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Há muito tempo viu a luz do dia.
Na guerra cresceu entre ruínas.
Avança por um caminho sombrio.
Alimenta-se de cobiça e age com crueldade.
Não conhece descanso nem cansaço.
Sussurra na sombra...
À tua espera.
Ó senhor, depositamos em vós a nossa confiança.
Protegei estas mulheres...
...nestes tempos de guerra.
Abençoai-as.
Tu és Aquele que me tirou do ventre de minha mãe,
a minha oração será sempre dirigida a Ti.
Tornei-me, por assim dizer,
um monstro para muitos.
Mas a minha fé segura
e confiança estão em Ti.
Que Deus vos proteja e aos vossos maridos na batalha.
Belo sermão, como falou da nova vida.
Senhora May, que bênção vê-la aqui,
radiante como a própria Virgem Mãe.
Enche-me o coração de alegria.
Que o Senhor traga o meu Seamus e o seu marido para casa em breve.
Deus é bom.
Obrigada.
Dia abençoado, senhora.
Não vai sentir falta disso?
Ela tem muito. Nós nada temos.
Anda, Anne.
Para o que estás a olhar?
A raposa saiu numa noite fria.
Rezou à lua para lhe dar luz.
A raposa e a sua esposa, sem qualquer disputa,
cortaram o ganso com garfo e faca.
E os pequeninos roeram os ossos,
e ossos e ossos...
Anne, volta.
Tens jeito para esta terra teimosa.
Nunca consegui que nada crescesse aqui.
Estas beterrabas vão vender bem no mercado.
Podemos trocá-las
e isto também.
Vais vender essa?
Sim.
E hoje à noite teremos pão para comer.
Tem cuidado.
O meu filho escolheu bem quando tomou a sua esposa.
És a minha joia.
Sou sempre prudente. Conheço as estradas.
Anne?
Aí estás tu.
Seamus, voltaste.
Estou aqui, meu amor.
Ajuda-me.
Dói!
- É tudo? - Sim.
Excepto...
Morwen.
Eu...
Maldição.
Não importa. Não faz mal.
Tenho a minha doce Anne.
Tem paciência. A Virgem proverá.
A Senhora é misericordiosa.
Há-de garantir que tenhamos
o que precisamos para encher o estômago.
E também rezo para que o Seamus regresse em breve.
Pensei que já fosse estar aqui connosco.
Já passou tanto tempo.
Ele terá de pôr fim a esta maldição de pobreza
e tornar-se um homem rico.
Tem fé na ambição dele.
Esta guerra tornar-nos-á ricos.
Tenho.
Jago!
Olá, Anne.
Voltaste de Tewkesbury?
Voltei.
Então as guerras acabaram?
Para mim, acabaram.
Então é bom voltar a ver-te.
Mas onde está o meu marido?
Onde está o meu filho?
Rios de sangue,
corpos,
a liberdade e a causa do seu senhor, todos parecem iguais,
mutilados e sujos.
O Seamus e eu...
tivemos de fugir.
Conheces-me.
Sou pescador, não soldado.
Que exército tem o Richard?
Exércitos e pescadores forçados a enfrentar-se
contra um homem desconhecido no outro lado da batalha,
e um de nós matará o outro,
e nada mudará.
Não acabará com a guerra,
mas a coroa teria perdido um filho
que cultivaria os seus campos e alimentaria o seu povo,
se ao menos lhe desse a oportunidade de voltar.
Abandonaste o teu posto.
Combinámos...
fugir à noite enquanto os capitães dormiam.
Mas fomos...
atacados por ladrões.
Bateram-nos,
levaram o pouco que tínhamos.
Mataram o Seamus...
no mesmo instante.
Nunca devíamos ter deixado este lugar,
esta pequena enseada.
Ele era o meu melhor amigo.
Viste-o morrer?
Sim.
Como aconteceu?
É demasiado cruel para ouvidos de mulher, Morwen.
Não sou estranha à crueldade, rapaz.
O meu coração já endureceu.
Abriram-no do pescoço ao ventre.
Lamento.
Seamus...
Eras o meu coração.
O meu peito está vazio.
