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Original subtitles

Anteriormente...

É ele? O recruta do Snowshoe?

- Tenho de o ajudar. A minha irmã... - Diz isso ao teu padre.

Temos um avião para apanhar.

Esta noite, um pequeno avião caiu num campo.

Os vossos maridos iam nesse avião.

E se houver uma ligação entre o que estão a fazer

e o que aconteceu a esta mulher?

Posso perguntar porque está tão preocupada com uma mulher anónima?

Eu sou uma mulher anónima.

Uma dúzia de mulheres, todas assassinadas, todas prostitutas.

- Estarão relacionadas? - Algumas delas eram minhas amigas.

Desapareceram todas. Mas esta não.

Esta não conheço.

Andrei! Olá.

Podíamos encontrar-nos no cinema amanhã.

Preciso da sua casa por umas horas. Pode ir para outro sítio?

Está aqui porque quer respostas.

É por isso que vale a pena ultrapassar este medo,

para ficar mais perto do que realmente quer.

As sapatilhas não prestam, acho que não prestam.

Sim! Claro que são as sapatilhas.

- Como és tão rápida? - Campeã estadual de atletismo.

- Estou surpreendida. - Sou cheia de surpresas.

Espera, o que foi isso?

- O que foi o quê? - Ela.

- A velhota? - O que quer?

Não sei.

Agulhas de tricotar, uma bengala, que a morte a leve?

Não gosto da forma como olha para nós.

Sempre corres! Mesmo com sapatilhas que não prestam.

Despistámo-la?

Não, ela está a acompanhar.

Impressionante.

Pronto.

Quem é a senhora? O que quer?

Chamo-me Vera. Não sou do KGB.

Deem esta informação ao vosso Sr. Dane Walter.

As instalações mudaram de sítio. Vou dar-lhe a nova localização.

Mas que raio?

Se não é do KGB, trabalha para nós?

Não, mas é alguém útil para ambos.

Há coisas que um oficial americano não consegue na URSS.

Alguém como a Vera pode ajudar.

- Que coisas? - Como veneno.

Documentos falsificados, dinheiro estrangeiro, arte roubada.

Aviões.

O que vos ofereceu?

Não vos mandaria vir cá de mãos a abanar.

- Não nos ofereceu nada. - Ofereceu-vos informação.

Aquilo que querem desesperadamente.

Acha que está a mentir?

Na área dela, os clientes não voltam se ela mentir.

Mas também sabe dizer aquilo que queremos ouvir.

Nós queremos saber. Como a contactamos?

Vejam nos bolsos.

Uau.

Twila, é a sua vez.

Eu? Vou poder... liderar esta operação?

O que significa isto?

É muito inteligente, na verdade.

Pessoas como a Vera usam estes símbolos para comunicar.

Há um homem a quem chamam Caterpillar.

Ele trabalha na unidade de kompromat do KGB.

Tem-nos transmitido informações por vários canais,

Se alguém sabe onde são as instalações, é ele.

Certo. E o facalhão é para quê?

Deve ser o Pavel, o Butcher. É o contacto da Vera.

O Caterpillar está tão infiltrado no sistema do KGB

que a Vera nem deve saber quem é.

O Butcher contactará o Caterpillar, organizará o encontro.

Quem é ela?

- É a Vera. - A sério?

Sim, talvez há 20 anos.

Vinte, a sério? Está bem. Onde vou ter com ela?

À fábrica de violinos Yarovoi, às 13 horas, sexta.

- Que símbolo diz isso? - Ela escreveu no verso.

A Vera conhecia o Tom e o Chris.

Certo, disse que ela podia arranjar aviões.

Acha que ela sabe algo sobre o acidente?

É provável, sim.

Mesmo que soubesse, será que mo diria?

Se fizer tudo o que ela mandar, talvez.

Está bem.

- Porque é que o Dane me escolheu? - Porque eu mandei.

