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Original subtitles

Sou Erica Bain e, como voc�s sabem, eu ando pela cidade.

Eu me queixo, reclamo, mas eu ando, observo e escuto.

Sou testemunha de toda beleza e fei�ra...

que est� desaparecendo da nossa adorada cidade.

Na semana passada, fui �s �guas turvas do Rio East...

onde Dimitri Panchenko d� sua nadada matinal...

como faz toda manh� desde os anos 60.

VALENTE

E hoje eu andei pelos in�meros andaimes...

em frente ao antigo Hotel Plaza...

e eu pensei na Eloise.

Lembram-se da "Eloise" de Kay Thompson?

Aquela que morava no Hotel Plaza...

com seu cachorro Salsicha e seus pais, que viviam viajando...

e sua bab� inglesa, que tinha oito grampos feitos de ossos.

Essa Eloise. A adorada pirralha da minha inf�ncia. Uma menina dif�cil.

Sid Vicious, cuspindo cerveja por entre os dentes no Hotel Chelsea.

Andy Warhol, seus �culos de sol.

Edgar Allan Poe, libertando macacos dos engradados de uma escuna...

nas passarelas da Rua South.

Hist�rias de uma cidade que...

est� desaparecendo diante dos nossos olhos.

Seus habitantes se foram.

E o que restar� daquelas velhas hist�rias?

Teremos que construir uma cidade imagin�ria...

para alojar nossas recorda��es?

Porque, quando voc� ama algo, toda vez que um pedacinho dele se vai...

voc� perde um pedacinho de si pr�prio.

Onde a Eloise vai dormir esta noite?

Podem ouvir o fantasma dela vagueando...

pelos corredores em ru�nas de seu adorado Plaza...

tentando achar o quarto da sua bab�...

falando para os pe�es de obra...

em uma voz que ningu�m ouve:

"Algu�m viu minha tartaruga, a Skipperdee?"

Sou Erica Bain e voc�s ouviram "Caminhada pela Rua", na WNKW.

- Esta � a 90, 1, WNKW. - Pronto.

- At� a semana que vem. - Boa semana, Erica.

J� vou indo.

Eloise significou mesmo tanto para voc�?

Qual �, Carol? Voc� nunca foi crian�a?

N�o do tipo que se lembra do nome da tartaruga.

Mas foi um bom programa.

Bravo ligou de novo para falar do comercial de TV.

Sabe de uma coisa? Eu n�o sou um rosto, sou apenas uma voz.

E os programas est�o na internet. As pessoas podem baixar de gra�a.

- Sim, exatamente. - Talvez.

Tchau.

Al�?

- Ol�. - O que est� usando?

Avental verde, amarrado na cintura, gola em V muito sexy...

mangas curtas, um luxo!

E o bon� verde sexy? Ainda tem?

Na minha m�o.

Gosta deste mais do que dos outros, menos, ou igualmente?

Sim. Estou na loja...

e queria ter certeza de que gosta do creme e laranja.

Sim, creme e laranja.

Na verdade, � baunilha, n�o creme. Mas tudo bem.

Na verdade, � baunilha, n�o creme.

Quem se importa? Vamos nos casar hoje!

Sua m�e se importa. Acredite, ela quer convites.

Sim, vou querer estes. Obrigada.

Se voc� se encontrar comigo na mostra de fotografia da Nicole...

s� ter� que falar comigo, prometo.

- Talvez. - Por favor!

- Tenho um jogo, n�o? - Voc� n�o vai?

- Ou�a, preciso desligar. - O qu�?

Amo voc�.

Eu tamb�m amo voc�.

- Oi. - Oi. Ah, voc� � o James.

- Sou a Erica, amiga da Nicole. - Oi.

Belas fotos. Muito legais. Eu adorei.

A lavanderia � em New Jersey, onde Diane Arbus lavava a roupa dela.

Ah, �?

A loja de armas � em Chinatown.

Foto de Berenice Abbott, anos 30.

Puxa, � realmente evocativa, sabe?

Bem silenciosa. Gosto disso. N�o retrata a��o demais.

Obrigado.

Mais bebidas, menos camar�o.

Aonde voc� vai? Vai embora, n�o?

N�o, vou ficar. Vou ficar.

Oh, Deus, voc� mente muito mal!

Eu sei, mas eu tento.

Conven�a-o a vir a pelo menos uma mostra.

Ele n�o pode nos evitar para sempre. Meu Deus!

O que faz aqui?

- N�o adora esta mulher? - Para mim, � indiferente.

Ei, gente!

Essa coisa, quando come�a, � um horror. Voc�s est�o felizes demais.

- Tchau. - Diga tchau.

- Odeio voc�s. - Adoro voc�.

Eu realmente odeio voc�s!

Meu Deus, a noite est� t�o linda!

Ou�a, vou busc�-lo. Fique aqui sentado.

N�o, deixe que eu vou.

- Certo. Voc� traz minha jaqueta? - Tudo bem.

Tome. Leve isto.

Obrigado.

Eu consigo abrir minha porta.

Obrigada.

Muito bem. Muito bem.

Oi, menino!

Tome.

Vai ser rabugenta assim quando ficar mais velha?

J� estou mais velha. E bem mais malvada.

Veja, ela me deu uma ma��. Tome, amor.

Ent�o, ela � humana.

Que mordida grande!

Foi grande demais. N�o falei que voc� podia comer a ma�� toda.

Sabe de uma coisa?

Eu podia tirar uns 5 dias e n�s pod�amos ir a um lago ou praia e...

comer bem e dormir muito.

Tamb�m acho.

Aqui. Bom garoto!

Bom garoto!

N�o d� para ele. Jogue!

Eu n�o estava brincando, sabe?

Sobre o qu�?

Por que n�o vamos � Prefeitura esta noite?

Porque est� fechada.

Ent�o, amanh�.

David, voc� tem fam�lia. Eu n�o tenho.

N�o vai casar com minha fam�lia.

Bem, vou, de certa forma.

Isto �, espero que sim.

Sua m�e � t�o am�vel e quer nosso casamento nos moldes tradicionais.

Ela quer convites...

a banda tocando e o padre.

Sei l�, talvez eu tamb�m queira, sabe? Porque...

eu n�o vou fazer isso duas vezes.

N�o vai?

N�o, n�o vou.

� a coisa mais bonita que voc� j� me disse.

Onde est� o Curtis?

Ei, Curtis!

Venha, garoto!

Venha, menino! Ele subiu a�?

- Ele n�o est� a�, est�? - Venha!

Curtis?

- L� est� ele. - Curtis.

- Venha, garoto! - Curtis, venha!

Ei, Curtis?

Curtis.

O que foi?

O que houve, querido?

N�o sabe que, por lei, � obrigat�rio o uso de coleira?

�, voc� n�o sabe disso?

Sim, desculpe. Obrigado por t�-lo encontrado.

Est� tudo bem, irm�o. Tudo bem.

Mas...

n�o vou receber uma recompensa?

Nossa gratid�o. D�-me o cachorro.

Qual �, cara? Sabe que gratid�o aqui n�o vale nada.

