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Original subtitles

SE EU FORA REI

Legendas: Gerigato Mar�o/2014

Durante o reinado de Lu�s XI, Paris esteve sitiada...

pelos ex�rcitos do Duque de Borgonha.

Durante um longo inverno, seus habitantes, isolados do mundo,

enfrentaram a fome ou a chacina.

Homens honrados se tornaram ladr�es...

os ladr�es, assassinos.

Alto!

Que?

Tem certeza? N�o, n�o. Primeiro veremos se � certo.

Apaguem as tochas.

Em frente!

Com cuidado! Um pouco mais de respeito pelo vinho do Rei.

Eu beberei � sua sa�de, cara de bobo,

e � queda de Sua Majestade, o rei Lu�s XI!

Bem, eu estou feliz que se lembre de mim.

Oh, n�o, n�o! Por que machuc�-lo, Ren�?

Para ajud�-lo a esquecer que aspecto temos.

N�o creio que se lembre de n�s.

Voc� o faria, cal��es fedorentos?

Est� um pouco doente da cabe�a. Certo? Veja?

- Est� pior que eu. - Exato.

Ren�!

Uma coisa � tomar emprestado um pouco de comida e vinho do rei...

- mas nada disto. - Nos enforcariam por isso!

- Pois que enforquem. - A guarda!

Depressa!

Fran�ois!

Atr�s dele!

L� vai ele!

Est� em algum lugar.

Alguns v�o por essa dire��o, os demais venham comigo.

Revistem a pra�a! Dividam em grupos!

Ali est� ele!

Atr�s dele!

Revistem a casa! Revistem todas as casas!

R�pido!

Bom dia, padre.

Em que problema se meteu? N�o, n�o me diga.

- Ser� melhor que n�o saiba nada. - Voc� me ofende, padre.

Me ofende profundamente, acabo de voltar do campo.

Meu primeiro pensamento foi para o meu pai adotivo,

vim voando, e como me recebe?

- Como uma mosca na sopa. - Voc� n�o estava no campo,

porque n�o se pode atravessar as linhas inimigas sem asas,

e se h� um homem na Fran�a que n�o tenha asas,

� voc�, Fran�ois.

E, em segundo lugar,

ouvi dizer que todas as noites, na semana passada,

voc� esteve na taberna Fircone com uma garota chamada...

- Margot, a gorda. - N�o � verdade, padre.

Eu decidi acreditar.

Alguma vez voc� mostrou algo que n�o fosse ingratid�o...

ou voc� me deu mais do que mis�ria desde que eu o recolhi...

- aos 6 anos? - � verdade, padre.

Aos 7 voc� era especialista em quebrar janelas....

- � leite? - Sim.

Aos 8, roubou uma galinha do espeto do Mestre Ledaux.

- Era pequena e magra. - N�o importa.

Aos onze anos roubou uma cabra, uma cabra gorda!

E, aos 14...

Aos 14 deixou de ir � universidade...

para passar os dias pescando,

jogando e escrevendo versos questionadores.

Mas obtive meu diploma de mestre, n�o pode negar.

E para qu�?

Para ser o pior exemplo de vida pregui�osa e imoral...

Abra em nome do rei!

- O que voc� fez? - Nada. Acabo de voltar do campo.

Abra, estou dizendo!

Diga que estava dormindo. N�o viu ningu�m.

- N�o direi mentiras! - Bem, n�o fale muito.

Abra!

Bom dia, padre. Lamento incomodar, mas roubaram...

- o armaz�m do rei. - O armaz�m do rei?

- Sim. - Os pobres, sem d�vida.

Eles tem tanta fome.

E a vis�o dos presuntos, frangos, queijos e...

- Sabe muito disso, padre. - Eu?

N�o sabia nada disso at� voc� dizer.

Viram um ladr�o pulando seu muro. Voc� o viu?

Pulando meu muro?

N�o, n�o. Sinceramente, posso dizer que n�o o vi.

Eu estava aqui, na cozinha, e n�o d� para ver o muro daqui.

Revistem a casa!

Este � o seu desjejum?

Era meu desjejum.

L� em cima, r�pido!

Vamos!

Atr�s dele!

Voltarei a v�-lo, padre.

Talvez agora eu possa terminar o meu desjejum, eh, padre?

Voc� vem comigo!

Mas, padre.

Padre, daqui a pouco ser� dia, eu...

Agora, reze, pecador, reze!

Bem!

Vamos, vamos, jogue!

Espere aqui, senhora. Eu farei com que se lembrem.

Temi que voc� tivesse ido.

Oh, mas nunca o vi em toda minha vida!

Voc� esquece dos meus sonhos. Eu sempre sonho com voc�.

Todas as noites vamos juntos por um caminho estrelado.

E eu acordo desesperado...

ao ver que nenhuma mortal poderia ser t�o bela.

Mas aqui est�, a dama mais bela deste lado do c�u.

Eu vejo, para minha vergonha, que meus sonhos n�o lhe fazem justi�a.

Oh, senhora!

Senhora, como e bebo s� pensando em voc�.

Onde quer que eu olhe, s� vejo voc�.

Se eu fosse mais educado, manteria isso para mim, mas...

- como v�, n�o tenho boas maneiras. - De fato, estou vendo.

Mas somos como somos, com qu� fim? Ningu�m sabe.

Talvez eu tenha nascido para inalar o perfume do seu cabelo,

e para exalar a m�sica da eternidade.

Posso ler um poema para voc�?

- N�o! - Obrigado, senhora.

Se eu fora rei!

Oh, amor, se eu fora rei!

Que na��es eu traria para curvar-se ante seu cetro...

e jurar lealdade ao seus l�bios, olhos e cabelos!

Que tesouros eu colocaria aos seus p�s.

As estrelas seriam suas p�rolas.

O mundo, um rubi... - Senhora!

O mundo, um rubi para seu anel.

E voc� teria o sol e a lua para vestir. Se eu fora rei!

- Permita que esses sonhos... - Prenda este rufi�o!

Senhora!

Senhora, n�o vai aceitar o meu poema?

- Devemos bater-lhe, senhora? - Sim.

Mas n�o muito forte, apenas ligeiramente.

Ai est� ele!

Pensou que se livraria, n�o?

Voc� � Fran�ois Villon?

Fran�ois Villon, capit�o, a seu servi�o.

� este o homem que voc� viu no armazem?

Nunca o havia visto antes.

N�o �, cara de bobo?

Est� certo disto?

Tenho um olho de �guia.

Talvez... Mas o levaremos para nos assegurarmos.

Um momento, capit�o.

Deve haver um erro.

Vi este cavalheiro rezando suas ora��es na igreja.

Bom dia.

Bem, vamos deixar que esse cavalheiro se v�...

mas s� por uma hora.

Bem, v� em frente.

Adeus, cal��es fedidos.

E agora, Fran�ois, admita que se sente melhor, certo?

- Sim, padre, eu sinto. - E o que v�, meu filho?

O tempo passado na igreja n�o � um tempo perdido.

N�o, de fato n�o, padre.

Ela... Ela me sorriu.

Sorriu?

Katherine!

- Bom dia, Katherine. - Bom dia, Noel.

- N�o me acompanhou � missa. - Estive de servi�o toda a noite.

Agora vou at� os port�es com refor�os.

Houve luta?

N�o, os borgonheses n�o atacaram.

Para qu�, se sabem que nos matar�o de fome?

Devemos esperar sem fazer nada?

Quanto mais os atrasarmos, mais se enfraquecer� o nosso povo ..

e eles estar�o mais fortes.

Por qu� n�o os atacamos e acabamos com isto?

N�o temos armas e homens para lutar por n�s?

Bem dito, Lady Katherine!

Dito com a impaci�ncia de quem tem a vida pela frente.

E o valor de uma mulher que n�o tem que lutar.

- Perd�o, Majestade. - S�o palavras perigosas, prima.

Suponha que um dos meus generais saia para enfrentar o inimigo.

Poder�amos acabar com o pesco�o cortado.

Suponha que ganh�ssemos a batalha.

N�o, n�o, meus generais nunca ganham batalhas.

Meus guardas me protegem de meu pr�prio povo.

Voc� sabia que na noite passada tivemos treze ataques?

