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For�a equipe, vamos ganhar, somos a equipe vermelha, vamos l�!
PAI E FILHA
Queridos, Reis Magos.
Meu nome � Paula
e eu sou uma menina de nove anos.
Este ano, pedirei apenas tr�s coisas:
a primeira, � uma bola oficial.
A segunda, uma Barbie jogadora de futebol,
embora eu ainda n�o tenha contado aos meus pais,
quando eu crescer tamb�m serei jogadora de futebol
e vou jogar na sele��o.
A terceira, � a mais importante
e tamb�m a mais dif�cil.
Por isso este ano s� pedi tr�s coisas.
� que n�o quero que meu pai fique t�o triste.
Vejamos se voc� consegue fazer
com que ele se d� bem com a mam�e,
e ela com ele, claro.
Bem, adeus Melchior, Gaspar e Baltazar.
E traga-me o que puder,
embora o terceiro presente seja o que eu mais quero.
Adeus e um beijo.
- Sim? - Quillo,
acredita que estive com uma garota a noite toda pagando cervejas
e ela me disse na quinta que tinha namorado?
- O qu�? - Ela disse na quinta que tinha namorado!
Devia ter dito na primeira cerveja.
Lito, v� se foder um pouquinho.
Tudo bem.
Enfim, n�o importa,
devo ter uma placa na testa que diz: "cerveja gr�tis, venha!"
N�o, isso acontece comigo porque tenho um olho cl�nico que...
poderia ser um olheiro do Betis.
Merda!
Por favor, m�e!
Filha, se n�o sei o que voc� faz � noite
para acordar com os cabelos embara�ados.
Bom dia, como est�o minhas meninas?
Bom dia!
Loirinha, me diga o que tenho que fazer para largar esse emprego?
Nada, n�o vai abandon�-lo.
Mam�e!
V� como voc� fica linda com tran�as?
Est� muito gata.
Menina, vamos, voc� est� atrasada.
Gerente com 30 pessoas sob sua responsabilidade, �timo sal�rio.
N�o, obrigada, estou bem onde estou.
Mas como resistir a uma oferta dessas, por favor?
Bem, porque conhe�o o dono da f�brica.
� muito dif�cil ver a camisa suada de Satrustegui todos os dias.
Ent�o, aumente seu sal�rio e pe�a que compre mais camisas.
N�o me importo com o que aquele cara usa.
Quero ter voc� por perto para abra��-la de vez em quando.
- Voc� ficaria cansado. - N�o, nunca.
- N�o? - Nunca...
Hoje � a seletiva do time de futebol, certo?
E, pelo que entendi,
tamb�m se candidatou no ano passado, n�o foi?
N�o sabiam jogar, me chutavam muito.
Sabe o que eu faria se fosse voc�?
Se voc� realmente quer ser aceita nesse time.
Lutar pela bola e correr atr�s dela.
Mas, calma,
isso ser� nosso segredo, ok?
- Vamos. - Adeus.
- Vamos. - Tchau.
Adeus.
Trabalhe ai...
Tudo bem? O que voc� est� fazendo a�?
Uma tapa nova.
Tapa nova?
Veja, experimente isto.
- O que � isso, Quillo? - Mexilh�es com queijo.
Mexilh�es com queijo nesta hora?
- Ficou bem gostoso. - Voc� se parece com minha velha.
Minha m�e entrava na cozinha de vez em quando e fazia coisas estranhas.
Minha nossa.
Bem, eu te pago mais tarde.
- Olha, Truchi! - � isso mesmo.
- � que voc� j� deve... - Tudo bem.
- Tem algo de errado com esse? - N�o, nada.
Me d� um caf�, vamos.
O bar envelheceu pai, precisa ser modernizado.
O problema n�o � esse filho,
olha como voc� deixa as coisas.
A mesa quebrada, metade das l�mpadas queimadas,
a m�quina de caf� perde press�o e o caf� que voc� faz � uma porcaria.
Fa�a as coisas direito e voc� ver� como o neg�cio funciona.
� que hoje em dia as torneiras s�o no estilo antigo,
as coisas que s�o mais elegantes.
Sim, como aquelas que removi h� 20 anos, certo?
Aprenda a administrar o neg�cio, droga, e pare de brincar.
O que digo, Mikel, � que quando os contratam,
chegam no primeiro ano e quebram o peito correndo,
e os colocam no time na Europa, claro.
Claro, Luis, me d� mais duas.
Luis.
E ent�o?
Bem,
nem os mexilh�es s�o mexilh�es, nem o queijo � queijo.
- E? - S�o coisas diferentes!
E a tortilha de batatas?
O ovo � um ovo e a batata � uma batata, s�o diferentes.
Do que fala, seu maluco!
Omelete de batata � uma coisa s�, todos sabem disso.
Vamos ver Mikel e companhia.
Milion�rios pregui�osos, � isso que eles s�o.
Minha filha do time de futebol do bairro defende melhor que eles!
Para jogar na Europa � preciso correr de verdade
e ter um bom zagueiro, e pronto.
Voc� os viu jogar?
- Ontem � noite na TV. - Na TV? Eu vi no campo.
- Pessoalmente. - Droga, Luis,
esses mexilh�es, uma bosta.
No campo, � onde voc� v�,
n�s que entendemos um pouco de futebol,
que o que � necess�rio � um zagueiro.
O italiano que eles v�o trazer � um atacante, sabe?
Estou lhe dizendo que n�o o contratar�o, com certeza.
N�o? Ver� como isso acaba acontecendo no final.
- Ao lado do Joaqu�n? - Sim, claro, com Joaqu�n no topo.
- Com Joaqu�n? - Sim, com Joaqu�n!
Joaqu�n e Alduccio jogando juntos?
Ambos jogam na mesma posi��o!
Voc� n�o tem entende de mexilh�es e nem futebol.
E voc� vai saber mais sobre futebol do que os profissionais.
Cara, mais do que muitos sim. Com certeza, mais do que voc�.
Bem, ver� como eles jogam na final!
Porque voc� diz isso.
- N�o sou eu, � o Joaqu�n que fala. - Sim?
Vejamos onde disse isso, mostre-me os jornais.
Em nenhum jornal, ele me disse isso.
- A voc�? - Sim, a mim.
- O que foi? - Onde voc� conheceu Joaqu�n?
Na marisqueira de um amigo perto do est�dio.
N�s conversamos.
Voc� em uma marisqueira?
Sim, vou a uma marisqueira e o Lito tamb�m, que foi comigo.
Sim, aquela do vesgo.
Claro, voc� acha que os jogadores de futebol s�o como voc�?
Que s� saem para beber cerveja e comer de gra�a!
Outro dia est�vamos l� tomando uma cerveja e ele me disse calmamente:
"se trouxerem o italiano, jogarei com ele, para mim tanto faz."
O que mais ele disse?
Que os camar�es estavam apimentados, nem sempre falamos sobre futebol, cara.
- Bem, esses mexilh�es s�o uma merda. - Mas voc� est� comendo.
E a cara de Fran...
"N�s que entendemos de futebol...
- Por favor! - O vemos em campo."
Que cara, d� vontade de bater nele.
As meninas com a bola!
Quem foi?
N�o se esconda!
Quem quebrou o vidro?
Fui eu, papai.
Paula, voc�?
Est�vamos ensaiando uma jogada e...
N�o d� para ensaiar na rua, filha!
Mas pai, est�vamos treinando.
Fui escolhida para a equipe do bairro!
Eles escolheram voc�? Vem aqui e me d� um abra�o, minha filha!
Voc� fez o que eu disse, certo?
A bola tem que correr, voc� tem que pensar.
Sim, e quando peguei a bola, parei,
olhei ao meu redor e passei para Martina, que estava sozinha.
O treinador ent�o me disse que � muito dif�cil parar e observar,
que tenho muita vis�o estrat�gica.
Essa � minha garota, que legal!
Agora precisarei de chuteiras e um uniforme do time como o da Martina.
Bem, deixe-me pagar pelo vidro que voc� quebrou e ent�o veremos.
Quem quer um sandu�che de presunto?
Eu!
Voc�s ver�o que lanche gostoso. Voc� foi escolhida!