- Voc� o est� machucando! - D�-me!

N�o, n�o vou dar. Gostei deste cachorro.

� um bom cachorro para se ter.

Sorria, boneca.

Voc� � um idiota!

V� se ferrar! Vamos l�, miser�vel! Foi o que imaginei, seu covarde!

- Ou�a... - V�.

N�o tenho muito dinheiro aqui. Leve o que tenho!

D�-me seu rel�gio e seu anel! N�o tenho o dia todo!

Ande logo, princesa!

- Mexa-se, princesa! - Passe as coisas!

- Venha aqui. - Merda!

- David! - Ah, n�o gravei essa!

Aonde voc� vai?

- A��o! - Pensa que vai me escapar?

Ganhei meu dia!

Tirei sua virgindade!

Vamos dar uma surra neles.

Pronta para um close, vadia?

Aten��o!

Oh, Hollywood!

Pensa que vai me escapar?

N�o tem nada a dizer agora, imbecil!

David.

Que gracinha! Os pombinhos!

Uma piranha e um veado.

Diga "xis", vadia!

Pronto-Socorro. Pois n�o?

- Voc� dormiu? - N�o. Onde est� o Murrow?

N�s o estamos procurando.

J� chegou morta. H� digitais dela na arma toda.

- Onde? - No quarto.

A filha ligou para o 911.

Obrigado.

Quero v�-la.

Ele levou a melhor outra vez.

A filha est� na sala de espera com a assistente social. Vejo voc� l�?

Precisamos da sua assinatura aqui.

Onde ela est�?

Posso falar com ela?

Pode tentar.

Oi, boneca.

Posso falar com voc�?

N�s estaremos aqui, est� bem?

Gosta de pirulito?

Escolha um.

Era o que eu ia escolher.

Ou�a, boneca...

fique sabendo que sua m�e estava muito preocupada com voc�.

E, se ela pudesse, ela diria a voc� que pode confiar em mim.

Seu padrasto machucou sua m�e?

Sean? Sean!

Para tr�s!

- Quero minha filha! - Para tr�s!

Est� bem, est� bem!

- Voc� n�o tem esse direito. - Tenho, sim.

Em uma hora dessas, preciso v�-la.

N�o, n�o precisa. Tenho o direito.

- Ela � minha filha. - N�o, � sua enteada.

E voc� sabe como isso funciona.

J� passou por isso muitas vezes.

Contrata seus advogados e faz como lhe conv�m.

Mas agora, vamos fazer como nos conv�m.

Vou dar uma volta. Encarregue-se dele.

Tudo bem.

Era o Dr. Sterling. Certo, tchau.

Que coisa terr�vel!

Ouvi o programa dela uma vez.

Erica?

Erica, est� me ouvindo?

Erica?

Voc� realizou o enterro?

N�o sabiam quando voc� ia acordar, nem se voc� ia acordar.

Ficou tr�s semanas em coma.

N�s tivemos que sepult�-lo.

Eu quero v�-lo de novo.

- Ele se foi. - Quero v�-lo de novo!

Ele se foi, querida.

Ele teria ficado feliz por voc� ter sobrevivido.

Enfermeira Bench, voc� est� sendo chamada no 14.

N�o sei, todos os rostos est�o come�ando a se confundir.

N�o saberia dizer, entendem?

Ajude-nos, precisamos de alguma informa��o, qualquer uma.

Vamos come�ar tudo de novo.

Ele bateu no seu namorado com o cano. Uma vez, duas vezes, tr�s?

- Sabemos que � duro reviver isso. - Sabem?

Ou�a, Srta. Bain, estamos do seu lado.

Eu sei disso.

Voc�s s�o os mocinhos.

Ent�o, por que n�o parece?

Por favor, deixe seu recado para David e Erica ap�s o sinal.

Oi, sou eu. Ligue para mim na galeria.

Voc� vai sair comigo. Vamos jantar, vamos ao cinema...

ou dar uma volta, qualquer coisa, est� bem?

Em que posso ser �til?

Detetive O'Connor ou Detetive Pitney, por favor.

Pitney e O'Connor n�o est�o. Algu�m mais pode ajudar?

Eu queria informa��es sobre meu caso.

N�o conseguimos nos falar por telefone, ent�o resolvi vir aqui...

Tudo bem. Qual � o seu caso?

Meu namorado foi espancado at� a morte.

Eu sinto muito. Tem o n�mero da den�ncia?

N�o, eu n�o sei.

Qual era o nome dele?

David Kirmani.

K-I-R-M-A-N-I.

Talvez esteja como Erica Bain.

Quando aconteceu, mais ou menos?

No dia 11 de junho.

Certo. Sei que � dif�cil, mas...

se puder ter um pouco de paci�ncia e sentar ali...

logo mais, um policial vir� ajud�-la.

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LOJA DE ARMAS JOHN JO VINO

ARMAS DE FOGO E EQUIPAMENTO DE DEFESA

Posso ajudar?

Sim, quero comprar uma arma.

Licen�a?

Ah, sim, claro, preciso de uma licen�a.

Quando tiver, preencha o formul�rio.

Entraremos em contato em 30 dias.

Preciso de alguma coisa j�.

Sinto muito. � ilegal.

N�o vou sobreviver 30 dias.

- O que aconteceu com voc�? - Comigo? Nada.

Mil d�lares.

Mil d�lares? Est� bem, mas preciso aprender a usar.

N�o diga!

Venha comigo.

Espere aqui.

Aqui dentro.

� uma Kahr K-9. Veja se est� carregada.

Como fa�o isso?

A c�mara. Puxe o ferrolho para tr�s.

Tem um mecanismo de seguran�a, para que n�o atire em voc� mesma.

Certo.

Se pagar agora, � sua.

E eu coloco as balas.

Vou ficar com ela.

N�o devia fumar. Isso vai matar voc�.

N�o me importo.

H� muitas formas de morrer.

Mas � preciso achar uma forma de viver.

E... isso � dif�cil.

Olhe s� para voc�, toda sofisticada.

N�o devia trabalhar at� t�o tarde.

Tive um jantar com um cliente.

Traga um mart�ni seco para ela.

Falou que se tratava de trabalho.

Exato.

Cancele o pedido.

Muito bem, preciso de um favor seu.

Ouviu falar do caso Murrow, certo?

A esposa dele se matou.

Qual �? Mulher n�o atira no pr�prio rosto.

N�o na minha experi�ncia.

Em que parte do pr�prio corpo a mulher atira, na sua experi�ncia?

No cora��o.

Jackie, estou...

tentando pegar esse idiota h� tr�s anos.

E quando a esposa estava para entregar provas contra ele...

em vez de revelar a verdade sobre ele, ela se d� um tiro na cabe�a.

- Ora, por favor! - Voc� n�o desiste, certo?

Bem, o que eu posso fazer?

Bem, ela tem uma filha. Tinha uma filha.

E...

a filha dela sabe de alguma coisa.

Mas agora ele pediu a guarda dela, e vai conseguir.

- Ele � pai dela? - N�o, padrasto.

- Voc� a quer sob tutela do tribunal. - Sim.

