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Original subtitles

O lugar é a Espanha.

O ano é 1570.

Uma época em que os homens viviam de intrigas,

e morriam de forma violenta.

A Espanha, que governa metade do mundo,

é governada por sua mais católica majestade, Felipe II.

Rei da Espanha, Sicília, Nápoles, Países Baixos e Jerusalém.

Conhecido como o homem mais poderoso do mundo.

Na realidade um homem assustado.

Cuja coroa não repousa tranquilamente sobre sua cabeça.

Assediado e sempre em guarda contra as conspirações

de seu irmão ambicioso, Príncipe Juan.

Que desde seu exílio em Bruxelas,

Constantemente trama para tomar o trono de Felipe.

Perdido, sem a firme e a orientação leal de seu Grande Primeiro Ministro, Ruy Gomez,

Que faleceu há três anos atrás.

Temeroso de confiar em qualquer um,

devido a dúvida,

Felipe viaja desde da capital, Madrid,

em busca da influência da viúva de Ruy Gomez.

Ana de Mendoza, Princesa de Éboli e Primeira Dama da Espanha.

Eu ouço as trombetas do rei. Ele está vindo, mãe, ouça.

Calma querido, não pode receber o Rei com a camisa de fora.

Deixe-me ir somente até a varanda, para olha...

Jamais deve olhar o Rei por cima, querido.

Não se esqueça, primeiro se ajoelhe e beije a mão dele, e depois...

Mãe!, eu sei de cor.

Esta casa se honra com sua presença, senhor.

Todo que está nela, te pertence.

E tenha certeza...

Pobrezinho, é demais para ele.

... a seu serviço.

Em nome da minha mãe, a Princesa de Éboli.

Seja bem-vindo, Majestade.

Eu fui muito bem recebido, Alteza.

Se nota que meu afilhado é filho de Ruy Gomez...

e de sua mãe.

Bem, Ana...

Parece cansado, Felipe, e tão tenso.

- Trabalha muito. -Me sinto renovado, só por estar aqui.

Quantas horas felizes passei aqui contigo e com Ruy.

Houve melhoras.

Você faz um desenho complicado.

É um novo encosto para nossa cadeira.

O velho já está muito gasto.

Minha cadeira.

Obrigado, Ana.

Querida, "caolha".

Ninguém mais a chama por esse apelido?

"A mulher de um olho só".

Não desde que Ruy faleceu.

Ele dizia de forma carinhosa.

Diga-me Ana, creio que, nunca lhe perguntei.

Você, realmente, perdeu seu olho por minha causa?

Faz tanto tempo.

Eu era uma criança impulsiva.

E o pajem seu pai não era maior que o meu filho.

O que importava se ele queria que seu irmão fosse o Rei ao invés de você.

- Você me defendeu. - Sim, Felipe.

Este foi o único duelo que lutei. Por você.

- Sempre acreditou em mim. - Sim.

- Sempre acreditei em você. - E eu em você.

Não importava o que Madrid dissesse sobre você.

E por que se importaria?

Já que o pior que puderam dizer, era que eu era amante do Rei.

- Não perdeu sua franqueza. - Desculpe.

- Aborreci você? - Ao contrário.

Me faz recordar os bons tempos.

Como é doce o som na tranquilidade do campo.

Não são os sinos da Santa Maria da Almudena.

- Isto é o que eu sinto falta de Madrid. - Por isso estou aqui.

Ana, está na hora de voltar para Madrid.

Sou feliz aqui.

Fernando está crescendo, você deve isso a ele.

Ele é feliz aqui.

Vamos, Felipe.

Por que motivo quer que eu volte para Madrid?

Ana, você é uma Mendoza.

Ainda é um sobrenome respeitado na Espanha.

Não veio até aqui só para me dizer isso.

Se lembra de Antônio Pérez?

Aquele arrogante perfumado de Aragon?

Meu ministro mais brilhante.

Ele tem imaginação.

Consegue realizar objetivos.

Pensava que Mateo Vázquez era seu homem mais forte.

Não confio tanto nele quanto em Pérez.

Vázquez poderia apoiar o complô de meu irmão.

Pérez é um oportunista.

Sei que ele tem dinheiro, é ostentoso e sua moral é duvidosa.

Mas eu posso contar com ele.

Ele é leal ao meu trono.

Se confia tanto nele, por que não o nomeia como primeiro Ministro?

Seu marido, Ruy Gomez, foi meu primeiro Ministro.

Somente quando ele morreu que pude governar a Espanha.

Somente após.

Agora você tem dois secretários.

E fará um ficar contra o outro.

Jogo muito perigoso, Felipe.

Mantêm o poder em minhas mãos.

É tão pouco o que lhe peço, Ana.

Todavia, ainda não pediu.

Os nobres não veem Pérez com bons olhos.

Não é nenhum caipira.

Porém se Ana de Mendoza o recebesse em sua casa,

então não teriam escolha.

Não comparto contigo essa simpatia por esse Pérez.

Nem creio que um camponês seja um bom primeiro Ministro.

Não, Felipe.

Não ajudarei a apoiar a carreira dele.

Não perdeu sua audácia, Ana.

Felipe, não existe audácia entre amigos.

Então entre amigos...

peço que volte, Ana.

Madrid é muito solitária sem você.

Em esconderijos secretos, mesmo na capital,

Homens se reúnem a noite para planejar a queda de Felipe.

e a subida ao trono do Príncipe Juan.

Encorajados pelo crescente número de partidários,

fanáticos devotos do príncipe exilado,

os conspiradores são liderados por um ex-guarda-costas de Felipe,

e agora conselheiro pessoal do Príncipe Juan:

Juan Escobedo.

Arrogante, implacável, ansioso da chagada da hora decisiva.

Príncipe Juan é o herdeiro.

Não se enganem.

PALÁCIO DO MONASTÉRIO DE FELIPE - EL ESCORIAL.

- Entregaste a carta? - Como ordenou, excelência.

- Bem? - Sua Majestade se zangou muito.

Mandou chamar imediatamente a Antônio Pérez.

Não podia ter sido melhor.

Não invejo o Rei neste momento.

Quem sabe, se os dias em que a Espanha tenha dois secretários de estado

chagaram ao fim.

A estrela de Antônio Pérez está se apagando.

Sim, quem sabe.

Espero que voltemos a ter um primeiro Ministro que guie o Rei sem interferências.

Dom Mateo Vázquez?

Não seria modesto para mim dizer, mas quem é mais qualificado?

Foi uma sorte que a carta de Escobedo chegasse até mim.

Leia isto.

- Vázquez interceptou. - Ah, a eficiência de Mateo Vázquez.