Porque o fez?

Porque sei o quanto se importa com as mulheres

invisíveis de Moscovo.

É a Vera.

Boa noite.

Onde está ela?

Quem diabo és tu?

Ela não está aqui. Está com a família no campo.

Eu conheço-te.

Estavas no bar com ela.

Sim.

Então conhece-la? Estás no apartamento dela.

Sou o namorado dela.

Namorado?

Quando lhe perguntei quem eras,

ela disse que não eras ninguém. Não és ninguém?

Ela disse isso porque tivemos uma discussão.

Uma discussão? Sobre o quê?

Por causa da infidelidade dela...

Achas que és o namorado dela.

Para mim, és só uma formiga na parede.

Posso esmagar-te.

Boa noite, formiga.

Bom dia. Sou a Eevi.

Sou a ama. Vim no comboio noturno de Helsínquia.

Não. Não és a mulher que contratei.

A mulher que contratei tinha...

Experiência. Sabes? Presença. Portanto...

A agência mandou-me esta distância toda.

Foi uma viagem de 13 horas.

Sim, garanto-lhe que tenho anos de experiência.

Não vejo como isso é possível, porque não tens anos de nada.

- Só... - Olá.

- Quem é você? - Diz que é a ama.

Eevi.

Muito prazer. Sou o Ray, esta é a Cheryl.

- Eu levo a tua mala. - Não. Não.

Não, larga a mala. Vou ligar agência, porque isto foi um erro...

Queres beber algo? O café é mau e o chá pior.

Porque não te apresento ao Trent? Trent, filho!

Senhor? Vamos resolver isto em breve. Não saia daí.

Não vamos desfazer as malas, está bem? Só um segundo.

Para baixo um pouco.

- Está... - Acho que assim... Larga.

Está perfeito. Sabia que não estava bem.

- É um Malevich. Conhece? - Sim, conheço.

Fiz História de Arte.

- Está bem? - Sim, está ótimo.

Está?

Sim.

Uma das vantagens deste trabalho?

Acesso aos desesperados e ex-ricos.

Comprei isto por tuta e meia a um membro de alto nível do Politburo

viciado no jogo.

Um dia, valerá milhões.

Ele vai ficar chateado por ter aceite o negócio.

Tenho olho para estas coisas.

Quando servi em Berlim nos anos 50, comprei um Degas.

A sério?

Era arte que os nazis roubaram?

Quando chegou a mim, não.

Paguei por ele, o que faz com que já não seja roubado.

Vi o sinal na sua janela.

O Andrei apareceu? O que lhe disse?

Disse que era seu namorado.

Foi a primeira coisa que me veio à cabeça.

Disse que sabia da sua infidelidade.

Desculpe pô-lo nesta posição, a correr este risco...

Bem, já era arriscado.

Dar segredos aos americanos, se me apanharem...

Eu sei, eu sei. Eu sei que é assustador e arriscado,

mas tem de saber

que a informação que nos está a dar...

Que informação vos dou?

As fotos e a tecnologia.

Não sabe, pois não, se o que eu faço importa?

Não lhe dizem o que lhes dou, pois não?

Acho que o que faço é importante.

Mas não tem de me mentir para eu a ajudar.

Tenho de mentir a todos.

Sou Nadiya Melnikova, a professora.

E é o meu namorado, ao que parece.

Embora me ande a trair.

Um pequeno percalço numa relação muito sólida.

Qual é a nossa história? Como nos conhecemos?

Não se lembra?

O meu guarda-chuva partiu-se e perguntei se me podia abrigar.

Claro!

Um desvio de sete quarteirões para ir consigo.

Pensei que nunca mais o veria,

mas, um dia, no mercado, lá estava você. Foi o destino.

Lamento imenso.

Nadiya, o amor...

O amor é nunca ter de pedir desculpa.

Meu Deus!

Arranjou uma cópia de História de Amor em Moscovo?