E eles roubaram meu armaz�m particular.

Oh, Majestade!

Sim. � muito deprimente. Roubar o meu armaz�m...

denota, sobretudo, uma triste falta de patriotismo.

E uma triste falta de comida, Majestade?

Bastante.

Sim. E agora, minha cara, � melhor que voc� v� para junto da rainha...

a ajudar a bordar ou o que for fazer em seu tempo livre.

Se voc� vai para o port�o leste, Mestre Noel,

sugiro que v� antes que as coisas piorem. Bom dia.

D'Aussigny, o que o traz aqui?

Eu estive com o comit� dos cidad�os de Paris.

Bem, o que querem agora?

� in�til resistir mais aos borgonheses e me pediram...

como Condest�vel da Fran�a, para interceder ante v�s.

Eles gostariam que eu abdicasse e que a cidade se rendesse?

Um acordo com o inimigo salvaria vidas e propriedades.

Sim, est�o muito preocupados por suas vidas e suas propriedades.

Eles dizem que um ato como esse...

asseguraria sua santidade na Hist�ria.

Sim, mas as minhas ambi��es s�o um pouco mais modestas.

Diga ao bom comit� que n�s j� temos um S�o Luis,

dois criariam confus�o. Bom dia, caro D'Aussigny.

Bom dia, senhor.

Diga-me, Oliver,

se voc� fosse parte de nossa bem amada ral�, isto �,

faminto, sem motivos para amar seu rei,

- o que faria? - Bem, eu...

- Voc� ficaria com o inimigo? - Nunca, senhor!

Pensa que n�o. Isso � por que n�o faz parte da ral�.

Est� comprometido comigo, e eu o compenso bem...

por seus leais servi�os.

Mas alguns n�o t�m o seu elevado sentido de lealdade.

Olhe esta flecha. Veio do acampamento borgonh�s.

Veja? Um dispositivo muito engenhoso. � uma mensagem.

Est� em c�digo...

mas seu destinat�rio o entender�.

N�o seria interessante saber quem � essa pessoa?

- Eh, Oliver? - Sim.

Sim.

Deve ser algu�m importante.

Os borgonheses n�o se incomodariam em enviar...

uma nota de amor. Deve ser algu�m com poder.

Algu�m muito pr�ximo de mim.

- Eu te ponho nervoso, Oliver? - N�o, senhor.

- Sei que Sua Majestade confia em mim. - Sim.

Sim, eu confio em voc� at� cruzar a sala,

e � mais do que eu confio em qualquer outra pessoa.

- Ent�o? - Majestade,

o prisioneiro � muito obstinado.

Ele foi devidamente persuadido?

Oh, sim, Majestade, mas continua se negando a confessar.

Um est�pido!

Talvez meus poderes persuasivos o fa�am mudar de opini�o.

D�-me a flecha.

Venham, voc�s dois.

Cheira mal, como se o cozinheiro tivesse queimado o assado.

Vamos, diga-me, homem...

a quem era destinada?

Vamos, vamos!

Por que sofrer tanto? Use a l�ngua enquanto a tem.

- Ele ainda mant�m a l�ngua? - Sim, Sua Majestade.

Agora, seja sensato.

Voc� foi observado durante dias e o viram recolher isto.

Eu estou lhe dando a oportunidade de falar.

Assim, volto a te perguntar!

Aonde voc� a levava?

Onde, onde?

Ao dono...

da taberna Fircone.

A quem era destinada?

Bem, bem, bem.

Muito interessante. Se for verdade.

Onde fica a taberna Fircone?

A taberna Fircone, senhor? � o Tribunal dos Milagres.

� um lugar infernal, frequentado por libertinos,

assassinos, mendigos, ladr�es, a esc�ria de Paris.

Muito interessante.

D�-lhe �gua. S� um pouco. Acompanhe-me.

Estou procurando pelo Mestre Turgis.

Desculpe, mestre, n�o posso atend�-los, tente em outra taberna.

Sim, senhor, certamente.

Por aqui, senhores, se voc� permitir.

Vamos, ensine-me isso outra vez.

Sentem-se, senhores. Em que posso ajud�-los, senhores?

- Meia jarra de borgonha. - D�-me isto.

Sem ser visto, idiota, voc� quer que nos enforquem?

D�-me a nota e desapare�a com o resto.

Meia jarra de borgonha. Em seguida, mestre, em seguida.

Um para a forca, hein, Tristan?

Mas quem � o outro, senhor, o traidor?

Paci�ncia.

Paci�ncia.

Hesito em mencionar o seu nome at� estar absolutamente seguro.

- Mas o homem confessou ... - Por�m, sob persuas�o.

Nestas circunst�ncias, at� eu teria confessado o inc�ndio de Roma,

e at� tocado uma lira.

Por que est�o s�s, cavalheiros?

- Saia de cima de mim! - Antes convide-me para uma bebida.

Tenha a gentileza de sair.

Vamos, vamos, s� um pouquinho.

Por qu� n�o o ignora?

O vinho, cavalheiros.

- E traga algo para comer. - Sim, p�o e queijo.

Seu troco, mestre.

Senhoras! Senhoras! J�, j�, por favor.

Bem, com isso podemos beber um m�s inteiro!

- N�o, voc� tem que me dar isso. - N�o, meu generoso amante.

Vamos!

Eh, Marie!

Venham todos! Comida e vinho para todos!

Tire tudo aqui! Voc� quer estragar o meu neg�cio?

N�o, meu bom Turgis. Voc� encher� os tanques.

Uau, Huguette, sinto v�-la em t�o m� companhia.

E voc� Colette, com o Pai Tempo em pessoa.

Oh, Pai Tempo, n�o coloque seu gelo nesta flor.

Nos mares amargos das paix�es abaladas,

Perdoa sua min�scula hora.

E voc�, Huguette,...

n�o perca seu cora��o sobre...

este molde seco.

Aqui as jovens perfumadas saem...

e deixam os velhos in�teis.

N�o � lindo?

- Quem � essa barata? - � Fran�ois Villon, o poeta.

Um patife dos versos, senhores. Sem ofensa.

A poesia � a sua pior inimiga.

Venha, junte-se a mim numa garrafa de vinho digna de um rei!

Pelo rei Lu�s! Que a pele lhe apodre�a no corpo ...

e que os borgonheses lhe tomem a sua cidade.

Melhor ainda! Eles que o levem da cidade!

Pois quem n�o faz nada n�o consegue nada.

E aquele que n�o ousa nada, n�o merece nada.

Pelo rei nada!

Bebem mais do que os conv�m, meu amigo.

O que voc� pode fazer quando a Fran�a vai para o inferno...

- e um tolo est� no trono? - Voc� poderia faz�-lo melhor,

se fosse rei?

N�o quero ser pretencioso,

mas um menino ou dois fariam melhor.

- Realmente? - Sim.

Se eu tivesse nascido em uma cama de brocado...

teria juntado ex�rcitos e servido � Fran�a.

Mas aqui estou, fofocando com assassinos e libertinos,

e perdendo tempo com um urubu velho e chato como voc�.

Bem, se � t�o f�cil de ser rei...

- Como voc� come�aria? - Primeiramente comeria.

N�o uma comida como esta, claro, algo mais adequado ao meu posto.

Ap�s deleitar-me com p�ssaros cantores e peixes coloridos,

limparia minha casa.

E os vermes que infestam o pal�cio eu enforcaria todos!

Mas, certamente, faria alguma exce��o.

Esse am�vel e velho ermit�o,

como se chama...? Tristan?

Esse velho assassino? Eu o penduraria primeiro ...

suspendendo pelos dedos de seus p�s.

Bem, deixemos Tristan balan�ando com a brisa.

- O que voc� faria em seguida? - Conheceria os meus s�ditos.

Tentaria ganhar sua lealdade e devo��o ao inv�s de �dio.

- Abolindo os impostos, certo? - N�o!

Substituindo o desespero pela esperan�a.

Conhecendo os desejos de seus cora��es...

como faria um homem do povo.

Os veria como s�o,

admitindo que eles t�m v�cios e virtudes.

Eu os tratria como meus filhos, n�o como meus inimigos.

Ent�o, conhecendo o pior deles, tiraria o seu melhor.

