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IRMÃS, ANO DE 1918 UMA MANHÃ SOMBRIA
ALEXEI TOLSTOI THE ROAD TO CALVARY
THE ROAD TO CALVARY BASEADO NO LIVRO HOMÓNIMO
EPISÓDIO 4
Vamos mandar o czar para o Inferno.
Ficaremos com as riquezas dos nossos amos.
Viveremos nas mansões da burguesia.
Que plano, irmão! E a burguesia irá para onde?
É óbvio. Para a prisão.
Por que razão?
Para que não bebam o sangue do proletariado.
Consideras-te um proletário, Vasya?
Eras um criado na estalagem do Butniy.
Estás a provocar-me.
Ele é um defensor do czar.
As pessoas como ele torturam soldados nas trincheiras.
- Sou um soldado raso, como tu. - Claro que és.
Um rato administrativo.
Já viste isto?
Camaradas!
O nosso partido está a favor do derrotismo revolucionário!
Estou a favor, tens razão.
Porque lutaríamos contra pessoas como nós?
Para de dizer tretas!
Viraremos as nossas baionetas contra a nossa classe inimiga.
Senhores! Senhor! Pare com a sua propaganda imediatamente!
Senhores, isto é um hospital, não uma sala de conferências!
Vamos acalmar, pacientes.
Quem me dá ordens aqui?
Que senhora estúpida!
Quão assustadora!
Não se atreva a fumar aqui.
Quando chegarmos ao poder...
... passamos-te pelos nossos camaradas.
Serás de uso público.
Se voltar a dizer algo assim, será o senhor a colocar as suas ligaduras.
Compreende?
Disse que não se fuma aqui!
Cabra.
Vou fazer-te pagar por isto...
Katya!
O quê?
É tudo horrível.
O que é horrível?
Estou apaixonada.
Pelo Roshchin?
Porque é isso horrível?
Porque sou uma mulher casada.
Sei no que estás a pensar.
E em quem. O Vadim Petrovich não é o Bessonov.
E o que sinto por ele é completamente diferente.
Não posso tolerar adultério aqui.
Aqui, é para sempre ou nunca.
Independentemente de tudo, ainda és feliz, Katya.
- Eu? - Sim, tu.
Porquê?
Porque podes amar.
Tu também estás apaixonada, pelo Ivan Illich.
Estou. Mas onde está ele?
Quero vê-lo. Quero abraçá-lo. Mas nem sei se ele está vivo.
E o que achas? Que ele está vivo?
Está.
Telegin. Ivan Illich!
Desculpa acordar-te. Tenho um pedido muito importante.
O que é?
Se saíres daqui, vai ter com a minha família a Riazan.
Tenho mulher e filha lá.
Quando sairmos, és tu quem vai.
- Não. Já estou acabado. Desisto. - Para com isso.
Não aguento mais. Mas, se sobreviveres, vai ter com elas.
Aqui está a morada. Lê e memoriza-a.
Memorizaste-a?
Tens a certeza?
Diretamente através do rio Volchina. Vamos dormir, está bem?
Dorme.
Voskoboinikov!
- Levantem-se e não se mexam! - Levantem-se!
Levantem-se! Alinhem-se! Afastem-se!
- Calem-se! - Não és oficial!
Calem-se, porcos russos! Serão fuzilados de manhã!
Que disse ele?
Seremos fuzilados de manhã.
Vadim Petrovich, fico feliz por o ver.
- Sente-se. - Obrigado, Katerina Dmitrievna.
Vim despedir-me.
Vai-se embora?
Quando?
Daqui a uma hora e 15 minutos.
- Para onde? - Para o exército de campo.
Sabe, Katerina Dmitrievna,
a questão é que esta pode ser a última vez que nos vemos.
E talvez deva confessar os meus sentimentos por si.
Não o faça. Não tem de dizer nada, Vadim Petrovich.
As circunstâncias fazem com que nada possa acontecer entre nós.
Eu compreendo.
E não lhe estou a pedir nada.
Só quero que saiba...
... que me lembrarei sempre de si.
Adeus.
Espere!
Só um momento...
Tome um cachecol. Fui eu que o tricotei. É só algo para se lembrar de mim.