Sim. Filme e livro.

- Como arranjou o filme? - Trabalho com tecnologia de vídeo.

É a tecnologia que os americanos querem que eu roube.

Sabia?

O que faço se ele voltar?

O que está a fazer.

Acreditar na mentira.

Nunca foi casado, por isso, deve ser irmã dele.

Ela é parecida com ele.

Se acha que sim.

Não, mas o Dane sabe. Sabe tudo.

Sobre o atletismo da Twila.

Sabe que não bebo café com natas

e que a irmã do nosso ativo soviético foi assassinada.

Não sabia das natas. Só tinham era acabado.

Porque quer saber mais sobre o seu agente?

Já quase o fez ser desmascarado pelo KGB.

Não sei. Ele está a arriscar a vida.

Só quero perceber porquê. Preciso que ele confie em mim.

Ele já confia em si.

E a menina confia nele, mas, já agora, não devia.

Porque fazemos isto se não confiamos nele?

Em muitos aspetos, não tem jeito nenhum para este trabalho.

Mas tem as suas razões para estar aqui.

Tal como o Redford. E as razões dele são a irmã.

- Acha que era prostituta? - Parece que sim.

Quem a matou?

O governo soviético. O KGB.

Que emprega o homem com quem quer que saia.

É uma operação secreta delicada, aproximar-se de um agente do KGB.

- Percebeu o que quis dizer. - Claro que é perigoso.

Senão, não queríamos que o espiasse.

Ele é perigoso, o Andrei?

Matou muita gente?

Já o olhou nos olhos.

O que acha?

Em primeiro lugar, é "Carl", não "Curl".

Porque não vais antes fazer aquele?

Cheryl. Fizeste um ótimo trabalho.

- Porque não me substituis? - Eu não fiz isso. Foi a Bea.

Não. Ray.

- Bea. Sabes pintar? - Ray? Pousa isso.

Sim.

Uau. Uma mulher de muitos talentos que envolvem sentar-se.

Claro.

Está na hora.

Pronto.

Pensei que iam mandar a outra rapariga.

- Porquê? - Sabe falar russo.

Bem, está a falar inglês. E mandaram-me a mim.

O que quer que faça?

Pavel, o Butcher, correu um grande risco ao contactar o Caterpillar.

Por isso, precisa de dinheiro.

100 mil dólares, em moeda americana. Até amanhã à noite.

É muito dinheiro.

É o governo americano. Não deve ser muito difícil.

Está bem. Vou tentar. Sim, vou tratar disso.

Não temos esse tipo de dinheiro na embaixada.

E preciso de um passaporte.

- Para quem, para o Pavel? - O passaporte é para mim.

É o preço da minha ajuda.

Não me posso esconder neste país para sempre. Quero morrer livre.

Está bem. Eu arranjo-lhe o passaporte.

Mas quando o arranjar, vai garantir que o Butcher

contacta o Caterpillar

e comunica o local das instalações ao Dane.

Sim. É o nosso acordo.

- Emprestas-me isto... - Raios, Sasha.

Desculpa, eu...

Sou tão desastrado. Peço desculpa. Eu devia...

Dás-me dois copeques para o telefone?

Sim, claro.

Credo!

Cem mil dólares, em dinheiro, até amanhã à noite.

Não conseguimos isso num mês.

Não trabalhamos para o governo? Não somos ricos?

Há formulários para pedir pioneses.

Mas ela está a negociar, o que é bom.

Só temos de a manter sedenta.

Diga-lhe que lhe arranjamos um visto para uma nação aliada

onde o KGB não a irá matar.

- Arranje-me um visto para a América. - Arranje um visto para a América.

- Pode ser a Turquia. - E a Grécia?

Mas precisa de um passaporte americano.

E um passaporte grego?

Americano. Só aceito se for americano.

Está bem. É tudo?

