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Original subtitles

Este filme � baseado em fatos hist�ricos.

Os principais personagens existiram e os fatos centrais narrados aconteceram realmente.

Oh! Sua majestade tornou a triunfar.

Uma obra prima, digna do talento de sua Majestade!

- Que grande espet�culo! - N�o sabia que se interessavam por religi�o.

gostaria de saber quem ser� hoje a favorita de sua Majestade.

Vistes, Emin�ncia!

- Quando se veria algo assim na Corte. - N�o � um belo acaso?

� uma bruxa ou um vidente?

Outra vez! Outra vez!

Que id�ia mais original, Majestade: o nascimento de V�nus!

Eu s� rezo para que possa assistir ao nascimento de uma nova Fran�a:

onde Igreja e Estado sejam uma s�.

Am�m!

OS DEM�NIOS

Que os protestantes sejam expulsos da face da terra!

Mexam-se, protestantes bastardos!

N�o parem! Sigam adiante!

N�o vou repetir.

mexam-se, porcos protestantes.

As guerras religiosas...

acabaram-se.

Os cat�licos j� deixaram de lutar

com os protestantes.

sobrevivemos,

e devemos nossa sobreviv�ncia � sabedoria e � humanidade

de um homem:

Georges do Sainte-Marthe,

Governador de Loudun.

Porque ele foi promotor da uni�o das religi�es,

para conseguir a paz, e assim salvou a nossa cidade da destrui��o.

Outras cidades n�o foram t�o afortunadas.

Mas agora nosso amigo foi morto pela peste.

Povo de Loudun:

Como podem ver, os nossos muros permanecem firmes e s�lidos

erguidos, orgulhosos e fortes,

seja qual for sua f�.

Para que sintam a necessidade de construir

um templo em seus cora��es,

em mem�ria daquele, que se sacrificou por todos voc�s.

In nomeie Patris, et Filii et Spiritus Sancti.

- Am�m - Am�m

- Vamos, baixe! � a minha vez agora. - Ainda n�o pude ver nada

- � t�o bonito como dizem?

Sim. J� vejo a prociss�o! Agora sobe pela escada.

J� o vejo. � o homem mais bonito do mundo.

Irm� Agnes! Irm� Agnes!

Por que deixou suas devo��es?

Est�vamos vendo o Padre Grandier

Quer�amos ver a prociss�o funer�ria de Monsenhor do Sainte-Marthe, Madre Reverenda.

Olhem que Satan�s est� sempre alerta, para nos seduzir com deleites sensuais.

Suas ora��es por Monsenhor de Sainte-Marthe ser�o mais proveitosas,

que a contempla��o de seu funeral.

A� radica a for�a de nossa Ordem

Sim, eu Sei, Madre Reverenda. Mas h� um R�quiem solene...

e o Cardeal deu-nos dispensa.

O que possa dizer seu tio o Cardeal, n�o est� em quest�o, Irm� Agnes

Se n�o estiver satisfeita com esta vida comtemplativa,

possivelmente deveria trabalhar nas Clarisas com os pobres.

Cuidar das v�timas da peste e limpar suas feridas cheias de vermes.

Madre, estou contente com a nossa Ordem.

Ent�o, deve se enquadrar. Lave o convento de acima a abaixo...

de joelhos, e reza pela alma desse homem ao mesmo tempo!

Na tarde de ter�a-feira passou uma hora na cama...

com a vi�va do fabricante de encaixes.

- E logo depois foi se confessar - Meu Deus, quanta hipocrisia!

Ele n�o � pior que seus penitentes. Os privilegiados, os ricos...

Eles o fazem at� na Sacristia ou perante o Altar.

Eu gostaria de estar junto a ele, inclusive no mesmo altar.

Isso � um sacril�gio!

A� vem o homem... Olhe bem pra ele!

N�o olhem pra mim! N�o olhem pra mim!

Eu sou linda! Eu sou linda!

Tire-me este h�bito! Tire-me este h�bito!

Oh Cristo, indica-me o caminho para Ti! Toma-me nos teus sagrados bra�os!

Deixa que o sangue corra entre n�s, unindo-nos!

Grandier! Grandier!

Ave Maria gratia plena, Dominus tecum, benedicta seu in mulieribus...

Traduza-o agora linha por linha.

"O prazer na lux�ria � sujo curto e doentio. "

O sofrimento...

e o sofrimento segue o desejo.

Continue

(continua recitando em latim)

Oh, eu n�o gosto! Odeio isso.

O seu pai enviou-a para c�, para que se instru�sse em latim.

E n�s n�o o devemos desapontar.

Mas um prazer eterno como este

descansa e repousa no tempo,

sem sofrimento nem vergonha.

Agora, depois e sempre haver� prazer.

N�o haver� final, a n�o ser eterno come�o.

Por que chora?

Estou gr�vida.

Assim isto se acaba...

Deve aprender a carregar a sua cruz com for�a Crist�, minha filha.

Mas, tenho medo!

Sim, certamente.

Mas como posso reconhecer esse filho?

Estou muito assustada

Ter� que ser valente no amor, n�o � mesmo, Philippe?

Tantas e tantas noites de ver�o!

N�o t�nhamos medo quando nos deit�vamos juntos. Lembre-se.

Ao contr�rio, r�amos frente a nosso desejo animal.

- E agora... devorou-nos - Ajude-me.

Procur�vamos em n�s mesmos a salva��o.

Acredit�vamos que isto era poss�vel.

- Eu te amo - Sim, eu acredito

Lembro-me que te abandonei um dia: estava muito h�bil.

Eu estava transbordante dessa confian�a indecente..

que te enche depois de uma c�pula perfeita.

E ao partir pensei que...

- Sim, honestamente o confesso-

pensei que o corp�reo pode transcender as suas limita��es

e chegar a ter um grau de pureza, al�m dos limites do imagin�vel.

Tudo � permitido; tudo � justo.

E essa perfei��o nos leva a entender...

esta espantosa exist�ncia.

- Mas o que houve contigo agora? - Toque-me

Um ovo:

algo solit�rio, desassossegado, asqueroso.

E onde est� o amor?

Sim! Onde?

Fale com o seu pai. Diga-lhe a verdade.

Que te procure um bom marido...

eles existem!

Ajude-me!

Como poderia te ajudar?

Segure minha m�o!

� como tocar a m�o de um morto, n�o � verdade?

Adeus, Philippe!

N�o demore muito!

Seu final j� chegou.

Mais um

Tragam seus mortos!

Padre! Padre! Venha depressa!

Chamem o farmac�utico e o m�dico: a M�e est� morrendo.

Um delicado p� de p�len. � o melhor b�lsamo: p�len de eucaliptos.

Do grego "eucaliptus": flor coberta pela corola.

Uma armadilha para a her�ica vespa.

Medicina himen�ptera!

Um veneno para exorcizar Matar ou curar.

Antes usava-se o p� de mu�rdago.

- �gua de amoras! N�o � nada: s� cura. Quem reclama?

Sanguessugas, v�boras secas.

Salssaparrilha e casulos de papoula. E agora o qu�?

Vespas!

Que nova loucura � esta!

Crocodilos! semi-r�pteis

Infla��o corpuscular de incalcul�vel ajuda...

Est� louco! Est� louco!

Volta o teu rosto para Deus, minha filha!

Deixe-se ir! Sorria!

Est�s na soleira da vida eterna. Eu te invejo.

Tragam seus mortos! Tragam seus mortos!

Tragam seus mortos! Tragam seus mortos!