O meu filho não voltará,
e tu, sem filhos...
...uma rapariga sem marido.
Desceu à terra como todos os outros.
Estamos verdadeiramente sós.
O que...
O que vamos fazer agora?
Queria vê-lo outra vez...
É seguro. Vem.
Mais mortos?
Sim, afogados como os outros.
Tende misericórdia dos que a imploram.
Concedei-lhes a vossa graça e fazei que também eles
possam desfrutá-la.
Segui para a vida.
Desperdiças as tuas orações com os ímpios.
Deus lançou o seu juízo sobre eles.
Deus sorri-nos ao enviar-nos tal sorte.
Esmagou esses piratas contra as nossas rochas para nosso proveito.
Sim.
Venderei estas bugigangas no mercado
e volto antes do pôr do sol.
Acho que está ali um homem.
Tola, não está lá ninguém, querida.
Às vezes penso que és um pouco louca,
como a tua mãe era também.
Anda. Descansa, filha.
Olá, Anne.
Estás bem?
Para onde vais?
À igreja.
Perdi o gosto por belos sermões.
Mas não sabes que não deves andar sozinha aqui?
Há homens perigosos nesta estrada.
Raptariam uma rapariga como tu
- para longe de casa. - Conheço o caminho.
Estarei em segurança.
Vou contigo.
Talvez queiras companhia.
Não devo caminhar com um homem que não seja meu marido.
O teu marido está morto.
Sei andar sem a tua ajuda.
Olá, Morwen.
Que belo dia.
O sol quase brilha e a brisa é suave.
Vamos, Anne.
Bruxa.
Estiveste na igreja toda a manhã?
E ele seguiu-te até lá?
Sim.
Nunca gostei desse rapaz.
Tinha sempre um ar invejoso,
mesmo em criança.
Sempre a seguir o Seamus para todo o lado.
Vi-lhe o ódio nos olhos,
um rato sem pais.
Parecia um cão vadio,
sempre a farejar restos.
A ganância tomou-lhe o coração, tenho a certeza.
É que...
Éramos tão amigos antes de casar com o Seamus.
Tinha esquecido o tempo que passámos juntos.
Não o creio um homem mau.
O mal nem sempre é evidente.
Estamos em tempos de guerra.
Há muito que se espalha à nossa volta.
Demónios caminham na terra sob a forma de homens.
Fica comigo e nada terás a temer.
Comigo, nunca serás amaldiçoada.
Mas se me desobedeceres,
os cavaleiros do inferno arrastar-te-ão para o abismo,
e nada poderei fazer para te salvar.
Prometo.
Anne, vem.
O Frei Penros encontrou-nos no caminho de casa.
- Frei Penros. - Olá, Anne.
Perdoe-nos não termos mais para lhe oferecer.
É o que resta das nossas provisões.
São tempos difíceis.
Pois.
Mas tendes algo para beber?
Tenho a garganta seca.
Deus vos abençoe.
Perdoai-me, Senhor, a minha fome.
Abençoai-nos, Senhor, e a estes vossos dons,
que vamos receber
da vossa bondade, por Cristo nosso Senhor, ámen.
- Ámen. - Ámen.
Alegra o meu coração ver duas mulheres tão piedosas.
Mostrar-vos-ei uma relíquia especial,
para partilhardes a glória da minha peregrinação.
Guarde isso.
Aqui está.
Que belo!
Abra.
Não toques, filha. Cuidado.
Estas relíquias valem mais do que imaginas.
É maravilhoso, padre.
Da vida abençoada do nosso Senhor Jesus,
de uma pomba de Belém.
Três moedas de prata,
preço especial para fiéis tão devotas.
Não podemos pagar tão belas prendas.
Não temos dinheiro.
Muito bem.
Quem mais sabe que regressou das suas viagens?
Sois as primeiras.
Imagino que esteja ansioso por continuar a sua viagem.
Sim, estou só de passagem. Vou para Londres.
Agradeço a vossa hospitalidade.
Tenho de prosseguir antes que o dia avance demais.
Uma bênção antes de partir.
O Senhor te guardará de todo o mal.