- É tudo? - O Pavel ainda quer o dinheiro.

Posso arranjar-lhe algo extremamente valioso que pode vender

por muito dinheiro.

Talvez até mais de cem mil.

O quê?

Digo-lhe esta noite.

Se não lhe agradar, cancelamos a operação.

Cancela a operação? O que planeava dar-lhe?

Não sei. Só queria ganhar tempo.

Pense comigo. Precisamos os dois disto.

E o seu carro? Ela ia adorar.

Não tenho. Conduzo um sedan da Alemanha Ocidental, da embaixada.

Certo. E relógios? Tem um Rolex?

- Não! - Pronto, pronto.

Deixe-me... deixe-me pensar.

Deixe-me... deixe-me pensar.

Está a tentar mexer consigo.

Está a resultar. Mexeu mesmo comigo.

Deve ter enviado o homem que me assaltou.

Quem me assaltou não encontrou isto.

Mas podia ter encontrado e teria sido o meu fim.

É a última coisa que vou roubar. Não consigo continuar.

Vão torturar-me,

vão fazer-me desejar estar morto.

Vão deixar-me viver o suficiente

para que esteja sempre a sofrer, nunca tive tanto medo.

Compreende o que está em jogo para mim? Desculpe.

Desculpe, acho que já não consigo fazer isto por si.

Ambos sabemos que não está a fazer isto por mim.

A sua irmã.

Eles mataram-na.

Sabe da Galyna?

Sabe que a mataram?

O KGB.

Sei que mataram muitas mulheres.

Um homem do KGB veio ter comigo uma noite depois de ela morrer.

Disse que uns agentes do KGB

andavam a matar prostitutas...

e a Galyna era uma delas.

Eu não sabia.

Viemos de Kiev para Moscovo quando tínhamos 13 anos.

Ela era a minha única amiga.

Estava tão entusiasmada por estar aqui.

Mas depois mataram-na.

Este país.

O nosso país.

Acredite em mim quando digo que compreendo.

Se virar as costas,

ninguém neste mundo voltará a lutar por ela.

- Preciso de algo. - O que quiser.

Preciso de saber que, se me vão torturar,

há outra opção.

Já pensei nisto. Preciso de um comprimido suicida.

- Não sei o que isso é. - Um comprimido de cianeto.

Não percebo, porque quer um comprimido de cianeto?

Para poder ingeri-lo se vierem atrás de mim.

Não lhe vou dar um comprimido para se matar.

Não quero que morra.

Também não quero morrer.

Só o tomarei se não houver outra opção.

Continuarei a ajudá-la,

mas, por favor, compreenda que há coisas piores do que a morte.

Então, que raio aconteceu?

Fiz merda, foi o que aconteceu.

Quase desistiu e acho que ainda pode desistir.

E o Andrei sabe sobre ele,

acha que é meu namorado e que o traio.

- Bem, podemos trabalhar com isso. - O quê?

Gosta de saber que outro te anda a comer.

Acho que o KGB mandou um rufia para o espancar.

Ele está bem?

Não, não está. Quer um comprimido de cianeto.

E o Dane jamais me dará um comprimido

que mate o nosso agente. - Acho que te arranjo um.

A sério? De quem? Como?

Da Vera. Veneno. É uma das coisas que ela consegue arranjar.

E ela dava-to ou...

Talvez. Se fizer uma proposta atrativa. Estamos em negociações.

Já agora, lembras-te quando gozaste com o Alan

pelo quadro estúpido dele? - Sim.

Achas que o posso levar?

Como assim, levá-lo?

- Posso roubá-lo? - O quê?

Importas-te de entrar no escritório dele e roubá-lo para mim?

- Mas que raio? - Por favor?

Pronto.

Mas não aguento mais.

- Penso em nós todos os dias. - Merda.

- Penso em nós e em todos... - Sim!

Porra!

Está perfeito!

A sério, que trabalho incrível.