Rezemos juntos por ela.

Encomendamos-Te, Senhor, a alma de Tua serva, a senhora...

Do Brou.

Do Brou

Do Brou!

que embora morta para este mundo, est� viva para o Teu.

Que os pecados que tenha cometido nesta vida

pela debilidade humana,

Tu em Tua infinita bondade

fazes com que Ihe sejam perdoados.

- Am�m. - Am�m.

Onde est�s? Escondido entre os cad�veres, n�o �?

Saia, covarde, que nem mesmo a morte o salvar�.

Onde est� esse padre, profanador da virtude? Grandier!

N�o h� mulher em toda a cidade que escape da lux�ria desse homem.

- Nem M�es nem filhas. - Vivas ou mortas.

Necrophilia, interruptus, virgem...

- Zorras

profanou a minha filha

- Est� dentro da casa, Sr. Magistrado. - Vamos

Corruptor de minha filha! Meu inocente cordeirinho.

At� a mais inocente ovelha cai ante o luxurioso carneiro, Sr. Trincant.

Voc� sujou sua pureza de linho

Exceto nos serm�es ou no c�u...

at� os l�rios murcham, senhor.

Peguem-no!

Verei-o no inferno!

Andando sobre um ch�o vivo de bastardos abortados, sem d�vida!

Criatura asquerosa, abandonada por Deus!

Deveria informar o Papa!

E ao mesmo tempo ser processado, magistrado Trincant.

Domine ess�ncia sustinebit...

Meu primo me disse que sua filha est� gr�vida.

Tem as suas prostitutas. por que faz�-la pecar?

- Pareceu-me um caminho - Um caminho para qu�?

Come�o a compreender, depois de tudo que as coisas t�m

um s� prop�sito para um homem de minha esp�cie.

Poder, pol�tica, riquezas, mulheres, orgulho, ambi��o...

Escolhi-a com o mesmo esmero com que...

seu primo Trincant pode escolher uma arma.

A minha inten��o � diferente. Veja...

- Eu preciso voltar-me contra mim mesmo. - E obter seu pr�prio fim?

Tenho uma grande necessidade: a de me sentir unido a Deus.

� uma blasf�mia para as suas vestes!

Ou�o missa diariamente. Amo a Deus.

E agora que meus pais morreram, eu O servirei eternamente.

Sei que tenho voca��o, Madre Reverenda.

Tem cara... de virgem m�rtir das imagens de um livro.

Muito piedosa,

com um luto muito prometedor.

- Que ros�rio mais bonito! - Era de minha m�e. - O que � isto?

Ah, sim, a Imita��o de Cristo!

Prata maci�a!

Seu olhar � triste.

Que oculta: humildade ou lux�ria?

Pelo menos tem um pecado: o orgulho.

Sabe por que a maioria de n�s est� aqui?

Por amor a Nosso Senhor Jesus Cristo.

E porque desejamos servi-Lo.

Muitas das que se refugiaram aqui s�o mulheres nobres...

que abra�aram esta vida mon�stica...

porque n�o tinham dinheiro suficiente para lhes pagar um dote...

ou porque eram muito feias para casar-se e acabariam sendo um fardo para a fam�lia.

As comunidades, que deviam ser como piras, ardendo no fogo do amor ao Senhor...

v�o morrendo nas cinzas da conveni�ncia... Aqui est� o livro!

Quem o escreveu foi a fundadora de nossa Ordem: �ngela Merici.

Quando tiver meditado sobre ele, volte. Eu te farei perguntas.

Obrigado, Madre

Deus te aben�oe!

N�o me surpreende que a m�sica celestial do livro...

de �ngela Merici te tenha deixado confusa.

As religiosas pensam que dizendo: "Senhor, Senhor"...

a todo momento ganham o Reino dos C�us.

Um monte de papagaios cantarolando o mesmo serm�o tem a mesma chance de sucesso.

Far� melhor fora do claustro que dentro dele.

Entre as ursulinas ou as carmelitas, logo resplandecer� a sua luz.

Seu posto est� aqui: no Loudun.

A sua voca��o:Dar brilho e exemplo de sabedoria a todas essas virgens tolas...

que n�o pensam em nada mais que vaidades decadentes.

E agora: devo fazer a confiss�o.

Sim, padre. Obrigado.

Padre: pequei e venho suplicar o seu perd�o.

Quando te confessaste a �ltima vez, minha filha?

Deveria sab�-lo.

Isto � uma Igreja, n�o um mercado.

- Fale com mais respeito. - Mas voc� me amava, n�o pode neg�-lo.

A prova est� nas horas que passamos um nos bra�os do outro.

J� basta!

N�o permitirei que aproveite-se, esfregando-me em sua imund�cie.

E a sua? E os seus pecados?

A confiss�o � para procurar perd�o, n�o para culpar outros. Sil�ncio!

O que farei, maldito?

A sua humilha��o n�o � nada.

Se o desejo de Deus � que sofra, que assim seja.

Ter� que sofrer. Aceite-o com alegria.

Agora v� e n�o volte a pecar.

E em penit�ncia, passar� o resto do dia de joelhos, perante Deus...

pedindo que te perdoe.

Eu te absolvo dos teus pecados.

Am�m.

Me perdoe, Padre, porque pequei.

- Quando foi a sua �ltima confiss�o? - H� uma semana

O que tem a dizer-me?

Pequei por orgulho.

Devemos estar sempre em guarda

Durante todo o dia de ontem cuidei das v�timas da peste e senti-me satisfeita de mim mesma.

Deus tolera a satisfa��o que temos pelo trabalho realizado.

Mas tamb�m apareceu a c�lera.

Diga-me.

Madre Juana dos Anjos provocou-me, e eu desejei-lhe mal.

Est� absolvida. Alguma coisa mais?

H� outras � espera!

- Tive pensamentos impuros. - De que tipo?

- Com um homem. - Como se chama?

Ocupa a minha mente logo pela manh�. O meu quarto est� t�o quente que me sufoca.

A minha mente � pecaminosa e, entretanto, t�o terna.

Meu corpo, Padre, meu corpo anseia ser acariciado.

Quer arrancar estes pensamentos de sua mente?

- Ou gosta deles? - Rezei.

Desejas liberar-se deles? Responda!

N�o!

Quero ter-lo... possuir-lo!

Isso me dest�i! Eu o amo.

O Amo.

No convento me sentiria mais segura.

Eu te amo.

Hoc est enim corpus meum. (Porque este � meu corpo)

V� a minha casa.

Espere-me l�.

perdoe-me, Padre, por ter pecado.

Mas esteve aqui ontem.

Sim, Padre. Mas depois disso tornei a pecar de...

O que foi mesmo desta vez?

Se o esqueceu...

� poss�vel que Deus tamb�m.

Santa Maria, M�e de Deus, rogai por n�s pecadores...

agora e na hora de nossa morte.

Ave Maria, cheia de gra�a, o Senhor � convosco.

Bendita sois v�s entre todas as mulheres e bendito � o fruto do teu ventre:

Jesus.

Santa Maria, M�e de Deus,

rogai por n�s pecadores...

- Quero dizer-lhe...

Sim?

- Sabe como se faz amor? - Sim.

Quero dizer-te uma coisa, Madeleine...

Entre as roupas espalhadas pelo ch�o...

o rastejar, o suor...

os len��is sujos...

misturado com tudo isso...

h� algum amor.

Amor humano!

Entende-o assim?

Acredito que sim.

Acha que te amo?