Foi escolhida...
Bem, ent�o o que aconteceu?
Passei para a Martina,
mas a Laura veio, ficou no meio e chutou.
Ent�o, n�o foi voc� quem o quebrou!
N�o, mas eu disse ao papai que fui eu,
porque n�o ia me cobrar pelo vidro.
Filha, � muito bom defender as amigas, mas quem perdeu foi o seu pai,
que n�o est� para jogar o dinheiro fora.
Sim, mam�e, mas � que o pai da Laura est� desempregado.
Nossa, ent�o voc� se saiu muito bem.
Olha, Mario chegou.
Se prepare para o jantar.
E minhas garotas?
- Como est� tudo por aqui? - Tudo bem.
E quanto a voc�, campe�?
Me disseram que voc� � uma craque, n�o �?
Exatamente o que eu te disse. Lute pela bola.
Sim, e tamb�m fiz o que meu pai me disse.
Parei, olhei e deixei a bola correr.
Bem, vamos jantar, e arrumar a mesa, voc�s dois, sim?
Estou com fome! E quanto a voc�?
Com fome tamb�m? A� est� minha Ronaldinha!
Boa noite, filha e parab�ns.
Obrigada.
Mam�e.
Fala.
Por que o papai corta o presunto em peda�os t�o grandes?
Quando mordo o sandu�che, a fatia sai inteira.
Filha, ele n�o sabe cortar mais fino, ele tenta, mas...
Mam�e.
Sim.
Mario me ama tanto quanto meu pai?
Querida, � diferente.
Seu pai lhe deu a vida e a ama desde que voc� nasceu
e s� moramos com Mario h� alguns meses,
mas ele tamb�m te ama.
�s vezes...
gosto do Mario, m�e.
Minha vida.
- At� amanh�. - Tenha bons sonhos.
E n�o podem ser as prateadas?
Luis, deixei para voc� a pre�o de custo e ainda por cima dei um desconto.
Gosto das prateadas, como as do Joaqu�n.
- Sim, e eu adoro o carro dele, mas... - Ok.
Olha, voc� comprou uma chuteira linda para sua filha, pare com isso.
- Me diga quanto. - N�o.
Muito obrigado e passe na loja amanh�. Tenho tudo pronto para voc�.
- Ok. - At� mais.
ADAPTA��O | REVIS�O | SINCRONIA: QUER SE JUNTAR A N�S? | loschulosteam@gmail.com
Lito, caramba, s�o 5h da manh�.
Quillo, voc� est� sendo roubado no bar.
Puta merda!
- � a segunda vez que sou assaltado. - Que merda, cara.
Deixei uma garota na casa dela,
que vou lhe mostrar agora o v�deo, e eu vi a luz acesa.
Voc� sabe que est� sem cal�a, n�o?
Bem, me disse que gosta de garotas.
Mas se � isso, me fale isso antes e foca a conversa de outra forma.
Olhe, a porta est� aberta,
a luz acesa, o que � isso?
Espera, cara, vamos entrar a� sem estrat�gia?
- Essa � a estrat�gia? - Vamos.
- Saia da� agora mesmo... - Vamos!
Vou explodir sua...
- Mas voc� � est�pido? - Droga, � seu pai.
Mas o que est� fazendo aqui?
- Paco? - Trabalhando.
Mas...
que susto nos deu, pensamos que estavam roubando.
E como voc� est� trabalhando?
- Eu me viro muito bem sozinho. - Muito bem?
Com o cr�dito que voc� tem e a caixa que n�o paga nem �gua?
Veja, filho, quando tive que desistir do boxe,
eu e sua m�e demos nossas vidas para construir esse neg�cio
e se � a vontade de Deus perd�-lo, ent�o o perderemos,
mas n�o sem lutar.
Tem que vir �s 5h da manh�?
� a hora que venho sempre.
Voc� sabe que est� sem cal�a, n�o?
Estavam roubando, n�o �?
Parecia.
Mam�e, chegaram os Reis Magos!
Olha m�e, a Barbie que eu queria!
� a jogadora de futebol! Que linda!
E voc� ainda n�o abriu esse, certo?
Sim, agora vou brincar com esta.
Ok, mas abra, voc� vai adorar.
Mas eu n�o pedi isso aos Reis Magos!
Que legal!
Bem, eu fui em frente e encomendei para voc�.
- Obrigada. - De nada, minha menina.
Olha que legal, prata.
E voc� n�o vai abrir esse? Ainda tem o �ltimo.
Que legal!
Olha garoto, � assim,
que ficam algumas anchovas em conserva.
Olha, pai!
V�!
E a�, gatinha!
Onde voc� est� indo toda arrumada?
Para jogar no campeonato?
Vou treinar, me escolheram para o time do bairro.
- Que legal! - Pai, os Reis Magos trouxeram para mim.
E olha, o que eu queria, a Barbie jogadora de futebol.
O que voc� queria, meu amor!
Possuem pinos especiais, para o p� girar bem
e t�m linhas para efeito.
Eu n�o as pedi,
mas o Mario disse que as pediu aos Reis para mim.
Voc� vai marcar gols.
Bem, estou indo treinar, depois volto para comer um lanche.
Vov�, voc� vai estar aqui?
Sim, vou ficar aqui um pouco ajudando seu pai.
Que bom! Pode me fazer um sandu�che de presunto?
O que voc� quiser.
- Pai, voc� vai me ver jogar mais tarde? - Claro!
At� logo.
Tchau.
Ol�.
Como est�?
- Cada vez mais caro, n�o � Ram�n? - Sim.
Obrigado, tchau.
Obrigado.
E cinco.
Voc� est� trapaceando, Truchi.
J� vi que olha as cartas refletidas no isqueiro na hora de entreg�-las, certo?
Voc� est� me atormentando o jogo inteiro?
O que est� acontecendo a�, n�o quero briga...
Truchi acabou, � isso, acabou, ok?
Quillo, vamos fazer uma coisa, vamos ao bar do Rober,
que quase n�o tem luz e pode colocar o isqueiro onde quiser.
Tudo bem?
Venha, vamos embora.
Truchi voc� paga, certo? Que � o seu bairro.
Certamente n�o planejo pagar.
Puxe para l�, jogue para l�.
Truchi, o que acontece com o que est� devendo aqui?
Bem, pago depois, caramba, agora est� muito ruim para mim...
- Voc� sempre diz o mesmo. - Vamos, para o inferno agora...
O que aconteceu?
Nada.
Ele saiu sem pagar, certo?
Estou lhe dizendo que n�o aconteceu nada.
Onde voc� est� indo?
Vou buscar a Paula no treino,
isso deixou minha cabe�a quente.
Vamos marcar, vamos!
Para Luc�a, r�pido...
Ele, � amigo do Joaqu�n.
Vamos...
Ol�, �rica, Fran...
Luis, meu amigo.
Venha, vamos.
Vamos!
Vai! Finaliza!
Sim, senhor. Gol!
Gol!
Muito bem, Paula.
Pai, � verdade que voc� � amigo do Joaqu�n?
Paula, diga ao seu pai para me trazer uma foto do Joaqu�n.
Sim, Paula, tamb�m quero uma foto do Joaqu�n, certo?
- Eu tamb�m quero. - E eu quero autografada.
A minha tamb�m.
A minha tamb�m.
Ele se aproxima de mim e diz: "Luis, meu amigo".
E os demais: "quando voc� vai me apresentar".
- Muita expectativa. - Sim.
Aqui no bairro, todos sabem de tudo, n�o pode falar nada.
� f�cil, vamos nos aproximar, deix�-lo assinar as fotos.
- Trouxe as fotos? - Que fotos?
- Aquelas... - Sim, est�o aqui.
Deixe que dedique a mim, f�cil.
E como vai chegar at� Joaqu�n? Com todas essas pessoas!
N�o se lembra de quando a gente entrava escondido nos shows do Extremo duro?
O bumbum para tr�s e entr�vamos.
E como assinar� 12 fotos de uma vez?
Abre espa�o para mim com seu quadril e eu lhe passarei as fotos...
Sim, assinam assim, n�o veem nada. E coloco uma foto ap�s a outra.
Voc� me deixa doido.