Não está nada. Está horrível.

Não faz mal. Ninguém vai reparar nestas coisas.

O Alan vai reparar.

Está sempre a olhar para este quadro.

Não reparou quando o roubaste.

Sim, porque ele estava ocupado a ter relações com a Lili.

- A mulher do Shep? - Sim.

Ena.

Eu percebo.

Se tivesse de comer o Shep, mas...

- O Alan? - Eu sei.

- Porque puseste a cabeça... - Não sei.

- Não foi de propósito. Eu tentei. - Não penses nisso.

Conta-o.

É um jornal.

- Que merda é esta? - Está a chantagear-me.

Paguei-lhe para não divulgarem uma gravação

que alega que me irá prejudicar muito.

- Uma gravação que diz ter. - Eu tenho-a.

A sério?

Porque ouvi dizer que não tinha.

Que as instalações foram comprometidas.

- E a gravação foi divulgada. - É mentira.

Isto ultrapassa-o, Vasiliev.

Age como se mandasse em tudo, mas é um quadro intermédio no KGB.

Não negoceio com subalternos.

Volte quando pudermos falar de igual para igual.

Posso não gerir uma embaixada, mas também não a irá gerir.

Vou enviar uma mensagem anónima para a CIA

que o chefe da Estação de Moscovo...

Bem, é um maricas.

Diga a quem quiser.

A minha mãe morreu. Não tenho padre.

Já nem mulher tenho. Washington já sabe.

Porque acha que vim parar a Moscovo?

A pior missão de toda a maldita CIA.

Se aquilo que alega ter é um vídeo meu a comer outros homens,

então não o tem mesmo.

Vemo-nos por aí.

- Espere. Roubou isto? - Não. Claro que não.

- Quem o roubou foi a Bea. - Está a brincar?

Como ia encontrar algo que valesse 100 mil dólares?

Nem a sua vida vale isso.

Que simpática.

Disse-me para dar à Vera tudo o que ela quisesse,

se quiser respostas. É o que estou a fazer.

Presume que o Pavel vai aceitar isto como pagamento.

Sim. Vai aceitar.

Convenço qualquer um de qualquer coisa.

Ele quer saber o que significa o quadro.

Não sei o que significa.

Mas sei que vale muito dinheiro.

É de um dos tipos importantes na Embaixada,

um grande colecionador de arte. Diga-lhe isso.

Exato.

Diga-lhe alguma coisa. Venda o quadro um pouco melhor.

Como assim?

De que acha que se trata?

Solidão?

Acho que se trata...

de sentir que fazemos parte do mundo e outras vezes não.

Sabem que mais? Esqueçam.

Vou procurar outro comprador. Sim.

É uma obra muito importante e será desperdiçada num idiota como tu.

É, vou levá-la.

Não, não a leve. Ele aceita.

Depois, vai marcar um encontro com "Caterpillar".

Deve-me um passaporte.

Eu sei. Pois.

Na verdade, detesto pedir-lhe outro favor,

mas tem comprimidos suicidas?

Sabe, os de cianeto que, se o ingerirmos,

morremos em dois segundos?

Porquê?

Não é para mim. Mas estou a meio de outra negociação.

Não tenho mais quadros para roubar, mas preciso de um.

- Tenho um comprimido. - A sério? Uau!

Mas arranje-me um passaporte.

Aqui tem.

Então...

Agora, esta sou eu, Pamela Wilson.

- Sim, é você. - De Illinois.

Mais ou menos, sim.

E aqui está o comprimido.

O que está a fazer?

Meu Deus.

Está bem.

- Não precisa dele? - Já precisei em tempos.

Entretanto, aprendi

que só os tolos acham que podem controlar a morte.

A morte apanha-nos quando bem entender.

Apetece-me trincá-lo. Nunca lhe apeteceu trincá-lo?

Não.

Arranjei-lhe tudo o que queria.