Acredito que sim.

E que mais te posso oferecer?

Sou uma pessoa simples. Vejo o mundo como me ensinaram.

Sou pecadora, mas n�o acredito que o Senhor tenha me abandonado.

J� n�o terei medo de ir ao seu encontro, juntos no nosso pecado.

Voc� me envergonha!

V�!

Eu lhe magoei. Lhe magoei. Perdoe-me!

V�!

Oh Deus, ajude-me!

Amo esta mulher.

Encontra-nos um caminho que possamos percorrer juntos.

Gl�ria ao Padre, ao Filho e ao Esp�rito Santo.

Como no princ�pio, agora e sempre, pelos s�culos dos s�culos. Am�m

Quinto mist�rio doloroso do Ros�rio: Cristo crucificado.

Ao recitar a Ave Mar�a, irm�s, pensemos na dor que Cristo sofreu...

quando estava pregado na Cruz.

E o deixaram ali pregado at� � morte.

Pensem no seu formoso corpo,

rasgado pelos pregos:

fluindo o sangue das suas m�os,

que se crispavam com cada martelada.

E Ele sofreu tudo isto por amor.

Por amor!

Av�, cheia de gra�a, o Senhor � contigo. Bendita �s tu...

entre as mulheres e bendito � o fruto do teu ventre...

Santa Mar�a, M�e de Deus, roga por n�s pecadores, agora e na hora...

Perdoa os nossos pecados. Perdoa os nossos pecados.

Perdoa os nossos pecados.

Matrim�nio?

O matrim�nio � uma lei natural e portanto uma lei de Deus.

N�o discuto que o matrim�nio seja natural e santo, mas..

� l�cito e exemplar que um sacerdote se una em matrim�nio?

Se ler todas e cada uma das leis do Novo Testamento,

n�o encontrar� nenhuma que pro�ba o matrim�nio.

De fato o matrim�nio � t�o exaltado que se converte em sacramento, verdade?

A virgindade tamb�m se considera uma nobre virtude.

S�o Paulo diz: Quem se casa faz bem, mas quem permanece casto obra melhor.

Ent�o me conformo fazendo algo bom e deixo o melhor a quem possa faz�-lo.

Cristo nunca proibiu aos ap�stolos casar-se.

A maioria tinha fam�lia.

Exatamente. Mas deixaram tudo para o servir.

Por conveni�ncia, n�o por obriga��o.

Imagina mulheres e filhos cruzando �ridos desertos e subindo montanhas?

N�o, continuaram casados e bem casados at� ao final.

Assim n�o existe nenhuma lei de Deus que obrigue Grandier ao celibato?

Eu...

tomo as palavras do Criador como Evangelho:

N�o � bom que o homem permane�a sozinho.

Com isso tranquilizo a minha consci�ncia.

Quem � o respons�vel? Quem cuida disto?

Falem! T�m l�ngua. Quem � o respons�vel por isto?

Pergunto outra vez. Quem � o respons�vel aqui?

Bar�o do Laubardemont, Primeiro Presidente da Corte de Apela��o.

Membro do Conselho de Estado

e agora Enviado Especial de sua Majestade,

para a demoli��o das fortifica��es de Loudun.

Ao seu servi�o, Padre.

Com que prop�sito sua Majestade autoriza a destrui��o de nossa cidade, Bar�o?

Acreditei que seria o primeiro a adivinh�-lo, Padre, e o primeiro a aceit�-lo.

Loudun � um perigoso ref�gio de hugonotes,

que superam em numero os cat�licos. S�o o dobro.

Mas seus habitantes foram leais a Fran�a, durante as guerras religiosas.

A lealdade de hoje n�o � garantia perante a rebeli�o de amanh�.

Falo como penso. Onde est� o decreto de sua Majestade?

Seu encargo n�o � fazer pol�tica, Padre. Os penitentes esperam-no.

Grandier! Grandier!

Pergunto outra vez: Onde est� o decreto autorizando a demoli��o?

Mais que um simples sacerdote parece um Governador, Padre.

- Onde est� sua autoridade? - Aqui.

Por ordem de nosso �ltimo governador Sainte-Marthe,

assumo todos os poderes,

at� que se escolha outro novo.

- Aqui est�. - O decreto de sua Majestade atrasou-se...

s� uns dias, por mera formalidade.

Se tirar mais uma pedra dos muros de nossa cidade...

ser� um homem morto, antes que caia no ch�o.

Detenha-os!

Suspende-se o trabalho por agora, at� que se receba o decreto real.

Bom trabalho, Padre!

- Deus o aben�oe, Padre! - S� voc�s podiam fazer isto!

�timo, Padre, �timo!

- Deus o aben�oe. - Obrigado.

- Muito bem, Grandier - Deus o aben�oe.

N�o � assim t�o dif�cil de entender, Majestade.

O auto-governo das pequenas cidades provincianas da Fran�a deve acabar.

- E o primeiro passo � acabar com toda a esp�cie de fortifica��es. - Sim.

Agora � o momento para que n�s ataquemos.

Tudo deve ser destru�do

� isso o que eles querem? Um truque claro.

Cada vez que o assim chamado nacionalismo revive,

resulta clara uma coisa:

Que h� pessoas que querem ficar com o controle de todo o pa�s.

O significado das nossas muralhas � o nosso auto-governo.

- Sim, sim. - E Richelieu n�o o aguenta.

Sim. Est� enganando o Rei.

Se a Fran�a quer cumprir seu destino, deve permanecer livre. -Sim.

Uns ignorantes e t�o provincianos como n�s,

n�o querem ver al�m destas muralhas,

e por isso ordenaram que as derrubassem.

Isto nos abriria a mente?

Esses homens, senhor, n�o t�m muitas luzes...

- S�o leais � sua cidade, n�o a Fran�a. - Sim.

Quando um homem deseja tanto o poder como Richelieu...

justifica todas as suas a��es com coisas absurdas.

As fortifica��es d�o oportunidade para que os...

protestantes se sublevem contra n�s. - Sim.

Sem as nossas muralhas estaremos indefesos.

Ficaremos � merc� de qualquer inimigo:

d�beis e abandonados,

como um povo sem import�ncia.

A seguran�a da nossa independ�ncia se acabar�,

e a nossa liberdade tamb�m.

Devemos escrever ao Rei,

declarar nossa lealdade

e confiar em sua sabedoria e justi�a.

N�o!

Que o fa�am outros, Richelieu. Voc� mesmo se quiser,

mas n�o no Loudun.

Uma vez prometemos ao venerado Sainte-Marthe, o �ltimo governador...

que nunca tocar�amos nem na menor pedra da sua preciosa cidade.

N�o esperar�o que deixe de cumprir minha palavra.

N�o, Majestade.

Sim! Sim!

Cuidado, fr�gil passarinho! Voe, voe!

Outro p�ssaro protestante para a sua cesta, Richelieu.

Bom tiro, Majestade.

Adeus melro!

O Padre Mousaut era um homem bom, Deus o levou.

Mas sua morte nos cria um problema:

necessitamos de um novo Padre confessor.

� a primeira vez que o vejo, Padre Grandier,

mas Deus o p�s em minha mente, ultimamente.

Benze este anel, Senhor, que aben�oamos em seu nome,

para que quem o leve seja sempre fiel a seu marido.

Para que goze da paz de esp�rito, d�cil a sua vontade.

amando-te e sendo amada em t�, enquanto a vida durar.

E assim, Padre Grandier, confio em que ser�s nosso diretor espiritual,

para que nos guies como necessitamos.