Acabará sendo nossa perdição.

Não fui quem me convenceu de que Escobedo assessorava meu irmão.

Pode ver o resultado. Escrito pelo próprio Escobedo.

para o Príncipe Juan.

"Alteza:

Agora é a hora de atacar, peço pressa.

Ignore a política de paz do Rei e todo o exército estará contigo.

Serás mais grandioso em Espanha que seu irmão,

e um sério aspirante ao trono".

O que mais devemos fazer antes de acusá-lo de traição?

Processem Escobedo.

Os tribunais farão o resto.

e o executor.

Majestade.

- Essa é a solução proposta por Vázquez? - Por que não?

Majestade...

Escobedo será julgado ou será o seu irmão?

O povo acreditará que isto foi ideia de Escobedo?

Não pode haver julgamento, Majestade.

Pelo bem do seu bom nome e pelo bem da Espanha.

Eu sou a Espanha.

Esse é meu direito divino.

Não haverá julgamento.

Sabia decisão, Majestade.

Falarei com Escobedo e o farei ver a luz.

Morrerá nas mãos de um executor desconhecido.

Majestade!

Não era essa minha intenção.

É a minha ordem.

Por escrito.

Pelo bem da Espanha.

Eu peço clemência, Majestade. Deixe-me este assunto em minha mãos.

Serei responsável pela conduta futura dele.

Peço por isso pelo seu próprio interesse.

Majestade, Juan Escobedo não é um oponente a sua altura.

Isabel da Inglaterra, essa sim.

William, o Silencioso, sim.

Henrique da França, sim.

Porém. Juan Escobedo não, Majestade.

As vezes falas da mesma forma que Ruy Gomez.

Você está ficando muito hábil em manipular o seu Rei.

Não aspirarás a ser outro Ruy Gomez em minha vida.

Não é, Antônio?

Jamais aspiraria a tal distinção, Majestade.

Que assim seja.

Confiarei o assunto de Escobedo a você.

Rezarei a Deus que tenha bom juízo.

Obrigado, Majestade.

ENTRADA DE MADRID

Este é o mundo da traição,

e a pedido do Rei, Ana de Mendoza regressa.

Alteza.

Em nome de Sua Majestade, seja bem-vinda a Madrid.

Obrigada, capitão. Sua Majestade é muito amável.

Comitiva, adiante.

Que bom estar em casa.

- Todos te conhecem, mãe. - Também te conhecerão, querido.

Excelência.

Olá, Diego.

- Quais são as novidades de hoje? - Uma importante e logo abaixo de nossos narizes.

A Princesa de Éboli.

O que a trás de volta a Madrid?

Talvez tenha vindo ver Dom Inigo tourear.

Não seja estúpido.

Ela não se impressionaria com esse pavão, ainda que seja seu primo.

No, Diego.

Se ela saiu de seu retiro, deve haver algum propósito.

A questão é qual.

Qual a diferença? Somente é uma mulher a mais em Madrid.

Não é uma mulher qualquer. Essa é Ana de Mendoza.

Ela tem mais poder que qualquer...

Já estou indo!

"Sua Majestade perdoo 14 prisioneiros políticos,

para celebrar o regresso da Princesa a Madrid".

Agora você entende o que eu me referia sobre seu poder.

Boa postura a de Don Ínigo.

Vá para Aragon algum dia, Esperanza.

Lá você verá uma verdadeira tourada.

Lá não é um espetáculo encenado para a aristocracia.

Como aqui em Madrid.

Essa é Ana de Mendoza.

Excelência! Excelência!

Seu primo conseguiu que saísse de seu retiro.

Bem-vinda prima, eu dedico meu touro a você.

Cuidado com o touro, não tente em trazer-me uma orelha, Inigo.

Não deixarei que o nome de Mendoza fique mal falado.

Boa tarde, senhora.

Havia esquecido como ele é chato e pomposo.

Tem bom aspecto.

Espero que também tenha em dentro de meia hora.

Ínigo melhorou muito desde que começou a montar a Reinalta.

Meu elegante primo necessita de ajuda para matar o touro.

Ah, não, me disseram que ele é muito bom nisso.

Reinalta é apenas a isca do touro.

A sela está frouxa.

Não deixe de ver.

Ah, olhe touro.

Bernardina,

Diga a Dom Antônio que o convido para o jantar hoje.

Dom Antônio?

Sua Alteza pede perdão por se atrasar, uma visita imprevista.

Dona Bernardina.

Me alegro de ver-lo nesta casa.

- Me alegro que regressaram a Madrid. - Já era hora, também.

Nunca gostei que manter luto no campo.

Uma mulher que perde seu marido deve se conformar...

Se está casada por 30 anos, é lógico que fique de luto.

- Já é hora dela se divertir. - Ela sabe como?

Isso é algo que se pode aprender.

O problema é que ela é boa, ridiculamente boa para um mundo tão mal.

Boa noite.

Boa noite Dona Bernardina.

Boa noite, Dom Juan.

Ele vem aqui com frequência?

Sua Primeira visita.

Se conheço a Juan Escobedo,

não será a última.

Sua Alteza o verá agora, excelência.

Encantado, Dona Bernardina.

O prazer é meu, senhor Secretário de Estado.

- Dom Antônio. - Princesa.

Desculpe pela espera, Dom Juan gosta muito de falar.

Meu dia de sorte chegou antes que esperava.

Não sabia por que me havia convidado até que vi Escobedo.

Ele é um homem tão sério.

Se não fosse por isso, diria que é estúpido.

Eu o considero assim e muito mais.

- Compreendo. - Entendeu imediatamente,

Escobedo apoia ao irmão do Rei e trocou de lealdade.

Por isso veio aqui.

Princesa, eu me despido,

e espero ter meu dia de sorte em outra ocasião.

Dom Antônio.

Felipe também é meu Rei.

Juan Escobedo não estava convidado a vir.

Nem te convidei porque me foi pedido.

Assim que, agora, por favor sente-se.

Esqueça os assuntos de Estado.

- Me surpreendeu, Dom Antônio. - E você a mim.

Não esperava que fosse tão franco.

Sou conhecido por isso, por desgraça...

Gostaria que também fosse como eu.

Por que Escobedo veio aqui?

- Sabia que ia perguntar. - Bem?

Ele veio me alertar contra você.

Deseja tanto que não use como aliada,

como você de que não seja aliada dele.

E o que você disse a ele?

O que direi a você.

Que não utilizarei minha influência a favor de ninguém.

Então você vê, não há nada o que temer.

Me entendeu mal, Princesa.

- Não tinha medo. - Nisso eu acredito.