- Joaqu�n... - J� est� a�, vamos, Quillo.
- Joaqu�n! - Por favor, com licen�a, sou do Viso.
Respeito, por favor, de verdade, temos que chegar
ao Joaqu�n, que isso � muito importante. Venha aqui, onde est�?
- Aqui, n�o consigo ir. - Joaqu�n!
Nada, cara, eu n�o o vi.
Esse grupo � profissional ou o qu�?
Um bloqueio humano ali, uma disputa de r�gbi, a muralha da China.
Puxa vida, isso � porque eu falo demais.
Pare de brincar. Por que n�o conta para Paula?
� sua filha, tem que entender.
� uma crian�a. O que vai entender? Que sou um linguarudo?
Um pouco, sim.
- Lito, v� se foder um pouquinho. - Tudo bem.
S� n�o sei se ela me compara ao idiota do Mario,
- ou que n�o sou mais o que era... - Claro que voc� � Quillo, n�o seja idiota.
Olha, antes, quando pensava que era amigo do Joaqu�n,
voltei ver aquele rostinho de admira��o e foi...
Por que colocam gr�o-de-bico, nessa merda? Se ningu�m vai com�-los.
Abro meu cora��o e est� falando sobre gr�o-de-bico.
- Eu escuto, Quillo. - Est� me escutando?
Sim, como sempre est� me ouvindo! Eu explicando todos os meus...
Ou�a, uma coisa,
tudo isso que acabei de explicar at� o pr�prio Joaqu�n entenderia, n�o �?
Por que n�o fazer isso?
Bem, talvez.
- Claro. - Imagina?
- Joaqu�n � uma boa pessoa. - � boa pessoa.
N�o seria mais f�cil enviar um e-mail para ele?
Bem, n�o pense que n�o procurei.
Mas nem na p�gina do clube, nem nas redes sociais, nem...
A coisa mais segura a fazer � usar o correio.
Escrevi o nome no envelope, o carteiro vai entregar.
Sem endere�o ou algo assim?
N�o viu uma not�cia de uma crian�a que escreve uma carta
para um famoso s� com o nome,
e a carta chega e a pessoa famosa responde?
Voc� est� falando s�rio?
Vamos l�, Lito, voc� n�o acredita em nada?
Lito, voc� est� cansado da vida?
Por favor, se isso chegar ao Joaqu�n, eu tiro a minha barba.
Que cara idiota, realmente.
N�o acredito! Vamos.
Papai.
Fala, filha.
O v� poderia ter sido campe�o mundial?
Voc� est� vendo essa foto aqui?
Este � o Gino Velucci,
e este � o vov�, e esta foto � do fim de uma luta em Londres.
O italiano durou apenas dois minutos contra o av�.
Pois bem, um ano depois, Velucci foi proclamado campe�o europeu.
E voc� n�o sabe quem era o advers�rio?
O vov�, sim.
Mas uma semana antes, com tudo pronto para a luta,
o m�dico disse ao av� que ele n�o poderia lutar.
- Por causa daquilo que tem no cora��o. - � isso mesmo, ent�o teve que se retirar.
Veja o que ele fez ao campe�o europeu um ano antes.
O que acha que teria acontecido nessa luta?
- O teria derrubado novamente. - Isso � o que penso tamb�m,
e depois o campe�o mundial o estava esperando.
Um tailand�s que voc� nem acredita...
Ent�o, poderia ter sido campe�o mundial?
Acredito que sim.
E sempre ganhava por nocaute?
Quase sempre.
Ele tinha uma m�o direita que era um canh�o,
batia t�o r�pido que s� viam quando estavam na lona.
Ainda me assusta quando fica com raiva de mim.
Vai l�, termine seu lanche.
Querida, sobre as fotos do Joaqu�n
pode demorar mais que o esperado, n�o sei o que est� acontecendo,
por mais que vou no bar do meu amigo, n�o nos encontramos, n�o...
Sim, tudo bem.
N�o se importa?
Sabia que isso poderia acontecer,
minha m�e me disse que certamente
acabaria deixando isso para outra ocasi�o.
Mas est� tudo bem pai, n�o fique triste.
N�o...
Vamos, termine o lanche.
Fiquei surpreendido.
Voc� est� exagerando para Carmen.
Ser�?
- Como pode pensar isso de mim? - A verdade � uma s�.
N�o sei por que tem que dizer isso para a menina!
Se ele lhe fez um favor, ent�o n�o precisa pedir a foto.
N�o, se disse que conseguiria para ela, conseguirei para ela.
Ok, vou fechar a porta, cavalheiro.
Droga!
- O qu�? - O que isso est� fazendo a�?
Me ajude.
Ajudar no qu�?
Me ajuda, me...
N�o sei como explicar, mas me ajude.
A prop�sito, sabe alguma coisa sobre a carta?
Por enquanto, voc� mant�m sua barba.
Eu te disse.
Vamos, traga isso aqui.
N�o vai comer? Essa coisa fria n�o presta para nada.
- J� est� fria. - Estava com ele o tempo todo e n�o vi.
O qu�?
O que est� fazendo?
Puta merda, que boa ideia!
� claro que voc� pode, essa � a sua praia. Droga, isso � bom!
- A fa�o menor e mais perfeita. - Com certeza.
- N�o sei o que h�, estou meio tenso. - Vamos, relaxe.
Relaxe, voc� consegue. Vamos, continua.
Vamos l�.
- Eu vou. - Vamos.
- Vamos l�, concentre-se... - Vamos l�.
- Sou um vencedor. - Isso mesmo, um vencedor.
- Campo... - Isso mesmo.
- Pelo t�nel, o est�dio, as pessoas... - Isso!
- Gritando! - Joaqu�n!
O cheiro da grama. O jogo come�a, os passes...
vamos no centro, no centro...
Gol!
Um aut�grafo Joaqu�n, por favor...
Um aut�grafo, Joaqu�n, por favor...
Isso!
Tente, vamos l�, voc� conseguiu, venha para a foto.
Tudo de uma vez, uma ap�s da outra.
Como quando costumava assinar nossas notas na escola.
- Lembra? - Sim!
Vamos l�! A outra.
Voc� est� pegando fogo, v� em frente.
- Sim senhor. - Voc� � uma m�quina.
Um vencedor.
Vamos l�, toque e v�, est� indo, pegue!
Oi! Viu como as camisetas est�o ficando, n�o viu?
Reserve um tempo quando o jogo terminar.
Preciso falar com voc�.
Vamos, com o toque e sem marcar, para Luc�a...
Toca e vai embora, para Paula que est� sozinha!
Vamos!
Vamos!
Vai, chuta!
Gol!
Paula.
� um fen�meno.
Use a camisa...
Ganhamos!
Ol�!
Parem por um momento.
Um brinde a essas fenomenais que venceram hoje
e pelas tardes de gl�ria que nos v�o dar
assim que o campeonato come�ar.
Um momento!
Para verem que tudo pode acontecer
e como pr�mio pelo �timo jogo que jogaram...
Paula, essa � a sua.
"Com todo meu carinho para Paula,
que espero um dia ver jogar
pela sele��o nacional
e com cujo pai, passei bons momentos."
� muito legal, papai. Obrigada.
"Para Aitana, e n�o beba tanto chocolate."
Que legal, voc� contou ao seu pai sobre o chocolate e ele contou para o Joaqu�n!
Veja, no meu est� escrito que sou uma grande defesa!
Olhe pai! "Para Martina e para seu pai, aquele que sempre vem ao est�dio
e sabe muito de futebol."
Boa jogada.
Obrigada, papai.
Mam�e, olha, mam�e!
Autografou uma para cada uma do nosso time!
Bem, que surpresa, n�o � mesmo?
Voc�s est�o felizes?
Sim!
Assim que...
Amigo do Joaqu�n, certo?
Sim.
Bem, conhecido.
Bem, no final das contas, seu pai tem seus contatos
e tudo mais, n�o �?
Muito bom, querida.
Mas padrinho de qu�?
De qu�? Do time Luis, do time.
Basta que venha no dia da apresenta��o do time.
Se n�o, acabou, n�o �?
O Galofre est� dizendo que o time n�o lhe d� dinheiro.