Ela sabe de alguma coisa e n�o est� segura com ele.

Ou�a, eu s� estou pedindo que voc� a represente. Por favor.

Sean, sou sua ex-esposa.

Conflito de interesses.

Al�m disso, eu n�o trabalho de gra�a.

Voc� trabalhava.

Bem, eu cresci.

Quando voc� saiu?

- N�o posso ver as crian�as? - Foi proibido de vir!

- Vou ligar para o 911! - Se eu n�o posso, nem voc� as ver�.

Tente v�-las agora!

O dinheiro � meu tamb�m!

Estou ouvindo voc� respirar.

- Investiga��o de Homic�dios. - Avise quando chegar.

- Droga. - Estamos na 110 com a Lennox.

Entendido. Informe o supervisor da sua chegada.

Entendido.

Parece que o circo chegou � cidade.

Identidade?

A v�tima � uma vietnamita de 30 anos. Ida Combs.

- E o outro corpo? - Por aqui.

Sandy Combs, 39 anos. Homem branco.

Parece acompanhante do Aerosmith. N�o deviam ter plano de sa�de.

Ficha criminal maior que meu pinto.

Ou seja, n�o tinha antecedentes.

Qual �?

Ent�o, temos um Sandy Combs e uma Ida Combs. O que isso revela?

S�o casados. At� a� eu j� tinha chegado.

� um modo de acabar o casamento.

O que o div�rcio tem de ruim?

Tudo.

Div�rcio � uma merda.

Bom, fale.

Bem, ela levou tr�s tiros no torso. Calibre 38.

A�, algu�m o matou com uma pistola 9 mm. N�o pergunte quem.

E encontramos estas c�psulas.

Tr�s. H� uma digital parcial em uma delas, mas est� borrada.

Algu�m checou a c�mera?

O monitor funciona, mas ela est� vazia.

A c�mera funciona.

- Onde est� a fita? - N�o sei.

E por que ele n�o levou o dinheiro?

Por medo. Ficou apavorado.

Temos tr�s c�psulas. S� acertou uma bala. Por qu�?

Vai ver tem hipermetropia. Talvez atire mal.

Ou nunca tenha disparado uma arma.

�...

surpreendente...

estarrecedor, descobrir que...

dentro de voc� h� uma pessoa estranha.

Uma pessoa que tem seus...

bra�os...

suas pernas...

seus olhos.

Uma estranha insone e irrequieta...

que continua andando...

continua comendo...

continua...

vivendo.

Nova York, como toda metr�pole...

Nova York, como toda metr�pole, � um organismo em muta��o.

Edif�cios brotam, alterando o DNA das suas ruas.

Nova York, como toda metr�pole, � um organismo em muta��o.

Edif�cios brotam, alterando o DNA das suas ruas.

Ou�a, tenho dois programas que j� est�o quase conclu�dos.

J� est�o mixados, s� precisam de uma introdu��o e uma conclus�o.

E tenho seis em diferentes est�gios.

Tenho muitas hist�rias nos meus arquivos. Material novo, melhor.

Sei o que estou fazendo. E voc� sabe que sei o que estou fazendo.

Erica, voc� passou por uma experi�ncia terr�vel.

Precisa de mais tempo antes de retomar o trabalho.

- N�o me fa�a implorar. - N�o pretendo.

Mas temos um p�blico, e n�o sei se voc� est� preparada.

N�o posso trabalhar por causa do que me aconteceu?

Eu n�o disse isso.

Ou�a...

eu s� preciso continuar vivendo.

Eu n�o quero...

N�o quero desaparecer.

Lembrem-se, esta � a WNKW, 90, 1, operando em frequ�ncia modulada.

A seguir, "Caminhada Pela Rua".

Com voc�s, Erica Bain, nos est�dios da WNKW.

Muito bem, Erica, tr�s, dois, um, voc� est� no ar.

Sou Erica Bain e caminho pela cidade.

Nova York...

como toda metr�pole, � um organismo...

Temos alguma outra coisa para transmitir?

M�sica? Algo pr�-gravado?

D�-me um minuto, Carol.

Nova York...

como toda metr�pole...

�...

Merda!

Nova York...

a cidade grande mais segura do mundo.

Mas � horr�vel...

temer o lugar que um dia voc� amou.

E ver uma esquina que voc� conhecia t�o bem...

e ter medo da sua sombra.

Ver degraus familiares e ser incapaz de subir.

Nunca entendi como as pessoas podiam viver com medo.

Mulheres com medo de ir para casa sozinhas...

pessoas com medo de...

p� branco em suas caixas de correio...

da escurid�o e da noite.

Pessoas com medo de pessoas.

Sempre achei que eram os outros que sentiam medo.

Pessoas mais fracas.

O medo nunca me atingia.

E ent�o, ele atingiu.

E quando ele atinge, voc� descobre...

que ele estava l� o tempo todo...

esperando, sob a superf�cie de tudo aquilo que voc� amava.

Voc� sente a pele formigando...

seu cora��o adoece...

e voc� olha para a pessoa que um dia voc� foi, descendo a rua...

e voc� se pergunta se...

um dia voltar� a s�-la.

Fale comigo.

Olhe s� este idiota.

O que est� ouvindo, cara?

Por que esse idiota n�o responde?

Ningu�m mais fala em Nova York? Eu lhe fiz uma pergunta!

Perguntei o que est� ouvindo, seu veado!

- Radiohead, cara. - Radiohead?

Deixe-o em paz!

Cale a boca, cara!

N�o sabia que seu pai chupa pau, sabia?

E � bom nisso! Quer ser como ele quando crescer?

Belo rel�gio. Qual � a sua idade?

- Caiam fora daqui. - Lembran�as � sua m�e.

� s� chamar, garoto, e ensino voc� a ser um g�ngster!

Ei, cara, obrigado pelo iPod.

Legal esta coisa. Tem tudo a ver comigo.

- Vou ficar com isto. - Eu n�o acredito!

Isto � irado.

Merda!

Deixe essa comigo!

Voc� � maluca?

� f�cil demais, cara.

E a�...

tamb�m tem um Radiohead para mim?

Voc� j� foi rasgada por uma faca?

Eu devia ter sa�do daquele metr�.

Eu podia ter mostrado a arma e eles n�o me teriam machucado.

Por que minhas m�os n�o tremem?

Por que algu�m n�o me det�m?

Juro que eles gostam de biscoito.

Homic�dios, Vitale falando.

J� vai fazer seu n�mero de novo.

De cabe�a para baixo, n�o. Suba. Tem que subir. Isso!

Est� bem, obrigado.

Duas pessoas baleadas em um metr� vindo do Brooklyn.

Na baixa Manhattan. Est�o discutindo de quem � a jurisdi��o.

- Ent�o, � nossa. - Vamos, pessoal.

Temos dois mortos dentro de um vag�o e nenhuma testemunha.

Claro. E a Divis�o de Investiga��o Criminal?

Deram-me este impresso.

- J� chegaram? - Sim, senhor.

Vou cham�-los j�.

Bom dia.

Santo Deus!

Bem, espero que seja a �ltima corrida deles.