Obrigado, Katerina Dmitrievna,
mas lembrar-me-ei de si, aconteça o que acontecer.
Que tola sentimental!
PARADOS OU DISPARAMOS!
Desculpem, amigos.
Para de pedir desculpa!
Não é hora disso. Temos de agir.
É a nossa última oportunidade.
Alguém sabe conduzir?
Eu sei.
Misha! O guarda da direita é teu. Zhukov, trata do da esquerda.
Eu trato do oficial. Eu dou-vos o sinal.
- Não, por favor. Não! - Para! Cala-te! Para o chão!
Ouça lá!
Porque tenho de esperar
que se vista para trabalhar?
- Sergei Konstantinovich, lamento... - E os pacientes?
Atrasei-me. Estive mal.
Esteve, mas a sua admissão não fará
ninguém melhorar. - Estou a tentar. Estou sempre a tentar.
E o senhor só me repreende
e nunca me elogia. Nem uma palavra simpática!
- Marusya, pare, por favor. - Porquê?
- Primeiro, está enganada. - Estou certa!
- Vá lá, rogo-lhe. - Apenas um elogio...
Por favor, não chore. Acalme-se.
Calma. Não chore. Está tudo bem.
Não faz mal, está tudo bem...
Apenas um elogio...
Está tudo bem. Não chore.
Pronto. Está tudo bem.
- Mandemo-lo para o campo! - Enfermeira! Agradeço-lhe o cuidado.
E quero agradecer à outra enfermeira. Dão-me a sua morada?
Vou comprar-lhe flores e doces.
Saia daqui! Saia!
Calma. Vamos sair daqui. Está tudo bem.
Está tudo bem.
O que foi isto?
Aquele sacana. Ele quer vingar-se da Daria Dmitrievna.
- Boa tarde! - Não sei se é.
Não aprovo violência, mesmo que esse soldado Bokov
a tenha insultado.
Quer dizer que estou despedida?
Disparate! Quer dizer que tem de ter mais cuidado.
Não vá para casa depois de escurecer. Pode sempre dormir no hospital.
Sergei Konstantinovich, tenho casa e uma irmã.
Ela espera-me lá.
Eu compreendo.
Mesmo assim, tenha cuidado.
Acabou-se. Ficámos sem combustível.
A nossa fuga foi um êxito, Ivan Illich.
Bem, quem diria.
Tenho de admitir, estava a perder a coragem.
Ouvem? É a linha da frente.
Iremos em direção aos nossos.
Se Deus quiser, a patrulha austríaca não nos vai detetar.
Espalhemo-nos.
- Boa sorte. - Boa sorte!
Boa sorte!
Daria Dmitrievna!
Que reencontro!
Estávamos no partido futurista,
a discutir o futuro da Rússia, a berrar até à rouquidão.
À rouquidão!
E tu? Para onde corrias?
Estou a ser seguida!
Quem é que te segue, Daria Dmitrievna?
Um homem.
Um homem? Haverá sempre homens a seguir-te, isso é uma garantia.
Não, senhores. Estou a falar a sério.
De certeza que estás a ser seguida, Daria Dmitrievna?
Senhores...
... podem levar-me a casa? - Com todo o gosto, Daria Dmitrievna.
Não devia andar sozinha. Há muitos tipos grosseiros por aqui.
O nosso povo é grosseiro...
Já agora, o Arnoldov escreveu um artigo sobre este tema.
- Eu li-o. - Eu não.
E o Nikolai que se foi embora.
Vês, Dasha, quão indefesas estamos?
Não sei. Talvez tenha imaginado ou estava apenas confusa.
Quer tenhas imaginado ou não, vou trabalhar no hospital.
E iremos para casa juntas.
De certeza que consegues trabalhar no hospital?
Só tenho certeza de uma coisa,
não podemos viver livres agora. Não é hora.
Ajudar-te-ei de todas as formas possíveis.
E se aquele sacana nos atacar às duas?
Vamos levar uma pistola.
- Sabes disparar? - Aprenderei!
Não tenha medo.
Não lhe farei mal.
Não me mate, por favor.
Sou uma refugiada.
E você, amigo, o que está a fazer aqui?
Escapei ao cativeiro.
Como se chama?
