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Sente-se e tire a roupa.

Devagar.

Assim.

N�o tire a cueca ainda.

N�o me olhe.

N�o me olhe.

Lembre-se, est� s�.

Tem um espelho � esquerda.

V�?

Levante e v� at� ele.

Olhe-se.

Beije seus l�bios.

De novo.

lmagine que est� me beijando, e gostando.

Esfregue-se no espelho.

Mais.

Est� gostando.

Volte para a cama.

Acaricie-se com as pontas dos dedos. Onde quiser.

Acaricie seu pau por cima da cueca.

De verdade.

Tem de deix�-lo duro.

Tire a cueca.

Tire.

Vire-se. Ap�ie-se nos joelhos.

Acaricie entre as n�degas.

N�o as pernas, entre as n�degas.

Assim.

Est� ficando com tes�o.

Pe�a para eu te foder.

N�o me olhe, n�o estou aqui.

Estou ao seu lado e quer que eu te foda.

Vamos, pe�a.

-N�o combinamos. -Vamos, pe�a.

N�o tenha medo. S�o s� umas palavras.

-Me fode. -Me fode.

Me sinta dentro de voc�.

S� quero lhe dar prazer.

N�o pare.

Diga quando for gozar.

Est� me sentindo?

-Vou gozar. -Eu tamb�m.

Foi muito bem.

Tome banho, e v�.

Obrigado.

""A LEl DO DESEJO""

Est�o aplaudindo.

� maravilhoso. Maravilhoso.

Me fode. Me fode.

Me fode.

-Se quiser, eu fico. -Ficar� melhor na praia.

-Pode ajudar sua irm�. -Vai me visitar?

-N�o sei. -Vai, sim.

Tenho de come�ar a ensaiar.

-Descanse uma semana. -N�o quero descansar.

Esta � sua.

-lr� dirigir ""A Voz Humana""? -Sim, querida.

Quais s�o seus planos?

No momento, tomar um porre...

-e ficar muito louco. -E voc�, Tina?

Tenho propostas para pe�as, filmes, r�dio e tv...

mas s� falarei disto depois.

N�o vai fotografar minhas rugas.

Soubemos que virou l�sbica.

Se todos os homens fossem como voc�, at� eu viraria.

-lsto serve para voc�. -N�s j� somos.

-Quando nos deixar�o em paz? -Esque�a.

-O que foi? -Nada.

-J� vou, deixei a menina sozinha. -Tem not�cias da m�e?

Ficar� em T�quio mais um m�s.

Estou orgulhosa de voc�.

-Quer carona? -N�o. Parab�ns pelo sucesso.

Vi seus filmes muitas vezes.

Vi ""O Paradigma do Marisco"" tr�s vezes hoje.

-�s 16:00, 19:00 e 23:00. -E gostou?

Gostei muito da segunda vez, mas menos do que ""Refazer"".

E viu ""Cara de Bunda""?

Gostei menos do que ""Refazer"", mas muito mais do que ""Halitoseis"".

Qual o seu predileto?

Gosto de faz�-los, mas n�o de assisti-los.

Do que falavam?

-De cinema. -O que ele disse?

Coisas.

-Aonde vai? -Para casa.

-Posso acompanh�-lo? -Pode.

-Sabe dirigir? -Onde est� seu carro?

Queria roub�-la.

-A lambreta? Por qu�? -� de um amigo que parte amanh�.

Queria guard�-la de lembran�a.

Tem coca?

Veja se sobrou.

Sou modelo, mas gostaria de trabalhar em filmes.

Desculpe, mas acho que vou vomitar.

-Deviam proibir as pr�-estr�ias. O que vai filmar agora?

""A Voz Humana"".

-Tem um papel para mim? -� um mon�logo feminino.

N�o pode ser um homem?

V� embora. Desculpe, estou cansado.

-Quer que eu durma aqui? -N�o esta noite.

N�o se despediu, e � minha �ltima noite.

-Eu o vi com uma garota. -Eu teria lhe dito.

N�o nos acertamos nunca.

N�o tem culpa de me amar...

e nem eu de te amar.

V� embora.

Esquecerei com o tempo.

N�o quero que se esque�a.

Pare com isso. Vamos dormir.

Prometa que vai me visitar.

A praia � linda e tem um farol maravilhoso.

-N�o arrumou isto? -Vou arrumar.

Sempre diz o mesmo. Quando voltar em setembro...

continuar� assim.

lsso ser� um motivo para voltar.

-Tudo bem se n�o transarmos? -Claro, n�o faremos nada.

-E se n�o dormir? -Tomo um comprimido.

Tome um.

Tomarei dois.

-Pode ser com cerveja? -Depois de tudo que j� fez?

-� bonita. -Gostou, n�o?

Experimente.

Que milagre! � o seu n�mero.

-Devia compr�-la. -N�o tenho dinheiro.

-Traga amanh�. -Vou viajar.

Leve-a, quando voltar, d�-me o que tiver.

-Tudo bem. Tchau. -V� com Deus.

O que pediria � pessoa que ama?

Que n�o fosse �s festas e ficasse em casa para contar as fofocas.

N�o interrompa quando escrevo, leia os mesmo livros que eu.

Entenda de medicina.

Leis, encanamento, eletricidade.

Enfim, que me adore, n�o me encha o saco...

e aceite que sou in�til.

Para voc�, deve ser f�cil achar algu�m assim.

-N�o �. -Deve ser f�cil.

N�o �.

Diga-me, o que mais gosta e detesta no amor?

� a mesma coisa.

O amor o absorve o tempo todo.

lmpede que se concentre.

� o que mais me atrai e me assusta.

Curioso.

""Querido Pablo, este � o farol de que falei.

lria adorar filmar aqui. Adoro v�-lo ao amanhecer.