Sim, Ele guardará a tua alma.
Glória ao Pai, como era no princípio.
Senhor, tende piedade de nós,
Pai nosso que estais no Céu,
e não nos deixeis cair em tentação,
ámen.
Ámen.
Cuidado com pensamentos heréticos, minha amiga.
Essas mentiras nada fazem por ti,
senão iluminar as terríveis verdades que nos rodeiam.
Permanece na quente e cega bem-aventurança...
Não!
Não!
Sai da frente.
O que fizeste?
Estava a sujar tudo.
Estás louca? Ele é... é um homem de Deus.
É um homem santo.
Não era homem de Deus.
Era um charlatão e um tolo.
Um falso pregador.
Estes objectos alimentar-nos-ão durante o inverno.
Compreendes...
Tu compreendes.
Anda.
Falava-se do Frei Penros...
que era um libertino.
O coração dele pertencia a Mammon,
à cobiça por riquezas materiais e objectos brilhantes,
e ao olhar ingénuo de raparigas tolas.
Era falso.
Morwen?
Sim.
Não sei se consigo ser tão forte como tu, tão...
tão implacável.
Não sei se fizemos o correto.
O que importa é sobrevivermos.
Deves ter muito cuidado
para não cederes ao pecado,
à luxúria.
Não suportaria imaginar-te no inferno,
sem nunca te reunires com o meu filho,
o teu doce marido,
agora sentado no Céu.
Tens de estar vigilante.
Tens de ser piedosa.
Voltarás a reunir-te com ele.
É isso que queres, não é?
Claro.
Bem...
És uma boa rapariga.
Morwen?
Anne!
- Jago. - Olá.
- Viste-o? - Vi quem?
Acho que é um demónio. Ele não é deste mundo.
- Está a seguir-me. - Não está lá ninguém.
- Estamos só nós aqui. - Não, ele estava lá.
Ele usa uma armadura e monta um cavalo branco.
Porque precisaria um demónio de cavalo?
É apenas um soldado de passagem para Manor Trematon,
alguém de carne e osso.
Vem. Senta-te.
- Anne? - Sim...
Encontraste-me.
O quê?
Estavas assustada e vieste procurar-me.
Ainda bem que vieste.
O que se passa?
Tenho medo.
Medo?
Não gozes comigo, tenho medo do que possa acontecer.
Não quero ser marcada por um cavaleiro do inferno.
Não quero ser amaldiçoada e arrastada para o abismo.
Amaldiçoada, Anne? És uma criança?
- A Morwen disse-me que... - Essa bruxa.
Não sabe nada,
só te quer assustar.
O inferno é real.
Sim.
Eu vi o inferno.
Fica a cinquenta léguas naquela direcção, e é bem real.
O inferno é a guerra entre homens ricos e sangue derramado.
Mas isto, Anne, também é real.
Eu quero-te, Anne, e tu queres-me.
Vem ter comigo esta noite.
Não haverá demónios para te assombrar.
Encontra-me onde brincávamos em crianças. Lembras-te?
Agora somos só nós.
Vem ter comigo esta noite.
É o meu sonho.
Vai.
Estás acordada?
Vieste.
Não devia ter vindo.
Não devia estar aqui.
Acorda.
Tenho de voltar.
Vem viver comigo.
- Vem viver comigo. - Não posso.
Porque não podes?
Ela precisa de mim.
Essa mulher sabe cuidar-se.
Ela assusta-me.
Vai sugar-te até à última gota de vida.
Vejo isso claramente.
Vem viver comigo e eu farei de ti feliz.
Onde estiveste?
Queria apanhar ar.
Sabes que morreria sem ti.
Acho que és o meu anjo,
enviado para cuidar de mim na ausência do meu filho.
Somos mais preciosas uma para a outra
do que todos os tesouros do mundo.
Não quero ficar sozinha.
Eu sei.
Sabes que cuidarei de ti.
Que fazes aqui no meio deste frio?
Ajuda-me. Ficas aí parada a olhar?
Ajuda-me!
Está bem.
Pode ter algo de valor nos bolsos.
Procura!
O que é isto?
Nada.