Teu em Cristo.

Com este anel te desposo.

Dou-te este ouro e esta prata

e com meu corpo te ofere�o adora��o

e os bens que possam pertencer-me neste mundo.

Em nome do Pai,

do Filho e do Esp�rito Santo.

Am�m.

Grandier!

Grandier!

Devemos sair � luz do dia: que os sinos proclamem sobre n�s;

pois n�o devemos permanecer na escurid�o.

Amado marido!

beije-me!

Filho de advogado, sobrinho do conhecido c�nego Grandier do Seine.

Cursou estudos durante dez anos, no col�gio de Jesu�tas do Bord�us,

e depois estudou teologia, sendo ordenado sacerdote em 1615.

Foi novi�o jesu�ta. Aos 27 anos, depois de um curso avan�ado de filosofia e teologia...

foi apresentado aos influentes jesu�tas do Saint Pierre do Loudun,

- e nomeado c�nego de... - Basta!

Com sua forma��o jesu�tica pouco tem de surpreendente que seja audaz.

Se pudesse ser nomeado governador...

defenderia por igual cat�licos e protestantes.

E isso implica ter poder sobre a cidade...

melhor fortificada de todo o Poitiers, Emin�ncia.

Enquanto resistir Loudun, nunca teremos o controle de todo o Sudoeste.

Ter� que demolir as suas fortifica��es.

E esses materiais serviriam para levantar a nova cidade de Richelieu.

S� � pena que o padre rebelde n�o nos permita tocar numa s� pedra.

- Ele ou o Rei? - � um capricho.

Mas com o passar do tempo, ir� se convencer de que � a vontade de Deus.

E que acontecer� com o militante Padre Grandier, Emin�ncia?

A sua vontade n�o � simples capricho.

Embora s� para salvar sua alma, devamos esmagar o seu orgulho.

Pela sua condi��o de jesu�ta n�o vai ser tarefa f�cil. J� sabem o que dizem.

D�em-nos os sete primeiros anos da vida de um homem...

e ficaremos com o resto. Nunca o quebrar�o.

Eu tamb�m tenho minha m�xima, Emin�ncia:

D�em-me tr�s linhas escritas por um homem, e eu o enforcarei.

Portas!

Quero me casar com Grandier!

E voc�, Madeleine do Brou, quer tomar Urbain Grandier...

como leal e leg�timo marido?

Sim quero, reverendo Padre.

E seremos uma s� carne.

Por Deus, j� basta de brincadeiras de mau gosto!

Mas se for verdade. Disse-me o a�ougueiro e a ele disse-lhe o m�dico.

Foi a semana passada.

Acredito que j� n�o sinto verdadeira voca��o, Madre Reverenda.

E meu confessor deu-me um conselho:

que posso ser mais �til fora, na cidade.

Puta! Hip�crita!

Como n�o tem voca��o...? Claro que tem voca��o!

Fornicadora! Fornicadora!

Sacr�lega rameira! Sedutora.

Bruxa! Sedutora de padres!

Depravada! Mulher perdida!

Se tivesse me visto antes...

Meu rosto oculto pela touca, igual a um anjo...

ensimesmada pelas nuvens e meus olhos...

Desculpe Madre Reverenda, nosso novo Diretor Espiritual est� na Capela.

Diz que deseja v�-la.

Grandier!

Grandier! Grandier! Ainda n�o � muito tarde.

- Onde est� o Padre Grandier? - Sou o Padre Mignon.

Mas eu escrevi ao Padre Grandier.

O Padre Grandier lamenta n�o aceitar o seu...

convite para ser Diretor Espiritual desta casa.

Eu sou seu novo confessor. O Padre Grandier n�o tem tempo...

Tem tarefas muito urgentes na cidade.

Tarefas muito urgentes na cidade?

Devo me dirigir a Deus, pedindo-Lhe que me ajude.

H�bito, h�bito? N�o adiantar�. Deve ser o homem.

Fala comigo de amor: sensual...

desenfreado... Acaricia-me.

luxurioso... obsceno. Sobe em minha cama � noite...

e tira de mim o que est� consagrado ao meu divino marido, Jesus Cristo.

E que forma encobre esse pesadelo?

Um cacete!

- Grandier! - O qu�?

Grandier!

Se d� conta, minha filha, das incongru�ncias que diz?

Sim. ajude-me, Padre.

Certamente, n�o posso provar nada...

e prefiro pensar que a Madre Superiora n�o � mais que uma monja hist�rica.

Claro! Meras conjecturas.

E a gravidez da minha filha, n�o � uma prova conclusiva?

Prova de fornica��o, sem d�vida.

Sim, mas sem uma lei laica ou clerical, vai ser dific�limo prov�-lo.

Voc� sabe melhor que ningu�m, senhor magistrado.

Tem raz�o. Sua excel�ncia tem raz�o.

- J� tinha lhes dito isso! - Tirem-na daqui.

Certamente a sua evid�ncia � digna de ser levada em conta.

Uma missa nupcial blasfema, observada da parte de tr�s da Igreja.

- E na mais absoluta escurid�o. - E fornica��o; vi pela fechadura.

Estou muito bem documentado: �s 10, �s 4 e �s 8 e meia de ontem.

O seu patriotismo � admir�vel, cavalheiros. Mas isso n�o basta.

O Padre Mignon nos d� uma explica��o prometedora e muito substancial, por certo.

Mas se for um aut�ntico caso de posse diab�lica

e se puder provar que o pr�prio Grandier est� comprometido nisso,

acredito que sim, merece que se investigue devidamente, cavalheiros.

Terei muito gosto em Ihe oferecer meu conselho m�dico, Bar�o.

E eu sobre qualquer manifesta��o qu�mica ou biol�gica.

Posso assistir como parte desinteressada?

- Padre? - Claro. Este � um caso genu�no, ent�o quanto mais...

J� come�ou a sentir fortes espasmos no ventre.

- Fascinante. - N�o � estranho: sensa��o de falsa gravidez

- J� o vi antes. - N�o tem a ver com o dem�nio.

As conjecturas s�o in�teis. Necessitamos de um ca�ador de bruxas profissional.

Que se apresente o Padre Varre!

Bom dia, Irm�! Sou o Padre Varre.

- Est� bem? - Muito bem. Obrigado, Padre.

Excelente.

Est� a�? Est� a�?

Mostre-se em nome de nosso Senhor Jesus Cristo.

Querida irm� em Cristo, devo fazer-lhe algumas perguntas.

Ajoelhe-se!

Lembra a primeira vez que pensou em coisas do Diabo?

Sim, Padre. Tive uma vis�o.

Vi um homem andando pelas tranquilas �guas de um lago.

Sequei seu corpo com meu cabelo

Ali mesmo conheci um grande amor,

que continuou durante minhas preces.

N�o pude afastar esse homem de minha mente, durante v�rios dias.

Quem era esse homem?

Havia uma n�voa que me impedia de v�-lo.

N�o insistam, Por Deus. Este exorcismo p�blico foi um engano.

Vamos par�-lo ou seremos o esc�rnio de toda a cidade.

N�o estamos convencidos, minha querida Irm�.

E se n�o chegarmos a uma convic��o, n�o preciso de Ihe recordar...

que enfrenta a condena��o eterna.

- Reflita. - O que v�o lhe fazer agora?

Fale! Fale!

Uma noite veio a minha casa sorrindo.

- Diga seu nome - N�o sei. Estava escuro.