Como est�? Me escreva.

Um beijo. Juan.""

Querido Juan. Recebi sua carta.

Gostei, mas n�o � do que preciso.

Vou bater � m�quina a carta que quero receber.

Assine e me mande de volta.

Te amo. Pablo.

-Como foi a entrevista? -Sabe o que me propuseram?

-Um porn�, com ela. -E ent�o?

Fui educada, disse que estava. velha para mostrar o cu. Malditos!

Para a sua idade, ainda est� bem.

Porque o uso menos que voc�.

-Que idiotice. -Me desculpe, por favor.

-Ando nervosa. -O que quer beber?

-Coca-Cola. -Eu pego.

Vamos ao terra�o.

Tem de ter paci�ncia, ela � brava, mas � s� saber lev�-la.

Ela recebeu uma carta de minha m�e.

N�o me deixou ler, mas acho que ficar� mais tempo em T�quio.

Est�o falando de mim? A pia est� cheia de lou�a suja.

-A faxineira vem amanh�. -Parece casa de ""junkie"".

-O que � um ""jukie""? -N�o � da sua conta.

-O que �? -Um atleta.

-Ouviu falar em jukie no gelo? -lsto � hockey.

""Junkie"" � uma pessoa que gosta de bagun�a.

-Acho que sou ""junkie"" tamb�m. -Safada.

Vou falar com Tina.

A m�e dela est� com algum fot�grafo em T�quio.

O que vai fazer?

Chorar at� cansar.

""Vou bater � m�quina a carta que quero receber.

Assine e me mande de volta. Te amo. Pablo.""

Gibi Sadomasoquista.

O que far� com Ada?

Tem de terminar a escola.

Depois vai continuar comigo.

Ela n�o gosta dos av�s.

-N�o quer que eu passe algo? -Deixe para a faxineira.

O que est� fazendo?

-Estou lendo gibi. Posso levar? -Nada disto, tem de estudar.

Vai mal na escola.

Gosta da gaita?

Vou lhe dar, mas vai ter de estudar este m�s.

N�o consigo me concentrar.

-Por qu�? -Disse que se apaixonou por voc�

-� um empr�stimo. -Prometeu n�o contar.

Fique quieta. Vamos, temos de trabalhar.

-Tem mais duas para sustentar. -Tr�s.

Ligue-me se precisar.

N�o parti para esquec�-lo, pois, se esquec�-lo...

como disse, ficarei vazio por dentro.

O que tem feito? O que tem lido? Que filmes tem visto?

Que discos comprou? Pegou gripe?

Quero saber de tudo.

S� n�o me conte se conheceu algu�m de quem gostou.

S� n�o suportaria isto. Quero te ver. Decida quando.

Eu te adoro.

-Pablo est� apaixonado. -Por voc�?

-lnfelizmente n�o. -Que bom, poderia ser seu pai.

-Quem me dera. -N�o recomendaria, ele � ego�sta.

Ego�sta? Ele nos deu um cheque e esta gaita de gra�a.

N�o neste sentido. Veja.

lnstituto Ramiro de Maetzu.

Rua Serrano, 127.

Estudei aqui, quando crian�a. Vamos entrar na capela?

Vamos. Ainda n�o arrumaram isto.

Venha.

Fiz tantas coisas neste lugar!

Quando crian�a, cantava no coral.

� a �nica coisa de que sinto saudade.

Voc� me lembra um menino que tamb�m cantava no coral.

Padre Constantino. Sou eu.

Voc�?

-N�o pode ser. -Sim, pode.

Voc� mudou muito.

No fundo, ainda sou a mesma pessoa.

E esta menina?

� minha filha.

Voc� se casou?

Estou condenada � solid�o.

-N�o pode dizer uma coisa dessas. -Eu posso.

S� houve dois homens em minha vida. Um deles foi voc�...

meu guia espiritual...

e o outro foi meu pai. Ambos me abandonaram.

N�o posso confiar em mais nenhum.

Confie em Deus. Ele jamais a abandonar�.

Talvez tenha raz�o.

Gostaria de voltar a cantar no coral.

-N�o aqui. -Por qu�?

Se est� � procura de Deus, v� a qualquer igreja.

Ele est� em todas.

Mas minhas lembran�as est�o aqui.

Fuja delas, como eu fiz.

N�o quero. Tudo que me resta s�o minhas lembran�as.

-O que � isto? -Uma Cruz de Maio. N�o lembra?

-Nos consola. -Namorar seria mais higi�nico.

Nem namorado nem namorada, n�o quero falar neste assunto.

Quer ajuda?

-Est� brava comigo? -N�o, fez votos de...

obedi�ncia, castidade e sil�ncio. N�o ag�ento mais.

Passa o dia escrevendo as coisas.

""Cas...

ti...

da...

de, n�o!""

Ainda bem!

Ela vai fazer a primeira comunh�o.

Vai fazer a primeira comunh�o? Vou lhe dar um belo vestido.

Vou come�ar os ensaios do filme.

-E quem ser� a sortuda? -Gostaria que fosse voc�.

D� certo!

Pedimos � Virgem que arranjasse trabalho, e ela arranjou.

-Vou pedir outra coisa. -N�o, querida, fique aqui.

Fala s�rio?

N�o � por pena de mim?

N�o tem um papel para mim?

Veremos. Mas n�o ser� nada f�cil.

Por qu�?

Porque ir� lhe trazer lembran�as tristes.

� melhor do que ficar mostrando a bunda.

Muito melhor.

-N�o faz isto, pois sou sua irm�? -Pare com isso.

Porque estou sem dinheiro?

Coma, pois eu nunca mais comerei.

Uma pl�stica.

N�o vou poder, Pablo. N�o vou poder.

N�o quero arruin�-lo.