É apenas um brinquedo de criança.
Ámen.
Que Deus te proteja, filha.
Lindo.
Sim.
Morwen?
Um presente.
Anne?
Fica aqui, filha.
Anne, estás aí?
O que queres?
Agora também ficaste surda?
Não és tu que eu quero, pois não?
- Anne? - Ela voltou para mim, rapaz.
Vai procurar outra cadela para foder.
Sai da frente, desgraçada, ou entro à força.
Vai-te embora.
Ela é jovem e forte, e pode ter um filho,
e tu queres tirar-lhe isso?
Sim, mil vezes, sim.
Que alegria me trouxe um marido ou um filho?
Nenhuma,
apenas a dor de os perder cedo demais
e viver uma vida longa e amarga depois da sua morte.
Sim, tiraria isso dela.
Sim, eu hei-de sobreviver a este inverno.
Sim, negar-te-ia o prazer do corpo dela.
Vai para o inferno.
E eu levo-te já para lá, tolo.
Anne, esperarei por ti.
Esperarei por ti, Anne.
Estás perturbada.
Doce criança, doce criança, estás perturbada.
Este é o nosso destino.
Não é o teu fado.
É aqui que pertencemos.
Tu és a esposa do meu filho.
Eu sou a tua família.
Eu sou a tua responsabilidade.
É a lei de Deus.
Mãe, o meu coração está dividido,
e tenho uma fome constante...
...das coisas que perdi.
Porque me deixarias aqui a morrer à fome?
Perdoa-me.
Tenho a língua desregrada.
Senhor Deus, sou vossa serva, para sempre.
Mas tenho medo.
O que me querias dizer?
Morwen, estás acordada?
Ouvi falar de um homem,
que via uma bela mulher ir à igreja todos os dias.
Ninguém sabia de onde vinha,
mas ele apaixonou-se por ela.
Chamava-se Matha E. Chawalla e adorava cantar.
Um dia, por fim, seguiu-a,
e cantou-lhe uma canção enquanto ela caminhava...
...e nunca mais foi visto.
O que lhe aconteceu?
Bem, acho que a seguiu até ao mar.
Então era uma sereia.
Talvez te arraste para o fundo das águas.
Anne?
Anne?
Anne?
Estás aqui fora?
Que pensamentos te ocupam?
Só pensamentos, nada mais.
Partilha-os comigo.
Penso em demónios.
Uau.
Ontem, no sermão, o padre falou do demónio Mammon,
que cobiça os prazeres terrenos e as riquezas,
e eu olhei para a Senhora May,
feliz com o seu bebé recém-nascido,
que usa uma cruz de prata feita para o seu pequeno pescoço,
e eu...
fui tomada por uma ganância aterradora.
Quero o que ela tem.
Quero a sua riqueza,
o seu conforto,
as faces rosadas de felicidade,
e o seu bebé rechonchudo.
Porque não haverias de querer?
Talvez sejas tu o demónio.
Estás a pensar nele?
Éramos sempre nós os três,
e agora tudo mudou tão de repente.
Sim.
Tudo mudou.
Deixa-a.
Vem viver comigo.
Eu sou tudo o que ela tem.
Preciso de uma esposa, e tu não tens marido.
Vem viver comigo.
Não compreendes.
Mas eu quero-te agora.
És um homem ganancioso.
Sim.
Morwen?
Tenho de falar contigo.
Decidi que vou viver com o Jago e ser sua esposa.
É isto que eu quero.
Estás a ouvir-me?
Morwen?
Sempre te obedeci em tudo.
Segui as tuas ordens
mesmo quando as coisas que fazias me revolviam o estômago.
Estava disposta a ficar ao teu lado.
Eras a mãe do meu marido.
Mas o Seamus morreu.
Não digas o nome dele,
rameira, prostituta!
Arderás com os outros!
Não vês o que estás a fazer?
Morwen, eu...
Vais abandonar-me e condenar-me à morte,
e os cavaleiros do inferno virão buscar-te,
e eu aplaudi-los-ei.
Não podes abandonar o teu dever para comigo sem consequências.
Arrastar-te-ão para o inferno!