Deveria ter sido orador, meu amigo.

Sou um orador!

Obrigado, obrigado, meus s�ditos!

E a cabe�a de javali?

Pombinha, o que voc� prefere, o c�rebro ou o focinho?

Fran�ois. O que voc� faria para mim se fosse rei?

Para voc�?

Colocaria tesouros aos seus p�s.

As estrelas seriam suas p�rolas.

O mundo...

O mundo um rubi para seu anel.

E voc� teria o sol e a lua para se vestir.

- Se eu fora rei. - Faria isso para mim?

Eu disse...

Quando foi que voc� escreveu isso? Eu n�o tinha ouvido.

- Eu n�o me lembro. - Mentira! V�bora!

Voc� escreveu isso para outra mulher!

- Juro por minha honra. - Voc� n�o tem honra!

Que as chamas do inferno queimem minha l�ngua...

e jogue minhas cinzas no rio Estige!

N�o fique po�tico!

Voc� � um mentiroso sujo e vejo pelo brilho em seus olhos!

Voc� � um ruivo de duas caras, trai�oeiro,

Eu s� queria ... Eu queria pensar em alguma coisa!

Tome, palha�o, pelas suas rimas!

Obrigado, senhora! � mais do que eu costumo receber.

Suponho que o guardar�, cachorro!

Fran�ois! Fran�ois!

- Voc� deve fugir, est�o de volta! - Quem? A guarda?

Sim, o guarda do armaz�m te traiu.

- Ele foi torturado. - Eu lhe disse que nos enforcariam!

Quando sa�ram, eu vim aqui para te avisar.

E eles o seguiram.

N�s n�o fizemos nada, senhor Condest�vel.

Acatamos as leis, pagamos os impostos de Sua Majestade. Veja.

Est� tudo nos recibos, senhor, � s� voc� dar uma olhada.

N�o parece muito estranho que meu grande Condest�vel...

venha em pessoa?

Quer dizer que ele...?

- Eu o levarei e o examinarei. - Sim, meu senhor.

- Est� aqui um tal Villon? - Aqui est� ele, senhor.

- N�o deixe que te peguem! - R�pido, r�pido!

Abaixo a guarda do rei!

N�o os deixem vencer!

Ordem, em nome do rei!

Abaixem todos os bra�os!

Senhor!

Boa noite de trabalho, Mestre Villon.

Deveaux, LaFarge!

Ent�o era voc�, meu caro D'Aussigny.

- Leve-o daqui e enforque-o! - N�o!

Um momento, jovem.

Quem � voc� para interferir na justi�a do rei?

Sou a justi�a do rei.

Majestade!

Longa vida ao rei!

Parab�ns, meus leais s�ditos.

E especialmente voc�, mestre fil�sofo.

Ajoelhe-se, Fran�ois! O rei!

- Temo que seja um pouco tarde. - Com certeza.

Capit�o, prenda-os e leve-os para as masmorras do pal�cio.

Majestade.

Eu sabia que algo estava errado quanto eu me sentei sobre ele.

- Eu suspeitei dele. - Por que n�o disse nada?

Bem, j� n�o importa.

Por que voc� o ofendeu? N�o pode manter a boca fechada?

Sim, agora v�o nos pendurar todos de cabe�a para baixo e...

Deixe-o em paz!

Est� escrevendo poesia.

Bom momento para escrever poesia.

Que melhor momento? Se uma pessoa n�o se inspira com sua pr�pria morte...

est� al�m de toda inspira��o. Nosso epit�fio.

Epit�fio? O que � isso?

Algo bom que se escreve sobre algu�m ap�s sua morte.

Homens que viver�o depois, que nosso destino...

n�o endure�am seus cora��es.

Pois, se alguma piedade nos conceder...

ser�o merecedores da mais c�lida clem�ncia.

Vemos aqui, cinco, seis atados cerimoniosamente.

Uma vez carne bem parecida que palpitava com sangue e vinho.

E agora...

o fedor...

onde vermes ceiam.

Enquanto nossos ossos caem em �midas cinzas.

N�o deixe que ningu�m ria de nosso absurdo prop�sito.

Reze a Deus para que nos perdoe a todos.

Fran�ois Villon!

Fran�ois!

Fran�ois, n�o me deixe!

Temo que devo faz�-lo. Mas voltarei. Eu sempre volto.

Mas desta vez n�o o far�!

Voltaremos a nos reunir outra vez, em algum lugar, eu te prometo.

E agora, sorria.

Eu n�o quero lembr�-la assim. Vamos, sorria.

Ent�o, diga algo divertido.

Divertido.

L� vai Fran�ois, filho da Fran�a,

para balan�ar em sua �ltima dan�a.

Seu pesco�o acabar� por ter a oportunidade...

de compensar o peso de suas cal�as.

Bom dia.

Voc� pode nos deixar.

Vou perguntar-lhe o que vou fazer com voc�.

Voc� n�o tem muita imagina��o, eu quase posso imagin�-lo.

N�o te parece perigoso usar este tom nestas circunst�ncias?

Que perigo h�...

- al�m da forca? - Com certeza.

a forca � um prazer. Poderia te colocar em azeite fervendo,

cort�-lo em fatias e muitas outras torturas que agora n�o recordo.

- Rogo perd�o a Sua Majestade. - Certamente.

- Porque ainda n�o vou enforc�-lo. - Majestade.

N�o fique emotivo.

Apenas sou um homem justo.

Na noite passada me fez um favor de me livrar do meu maior traidor.

Sem querer, meu amigo, mas voc� ter� a sua recompensa.

- Nunca saber� da minha gratid�o. - N�o, certamente n�o.

Me insulta publicamente. Pronuncia discursos...

revolucion�rios, nomeando a si mesmo como meu sucessor.

Me roubou e comeu o saque sob meu nariz.

- Eu n�o sabia que era voc�. - Mas que era meu armaz�m.

E acabou a noite assassinando meu Condest�vel a sangue frio.

Isso nos coloca sobre os chifres de um dilema.

Sua majestade... Admita que era um traidor.

Mas era meu Condest�vel, n�o queira me enrolar.

- Ele come�ou a briga. - E voc� a terminou.

O dilema � se eu deveria puni-lo e recompens�-lo simultaneamente.

Isso teria confundido o pr�prio rei Salom�o.

Pois me enforque de um lado e coloque uma medalha no outro.

Um rei maior o enforcaria...

e um rei menor o perdoaria.

� prov�vel que eu me encontre entre os dois.

E esta � a minha decis�o.

J� que voc� me deixou sem os servi�os de meu Condest�vel...

N�o me interrompa!

E voc� pensa que � t�o f�cil governar os meus s�ditos,

eu o nomeio grande Condest�vel da Fran�a e Bretanha.

- Grande Condest�vel? - Defensor de minha coroa,

chefe de meus ex�rcitos e administrador da justi�a.

- � uma piada? - Em absoluto.

Meus condest�veis pertenciam a fam�lias nobres da Fran�a.

E todos demonstraram ser traidores ou covardes.

Desta vez designo um do povo.

Voc� vem dos esgotos, meu amigo,

mas voc� tem um sentido seguro de lealdade,

valor e senso comum.

Pelo menos vai ser uma experi�ncia interessante.

Voc� vai precisar de um t�tulo. Bem, fique de joelhos.

Sim, acho que isso vai dar. Ajoelhe-se! Vamos, vamos!

Fran�ois, eu o nomeio conde de Montcorbier,

Cavaleiro Herdeiro da Fivela de Ouro.

Sim, e agora eu acho que voc� precisa de um banho.

Mostre ao conde Montcorbier os seus aposentos.

Por aqui, senhor.

Sua Majestade.

Meu senhor, grande Condest�vel.

Meu senhor, Tristan!

Sua Majestade.

O que � isso que eu ouvi? D'Aussigny assassinado?

- Sim, Sua Majestade. - Oh, que horr�vel!

Sim, Majestade, mas o que importa? Ele era um traidor comprovado.

Mas um traidor de muito bom nascimento.

Por que Sua Majestade se arriscou tanto em faz�-lo cair,

podendo se livrar dele um copo de vinho envenenado?

Estou de acordo, Majestade.

E o canalha que o assassinou, quem era?

Um criminoso de primeira, Majestade.