Estou horr�vel para este papel.

Do que est� rindo?

Quando um de seus amantes a deixou, ela correu atr�s dele...

caiu, e quebrou o tornozelo.

Amputou a perna, para fazer com que todos ficassem com remorso.

Mas mesmo assim...

sua sede de vingan�a n�o estava saciada.

""Querido Pablo, n�o sa� de Madri para esquec�-lo...

pois, se isto acontecer, temo que ficarei vazio.

Conte-me o que tem feito. Que livro leu? A que filme assistiu?

Se ficou doente, ou se parou de cheirar coca�na.""

Quero dividir tudo com voc�.

Tem algum ingresso sobrando?

-N�o t�m um lugar sobrando. -N�o.

-N�o t�m um ingresso sobrando? -N�o temos nada.

T�m um ingresso?

N�o tem um ingresso sobrando?

N�o tem um ingresso?

-J� vou, n�o ag�ento este calor. -N�o quer ficar?

N�s vamos ficar, foi uma noite dif�cil.

N�o beba demais.

At� amanh�.

Voc� n�o � Pablo Quintero?

-Queria falar com voc�. -J� est� falando.

Estou indo embora. Quer ir comigo?

N�o transo com homens.

J� vou, foi um prazer.

Voc� venceu. Vou com voc�.

-lsto n�o � uma competi��o. -Sim, �, e eu acabo de perder.

Mas tudo bem.

-N�o consegui ingresso. -Amanh� pegue um na bilheteria.

Largue isto.

-Quer uma cerveja? -Sim.

N�o toque em nada.

-Quem � Laura P.? -A protagonista do meu filme.

S�o apenas anota��es.

Sua irm� � mesmo transexual?

Este assunto lhe interessa?

Vou ajud�-lo.

-lsto lhe acontece muito? -Sempre.

Por sorte n�o colocou fogo em tudo.

Calma.

N�o � assim que se beija.

-Ent�o me ensine. -Com todo prazer.

O que achou?

Tem alguma doen�a ven�rea?

Por que pergunta s� agora?

Voc� � muito prom�scuo.

N�o se preocupe, nunca tive nada...

nem chato.

Essas doen�as me apavoram.

Quer parar?

-Quer parar? -Se continuar com esse papo.

Prometo que n�o falarei mais nada.

S� mais uma pergunta. A �ltima.

S� uma.

-Quer transar comigo? -Desde que o vi, s� penso nisto.

Nunca fiz isto.

""Querido Pablo...

conte-me o que tem feito. Que livro leu? A que filme assistiu?

Parou de cheirar coca�na?

Quero dividir tudo com voc�.

S� n�o quero saber se conheceu algu�m.

lsto eu n�o quero saber. Te adoro. Juan.""

Droga.

Voc� � um porco. Se tivesse 16 anos...

eu o denunciaria por corromper menores, pois � isto que faz.

-Quem �? -Antonio.

Que surpresa.

Pode entrar.

Vou partir em 3 dias, e queria te ver.

N�o provoque um corruptor de menores.

Vamos para a cama.

-Bom dia. J� era hora. -N�o grite.

-Arrumei o interruptor no corredor. -Eu vi, obrigado.

Voc� � um desastre. Precisa de algu�m para cuidar de voc�.

Conhe�o este texto.

Quando isto secar, darei uma m�o de tinha e ficar� novo.

J� fez o bastante. N�o se preocupe.

Querido Antonio...

Talvez n�o saiba, mas n�o estou apaixonado.

Gosto de seus carinhos, mas n�o se apaixone por mim.

Sou muito ego�sta, e n�o divido minha vida.

Obrigado, e boa sorte.

Pablo, acorde.

-Que horas sai o trem? -Em duas horas.

Me deixe dormir um pouco.

-Uma massagem vai acord�-lo. -Eu vou levantar.

J� vou.

V� tomar banho.

N�o quero que fique com outro.

E tamb�m que cheire coca�na.

Quero que v� me visitar, e passaremos 2 semanas sozinhos.

Precisa de uma vida mais saud�vel.

-N�o � um pouco reacion�rio? -Sim, sou como devo ser.

Quem � o cara da carta? O tal Juan?

Voc� leu?

Quem deu permiss�o?

N�o tenho como evitar querer saber tudo sobre voc�.

Nunca mais fa�a isto.

Ele parece muito apaixonado.

Mas n�o est� A carta � uma brincadeira.

O amor nunca brinca. Espero que n�o o ame.

Vamos esquec�-lo.

N�o minta. Nunca me engane.

Pare.

Nunca lhe prometi nada. E avisei para n�o confiar em mim.

Pare de fingir.

Voc� gosta de mim, eu sinto. Mas quer ser frio.

-Eu sou frio. -Est� louco por carinho.

Talvez, mas nem tudo eu gosto.

Voc� � melhor do que pensa.

Mas n�o leva uma vida saud�vel. Vou cuidar disto.

Como � imposs�vel falar com voc�, escrevi uma carta.

Eu a rasguei.

J� li. N�o deveria t�-la escrito.

Esque�a, vamos tomar caf�.

Escreverei quando chegar.

-Promete me escrever? -Sim.

N�o quero que ningu�m saiba disto.

Se espionou minha vida...

sabe que n�o falo da minha vida particular.

Eu sei. Me refiro � minha fam�lia, n�o que leiam minhas cartas...

mas � bom ter cuidado.

Escreva com o nome de mulher.

Assim minha m�e n�o ir� suspeitar, entendeu?

-Do que est� falando? -Ela n�o vai ler.

-N�o vai ler o qu�? -As cartas.

-Que cartas? -As suas.

Por precau��o.

Minha m�e � alem�, gosta de bisbilhotar.

Cuide-se bem.

Fa�a uma boa viagem.