Hanna, senhor.
O meu marido foi morto recentemente.
E o meu bebé morreu na estrada.
Fiquei sozinha.
E se for apanhado?
Sobreviverei, de algum modo.
Senhor oficial, venha, depressa.
Esconda-se no feno, bem no fundo, ficará a salvo.
Eu e o meu irmão também éramos próximos.
Depois, ele foi para a capital e eu fiquei na propriedade.
- Depois... - Calma.
... conheci uma rapariga linda.
Até pensei em casar com ela, mas o meu irmão chegou e...
... o meu noivado foi desfeito.
E eu disse-lhe que nunca mais o perdoaria.
Depois, o meu irmão morreu na frente.
E nunca fizemos as pazes.
Não sei o que seria preciso para eu e a Katya brigarmos.
Apaixonarem-se pelo mesmo homem.
Tentámos isso.
E permanecemos irmãs.
Dá-me dois comprimidos.
Quem me dera ter uma mulher como você.
Bonita, inteligente.
Compreensiva.
Fique melhor e encontrará uma mulher ainda melhor.
Tome.
Descanse. Vamos embora.
Que jovem simpático.
Sim, tenho tanta pena dele.
Porquê?
Está a morrer. Tem um estilhaço no coração.
Como estás tão calma?
Não, não estou calma.
Mas não gritarei que vai morrer a todo o hospital.
Não ajudará ninguém, certo?
Sou uma refugiada. Uma refugiada.
Refugiada.
Sou uma refugiada.
Largue-me!
Sacana, largue-me!
Largue-me!
Acabou, vá-se embora. Vá.
Obrigado por tudo.
Cuide-se. Vá.
Vá!
Vamos, vá para casa! Vá!
Adeus, Hanna. Obrigado!
Quem começou com a ideia de que devíamos ter uma vida única e refinada?
Só precisamos de um marido normal e uma casa cheia de filhos.
Espera. Acho que é ele. O Bokov.
Espera.
Nem mais um passo ou disparo!
Pare. Calma.
Sergei Konstantinovich? Assustou-nos.
Vocês é que me assustaram.
Não esperava que andassem com uma pistola.
Foi o senhor que me avisou sobre o Bokov.
Não lê os jornais?
- Não. - O tipo foi morto.
Morreu num tiroteio num assalto a um banco.
Já não precisa de ter medo.
Mas não foi por isso que vim atrás de si.
- Não seja tão desajeitada. - A minha mala.
- Obrigada. - Tenha cuidado, sim?
- Vou-me embora. - Obrigada.
Katya, não acreditei que fosses capaz de disparar.
Mas disparava, se soubesse como.
Dasha, é tão bom estarmos juntas.
Aconteça o que acontecer, qualquer infortúnio com que nos deparemos,
estaremos sempre juntas.
É verdade.
És a pessoa que está mais perto de mim.
O que está a acontecer ali?
- Não dispare. Russo? - Russo.
Graças a Deus.
Tome, álcool.
Quer um trago?
- Não. - Sabe...
... a nossa caravana médica foi bombardeada.
Morreram todos. Pessoas, cavalos... Corpos por todo o lado.
Apenas o espírito ficou.
Que volta do destino. Quer um trago?
- É da Cruz Vermelha? - Sim, sou da Cruz Vermelha.
- Como acabou atrás da linha do inimigo? - Não sei. Foi um acidente.
Tenho montes de álcool.
Mas comida...
Há muito que não como.
Às vezes, troco álcool por comida, quando encontro refugiados.
Mas não me atrevo a sair muito.
Há muitos austríacos por aqui.
Tenha cuidado.
Temos de chegar aos nossos homens, atrás da linha do inimigo.
Não consigo.
Quero ficar tão bêbedo que não acorde de manhã.
Mas acordo todas as manhãs.
Gostava de umas batatas assadas agora.
Ouça, a linha da frente está muito perto. Vamos juntos até aos nossos homens.
Não, não consigo. Quando ouço tiros, entro em pânico.
E a caravana foi bombardeada e eu fui atirado pelo ar.
Foi um banho de sangue. Agarrei no álcool e...
Aqui estou.
Ouviu? Vê? Começou de novo.