Que ningu�m mais vai � sua frutaria, e ele tamb�m acha,
que o futebol feminino n�o � igual,
quer parar de nos patrocinar e n�o contribuir com mais dinheiro.
Acabou.
Galofre, por que quer Joaqu�n, pelo amor de Deus.
Porque � a �nica coisa que nos ocorreu.
A �nica coisa, nada mais.
E como voc� � um grande amigo do Joaqu�n, bom, claro que temos...
- Pensei nisso. - Ele pensou.
O que est� acontecendo, estou sonhando ou...
Luis.
- Galofre? - Galofre, sim.
Galofre s� pagar� as despesas do time se Joaqu�n for o padrinho do time.
Puta que pariu!
Sinto muito, mas n�o vou falar nada para o Joaqu�n, n�o, n�o senhor.
N�o!
Vamos ver, venha um momento,
decida o que quiser, mas conta isso para elas.
A verdade � que eu n�o consigo.
Papai, voc� vai falar com Joaqu�n?
Claro, filha!
Escute, quando chegarmos na garagem tiramos as algemas,
tiramos a morda�a e dizemos: "Joaqu�n, por favor..."
Claro, cara, mas como isso n�o me ocorreu antes, claro.
Claro, se pedirmos, por favor.
� est�pido ou o que h� de errado com voc�? N�o!
N�o acha que � um �timo plano?
Colocar o Joaqu�n no porta-malas do seu carro!
N�o pode ser, cara! N�o...
Ok, perfeito, ent�o pense algo melhor.
Eu s� quero falar com ele.
Vamos esquecer tudo.
Temos que falar com uma pessoa.
Com uma pessoa, que pessoa?
Joaqu�n, Lito, por favor, concentre-se!
- "Uma pessoa". - Joaqu�n � uma pessoa,
� jogador de futebol, mas � uma pessoa, n�o �?
- Concordo. - O que fazer para falar com uma pessoa?
- Falar com a pessoa. - Sim, mas o que fazemos para isso?
Bem, se chama, n�o sei!
J� sei.
- Vamos na casa dele. - Na casa dele?
- Na casa dele. - Ir na casa dele?
Na casa dele!
Vamos na casa dele. O seguiremos depois de treino.
Quando ele sair do carro converso com ele e conto meu caso,
tenho certeza de que entender� � imposs�vel n�o entender!
Perfeito, vamos para a casa dele.
E como vamos para a casa dele?
De bicicleta?
Quero dizer, n�o havia...
O Romeu da madrugada veio te ver.
Bem, continue anotando e eu j� volto, ok?
E pare de cham�-lo assim porque ele � o pai da minha filha.
Ele pode ser o pai da sua filha, mas � um Romeu da madrugada.
- Voc� tem muita coragem. - Sim.
E eu em voc�. Vai!
O que faz aqui? Estou no trabalho.
J� disse, que n�o posso lhe emprestar o carro?
Chata, na verdade, � para algo muito importante.
� o carro do Mario, e pare de me chamar de chata!
Ok, sinto muito, mas Carmen, realmente preciso dele.
Pega um t�xi.
O t�xi n�o serve, Carmen,
escuta-me por favor,
Acha que eu viria aqui para pedir algo, se n�o for absolutamente necess�rio?
N�o me deixe na m�o, chata.
Desculpe, Carmen.
Luis, voc� n�o pode levar o carro do M�rio, n�o entende?
Por que n�o? Ele pegou o que era meu!
N�o sou propriedade de ningu�m e que isso fique claro.
Ok, desculpe.
N�o consigo evitar a sensa��o de que fui roubado...
Certo.
Carmen, s�rio, eu s� quero que voc� seja feliz,
mas preciso da sua ajuda, por favor.
Ser�o apenas algumas horas, tr�s no m�ximo, vamos l�.
Me ajude.
O bigodinho n�o vai descobrir.
Vamos.
Minha nossa,
como sinto a sua falta.
N�o estive com ningu�m desde que voc� partiu.
Meu cora��o, voc� n�o o tirou!
Seu cheiro...
Luis!
Me perdoe por n�o acreditar em voc�.
Veja, fa�a o pedido,
estava certo, era tudo uma quest�o de tempo.
Sim, mas � tarde demais para me apoiar, Luis.
Pedi para esperar por mim.
E o que isso teria feito de bom?
Nada se mexe na sua vida, voc� continua no bar, Luis.
Carmen, sabe que n�o posso abandonar meu pai.
S�rio, ele n�o � um inv�lido!
� hora de voc� tomar decis�es, de usar seu talento.
Voc� � um artista, mas n�o quer ver isso.
N�o...
Por que voc� sempre tem que estragar tudo?
Eu lhe trarei a chave mais tarde.
Essa � a minha chata.
Anda descal�o, n�o v� o carrinho que o M�rio tem.
Nem me fale, cara.
- � Mario, se o nome fosse Pepe, diria... - Vai se foder um pouquinho.
Tudo bem.
A� est�o eles, vamos l�.
Quillo, por que isso n�o funciona?
- Qual a fun��o... - Por favor!
Cara, onde esse cara mora?
Vai morar em uma urbaniza��o?
Se eu n�o chegar a tempo de devolver o carro, a Carmen me mata.
Que coisa mais chata com a Carmen, cara.
Isso pode ser bom para tocarmos um pouco de m�sica ou algo assim...
N�o sai ar nem nada.
Lito!
Velho,
me d� o troco!
Merda!
Essa merda!
Isso tamb�m � uma merda.
Isso aqui tamb�m � uma merda,
n�o tem nada mais que merda.
Nada al�m de besteira e de...
pata negra e Paco, em lugar nenhum.
Meu troco?
Isso � para pagar o que voc� deve.
Que porra voc� est� me dizendo, Paco?
O que diabos est� me dizendo?
Me d� meu dinheiro, vamos, ou eu o arrebento!
- Uma cerveja? - N�o.
Perdi at� a vontade de fumar.
A porta.
Vai!
Vamos.
Vamos! Na verdade, tem seu lado legal, n�o �?
Como se estiv�ssemos em um filme de persegui��o.
Continue, vamos passar!
Vamos, n�o passamos!
Eu simplesmente n�o entendo.
Sinto muito, filho, eu realmente sinto muito.
Mas o que estava fazendo para n�o ver a barreira?
S� que fiquei confusa, o maldito celular.
Recebi uma mensagem e n�o vi.
Sinto muito, de verdade.
- E esta carteira? - Olha, estava a�. Vamos!
Rosa vai ficar muito contente.
Ela achava que tinha perdido.
- Rosa? - � que eu a vi esperando o �nibus
e claro, levei-a para casa
e deve ter ca�do da jaqueta.
� uma carteira masculina, Carmen.
Querido, � que a Rosa n�o gosta de bolsas,
ela � um pouco andr�gina.
Tenho certeza que a comprou por causa do tamanho, cabe em qualquer bolso.
Certo.
Vou lhe pagar uma cerveja,
vamos ver se essa sua cara de bravo vai embora, certo?
� que voc� faz comigo o que quiser, loira.
Ol�, � a Carmem. Deixe sua mensagem.
Carmem, sou eu de novo.
Liguei o dia todo, deixei muitas mensagens para voc�.
Sinto muito,
foi um acidente.
N�o sei mais o que dizer para que voc� me perdoe.
Sinto muito.
Diga algo, por favor.
Estraguei tudo.
Sou um perdedor.
Sim, eu sei,
sou o �nico que pode mudar isso.
Mas o que voc� faria?
Fala.
Bem, �timo, vou repassar, obrigada.
Ol�, bom dia.
Um segundo, por favor.
O representante de Joaqu�n est� me esperando.
Claro. Quem devo anunciar?
Damian Clark.
Damian Clark?
- Voc� agendou? - Sim.
� que n�o consigo encontrar.
Ser� um erro. Vamos ver.
Damian Clark, o pintor.
N�o me reconhece?
Esse nariz simplesmente me cativou,
quero pint�-la, preciso pint�-la.
- Eu? - Sim.
Porque � muito especial.
Vamos fazer uma coisa.
Enquanto voc� resolve este pequeno inconveniente,
vou me sentar nesse sof�
e vou desenh�-la.