V�, ou perder� o trem.

Al�!

-M�e, voc� voltou! -Minha pequena Ada.

Senti saudade.

Cuidado com minha maquiagem.

N�o est� feliz em me ver?

Sim, est� bonita.

-Que roupa � esta? -Da primeira comunh�o.

N�o quero que fa�a isto. Somos at�ias.

-N�o se lembra? -Voc� � at�ia.

Eu e tina somos crentes, e muito. Temos uma Cruz de Maio.

-Mas estamos em junho. -Temos uma santa milagrosa.

Voc� est�o loucas.

Viu Tina? Ela se tornou ma grande atriz...

e eu tamb�m.

-Venha c�, temos de conversar. J� estamos conversando.

Seja boazinha e sente-se aqui.

Est� com as m�os sujas.

Vim busca-la. Estou morando em Mil�o.

� uma cidade bonita, tem muitas ind�strias. Vai gostar.

N�o falo italiano e, al�m disto, n�o gosto de ind�strias.

Voc� me abandonou. Prefiro ficar com Tina, ela n�o me abandonar�.

-Como sabe? -Ela n�o gosta tanto dos homens.

Desta vez, encontrei o homem certo.

N�o vou com voc�.

Ela me deixa louca.

Quebrei as unhas.

Sim, meu amor.

Sei que n�o posso me iludir...

mas, at� agora, quando t�nhamos um problema...

convers�vamos e, com um simples olhar...

nos entend�amos.

Por telefone n�o � igual.

Por telefone, � o fim de tudo. Espere.

Por que devo achar que quer terminar?

Seria muito cruel.

E voc� n�o � cruel.

Como sou tola.

Eu ia lhe dizer isto agora.

Seria melhor se tivesse desligado.

Adeus, meu amor.

N�o vou desanimar.

Desligue logo, por favor.

R�pido, por favor.

Te desejo mais que minha vida.

Mais que minha vida.

Mais que minha vida.

Mais que minha vida.

N�o est� com fome?

Est� horr�vel.

-Que calor. N�o est� com calor? -Muito.

Vamos, jogue �gua em mim! Jogue �gua em mim!

Que calor!

N�o ag�ento este calor.

Pare.

Vamos, a sess�o de hidroterapia acabou.

-Que gostoso! -Como se sente?

Sempre sonhei em fazer isto.

N�o imaginei que fosse t�o forte, mas foi gostoso.

Vamos beber!

-Esta noite estava �tima. -Esta noite foi um saco.

Voc�, principalmente, exagerou na dose.

-Desculpe, mas n�o sou m�quina. -Nem eu.

Tamb�m sou viciada em drogas.

N�o quero que fale na frente das pessoas.

-Desculpe, mas � verdade. -N�o precisa dizer para os outros.

Me desculpe, tem raz�o.

-Eu o decepcionei como atriz? -Pare com isto.

Gosto de voc� e o p�blico tamb�m, n�o � verdade?

-Sim, mas... -Mas o qu�?

-Devia estar orgulhosa. -Eu estou.

-Mas h� dias que fico deprimida. -Eu avisei.

Gosto do drama.

De chorar e falar ao telefone.

N�o gosto de estar sempre desleixada.

N�o deveria ter dito.

-Nunca mais me dar� trabalho. -Se engana.

O papel da protagonista no pr�ximo filme � seu.

Jura?

J� que � t�o paran�ica, antes que leia...

-quero avis�-la de algo. -Do que se trata?

Viu? J� est� brava.

-Diga-me agora. -Amanh� eu direi.

O papel n�o foi inspirado em voc�...

mas h� uma certa semelhan�a.

-Preciso de um suplemento. -Qual a semelhan�a?

Em rela��o aos seus problemas com os homens.

N�o tenho problemas com homens, pois, para mim, eles n�o existem.

E isto n�o � problema?

O que h�? Tamb�m vai me tratar como um fen�meno?

Espere, n�o disse isto.

Fale de seus problemas com os homens, e me deixe em paz!

-Me escute! -N�o quero que cite minha vida!

Por mais rid�cula que eu seja, quero respeito.

-Quem disse que � rid�cula? -Ningu�m, mas eu sei.

-Me escute um minuto. -Claro.

Meus fracassos com os homens n�o s�o argumentos para um filme.

N�o permito que voc� e nem ningu�m fa�a piadas.

Saia!

-Ningu�m vai fazer piadas. -S�o problemas meus! S� meus!

-Problema seu, se gosta disto. -N�o gosto, seu filho da puta!

Mas tenho de pagar caro por meus fracassos. Foi o que me restou.

Seu leite.

Vou ter peitos iguais aos seus?

Claro, na sua idade, os meus nem apareciam.

-Pablo gosta de peitos? -N�o sei.

H� homens que n�o gostam. Vamos, tome seu leite.

Ela levou quase tudo, n�o?

� melhor, assim sobrar� espa�o.

Nunca vou te deixar. Disse isto a ela e levei um tapa.

Maldita! Mas n�o se esque�a de que ela � sua m�e.

Eu te adoro.

Muito?

-Posso dormir com voc� hoje? -Claro, querida.

Vou pedir uma coisa para a Virgem.

Agora? Vai acabar aborrecendo a Virgem. Vamos.

-Terminou? O que pediu? -Que Pablo nunca nos deixe.

Vamos dormir.

Obrigada, Virgem.

Que calor.

Tome.

-O que � isto? -Fotos nossas, quando crian�as.

Achei que tivesse todas.

Quando as pediu, eu e mam�e ficamos com estas.

Fa�a o que quiser com elas.

N�o suporto que desconfie de mim.

Prometi n�o lhe perguntar nada...

e acho que cumpri minha promessa.

Mas seu passado faz parte do meu.

N�o seja impiedoso.