Pode...

Pode dizer-me o que lhes aconteceu, ao Tom e ao Chris?

Foram as instalações do kompromat.

Estavam à procura disso quando foram mortos.

O Caterpillar irá dar-nos as novas coordenadas.

Mas houve mesmo um acidente ou...

Houve um avião.

Mas não foi um acidente.

- Porra, Tom. - Poupa-me, aterro às cegas.

Achas que alguém nos ouviu chegar?

Ainda estamos a 10 km das coordenadas que me transmitiram.

Bem, é melhor começarmos a andar.

Se o Caterpillar te deu as coordenadas certas.

Fique aqui. Seremos rápidos.

É véspera de Natal. As nossas mulheres estão à nossa espera.

Chris!

Estavam soldados à nossa espera quando aterrámos.

Vi-os morrer.

Fugi antes de os soldados entrarem no avião.

Então, estavam lá soldados?

Estavam à vossa espera? Sabiam que iam lá?

Alguém lhes disse.

- Quem? Quem contaria aos russos? - O seu marido.

Ele passava informações aos soviéticos.

- O quê? - O seu marido era um infiltrado.

Quer dizer, tem a certeza?

Ele era muitas coisas, mas trabalhar com os soviéticos?

Como sabe? Como sabe isto?

Por essa informação, preciso de outra coisa.

O quê?

Não. Não, não. Vai dizer-me. Eu dei-lhe...

Muito bem.

Assim está bem.

Sim, está bem. Está bem.

Meu Deus. Quase me provocaste um ataque cardíaco!

Eu...

Twila! Vamos sair daqui, vamos sair daqui.

- Aconteceu... - Sim.

O que foi? Espera. Porque estás molhada?

A Vera caiu ao rio.

Credo, Twila. Tens de ter cuidado. Ela é idosa.

Não. Ela caiu ao rio e morreu.

- O quê? - Pois, não sei.

Ela estava em cima da ponte, a ponte desabou e caiu.

- E deixaste-a lá? - Sim!

Que querias que fizesse? Arrastar o corpo dela pelas ruas de Moscovo?

- Que querias que... - Merda. Isto é mau.

Sim, é mau.

Mas não é assim tão mau

porque já dei o quadro ao Butcher.

Vai marcar o encontro e vamos obter a localização para o Dane.

- Meu Deus, ainda bem. - Exato, é bom.

Antes de a Vera morrer, ela...

Ela disse alguma coisa?

Sabes, que possa ser relevante para nós.

Por acaso...

Disse. Ela...

Ela disse que estava lá quando o Tom e o Chris morreram.

Ela disse isso?

Sim.

Ela viu-os morrer?

Foi o que ela disse.

E acreditaste nela?

Está bem.

Meu Deus.

- Desculpa, isto é tão estúpido. - Não.

Não sei, pensei que talvez houvesse uma hipótese.

De ainda estarem vivos?

Sei que não faz sentido. Eu só...

Não sei, eu...

Como não houve testemunhas, talvez...

Talvez não fosse real. Mas é.

Não sei se isto ajuda.

Diz-me se quiseres que eu pare, está bem?

Desculpa, eu só...

Tenho saudades dele.

Pois.

Pronto.

Ela... Ela disse mais alguma coisa?

Não. Não, mais nada.

- Está bem. - Pois.

Devíamos avisar alguém que o nosso ativo está...

- Morto. - Morto, sim.

Pronto. Pronto.

Não a empurrei, se é isso que está a pensar.

Não, não estava a pensar isso.

Foi um acidente.

Assim, se alguém a encontrasse, pareceria um.

Certo.

Se os russos encontrarem o corpo, chegam à conclusão que quiserem.

Credo.

Tenho de me preparar para o espetáculo.

Mas podem dar-me o passaporte que fizemos para a Vera,

para o destruir.

O passaporte?

- Sim, por favor. - Não o tenho.