Não viverei sob o domínio dela,
nem mais um momento.
Farei o que quiser.
Desculpa.
Está frio e ainda é cedo,
cedo demais.
- Hoje é domingo. - É?
Vem comigo ao sermão esta tarde.
A palavra de Deus acalmará a tua alma.
Achas que a minha alma precisa de consolo?
Farei de ti um homem piedoso.
Que Te apraza favorecer Sião,
erguer os muros de Jerusalém.
Então Te agradarás dos sacrifícios
dos justos,
dos holocaustos oferecidos por inteiro.
Então novilhos serão oferecidos no Teu altar.
A raposa e a sua esposa, sem qualquer disputa,
cortaram o ganso com garfo e faca.
Nunca tiveram tal ceia na vida.
Os pequeninos roeram os ossos,
os ossos e os ossos...
Falhaste. Ganhei.
- Não falhei. - És um mentiroso.
Para. Fui eu.
Eu falhei.
Anda. O sol já se pôs.
Devemos ir.
Só uma pequena oração pela Morwen
e pelo Seamus.
O Seamus está morto e enterrado.
Já te disse.
Os homens de Rotherham esmagaram-lhe a cabeça, deixaram-no a morrer,
e não quero ouvir mais falar dele.
Pensei que tinham sido os ladrões a abri-lo do pescoço ao ventre.
Que importa, Anne?
O homem morreu.
Encontraram o nosso acampamento.
O Seamus tentou lutar.
E foi um tolo.
Conta-me.
Tens de me dizer a verdade.
A verdade?
Sempre te amei, Anne.
Não sabes disso?
E agora podes ser minha, verdadeiramente minha.
Podemos deixar o Seamus para trás, a mãe dele para trás.
As nossas vidas pertencem-nos.
Não devemos nada a ninguém.
Diz-me a verdade, ou nunca mais te falo.
Ele mudou quando partimos.
A ambição dele cresceu, cresceu sem parar,
e não tinha medo.
Seamus, não!
A guerra despertou nele...
...um apetite.
Anda, antes que escureça.
Tem uma bolsa com ele.
Que se passa contigo?
Tens medo de um morto?
Não.
Seamus, não faças isso.
Seamus...
Voltaste para mim.
Voltaste para mim.
Seamus...
Ajuda-me. Não sai!
Eu não tinha escolha.
Deixaste-o para trás.
Não tive escolha.
A Morwen tinha razão.
Sempre foste um rapaz invejoso.
- Fica. - Larga-me.
Padre?
Padre?
Não, deixa-me em paz.
Deixa-me em paz!
Morwen, deixa-me entrar.
Não estamos seguras aqui.
Morwen?
Anne!
Anne, tira-me isto!
Anne, ajuda!
Ajuda-me. Não o consigo tirar.
Morwen...
Anne, por favor.
Estás a tentar assustar-me para eu te obedecer?
Tem piedade de mim.
- Para que eu volte para ti? - Não o consigo tirar.
- Dói... - Estás a ser tola.
Não.
Não, está preso, está preso.
Horrível.
Horrível, horrível.
Tira-o!
- Fica quieta. - Anne, está a magoar-me.
Anne, Anne.
Anne!
Fica quieta.
- Não, tenho medo! - Não há nada a temer.
Preciso de ti.
Por favor...
Desculpa.
Agora és mesmo um demónio.
Perdoa-me.
Perdoa-me.
De modo algum.
Anda, anda.
Aqui.
Está amaldiçoado. Não lhe toques!
Não.
Não tem poder sobre mim.
Não há nada a temer.
Anne!
- Espera. - O que queres?
Andava à tua procura.
Não te encontrava.
O que queres?
A ti, Anne.
Quero-te a ti.
Não serei tua...
...nem dela.
Não pertenço a ninguém.
Com toda essa conversa de demónios, Anne,
não sou eu que te assombro.
Volta!
Anne!
Vai-te embora, então.
Bruxa!
Entra.
Toma.
Isto vai ajudar-te a dormir.
Voltarei antes do pôr do sol.
Sim, Anne.
Legenda: Nisbgui
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