Um poeta miser�vel chamado Fran�ois Villon.

- Fran�ois Villon? - O que h�, minha filha?

� aquele de quem eu falava, Majestade.

Quem me abordou na igreja.

Oh! Que canalha! A forca � demasiado boa para ele!

- Devo informar a Sua Majestade. - Pe�o que n�o o fa�a.

O pobre j� tem bastantes problemas.

Se Sua Majestade me permite.

O prop�sito da minha visita � informar...

que Sua Majestade solicita sua presen�a...

para conhecer o novo Condest�vel.

Um novo Condest�vel! Quem ele �?

O Conde de Montcorbier, Majestade.

Sim, eu posso dizer, Sua Excel�ncia melhorou muito.

Obrigado, Oliver. Eu me sinto t�o escorregadio como um molusco.

E seus aposentos, Vossa Excel�ncia os aprova?

Minha Excel�ncia os aprova, muito bonitos, muito bonitos.

Vou ter salas maiores para ocasi�es formais, certo?

Claro, Excel�ncia, ter� as c�maras de Estado,

a sala de julgamentos privada, a c�mara de tortura, e...

Sim, isso � o suficiente.

E agora o que fa�o?

Fazer, Excel�ncia? Voc� governa.

- Voc� governa a Fran�a. - Sim, certamente. Governo.

Montcorbier se escreve com C min�scula ou mai�scula.

Min�scula, senhor.

Comecemos pelo princ�pio.

N�s ainda estamos sitiados pelos borgonheses, certo?

Segundo os �ltimos relat�rios, sim, Excel�ncia.

Bem, isso resolve tudo.

- E a situa��o da comida? - H� para seis meses.

Isso parece solucionado...

Quem tem comida para seis meses?

O pal�cio e o ex�rcito, senhor.

- E as pessoas? - As pessoas?

- Oh, se refere ao povo! - Sim, me refiro a ele.

O povo dificilmente � um fator militar, senhor.

N�o, claro que n�o.

Agora, diga-me, amigo, como um Condest�vel preenche seu dia?

Primeiro, passa revista � guarda e informa � Sua Majestade.

Participa de recep��es e julga os prisioneiros civis e militares.

Prisioneiros? Temos algum prisioneiro hoje?

S� os detidos ontem � noite na taberna Fircone, Excel�ncia.

- Eles ainda est�o aqui? - Claro.

- E eu devo julg�-los? - Claro.

- Quando? - Quando quiser.

- N�o h� pressa. - N�o h� pressa?

Se voc� estivesse em uma masmorra, assustado,

pensando que cada momento � o �ltimo,

saberia se h� pressa ou n�o!

N�o quis ofender, Excel�ncia.

N�o, claro que n�o.

A pior ofensa � a ignor�ncia.

- Vamos julg�-los imediatamente! - Sim, senhor! Por aqui, senhor.

- Por aqui. - Senhor.

Sauda��es de Sua Majestade.

Voc� deve ir at� ele para conhecer a Corte.

As minhas sauda��es ao rei, mas eu tenho que julgar alguns prisioneiros.

Senhor, n�o acho que Sua Majestade goste de ficar esperando.

Nem os prisioneiros. Vamos, Oliver.

Mas, senhor!

Sim, vem de Nancy.

Mas se este Montcorbier vem de Nancy,

como ele atravessou as linhas borgonhesas?

Bem, existe algo chamado "bandeira de tr�gua", querida.

Uma bandeira de tr�gua? Oh, claro!

E ent�o?

Bem, bem, bem, Sua Majestade, damas e cavalheiros,

A Corte continuar� reunida. Acompanhe-me!

Meu senhor.

Excel�ncia, os prisioneiros que est�o diante de v�s,

s�o acusados de violar o toque de recolher,

assalto e agress�o, suspeita de conspira��o,

suspeita de participar...

do roubo nos armaz�ns do rei,

e de receber bens roubados,

e mostrar resist�ncia armada ante a pris�o.

D�-me os seus nomes!

Robin Turgis!

Sim, Majestade.

Eu n�o tive nada a ver, honor�vel ...

eu s� recebi um papel e devia entreg�-lo a outro.

Eu n�o tinha ideia de que tinha a ver com o inimigo.

Ent�o, me ajude!

Mas recebeu 100 pe�as de ouro por transa��o, acho.

Isso � mentira, honor�vel! S� recebi dez.

Se algu�m recebeu 100, n�o fui eu, eu s� recebi dez.

Eu s� fiz isso cinco vezes.

Aqui tenho 50 pe�as para provar...

porque eu n�o tocaria neste dinheiro asqueroso.

Robin Turgis, voc� � um ladr�o,

receptador de bens roubados,

um conspirador, e o pior de tudo,

coloca �gua em seu vinho.

- Mas, meu senhor...! - Sil�ncio!

Se estivesse em meu poder, eu o iria pendurar e estrangular...

assar em fogo lento,

e servi-lo em seu pr�prio vinho aguado.

Contudo,

Sua Soberana Majestade, Luis XI,

defensor da f� e paladino do povo.

decidiu adotar um nova pol�tica de miseric�rdia.

Ent�o, eu sou for�ado a mult�-lo...

em 50 pe�as de ouro, que pagar� ao capit�o.

Isso significa...

que estou livre?

� completamente livre. Agora, saia!

Livre!

Longa vida ao rei!

Longa vida ao rei!

Longa vida ao rei!

Longa vida ao rei!

Em seguida, temos Ren� de Montigny,

Guy Tabarie, Colin de Cayeulx,

Casin Cholet, Jehan de Loup.

O maior grupo de bandidos que j� nunca vi.

S�o culpados ou inocentes?

- Deve haver algum erro, senhor. - Inocente, senhoria.

- Eu estava na cama. - Eu sou um pobre serralheiro.

- Eu estudava para o clero. - Sil�ncio!

Ren� de Montigny, voc� foi visto saindo do armaz�m do rei...

com o cavalheiro � sua esquerda,

e do ladino malicioso, Fran�ois Villon.

Isso � mentira!

Villon estava comigo enquanto roubavam o armaz�m do rei.

Como voc� sabe que roubaram o armaz�m?

Voc� acabou de dizer! Ele n�o disse?

Eu n�o sei nada sobre isso. Eu estava em casa, na cama.

Senhoras! Senhoras! Voc�s n�o devem alterar a dignidade deste tribunal!

Sil�ncio!

Agora...

Ren� de Montigny, voc� roubou o armaz�m do rei ou n�o?

Armaz�m? Nem sabia que tinha um armaz�m.

- Nem eu tampouco. - Eu sou um serralheiro honesto.

- Eu estava na cama. - E eu tamb�m.

Todos est�vamos na cama.

� cada vez mais evidente que se cometeu uma grande injusti�a.

J� que voc�s todos estavam na cama,

n�o podiam ter roubado o armaz�m de Sua Majestade.

Talvez esse tal Villon o fizesse sozinho.

Isso � uma mentira, eu disse que ele estava comigo!

N�o vou perguntar onde.

Agora, deixem-me terminar o que estava dizendo.

Uma vez que � evidente que todos voc�s s�o inocentes,

e que foram encarcerados,

me vejo obrigado a reparar os danos.

Por mais que me custe fazer,

decreto que cada um de voc�s receba 7 pe�as de ouro.

O capit�o da guarda tem 50 pe�as de ouro.

Sete vezes sete s�o quarenta e nove,

sobra uma pe�a, que ela seja dada aos pobres, capit�o.

Sem falta, Excel�ncia.

Longa vida ao rei!

- Longa vida ao rei! - Longa vida ao rei!

Longa vida ao rei!

Sil�ncio!

Fa�o eco aos seus sentimentos para com o rei,

Mas n�o se equivoquem. Voc�s n�o enganam Sua Majestade.

Ele apenas os perdoa esta vez,

e s� porque sabe que voc�s tem fome...

e espera que a sua bondade para com voc�s...

vai gerar um pouco de dec�ncia em seus cora��es.

O que duvido.

E agora, fora daqui!

Longa vida ao rei!

- Posso fazer uma pergunta? - N�o, voc� n�o pode!

Um momento, capit�o! Pode ir.

Sim, senhor.

De que se trata, minha filha?

