiras.
É quase impressionante, na verdade.
Como conseguiste vaguear sem rumo
pela vida inteira sem que ninguém reparasse.
Já deverá ser tempo suficiente para ires à casa de banho.
Primeiro que tudo…
Finalmente, caramba. — Porque é que fizeste isso?
Tenta ouvir aquilo durante um bocado
e vê se a tua cabeça não rebenta.
São sons calmantes da natureza.
Achei que te iam acalmar.
Trouxe‑te alguma roupa.
E isto. Para não morreres de tédio.
Eu não leio.
Isto costuma ser lido por miúdos de 16 anos,
por isso não pensei que fosse demasiado difícil para ti.
Não vai ser difícil para mim.
Não sou burro.
Quem é que lê livros?
Sobre o que é isto? Um tipo com uma tatuagem?
Sim. Como tu.
Posso ajudar? — Olá. Uma encomenda para si.
A sua assinatura.
Pesado.
Vou fechar o portão.
Claro.
Adeus. Tenha um bom dia. — Obrigada.
Bom rapaz, Tommy.
Bom rapaz.
Meu filho
Nunca deves abrir o portão.
Só estava a tentar… Está bem. Nunca.
Meu amor.
Desculpa.
Chris.
Encontrei isto no bolso do Jonathan,
no cesto da roupa.
Achei que tinha tirado tudo.
Desculpa.
Estavas a ler as bandas desenhadas do Charlie?
Sim.
Supunha-se que os deixasses lá em baixo.
Era para ser o nosso segredo.
São só bandas desenhadas, pai.
O que é que querias?
Só queria ver se estava tudo bem.
Sabes… se estavas…
stressado?
Não. Não muito.
Não? Então…
Porque começaste a fumar?
Pai, eu… eu só as encontrei.
Então tens andado com elas no bolso?
É isso?
Sim.
Então porque é que estás a ficar nervoso?
Porque eu…
Também fumei um, mas não volto a fazê-lo.
Posso partilhar uma coisa contigo?
Quando eu tinha um bocadinho mais de idade que tu,
também experimentei um cigarro.
Mas o mais importante
é que não gostaste, e não vais voltar a fazê-lo.
Certo?
Bom rapaz.
O pai ainda não acabou.
Sabes qual é o problema, meu filho?
Olhaste o pai nos olhos e mentiste‑lhe.
A verdade nunca é castigada.
Mas aqui, à partida não houve verdade.
Então o que é que tem de acontecer?
Castigo?
Não. A minha… a minha garganta.
Não faz mal, meu querido. Continua a fumar.
Pai…
Não consigo respirar.
Continua. — Por favor…
Jonathan.
Destrói aquilo que te destrói.
Gostamos muito de ti.
Estás bem?
Dás‑me um cigarro?
Eu não fumo.
Eu conheço um fumador quando o vejo.
Escuta.
Estou a falar a sério agora, está bem?
Lamento o que aconteceu.
Estás tão fodida como eu.
Agora percebo isso.
Não queria ter sido um idiota.
O Chris disse para te dar mais papel higiénico.
Lembra‑me antes de eu ir.
Que tal uma chiclete?
Lenda!
Ei.
Onde fica este sítio?
Não estou a pedir a morada. Só mais ou menos.
Não tenho direito a saber onde estou?
Pai.
Podes ajudar-me?
Ainda não, meu filho. Tenho de ajudar o Tommy primeiro.
Boa tarde. — Boa tarde, agente.
Desculpa? Pára com essa merda
Nem sequer tentas disfarçar.
Cheiras a polícia a quilómetros.
Só faltava leres‑me os direitos.
Fartaste‑te de passar multas
e decidiste começar a torturar pessoas?
Falar em tortura é ousado,
vindo de alguém com o teu cadastro, não achas?
Nunca apanhei um miúdo qualquer na rua,
nem o amarrei numa cave para o maltratar.
Não me metas no teu saco.
Agradeço isso.
Fala comigo a sério, só um minuto. Por favor!