- la sozinho? - N�o, seis das suas criaturas acompanhavam-no.

E depois? Depois?

Tomou-me com ternura nos seus bra�os e levou-me � capela.

E uma de suas criaturas levou uma de minhas queridas irm�s.

Venha aqui!

Logo nos deitaram e encheram nossos corpos de obscenidades

O qu�?

Diz que ela e a suas irm�s foram obrigadas a formar um altar obsceno...

e as adoraram.

Depois levaram-nos � parte e fizemos amor.

E logo meu amor e eu, num abra�o nu,

subimos ao Para�so e banhamo-nos em muitas estrelas.

- E senti uma grande paz. - Esta mulher est� louca.

- Bom dia - Bom dia

- Onde ponho isto? - Em qualquer lugar

- Que frio faz esta manh�! - N�o podemos nos queixar

Isso n�o era o Dem�nio. Falava com a sua pr�pria voz, a de uma mulher frustrada.

- Nada mais! - N�o se d�em por vencidos t�o cedo.

Sua aparente inoc�ncia � um pecado:

uma m�scara de inoc�ncia inventada pelo ardiloso Satan�s.

N�o duvidem. O esp�rito do mal est� espreitando no mais rec�ndito de seu corpo.

Este exame m�dico o demonstrar�: iremos combat�-lo.

Isto � um fracasso!

Precisamos de mais provas. Verifiquem quan- do Grandier sai. Revistaremos seu quarto.

- Talvez sua filha possa testemunhar. - Sim, Excel�ncia, sim.

- Ent�o? - Eu, como profissional, que fala por experi�ncia...

- Com muita pr�tica, senhor. - E ent�o?

- Digamos que existiu alguma coisa. - Falem claro: houve fornica��o?

- Houve lux�ria? - Ah, sim!

Obrigado, cavalheiros. � tudo o que necessitava. Preparemos o exorcismo.

- Minha querida irm�. - Sim.

Devemos tomar medidas.

- O que querem dizer com isso? - O esp�rito do mal aloja-se em ti.

Benzam a �gua, por favor, Padre Mignon

Neste instrumento, minha filha, est� a tua salva��o.

- Cristo! Ou�a-me, Belzebu! - Piedade, piedade

Largue-me, filho de uma puta, de uma vez!

A� est� pela primeira vez. O Anticristo falou por sua boca.

Perdoem-me. N�o queria, n�o queria falar assim.

Chega de blasf�mias e insultos contra Nosso Senhor.

Por favor, Padre, falo-lhes eu agora: a Irm� Joana dos Anjos!

N�o acredito. Falas com muitas vozes.

Cristo, proteje-me contra os esp�ritos de Satan�s!

Piedade, piedade. Suplico-Ihes, piedade.

- Est�o preparados? - Sim j� estamos preparados.

Ent�o que Ihe arranquem esse esp�rito.

- Prossigam. - N�o, Padre, n�o

Eu exorcizo ao mais vil dos esp�ritos, ao mais abomin�vel inimigo...

a todos seus espectros...

a toda sua legi�o em nome de Cristo,

para que saia do corpo dessa criatura de Deus.

Estes padres s�o uns depravados.

Eles s�o culpados de sacril�gio abusando de uma inocente.

Provocaram os padres deliberadamente.

desonraram a casa de Deus, com este espet�culo blasfemo.

- Est�o cegos todos?

N�o est� possu�da pelo dem�nio.

- S� sofre de dor e histeria. - � uma ofensa contra o Esp�rito Santo.

Quem s�o esses dissidentes?

O mas baixo � Legrand, o padeiro; o outro � Rangier, dono do maior Hotel.

Daqui a pouco nos interessaremos pelo neg�cio das provis�es, meu amigo.

Excelente! Faremos disso um neg�cio fabuloso.

A esta��o tur�stica adianta-se este ano. Precisamos de um teatro maior.

O dem�nio, conforme dizem, abandonou o corpo...

da Madre Superiora, �s 15 para as nove, exatamente.

Quem � o respons�vel por esta posse do dem�nio, Irmana Joana dos Anjos?

- Um sacerdote... um sacerdote - De que igreja?

- Da Igreja de S�o Pedro. - De S�o Pedro

Diga-nos o seu nome.

- Grandier. - Grandier!

N�o v� amanh�.

Tenho que ir.

Se quiser salvar a cidade, tenho que ir.

Acabe com essas cal�nias e v� ver o Rei.

E perder a Audi�ncia Real pelo que diz uma monja louca?

Enquanto estiver fora se esquecer� todo este rid�culo assunto. Agora, durma.

Ofendeu esta mulher de alguma maneira?

Nunca a vi

Ent�o por que te acusa?

Quem sabe?

As mulheres enclausuradas d�o-se por inteiro a Deus

mas excepcionalmente algumas preferem entregar-se a um homem.

Quero dizer: imagine despertar de noite, com algum sonho...

Um sonho de sua inf�ncia... ou de seu amante.

Ou inclusive a vis�o de uma boa comida, tudo isso se torna pecado.

Ter� que pegar o chicote e castigar o seu corpo.

Isto � disciplina...

mas a dor � sensualidade.

E nessa inunda��o de imagens mesclam-se o horror e a lux�ria.

Minha querida irm� em Jesus, parece que se fixou em mim.

N�o h� nenhuma raz�o. S�o falat�rios adornados e aumentados.

Mas no deserto de uma vida frustrada, isso nos d� esperan�as...

e com a esperan�a nasce o amor.

E com o amor vem o �dio.

Assim � como se eu tivesse possu�do essa mulher.

Que Deus a ajude na sua mis�ria e desgra�a...

e que te aben�oe

e te cuide, enquanto eu estiver fora.

S�o acusadas de ser aliadas do dem�nio...

e de obstruir os esfor�os do Padre Varre para salvar � Irm� Joana.

De se rebelar contra a vontade da Igreja,

contra a de Cristo e a de seu mais alto representante:

o Cardeal Richelieu.

E ao resistir aos oficiais da Coroa, em cumprimento de seu dever...

cometem delito de trai��o:

e vos obstin�is na heresia.

N�o existe maior baixeza.

S�o traidoras e ser�o executadas. Agora!

Basta!

Deus me revelou que estas boas irm�s...

sofrem a mesma febre que atormenta o corpo da Irm� Joana.

O mal de sua carne poluiu a juventude e inoc�ncia de seus corpos.

Seu pecado se estende como a praga.

Se o Padre Varre tiver raz�o, minhas queridas irm�s,

ainda podem salvar-se.

N�o ser�o as primeiras que v�m a luz.

S�o tentadas: o dem�nio est� em sua carne.

O esp�rito malvado de Grandier tomou posse de suas almas.

Agora resistem, mas logo encontrar�o o caminho.

- Gritar�o? - Sim

- Blasfemar�o? - Sim

J� n�o ser�o respons�veis pelas suas a��es.

Denunciem o malvado professor Grandier e achar�o a salva��o.

Conjuro-te serpente do mal, em nome de que julga os vivos e os mortos...

em nome do Criador do mundo, que tem poder para te mandar para o inferno.

S� umas linhas antes de retornar a casa: o Rei mostrou-se muito pormenorizado.

Logo depois de ler nossa peti��o ordenou, por carta, que deixem nossos muros intactos.

Dificilmente podia imaginar que algo t�o importante se resolvesse t�o facilmente.

quanto mais penso, mais me parece que o cora��o do Rei...

est� movido por algo mais que o senso comum e a compreens�o.