Pode me dizer se Villon est� a salvo?

Neste momento, sim.

Gra�as aos c�us, e que Deus bendiga a Sua Majestade.

Am�m a isso.

Por que voc� se interessa por esse patife?

Porque o amo.

� um c�o, se alguma vez houve um,

- mas eu o amo. - Ele n�o a merece.

Eu sei.

- Se chama Huguette, n�o? - Sim, senhoria.

Villon me falou de voc�.

Ele disse que se perguntasse por ele, que lhe dissesse...

que ele n�o merece o seu afeto.

E que lhe desse este anel.

N�o � maravilhoso?

Obrigada, meu senhor.

De quem ele roubou?

- Vai libert�-lo tamb�m? - Provavelmente.

Obrigada, senhor, por sua amabilidade.

Bom dia, meu senhor.

Oh, Tristan, est� gostando de minha nova magnanimidade?

Acho que vai lamentar esta piada.

Seu problema, Tristan, � que n�o tem senso de humor.

Est� vendo o novo Luis, Tristan.

Acaba de ver meu novo m�todo de tratar com os criminosos.

N�o os enforcamos, n�s os cobrimos com ouro.

E agora, meu caro Condest�vel,

se dignar� conhecer a minha corte...

- antes que acabem esgotados? - Sua Majestade.

Meu senhor, grande Condest�vel.

Sua Majestade, o rei!

Minha querida, este � o conde de Montcorbier.

Meu senhor.

Eu n�o consigo ver bem, que aspecto ele tem?

Meu senhor.

O senhor D'Estouteville, capit�o-mor de Paris.

Meu senhor.

O senhor de Grigny, e o conde Honfleur.

O General Barbezier, o General Dudon, o General Saliere,

o conde de Montcorbier.

Majestade, n�o estou familiarizado com o nome Montcorbier.

E a her�ldica � o meu hobby.

Eu n�o posso dizer o mesmo do nome Dudon, General.

Desde que ganhou a batalha de Monthlery,

eu observo seus �xitos com entusiasmo.

Mas...

eu n�o ganhei a batalha de Monthlery!

Oh, sim, claro, sim. N�s a perdemos.

- Mas esteve em Liege. - Tamb�m a perdemos, conde.

Fizemos isto?

Eu sinto muito.

Acompanhe-me. Acompanhe-me.

Falaremos sobre suas batalhas em outro momento, General.

A duquesa de Longuet,

o visconde de Gretillat, senescal de Paris,

o conde de Mont...

Vai pensar que � grosseria de minha parte, mas meu nome �...

De Montcorbier.

Est�pido, n�o? Olho para voc� e eu esque�o meu nome.

Sem d�vida voc� tem muitos assuntos importantes na mente.

N�o, n�o tenho nada em mente. � s� que voc� me afeta assim.

Eu n�o tinha ideia de que voc�... de que eu...

Voc� mora aqui?

Sou dama de honra da rainha.

Que rainha afortunada.

Quando coloquei meus olhos em voc�, eu disse,

ali est� toda a beleza do universo,

passado, presente e futuro, personificados nesta criatura.

Senhor!

Qual �?

- O que, meu senhor? - O nome desta beleza.

Senhor!

Meu nome � Katherine de Vaucelles.

Que nome lindo!

Majestade, um arauto do duque de Borgonha...

entrou com uma bandeira de tr�gua. Solicita uma audi�ncia.

Deixe entrar o arauto de Borgonha.

Majestade, se os termos de rendi��o forem razo�veis...

eu estaria disposto a aceit�-los.

- Sim, voc� est�? - O ex�rcito est� intranquilo.

- Ha deser��es todos os dias. - Obrigado, me lembrarei disto.

O arauto de Borgonha!

- Tem algo a dizer, arauto? - Eu tenho, Majestade.

Ent�o diga, meu amigo.

Em nome do duque de Borgonha e de seus aliados,

juntamente com as for�as esmagadoras...

no lado externo das muralhas de Paris, pela presente eu pe�o...

a Luis da Fran�a,

a rendi��o da cidade, sem condi��es,

e que se entregue � clem�ncia de meu amo e senhor.

E se eu me negar, arauto?

Para a cidade, fome at� o final, e em seguida, fogo e espada!

Para v�s n�o h� esperan�a de perd�o.

E se eu render a cidade?

Para v�s e vossa corte, um honroso retiro...

no ducado de Epinet.

Quer dizer, um desonroso retiro.

- Quem sois v�s? - O conde de Montcorbier,

Cavaleiro da Fivela de Ouro, Condest�vel da Fran�a,

chefe dos ex�rcitos e administrador da justi�a,

alta, m�dia e baixa. N�o, n�o olhe ao seu redor.

Eu substituo o traidor que seu amo empregava.

Fa�a outro movimento como esse e eu farei com que o enforquem...

e o mandem de volta ao seu amo dentro de um saco!

Voc� tem maus modos, meu amigo, e os tem em alta estima.

Voc� n�o � o enviado de um conquistador...

e sim o servo de vasalos andrajosos,

servos rebeldes de um nobre!

Agora,

v� e diga-lhes isto:

Os reis s�o grandes aos olhos do povo,

mas o povo � grande aos olhos de Deus,

e � o povo da Fran�a quem lhes fala agora.

Temos armas e suprimentos e estamos quentes e confort�veis...

atr�s das muralhas e n�s rimos de suas amea�as.

Mas se n�s que comemos ficarmos com fome,

se n�s que bebemos ficarmos com sede,

se n�s que estamos aquecidos sentirmos frio,

a resposta seria a mesma: rimos de voc�s, n�s o povo...

e o rei.

- Essa � a sua resposta? - N�o!

N�o, em absoluto.

Voc�s tem uma semana para sairem.

Se ao final da semana continuarem circundando nossa cidade,

os atacaremos e destruiremos at� o �ltimo homem..

E agora, n�s n�o queremos que nos incomode mais.

Mas, mas... Majestade...

J� ouviu meu senhor, o grande Condest�vel.

Fora!

Sim, se n�o h� mais nada que possa fazer,

fora!

O que acha, senhor?

Os borgonheses sair�o...

ou ficar�o e seremos mortos?

Se ficarem ser�o mortos.

Voc�s atacar�o ao amanhecer ou durante a noite?

- O que prefere? - Bem, eu acho...

Est� rindo de mim.

Senhora, sorrio porque meu cora��o canta,

e porque amo sua f� nos franceses.

Atacaremos ao amanhecer, ao meio dia ou � meia noite,

- e ganharemos! - Como voc� fala bem.

- Espero lutar a metade de bem. - Mas eles poderiam mat�-lo!

N�o, se eu puder evitar.

E, no entanto, que morte gloriosa seria.

Morrer pela Fran�a!

Sim, � melhor que algumas outras.

Mas a morte, seja como for, deve ser evitada, se poss�vel.

Voc� usar� meu len�o na batalha?

N�o teme que me distraia no campo de batalha?

Senhor...

Senhor, os generais est�o reunidos na C�mara do Conselho.

- Os atenderei de imediato. - Bem, senhor.

Generais? C�mara do Conselho?

- Convoquei um conselho de guerra. - Conselho de guerra?

- Saberei quando vai atacar? - Muito em breve.

- Me trar� not�cias? - Certamente.

- Mas onde a encontrarei? - Estarei aqui.

Aqui?

- Poderia ser muito demorado. - Eu n�o me importo.

Voc� pode pegar um resfriado.

Acredita nisto?

Voc� n�o tem um cantinho protegido da corrente?

Bem, poderia me encontrar...

atr�s da quarta porta � esquerda...

no terceiro andar da ala leste, se voc� puder se lembrar.

Est� gravado em meu c�rebro com letras de fogo.

Majestade, � um insulto discutir este assunto com esse homem!

- Penso como o General Dudon. - � perder tempo, Majestade.

Ele n�o sabe nada sobre a situa��o. Sua resposta...

Majestade. Senhores.

Discut�amos seus planos para atacar os borgonheses.

Uma ideia interessante, mas me deixa no escuro.

- O General pretendia dizer... - Isto � rid�culo!

Mesmo que ordenasse meus soldados que atacassem, n�o obedeceriam.

A base da estrat�gia � cerc�-los.

