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Original subtitles

Às suas marcas.

Preparar.

Alma!

Corra, Alma!

Corra como uma ratinha veloz!

ESCOLA MUNICIPAL

Corra, Alma!

Isso aí!

- Alma! - Muito bem!

Alma é a mais rápida!

Pai, você sabe que não pode ficar aqui!

Héctor.

Quantas vezes disse que seu pai não pode vir?

Meu pai? Meu pai não está aqui.

Estou te vendo, Héctor!

Estou te vendo!

Alma.

Mas eu só o vi de longe.

Você ficou bem fofinho.

Vamos ver embaixo.

Héctor, preciso que limpe os fundos da loja.

Sim, estou acabando aqui e vou lá com o Camilo.

Pra que perder tempo com esse cachorro?

Ninguém nunca veio atrás dele. Sabe o que vai acontecer.

Vou achar alguém que queira adotá-lo.

Olhe pra ele. Está velho, doente e cansado.

Ninguém vai querer adotá-lo.

Eu te adoto.

Como eu disse,

amanhã é a competição esportiva do município.

E o aluno que vencer a competição vai à final nacional.

Então, a pessoa escolhida é…

Alma!

ESCOLA MUNICIPAL SAN ANTONIO

Com licença.

Mariel!

Oi, papai.

- Oi, querida. Tudo bem? - Tudo.

- Como foi seu dia? - Ótimo.

- Muito dever de casa? - Sim, mais ou menos.

- Alma. - Pai!

Primeiro foi a 5ª série, mas foi eliminada.

Depois foi a 4ª série, e foi eliminada.

Aí foi a 3ª série, e foi eliminada.

Você corre mais rápido.

Parado.

Você é mexicano?

- Sim. Sou mexicano. - Documentos.

E aí…

Aí…

fui escolhida pra correr amanhã

na competição da escola.

- Vai correr amanhã? - Sim.

Vamos!

Corre, Alma!

Como o vento!

Alma, corre rápido!

Qual foi meu tempo?

Oitenta e cinco.

Não.

Foi 58.

Estava de cabeça pra baixo, pai.

Mas correu mais rápido do que nunca.

Não, pai, preciso ser mais rápida.

Se eu quiser ganhar, vou ser mais rápida.

Sim.

Conserto pra você agora mesmo.

- Vamos? - Sim.

Vamos.

Esses brancos.

Que bonitos!

- Você gostou? - Sim.

Mas são muito caros.

Mas, Alma, você tem que vencer.

Por que não conserta esse pra mim?

Sim.

Então vou te carregar pra não gastar mais.

Tá bem.

Vamos pra casa?

Sim, mas antes vamos ver um amigo.

Que amigo?

Um amigo.

Vai dar banho neste aqui agora, né?

Sim, vou dar banho neste aqui.

Lembra que, da outra vez, você não deu banho no cachorro

e tinha pulgas na cama, aí a vovó não gostou nada.

Não tinha pulgas.

Sim, uma me mordeu!

Por isso, tem que dar banho nesse logo, logo.

Mãe, chegamos!

- Sim, filho! Estou aqui! - Ele trouxe um novo!

Héctor!

Eu te disse que não queria mais cães em casa!

- Mas este você vai adorar. - Saia.

Claro que vou adorar… Vou fazer tacos com ele.

- Comigo também? - Não, só com cachorros.

Vamos comer tacos de cachorro.

Tá bom.

Alma…

com este, você vai ganhar.

Ai! Esse já não serve nem pra jogar Frisbee.

Não está tão gasto. Talvez eu possa correr com ele.

Melhor entrarem e virem jantar.

Tá bom, vó.

E também…

Também significa que seus dentes vão ficar assim,

pois não temos dinheiro pro dentista.

- Podemos escovar os dentes agora? - Sim.

Você me jogou água!

- Eu também me molhei. - Abra a boca.

Faça assim.

Sabe quem corria tão rápido quanto você?

Quem?

Sua mãe.

Às vezes, quando olho pro céu,

eu a vejo correndo entre as nuvens.

Papai, você nunca vai me deixar pra ir pro céu, né?

Não.

Vou estar sempre com você.

- Obrigada. - Adivinha o que vou te levar na escola?

- O quê? - Seus tênis.

É sério?

Obrigada, papai. Raio de Ratinha!

Raio de Ratinha!

- Quer as tortilhas da vovó? - Sim! Feita de cachorros.