Todas as manh�s despertava com um otimismo t�o est�pido como absurdo.

A aut�ntica explica��o � que Richelieu manda no Rei.

Mas no momento o Rei nos sorri.

Mas possivelmente n�o durar� muito. Necessitaremos de ajuda e coragem.

Tenho estranhos pensamentos.

Sinto-me como um homem perdido, que sempre esteve perdido.

Agora ao menos, por muitas raz�es, tenho uma vaga id�ia de seu significado:

penso em mim como numa pequena parte da abund�ncia de Deus,

que inclui tudo. E sei que quero servir este prop�sito.

Quero servir ao povo de Loudun, servir a ti.

Reze por todos; sobretudo por mim.

Oh malvado, em nome do cordeiro que venceu o le�o e o drag�o,

abandona o corpo desta mulher.

- diga-me, diga-me. - � o ventr�culo esquerdo.

- � parte do cora��o de um menino. - Sacrificado num AQUELARRE, sem d�vida.

- Olhem: uma h�stia consagrada - H� sangue, sangue de um homem.

E essa subst�ncia viscosa s� pode ser s�mem.

- E isso o que �? - Cenoura

Aten��o: chegou sua Excel�ncia

N�o desejo querido Padre, incomod�-lo nas suas devo��es.

E nunca teria imaginado que um membro da Fam�lia Real, pr�ximo do Rei,

ocupasse a presid�ncia ao lado de Deus.

- No mesmo n�vel. - Estou ao seu servi�o

Estas mulheres anormais est�o possu�das pelos dem�nios, n�o � assim?

- Atuam...

- Atuam instigadas por um sacerdote. - Entendo.

- Muito divertido. Que sigam as devo��es! - Beije-me, beije-me.

Essas s�o mulheres, querido. olhe-as bem.

Vomite, se quiser. N�o, n�o as toques.

O homem nasceu delas: s�o sujas e repugnantes;

ovos incubados em esterco.

N�o, n�o enrugue teu narizinho, meu pequeno. Tome, sinta este perfume.

Agrada a certos homens.

Esse pobre e libidinoso padre, Grandier, merece tudo o que tem.

Com sua permiss�o, Senhor, come�arei.

- Por favor, prossigam. - Mas, primeiro, quero fazer uma declara��o.

Esta cust�dia cont�m a sagrada eucaristia.

Pai do C�u, pe�o que seja confundido

e que as maldi��es do Nat�n e Avir�n caiam todas sobre mim,

se tiver pecado ou me dobrei a algo ou algu�m neste assunto.

Um gesto muito louv�vel, querido. Bravo!

Leviat�. Leviat�!

Enraive�a-se!

Enraive�a-se em nome de nosso Senhor Jesus Cristo.

Vejo que n�o usam o latim para falar com estas criaturas. por qu�?

A convers�o n�o se obt�m pela l�ngua...

quando se trata de uma pessoa t�o bem educada como ela, Senhor.

Est� bem!

Escute, vou pronunciar um nome para seus ouvidos: Grandier.

Grandier!

Padre! Posso tentar com isto.

- O que � isso? - Santas Rel�quias da Capela Real.

Um frasco com sangue de nosso Senhor Jesus Cristo.

Diga-me, Padre, que efeito produzir� esta rel�quia nos dem�nios?

- Afastar�-os, senhor. - De uma vez? - Imediatamente.

Embora n�o possa garantir que n�o voltem, ao retirar a rel�quia.

Certamente que n�o. Seria pedir muito. Querem tent�-lo?

No nome do Pai do C�u, conjuro-te besta desprez�vel,

para que ao ver esta sagrada subst�ncia, saia...

Sou livre!

- Sou livre. - Seja bem-vinda, minha filha.

V�, Padre?

Senhor, que tipo de truque usaste em n�s?

Reverendo Padre, � o mesmo truque que usastes em n�s.

Divertam-se!

Adeus, senhoras. Alegro-me de Ihes ter servido de ajuda. Vamos, querido!

Senhor, ore por n�s!

Voce Deum!

Sei que sou um homem d�bil e mau.

Mas depois desta viagem, talvez encontre a for�a para mudar,

para atrair para mim a boa vontade e sabedoria que h� no povo de Loudun.

O Rei concedeu-nos as nossas pedras. Temos que Ihe mostrar que a cidade...

� a for�a que reside no cora��o dos homens.

A cobi�a e a degrada��o nunca a destruir�o.

E com a ajuda de Deus trocaremos suas muralhas...

por terra�os da cor das estrelas.

Salve-se, minha filha! salve-nos a todos!

Expulse seu malvado sedutor para sempre.

Clame a sua culpa ao mundo.

D�-nos paz. d�-nos paz.

N�o te submetas a mim, mas ao ministro de Cristo.

Seu poder te estimula. O que se submeteu � cruz.

Convertestes a casa do Senhor num circo...

e aos seus servidores em palha�os.

Seduzistes o povo, s� para destrui-lo.

perverteste inocentes.

N�o foi essa inocente criatura, Madeleine du Brou...

pervertida pela missa blasfema do matrim�nio?

N�o era uma blasf�mia. Casamo-nos, sem culpa, aos olhos de Deus.

Ele � testemunha de nosso amor.

Eu me prostitui... com Grandier.

Eu me prostitui.

Prometeu me fazer princesa da Corte do Diabo e levou-me a um AQUELARRE.

Devorou meu corpo e quando estava nu, descobriu as cinco marcas do mal.

A primeira marca no ombro, a segunda na l�ngua,

a 3� na coxa, a 4� e a 5� em seu test�culo direito e esquerdo.

Se n�o fluir sangue ao cravar estas partes...

� sinal inequ�voco do Diabo.

N�o!

Chamem-me de vaidoso e pecador:

o maior pecador que houve nesta terra de Deus,

mas n�o fui nunca servidor do Diabo.

N�o tenho humildade.

Sei o que semeei e recolherei o amargo fruto.

Mas voc� Madre Reverenda, sabe o que deve oferecer...

para realizar seus desejos comigo?

Eu Ihe direi:

A sua alma imortal � condena��o eterna.

- Pe�o a Deus que tenha piedade de voc�. - Prendam-no.

- Sob que acusa��o? - Heresia.

O Padre Grandier � inocente.

Este processo � uma manobra para condenar um homem honrado.

- Prendam esses homens. - Ele � um deles; � um deles

Beijou a n�dega de Satan�s. � um fornicador de mulheres.

� um compl�. Devemos impedir isto.

� um pretexto para separar uns dos outros e apoderar-se da nossa cidade.

A tortura consumir� seu corpo.

Temos que lutar...

N�o se rendam! N�o se rendam! Ajudem-me!

N�o sangra ao cravejar-lhe a l�ngua: signo inequ�voco do Diabo.

Senhoras!

Por favor!

O chamado sacerdote Urbain Grandier, violou e manchou minha pessoa seis vezes...

entre a meia-noite e o amanhecer de 13 de Maio do ano do Senhor de 1634.

E recorda, irm�, qualquer tentativa de se retratar de tudo ou parte do dito,

ser� suficiente para te condenar n�o s� nesta vida,

mas tamb�m na que nos espera.

Isto, minha filha, � por causa de Grandier.

N�o se ver� livre de culpa, enquanto n�o se fizer justi�a.

Oh Cristo!

Cristo me ajude!

Quero...

Oh Deus, preciso do Senhor!

Acreditava t�-Lo encontrado

e agora me abandonas.

O bar�o de Laubardemont deseja que a confesse outra vez, querida irm�.