- N�o se luta de dentro para fora. - Inclusive C�sar...

Posso sugerir que n�s os cerquemos?

Como poder�amos cerc�-los?

Um ovo n�o pode cercar sua casca.

- � uma interessante... - � um absurdo!

Por que n�o atravessar suas linhas?

Porque n�o nos deixariam atravess�-las.

Se movimentariam e nos encurralariam contra as muralhas de Paris.

Tem respostas para tudo.

E voc� n�o sabe nada de manobras militares.

� verdade, eu tenho estudado as suas e n�o aprendi nada.

Por que escolheu a espada se voc� n�o gosta de lutar?

- Eu mostro o meu jeito de lutar? - N�o teme que possa cerc�-los?

Cavalheiros! Cavalheiros!

Isto n�o nos ajuda com os borgonheses.

Meu senhor Condest�vel, quais s�o as suas ordens?

- Que ataquemos esta semana. - E o que diz a isso, General?

Se eu ordenar uma coisa dessas, meus soldados se rebelariam...

porque � rid�culo, est�pido, imbecil e... dementel!

A� est� a resposta, Condest�vel.

- Ordeno que ataque esta semana. - E eu me nego!

Majestade, posso ter sua permiss�o para voltar com o meu comando?

Sim, General.

- Seu jantar, senhora. - Obrigada, Anna.

Podem ir para a cama.

- Quer mais alguma coisa, senhora? - N�o, obrigada, Ana. Boa noite.

Boa noite, senhora.

- Estou certo de conseguir. - Meu caro conde,

sem o apoio do General Dudon, que n�o aceita o seu plano,

ser� in�til tentar o que voc� sugere.

- Meu caro general, se eu... - Do que voc� est� falando?

Majestade.

Majestade, temos permiss�o para unir nossos comandos?

Podem, generais.

Senhor...

n�o � t�o f�cil como pensava, n�o?

- Majestade, se me der tempo... - Ah, sim!

Mas voc� n�o tem muito tempo, certo, meu caro conde?

N�o os entendo, Majestade.

Eu n�o te disse?

Eu acho que n�o disse. Bem, vamos ver.

Voc� liberou oito presos da taberna Fircone,

e deu-lhes um presente a cada um, n�o �?

Sim, Majestade.

O que fez com o nono prisioneiro?

- S� haviam oito. - S� oito?

Eu juraria que haviam nove.

Tristan, quantos prisioneiros haviam na taberna Fircone?

Nove, Majestade.

- Sim, mas isto incluiria... - A Villon! Fran�ois Villon!

Esse patife sempre est� levantando sua cabe�a feia, n�o?

Continuo sem entender, Majestade.

Creio que estou falando muito claro, querido conde.

Estou querendo saber que pena indica para esse bandido...

que resistiu � pris�o e matou um de meus oficiais.

O que sugere?

Colocar em um �leo fervente ou dividi-lo em dois na roda?

Nada t�o melodram�tico, meu querido conde.

Como disse antes...

esse Villon nos rendeu um pequeno servi�o,

o qual o estamos pagando...

com uma semana de exaltado esplendor.

- Uma semana? - Uma semana, exatamente.

E no final dessa semana, espero que construa uma forca...

e nela enforque o mestre Villon.

Sim.

Voc� sabia?

Por algumas horas, voc� quase conseguiu me decepcionar.

Estou feliz por sua f� em mim ser mantida,

meu querido Villon.

- Boa noite. - Boa noite.

Ah, sim. Sua Majestade.

Ah, sim, meu senhor, Grande Condest�vel.

Majestade, o que acontecer� se ele fugir?

N�o fugir�. Eu me encarreguei disso.

Viu sua cara?

Senhor.

Pensava sair do pal�cio?

Pensei em tomar ar antes de me retirar.

Sua Majestade n�o quer que ningu�m deixe o pal�cio � noite.

S� com uma escolta armada.

Sim, sim, � claro, � uma precau��o s�bia.

Nesse caso, tomarei ar nas ameias.

- Boa noite. - Boa noite.

Oliver! Siga-o! Voc� tamb�m, Tristan.

R�pido, r�pido!

Voc� est� aqui!

Eu estava com medo que voc� tivesse esquecido.

Como poderia?

O que h�, senhor?

Me asseguro de que o pal�cio est� bem guardado.

Ele est�.

Esque�a os seus deveres agora.

Venha.

Sente-se.

Obrigado.

- Mandei trazer comida. - N�o estou com fome, obrigado.

Voc� n�o est� confort�vel. Deixe-me colocar uma almofada atr�s.

Quando atacamos?

- N�o o faremos. - N�o?

Parece que voc� n�o pode lutar...

quando teme o inimigo.

Os generais s�o firmes a esse respeito.

Vis covardes! Porqu� voc� n�o tira o comando deles?

N�o h� como substitui-los em uma semana.

- Bem, ataque em duas semanas. - O rei s� me deu uma.

Como ele espera isto, se os outros n�o fizeram em um ano?

Porque eu disse que podia. Eu disse que seria f�cil.

O rei est� me mostrando que n�o �.

� uma pena,

porque estaria disposto a dar a minha vida pela cidade,

e voc� se sentiria orgulhosa.

Oh, senhor!

Sinto muito.

Voltei a ter vis�es da cidade livre novamente.

Alimentos passando pelos port�es, viajantes de lugares distantes.

Ca�ar na floresta de Fontainebleau.

Eu queria que me levasse para comer no campo na primavera.

Talvez eu n�o possa fazer, de qualquer maneira.

- Por que n�o? - Falta muito para a primavera.

O tempo faz coisas estranhas com as pessoas, certo?

Eu me pergunto...

Eu me pergunto em que difusa ilha a voz de Safo agita o ar.

Em que verde vale do Nilo...

Cle�patra ainda desespera por Ant�nio, o valente?

O vento os varreu a todos,

os bons, os maus, os feios e os belos.

Onde est�o as neves de ontem?

Quem escreveu isso?

Uma pessoa sem import�ncia...

- que ser� enforcada. - Que pena!

N�o sinta demasiada pena por ele.

Muitos nascem e vivem � sombra da forca.

Eles est�o com fome e torturados. � menor falta deles, os enforcam.

Ent�o, quando finalmente s�o pendurados... sempre os esperam.

- Temos a sorte de n�o estar l�. - Sim, � bom, n�o �?

Pobre gente faminta.

Lutariam se n�o tivessem tanta comida com que se fartar.

Quem?

Os generais, o ex�rcito. Esses porcos sebosos!

� isso a�!

- Claro, � isso! - O qu�?

Eles lutar�o! Quando seus est�magos estiverem vazios, eles v�o lutar.

Por que lutar se h� comida para seis meses?

Os burgueses inchados! Mas quando voc� tira isso!

Que c�rebro!

V�s, lindo sonho de beleza enviado do c�u!

Apenas pense!

Amanh� vai ser um dia feliz para os famintos!

- Voc� vai...? - Vou abrir os armaz�ns...

- e dar toda a comida! - Maravilhoso!

Agora eu devo sair antes que sua reputa��o seja arruinada.

At� agora n�o me preocupei com minha reputa��o.

Desde que a conhe�o melhor, eu a respeito ainda mais.

Posso beijar sua m�o?

Desde que voc� j� tenha me beijado nos l�bios...

- voc� est� se tornando formal. - � verdade o que diz?

- Pensei que estava sonhando. - Voc� estava.

Katherine...

Eu...

Sim?

Boa noite.

Boa noite.

Diga, ele n�o percebeu que voc� o seguia?

N�o suspeitou de nada.

- Providenciou a forca? - Bem cedo, Majestade.

Do mais forte carvalho, e magistralmente montada.

Cuidado que n�o o coloquem nela antes de o enforcarmos.

- Majestade! Majestade! - O que se passa?

- Ele se foi! - Quem?

O Grande Condest�vel! - O qu�?

- E por que a guarda n�o o deteve? - Ele levou a guarda com ele.

- Ele levou a ...? - Tristan, minha roupa!

Em nome do rei!

"Estando informado de que h� certa escassez de comida...

em alguns setores da cidade...

pela presente ordeno aos guardas de meus armaz�ns...

e para aliviar sua condi��o, a imediata distribui��o...

de todo o necess�rio para o sustento e conforto...

de meu bem amado povo."