M�sicas do Radiohead, U2, Dixie Chicks.

- Nenhuma do Wu-Tang? - N�o deve ser dele.

Dinheiro no bolso dele.

Parece uma autom�tica 9 mm.

- Como a da outra noite? - �.

Veja com a Bal�stica se � a mesma arma.

Oi, voc�.

Ambos tinham dinheiro. Nenhum deles foi roubado.

E tinham antecedentes.

E n�o eram poucos!

O cara no Sandy's tinha antecedentes.

Sim, mas foi um caso dom�stico.

Mas ele n�o foi roubado.

Ou algo assim.

O que n�o estamos compreendendo?

Bem que eu queria saber.

Ou�a, um cara pequeno est� sentado.

Esses dois delinquentes v�o at� ele com uma faca.

Ele atira no primeiro sem nem sair da cadeira.

Certo. Continue, estou entendendo.

Talvez esse cidad�o comum tenha decidido: "N�o vou aguentar mais.

Vou agir por conta pr�pria." O tipo de cara que passa despercebido.

Se for verdade, ele est� melhorando.

�. Acertou todos os disparos.

- Detetive! - Detetive!

Alguma pista, detetive? Por favor.

Para tr�s!

E os corpos, detetive?

� uma investiga��o nova.

Ainda n�o conversamos com ningu�m.

� uma investiga��o novinha!

- Algum suspeito? - N�o. Desculpe, mas n�o...

Detetive!

Desculpe, eu n�o conhe�o voc�?

- N�o creio. - N�o, espere a�, conhe�o voc�.

- N�o conhece. - Qual � seu nome?

� Erica Bain. Tenho um programa de r�dio.

N�o sei se est� interessado em uma entrevista. Eu adoraria...

N�o vamos falar com a m�dia no momento.

N�o sou esse tipo de m�dia. Seria sobre voc�.

Minha vida n�o � t�o interessante.

- Mas o seu trabalho �. - N�o, obrigado.

E a�...

tamb�m tem um Radiohead para mim?

Voc� j� foi rasgada por uma faca?

JUSTlCElRO? Massacre no Metr�

Como a not�cia saiu t�o r�pido?

O m�dico-legista odeia voc�, as pessoas, os t�cnicos. Quem sabe?

Massacre.

Alguma vez ouviu a NKW?

- O que toca, hip-hop? - N�o.

Lembra-se da garota e o namorado que h� uns dois meses...

foram atacados no Central Park?

N�o, quais?

Seja como for, ela tem um programa de r�dio.

Ela foi ao metr� ontem, e adivinhe quem ela queria entrevistar?

A mim?

O qu�, voc�? Deveria concordar. Lembra-se do caso Bernie Goetz?

Carter est�?

Rep�rteres s�o loucos por isso.

N�o, ela n�o � esse tipo de rep�rter.

Fale para ele me ligar.

O que ela �? DJ ou algo assim?

- N�o, apenas � interessante. - Interessante?

Sim, fale para ele me ligar. Mercer.

O que quer com voc�? D� meu telefone.

Qual � o endere�o dela?

Sabe o que eu quero?

Todos que estavam na loja naquela noite...

todos que estavam no metr�, quero que sejam todos trazidos aqui.

Algu�m deve ter visto esse cara.

Consiga o n�mero de registro do iPod.

- Veja a quem pertence. - � para j�.

Voc� tem me evitado.

- N�o tenho. - Tem.

Tem evitado encarar a minha total desaprova��o.

O programa estava uma droga e todo mundo detestou. Sinto muito.

N�o costumamos ficar no ar em sil�ncio na WNKW.

Voc� conseguiu ficar quase um minuto.

Acho que consegui remediar bem. Portanto...

Faltam onze passos para sua recupera��o. Vai transmitir todos?

Preferia nosso programa a esses em que as pessoas contam desgra�as.

Mas a aceita��o tem sido boa.

Eu me enganei. Sou madura o bastante para admitir. Continue.

Erica Bain?

Erica Bain.

Sou o Detetive Mercer.

Lembra-se de mim, de ontem?

- Eu me lembro. - Bem...

vi voc� no hospital... depois...

do que aconteceu com voc� e o seu amigo.

Meu amigo?

Bem, passei no seu quarto porque reconheci seu nome.

Minha esposa sempre ouvia seu programa e...

foi por isso que eu parei voc� no metr�.

S� queria que voc� soubesse.

Obrigada.

Sabe, foi perturbador.

Realmente, foi. Voc� estava inconsciente.

E ver algu�m...

que n�o pode ver voc�...

Mas agora voc� est� de volta.

Sim, eu estou de volta.

Muita gente n�o volta.

Eu sei disso.

Eu sei que voc� sabe.

Sabe...

eu examinei seu caso.

- Examinou meu caso? - Sim.

Dois dos melhores detetives da cidade est�o investigando o caso...

e n�s vamos encontr�-los.

Sempre encontramos.

Os policiais s�o sempre t�o confiantes?

Est� me entrevistando agora?

- Acho que estou. - Certo.

Tudo bem.

Quanto tempo isso vai demorar?

Cinco minutos, no m�ximo. Pode ser aqui mesmo.

Quando vai ao local de um crime...

o que voc� procura?

Provas.

Do tipo?

Arma do crime, perfura��o de bala...

amostras de DNA, digitais, res�duos de carbono...

posi��o do corpo.

� incr�vel o que um corpo sem vida pode dizer.

Ent�o, os mortos falam?

Sim, todo mundo fala.

Bem, todo mundo mente. Mas os mortos n�o podem mentir.

Mas a�, as mentiras tamb�m revelam coisas, porque...

as pessoas as dizem por uma raz�o.

E aqueles corpos no metr�, o que eles dizem?

Voc� leu o jornal.

Devo acreditar no que leio?

HOJE ELE CONSEGUlU A GUARDA DA ENTEADA DE 10 ANOS

Alguma vez leu sobre ele?

Por que eu o conhe�o?

� Murrow. Os estacionamentos da llha Roosevelt s�o dele.

Mas n�o � s� o que ele faz.

O que mais ele faz?

- Quer mesmo saber? - Sim.

Ent�o, � confidencial.

Est� bem.

Ele importa drogas, armas, pessoas. Tudo o que tiver procura.

Achei tr�s caras que o tra�ram...

com as m�os coladas a uma mesa e com cimento em suas gargantas.

A esposa ia testemunhar contra ele...

e foi encontrada com um tiro na cabe�a e uma arma na m�o.

Nada � legal, exceto seus advogados.

E agora, conseguiu a guarda da enteada...

mas n�o por raz�es sentimentais.

Ele sabe que ela sabe de algo...

e detesto pensar no que acontecer� com ela, mas...

voc� pode conhecer um lado melhor.

Por que n�o pode prend�-lo?

Porque eu sigo a lei.

N�o h� nada que possa fazer?

Nada que seja legal.

Eu n�o disse isso.

Eu n�o ouvi isso.

Obrigado.

Nada que seja legal.

Bem...

n�o h� nada que possa fazer?

N�o, por pior que eu me sinta com isso.