Se me deixares ir agora, juro-te...
Não conto nada a ninguém!
Não sou bufo. Não te vou fazer mal.
Deixo‑te em paz e vou‑me embora,
e esqueço que isto alguma vez aconteceu.
Por favor!
Juro‑te. Não estou a brincar!
Os meus pais, a minha família, os meus amigos,
devem estar a morrer de preocupação.
E vão vasculhar cada centímetro para me encontrar.
– Vai correr tudo bem. – Não. Não vai.
Estou acorrentado numa cave.
Nada vai correr bem,
Christopher, seu idiota do caraças!
Calma, Tommy, por favor.
Temos muito tempo para começarmos a dar‑nos bem.
Vocês os dois não batem bem da cabeça.
Então, quem é este miúdo?
Quem é o nosso amiguinho?
: Então, tudo bem?
Estás bem, rapaz?
– Sim, estou. Estou bem. – Estás meio perdido?
Pareces estar a tremer.
Olha, faz‑nos um favor. Diz‑nos as horas.
O quê? – As horas, rapaz.
Tira o telemóvel, vá. Deixa‑me ver.
Tira o telemóvel e deixa‑me ver, pá.
– Estou com pressa. – Não pareces
estar com pressa nenhuma.
Sabes com quem é que estás a falar?
Estica os braços.
Põe as mãos aí.
Agarra‑lhe o braço.
Nem pensar.
Estás a gozar comigo!
A minha avó tem um melhor que esse.
Ó seu esquisito do caraças.
Oh! Oh, Merda!
Não! Não! Ele está a chorar.
Está a chorar? Está a chorar?
À procura da mamã? Queres a tua mamã, é?
Olha para mim! Olha para mim quando te falo.
Estás por tua conta.
Ninguém vem aí.
Ninguém te vai salvar agora.
Estás com medo, não estás? Estás completamente sozinho.
Acho que já chega.
Anima‑te. Vá lá, anima‑te.
Ele está cheio de medo.
A mais B ao quadrado é igual a A ao quadrado mais 2AB,
igual a 2AB ao quadrado. Percebeste?
Percebeste? Percebeste ou não?
Não és burro,
respondeste bem às outras perguntas todas.
Portanto, não és burro. Não finjas que és burro
e ouve o que eu digo.
A ao quadrado mais B ao quadrado é igual a A ao quadrado...
Chris.
Deixa‑me tratar disto.
Não tens mais nada que fazer?
Queres mais alguma coisa?
Era bom sentar‑me a uma mesa como uma pessoa normal.
E não como um cão. Percebes o que quero dizer?
Leste isso?
Há muitos anos.
Algumas palavras aqui dentro, pá...
Que raio quer dizer “in‑tri‑cate”?
Intricate.
Lê a frase toda.
Era um turbilhão de fogos de artifício, fontes e pessoas
num detalhe e cor tão intrincados
que quase se ouviam as vozes a murmurar,
baixas e distantes, das multidões que habitavam o seu corpo.”
Certo.
Pela descrição,
podes dizer que as tatuagens eram detalhadas.
– Sim. – Então...
“Intricate’ deve significar realmente…”
– Detalhadas? – Boa.
Vês? Afinal não és assim tão burro, pois não?
Não és só uma carinha laroca.
Olha, se eu ler o teu livro,
dás‑me os resultados da bola?
E a classificação, no geral?
É estranho não saber o que se passa.
Digo‑te mais. Vou fazer melhor.
Por cada livro que leres, compro‑te uma cerveja.
Uma cerveja?
Uma cerveja sem álcool.
Kathryn.
A língua ainda é um problema, mas...
ao menos está a ler.
Acho que está na altura.
Dá‑nos um segundo!
Uau.
Apaga as velas e... e pede um desejo.
Mas... mas não o digas em voz alta.
Boa!
O Jonathan passou o dia todo a fazer o bolo.
Então, que tal?
Está do caraças!
Quer dizer... está muito bom.