Medo não é uma emoção que vi no homem desta tarde.

Ah, isso.

Não foi tão perigoso.

Deve se lembrar que não nasci sendo Ministro do Rei.

Chegamos à verdadeira razão de haver te convidado.

Devo uma desculpa.

Me alegro que me aprova.

Não completamente.

Gostaria de ajudá-lo, se possível.

Se ofenderia se dissesse...

que suas vestimentas são muito chamativas para a sobriedade de Madrid?

Que suas joias são muito luxuosas.

Quer dizer que tenho mal gosto?

Digo que me agrada o homem por trás de tudo isso.

Estamos empatados, princesa.

Não esperava tanta franqueza de você.

Igual a você, sou conhecida por isso.

Não acreditei em Felipe quando disse que você era seu homem de mais confiança.

Acredito agora, após vê-lo está tarde.

Agora muito mais.

Foi muito amável que tivesse vindo.

Aceita vinho?

Saúde, Ana de Mendoza.

Saúde, Antônio Pérez.

Alteza, o jantar está servido.

Os sinos abençoados de Santa Maria.

Não existe outro som mais maravilhoso que esse,

nem mais tranquilizador.

Já ouvi mais de mil vezes,

mas nunca as havia escutado.

Eu senti muita saudades.

Durante seu exílio?

Não havia pensado nisso.

Até esta noite.

Bem Princesa, Madrid dorme, devo dizer boa noite.

- Tem outro compromisso? - Não.

Mas é tarde,

em Madrid corre logo a fofoca.

Já foi alvo de fofocas antes?

- E você não se importa? - Sobre o que?

Você tem um nome importante, Ana de Mendoza.

Isso eu sei.

Porém também sei que me pertence.

Você sempre se veste de preto?

Durante três anos.

Você tem sido um viúva por três anos.

É muito tempo.

Ainda sou viúva.

Mas também é uma mulher.

Sou mesmo?

Na tranquilidade dos arredores de Madrid,

ele se viam durante o dia.

Escoltados somente por seus empregados,

acreditando estar a salvo dos curiosos.

A noite,

acreditando estar a salvo dentro dos muros do palácio de Ana,

Ana de Mendoza e Antônio Pérez buscavam sua felicidade.

Que frio.

Vai se aquecer assim que Pérez sair.

- E se ele sai pela porta da frente? - Estão todas vigiadas.

- Não gosto disso. - Temos nossas ordens.

Por aqui, rápido.

- Sua excelência, Dom Juan Escobedo. - Ah, Juan.

Não sabia que tinha assuntos para tratar com você.

Claro que tem, cego, tonto e arrogante.

Juan, deves abandonar o irmão do Rei.

Retirar-se para o campo e viver discretamente.

Não vim aqui para buscar seu conselho.

Isso não é um jogo, te digo isso.

Teu pescoço e o machado do executor estão muito próximos.

Pode ocorrer muito antes disso.

Você não entende?

A causa de teu mestre está perdida.

Fomos amigos uma vez.

Acredite em mim agora, faça o que digo.

É rico, tem prestigio, vive para desfrutar disso.

Terminou?

Sim, terminei. Nasceu tolo e morrerá sendo um.

Pois direi o que vim dizer.

Deixe-me dar um conselho em troca do seu.

Mudança de política.

De agora em diante, espero que nos apoie quando for falar com o Rei.

Você está me ameaçando?

Não tem escolha.

Nossas posições mudaram, Antônio.

Agora eu tenho vantagem e deve retroceder.

Você é louco.

Você cometeu um indiscrição muitas vezes.

Não devia ter se enredado com a Princesa.

- Não termine essa frase. - Com a Princesa de Éboli.

Ana de Mendoza é um prêmio que tem que pagar.

Espero sua resposta mais tarde.

Juan, sabe que no pode me chantagear.

Acredita que eu gosto de fazer isso?

Mas minha causa é mais importante que nossa amizade.

Usarei qualquer meio.

Quem acreditaria nessa história estúpida?

Meu nome está ligado com um monte de mulheres.

A maioria de tão boa reputação como a da Dama que mencionou.

Há uma diferença entre a Princesa de Éboli e as demais.

O Rei não estava apaixonado pelas outras.

Se ele descobre que seu conselheiro, no qual confia...

Vamos, estúpido, adiante.

Coloca sua palavra contra os Mendoza da Espanha,

e todos seus barcos, seus primos e seus empregados.

Contra a férrea lealdade que a rodeia.

Contra o ódio que Felipe já tem por sua traição. Faça isso.

Juan, até hoje eu tenho tentado...

Diga-me, Juan, está amando a morte?

A morte chega para todo mundo.

Mas está tentando encontrá-la.

Deixe-me lembrá-lo...

que a sua Majestade não gosta dos mensageiros de más notícias.

Isso é assunto meu.

Bem, se vai ver o Rei, te advirto agora.

Leve provas.

Como estou?

Meu olhos estão falhando.

Poderia jurar que este vestido não é preto.

Estou cansada de preto.

Eu estou cansada da minha cara, mas ainda a uso.

- Vamos, deixe-me ser feliz. - Você é feliz?

Ah, menina, por que não se divertiu?

Por que tinha que se apaixonar?

Entre.

Sua Majestade está aqui, Alteza.

- Eminência! - Ana.

O saúdo, Eminência.

Sua Majestade está em cima, despedindo-se de seu afilhado.

Partirá para o Escorial em breve.

Passará a quaresma com os monges de lá.

Ele fica muito feliz quando está lá.

E você, Ana? Onde encontra a felicidade?

Não tenho visto você rezar muito ultimamente.

Eu não negligenciei as orações, Eminência.

Me alegro, Ana.

Não existem muitos passos do amor dos homens...

...até o amor de Deus.

Sua Majestade.

Esta usando roupas coloridas.

Já vesti roupas coloridas antes, Felipe.

Não desde que ficou viúva.

Eu não necessito vestir preto para me lembrar de Ruy.

Não me censures, Felipe.

Faz dias que não vem aqui.

E agora somente posso ficar um minuto.

Pouco tempo para ser amigo e ser Rei.

Houve um tempo em que não era tão responsável.

Devemos dar graças a Deus por envelhecer e esquecendo das tentações.

Você escutou ele, Cardeal?

Sempre vem me cortejar, se pode se chamar assim,

e nos seus termos se mostra agradecido por poder escapar de mim.

Talvez, de fato eu sou.

Se tivéssemos nos amado no passado.

Poderíamos agora ter tanta amizade e confiança?

Os amantes não podem...?

Sua Majestade.

Entre, Dom Antônio.

Perdoe minha intrusão, Alteza.