Entrei com um pedido para ela ficar sob tutela do tribunal...

mas os advogados dele fizeram com que meu pedido fosse negado.

J� matou algu�m alguma vez?

J�.

Suas m�os tremeram?

N�o.

� uma das vantagens de estar do lado certo.

Uma vantagem que esse idiota e o atirador do metr� n�o t�m.

Voc� acha que s�o a mesma pessoa?

Em nenhum dos casos levou nada, certo?

Deixe-me fazer uma pergunta.

S� entre n�s dois.

Como voc�...

conseguiu superar o que lhe aconteceu?

A gente n�o supera.

Desculpe.

- Tudo bem. - Pergunta idiota.

� uma pergunta justa.

A gente se torna outra pessoa.

Um estranho.

Voc� devia am�-lo muito.

Sim.

�s vezes, isso torna mais dif�cil.

Voc� queria n�o ter amado tanto.

Mas pergunte mais sobre a conduta policial.

Ou terminamos?

J� chega.

Obrigado.

Tome.

� meu cart�o.

Se quiser falar do seu caso, ligue para mim. Quando quiser.

Fique sabendo...

que eu n�o durmo.

Nem eu.

Ando pelas ruas � noite, agora.

Encontro lugares e coisas que nem sabia que existiam.

Mas eu as estou encontrando, ou elas � que est�o me encontrando?

J� matou algu�m alguma vez?

J�.

Suas m�os tremeram?

N�o. � uma das vantagens de estar do lado certo.

Palavras do detetive que investiga o crime de ontem no metr�.

Como todo bom policial, ele acredita na lei...

no certo e errado, e na t�nue e fr�gil linha entre ambos.

E ele deve estar se perguntando, enquanto falo...

por que algu�m est� fazendo seu trabalho por ele.

Oi, gata.

Ol�.

O que me conta?

N�o muito.

Cinquenta d�lares est� bom para voc�?

- Ela n�o deveria estar em casa? - Ela n�o tem casa.

Tem, boneca?

Para onde?

Entre.

Quer um show no banco de tr�s?

� isso a�.

Como voc� se chama?

Chloe.

O que ele tem em mente, Chloe?

A vadiazinha precisa de uma mam�e.

Voc� � uma mam�e?

� uma prostituta, certo?

Eu coleciono prostitutas.

Sabe os homens-bomba do Iraque?

Quando morrem, querem 72 virgens. Eu quero prostitutas.

E quero enquanto estou vivo.

Ou�a, Chloe e eu vamos dar uma voltinha.

N�o v�o a lugar nenhum.

Nunca entre no carro.

H� quanto tempo est� nele?

Quatro...

cinco...

seis dias.

Desde...

Las Vegas.

Mas agora quer sair, n�o quer?

Quero.

Vai me dar trabalho de novo?

Nossa, temos uma supervadia!

Abra as portas.

E se eu n�o abrir?

Serei a �ltima supervadia que voc� ter� visto.

Saia do carro, Chloe. Ande!

S� depois que ele me pagar.

Muito bem, pague a garota.

Vamos l�!

Devagar.

Tudo.

Tudo!

Vamos, ande.

N�o se vire. Continue andando.

Voc� tem fam�lia em Las Vegas, Chloe?

N�o. Fui de Albuquerque para l�.

Agora tem dinheiro suficiente para ir para casa.

A vadia vai ver s�.

Saia da frente!

Voc� est� bem. Voc� est� bem.

Vou virar voc�.

Pronto. Eu sinto muito. Aqui.

Ainda...

estamos nos Estados Unidos?

Sim. Sua perna est� quebrada.

Quem diabos � voc�?

Ningu�m.

N�o h� como voltar a...

ser aquela outra pessoa.

Ela desapareceu.

Essa coisa, essa pessoa estranha...

� s� o que voc� � agora.

Andando para se refrescar?

Sim.

Voc� est� bem?

Suas m�os est�o geladas.

Seu batom est� borrado.

Erica. Erica!

Voc� nunca disse meu nome antes.

Ouvi seu programa.

Certo e errado?

O exame de bal�stica revela uma liga��o entre o crime de ontem...

o crime da loja e o do metr�. Portanto...

Ent�o, a mesma arma foi usada nos tr�s crimes?

Bem, � o que tudo indica.

Dizem que a testemunha pode dar a descri��o do justiceiro...

mas recusa-se a falar.

Pode repetir?

A testemunha se recusou a dar uma descri��o?

N�o, a testemunha est� consciente...

fala com coer�ncia e, em breve, n�s vamos interrog�-la.

Obrigado. Isso � tudo. Chefe.

Por favor, pessoal.

� tudo o que podemos informar no momento.

Muito obrigado.

Oi.

Voc� se saiu muito bem.

Eu tentei.

Esse cara est� se tornando uma obsess�o para voc�?

N�o, � voc� que me interessa.

Por que eu?

Bem, voc� parece um bom homem, sabe? Um bom tira.

N�o quero que fa�am meu trabalho por mim.

Ouviu meu programa.

Ouvi.

� que todos os rep�rteres naquela sala v�o fazer sensacionalismo.

Mas voc� n�o.

N�o faz esse tipo de coisa.

Como pode saber?

Seu programa.

Meu programa?

Sim.

Sabe, minha esposa...

- n�o ouvia seu programa. - N�o?

Eu ouvia.

N�o condiz com o perfil do meu ouvinte.

- Nem voc� condiz com sua voz. - N�o?

N�o. Voc� � bem mais bonita e tem uns 50 quilos a menos.

Como est� a garota?

Est� bem machucada.

Teremos mais informa��es amanh�.

Bem...

espero que ela fique boa.

Oi.

Viu as fotos do crime do metr�?

- Um horror. - Mataram outro ontem.

Desta vez, um pervertido.

O pr�ximo ser� Donald Trump?

- Isso � incitamento. - �, e justificado.

- Queria que pegasse minha ex. - Acha engra�ado?

Acha engra�ado inje��o letal tamb�m?

- Tipo estranho ou gozado? - Voc� � doente!

Voc�s todos s�o doentes.

Quero que voc� atenda liga��es dos ouvintes no seu programa.

Sobre o qu�?

Voc� os ouviu.

Refere-se aos crimes? Ao caso do justiceiro?

Acha mesmo que � apropriado?

Por que n�o?

Voc� disse que n�o gostava desse tipo de coisa.

N�o gosto. Mas voc� � boa nisso.

Em que sentido?

Voc� � uma sobrevivente.

- N�o pe�o que exponha seu caso. - Ah, n�o?

N�o mais do que voc� j� fez.

"A alma americana �, em sua ess�ncia, insens�vel...

individualista, est�ica e assassina.

Nunca se fundiu."

Cito essas palavras de D.H. Lawrence...

porque algu�m est� bancando Deus...

matando em nome da justi�a, nesta que �...

a cidade grande mais segura do mundo.

E porque hoje me pediram para fazer algo que nunca fizemos...

atender telefonemas dos nossos ouvintes.

� algo novo, mas, repito, queremos ouvir a sua opini�o.

Portanto, ligue para 212-165-9990.

Primeiro ouvinte. Oi, voc� est� no ar.