- Certo? - Est� bem.
Sim, Sr. Espejo, sei que n�o aceita visitas,
mas � o Damian Clark.
O pintor, senhor, Damian Clark!
Sim.
Sim, claro, desculpe.
Bem, � que...
Sim.
Sim, claro.
Sim, desculpe, ok.
Est� bem.
Sim, bom dia.
Muito bem, seu nome, por favor?
�timo.
Manolo fala que a m�quina de lavar calcificou,
para que serve ent�o?
Sim, n�o se preocupe,
exatamente no dia 25 �s 11h, com o Sr. Merlo
e �s 17h com o Sr. Galdo.
Sr. Clark, eles est�o indo embora,
o Sr. Espelho e Joaqu�n, acabaram de sair!
Isso mesmo, sim, sem problemas, claro.
Pela outra porta, Sr. Clark!
Obrigado!
N�o!
O qu�?
Voc� poderia ter me ajudado!
Com licen�a, coloque isso na minha conta, Eduardo Vivas.
Beleza.
Olha, desculpe.
- Eu? - Sim, poderia vir um momento, por favor?
Claro, fala.
Cara, estou apenas olhando e tem uma conta consider�vel...
Deixa-me ver.
N�o se preocupe, falarei com o Luis, ok?
Posso imaginar, mas � que essas coisas s�o comigo agora.
Falarei com o Luis, desculpe, est�o me esperando.
J� � o suficiente, n�o �?
Cara, � que uma coisa � uma coisa, mas isso �...
Podem ir.
J� estou indo.
- Pode me dizer o que devo, por favor? - Sim, claro.
Muito bem.
Cara, n�o � pouco.
E ainda mais sendo banqueiro.
Fique com o troco, cara!
- Muito obrigado. - Bem, boa tarde.
Boa tarde.
E quando tudo terminar. N�o sabe o que vamos fazer?
Uma festa!
- Uma festa? - Sim, uma festa...
E quantas pessoas vir�o?
Bem, muitas, todo mundo que quiser.
Diga a seus amigos, para trazerem seus pais, ser� uma grande festa!
Por que n�o dizemos ao Joaqu�n para vir?
Filha, por...
� que Joaqu�n vir� para a inaugura��o do centro esportivo.
� um homem muito ocupado, n�o pode vir a todas as nossas atividades.
Claro.
Oi, mam�e!
Suba, o professor de viol�o est� esperando por voc�.
Eu j� vou.
- Adeus, gatinha. - Tchau.
Que horas s�o essas? Estava preocupada!
Perdoe-me, Carmen, mas foi a �nica forma de conseguir falar com voc�.
Me espere a�, vou organizar umas coisas.
J� des�o, preciso falar com voc�.
N�o v� o problema em que me meteu, Luis.
Carmen, por favor, tem que acreditar em mim, foi um acidente.
Sinto muito por colocar voc� em apuros,
mas, por favor, n�o pense que fiz isso de prop�sito.
Sei que falhei,
como fiz outras vezes, e realmente sinto muito,
mas n�o pense que fiz de prop�sito.
Nunca faria nada para prejudic�-la,
voc� n�o sabe disso?
Vamos, voc� deixou sua carteira no carro.
N�o, � do Lito, pensou que tinha perdido.
Bem,
vou embora.
Ali�s, nossa filha come�ou a gostar de meninos.
- O que est� dizendo? - Sim.
Hoje na hamburgueria, pediu para trocar de lugar
para sentar-se ao lado de um menino, com um penteado moicano.
N�o me diga!
- Agora, tudo o que ela precisa � estudar. - Sim.
Voc� e eu tamb�m nos conhecemos em uma hamburgueria, certo?
Bem, depois daquele dia s� conseguia pensar em voc�.
- Bem, tenho que ir, estava cozinhando. - Vai.
Pode me perdoar?
Bem, � claro que eu te perdoo Luis.
Mas esque�a de n�s, por favor.
Isso n�o faz mais sentido.
ALUGA-SE
FECHADO PARA REFORMA ABRIREMOS EM UMA SEMANA
Meu pai vai dizer ao Joaqu�n para trazer seu carro
e vai deixar eu entrar nele.
Sim, � melhor voc� entrar no carro do Joaqu�n
porque � claro que n�o vai entrar no carro do seu pai.
Meu pai n�o tem carro porque n�o quer.
- Ele n�o tem carro porque � um in�til. - Para!
O que voc� tem � inveja dele porque � amigo do Joaqu�n e voc� n�o.
- Paula fique quieta. - Tenho inveja do seu pai?
- Sim. - Olha, menina,
seu pai � um gar�om de merda e o bar � outra merda.
- Voc� � um merda! - Mario!
Paula para o seu quarto.
Veja, sou um homem com 30 empregados que fazem o que digo.
Sou respeitado no bairro e todos riem de seu pai
e de suas "tapas."
Nem voc� gosta do sandu�che de seu pai.
Al�m disso, � mentiroso, conhece Joaqu�n...
- Isso � uma mentira. - Vou te contar uma coisa.
N�o pegue nela!
Querida, v� para o seu quarto. Eu vou daqui a pouco.
Voc� � um invejoso de merda!
Paula para o seu quarto.
Nunca mais fale assim com ela.
Contei alguma mentira?
Voc� a machucou muito.
Quem machuquei mais, a garota ou voc�?
Se machuca minha filha, me machuca tamb�m.
Sim, mas a quem machuquei mais, Carmen!
Mas o que h� de errado com voc� esta noite?
H� quanto tempo se encontra com ele?
- Do quem est� falando? - Do Luis, Carmen. De quem seria?
- Ou tem outro? - O que voc� est� dizendo?
Vejo o Luis quando tenho que falar sobre a menina.
- Carmen, n�o minta para mim, por favor. - N�o minto.
Com quem voc� estava no carro quando sofreu o acidente?
De quem era realmente a carteira?
Bem, sim, eu n�o te contei a verdade porque sabia que voc� ficaria assim.
Claro...
- Mas n�o � o que voc� pensa. - N�o.
Emprestei o carro ao Luis, porque ele precisava
para algo muito importante e eu n�o podia recusar.
Ok, e ent�o, quando sofreu o acidente,
estava com medo de lhe dizer que eu havia emprestado o carro
e foi por isso que eu disse que fui eu.
Mas � isso, n�o tem mais nada.
- Nada mais? - Disse que n�o � mais do que isso.
Claro que n�o...
Deve pensar que sou o cara mais est�pido do bairro.
Qual � o seu problema? Por que gosta de trair os caras?
Isso lhe d� tes�o?
Se quiser, posso lhe apresentar a colegas que gostam,
mas eu n�o, Carmen.
Voc� me insulta,
n�o aceita minhas explica��es,
al�m disso, est� magoando minha filha.
Olha, vim para esta casa porque pensei que poder�amos ter uma vida juntos,
mas eu estava errada.
Vou embora amanh�.
Eu vi voc� brincando com ele,
agora mesmo, l� embaixo na porta.
Eu vi!
Poderia lhe dizer o que voc� realmente viu,
mas voc� n�o merece isso.
Esse cara vai me ouvir.
Ou�a, cara,
n�o gosto de ver voc� assim, n�o gosto mesmo.
Amanh� vou pegar uma moto, juro por Deus que vou conseguir, certo?
Vamos para o treino, esperamos o Joaqu�n, e o seguimos at� sua casa.
Essa maldita cerca n�o vai nos deter de novo, entende?
Illo, n�o fa�a essa cara, por favor, s�rio.
Lembra do que voc� me disse,
quando me expulsaram da banda e procuraram outro baixista?
Voc� se lembra ou n�o?
Voc� disse, "pare de pensar como um perdedor e voc� ser� um vencedor".
N�o que tenha sido muito �til para mim, mas ajudou voc�.
Voc� era o mais inteligente da turma, n�o lembra?
Voc� � um vencedor,
tem uma filha que o ama e trar� o Joaqu�n e deixar� todos boquiabertos.
Quillo, vamos beber, conheci uma garota
que tem uma amiga que se voc� a ver ficar� louco.
N�o, pode ir.
Filha, escuta...