Onde está?

Está com ela, porque eu dei-lho.

Se encontram um passaporte americano no corpo, implica-nos na situação.

Isto é um grande problema e temos muito pouco tempo.

Preciso que ajam depressa.

Está bem.

E fazer o quê?

Então, como vamos fazer isto?

Acho que vamos até lá,

metemos a mão nos bolsos dela e pegamos no passaporte, sim?

Certo, certo. Então, faz isso.

E tu? O que vais fazer?

Bom, vou ficar de vigia.

A operação é tua, por isso, é melhor eu...

- Certo, está bem. - Está bem?

- Sim. - Muito bem.

Muito bem.

Pois.

Pois.

Vamos lá.

Estou a ver o casaco.

Pronto.

- Pronto. - Levamos isto connosco ou...

Acho que sim.

- Posso atirar-ta? - Não.

Não, não me atires uma arma.

Mas esteve debaixo de água.

Podes vir cá e dar-ma.

- Pois. - Pois.

- Boa. - Pronto.

- Não toques na... - Não, não vou...

tocar nisto de todo.

Muito bem. Muito bem.

Boa. Acho que o estou a apalpar.

- Graças a Deus. - Sim.

- Então, anda. - Encontrei-o.

E encontrei uma faca.

Pronto.

Odeio dizer isto, porque...

quero muito sair daqui, mas ela...

está ali exposta, sabes?

- Quer dizer... - Talvez devêssemos...

O Ray disse que se já não tivesse o passaporte,

então de certo modo não importa.

Isso é lixado.

Importa.

Talvez não para os russos, mas devia importar na mesma.

Olha para ela. Vai...

Vai apodrecer aqui. Ninguém a vai tirar daqui.

Ninguém quer saber dela. Ela, simplesmente...

Ela estava completamente sozinha.

Viveu uma vida e fez coisas loucas e agora...

Agora está morta e...

ninguém se vai lembrar que ela existiu.

Isso é muito triste.

Diz-me se quiseres que pare.

Querida.

- Tem de me prometer. - Só se for absolutamente necessário.

Eu sei.

Há um ditado russo que talvez conheça.

"A vida é insuportável, mas a morte também não é agradável."

E...

Para que é isto?

Contém instruções sobre algo de que precisamos...

se ainda quiser fazer isso?

Obrigada por confiar em mim.

Sabe que faço isto pela minha irmã.

Qual é o seu motivo?

O meu marido.

Não sei se sabia que eu era casada.

Quase disse que tinha marido.

Já não tenho.

Foi assassinado.

Isso significa que já não sou casada?

Parece que ele está tão distante.

Eu e a minha irmã, éramos gémeos.

Ainda sou um gémeo se a minha gémea não existe?

Talvez sejamos ambos algo entre quem fomos com eles

e quem somos sem eles.

- Exato. - Eu devia...

- Boa noite. - Tenha cuidado.

- Cheryl? - Podes tratar-me por Sra. Szymanski.

Sra. Shismanki.

Estava a pensar se eu podia ir ao espetáculo desta noite.

Claro que não.

Quem tomaria conta do Trent?

Eu levava-o.

Passou o dia a falar sobre ver o pai cantar.

Bom, ele tem de ir para a cama.

Onde é que andaste?

Eu só, preciso do...

Claro.

Obrigado.

- Uau. - Mesmo.

Muito bem, Cheryl.

Twila, se não aplaudires muito alto quando cantar a minha canção,

estás despedida.

Bem, nesse caso...

Mas eu devia cantar mais canções.

As pessoas dizem que tenho mesmo um talento natural.

Já pensou que o problema pode não ser a sua voz?

- Bea, Shep? - Sim.

Olá, Alan.

Pode vir ao meu gabinete? Preciso de falar consigo.

Claro. Mas o espetáculo está prestes a começar.

Regressará a tempo.

Enganei-me a seu respeito, Bea.