Sim, desejo me emendar.

Grandier!

Fiz que condenassem um inocente, Padre.

Pobre filha, enganada!

N�o � voc� quem fala, mas o diabo que tens dentro.

Tenta proteger o Grandier.

O exorcismo falhou.

Devemos recorrer a outros m�todos.

In nomeie Patris...

...et Filii... et Spiritus Sancti.

Dormiu bem?

Com todo este barulho?

H� milhares l� fora. Onde vamos arranjar camas para todos?

- Al�m disso est�o excitados. - Por que motivo?

Ah! Pela sua execu��o!

Ainda n�o fui julgado.

De acordo, como queiras. Ser� julgado ent�o.

Mas antes ser� torturado.

Como est� Madeleine?

Dando os �ltimos toques � confiss�o dos seus pecados.

Bem. Ent�o eu confirmarei as suas acusa��es.

J� pensou no sofrimento que o espera?

N�o ser� muito diferente da dor que j� vi.

Certo. Trocar� somente a pessoa.

Desta vez sofrer�o voc�s, n�o sua Congrega��o.

A dor me horroriza.

Talvez os juizes o considerem desnecess�rio.

Ou talvez, como pessoa que gozou com tanto prazer,

dever� sofrer dor, que � a irm� feia do prazer,

sem as habituais lamenta��es.

Gritarei e admitirei tudo.

Oh, vamos Grandier! Um homem como voc�!

Precisamente por isso.

E por que n�o oferecer tal sofrimento a Deus?

Viveu para gozar de seus sentidos.

Poderia entregar agora a vida por eles.

Tentarei, Bar�o.

- Espero que rezem por mim. - Farei isso, Padre.

Farei isso.

- E eu o farei por voc�. - Fica um consolo:

o inferno n�o ser� uma surpresa para voc�.

Que Deus tenha piedade de n�s dois!

As evid�ncias contra voc� s�o irrefut�veis.

A sua casa foi revistada.

encontramos v�rios manuscritos.

Entre eles este panfleto dirigido contra sua Emin�ncia, o Cardeal Richelieu.

Tamb�m sublevou o povo contra sua Emin�ncia...

denunciando-o em pra�a p�blica.

Notas e cartas pessoais foram tamb�m descobertas

E encontrou-se um tratado sobre celibato eclesi�stico.

O homem parecia estar muito apaixonado, quando escreveu isto.

Al�m disso temos a confiss�o escrita de sua esposa.

- O que lhe fizeram? - Est� muito afetada pela sua culpa

para podermos usar o seu testemunho...

sobre a cerim�nia do seu matrim�nio com o acusado...

celebrado na pr�pria Igreja de Saint Pierre.

Foi uma cerim�nia real. Um simples ato de entrega, feito de cora��o,

com a esperan�a de chegar at� Deus,

por meio do amor a uma mulher.

Temos tamb�m cartas de mulheres com que n�o se casou.

Uma das quais parece sugerir, que manteve rela��es sexuais...

- sob o mesmo teto da Igreja. - Pelo amor de Jesus Cristo,

Se querem destruir-me, fa�am-no.

acusem-me de denunciar as porcarias pol�ticas...

e os males de Estado e me declararei culpado.

Mas, que homem aceitaria um processo sobre tolices de juventude?

Velhas cartas de amor e outros objetos pat�ticos,

esquecidas nas gavetas ou no fundo dos arm�rios.

Coisas sem import�ncia, que me ajudavam a recordar...

- que alguma vez fui amado. - Continuo com as evid�ncias.

meus senhores, ouvimos o testemunho de prestigiosos cidad�os...

que confessam ter sido enfeiti�ados por voc� para assistir a uma Missa Negra.

ouvimos falar aut�nticos diabos, pela boca das monjas Ursulinas,

jurando uma e outra vez que o acusado � um feiticeiro.

E assim, quando o ordena o santo exorcista,

o diabo se v� obrigado a dizer a verdade.

- E seguindo esta tese... - Mentiras!

Mentiras e heresia!

O dem�nio � um embusteiro e o Pai das mentiras.

Se aceitar-se a declara��o do diabo, o povo virtuoso corre grave perigo,

porque contra ele, Satan�s desata toda a sua viol�ncia.

N�o tinha posto os olhos na Irm� Joana dos Anjos...

at� ao dia de minha deten��o.

Mas o Diabo falou e duvidar da sua palavra... � sacril�gio.

Voc� perverteu totalmente a doutrina de Cristo.

Esta � outra nova doutrina: a nova doutrina do Laubardemont.

A doutrina especialmente inventada por Varre para esta ocasi�o

que � o trabalho de homens, que n�o se preocupam com os fatos

nem as leis, nem a teologia,

Mas uma experi�ncia pol�tica que mostra como a vontade de um s� homem,

pode ser usada para destruir n�o s� um homem ou uma cidade,

mas uma na��o. - Este n�o � um julgamento pol�tico.

Levem o prisioneiro.

O Tribunal vai se retirar para considerar um veredicto.

- Bom dia, doutor! - Bom dia.

- Bom dia, farmac�utico. O que � isso? - � uma navalha

- � imprescind�vel. - Sim, ordem do Tribunal.

Meu bom doutor, estudou tantos anos para acabar assim?

- Um vulgar barbeiro. - N�o est� em condi��es de julgar ningu�m.

Adiante. A Corte espera para ditar a senten�a.

Um momento.

- T�m um espelho? - N�o, claro que n�o. - Espera!

Use isto.

Escutem-me, boa gente,

a hist�ria de tr�s diabos.

O primeiro na alma de um padre,

oculto na m�scara da lux�ria.

O segundo, no cora��o de uma monja,

condenada por pouco piedosa.

O terceiro unido a uma donzela,

que era doce e bela.

Ou�am-me, boa gente...

Sil�ncio no Tribunal!

Urbain Grandier, � considerado culpado de com�rcio com o Diabo.

utilizou esta alian�a pecadora, para possuir, seduzir e violentar...

algumas das irm�s da Ordem da Santa �rsula.

Tamb�m � considerado culpado de obscenidade, blasf�mia e sacril�gio.

� condenada igualmente a ajoelhar-se...

ante as portas de S�o Pedro e Santa �rsula

e ali, com uma corda em torno do pesco�o e um c�rio de duas libras na m�o,

pedir perd�o a Deus, ao Rei e � justi�a.

Depois ser� levado � Pra�a, atado a um poste e queimado vivo.

E depois de tudo isto, suas cinzas ser�o dispersadas aos quatro ventos.

Disp�s-se colocar na capela das Ursulinas uma placa comemorativa.

Seu custo, ainda n�o determinado,

ficar� a cargo do patrim�nio confiscado do r�u.

Por �ltimo, antes de que se leve a cabo a senten�a,

ser� submetido a perguntas tanto ordin�rias como extraordin�rias.

Ditado no Loudun, a 18 de Agosto de 1634 e executado o mesmo dia.

Tem algo a dizer?

Meus senhores, sou inocente dessas acusa��es.

E tenho medo.

Mas o meu cora��o alberga a esperan�a de que antes de que o dia acabe,

Deus Todo-poderoso olhe... ao seu redor

e deixe que meu sofrimento expie minha v� e desordenada vida.

- Am�m. - Am�m.

Vamos! Confesse a sua culpa! Diga os nomes dos seus c�mplices!

E talvez, suas senhorias os juizes, achar�o por bem lhe perdoar.