Tem algo que...
No outro dia,
quando eu estava com Fran no bar
e disse que Joaqu�n era meu amigo, ent�o...
Na realidade,
- � como quando voc�... - Papai.
- Fala. - Voc� sempre vai ser gar�om?
N�o...
Bem, eu n�o sei.
Mario disse que voc� era apenas um gar�om fracassado.
Que idiota!
Paula, n�o d� ouvidos a ele, ao que ele diz...
Querida, o que h� de errado com voc�?
Eu disse ao Mario que ele � um merda.
Paula,
essa n�o � a maneira de falar e muito menos com uma pessoa mais velha.
Olha, � verdade que trabalho num bar,
mas isso n�o � uma coisa ruim.
� claro, a dignidade est� no interior das pessoas, no cora��o,
n�o no que fazemos para viver ou no dinheiro que temos.
Ele tamb�m disse que as pessoas riem de voc�,
e que ningu�m gosta do que voc� faz no bar.
Filha, olhe para mim, ou�a,
o Mario te disse isso para me machucar,
ele esqueceu que voc� � uma menina de nove anos.
Como voc� � inteligente, voc� � bonita, ele esqueceu.
Filha, as pessoas n�o riem de mim, as pessoas podem entrar ou n�o no bar,
podem gostar ou n�o das coisas que fa�o,
mas eles n�o riem de mim, meu amor.
Ele tamb�m diz que tem uma f�brica
e que muitas pessoas trabalham para ele,
e que voc� n�o tem dinheiro nem para comprar um carro.
Sente-se.
D�-me.
Olha meu amor,
a verdadeira riqueza � ter pessoas que amam voc� como voc� �.
E sem se importar com quanto dinheiro voc� tem ou onde trabalha.
Pessoas dispostas a fazer coisas por voc�,
e voc� por elas, como os amigos do vov�, ou meu amigo Lito.
Veja as casas, os carros, as lojas e tudo aquilo pode desaparecer,
mas os verdadeiros amigos sempre estar�o l�.
Essa riqueza � o que realmente importa, meu amor.
Sim, papai, e voc� tem muitos amigos.
Sim, e s�o �timos, n�o �?
E voc� deve se esfor�ar para t�-los tamb�m sempre e que nunca lhe faltem.
N�o me importo com o que Mario diz, o que ele tem � inveja de voc�,
porque voc� tem muitos amigos,
e voc� tamb�m � amigo de Joaqu�n,
e ningu�m no bairro � amigo dele.
Somente voc�.
Amo muito voc�, papai.
E eu amo voc�, filha.
- Bom dia. - Ol�, bom dia.
- Luis Men�ndez. - Sim, sou eu.
Uma carta registrada.
- Pode me assinar aqui, por favor? - Sim.
Aqui.
- Muito obrigado. - Beleza, bom dia.
� claro que ele tem uma conta de um ano atr�s,
porque devo dinheiro ao banco dele h� dois anos.
Ele retinha as intima��es papai, porque eu pedi de joelhos
e porque nesse bar ele n�o ia pagar, nunca, jamais.
Quem mandava mesmo nesse bar era ele.
Ele era o patr�o, nem voc�, nem eu, pai, ele.
E voc� disse a ele para pagar o que deve que j� estava enchendo o saco. Para ele!
Mas poderia ter me contado antes, n�o �?
E n�o adiantou nada estar escrito: "gerente do banco".
Pai, por favor, vou ter que lembr�-lo agora
que n�o deve chutar quem d� o dinheiro.
Tamb�m posso lhe dizer que �lcool n�o deve ser servido a crian�as.
N�o fale assim comigo, n�o sou idiota.
Ok, desculpe.
Bem, com todo o respeito, agora v� e fale a esses dois
que n�o temos nada para pag�-los.
Consegui ou n�o consegui?
Ele sabe muito bem como dirigir o neg�cio, fez a primeira besteira.
Vamos, perfeito, coloque isso.
Gra�as a Deus ele veio me ajudar.
Que chato com seu pai, vamos l�, coloque isso.
N�o encaixa.
Coloque, Quillo, sen�o vamos levar multa.
N�o entra!
Coloque! � burro ou o qu�? Em 15 minutos o treino termina,
estamos atrasados, vamos.
Vai, Qilllo, com for�a. Pronto!
Vamos?
Bem, vamos, empurre.
Vamos!
Venha, vamos passar,
n�o chegue muito perto ou ele perceber�.
Qilllo, acho que n�o temos muito tempo, ter� que falar com ele r�pido.
N�o se preocupe, escrevi uma carta s� para garantir.
Tudo bem.
Tem um guarda.
- Tudo bem, sorria naturalmente. - Naturalmente como?
Como se vi�ssemos todos os dias.
Aonde voc� vai, por favor?
Vamos a casa do Joaqu�n, que nos convidou para jantar.
- Um momento. - � muito cedo para jantar.
Desculpe, tem algumas pessoas aqui dizendo que vieram te ver.
At� logo.
- Sinto muito, mas n�o pode entrar. - O que est� dizendo?
Desculpe, deixe-me lhe contar e ver� como...
Claro, � estranho...
- Sim, cara... - J� falei que voc� n�o pode entrar.
Quero te entregar uma carta. Mas deixe-me explicar.
N�o, tem que sair.
Com licen�a, estou com pressa, sou Eduardo Espejo.
Sim, desculpe pela demora.
- � o representante do Joaqu�n? - Sim.
Voc� poderia dar esta carta para ele?
Estou com pressa, mande para o escrit�rio.
� uma carta, tenho tentado entrar em contato...
J� te disse, n�o...
- � s� entregar a carta... - Est� incomodando.
- Mas me entenda, estou trabalhando. - Sim, entendo.
- Est�o roubando seu telefone celular. - Eu disse que n�o.
N�o quero roubar o celular.
- D�-me, Quillo... - Por favor, chame a pol�cia!
N�o h� necessidade de chamar a pol�cia.
Ele se confundiu o telefone.
Vamos.
Venha, vamos...
Voc� o matou.
Vamos.
Tudo bem?
Est� tudo bem?
- Voc� est� bem? - Sim, obrigado.
Senhores, acalmem-se, nada aconteceu.
Esses s�o dois idiotas.
Sou Mario Montero, empres�rio, encantado.
- Como vai, campe�o? - Bem.
Aquele cara que acabou de sair n�o � ningu�m,
s� queria passar pela seguran�a para chegar at� o Sr. Joaqu�n.
- Est� bem? Isso � o que importa. - Estou, obrigado.
Se estiver com pressa, n�o vamos tomar o seu tempo.
Venha, vamos.
- Adeus. - Vou abrir agora.
�timo trabalho, chefe, levante o sinalizador, vamos abra!
Quem diria que aquele Pitbull estaria na cabine.
Mas o que acontece com as pessoas?
- Ele nem me deixou explicar. - Como se f�ssemos roubar.
JUNTOS CONSEGUIREMOS Olha Luis, isso � um sinal.
"Juntos conseguiremos."
O que eu n�o sei � como, mas voc� pensar� em algo.
Sim, porque n�o conseguir� pensar em muita coisa.
Perdoe-me, sou um artista sociocultural.
Voc� sempre � o inteligente.
- Animador sociocultural. - Sim.
Animador on-line.
Esse garoto est� ficando para tr�s,
porque sua m�e o mimou muito.
N�o, cara, n�o,
voc� tem que dar espa�o aos seus filhos, Paco,
sen�o se afogam!
Voc� s� precisa olhar um pouco para tr�s.
Lembre-se de quando �ramos jovens.
Meu pai e o seu
n�o nos deixaram ser como quer�amos ser,
at� que um dia o que aconteceu?
O qu�?
- Voamos, Paco. - Claro.
Paco, ou�a cara...
Sim, � verdade, voc�s est�o certos.
- Chegou. - Trabalhem!
Luis, venha filho, vou te ensinar uma coisa.
Voc� n�o lembra? Lembra?
Sua m�e era uma artista.
Era sim.
Eu fiz esses pontos!
Veja, essa tapa foi inventada por sua m�e, uma coisa barata.
Alguns cogumelos
eram preparados de um jeito, que faziam voc� querer beber.