- É insuportável! Não consigo. Vá. - Vamos. Não tenha medo.
Vá-se embora!
Vá. Eu não consigo.
Fico aqui. Fico aqui mesmo.
- O que lhe chamo, senhor? - Ivan Illich.
A mim, chamam-me Vasilik.
Obrigado. Não esquecerei o que fez.
Tem de ir já para um hospital!
Rapazes! O oficial está ferido!
Venham cá depressa!
Senhor, a ferida é grave. Tem sorte de ter chegado até nós a horas.
Tem de ficar deitado, se quiser melhorar.
Liza!
- Segura isto. - Leva-o para a mesa de operações. Rápido.
Ivan Illich...
Sonhei encontrar-te. Alguém que ajude!
Ajuda!
Imaginei como seria. Eu...
- Cuidado! - Queria tanto encontrar-te.
Até fui para a frente para ir ter contigo.
Estarei sempre ao teu lado. Basta dizeres.
Estarei todos os minutos ao teu lado.
Parece tão normal, não é?
Como a Tatyana Larina, confesso-te o meu amor e tu...
... tentas dizer-me que amas outra.
- Sim, Liza. Eu amo outra. - Eu sei!
Se sabes, porque me dizes tudo isto?
Que esperas que faça?
Manda essa Daria Dmitrievna para o Inferno e ama-me
por estar aqui, ao teu lado, vês? Eu estou aqui.
E onde está ela? No conforto do seu apartamento em São Petersburgo?
Sou uma tola, não sou? Eu sei.
Não, precisas de amor e tê-lo-ás um dia.
Terei?
Terás. Não tenhas dúvidas.
Terás.
Terás.
- Terei? - Não tenhas dúvidas!
Porque o Senhor te dará um casamento honrado e uma cama sem mácula.
Oremos ao Senhor.
Padre, pode um ortodoxo benzer-se com a mão esquerda se não tiver a direita?
O que dizem as Escrituras quanto a isso?
Agora, benzer-me-ás e expiarás os meus pecados
até que a morte nos separe?
E a seguir, padre?
O servo do Senhor, Arkady, casa com a serva do Senhor, Elizaveta,
em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Ámen!
A serva do Senhor, Elizaveta, casa com o servo do Senhor, Arkady,
em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
E pronto. O espetáculo acabou.
Agora, és a minha mão direita. Agora e para sempre.
Ámen, padre.
Perdoe-nos.
Senhor, salve-os.
Para que é isto? Aqui, alimentam-nos.
Alimentem ou não, isso é meu.
Como agradecimento por me ter salvado a vida.
Bem, obrigado.
Vamos mudar-nos para outro local amanhã.
Se sobreviver e casar algum dia,
chamarei "Ivan" ao meu filho em sua honra.
Faça-o, eu não me importo.
- Desde que sobreviva. - Eu tentarei, senhor.
Bem, senhor...
Tem um filho?
Não.
Bem, um dia terá.
O doutor fez-me uma proposta.
- Vais casar? - Não.
Ele propôs-me vivermos juntos.
Como assim, "vivermos juntos"?
Apenas vivermos juntos.
- Se disser que sim, vais julgar-me? - Não.
Mas continuo sem perceber porque não se casa contigo.
Sabes os tempos em que vivemos agora.
Guerra, sangue, incerteza.
Basta. Vamos.
Agora não é altura para casamentos.
Não dirias que sim, se fosses eu?
Não, não diria.
Vamos.
Eu irei.
Porque o amo.
Está bem?
Vai, então, se é o que desejas.
Tu...
Sentes-te melhor?
Acho que sim.
Para onde irás, agora?
São Petersburgo, de férias.
Para a Daria Dmitrievna?
Sim.
Bem, desejo-te sorte.
E eu desejo-te felicidade.
Não preciso da tua felicidade.
Já sou feliz. Adeus!
- Ekaterina Dmitrievna, pensei que hoje... - Sim, eu sei.
Dasha!
Dasha!
Dasha?
Katya?
Então?
O que é?
Ele está vivo.
Foi ferido e foi para o hospital. A Liza Rastorgueva encontrou-o.
E então? Isso não significa nada.
A carta foi escrita por ele, por isso, deve significar alguma coisa.