Assinado...

Assinado pelo rei Luis XI,

defensor da f�.

Em frente, guardas!

- Senhor Condest�vel! - Sil�ncio!

� uma emerg�ncia, as pessoas est�o morrendo de fome.

Fa�a o que eu digo ou eu vou pendur�-los naqueles ganchos!

Sim, senhor.

Comida! Comida!

Obrigado, senhor!

Senhor, eu nunca poderei entrar ali.

Ent�o, siga-nos, vamos abrir todos os armaz�ns.

Finalmente, aqui est� o meu desjejum.

- Onde est�o os meus ovos? - N�o h� ovos, Majestade.

- O que quer dizer? - O rei os deu tudo.

O que quer dizer com os deu tudo?

Ao povo, Majestade.

Foi o que me disse o encarregado ao voltar do armaz�m.

Ele provou que todos, mas todos mesmo, s�o iguais.

Sua Majestade deu tudo.

Isso � rid�culo! N�o Sua Majestade!

N�o posso acreditar.

Katherine, informe imediatamente � sua Majestade o que aconteceu...

e diga-lhe que eu quero ovos para o meu caf� da manh�...

e n�o me importo de onde o retire.

Sim, Majestade.

Peixe!

Do po�o, supongo.

- N�o h� esperan�a de vit�ria. - S�o muito encorajadores, amigos.

O que � isso? O que � isso?

Lady Katherine traz uma mensagem, importante para Sua Majestade.

Desculpe incomod�-lo, mas Sua Majestade deseja que o informe...

que gostaria de ovos no desjejum.

Bem, n�o deveria ir � cozinha?

Eu o fiz, Sua Majestade, e n�o havia.

Lady Katherine, n�o quero parecer grosseiro, nem criticar sua senhora,

mas estou muito ocupado esta manh�.

N�o sei nada sobre ovos ou onde s�o guardados...

- mas deve ser nos armaz�ns. - O encarregado a informou...

que ele verificou todos os armaz�ns e n�o havia nenhum ovo.

Isso � rid�culo, eu tenho centenas de ovos!

Seja uma boa menina e v� embora com seus problemas para outra parte.

Sou o rei e n�o o chef.

Sim, Majestade.

Ovos!

Ovos!

O que � isso? O que � isso?

Tristan, o que � essa conversa l� fora?

Espero que seu senso de humor esteja bem esta manh�.

Do que est� falando?

Seu Condest�vel abriu os armaz�ns...

e deu a comida � plebe.

- Tudo? - At� o �ltimo feij�o.

Espero que isto divirta a Sua Majestade.

- Quanta comida nos resta? - Quanta comida nos resta?

Suficiente para cinco dias, Majestade.

Cinco dias!

Cuide-se, senhor, Sua Majestade sabe.

Claro que sabe, era o que quer�amos.

Perdoe alguns minutos.

- Eu tentei avis�-lo, Majestade. - Cinco dias.

Agora voc� v�, eu...

Bom dia.

Estou interrompendo?

- Se assim for, ent�o posso vir. - Oh, n�o!

Acho que est�vamos falando sobre voc�.

Bem, Sua Majestade vai gostar de ouvir que a sua miss�o...

de boa vontade tem sido um sucesso.

Minha miss�o de boa vontade?

Voc� quer dizer para doar toda a minha comida?

Sim. Se voc� tivesse visto com que gra�as foi recebida!

N�o duvido! N�o duvido!

Mas deixe-me fazer-lhe uma simples pergunta...

O que voc� far� quando todo o pa�s morrer de fome?

A Fran�a est� cheia de comida.

Os campos l� fora est�o cheios gr�os.

Montanhas de farinha mofam nos moinhos.

Os porcos imploram que aceitem seus gordos presuntos.

S� temos que ir busc�-los.

E o que sugere, que voemos sobre as linhas da Borgonha?

N�o, n�o, em absoluto, Majestade...

Podemos lutar para passar atrav�s deles, hein, generais?

Os ouvidos de Sua Majestade devem estar queimando.

Nunca tinha ouvido dizer coisas t�o bonitas sobre um rei vivo.

Onde quer que esteja, Deus aben�oe o nosso gracioso Luis!

Longa vida ao rei!

Voc� sabia?

H� algo disto que eu n�o entendo muito bem.

O que � dif�cil de entender? O povo n�o tem comida.

E eu digo: Longa vida ao rei! - Sim.

Por qu� Luis se preocupa conosco?

Nunca o fez antes. S� pode ter uma coisa por tr�s.

Nos engorda para a matan�a.

Espera um ataque e tenta comprar nossa ajuda.

E por que n�o dever�amos ajudar? � nossa cidade e Luis nosso rei.

- O que ele fez para voc�? - Nos enviou esta comida.

Est� vendo? � um truque.

Tenta comprar sua lealdade atrav�s de seus est�magos.

Quando os borgonheses lutarem contra os parisienses...

e os parisienses lutarem contras os borgonheses...

- eu sei o que eu vou fazer. - Sim, esconder-se em algum por�o.

Minha filha.

Boa noite, padre.

Estava com Fran�ois Villon quando ele foi preso?

Sim, padre. - Mas soltaram todos.

- Mas o que era de Fran�ois? - Ele n�o estava com a gente.

- Deve ter acontecido o pior. - Oh, n�o, padre!

O Condest�vel em pessoa me disse que ele estava bem.

- Eu gostaria de poder acreditar. - Mas voc� pode.

O novo Condest�vel � um bom homem.

Deve ser.

Sem ele, todas essas pessoas ainda continuariam sem alimentos.

Sim, olhe para eles.

Atracando-se hoje, para amanh� morrer de fome outra vez.

Katherine!

Sua Majestade gastou a �ltima comida deixada no pal�cio.

Agora ter�o que lutar.

O que est� querendo me dizer?

Nosso glorioso ex�rcito decidiu n�o lutar.

Nem frio, nem fome, nem insultos ou palavr�es...

os desviar�o desse nobre impulso.

Ent�o n�s falhamos?

E minha semana termina esta noite.

� por isso que tem me evitado durante toda a semana?

N�o.

N�o, eu estive ocupado nas muralhas, tentando...

Por qu�?

Katherine, voc� j� se perguntou de onde...

- o conde de Montcorbier veio? - N�o.

J� lhe ocorreu que talvez tenha vindo...

- da Corte dos Milagres? - Oh, senhor!

- Pensei que estava falando s�rio. - Katherine!

Eu sou Fran�ois Villon.

- Fran�ois Villon! - O cara dos esgotos,

da melhor companhia de sic�rios, bandidos, ladr�es...

e assassinos que a Fran�a pode se orgulhar.

Mas por que voc� fez isso comigo?

Eu n�o pretendia faz�-lo.

Come�ou como uma brincadeira de um rei,

e ent�o...

eu me apaixonei por voc�.

Amor?

Com todo o significado que a palavra tem no para�so.

Amor?

N�o poderia ter sido mais devoto se voc� fosse rei.

V�, por favor, v� embora.

Por favor.

Nossos ex�rcitos est�o desmoralizados, Majestade.

- Ningu�m obedece aos oficiais. - Eles n�o defendem as muralhas.

- Farei com que os enforquem! - Quem vai enforc�-los, Sua Majestade?

N�o defender�o as muralhas se voc� n�o aliment�-los.

O port�o leste est� indefeso.

- N�o temos comida para lhes dar! - Sua Majestade poderia...

entret�-los por um tempo...

pendurando imediatamente o nobre senhor...

- que doou o seu alimento. - Excelente ideia, senhor.

O que ocorre, padre?

Preciso ver o rei ou o Grande Condest�vel.

Desculpe, padre, � imposs�vel.

Preciso v�-lo, eu tenho not�cias urgentes!

Espere!

- O que h�, padre? - Senhor...

� muito urgente que eu veja Sua Majestade ou...

Fran�ois! Fran�ois!

- Mas, Fran��is. - Um momento, padre.

Voc�s podem ir.

- O que ocorre, padre? - Fran�ois, que significa isto?

- Voc� aqui, vestido como um... - Depois te explico.

- Qual � a mensagem urgente? - S� posso dizer ao rei...