Majestade, acaba de chegar um mensageiro de seu irmão.

- Qual é o novo pedido? - O de sempre.

Sempre dinheiro.

- Porém não damos nada, verdade? - Não, senhor.

Vamos, então.

Sei que te esperam em alguma festa por aí.

Porém deve renunciar a sua diversão por uma hora.

Senhor, creio que não seja mais que isso.

Ou causará grande tristeza a alguma dama de Madrid.

Espero que saiba que é uma honra ser amigo da Princesa de Éboli.

Agradeço desfrutar mais de Ana de Mendoza.

Pode ver Ana, por que ele é o Secretário de Estado.

Se não o conhecesse, diria que ele a está cortejando.

Porém conheço ele.

Assim isso é impossível.

Ela sabe ser muito persuasiva.

Já que sua Alteza intercedeu por você,

te libero de suas obrigações por esta noite.

Boa noite, Princesa.

Boa quaresma para você e sua família.

E para você, Majestade.

Que tenha paz e harmonia em o Escorial.

Boa noite, filha.

- Sabe onde me encontrar. - Sei sim, padre.

- Antônio, querido. - Ana!

Por que no me disse que ele vinha aqui?

Por que seus empregados não me avisaram?

Felipe é um amigo, ele quando ele quer.

Por que me deixou aqui?

É uma armadilha, estou certo, ele sabe, sabe de tudo.

E se ele souber?

Não gostei do modo como me olhou, nem do que me disse.

Isto não pode continuar, Ana.

É muito perigoso.

- Você quer terminar, Antônio? - Você sabe a resposta a isso.

Ana.

Há muita fofoca.

Já estou sabendo.

- Não se importa? - Claro que sim.

Mas qual é a alternativa?

Prefere encontros clandestinos,

que nos vejamos escondidos atrás de portas fechadas?

- Não, obrigada. - Ana, isto não afeta somente a ti.

Perdoe-me,

não sabia que sua reputação era intocável.

Trabalhei durante 20 anos para estar aonde estou agora.

E eu sou...

uma ameaça aos seus propósitos.

Vejo diariamente com que rapidez...

Felipe pune todos que o traem.

- Você o traiu? - Não traí?

O que diria se a mulher que ama...?

Mas o que diz? Felipe não me quer.

Não se engane, Antônio.

O amor de Felipe não é por mim,

mas pela lenda de nosso amor.

Pela juventude perdida.

Ana, isto eu devo saber.

Você ama ele?

Suponho que devo ter.

Agora vejo como um homem esgotado, velho antes de tempo.

Devotado a conseguir um lugar na historia e no céu.

Mas quando era jovem...

Sim, eu o amei.

Talvez ele tenha me amado também.

Talvez por isso concordou com meu casamento com Ruy.

Se ele tivesse te amado...

não teria te entregado a outro. - Somente a Ruy.

Assim sua consciência lhe impediria de cortejar a esposa de Ruy.

- Que homem complicado. - Um bom homem, Antônio.

Por isso é tão perigoso.

Há outros que não são tão bons.

Nunca me preocupei com eles.

- Não terminou seu jantar, Ana. - Não tenho fome.

Perdoe-me, Ana, sinto muito.

Não quis dizer o que disse.

Antônio, estou mal porque você vai agora.

Não me faça te amar mais.

Nunca pretendi que amasse, Ana.

Muito menos eu.

Todas te amaram, Antônio? Todas as mulheres que...?

Todas, loucamente.

Quase esqueci.

- Veja se gosta. - Outro presente?

- Por que? - Porque eu gosto de te presentear.

É adorável, Ana.

- É tão generosa. - Você também.

Me tem dado tanta felicidade.

Me disse que levasse provas, Antônio. Isso é o suficiente?

¡Antônio! ¡Antônio!

Deveria matá-lo por isto, Juan.

Terei que esperar.

Desonrou seu nome, Princesa.

Desonrou a Espanha.

Traiu a todos ao amar este estadista de plantão.

Este pavão real que privará a Espanha de seu destino.

Não quer que eu te leve a sua casa, Juan?

Eu tenho um compromisso.

É perigoso ficar na rua tão tarde.

Deus é quem melhor pode julgar isso.

Que tenha uma boa Quaresma, Dom Ínigo.

Adeus.

Está atrasado, excelência. Tem noticias?

Antônio Pérez está por fim em nosso poder.

Felipe saberá tudo pela manhã,

sobre a traição da Princesa com Antônio.

- Conseguiu provas? - Eu os vi com meu olhos na casa de Ana.

Antônio estará acabado quando o Rei souber.

E sem Pérez, Felipe está perdido.

O príncipe Juan já pode saber que o trono o espera.

A coroa é dele.

Sentinela! Sentinela!

Chegou muito tarde, Eminência.

Juan Escobedo está com Deus.

Abram caminho para o Cardeal!

Sua Eminência, o Cardeal!

Sua Eminência, o Cardeal!

Esta é especial para Roma.

Esta para Bruxelas, para sua Alteza, o Príncipe Juan.

- Eminência, o anunciarei. - É uma emergência, Vázquez.

O Rei me receberá.

¡Eminência!

Trago noticias tristes, senhor.

Juan Escobedo está morto.

- Que sua alma descanse em paz. - Ele foi assassinado.

Tinha muitos inimigos.

Será um grande golpe para seu irmão, senhor.

Não creio que meu irmão se surpreenda.

Rezemos pela alma que se foi.

Informe a Don Antônio da triste noticia.

Ah, tão cedo, Mateo?

Consegui em uma hora que sua Majestade revogar

o que demorei cinco hora para fazer?

O Rei fez algumas retificações nos decretos que foram preparados.

Vamos propor uma nova política, Mateo.

Você será Primeiro Ministro por seis meses, e eu por outros seis.

Assim talvez consigamos chegar a algum lugar.

Não é momento para humor.

Juan Escobedo foi assassinado.

Onde?

- Como aconteceu? - A guarda acaba de me informar.

Foi na praça pública.

Quem mais morreu?

Juan Escobedo não era um homem que caísse em ciladas.

Seus assassinos desapareceram na noite.

Saúde, Escobedo.

Boa viagem.

Boa noite, Mateo.

Não pretendo impedir que trabalhes.

Boa noite, Antônio.

Ordem de execução para Juan Escobedo.

Por decreto real,

já que Juan Escobedo é culpado de traição ao trono.

e a Nossa Pessoa, deverá pagar com sua vida.

Felipe II.

Leve isto a Aragon.

Coloque em um lugar seguro.

- Onde? - Não quero nem saber.

O que não sei, não posso falar.

- Que Deus te proteja. - Excelência.