Eu n�o tenho c�mplices. Estes crimes n�o s�o meus crimes.

Por favor, basta de loucuras!

Os dois sabemos por que me levou a julgamento...

e ambos sabemos por que me declarou culpado.

Diabo! Bruxo! Herege!

Ignorem-no! O que v�em n�o � dignidade, mas orgulho.

O orgulho do culpado. Sua calma n�o � mais que a insol�ncia do inferno.

O julgamento d�-se por conclu�do.

Renega o perd�o e Deus Supremo acusa-o de ter violado as suas leis,

como te acusa Seu filho Jesus Cristo, a quem ousou desafiar e crucificar.

E acusa-o a humanidade inteira.

Suplicamo-Ihe com a maior humildade, Senhor, que com sua bondade aben�oe

estes instrumentos que criaste e nos deste para nosso uso sagrado.

Tamb�m h� diabos em pe�as de madeira, Varre?

Se n�o fossem, os seus diabos poderiam evitar com suas artes infernais,

que a tortura te fosse menos penosa do que deve ser.

E assim nunca se confessarias e a sua alma seria condenada eternamente.

Est� preparado para se confessar?

- Fui um homem,

amei mulheres,

- Gozei o poder. - N�o � isso o que queremos.

� um mago, que tem feito entendimentos com os dem�nios.

Exorcizo-o, esp�rito covarde, em nome de Deus todo-poderoso,

para que saia deste homem.

Confesse! Confesse!

� poss�vel que acredite conscientemente que um homem deve confessar...

crimes que nunca cometeu,

- s� para se livrar da dor? - Apertem!

Oh Deus!

Mais cunhas!

Por favor, Deus, que toda esta dor n�o me fa�a esquecer de Ti.

- Confessou algo? - Pediu a Deus que lhe d� for�as.

Seu Deus � o pr�prio Diabo. Torna-o insens�vel � dor.

N�o prestem aten��o a estas l�grimas.

- S�o l�grimas do Diabo. - Confesse

H� seis mil almas crist�s que te esperam na pra�a do mercado.

Diga-me: Ama a Igreja?

- Hoje n�o. - Quer que seja mais poderosa,

mais benevolente, que consiga abra�ar a todas as almas da Terra?

Ent�o, ajude-nos a alcan�ar t�o grande prop�sito.

V� � pra�a do mercado como penitente. Confesse.

E uma vez feito isso, proclame a essa multid�o...

que regressou ao seio da Igreja.

Manifestando o seu arrependimento, far� um servi�o a Deus.

Dar� �nimo aos incr�dulos.

Um ato assim pode minar os mesmos alicerces da Igreja.

Voc� j� n�o � importante. Pensa ser ainda algu�m importante?

Eu nunca fui... importante.

Ent�o tenha o seu �ltimo gesto pela f� cat�lica.

V� embora, Laubardemont! � um ser desprez�vel.

Sabe que o Rei n�o cumpriu sua palavra pelo seu crime?

- Os muros da cidade ser�o derrubados! Ganhamos!

- Perdestes. - Ganhamos.

Assinem!

Assinar�!

Levante-se!

- Que lugar � este? - O convento da Santa �rsula.

Um lugar que voc� profanou.

Fa�a o seu dever.

Pe�a perd�o � irm� Joana e a estas boas mulheres que deixou perdidas.

- N�o fiz tal coisa.

S� posso pedir a Deus... que as perdoe.

Sempre ouvi falar da sua beleza...

e agora a vejo com meus pr�prios olhos e � verdade.

Olhem o que sou...

e aprendam o que significa o amor.

Diabo!

Diabo!

Diabo!

Diabo!

Oh Asmod�, cede ante Deus que te condenou na pessoa de Judas, o traidor,

porque com os malvados arder�s nas chamas eternas at� ao final dos tempos!

Afasta-te do pecado. Afunda-te no fogo eterno,

Prepare-se para o Dem�nio e seus anjos.

Que o teu castigo seja a perp�tua condena��o.

Porque te reunir�s com o professor de todos os crimes...

instigador de todos os pecados e professor de hereges.

Devo pedir perd�o, Padre, pelo que vos farei, mas fareis o discurso, se quiserdes.

As chamas n�o o consumir�o em vida, porque o vou estrangular.

Ser� r�pido: prometo-Ihe isso.

Exorcizo-o, criatura de madeira, em nome de Deus Todo-poderoso.

Confesse! Confesse! Pe�a perd�o!

Perdoem-me por ter defendido t�o mal a vossa cidade!

Confesse! Confesse!

Olhem como tem d�vidas! Olhem como nega o seu Redentor!

- Confesse! - J� acabei a minha confiss�o

D�em-me o beijo da paz e deixem-me morrer.

Beijar o diabo, o esp�rito do mal, o Anticristo...

o po�o de iniquidade de todo mal! Nunca!

Judas! Judas! Judas! Judas! Judas! Judas!

Para ti, esp�rito �mpio e seus anjos preparamos este fogo inextingu�vel.

Porque � o senhor dos crimes malditos.

A cabe�a do sacr�lego, o professor das piores a��es.

O guia dos hereges. O inventor de toda a obscenidade.

Judas! Judas! Judas! Judas! Judas! Judas!

Confesse que � um servidor do Diabo!

Renuncie ao teu amo!

Vou reunir-me com Deus que � minha testemunha.

Disse a verdade!

Confesse! Confesse! S� te resta um momento de vida!

S� um momento e em seguida comparecerei ao julgamento que me far�o.

Espero sua chamada.

Que seu corpo se consuma no fogo eterno! Agora morrer�s!

Antes te estrangularei. Prometi-Ihe que o estrangularia.

� isto o que me prometeram?

Onde est� a soga? Onde est� a soga?

A soga! D�em-me a soga!

As chamas! As chamas! N�o posso! Sinto muito, Padre! Sinto muito!

Arde! Arde!

Por fim, a honra da tua M�e foi vingada!

Que sorte tem bastardo! N�o acontece todos o dias...

que um menino presencie a execu��o de seu pr�prio pai na fogueira.

N�o olhem para mim!

Olhem para a sua cidade!

A sua cidade est� sendo destru�da!

E a sua liberdade com ela!

Arrependa-se no fim!

Confesse! Confesse!

Se querem continuar...

livres,

lutem.

Lutem contra eles ou ser�o seus escravos!

Estou purgando os meus pr�prios dem�nios.

- Que dem�nios? - Isacaron, Balaam

Dizem que podem enfrentar a Igreja, mas n�o podem com esta cadela.

N�o est� hist�rica?

- Onde est� o Padre Varre? - Foi ao Poitiers.

Dizem que uma monja teve rela��es com Isacaron,

transformado num c�o de tr�s patas.

Mas, se amanh� ia celebrar um exorcismo p�blico em S�o Pedro.

- O Padre Mignon pode faz�-lo. - O Padre Mignon foi afastado.

Ficou louco. Balbucia que condenamos um homem inocente.

Como n�o tem confiss�o que prove o contr�rio, todo mundo � da mesma opini�o.

� uma pena! Agora que Grandier desapareceu, j� n�o est� possu�da.

- � simples. - O que tenho que fazer?

Reza pela salva��o, fa�a penit�ncia, fique tranquila aqui...

E o que mais?

Pode ser que alguns turistas lembrem deste fato, mas n�o durar� muito.

Logo a cidade morrer� e a deixar� em paz...

e no esquecimento.

Ah! Quase me esquecia...

uma lembran�a.

MOVIMENTO CINEMA LIVRE

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