Bem, estivemos a pensar no que podíamos fazer
para celebrar o teu aniversário,
e tivemos uma ideia brilhante.
E garantimos que vais adorar.
Fixe.
Só temos de fazer uma coisinha primeiro.
O quê?
Estás a gozar comigo?
A minha cabeça fica feita num oito com isso. Não dá?
Ah, não, não. Prometemos que não te vais arrepender.
Pois não?
Olha! Está acordado.
Onde é que estamos?
Decidimos que o teu aniversário era demasiado importante
para ser passado lá dentro.
– Ah. – Gostas de bife?
Gosto.
Então, eu andava metido com uma pessoa... Foda‑se.
– Tommy... – Está ótimo!
– Linguagem. – Desculpa.
Então, eu andava a ver uma rapariga. Era uma maluca.
Sempre que lhe batia no rabo,
– eu ficava sempre... – Desculpa. O que é “bater no rabo”?
Depois explico.
Quando acabava,
– Eu costumava ficar sempre um pouco… – Tommy.
O teu cabelo cresceu imenso. Queres que o corte?
– Não. Gosto dele assim. – Eu também.
És um rapaz muito bonito.
Este é um bocado fraco.
Não suporto a Austen.
Porque é que me fazes ler isto?
Acho que só queria ver até onde chegavas.
Aqui tens, Johnny, vou dar-te um jogo.
– O taco está ali. – Está bem.
Preparado para perder?
Preparado para perder? Vai!
Uau! Eh‑eh‑eh!
Agora sim. Ah, não!
Vá lá. Tens de fazer melhor do que isso.
Oh, vá lá!
Essa foi por cima da minha cabeça. Não chegava lá.
Uhu!
Sabes que temos de voltar
pelo mesmo caminho, não sabes, Tommy?
Sei.
É pena voltarmos.
Pronto. Dá‑me o clorofórmio.
Cheira maravilhosamente doce, não cheira?
Estás acordado.
Por favor, segue-me.
Vão existir duas secções que te vão dar quase acesso
à casa toda.
A primeira secção dá-te acesso
do teu quarto à casa de banho.
A segunda, que ainda estou a acabar,
vai dar-te acesso ao piso de baixo.
As fechaduras
são para a segurança de todos.
Gostas?
Gosto.
Está fixe.
Mas continuo preso à trela, não é?
Por favor, não vejas isso como...
desconfiança.
Vê antes ao contrário.
Como um sinal da confiança que temos em ti e no teu progresso.
Ontem estavas na cave, e agora podes andar pela casa.
Além disso, a confiança não é preto no branco.
A confiança é... é um processo.
E tem de ser construída.
Estamos mesmo muito felizes
com o rapaz maravilhoso em que te estás a tornar, Tommy.
A sério, deixas-nos tão orgulhosos.
Tão orgulhosos que te dei o meu sino especial.
Espero que gostes.
Ok, vamos ver. Sim, mesmo tamanho. Certo.
Pronto. Obrigado.
Quando eu tirar a fechadura,
ficas com acesso total ao piso de baixo.
O que significa que agora podes...
sentar-te à mesa de jantar
e comer como disseste.
Lembras-te? Disseste que querias sentar-te à mesa.
Lembras-te?
E também tens acesso à sala, onde podemos...
Bem, tu podes sentar-te, jogar, ler livros...
E nós podemos ver filmes...
como uma família a sério.
Sim?
Olha para isto.
Uhu!
Jonathan, vem cá.
– Pronto? – Pronto!
Aqui vamos nós. Isso!
– Funciona. – Gostas?
Gosto. Está brutal.
Ah, quase.
– Johnny boy? – Sim?
De quem são estes?
Sempre estiveram aí. Comprámos isto em segunda mão.
Este quarto era de alguém, não era?
Era.
De quem?
Meu filho?
Ok. Volto depois do meu banho.
Rina.
Estás um pouco em baixo hoje, não estás?
Mais do que o costume.