Diego.

No caminho, pare em Pastrana e diga à Princesa de Éboli

sobre a morte de Escobedo.

Farei pessoalmente, excelência.

- E, Diego... - Excelência?

Diga a ela...

Diga a ela que seja feliz.

Isso é tudo, Alteza. Ele está morto.

Meu Deus, o que fizemos?

Tudo passará, Princesa, tudo acaba passando.

O que mais disse Dom Antônio?

Somente que desejava que a Alteza fosse feliz.

A felicidade morreu com Juan Escobedo, Diego.

Essa é a vingança dele.

O embaixador inglês veio dar os pêsames

pela morte do Príncipe Juan. - Muito bem.

O cardeal preparou uma missa de réquiem.

E eu preparo um decreto para declarar um dia de luto nacional.

A morte de meu irmão não é importante para a nação.

Somente para sua família.

Algum outro assunto?

Não sei se molesto com uma trivialidade em tal momento.

Me preocupas, Vázquez.

Quando fala de trivialidade, sei que estamos ante uma crise.

Do que se trata?

Concerne a morte de Escobedo, Majestade.

Escobedo?

Una vida desperdiçada.

Se soubesse que meu irmão conspirava em Bruxelas,

não teria conspirado contra mim.

Se diz que morreu por outra razão.

Sua família diz que o mataram porque soube dos amores de Pérez...

Don Antônio não tem culpa.

Informe a família de Escobedo.

Direi que as suspeitas deles são infundadas, Majestade.

Dom Mateo.

Quem é essa outra pessoa envolvida nesse romance?

Ela não é mencionada, Majestade.

Eu fiz uma pergunta, Vázquez.

Responda.

É um rumor muito ofensivo.

Não queria contribuir com a fofoca.

- Estou esperando. - Te rogo, Majestade...

Dizem que Escobedo entrou no palácio da Princesa de Éboli,

e encontrou Pérez e... - Eles mentem!

Compreende? É uma mentira que deve ser calada.

Sim, sua Alteza mostrou amabilidade a Pérez por pedido meu.

Não deve sofrer por isso.

Informe a Princesa que irei vê-la esta noite.

Ela não está em Madrid, Majestade.

Por que não fui informado?

Partiu para o campo na noite em que o suposto incidente

entre Escobedo e Pérez aconteceu.

Diga a Dom Antônio que te entregue todos os documentos de Estado.

Imediatamente, Majestade.

Não terminei ainda.

Quando os receber, envie para mim.

- Sem abrir. - Como desejar, senhor.

Todavia ainda não terminei.

Prepare os documentos para nomear Don Antônio

como sucessor de meu irmão em Bruxelas.

Vai recompensar por seus...

serviços, Majestade?

Meu irmão considerava que Bruxelas era um exílio.

A um homem pode acontecer muitas coisas durante o exílio.

Don Antônio comprometeu uma mulher inocente.

Deve receber um castigo.

Mais rápido, mais rápido!

- Ganhei. - Como sempre, querido,

não teve muita consideração por sua velha mãe.

- Você é velha, mãe? - A vezes, muito velha.

- Quando voltaremos para Madrid? - Ficaremos ainda aqui por muito tempo.

Gostaria que voltássemos.

Eu gostava das visitas do Rei e de Dom Antônio.

- Gostas de Dom Antônio, não é? - Me fazia rir.

Era uma de suas qualidades, muito alegre.

Quieto, quieto.

- Uma visita te espera. - Não é Antônio, não é?

Não, não.

Vamos, jovenzinho.

Vamos tirar o odor de cavalo de você.

Ah, Eminência.

- Que alegria te ver. - Digo o mesmo, filha.

Conte-me as novidades de Madrid.

Vim para saber de ti, O que está fazendo?

Estou ocupada, visito as fazendas, os cultivos,

me preocupo com o plantio,

e passo muito tempo com Fernando.

Então, não tem visto Antônio?

Nem o farei.

É o que mais pesa em minha alma.

Não existe fardo. Se você se arrepender.

O arrependimento não pode devolver uma vida.

Desejei que Escobedo encontra-se a morte.

Temo que Antônio pagará por isso, vão acusá-lo de assassinato.

Ninguém se atreverá a acusar o Ministro do Rei.

A família Escobedo apresentará uma petição ao Rei.

Dizem que Juan morreu porque descobriu...

um romance ilícito entre Antônio y alguém denominado como... aquela mulher.

Inteligente.

Ou então não poderiam contar com um importante porta-voz.

Teu primo: Ínigo.

- Ínigo? - Sim.

apresentará a petição.

Ele não sabe que eu sou...

"aquela mulher"? - Não, não creio.

Um Mendoza não ataca os seus.

Então deve aprender e rápido.

O que disse Felipe sobre essa petição?

Tudo conspira para resolver os problemas de Felipe.

A peste matou seu irmão nos Países Baixos.

A "dor" de Felipe se alivia oferecendo o posto a Antônio,

e assim ele deixa o país, antes da apresentação da petição.

Suas cartas não diziam nada de que iria deixar a Espanha.

Felipe vai comunicar a Antônio sobre seu novo cargo esta tarde.

E assim se acaba.

Me prendo aqui,

luto comigo mesma,

e meu problema se resolve sozinho. E também o de Felipe.

Bem...

pelo menos um de nós conseguiu o que buscava.

Meu Antônio conquistou um cargo mais importante.

Nós levaremos todos os nossos uniformes.

As damas de Bruxelas gostarão de uniformes espanhóis.

Nunca quis que me quisesse.

Nem eu.

Você é tão generosa. - Você também.

Me deu tanta felicidade.

Diego.

Sim, excelência?

Alguém esqueceu de resolver um problema.

Diga-lhes para pegar suas espadas afiadas.

Cavalgarão comigo.

Ana...

Deixe-me olhar para você.

Te proíbo que cheque perto.

Ana...

como é maravilhoso ver você novamente.

- Antônio, O que vou fazer sem você? - Não ficará sem mim.

- Estando em Bruxelas... - Não irei para Bruxelas.

- Mas a sua Eminência disse... - Ana.

Eu me traí.

Chegou a ser mais importante que minhas ambiciones.

Bruxelas pode viver sem mim.

mas eu nunca poderia viver mais um dia sem você.

Antônio!

- Você está louco? - Pior que isso.

Estou apaixonado.

O que está dizendo?

Eu te amo, Ana.

Não temos direito ao amor.

Somos responsáveis por uma morte.

O que diz?

Sejamos honestos, sabemos por que Escobedo morreu.

Por isso deixou Madrid e não quis mais me ver?

- Ana, eu não matei Escobedo. - O que diz?