Estás a inventar coisas.
Vê tu mesma.
Estou a ver. E não vejo nada.
Eu só vejo que ele vem para São Petersburgo, Dasha. Para ti!
Boa tarde.
Deixe-me apresentar-me, tenente Ivan Illich Telegin.
Venho em nome do tenente Voskoboinikov.
- Conhece-o? - É o meu marido.
Ele foi preso?
Sabe disso?
Tive um sonho.
O meu marido estava a tossir sangue,
sentado numas tábuas de madeira no quartel.
Veio informar-me da morte dele?
- Sim. - Eu sabia.
Senti-o morrer.
Acordei sobressaltada, como se tivesse havido uma explosão.
E percebi.
Ele pediu-me que lhe dissesse que a amava.
Ele...
... disse mesmo isso?
Sim.
Nunca...
Ele nunca me falou de amor.
Nem nos meus sonhos, nem na realidade.
E agora... E agora ele ama-me...
Obrigada.
O Ivan Illich Telegin veio vê-la.
Marfusha, acaba isto por mim.
Estou muito feliz por estares vivo.
Pela Liza Rastorgueva te ter curado.
- Sim, é uma boa rapariga. - Muito boa!
Peço desculpa, acabei de voltar do meu turno.
- Estou muito cansada. - Serves no hospital?
Sim.
Eu e a minha irmã Katya servimos no hospital.
Infelizmente, sem muito sucesso.
Como está a Liza?
Porque estamos a falar da Liza Rastorgueva?
Porque a mencionaste na tua carta.
Daria Dmitrievna, mencionei que sonhava em ver-te.
Eu li-a. Fico muito contente por estares cá.
Mas estou muito ocupada de momento.
Tem um bom dia.
Não devias ter falado à Dasha da Liza Rastorgueva.
Porque não?
Porque a Liza jurou que ia encontrar-te na frente e conquistar o teu coração.
Foi o que disse à Dasha.
E a Dasha acreditou que seria possível?
Sim, acreditou.
E culpou-se a si mesma por não ir a correr à tua procura.
Ouve.
Janta connosco.
Destruí tudo.
Sou uma tremenda tola.
Sinceramente, Dasha, não passam de nervos e ciúmes.
Não te tortures.
Ele vem jantar connosco hoje, por isso, ficará tudo bem.
- Ele vem? - Sim.
Eu convidei-o.
Revolução? É com isso que os liberais sonham?
Os liberais são todos uns tagarelas.
Merecem um tiro, não uma revolução.
Como podes dizer isso? Estamos a falar de igualdade!
Liberdades democráticas!
- Que tipo de liberdade é essa? - Fósforos?
Conseguida através do terror e do derrube violento do governo.
Se o governo é fraco, tem de ser derrubado e ir para o Inferno!
Se o governo é fraco, temos de o fortalecer,
não gritar sobre a sua destruição.
Os vossos, que gritam, não têm qualquer política económica.
E eu acredito no triunfo das ideias comunistas.
É porque estás bêbedo. Após dormires, mudas de conversa.
Perdão.
Quem é o senhor?
Sim, como é que entrou?
Abri a porta com a minha chave. Sou o dono do apartamento.
Ivan Illich Telegin.
A Liza Rastorgueva deu-nos a chave. Disse que estava na frente.
Tinha razão. Estava na frente. E agora voltei.
Bem, alguns lutam no campo de batalha
e outros na cozinha. Desculpe a intrusão, Ivan Illich.
- Não faz mal. - Pedimos desculpa.
Tenha um bom dia.
De novo, desculpe.
Entra. O samovar está pronto.
Daria Dmitrievna, não foi por isso que vim.
Casa comigo.
Eu... tu...
Darei toda a minha vida e todo o meu amor a ti, todo.
És a coisa mais importante e preciosa que tenho no mundo.
Só sobrevivi porque te queria ver de novo.
Se precisares de tempo para responder, estou disposto a esperar.
Vou esperar. O tempo que for necessário.
O que aconteceu?
Ele pediu-me em casamento.
Aceitaste?
Katya...
O que foi?
Há guerra em toda a parte.
Sangue, morte...
Será a felicidade possível agora?
Legendas: Vânia Cristina
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