Sabes, eu dava cabo de quem quer que fosse
que te deixasse assim tão em baixo.
Eu faria isso por ti.
Só tinham era de vir cá enfrentar-me, não era?
Obrigada.
Tenho de guardar essa informação, sabes?
Apetecia-me ver um pouco de televisão.
– Deixas-me passar? – Receio que não possa.
Ah, não te preocupes. Deixo-te à vontade.
Posso marcar o código se me disseres só...
Mas eu... eu não me lembro.
Vá lá. São só quatro dígitos.
A sério. Não sei.
Ah, já percebi.
Queres é manter-me aqui contigo, não é?
Não sei.
Desculpa.
Consegues tocar nos livros?
E no sofá?
Está um bocado justo.
Vamos ver.
Sete, oito polegadas de extensão.
– Chris. – Sim?
Tenho andado a pensar.
Ui, cuidado.
Ainda nos metes a todos em sarilhos.
Vocês fazem alguma coisa juntos?
O que queres dizer? Fazemos imensas coisas juntos.
Sim, mas tipo...
como marido e mulher.
Nota-se que estás um pouco sob o controlo de alguém
Não queres variar um bocado?
Isso não é da tua conta.
Só estava a perguntar.
Pois, então não perguntes.
Vou fazer chá.
– Queres uma chávena? – Não, estou bem.
– Merda. – Rina?
São seis horas.
Normalmente já estarias pronta e a sair porta fora.
Sim, desculpa.
Jonathan, baixa a música.
Podes subir ao teu quarto, querido?
Porquê? Mas eu... eu estava a jogar xadrez com o pai.
Faz o que a tua mãe diz, Johnny.
Está bem.
Obrigada.
Rina, vem sentar-te.
O que se passa? O que é que está a acontecer?
Acho que estou...
estou a ser vigiada.
– Seguida. – Por quem?
Um homem, eu...
não sei ao certo.
Acho que trabalham para a pessoa
que costumava empregar-me e...
acho que me encontraram outra vez.
Não podes andar para trás e para a frente sozinha.
O que é que eu faço? O que é que eu faço?
Eu não quero desaparecer outra vez.
Podes vir viver connosco.
Só temporariamente.
Ficas cá até sabermos que estás segura.
A única coisa é que...
o único espaço que temos agora é na cave,
e não é propriamente adequado.
Estás a gozar?
Não. Eu... eu não podia. Não podia.
Não aceito um não como resposta, Rina.
Ela não aceita mesmo. Acredita.
Há um abrigo na cidade onde posso ficar.
Não. Não.
Eles ajudaram-me a mudar.
Não precisas de caridade quando tens família.
Nós somos a tua família.
Aquilo é praticamente um hotel de luxo lá em baixo.
Só evita cheirar o que te puserem debaixo do nariz.
Tommy.
Fica connosco.
– O que estás aqui a fazer?
Tens o teu próprio duche lá em baixo.
Pois, mas... não há água quente.
Ei! Ei.
Os meus olhos estão aqui em cima.
Estão mesmo?
Bons sonhos, caralho.
Está tudo bem.
Eu vou.
– Oh! – Tommy!
Oh.
Usa a casa de banho para isso.
Liga a água ao mesmo tempo.
O que disseste deixou-me a pensar.
Se calhar devia ser mais romântico com a Kathryn.
Tive uma ideia, mas preciso da tua ajuda e da da Rina.
Está bem.
Obrigado.
Rina?
Deixa-me levar isso.
– Aqui tens. – Olha para isto.
Parece lixo tóxico.
O que achas?
Sabe a lixo tóxico.
Kathryn,
há algo de que queria falar contigo.
Vens comigo um segundo?
Claro.
Eles estão todos pedrados naquele lugar não estão?
Sim.
– Completamente fodidos. – É verdade.
E estão tão passados que nem se preocupam com o agora.
Porque se estás sempre louco,
para quê fazer alguma coisa a esse respeito?
Percebes?
Se calhar é isso que o Huxley tenta perguntar no livro.