Com isso inauguramos o local, lembram?
E foi um sucesso, estavam deliciosos.
Desde que sua m�e morreu eu n�o os fiz novamente,
mas sabe de uma coisa?
Que vamos faz�-los novamente,
e vamos dar gratuitamente.
- Gr�tis? - Sim, e sabe por qu�?
Porque o que vamos cobrar � a cerveja.
O truque � que o gancho direito tem pimenta
e o esquerdo tem tabasco.
Imagine se n�o v�o beber cerveja. Cerveja, presunto, lula e tudo o mais.
Venha, vou te mostrar outra coisa.
Veja o que os mestres fizeram para voc�.
Senhores, muito bom!
Obrigado.
De nada.
Voc� viu como eles deixaram isso para voc�?
Liso para que voc� possa dar o acabamento.
E assim voc� pode pintar o que quiser.
Bem, vamos trabalhar, senhores.
Bem, vamos parar de brincar e tocar m�sica de verdade, certo?
Como uma crian�a colada no vidro
De uma pastelaria
Foi assim que me sentia
Foi assim que me encontrei
Quando olhei para voc�
Que pena que n�o sabe cantar, caramba.
Como uma fonte de �gua quente
Que nunca acaba
Chega.
- E a�, Paco? - Chegamos.
Vamos colocar ali.
Menino!
Que lindo, voc� � um artista!
Como sua m�e.
Bem, vamos l�, m�os � obra...
Juan, me d� uma m�o.
Beleza, vamos l�.
Liti, me ajude.
Deixa-me ver se voc� comprou a mesma torneira,
que eu mesmo vendi h� 20 anos,
pelo mesmo pre�o, mas de segunda m�o.
D� um tempo, pai.
Ol�, gatinha!
Quer um sandu�che de presunto?
Sim, vov�, obrigada.
Certo.
Que bonito, papai.
Gostou?
ALUGA-SE
Bom dia, pai.
Muito obrigado, filho.
FECHADO PARA REFORMA ABRIREMOS EM UMA SEMANA
Para a escola.
Vamos l�, anime-se.
Que frio, vamos.
Cubra-se bem.
Aqui est�, Chari.
Luis vai busc�-la mais tarde, muito obrigada.
Ok, ent�o vamos.
Querida, eu amo voc�.
Tchau.
Garotinha, Paula � mais esperta do que voc� e eu juntas.
Voc� ver� como esquece rapidamente!
Eu espero.
Voc� � o cara mais sortudo do mundo por me ter como amigo?
N�o precisa me responder, eu respondo. Sim!
Um colega me emprestou.
Quillo, tenho que explicar tudo,
vamos ao treino com nossos ingressos,
vamos para o banco, descendo, sorrateiramente,
chegando l� dizemos: "Joaqu�n uma carta para voc�!"
- Sim, vejo muitas lacunas nesse plano. - Lacunas?
N�o, temos que ir para a casa dele.
Prometi � Paula e n�o posso decepcion�-la,
muito menos depois do que aquele Pink Floyd disse.
Amanh� � o dia, sim.
Voc� ver�, amanh� eu vou conseguir.
Amanh� � o dia e amanh� � a inaugura��o,
seu pai vai mat�-lo, n�o sair� vivo dessa.
Mas vamos entregar a carta.
� ou n�o �?
�!
Na minha casa podem ficar o tempo que quiser, sabe disso, n�o?
Eu sei, Rosa, e agrade�o a voc�, filha,
mas vou ver alguns apartamentos
que ficam ao lado da escola da Paula e do bar do Luis.
Mesmo sendo um desastre, � um bom pai.
Isso sim.
N�o sei como pude permitir que Mario falasse assim com a minha filha.
Que m�e ruim eu me sinto.
Vamos, esquece isso!
�guas passadas n�o movem pedras. J� passou.
O que foi agora?
Moinhos, Rosa! Moinhos!
Sei l�!
Voc� tem piercing, mas � do interior.
Sim, falou, aquela de Nova York.
Tem certeza? N�o podemos fazer outra coisa?
Lito, vai dar certo, n�o se preocupe, fa�a o que falei e pronto.
Olhe, venha.
Olhe.
V� como a estrada vira logo ap�s a entrada?
Sim.
- Voc� tem que levar o guarda para l�. - At� l�?
Sim, voc� faz com que o veja e corra para l�.
O seguir� e eu passarei com a moto, f�cil!
Espera, quanto tempo mais ou menos voc� vai ficar conversando com Joaqu�n?
Porque estou em p�ssima forma, sabe? Quer dizer n�o estou em forma.
Vamos ver, preciso de tempo.
Primeiro encontrar a casa, depois chegar perto da porta,
onde n�o me vejam, para entrar sorrateiramente atr�s dele...
- E quanto tempo � mais ou menos? - Bem, n�o sei, Lito.
Olha, s� sei que, tenho que o convencer a vir ao bairro.
- N�o quero decepcionar minha filha. - Claro que n�o.
- Sim? - Como est�o as coisas, pai?
Bem, filho, bem, est� lotado.
Que bom! Estarei a� logo, n�o se preocupe.
N�o, tenha pressa, por favor.
Acho que podemos nos virar aqui.
- Certo. - At� mais tarde.
Eu realmente n�o aguento mais...
Abaixe-se.
Droga, minhas pernas doem, Quillo...
- Eles v�o ver voc�. - N�o, cara.
Paco, cliente!
E a�, pessoal!
Viemos para ver o que s�o esses ganchos anunciados em todos os lugares.
Cara!
Ser� que � um gancho?
Veja, tenho � direita e � esquerda.
E podem comer � vontade.
- Bem, eu come�o e n�o paro. - J� somos dois.
Sim? Bem, isso � o que eu gostaria de ver.
Traga e umas cervejas.
Est� forte, n�o �?
Cara, � isso que o gancho tem, voc� n�o o espera...
- E ele te d�. - Muito bem.
Quillo, s�o tr�s horas, n�o? Estamos aqui h� mais de duas horas.
E se n�o aparecer?
Lito, v� se foder um pouquinho...
- V� se foder. Isso �. - Tudo bem.
Venha aqui agora, baixe-se.
Merda, cara, j�...
Ol�, Paco e companhia,
vamos experimentar esses ganchos de esquerda e direita!
Manda um pratinho a�.
- Bem, aqui est�o. - N�o parecem ser ruins, n�o �?
Parecem �timos!
Mas Paco, essa receita vai ser copiada em todos os bares do bairro!
Isso � imposs�vel, esta � uma receita secreta.
E onde voc� a conseguiu?
Do c�u, meu filho,
do c�u.
Bem, me escute, somos muitos,
sirva outro prato e uma rodada de cerveja por minha conta.
Quatro cervejas e uma ta�a de champanhe!
E, tortilha e anchovas tamb�m.
- E presunto, coloque... - Beleza.
Senhores, voc�s ouviram? Pedido!
Paco.
- O qu�? - Telefone!
Droga!
Sim, pode falar.
- Pai, como voc� est�? - Triunfo total!
Isso � demais, cara, vai faltar cogumelos!
Quando voc� vem?
J� vou, isso est� ficando um pouco complicado,
mas j� vamos, j� estou indo, n�o se preocupe.
Bem, cuide disso.
Vamos, mais duas cervejas.
Vamos ver, mais um de presunto!
D�-me mais uma cerveja.
As anchovas j� sa�ram.
Bem, veja, at� esse bandido chegou!
- Venha, vamos. - Mais cerveja...
- E se ele j� passou e n�o vimos? - Imposs�vel, n�o passou nenhum Mercedes.
Ele tem outros carros e, com a m� sorte que temos, deve ter pegado outro hoje.
N�o poss�vel que eu n�o consiga ver esse cara. Espere...
N�o � esse?
Esse �...
- Vamos. - Vai, cara.
S�rio, o conven�a e n�o se preocupe comigo.
Esse cara vai ter que correr muito para me pegar.
- Bem, vamos... - Vamos!
Bem, vamos ao que interessa.
- N�o se esque�a. - Sim, est� em p�ssima forma.
Cantinflas, eu sou o homem-bala e quero correr com voc�.
Quem voc� acha que ganha, voc� ou eu?