Essa é a razão de tudo isso.

Como iria pensar diferente? Você disse que o mataria.

- Alguém se adiantou. - Quem?

Não sei.

Somente que o Rei já o havia condenado a morte,

antes mesmo de irromper na sua casa.

- Sim, qual o problema? - Don Ínigo, Alteza.

- Que entre. - O que ele faz aqui?

Eu pedi que viesse.

- Tu pediste que viesse, prima. - Não te esperava tão tarde.

Tu carta dizia que era urgente e vim em seguida.

Conhece Dom Antônio?

O que era tão urgente?

Sente-se e deixe de atuar como o anjo vingador, não faz bem esse papel.

- Eu decido isso. - Está bem.

Disseram-me que apoia uma certa petição do Rei.

Tenho essa honra.

Pois deves recusar.

Não sabe que eu sou a dama a que faz referência?

Óbvio, após te encontrar em tal companhia.

Te lembro que é a Primeira vez que um Mendoza se vê envolvido

em um assunto tão repugnante e que escandalizou Madrid inteira.

Você não é o mais indicado para me dar sermão.

Falo em nome da família.

Faça as malas, te levarei até seu tio em Sevilha,

até que recuperes o juízo.

Já sujou o suficiente nosso nome.

A honra dos Mendoza está mais a salvo comigo do que contigo.

Se queres um enfrentamento, te darei.

Se quer ver de que parte estará a família, eu demonstrarei a você.

Sempre se prefere a honestidade à estupidez.

Estou esperando, prima.

Parte, primo, e rápido, se é inteligente.

Você...!

- Enviarei meu comprimentos aos seus familiares. - Bem.

Sabe que morrerá no mesmo minuto em que cruzarmos nossas espadas.

Outra coisa.

O Rei informou os Escobedo de que as suspeitas eram infundadas.

Assim se quer te uma vida longa, longe de escândalos,

ou prepare-se. Boa noite e adeus.

Não foi muito inteligente fazer isso.

Encontrou um inimigo entre os Mendoza.

Por uma só Ana de Mendoza,

lutaria contra todo um exército de Mendozas.

Poderia ter eles do seu lado.

Não é tempo de milagres.

- Como? - Muito simples.

Uma viúva pode volta a se casar.

Ana.

Acredita que eu me esconderia atrás de sua saía?

e que te utilizaria como proteção contra meus inimigos?

Também há a questão do meu amor.

Quando eu puder vir até você como em outro tempo,

sendo a mão direita do Rei.

Após limpar meu nome em juízo público,

então eu te pedirei em casamento.

Enquanto isso, vamos parar de falar sobre o que você fará sem mim.

Nunca mais.

Alteza.

- Anuncie-me ao Rei. - Sim, alteza.

Não esperava vê-la aqui.

E eu esperava vê-lo em Madrid.

Voltei faz duas semanas.

Não recebi uma nota ou noticia sua.

Meu velho amigo não se portou como tal.

- Por que veio aqui, Princesa? - Já não me chama mais de Ana?

Estou esperando.

Como meu primo,

eu vim apresentar uma petição, Majestade.

Mas por motivos distintos.

Também peço que julgue a Antônio Pérez.

E deseja que seja público?

Já é de domínio público.

Desde que ele recusou o exílio em Bruxelas.

Não retirou um por um os deveres dele?

Fez Madrid acreditar que ele é culpado.

- Ele matou um homem. - Não, Felipe, ele não matou.

Matou. E não por lealdade ao seu Rei, mas por uma mulher.

"Aquela mulher".

Diga, Felipe, por minha causa.

Agora você entende por que não posso levá-lo a julgamento.

Você desonrou você mesma, Ana. E o nome de Ruy.

Eu não desonrei o nome de Ruy.

Essa parte de minha vida que pertenceu a ele, ainda pertence a ele.

Porém existe outra parte que me pertence e insisto em poder dirigi-la eu mesma.

Se faço mal, isto é entre eu e Deus.

Repito que se desonrou.

Este escândalo público é um ultraje.

Claro que é um ultraje, por isso eu exijo esse julgamento.

Então nega que tem um amante?

Nego que por ter tido um amante, Escobedo tenha morrido.

Tem a coragem de me dizer?

Que se entregou a...

- Já te ocultei que era humana? - Mas poderia deixá-lo.

Não me peças para fazer isso.

Você desonraria a ambos.

Me fez sofrer, Ana,

como ninguém merecia sofrer.

Suas cartas para seu amante.

Tire-as da minha frente.

- Não, Felipe, não deveria! - Tinha direito.

Como chefe de Estado, era meu privilegio.

Como pode falar de direitos e privilégios,

quando está pisando em sentimentos humanos?

- Que grosseiro, grosseiro! - Silêncio!

Não roubei as cartas, nem pedi que as roubassem.

Fiquei chocado quando trouxeram até mim.

Chocado por ter em minhas mãos, cartas suas com outro homem.

As guardei trancadas.

Mas as queria ler.

As abri e estive com elas em mãos e tentei ler.

Mas não pude.

Creio que tive medo da dor.

A horrível dor que me causariam.

Oh!

Perdoa-me, Felipe.

Perdoa-me.

Antônio não chegou ainda?

Ainda não são dez horas.

Já virá, sempre vem.

Manda buscá-lo, Bernie,

Mal posso esperar para contar a ele que seu problemas terminaram.

O Rei disse isso?

Felipe se ajoelhou ante o altar para pedir conselhos à Deus.

Bernie, tudo mudou.

Agora sabe que Antônio não matou Escobedo,

que sigo sendo sua amiga e que ele certamente é meu.

Que o Rei haja admitido um erro?

- Não acredito. - Não diga isso, Bernie.

Há muitas coisas que eu não entendia ante e...

Antônio!

- Dom Mateo! - Alteza.

Vim a pedido do Rei.

Ele exige que prometa regressar ao campo,

e que não volte jamais a ver Antônio Pérez.

Isto é uma piada?

Estou aqui por ordem do Rei.

Pois, por favor informe a sua Majestade

que regressei a Madrid por convide dele.

Permanecerei aqui enquanto achar necessário.

Recebi Dom Antônio por pedido dele,

e continuarei fazendo porque assim desejo.

Já que ele esqueceu como se deve comportar um Rei,

devo esquecer de que ele é um Rei. Está bem claro?

Agora está em suas mãos.

A ordem do Rei, Alteza.

Compreende, sua Alteza, que deve me acompanhar?

De Felipe...

para mim.

Isto que vale a ordem do Rei!

Não pode prender alguém sem uma acusação.

Não é uma detenção, apenas serve para proteger, sua Alteza, por segurança.