O que é melhor?
Um torpor feliz ou enfrentar...
a realidade sóbria?
Pois.
Percebo.
As drogas são uma forma de escapismo, Tommy.
Dos problemas das pessoas, e também de...
tudo o que é importante na vida.
E não apenas de coisas. De pessoas.
As pessoas podem fugir das outras,
mesmo daquelas que gostam muito delas.
E isso pode doer.
A vida às vezes é uma merda, por isso tens de fugir.
É a sua única hipótese de...
sair da tua própria cabeça.
Umas férias.
Umas férias.
Estás a ler ♪Mataram a Cotovia♪.
Sim.
Era suposto eu ter lido isso na escola,
mas nunca cheguei a fazê-lo.
Andavas demasiado ocupado a arranjar problemas.
– Sabes como é. – Não sei.
Podemos falar desse, se quiseres.
Ainda não o acabei.
- Bom trabalho. - Sim.
Podíamos ser nós os dois, se tivesses sorte.
Não te rias de mim.
Obrigado.
Rina, Rina, tens de me ajudar, está bem?
Vês aquilo? Aquela gaveta da cozinha
onde eles guardam montes de garfos e merdas?
Arranja-me algo comprido e fino.
Rápido, por favor. Antes que o Jonathan volte.
Não posso. Sabes disso.
Eu devia denunciar te por isso ao Chris.
Mas tu não és bufo, pois não?
Por favor.
Merda!
Muito corre-corre hoje.
– Como está a correr? – Incrível.
A mãe está mesmo feliz e eu...
acho que não via o pai assim tão contente há muito tempo, por isso...
Obrigado, Tommy, por teres dito ao pai para fazer aquilo.
Também estou feliz por ele.
Anda. Vamos deixá-los à vontade.
Anda.
– Toc, toc. – Entra.
Devias dizer: “Quem é?”
Trouxe-te uns... uns biscoitos e chocolate quente.
Fixe. Obrigado.
Uh!
Sabes...
Nunca me vou esquecer do que fizeste.
Não via a Kathryn tão feliz há anos.
Se calhar até me safo hoje à noite.
– Obrigado. – Não me agradeças.
Agradece a ti.
Foste tu que fizeste isto tudo por ela.
Pois.
Porquê eu?
– O que queres dizer? – Porquê é que me trouxeram?
Eu sei que alguém viveu aqui antes.
Sei que tiveram outro rapaz acorrentado aqui antes de mim.
Nunca tivemos ninguém aqui. Ninguém esteve acorrentado.
O que lhe fizeram?
Tu não sabes do que estás a falar.
Oh!
Oh.
Pronto, vá. Junta isso tudo. Vá.
Mostra-me um truque de cartas. Vá, impressiona-me.
Desculpe?
– Vai. Vai! – Rina!
– Levanta-te! – O quê?
– Levanta-te! – O que é que se passa?
– Levanta-te! Vai! – O quê?
Ei! Quem é que tu pensas que és, caralho?
Sai da minha casa! Rua!
Sai da nossa casa!
Kathryn, desculpa.
Eles são da minha família.
Desculpa.
Acho que tenho de ir fazer as malas.
Não! Foda-se, não!
– Não vais a lado nenhum. – Não podes.
Vim cá para levar o que mereço.
4-2-0-1.
Sai de cima dela! Sai!, caralho!
Larga-o!
– Não! Parem! Tommy! – Tommy!
– Larga-o! – Tommy!
Parem! Parem! Parem!
Perdi a Rina.
Psst.
Meu filho. Vá. Está na hora de ir para a cama.
Boa noite, Tommy.
Como te sentes?
Tenho tanto orgulho em ti, filho.
Comportaste-te como um homem a sério.
Protegeste esta família hoje.
Tu.
E nunca me vou esquecer disso.
Obrigado.
E não te preocupes.
Prometo que nunca mais vai acontecer.
Amanhã de manhã, logo cedo,
vou comprar o melhor sistema de segurança
que o dinheiro pode pagar.