Sou muito vulner�vel e imperfeita.

Aqui � Juan.

-Como est�? -Muito mal.

-Por que n�o me escreveu? -Porque...

quero te esquecer e, para isto, n�o posso escrever.

Farei o que quiser, mas tem de me ensinar.

lsto n�o se ensina.

D�-me outra chance. Venha me ver e deixe-me tentar.

Tudo bem, assim poderei ver o farol.

Vai adorar. Escreva-me, estou com saudade.

Escreverei agora mesmo.

Eu te amo.

Voc� est� a�?

Atenda! Nunca est� em casa!

-Estou aqui. -H� semanas que estou ligando.

Tenho ficado pouco em casa. Recebeu minhas cartas?

Sim, e n�o gostei desta hist�ria de Laura P.

Foi id�ia sua o nome de mulher.

Tudo bem, eu errei. Quero que venha me ver.

-O que foi? Quer me dispensar? -J� disse que...

Preciso desligar. Se n�o vier, eu vou a�.

Antonio, eu n�o te amo. Continuo apaixonado por Juan.

Estou indo visitar Juan.

Me esque�a, e n�o tente se enganar.

Eu nunca te enganei. Laura P.

-Falta muito? -N�o, j� vou.

Pode ir, eu cuido de tudo.

Mas, amanh�, � sua vez.

J� fechamos. Mas, se quiser beber algo...

Um u�sque.

-Qual deles? -Este serve.

-Voc� � Juan? -Sim, quem � voc�?

Sou amigo de Pablo.

-Ele vem me visitar amanh�. -N�o vem mais.

Pediu que o avisasse.

-Por que ele n�o disse? -N�o quer v�-lo.

-Esta camisa � dele, n�o? -Ele me deu de presente.

-Ainda o ama? -Sim, ao meu modo.

Mas Pablo precisa de algo mais, e eu estava disposto a dar.

Ele encontrou o que queria em mim.

-Queria que visse o farol. -N�o se preocupe, direi como �.

Pare de brincar com essa lanterna.

Beba.

Muitas noites, venho aqui ver o amanhecer.

O que � isto?

-Voc� o beijou? -N�o � da sua conta.

Deixe-me em paz.

-O que quer? -Quero voc�!

Est� louco.

Quero tudo que seja de Pablo.

Eu n�o sou de ningu�m! De ningu�m!

Desculpe, bebi demais.

N�o te entendo.

N�o estou entendendo nada.

Me solta!

Voc� � Pablo Quintero?

-O que houve? -Caiu ou foi jogado do penhasco.

-O penhasco do farol de Trafalgar? -Sim, voc� o conhece?

Vi na foto que ele mandou.

-O que fez ontem? -Fiquei no teatro...

com minha irm� at� tarde.

Sa� de Madri por volta das 8:00h.

Suponho que possa provar.

-Que rela��o tinha com ele? -�ramos bons amigos.

O quanto?

N�o �ramos amantes, se quer saber, entendeu?

N�o, n�o entendi.

Juan o amava.

-Como sabe? -�ramos amigos, me contava tudo.

Passe a noite aqui. N�o est� em condi��es de viajar.

N�o � preciso. Vou at� Jerez ver um amigo.

Vamos ao penhasco.

Querido Juan.

Quanto mais generoso � comigo...

mais percebo que fez coisas que n�o queria...

e fico chorando.

Nunca mais o tocarei de novo.

Faria qualquer coisa para que me amasse, mesmo n�o me amando.

Mas isto n�o se pode for�ar.

De qualquer forma, irei v�-lo. Mostrar� o farol ao amanhecer...

e ouviremos as ondas batendo no penhasco.

Eu te amo muito. N�o consigo me conter.

� a mesma camisa que estava usando.

Estava faltando um bolso?

Vamos.

Droga.

Que bagun�a.

-Antonio! -Estou no banheiro.

Vou ensaiar a dan�a para a festa.

-Vamos juntos? -V� sozinha.

O que est� fazendo? Est� cheirando a queimado.

-� um cigarro. -Mas voc� n�o fuma!

� maconha? Abra a porta! Que est� fazendo.

Aonde foi ontem?

Pare de gritar, ou os vizinhos v�o ouvir.

Que se danem! Estou na minha casa.

O que quer?

-Desculpe, n�o atendeu � porta. -A empregada n�o est�.

-Quem � voc�? -Pablo.

Conhe�o Laura, amiga de Antonio.

Por que ela n�o o deixa em paz?

N�o se preocupe, ela n�o incomodar� mais.

Tomara.

N�o sei se lembra de mim.

-Laura nos apresentou. -Eu me lembro.

-� diretor de cinema, n�o? -Sim.

Vai se atrasar, m�e. D� a volta, vou abrir a porta.

-O que fazia? -Esque�a.

-Aonde foi ontem? -N�o sa�.

-Ouvi a moto. -Tem de me ajudar.

-Como? N�o me conta nada. -Contarei depois.

-� culpa daquela puta! -Ela esteve aqui ontem.

Tem agido estranho.

Quem � ele? Nem tirou os �culos. Tem uma camisa igual a sua.

-Nunca tive uma camisa igual! -Voc� �s vezes me assusta.

Seu pai com a pol�tica, e voc�. V�o acabar me matando.

Entre. Vamos subir, l� ficaremos a s�s.

N�o est� feliz em me ver?

Encontraram Juan, morto, perto do farol de Trafalgar.

N�o posso dizer que sinto muito.

Ela me magoou.

Me lembro bem da carta.

O que fez ontem?

Por que pediu para sua m�e mentir?

Sabe bem aonde fui e o que fiz.

-Fiz por n�s. -N�o me toque! Assassino!

A culpa � sua.

Mentiu dizendo que a carta era brincadeira.