Aplicou esta mesma medida com alguém mais hoje, Capitão?

Não me compete responder a essa pergunta.

Não vá com ele, Alteza.

Diga a este estúpido que é uma Mendoza.

A Dama mais importante da Espanha. - Calma, Bernie, calma.

Não deixarei que a levem, chamarei a guarda.

- Fora, estúpido! Fora! - Bernie! Bernie!

Pode me servir melhor cuidando do Fernando.

Estarei fora por pouco tempo.

- O que deseja, Cardeal? - Peço a liberdade de Antônio Pérez.

- Por que motivo? - Por sua inocência.

- Ainda está por demonstrar. - Não mais, senhor.

Outro homem admitiu sua culpa em confissão.

- Quem é esse homem? - Não sei.

O sacerdote que escutou deve guardar segredo de confissão.

Um truque ridículo.

Um canalha faz uma confissão falsa à um padre ignorante.

Ninguém comete perjúrio ante Deus.

Sei reconhecer a humildade e se o advirto,

a voz da Igreja ouvirá.

Minha voz é a que prevalece na Espanha.

Durante meses, um homem sofreu injustamente,

uma mulher inocente está confinada em uma cela escura e fria.

Passaram-se semanas, deitada em uma cama suja, com febre alta.

Se não te importa a justiça,

que te importe a piedade.

Merece piedade quem está em pecado?

Ela está na graças de Deus e pronto morrerá.

Então devemos supor que chegou sua hora.

É o desejo de Deus.

Você se atreveu a desafiar seu Rei.

Você enfraquece a autoridade do trono.

Minha própria Corte me interroga com os olhos.

Falam de mim pelas ruas.

- Volte para casa, Ana, acaba com isto. - Dê a Antônio um julgamento.

O Rei que impõe condições, não o contrário.

Te querido Pérez sabe disso.

Disse que não se defenderia de seus acusadores, se te deixasse livre.

- Que se entregaria. - Não! Não!

Também esqueceu que eu sou o Rei.

- Não aceito ultimatos de nenhum homem. - O que fez com ele?

Nem de uma mulher. Obedecerás.

Ana, tenha piedade.

Á noite eu ouço a voz de Ruy.

Não suporto mais.

Volte para casa, Ana, te peço.

Jamais nos veremos novamente, Ana.

Não, Felipe.

Não nós veremos novamente, jamais.

Que Deus me ajude.

Não posso deixá-la morrer.

Pérez terá seu julgamento.

Ah, você novamente, Mateo!

Gostaria que alguém mais alegre me visitasse.

Faltam alguns documentos de Estado.

- Impossível. - Um documento firmado pelo próprio Rei.

Ah, sim, deixe-me pensar...

Ah, sim, sim, a...

ordem para a execução de Escobedo.

- Por acaso, não está em meu poder. - Onde está?

Não acreditará, mas não tenho a menor ideia.

Que dilema, não é, Mateo?

O Rei não pode me processar enquanto existir este papel,

e seguir livre de culpa, não é?

O Rei pode esperar.

Fale, Pérez.

A ordem,

Onde está?

O que fez com a ordem?

Desmaiou, excelência.

Afrouxem.

Prendam as mão, continuaremos amanhã,

Ínigo, que novidades traz de Madrid?

Despedaçaram suas roupas, desmontaram seus móveis,

e buscaram em todos os esconderijos.

Essa ordem não existe.

Estou certo de que Pérez sabe onde está.

A daria para alguém que sabe onde está.

Correto, mas Pérez não dirá a quem deu.

¿Em quem confiaria tanto?

- Minha prima? - Não.

É arriscado dizer isso, mas alguém sabe onde está.

Alguém muito próximo a ele, alguém que...

Claro!

Aquele bandido que sempre estava com ele.

- Aquele tal Diego- - Sim, Diego, claro.

Encontre ele, torture.

Sua Majestade não havia pensado nisso.

Bem-vindo, Diego.

Minha casa é sua.

Mate-me.

Excelência, mate-me agora.

Não pude suportar a dor.

Então, está acabado?

Eles tem a ordem?

Perdoe-me, excelência.

Tudo bem, Diego.

Se soubesse onde estava, também teria dito.

Perdoe-me.

Esqueça, Diego.

Estava escrito nas estrelas.

Felipe sempre ganhará.

Me chamou, senhor?

Ordenei que libertem a Princesa de Éboli.

Pode levar ela para casa.

Sabe quais são as condições em que ela aceitará a liberdade.

Pérez terá um julgamento.

Também ordenei isso.

Chegaram alguns documentos que me convenceram

de que esse é o momento oportuno.

Pérez já pode enfrentar seus acusadores.

Saiam do meu caminho!

Vou receber sua Alteza.

Oh, Bernie!

Minha fiel Bernie.

Bernie!

Vamos, não se canse falando.

Onde estão os criados?

Quem são estas pessoas?

Todavia, não está totalmente livre, Ana.

Pensei que voltava para casa.

- Minha própria casa é outro cárcere? - Somente até acabar o julgamento.

Está em casa. Me ocupei dessa gente.

Pelo menos me permitiram conservá-la

Não te permitiram nada.

Estou violando as ordens do Rei e ele que se atreva.

Vamos, preguiçosos! Levem sua Alteza para dentro.

Felipe não me enganou, Antônio vai ter um julgamento.

Dentro de três dias.

"Alguns papéis chegaram às minhas mãos e me fizeram decidir".

Essas foram as palavras de Felipe.

- Documentos? Quais documentos? - Não sei.

Ele rasgou perante mim.

Antônio está perdido então.

Sua única proteção era a assinatura do Rei naquela ordem.

A proteção de Antônio é sua inocência.

Já disse que alguém confessou o crime.

Qual a importância disso, contra milhares de juramentos falsos?

Não julgarão Antônio por assassinato,

e sim por um amor que Felipe considera um crime.

Querida filha, acalme-se.

Tenho que ir vê-lo. Ajude-me a levantar, ajude-me.

Não até que tenha mais noticias minhas.

Eu prometo.

Depressa. Depressa.

Não chegue tarde demais.

Eminência,

diga que o amo.

E...

não diga o quanto estou velha e desvalida.

Assim estão as coisas.

Os testemunhos estão bem escolhidos.

Comparecerá no tribunal sem que ninguém o defenda.

- Exceto o Cardeal. - Não pode fazer nada.

O segredo de confissão me protege, ele mesmo disse isso.

Com tudo, gostaria que tivesse esperado um pouco mais antes de buscar o perdão de Deus.

Não tenho arrependimentos, servi a Espanha e ao meu Rei.

Pois o serviu mal.