Para mim, ele est� nos fazendo um favor.

Por qu�?

Apesar do que a m�dia nos diz...

est� nos livrando de quem tem cometido crimes.

E acha que ele tem esse direito.

- Acho. - Pr�ximo ouvinte. Est� no ar.

Trata-se de assassinato.

Pena de morte sem um julgamento.

O justiceiro � como as pessoas que ele mata. Devia estar na cadeia.

Talvez ele v�. Pr�ximo ouvinte.

Voc� est� no ar.

O que mais importa � como a gente se sente.

Todo mundo que conhe�o...

sente algum tipo de prazer ao saber de...

- Prazer? - Vingan�a d� uma sensa��o boa.

Por isso h� guerra, pena de morte...

Pr�ximo ouvinte. Voc� est� no ar.

Acho que � bom para Nova York.

A cidade estava se tornando uma Disneyl�ndia.

Resgatamos nossa credibilidade.

Pr�ximo. Voc� est� no ar.

O que h� com nossa sociedade...

para esse tipo de coisa estar no r�dio?

Vingan�a, homic�dios, crimes do justiceiro.

A cat�strofe do Iraque n�o nos ensinou nada?

"Matem os bandidos, que venham!"

Sou sua f�. Nem posso acreditar que est� falando...

Nem eu. Voc� est� no ar.

Ser� que o justiceiro tem namorada?

Acho sexy um cara...

- Sexy? - �, totalmente.

Se ele estiver ouvindo, meu n�mero � 2...

Voc� est� no ar.

Oi, aqui � o justiceiro.

O cara que faz o servi�o. Posso dar �quela garota...

- Preciso falar com algu�m. - Posso ajudar?

Sim.

Preciso falar sobre um homic�dio.

Nome?

Erica Bain.

Ela foi a v�tima?

N�o. Ela n�o foi a v�tima.

Ela foi...

- Ela �... - Nenhuma Erica Bain em Homic�dios.

- Bem, talvez devesse haver. - Como?

Nada.

Tamb�m vai me dar um Radiohead?

Desgra�ada!

Voc� � uma mam�e? � uma prostituta, certo?

Erica?

� voc�?

Porque n�o tinha tempo para a Morte...

ela, gentil, veio buscar-me.

Erica?

A carruagem s� nos levou. E a Imortalidade.

Erica?

Mercer.

Oi, sou eu, a Erica.

Eu sei.

Est� tudo bem?

Sim, eu...

eu queria conversar e, por alguma raz�o, pensei em voc�.

Tudo bem.

O que est� havendo?

O que faz quando n�o consegue dormir?

Nada.

N�o � dif�cil?

N�o fazer nada?

N�o, voc� acaba se acostumando.

Erica?

O que est� acontecendo? Fale comigo.

Dormia melhor quando sua esposa estava ao seu lado?

Eu dormia.

Eu s� sentia meu corpo se os bra�os dele me envolvessem.

Minha esposa costumava...

virar-se a noite toda.

Eu a chamava de peixinho.

Mas n�o � a pior coisa do mundo, acordar por causa disso.

Quer que eu fique ao telefone at� voc� pegar no sono?

N�o.

Voc� foi legal comigo.

Durma bem.

Atraso de quanto?

N�o estou pedindo demais. Disse que estaria a�, e � bom que esteja.

Acha que pode machucar os outros?

- O qu�? - Fazer mal e sair ileso?

N�o sabe as marcas que deixa?

- Conhe�o voc�? - Voc� pensa nisso?

Perde o sono por isso?

- Isso assombra voc�? - Como?

A mim assombra.

O que voc� �, um desses paparazzi pirados?

Tem uma c�mera a�?

Voc� n�o pode tirar foto minha.

Voc� vem � minha casa tirar uma foto minha?

Sua idiota!

- Voc� � da pol�cia? - Seria sorte sua!

Parece que ele caiu l� de cima.

A causa da morte pode ser a queda ou o p�-de-cabra enfiado na cabe�a.

As chances s�o iguais.

Qual �?

Ou 70-30%, talvez?

Ora, quantas pessoas queriam esse miser�vel morto? Al�m de n�s?

Muitas pessoas. O problema � que ele conhecia todas elas.

N�o deixaria ningu�m se aproximar tanto.

Acha que algu�m nos fez um favor? Dev�amos dar um sal�rio a ele.

Algu�m acha que est� fazendo nosso trabalho por n�s...

dizendo: "Ei, policiais de Nova York, vou mostrar para voc�s.

� assim que se faz."

- Tire uma foto. - Detetive!

Come�amos de novo! Volto j�.

Erica, voc� est� bem? Meu Deus!

- V� embora. - Oh, meu Deus!

- V� embora! - N�o, n�o vou embora.

N�o me toque! Estou doente.

Eu estou vendo.

- Voc� tem que ir a um hospital. - N�o.

N�o!

- Por que n�o? - N�o posso porque...

Oh, Deus. N�o posso.

Em que encrenca est� metida?

Voc� n�o quer saber.

Voc� foi enfermeira?

Quando precisei.

Vai ficar uma cicatriz.

Matei um homem esta noite.

Porque ele lhe fez isso?

N�o.

Eu o teria matado de todo modo.

Na minha terra...

davam armas aos garotos.

E faziam com que matassem os pais.

S� para mostrar...

que qualquer um...

pode passar dos limites.

Qualquer um pode ser assassino.

Cada morte deixa um buraco...

esperando para ser preenchido.

O m�dico-legista informou a temperatura do f�gado?

Sim, ele estava morto h� umas duas horas quando chegamos.

Portanto, a que horas foi?

Por volta de 1 h, mais ou menos.

Droga.

Quero que todo mundo que estava no metr� e na loja...

seja trazido aqui de novo.

Ora, n�s j� fizemos isso.

Temos que fazer de novo. Analisar sob um novo prisma.

Atacou com um p�-de-cabra e jogou do parapeito.

Trata-se de um outro cara. Pense nisso.

Talvez.

Mas e o iPod? Voc� disse que pertencia a um garoto.

Pensei que eu tivesse dito. O pai � advogado.

Ele quer uma intima��o.

Fa�a o que for preciso, mas traga-o.

Certo, vou ligar j�.

Oi, Erica.

Eu s� queria saber como voc� dormiu.

Voc� quer ver o que eu fa�o?

Encontre-se comigo no Hospital Wynnward em Washington Heights.

Voc� vai ter uma id�ia.

East 14 com Broadway. Ningu�m confirmado no momento.

Ethan Grant, meu chapa. Bote seu traseiro hippie a�.

Est� fumando baseado?

Preciso falar com voc�.

Meu pai falou para n�o me envolver.

Ah, �? Seu pai sabe que voc� fuma maconha?

Hoje, isso � bem mais do que m� conduta.

- Eu n�o vi nada. - Acho que voc� viu.

Olhe para mim. Est� vendendo essa merda?

N�o.

Eu acredito em voc�.

Talvez um juiz n�o acredite. Venha, garoto. Pegue suas coisas. Vamos.

Obrigado por ter vindo.

De nada.

Bela jaqueta.

Obrigada.