Mentiu quando negou que voc� e Juan se amavam.

Pedi que n�o mentisse, e n�o ligou.

Mas agora n�o importa.

Esta morte nos unir� para sempre.

O que foi?

Ele fez isto?

Vamos entrar.

O que houve?

Veio atr�s de uma mulher. Quando disse que n�o estava, me mordeu.

Come�ou a me bater.

-� amigo seu? -N�o.

Laura nos apresentou. Eu tive um caso com ela.

Ela me mandou uma carta dizendo que vinha me ver.

Depois resolveu n�o vir mais. Ele achou que ela estivesse aqui.

-O que aconteceu? -Nada.

Aconteceu algo com Laura?

-O que lhe fizeram, meu filho? -N�o foi nada.

-Como, nada? -Foi s� uma mordida.

Quem fez isto? Aquele diretor?

Poderia falar com a senhora e seu marido?

Meu marido est� no congresso.

Vamos, v� desinfetar isso. Aquele canibal...

-V�o tomar provid�ncias? -Fique calma, vamos peg�-lo.

Ele dirige muito mal.

Sente-se e conte-me o que houve.

Um rapaz foi assassinado a 50km daqui.

Era amigo de Pablo Quintero e, como ele procurou seu filho.

Meu filho n�o est� envolvido nisto.

-Como se chamava o rapaz? -Juan.

Trabalhava perto do farol.

Desculpe incomodar...

mas seu filho disse que Pablo veio atr�s de uma amiga.

Uma tal de Laura. Conhece-a?

Ouvi falar. Acho que meu filho est� apaixonado por ela.

Esta � a prova.

N�o quero que ningu�m saiba. Principalmente, meu marido.

Ele j� tem problema demais. Como � pol�tico...

sinto como se eu fosse vi�va. Me entende?

N�o se preocupe.

-Descobriu algo? -N�o.

-O que seu filho fez ontem? -Ficou em casa.

Ele � suspeito?

N�o, talvez tenha sido a garota.

Se ela voltar a escrever ou aparecer, avise-me.

Claro.

-Ele se machucou? -Ele quebrou a perna.

-O pior � a cabe�a. -A cabe�a?

-Mas vai ficar bom. -Posso v�-lo?

Ainda n�o.

Vou lhe dar um conselho. V� � casa de seu irm�o...

-e fa�a uma limpeza. -Por qu�?

A pol�cia ir� revistar tudo.

-Mas estava aqui naquela noite. -Mesmo assim, ir�o perturb�-lo.

Obrigada, volto amanh�.

Tire tudo que possa ser suspeito. Fotos, postais...

-drogas, anota��es, me entende? -Sim, eu entendo.

O mesmo tipo. As duas cartas foram escritas nesta m�quina.

Aqui ele chama Laura P. de ""Saltos Amargos"".

Veja o que achei. Um pouco de coca�na.

-N�o basta para acus�-lo. -Mas d� duas carreiras. Quer?

N�o sabe o que perde.

A puta � muito bonita.

-N�o treparia com ela? -Eu? N�o.

E voc�?

Aqui mesmo, sobre a mesa.

Na minha idade, se n�o fosse por estes pequenos v�cios...

n�o ag�entaria o meu trabalho.

Espero que descubra isto antes.

Na sua idade, serei delegado, e n�o detetive.

N�o sei por que � policial.

Como modelo, ir� se dar bem, e ganharia muito mais.

-Vejam s�. -O que fazem aqui?

-Estamos revistando. -S� ele. Eu estava lendo.

Largue este roteiro.

lsto n�o � uma biblioteca p�blica.

Parece interessante.

-Ele sabe ler! -Conhece Laura P.?

-N�o, quem �? -""Olhos expressivos, cor de mel"".

Estatura mediana, mas atraente. Tem um belo sorriso.

Laura tem uns 40 anos...

e sonha com uma pl�stica facial.

Tem uma perna de pau e vive num farol.

Foi morar ali para se vingar...

mas n�o sonha que desta vingan�a ela � a �nica v�tima"".

Vai ler tudo?

� a descri��o que seu irm�o faz de Laura P.

-� um roteiro, ela n�o existe. -Mas o farol existe.

Ent�o interrogue o farol, veja se consegue algo.

J� temos a informa��o.

As cartas foram escritas nesta m�quina.

Seu irm�o assinou uma, e ela, a outra.

Que absurdo! � um personagem que meu irm�o inventou.

Ent�o quem as escreveu? De que cor s�o seus olhos?

""Expressivos, cor de mel.""

-Tem estatura mediana. -Mas � atraente.

Aposto que tem um belo sorriso. Por que n�o sorri?

-Manda a puta da sua m�e sorrir. -Cale-se.

Gente como voc� merece morrer!

Saia!

Gente como voc� � capaz de bater numa mulher indefesa.

Voc� n�o � mulher.

Agora v�o me acusar de desacato � autoridade.

-Sua m�e n�o merecia tanto. -Bichas! V�o me pagar!

Devem estar de f�rias.

Vamos.

-Finalmente. -Onde estou?

Sofreu um acidente.

Um acidente?

N�o me lembro.

N�o se lembra de nada? De nada?

Se tocarem em algo, denunciarei Liguei para o advogado.

Ele acordou, mas n�o lembra de nada.

-Vou ver. -Vamos acompanh�-lo.

-N�o podem. -N�s o ajudaremos a se lembrar.

Estamos habituados.

Aqui temos outros m�todos.

Cuidado, acobertar � crime.

-E tortura � um ato de caridade? -Calma, esperaremos no corredor.

Lembre-se, ainda n�o � delegado.

Deixe-nos a s�s.

N�o se lembra de nada?

-Quem sou eu? Quem s�o eles? -S�o policias.