Sua Majestade.

Não haverá julgamento.

- Pérez ficará em liberdade. - Majestade!

Agora não.

Não até que seja julgado.

Você que deve ser julgado.

Majestade.

Fiz somente porque Escobedo conspirava contra ti.

Era um inimigo do trono.

- Não te dei ordem para matá-lo. - Pérez tinha falhado contigo.

Por isso me encarreguei dessa obrigação.

Pérez gostava muito de Escobedo para matá-lo.

Senhor, somente quis tentei servir a ti.

Que Deus te perdoe.

- Majestade! - Como te atreves a entrar assim?

Majestade, Pérez escapou.

Escapou? Como?

Não sabemos, senhor.

Alguns monges vieram à prisão e acredito...

- Encontre-o, tragá-lo de volta. - Senhor!

Iria libertá-lo.

Ele desafiou seu Rei.

Perdeu todo o direito à minha graça e perdão.

Adiante e leve Vázquez.

Prenda-o na cela de Pérez, até que ele volte a ela.

Sentinela, estás de guarda! Mantenha-se alerta!

Volte a seu posto!

Para cama, meu jovem.

Pelo menos dormirás.

Dê boas noites.

- Boa noite, mãe. - Boa noite.

Você também deveria estar dormindo.

- Como vou me virar sem você? - Não se preocupe com isso,

sou muito forte.

- Durarei muito tempo. - Isto espero.

Quero que vás.

Sério?

E como vai conseguir?

Quero que leve Fernando.

Aonde?

Não sei, tenho que pensar.

Não quero que presencie a morte.

O anjo está próximo, Ana?

Muito próximo, Bernie. Não irá demorar.

Só peço que tenha forças para chegar em Madrid para estar do lado de Antônio.

Pobrezinho.

Ainda é tão pequeno.

Quando me for.

Seu padrinho irá querer criá-lo.

O Rei não porá as mãos nele.

Não.

Quero outro tipo de vida para meu filho.

Não existe alegria no o Escorial.

Falaremos disso pela manhã.

Agora vamos para cama.

Assim.

O que houve?

Sente-me novamente na minha cadeira.

- Deixe-me aqui. - Por que?

Não sei.

Mas devo ficar.

Me certificarei que ninguém saiba disso.

Querido! O que fizeram com você?

Ana.

Estamos juntos de novo.

Somos livres.

Sente-se.

Sente-se, meu querido.

Por quanto tempo pode ficar?

Até que Bernardina traga suas coisas.

Depois iremos para Aragon, Itália e França.

Se importaria em ter que saltar um murro?

Oh, Antônio...

- Antônio, olhe para mim. - Alguma vez deixei de fazê-lo?

Não posso ir contigo, meu amado.

Agora não.

Ana!

Você tem estado muito doente.

Mas estou a cada dia mais forte.

- Vá na frente e me reunirei contigo. - Quando?

Não irei demorar muito.

Uma semana, alguns dias, para recuperar minhas forças.

Ficarei aqui contigo.

Não nos separaremos de novo.

Oh, Antônio! Antônio!

O mesmo Antônio!

Não esqueceu.

Não esqueci nada.

Na cela tocava os sinos de Santa Maria e lembrava de você.

Tocavam forte quando os monges do Cardeal me ajudaram a escapar.

Gosto muito dele.

Gostaria de falar com ele outra vez antes de morrer.

Por que fala tanto da morte?

- Voltarei a ver Madrid novamente? - Não enquanto Felipe viver.

- Alguém está vindo? - Não.

Vim para saber se sua excelência quer algo para comer.

Não, obrigado, Bernardina.

Bernie!

Levanta a Fernando.

O menino está dormindo.

Vista ele, rápido. Apronte-o.

Ele irá com Dom Antônio.

Às suas ordens.

- Eu disse que ficaria. - Eu sei, querido.

Ajudarás mais se for embora e levar Fernando contigo.

- Para Aragon? - E França e Itália.

Faça com que viva ao sol, ensine-o a rir, sempre o fez rir.

Eu vim te buscar, Ana.

E eu me reunirei contigo.

Faça o que te peço.

Este é o primeiro pedido que te faço.

Boa viagem, meu querido.

Que seja feliz em Aragon.

Felicidade... quando chegar lá.

- Como saberei que estás a salvo? - Enviarei uma mensagem.

Não permitem que eu receba cartas, nem visitas.

Encontrarei uma forma.

A mensagem chegará até você.

Ainda está dormindo.

Acorde, dorminhoco.

- Diga adeus a... - Não o acordes.

Que Deus te ampare.

Seja um grande homem, como seu pai.

Não se esqueça de mim.

Filho querido!

Vá agora, querido, rápido!

Ana...

Uma vez disse que viria até você...

sem ninguém a estar contra mim.

nem que houvesse perigo, eu te pediria em casamento.

Ana, não trouxe nada para você,

mas te peço de todas as formas.

Contarei as horas até que me encontre.

Quando estiver em Aragon, recuperará as forças,

o sol te devolverá a vida.

e Depois nos casaremos.

Sim, querido.

Depois nos casaremos.

Mas agora...

Vá depressa.

Adeus, Ana.

Sempre estará em meu coração.

Calma.

Calma.

Fez bem.

O menino ficará bem com ele.

- Adeus, Antônio. - Adeus. Vá com Deus.

- Teo. - Sim?

Não me decepcione.

Compreendo. Os sinos de Santa Maria de Almudena.

Onde estamos, Dom Antônio?

Aqui é Aragon.

Essa é sua casa.

... do filho e do Espírito Santo, Amém.

Não chegou nenhuma ordem de prisão e nenhuma mensagem?

É um bom sinal.

Caso contrário, significaria que ele foi capturado.

Não irei...

até que receber a mensagem de Antônio. - Não se torture.

Minhas contas.

Meu rosário.

Aqui está.

Reze.

Bernie, abra a janela.

- Está frio. - Por favor...

Abra por inteiro.

Oh! Está ali! Escutem!

Ele prometeu.

A melodia de Santa Maria soa na igreja do povo.

Deve ser o sinal.

Para Aragon,

e logo depois para França e Itália.

Sempre ao sol.

Bernie, quero meu vestido, meu vestido de noiva.

Antônio, me espere.

Meu amor, meu querido, espere.

Vou contigo.

Se foi.

Ana de Mendoza descansa em paz.

Eu sabia.

Eu senti... a solidão.

E ontem mesmo rezou por você, senhor.

Tomara que Deus atenda suas preces.

Me faz muita falta.

E se rezar por mim.

Reverendo padre.

peça que tenha força...

para suportar os anos...

os intermináveis anos.

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