Quando a conheci, pensei que era uma secretária banal.

Mas, afinal, é uma pessoa muito compreensiva.

Por isso, vou contar-lhe um segredo.

Eu e a Gretchen andamos com problemas.

Alan...

Irei dormir no escritório durante uns tempos.

Estou a contar-lhe

para me ajudar a fazer tudo com discrição.

Claro.

Obrigado.

Por outro lado, o sofá aqui é muito confortável.

Exato!

E não há nada como dormir à frente de arte verdadeiramente magnífica.

- Está tudo bem? - Por agora.

Até tem jeito.

Uau!

Boa!

- Muito bem! - Ena!

Para esta canção,

gostaria de convidar o novo membro da família da nossa embaixada,

diretamente de Helsínquia, com uma ótima voz,

é a Eevi!

Vem cá, Eevi! Uma salva de palmas!

- Anda, Eevi. - Vamos, Trent.

Vamos ter com a tua mãe.

- Pode ser? - Não.

Prontos? Cinco, seis, cinco, seis, sete, oito!

Não partas o meu coração

Não conseguiria, nem que tentasse

Oh, amor, se eu ficar inseguro

- Devíamos dançar! - Está a ver que não convidavas.

Ooh-ooh, ninguém sabe

- Quando eu estava mal - Eu fui a tua palhacinha

Ooh-ooh, ninguém sabe - Anda.

Ninguém sabe

- Mas desde o início - Eu dei-te o meu coração

Oh-oh

Desculpe!

Porque não me pediste um dueto?

Não sabia que querias cantar.

Sempre que ponho música no apartamento,

dá-te dores de cabeça.

Não gosto de música, mas talvez goste, se pedires.

Olha.

Para a próxima, peço.

- Pedes? - Peço.

- Trent? - Pronto. Pronto.

- Trent! Trent? - Pronto.

- Vês? Ela não consegue controlá-lo. - Ele está bem.

Trent. Onde estás?

Vá lá, Trent.

Trent. Oh, anda cá. Cuidado.

Quando planeavam dizer-me que a Vera morreu?

Agora?

Bem, porra.

- Onde vai? - Para a cama.

Tentámos. Nem todas as missões são bem-sucedidas.

Não, não. Não.

Mas foi uma missão bem-sucedida.

Fiz tudo o que devia fazer.

Sabe? A Vera queria pagar ao Butcher. Ele foi pago. Certo?

Por isso ele vai marcar um encontro com o Caterpillar.

Vai dar-lhe as coordenadas das instalações que quer.

As instalações que o Tom e o Chris procuravam quando morreram.

E ele é o contacto deles, já agora. Sabe o que lhes aconteceu.

O Caterpillar é essencial para descobrir o que aconteceu.

Estamos perto.

Mas a pessoa com quem esperava encontrar-se morreu.

Espere. Não! O Caterpillar nunca conheceu a Vera.

Ray, certo? Foi o que disse? Ele nunca a viu.

Ele não sabe como ela é.

Só a conhece pela reputação.

Encontramos outra velhota russa e levamo-la a este encontro.

Não notará a diferença. Posso ir eu.

Não fala russo.

Ela fala. Ponham-lhe um lenço de babushka e...

Posso chamar o especialista em perucas.

É uma situação de vida ou morte,

não uma peça de teatro na escola.

O Caterpillar vai contactar de forma próxima com esta mulher.

Tem de ter a idade e o perfil da Vera,

russa, mas estar do nosso lado,

o que significa que já a conhecemos e ela já nos conhece.

A menos que conheçam outra idosa russa,

a quem confiariam a vossa vida...

Dane?

Eu conheço.

Por todo o mundo, pequenotes enfrentam tiranos, mas eu não.

Odeio violência.

Na verdade, o meu pai dizia-nos nos sermões:

quem com ferro mata...

Tradução: Adriana Veleda

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