Chama-se Pablo Quintero, e mataram um amigo seu.

Eu o matei?

Mas suspeitam de uma amiga sua chamada Laura.

Por isso querem interrog�-lo. Chamei um advogado. Lembra-se?

Descanse. Precisa se recuperar.

Qual � o meu trabalho?

-Filmes. -E como eram?

Maravilhosos.

Vai sair desta cama e fazer muitos outros.

S� posso alegar amn�sia por um m�s.

E se for catatonia ou catalepsia?

� outra situa��o. Se n�o pode falar, n�o v�o interrog�-lo.

-Ele � o advogado de Pablo. -Prazer.

-Temos de conversar. -Sim, j� vamos.

-Como ele est�? -Voltou a si.

-Mas... -Mas, o qu�?

-N�o se lembra de nada. -Tenho de v�-lo.

-� como uma mulher de verdade? -Claro.

-Quem � voc�? -Sua irm�. Tina Quintero.

N�o se lembra de nada mesmo.

-Vou coloc�-lo em dia. -O doutor me p�s a par de tudo.

Falou de mim?

Mam�e?

-Vem me ver? -N�s somos �rf�os.

Nosso pai est� vivo, mora em Nova York.

H� anos n�o nos escreve.

Nossos pais se separaram quando �ramos pequenos.

Voc� ficou com mam�e aqui, em Madri. Esta � Madri.

E eu fui com papai para o Marrocos. Ele � pintor.

Tinha um ateli�.

H� coisas de que nunca mais falamos.

Fui culpada da separa��o deles.

Tinha um caso com papai.

Um dia, mam�e nos descobriu.

-Pode imaginar. -Ent�o foram para o Marrocos.

Vivemos alguns anos l�, e fomos muito felizes...

at� que me deixou por outra mulher.

Jamais o perdoei. Nunca mais consegui ficar com outro homem.

-Eu j� sabia disto? -N�o acredito que n�o se lembre!

Sua amn�sia me deixa sem passado. Precisa se lembrar!

Olhe! Estes somos n�s.

Este � voc�. e este sou eu.

Como assim?

Eu era um menino.

Um tempo depois que chegamos a Marrocos...

mudei de sexo.

Decidimos antes de ir.

-Qual dos dois decidiu? -N�o importa.

Ele queria isto...

e eu era louca por ele.

-Faria de qualquer jeito? -Provavelmente.

-N�o me julgue agora, nunca julgou. -N�o, a vida � sua.

Mas preciso saber. Ele tamb�m deve ser meu pai.

N�o me arrependo.

Teria morrido por ele se pedisse.

Entendo.

-O que houve depois? -Depois que me deixou...

consegui um passaporte falso e fui para Paris.

N�o tinha coragem de encarar voc�s.

S� voltei para o enterro.

Foi ent�o que eu e voc� nos encontramos de novo.

Viv�amos t�o sozinhos...

e apesar de n�o nos vermos por muito tempo, ainda nos am�vamos.

Voc� n�o tinha nenhum rancor...

e eu sempre lhe agradeci por isto.

Por isso fiquei com voc�.

� a �nica pessoa que tenho.

Me abrace.

N�o consigo.

Fico feliz por ser minha irm�.

Que nada aconte�a a Pablo.

Rezaremos os Santos Mist�rios.

Primeiro Mist�rio: Ora��o de Jesus.

Em 3 semanas, ele n�o melhorou nada.

Deixe comigo.

Quer me aposentar? Lembre-se de que ainda me restam 2 meses.

Veja quem chegou.

Por faltar 2 meses, n�o quero que saia fracassado.

Deixe comigo. Voc� � muito escrupuloso.

E voc� � atrapalhado. N�o seria surpresa voc� errar.

Me sinto muito bem. Este, voc�s dividem.

-E a coca�na? -Engra�adinho. Eu trago amanh�

-E isto? -� para o meu irm�o.

Com licen�a.

Como me deixam feliz.

Nada como fazer caridade.

-Aonde ela vai com a m�quina? -Esque�a, ela n�o sabe de nada.

Fale com o irm�o dela, ele sabe de tudo.

Esta tarde ele falar�.

-Ver� que n�o sou t�o burro. -N�o falei s�rio.

Para ser um bom policial, n�o adianta ser inescrupuloso.

Tem de ter senso de humor.

Vou por aqui. Trouxe um monte de coisas.

Tome.

-Vamos comemorar? -Sim, algo maravilhoso.

Conheci um rapaz quando fui pegar sua correspond�ncia.

Transamos na sua cama. N�o queria que Ada visse nada.

-Tudo bem? -Claro.

N�o contei antes, pois queria ter certeza. Est� feliz?

-Muito. -N�o parece.

Tamb�m tenho algo para lhe dizer.

O que �?

-Recobrei a mem�ria. -� mesmo?

-Vou contar a todo mundo. -N�o diga nada ainda.

Por qu�?

Estou bem aqui.

A pol�cia n�o nos deixar� em paz. Suspeitam que eu seja Laura P.

Ela n�o existe.

-E as cartas? -� melhor n�o saber de nada.

Tudo bem, voc� sabe o que faz.

Trouxe a m�quina caso queria escrever.

-Nunca mais vou escrever. Leve-a! -O que est� havendo?

N�o me olhe assim.

O importante � estar apaixonada e feliz.

N�o serei feliz enquanto n�o sair daqui e voltar a trabalhar.

-Enquanto n�o fala. -Falarei em uns dias, prometo.

-Agora estou fraco. -Tenho for�a para n�s dois.

� assim que eu gosto.

Quer que eu fique?

N�o, chame o doutor.

Estou muito feliz por voc�.

Desta vez ser� diferente, eu sinto.

� uma m�quina pesada para ficar carregando.