A que horas voc� conseguiu dormir?

N�o sei, acho que logo depois que desligamos.

L� pela 1h, 1h30?

�, mais ou menos isso.

Eu acabei trabalhando a noite toda.

Sabe que n�o vai poder usar nada disso no seu programa. Certo?

Claro, se soubesse do que se trata.

Vamos entrevistar uma testemunha de um crime.

N�o � contra as normas?

�, mas tentei falar com ela duas vezes...

e pareceu nervosa de falar comigo.

Talvez, com voc� estando junto, ela fale.

Por que eu?

Porque voc� me fez falar.

Oi, Chloe.

Como voc� se sente hoje?

Bem.

Eu trouxe uma amiga.

Oi, Chloe.

Oi.

Agora, est� disposta a contar o que aconteceu naquela noite?

� um belo colar.

Voc� devia contar o que viu.

Seja o que for, conte a verdade.

Tudo bem.

Eu vi...

Eu n�o vi ningu�m.

Vamos l�, Chloe, conte-me a verdade agora.

E ningu�m me viu.

Est� bem.

Desculpe se isso aborreceu voc�.

Bem, lamento n�o ter podido ajudar mais.

Sem d�vida, parece que voc� a ajudou.

Com certeza, ela gostou do seu...

colar.

Significou muito para mim.

Erica?

Sim?

Por que ligou para mim ontem?

J� disse, eu n�o conseguia dormir.

E voc� estava na cama?

N�o. Eu n�o conseguia dormir.

Pode repetir por que n�o quis prestar queixa?

Para qu�? Para recuperar meu iPod?

Veja como fala.

Sei l�, eu tive sentimentos contradit�rios.

Fiquei contente por aqueles caras terem sido mortos.

- Ficou contente? - Sim.

Sei que n�o deveria, mas fiquei.

D� logo esse seu depoimento. Vamos l�.

Eu n�o vi nenhum justiceiro.

Os caras me bateram e levaram meu iPod.

A�, provocaram um negro que estava com o filho. E todos descemos.

Exceto uma mulher l� no fundo.

Uma mulher.

Sim, uma mulher. Ela ficou na dela.

Vai ver o justiceiro subiu na esta��o seguinte.

Pode descrever a mulher de forma que um artista fa�a um retrato?

Posso tentar.

Onde quer chegar com o retrato?

Ainda n�o tenho certeza.

Mulheres matam seus filhos, maridos, pessoas que elas amam.

N�o fazem isso.

N�o fazem?

Pense no primeiro momento em que a viu, est� bem?

Onde voc� estava. Onde ela estava.

Diga o que vier � sua mente.

Ela tinha cabelo loiro, eu acho.

L�bios bonitos.

E era magra.

Mas tinha um traseiro razo�vel.

Dava para saber porque...

- N�o vai desenhar o traseiro, vai? - N�o.

Tinha uma pele bonita.

Era macia.

E belos peitos.

Pequenos, como os da Kate Moss, mas ficavam bonitos com suti�...

Concentre-se no rosto.

Desculpe.

- Sabe do que me lembro? - Do qu�?

Ela parecia distante.

Isto �, alheia a tudo. Era meio assustador.

"N�o � creme.

� baunilha."

Voc� deixou um vazio em mim.

Mas n�o vou mais matar.

Est� me ouvindo?

J� chega.

Maravilha, � a Jennifer Aniston. Eu sabia que estava nos enrolando.

N�o, � um fen�meno que acontece com frequ�ncia.

A mente fica t�o lotada de imagens populares...

que fica dif�cil, sobretudo para os jovens, n�o relacionar algo com elas.

� Murrow. Os estacionamentos da Ilha Roosevelt s�o dele.

Mas n�o � s� o que ele faz.

O que mais ele faz?

- Quer mesmo saber? - Sim.

- Ent�o, � confidencial. - Erica!

Quem �?

� o Detetive Mercer.

Podemos conversar um minuto?

Sim, espere um instante.

- Oi. - Oi.

Eu liguei, mas ningu�m atendeu.

A campainha deve estar desligada.

Posso entrar?

Sim, claro. Entre.

Est� bem escuro aqui.

Eu gosto assim.

Tenho uma coisa.

Isto � seu?

Onde voc� achou?

Harlem espanhol.

Um policial prendeu a namorada de um suspeito tentando penhor�-lo.

Ele se encaixava na descri��o que voc� deu.

Oh, meu Deus!

Preciso de um favor seu.

Quero que venha � central e o identifique em uma fila de suspeitos.

N�o, eu n�o posso.

Est� nervosa, eu entendo, mas n�o estar� sozinha l�.

Eu prometo.

Vou pegar minhas coisas.

Obrigado.

O BANDlDO URBANO

Podemos ir.

Voc� vai ver cinco indiv�duos e eu vou lhe fazer tr�s perguntas.

Voc� reconhece algu�m? De onde o conhece? O que ele fez?

Luzes e cortina.

N�mero 1, aproxime-se do espelho.

N�o.

Sente-se. N�mero 2, aproxime-se do espelho.

N�o.

Sente-se. N�mero 3, aproxime-se do espelho.

N�o.

Sente-se. N�mero 4, aproxime-se do espelho.

Estou vendo todos. N�o � nenhum deles.

Sente-se.

Tem certeza?

Tenho.

Sinto muito.

Sinto muito mesmo.

Sinto tanto.

Droga, achei que o hav�amos pegado.

Acha que ela se apavorou?

N�o parece ser desse tipo.

N�o sei.

- Voc� est� bem? - Sim.

Parece que foi dif�cil para voc�.

Foi. Eu... esperava que finalmente fosse terminar.

Bem, estou de sa�da. Vamos comer alguma coisa.

- N�o, estou sem fome. - N�o, voc� precisa comer.

Mal me lembro das m�os.

Talvez voc� precise esquecer.

N�o posso.

Tenho saudades de quem eu era com ele.

Conhece esse sentimento?

Sabe...

� da Mong�lia. Foi presente da av� do David.

Falando em presentes...

uma noite dessas, algu�m me deu um presente.

Voc� se lembra daquele cara que vimos na TV, no caf�?

Aquele que estou tentando prender h� tr�s anos?

Algu�m mais devia ter algo contra ele, porque...

n�o foi uma execu��o com uma 9 mm.

Foi muito pessoal.

�, eu li a respeito.

Temos mais informa��es sobre o massacre no metr�.

Havia uma mulher no vag�o.

Procuramos, durante esse tempo todo, um homem com uma arma.

E era uma mulher com rancor.

Bem, existem muitas dessas.

Sabe, Erica, no in�cio da minha carreira...

eu fazia um teste comigo mesmo.

Eu me perguntava se...

caso um conhecido meu cometesse um crime...

eu teria a determina��o de prend�-lo.

Que tipo de conhecido?

Algu�m pr�ximo a mim.

Como o melhor amigo que eu tivesse...

que eu poderia esperar ter.

E?

Sempre esperei ter a coragem e a dedica��o de dizer que sim.

E voc� tem?

Tenho.

E � importante que voc� saiba disso.

Eu sei disso.

� isso que eu admiro em voc�.