Câmaras de vigilância, sensores de movimento,
grades.
Podes ajudar-me.
Fazemos juntos.
Como pai e filho.
Sim?
Sim.
Bom rapaz.
Quatro, dois, zero, um.
Tommy, o que estás a fazer?
Tommy, pára. Eu tenho as chaves! Tommy, por favor.
Vá. Vais acordar o Jonathan!
Foda-se.
Tommy! Tommy, olha. Tommy.
Olha, tens estado... tens estado tão bem.
Estamos todos muito orgulhosos de ti.
Só... só...
Dá-me a arma, filho, por favor.
O Jonathan acabou de adormecer.
Por isso é melhor fazeres pouco barulho...
Caso contrário, um de vocês vai ter de lhe cantar outra vez.
Porque eu não vou.
Kathryn, por favor, mantém‑te afastada.
Por favor, Kathryn. Mantém‑te afastada.
Tu não queres ir embora.
Mas vocês não são a minha família.
Isto não é real.
Mantiveste-me acorrentado numa cave de merda.
Estive pendurado no vosso caralho de tecto.
Bateram-me.
Usaram-me como um fantoche do caralho.
Eu sou dono de mim mesmo.
Não sou um cão que vocês podem acolher..
Sou uma pessoa, caralho.
Meu querido, falamos disto de manhã.
Hoje podes dormir sem a corrente.
Eu quero ir embora.
– Queres uma televisão? – Não! Quero ir para casa!
Quero viver, caralho!
– E o Jonathan? – Não faças isso!
Sabes o quão fodidos vocês estão?
Ele até é um miúdo porreiro,
e vocês vão foder-lhe a cabeça, como fizeram ao outro.
– Ei. – Vai para o teu quarto.
Vai para o teu quarto, Sparkle.
Tu não percebes.
Não é o meu quarto.
É o quarto dele.
E eu não sei o que caralho lhe fizeram...
mas eu nunca vou ser ele.
Princesa.
Acabou.
Desculpa. Desculpa mesmo.
Temos de o deixar ir.
Lembras-te do que aconteceu da última vez?
Não!
Kathryn, não! Por favor!
Não!
Não.
Tommy...
Na tua declaração inicial no hospital,
disseste que tinhas sido levado por uma família.
Diz aqui que eras uma substituição para o filho deles.
Eu estava completamente pedrado no hospital
com as drogas que me deram. – Pois, pois.
Ainda estou a recuperar.
Inventei essa merda toda.
Certo, então...
Onde estiveste este tempo todo, Tommy?
Por aí, sabes?
“Por aí” durante dois meses?
Olha, eu... eu...
precisava de estar sozinho um bocado,
pôr a cabeça no sítio, percebes?
Manter-me longe de problemas.
Um bocado de liberdade.
Estiveste com mais alguém?
Ah, um amigo.
Certo. Posso ter o nome desse amigo?
Jonathan.
É como um irmão para mim.
Somos amigos há anos.
E onde está ele agora?
A tratar da vida dele.
A fazer as cenas dele, suponho.
Tens a certeza de que não queres nada para beber?
Não. Acho que terminámos.
Vou encerrar o relatório de desaparecimento.
Não precisavas de me ter denunciado.
Denunciaste-o a ele também?
Ah... Bem,
eu mandei-te umas mensagens,
mas não respondeste, por isso eu...
Quem foi então?
O processo diz que foi uma tal de Gabby Tate.
É tua namorada?
Só uma amiga.
És um rapaz com sorte, Tommy.
Sabes, a maioria das pessoas que são dadas como desaparecidas,
acabamos por as tirar do rio.
Pois.
Tive sorte.
Obrigado.
Estás bem, Gabs?
Para onde é que vamos?
Vais ver.
Eu conduzo.
Está bem.
Põe isso.
A verdade é que às vezes gostava de desaparecer, Tommy.
Confias em mim?
Sim.
Cheira mesmo bem, não é Mm-hmm.
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