Acho que eu ganho.
Vamos, cara, voc� consegue.
Que potranca, n�o o pega nem de brincadeira.
N�o, uma moto.
At� mais, Cantinflas, voc� consegue.
Vamos, te deram o cart�o do sorteio.
Vamos!
Me deixe em paz, cara.
N�o vou encontrar ningu�m, porra?
N�o se canse.
Persiga criminosos, seu rato!
Desculpe, cara!
- Sim, diga. - Vamos ver se pode me ajudar.
Olha, estou atrasado e n�o lembro onde fica o chal� do Joaqu�n.
Sim, cara, claro, voc� continua em frente, no fundo
a casa que voc� v� com as portas brancas, � essa.
� esquerda.
Obrigado.
Vamos para a esquerda.
Quillo, vamos.
Cantinflas, pegue sua fantasia.
O que est� fazendo? Pare de brincar e des�a agora!
Foda-se Pitbull.
Agora n�o!
Carmen, n�o posso falar agora. Ligo depois.
- Espere Luis, � seu pai. - O que foi?
Teve um ataque card�aco, roubaram o bar e ele se defendeu.
O qu�?
Uma ambul�ncia acabou de lev�-lo.
Estou indo.
Papai.
Papai,
j� estou aqui.
O Truchi.
N�o, n�o fale.
O Truchi e seus amigos.
N�o importa, n�o se preocupe com isso agora.
Eles levaram todo o dinheiro.
Pai, v�o peg�-los, com certeza, agora descanse.
Ol�, sou a Dra. Perez. Voc� � da fam�lia?
Sim, sou Luis Men�ndez, seu filho.
Fizemos um ultrassom card�aco e acreditamos
que possivelmente uma das art�rias esteja bloqueada.
Temos que fazer um cateterismo.
Mas n�o pode ser, meu pai tem um aneurisma.
Teve que deixar o boxe por causa disso.
Olha, fizemos testes de diagn�stico nele e n�o o vimos.
Al�m disso, o paciente n�o nos contou nada.
Sr. Men�ndez, o senhor tem algum conhecimento desse aneurisma?
Pai, o que h� de errado?
N�o se preocupe.
Eu inventei isso.
- Como? - N�o tenho nenhum aneurisma.
Os combates estavam ficando cada vez mais dif�ceis
e eu tinha medo.
Fiquei com medo dos golpes,
e do fracasso.
Me perdoe, filho.
Me perdoe.
N�o, � que no final, se n�o cuido disso, ningu�m cuida.
Todos est�o preocupados, mas aqui ningu�m mexe um dedo.
E quem se move? Bem, o hippie, claro,
e o outro trancado aqui como se um meteorito fosse cair.
Realmente me pergunto o qu�o paranoicos n�s somos.
Veja sua cara.
Quillo, por favor.
Pegaram o Truchi,
acabei de acompanhar seu pai � delegacia.
Quillo vamos ver que praga tem aqui, cara.
Tem um cheiro muito forte, nem sei como voc� consegue viver assim.
Vamos, deixe entrar um pouco de claridade.
E abra isso para deixar o vento entrar.
Sim, est� frio, mas � melhor estar com frio do que n�o respirar esse ar.
Vamos, Quillo!
Levante e tome um banho. Todo mundo est� te esperando.
Paula n�o para de perguntar por voc�.
At� a Carmen me ligou, que nunca me ligou na vida.
Disse que voc� n�o responde e ent�o seu pai est� arrasado.
Todo mundo faz besteira �s vezes na vida, certo?
Besteiras e tudo mais.
Besteiras.
O qu�?
Meu pai me ferrou.
Mentindo para que continuasse com o neg�cio.
Um mentiroso, � isso que ele �.
Olha como terminei.
Um perdedor � o que eu sou
e meu pai um m�rtir.
Isso que meu pai �, um m�rtir, coitado.
E voc� quer seguir o mesmo caminho, certo?
Levante-se e tome um banho, por favor.
Quillo, amanh� todo mundo est� esperando o Joaqu�n e voc� tem que mostrar a cara.
Quillo!
A Paula est� te esperando e voc� � um bom pai, n�o �?
Bem, n�o estrague tudo agora ou o que quer? Falhar com a Paula?
� isso, muito bom, sim, senhor,
uma patinha na frente da outra e vamos para o chuveiro, a� est�.
Bata forte!
Esfregue bem, pois h� algumas camadas!
Voc� vai tirar. Bem, isso voc� mesmo faz.
Voc� sabe.
Vamos, esfregue bem.
Paula!
Paula!
Onde est� o seu pai?
A� est� o papai!
- Luis, cara, onde est� seu colega? - Joaqu�n?
- Deixe o ar fluir um pouco. - Quero tirar uma foto com ele...
Um pouco de respeito, garotinho.
Olha a� vem Luis,
mas veio sozinho.
E o Joaqu�n?
N�o vem, pelo amor de Deus!
Quem me mandou?
Ou�am-me todos, por favor.
Tem algo que eu quero dizer,
algo que deveria ter dito h� muito tempo,
especialmente para voc�, Paula.
Perdoe-me filha por fazer voc� passar por isso.
Voc� pode n�o entender hoje e pode ter vergonha de mim, mas um dia
vai entender que na vida, precisa falar sempre a verdade, filha.
� a �nica maneira.
O medo j� causou muitos danos a todos.
Temos que parar com isso.
E para quando voc� para de fugir.
Realmente o Joaqu�n...
Olha ele!
N�o me escute por um momento, por favor.
Lu�s, o que est� acontecendo?
A� est� o Joaqu�n, e agora!
Esse � meu colega.
Voc� achou que eu n�o viria, n�o � mesmo, amigo?
Como vai?
Acalme-se, Luis, n�o se preocupe, somos da fam�lia.
Estamos em fam�lia ou n�o estamos em fam�lia?
Quero tamb�m uma salva de palmas para o futebol feminino
e para o futuro da sele��o espanhola.
De verdade. Claro que sim.
Como est� Paula?
- Essa � sua menina, Luis? - Sim.
Que bonita. Voc� sabe que seu pai � um verdadeiro fen�meno, certo?
- Sou seu f� n�mero um. - Ol�! Que linda.
- Meu amor. - Que bonita!
Tchau, amor.
Muito obrigado Joaqu�n.
De nada, agrade�a ao Eduardo que foi quem me passou a carta.
Eduardo, muito obrigado e obrigado por ler.
N�o se preocupe, voc� � muito corajoso.
Sua carta tocou meu cora��o, ent�o parab�ns, meu amigo.
- Temos que ir embora. - Certo.
Obrigado fam�lia, at� breve!
TODOS COM JOAQU�N
Temos que fazer um comercial, muitas tangerinas, j� imaginou...
O qu�? Ele � ou n�o � um artista?
Ele � um artista.
Ele � um artista.
Muito bem, Luis.
- Seu pai desenha muito bem! - Sim.
Que engra�ado, o Joaqu�n como tenista.
Sim, Joaqu�n � um grande amigo do meu pai.
Que legal.
Bem, vejamos, n�o � t�o amigo assim, mas se escrever para ele, ele vem.
Vamos jogar?
Bem, aqui est� e aproveite.
At� logo.
O neg�cio est� crescendo!
Bem, n�o posso reclamar.
Muito obrigado pela planta.
Para lhe dar boa sorte.
A loja est� linda, Luis.
- E Paula? - Est� com o Sergio, est�o brincando.
Deixa um pouco mais.
J� fez a li��o de casa, mais tarde a levarei.
Certo.
Bem, adeus.
Carmem,
me falaram sobre um novo restaurante italiano
que tem uma culin�ria excelente. Voc� gostaria de ir?
N�o sei Luis,
j� jantamos outro dia
e dois jantares seguidos...
Bem, n�o seriam dois jantares seguidos,
seria um do outro dia e outro
quando voc� quiser.
Vamos ver, certo?
Est� bem.
13 ANOS DEPOIS...
Paco.
Ol�.
Vamos, aumente o volume, j� est�o l�.
Olha, l� est� minha menina.
Dezessete que tenho aqui, aumente mais o volume, n�o d� para ouvir.
Paula!
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