-N�o se preocupe, sou forte. -Estou vendo.

N�o a perca, qualquer dia desses ser� confiscada.

-N�o sente calor com a jaqueta? -Sinto, mas vale a pena.

-Como est� seu irm�o? -lgual ou pior.

N�o deviam interrog�-lo.

Um rapaz foi morto, e nosso trabalho � encontrar o criminoso.

Quantos criminosos j� conseguiram encontrar?

N�o fale assim, ele � principiante.

Deixem-nos em paz.

O advogado n�o chegou e Pablo ainda est� com amn�sia.

-Quero que nos fale de Laura. Nenhuma Laura veio me visitar.

Estar� por a�? o telhado talvez?

-Talvez seja um pseud�nimo. Conhece-a melhor do que eu.

Lembra de Antonio Benitez?

-Pois ele te conhece. Pelo visto, sou famoso.

Acha que por isto v�o vai falar?

Se houve um crime. Voc�s t�m de achar o criminoso...

e n�o incomodar um doente.

As cartas.

O que me diz disto? Foram escritas com a sua m�quina.

-Como explica isto? -Deve haver outras provas...

-al�m destas cartas. -Est� atrasado.

Fui � loja onde comprou a camisa.

-Est� fechada. -N�s abrimos.

Uma camisa id�ntica foi vendida a Antonio Benitez.

-Ele e a m�e negam. -E voc�s acreditam?

Ele est� sendo vigiado.

Ele tem andado com sua irm�.

-Como? -Ele est� consolando sua irm�.

-Ela n�o te contou? -Devia ter imaginado.

-Como n�o pensei? -O que h�?

Preciso ligar. Devem estar na minha casa.

Vamos ao meu consult�rio.

Continuem.

Diga sim ou n�o. N�o cite nomes.

-Est� sozinha? -N�o, o que houve?

-Antonio Benitez est� a�? -Como sabe o nome dele?

Ou�a o que digo e fique quieta.

Ele matou Juan.

N�o � m� pessoa, mas est� louco.

N�o pode ser.

H� um policial na rua. N�o olhe. N�o o deixe ver.

O importante � manter a calma. J� estamos indo pra a�.

-Sabia que n�o podia ser verdade. -N�o pense nisto agora.

-E no que devo pensar? -Que corre perigo. N�o entende?

Ele deve estar ao seu lado. lnvente algo para sair de casa.

Diga que tem que testemunhar. Leva a menina.

-Entendeu? -Sim.

Era do hospital? O que disseram?

Pablo morreu.

Se suicidou.

Enquanto o interrogavam, jogou-se pela janela.

Tem de ressuscit�-lo!

Pablo � meu!

-Fez isto para me salvar. -Como assim?

-Nada. -Temos de ir ao hospital.

-Fique aqui se quiser. -Espere.

-Vou com voc�s. -N�o � preciso.

N�o entendo. Como pode estar calma sabendo da morte dele?

Tamb�m n�o entendo. Por que se preocupa se nem o conhecia?

-O que aquele policial faz l�? -Deve saber.

Deixe-nos sair.

Diga o que disseram ao telefone.

E como seu irm�o pulou, se tem uma perna quebrada?

Talvez o empurraram, isto acontece. Queremos sair.

-Espere. -Queremos sair.

Fuja, Ada.

V�, Ada!

N�o me toque, canalha!

-O que foi? -L� em cima! Ele quer matar.

-Quem? -Um homem. L� em cima.

Suba, por favor. Ajude-a.

Voc� ressuscitou!

-E Tina? -Antonio a derrubou no ch�o!

-Viu algum policial? -N�o sei.

-Havia um homem aqui? -Onde ele est�?

-Subiu. -E n�o desceu?

Antonio pode estar armado.

Quieta.

Antonio, entregue-se, est� cercado.

-Pode estar armado. -Apaguem a luz.

Antonio, des�a e entregue Tina.

-Apaguem as luzes. -Apaguem.

ldiota!

Se fizerem algo, eu atiro.

-H� um policial a�? -Sim.

Fique calmo.

Solte-os e nada acontecer�.

Acha que sou idiota? Quero negociar.

N�o vamos negociar! Est� cercado.

Largue isto idiota. O que quer?

Quero que Pablo suba. Quero falar com ele.

Se eu subir...

-ter� de soltar Tina. -E o policial.

Soltarei quando subir.

Onde est�o as chaves?

-O que quer? -Queria te ver.

Estou aqui. Solte-a.

N�o consigo.

-Ele est� morto? -S� lhe dei um golpe.

Tente acord�-lo.

-J� volto. -N�o devia ter vindo.

V� embora daqui. Eu criei isto e terei que resolver sozinho.

Voc�s me enganaram. Eu os odeio.

V� embora.

J� volto.

Maldita!

Saia da�!

Espere.

N�o atirem. Vou sair para conversar.

-D�-me a arma. -Aprenda primeiro a us�-la.

-Assim, como vou aprender? -Que vergonha.

-Pode sair! -O dinheiro dos nossos impostos.

N�o quero ningu�m bloqueando a porta.

Esperem no meio da rua.

Vamos logo!

-E Pablo? -Est� bem.

Ou�am bem...

quero uma hora para conversar com Pablo.

Se algu�m nos interromper, eu o mato!

Eu sou louco, entenderam?

Tudo bem, uma hora.

Uma hora.

Queria te ver a qualquer custo.

Am�-lo assim � um crime...

mas estou disposto a pagar.

Eu sabia quando o conheci.

Sabia que teria um pre�o alto...

mas n�o me importo.

N�o importa o que acontecer� em uma hora.

N�o pense nisto tamb�m.

Como foi?

Voc� me ensinou.

Obrigada.

Vista-se, est� frio. Vou ajud�-lo a se vestir.

J� vou.

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