- ou ao Grande Condest�vel. - Eu sou o Grande Condest�vel.

Deixe de piadas. DeMontigny reuniu seus partid�rios...

no Tribunal dos Milagres. Centenas, milhares.

Eles sabem que os borgonheses v�o atacar em breve...

e est�o planejando saquear a cidade.

Fran�ois, se estivesse l�, poderia det�-los.

Eles o escutariam, sempre o fizeram.

-Senhor...! - O que h�?

Os borgonheses atacam pelo port�o oeste!

Ent�o � tarde demais, tarde demais.

N�o, padre, n�o � tarde demais.

Voc� diz que os meus amigos me ouvem, talvez me sigam.

- Fran�ois! - Onde est� ele?

Onde est� ele? Onde est� ele?

Voc� est� a�, meu Senhor Condest�vel.

Voc� falhou, falhou miseravelmente.

Prendam-no!

Prendam-no! Prendam-no!

- Ele escapou, Majestade. - Escapou?

Bem, emita uma ordem.

Quem ver este homem que o prenda, se resistir, mate-o.

Aos seus postos, generais! E que Deus salve a Fran�a!

Temos sido uns est�pidos!

Ent�o, enquanto eles lutam saquearemos a cidade.

Nunca teremos outra oportunidade.

Espere. � apenas uma parte.

Se os borgonheses tomarem a cidade, est�vamos ajudando-os.

Por outro lado, se a cidade ganhar, ajud�vamos a cidade.

N�s est�vamos indo para as muralhas quando acreditamos ver uma casa...

com uns borgonheses, os seguimos e durante a luta,

os borgonheses ladr�es ficaram com a prata.

Tudo isso est� bem, mas quem vai nos guiar?

Eu, certamente.

- Voc�, n�o vou participar disto. - Uau, por duas pratas, eu ...!

Por duas pratas mataria a sua pr�pria m�e.

Sua orat�ria est� melhorando, meu querido Ren�.

- N�o te parece, Huguette? - Villon! Villon!

Sim, Fran�ois Villon!

Venho dizer-lhes algumas coisas que Ren� esqueceu de dizer.

Agora, todos n�s sabemos que n�o h� honra entre ladr�es...

ent�o, n�o falarei de honra.

e n�o vou apelar a qualquer forma de dec�ncia...

que sei que voc�s nunca tiveram.

Agora, enquanto voc�s est�o aqui, a cidade est� caindo...

nas m�os de ladr�es como n�s.

Assassinos que vieram da Borgonha...

para pegar o que n�o � deles.

Mendigos para tirar o p�o das bocas dos nossos mendigos!

Carteiristas que cortar�o nossas bolsas,

e canalhas que tomar�o nossas mulheres!

E vamos permitir que estes ca�adores furtivos...

entrem no nosso espa�o e nos ensine como fazer?

- V�o nos matar de fome? - N�o!

Ent�o lhes digo!

Nenhuma cidade pode ser conquistada se n�o quiser ser!

E, gostem ou n�o, n�s somos parte da cidade!

A parte que sabe como lutar!

- Ou n�o sabemos? - Claro que sabemos!

Ent�o lutemos! Eu digo que devemos lutar!

Vamos ao port�o oeste!

Nos superaram. Retiremo-nos para defender o pal�cio.

- Sim, v� para o meu cavalo! - Senhor!

O Condest�vel em pessoa dirige o povo!

� uma derrota! Aos cavalos!

- Tabarie! - Os pusemos em fuga!

Atr�s deles, vamos!

Barbezier!

R�pido, padre!

- Mestre Noel. - Sim, senhor?

- Prendam esse traidor. - Traidor?

Voc� ouviu as ordens de Sua Majestade, execute-as!

Vamos, cavalheiros!

Fran�ois.

Sim, Huguette?

N�o me deixe.

N�o a deixarei.

- Devo prend�-lo, senhor. - Prend�-lo? Mas sem ele...

Desculpe, padre, s�o ordens de Sua Majestade.

Tenho a honra de informar que as nossas armas...

est�o vencendo em todas as frentes.

O duque de Borgonha est� em retirada.

Bem, bem, bem, voc� tem feito maravilhas, General.

Nem tudo sozinho, Majestade.

Tenho recebido o apoio do General Salieres e do General Barbezier.

N�s executamos suas ordens, inclusive perseguir e prender...

o trai�oeiro Condest�vel, cujo destino...

agora est� em suas m�os.

Excelente! O Conde de Montcorbier,

tendo provado ser um covarde e um traidor...

� condenado a ser enforcado hoje.

Majestade!

Majestade, est� cometendo uma grande injusti�a.

Na noite passada, enfrent�vamos uma derrota...

quando a cidade foi salva por Fran�ois Villon.

Sim, Fran�ois Villon!

O que voc�s conhecem como Conde de Montcorbier.

A quem Sua Majestade condenou � morte.

Mas, Majestade...

Muito interessante.

Continue.

Eu...

Majestade, se me permite o reverendo vai provar...

que Lady Katherine disse a verdade.

- Sua Majestade n�o vai ouvir. - Eu vou ouvir o reverendo!

Continue, padre.

Est� certo, Majestade.

Quando eu disse a Fran�ois que a multid�o planejava...

Bom dia, Mestre Corta-pesco�o.

N�o me diga que terei a honra de ser escoltado por Sua Majestade!

Ouvi dizer que voc� e alguns outros assaltantes de estradas...

tiveram a ver com a derrota dos borgonheses.

Seria verdade? Responda! Sim ou n�o!

- E se tivesse a ver? - Bem, meu amigo,

mais uma vez voc� complicou tudo.

Voc� tem um talento demon�aco para colocar-me...

sobre o fio da espada da justi�a,

- e isso � muito inc�modo. - Sinto, n�o tenho nenhuma almofada...

para que Sua Majestade esteja mais confort�vel.

Por favor poupe-me de sua ironia.

J� � bastante dif�cil ser rei da Fran�a.

Isso eu j� descobri, Sua Majestade.

Voc� sabe?

� a primeira coisa agrad�vel que voc� me disse.

Bem, Fran�ois Villon,

em reconhecimento aos seus her�icos, mas assassinos ...

servi�os � coroa, comuto a pena de morte...

- para pris�o perp�tua. - Pris�o perp�tua?

N�o me interrompa!

Voc� ficar� preso no interior dos limites da nossa...

bonita Fran�a, para andar ou entreter como quiser.

As estrelas ser�o o seu teto e o seu leito...

os prados da Normandia ou as areias quentes da Gr�-Bretanha.

Sim, sim, isso � quase poesia, certo?

Poesia! A mais bela que j� ouvi, Majestade.

Sim, mas...

como voc� � um inventor de diabruras,

e encrenqueiro de massas,

eu o pro�bo de estar dentro dos muros de Paris.

Voc� pode ficar com o restante da Fran�a,

- mas eu preciso de tranquilidade. - Eu entendo, Sua Majestade.

Voc� ir� com seu pai adotivo, que vai garantir...

que deixar� Paris. E agora, para fora.

- Majestade! - Meu senhor... Saia, saia!

Mais uma coisa.

- Lady Katherine. - Katherine!

Deve saber que, gra�as a ela, salvou o pesco�o.

Antes de deixar o castelo, ela gostaria de falar com voc�.

N�o, � melhor assim.

Pode dar minhas gra�as a Lady Katherine,

e dizer-lhe que espero um dia salvar o seu pesco�o...

e merecer os seus esfor�os?

Ele disse-me para lhe dizer que este era o fim, minha senhora.

Se algo que nunca teve um princ�pio pode ter um fim.

Que continuar� em frente, esperando poder comprender...

tudo o que aconteceu.

- Padre, quando ele se foi? - Cerca de uma hora, minha filha.

- Qual o caminho tomou? - Prometi n�o dizer.

- Foi para o leste? - N�o.

- Sul? - Prometi n�o dizer!

Obrigada, padre, obrigada!

Senhora, h� um homem caminhando pela estrada.

- � esse, senhora? - Sim.

- Devemos alcan��-lo? - N�o, n�o.

N�o at� que esteja muito cansado.

� um homem muito obstinado.

Legendas: Gerigato Mar�o/2014

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