Mais uma prova, e ela ser� presa.

Estou certa de que vai encontrar.

Voc� � um bom detetive.

Nada lhe escapa.

Preciso ir.

Eu pago.

Tudo bem.

Espere.

O que ser� que David ia achar de...

Achar de qu�?

Dessa mulher com rancor.

N�o sei.

Mortos n�o falam.

Pelo menos, n�o comigo.

Vou lhe mostrar. � bem peculiar.

Obrigada.

COMPRAMOS

Posso falar com Joey Mortell?

Malucos.

Voc� est� preso no tr�nsito, na rua 88 com a 3� Avenida.

Pare na esquina. Roma's Pizza. Coma um peda�o.

N�o vou ficar aqui tanto tempo.

Vai ficar a� tanto tempo, sim...

porque est� tudo parado na 3� Avenida at� a rua 96.

N�o se afobe.

Preciso que me fa�a um favor.

Pode rastrear um telefonema?

E n�o tenho uma intima��o.

Mas vai conseguir uma, certo?

Se for preciso.

Tudo bem.

D� a data e a hora.

Dois dias atr�s, vinte de julho...

entre meia-noite e 1h30.

Est� bem, preciso do n�mero.

Espere um pouco.

� 917...

157-1431.

D�-me o nome.

Ou�a, � particular, como eu disse.

Ah, esse tipo de particular. Certo.

Tudo bem, certo, vou rastrear para voc�.

- Certo, ligue para mim. - Tudo bem.

FAZEMOS EMPR�STlMOS

J� viu este anel antes?

Parece familiar.

Tenho um nome. Shauna Nelson.

Um endere�o, n�mero de celular.

Como ela era?

Ela tinha dois olhos, uma boca e um nariz, bem no meio do rosto.

Agora, por favor, d� o fora daqui.

Al�?

Voc�s conhecem este n�mero?

T�m certeza? Prefixo 917.

Ei, voc�s s�o 917. Danem-se. At� mais tarde!

- Voc� � a Shauna? - Foi voc� que ligou h� pouco?

Sim, consegui seu n�mero na casa de penhores. Empenhou meu anel.

O miser�vel transa com uma vadia e me d� o anel de presente.

- Ele tinha roubado. - Quero saber onde ele est�.

Pode me dizer onde ele est�?

N�o, n�o.

D� um endere�o, telefone, qualquer coisa.

- Diga onde ele est�! - N�o!

Vi o que fizeram com voc�.

N�o pode acontecer o mesmo comigo.

O telefonema durou 3 minutos e 46 segundos.

Das 12h26 �s 12h30...

do 917-157-1431 para o seu celular.

Proximidades da Ilha Roosevelt.

Ela disse que estava em outro lugar?

Disse.

Lamento, cara.

Mas ela que se dane, certo?

- Ela que se dane. - Sim.

Ela que se dane.

Voc� me faz um favor?

N�o conte para ningu�m at� eu conseguir a intima��o, est� bem?

Nem salvei no computador.

Nova Mensagem

Sinto muito. O endere�o dele � Av. Clayton, 90

Abra o Anexo

A��o!

Pensa que vai me escapar?

Tirei sua virgindade! Vamos dar uma surra neles.

Aten��o!

Hollywood!

Que gracinha! Os pombinhos!

Adeus

Adeus

A��o!

Pensa que vai me escapar?

- Querem ganhar dinheiro ou n�o? - Sim.

Mostrem que est�o preparados.

Est�o perto de quatro caras tomando cerveja, calados, atentos.

A pol�cia entra, o que voc�s fazem?

- Fugimos! - Fogem, certo?

�timo. Ou�am, fiquem naquela cal�ada, bem atentos.

- Isso n�o � dif�cil, certo? - Certo.

�timo. Ent�o, v�o at� aquela cal�ada. Mexam-se!

Quer alguma coisa?

Quero meu cachorro de volta.

Merda.

Oi. Oi, garoto. Sou eu.

Oi, amig�o.

Voc� se lembra de mim, garoto?

Vamos, cara.

V�, depressa!

Voc� me deixou esperando, e eu preciso de um endere�o!

Reed Bryant. Veio � central ontem.

V� embora, idiota!

Quem � o idiota agora?

- Av. Clayton, 90. - Obrigado!

Saiam da rua!

Oi, cachorrinho.

O uso de coleira � obrigat�rio, n�o sabia?

Para uma vadia como voc�!

Somos voc�, eu e o cachorro de novo, vadia!

Fiz seu namorado sorrir. Voc� tamb�m vai sorrir!

Pensa que pode vir atr�s de mim?

Para o ch�o!

Para o ch�o! Pol�cia! Para o ch�o! Fique deitado no ch�o!

- Largue a arma, Erica! - Fique fora disso.

- � entre ele e mim! - N�o tem esse direito.

Tenho, sim!

Eu � que tenho o direito de persegui-lo e mat�-lo.

Ent�o, atire nele!

N�o fa�o isso. Eu investigo. D�-me essa arma.

- E o que voc� vai fazer? - D� aqui.

- Vai prend�-lo? - D�-me a arma.

- Prenda-me! - Cale a boca!

- D�-me a arma! - Ponha as algemas em mim!

- Cale-se! - Passe a arma, j� disse.

Vamos. Seja boazinha.

Isso. Boazinha.

N�o.

Se voc� vai usar uma arma, tem que fazer isso de uma forma legal.

Que diabos est� fazendo, cara?

- Ningu�m falou com voc�. - Prenda-me!

- Vi o que fez. - Tem que me prender!

N�o esta noite.

Ponha as algemas em mim. Leve-me daqui!

Cale essa boca!

Pode me levar agora.

O problema � que, se voc� for presa, eu tamb�m serei preso.

N�o. N�o posso deixar que fa�a isso por mim.

S� falta voc� atirar em uma pessoa.

O qu�?

Sabe, nunca houve nenhum justiceiro.

Eram s� tr�s arruaceiros que matavam por divers�o.

Tomaram gosto pela coisa no Central Park.

E compraram uma arma.

E atacaram um ao outro, como fazem os marginais.

De qualquer forma...

fui ferido e...

fiz o que eu tinha que fazer.

Aqui.

N�o posso.

Voc� s� atira em bandidos?

Eu me juntei ao clube. Agora, fa�a um ferimento leve, mas fa�a.

A cerca de um metro.

- Minhas m�os est�o tremendo. - S� n�o acerte o cora��o.

Droga! Porra, essa merda d�i!

Sinto muito.

Sinto muito.

Eu tamb�m.

Agora, saia daqui antes que eu perca a calma.

Ei, cara, ela deixou voc� tamb�m?

Tudo bem, voc� est� comigo, vai ficar bem. Venha c�.

Venha c�. Espere!

10-13, 10-13. Policial ferido.

Tr�s bandidos na Clayton, 90.

Mande uma ambul�ncia.

N�o h� como voltar a ser aquela outra pessoa...

voltar �quele outro lugar.

Essa coisa, essa pessoa estranha...

� s� o que voc� � agora.

VALENTE

[BRAZlLlAN PORTUGUESE]

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