CONTROLE DE IMIGRAÇÃO

Dois rabanetes.

São 34 pesos.

- Está com fome? - Sim.

Vamos comer alguma coisa.

- Certo. - Dois rabanetes.

São 34.

Oi.

- Oi. - Obrigada.

Obrigado.

De onde você é?

Daqui.

"Daqui" onde?

Daqui do México.

Seus documentos e os do garoto.

Oi. Toma.

- Obrigado. - Minha prima faz sopa de tomate.

É muito gostosa.

- Ei! Seus documentos. - Obrigado.

Estou falando com você.

Não podemos pagar isto, mas obrigada.

Eu te dei. É seu.

Quer vir comigo?

Ninguém vai te incomodar no castelo. Vem.

- Sério? - Sim, venha.

Obrigada.

- Pronto. - Espere aqui.

Eu já volto, tá?

Espere por mim aqui.

- Está apertado? - Não, serviram perfeitamente.

- Tem certeza? - Sim.

Quer que eu ponha na caixa?

Não, ela já vai usar.

Claro, aqui está.

- Obrigado. - Obrigada.

São da Alma.

O que foi?

São os tênis da Alma.

Que diabos?

São da Alma.

Fique longe dela, imbecil!

Pai!

Podemos comprar esses tênis pra ele.

- Vamos. - Você está bem?

Ei, pai! Por que o empurrou?

- Quieta! - Juan…

- Entre no carro. - Calma, Juan.

Entre, meu amor.

Tem outros tênis brancos?

Eram os últimos, Héctor.

Aqui, vão ficar bem.

Olhe, Ignacio. Este castelo é enorme. Gostou?

Sim.

Uau!

- Esperem aqui. Vou buscar a Alma. - Obrigada.

Oi! Olá!

Oi! Aqui!

Pegue os tênis.

Pra Alma?

Sim, fique com eles. Eu não quero.

Não!

Mãe!

Espera! Ignacio!

Cuidado!

Cuidado.

Menina…

Menina.

Acorde.

Socorro!

Socorro!

Socorro!

Socorro!

Socorro!

Ela caiu.

É a filha do capitão! Vá avisar! Depressa!

O que fez, desgraçado?

Capitão, nós a encontramos.

O que fez com ela?

Menina…

Menina…

Acorde.

Menina!

Socorro!

- Peguem-no! - Menina.

Eu… Eu não…

fiz isso.

- O que aconteceu? - A menina caiu!

- Meu amor. - Sim.

- Leve-o! - Não!

- Ela queria me dar os tênis. - Eu cuido dele!

Vamos! Pro carro!

- Não fui eu! - Entre! Vamos!

- Vai mais pra lá! - Tenho que ir até a escola.

- Anda! - Abra os olhos.

O que você fez com ela, seu animal?

Meu amor, abra os olhos, por favor! Meu amor…

Professora. Com licença.

- Estamos prontos. - Certo.

Cuidado. Preparem-se, que vamos começar.

Assine aqui. Aqui.

Não fui eu. Eu não fiz nada.

Não se faça de bobo! Assine!

Vai, idiota! Aqui!

Tenho que buscar minha filha na escola.

Alma.

- Quer sua filha? Quer? - Alma.

Tá bom.

Se assinar, a gente te leva lá, tá bom?

Sim, por que não?

Isso.

Preparados?

COMPETIÇÃO ESPORTIVA MUNICIPAL

Alma.

Eu sinto muito.

Por quê?

- Terão que correr sem você. - Não vou correr sem meu pai.

Vamos!

Aqui está, capitão. Ele assinou.

Pelo tipo de delito, irá pra cadeia estadual.

Não.

Preciso que o levem pra cadeia La Catedral.

- Sim, senhor. - Sim, capitão.

Bom dia.

Aqui estão os nomes de ontem.

Se precisar que eu assine algo, me avise.

- Não. - Estão todos aí.

Obrigado.

- Com licença, policial. - Bom dia.

Bom dia. Preciso ver Héctor Díaz.

- É parente dele? - Sim, sou a mãe dele.

Desculpe, não pode vê-lo.

- Como assim? É meu filho. - Não pode. Por favor, saia.

Desculpe. Não pode me pedir pra sair.

Senhora, me escute. Seu filho matou uma menina.

Não.

Não.

Meu filho nunca faria algo assim.

Ele já confessou. A senhora não pode ficar aqui.

Ah, é? Então me expulse!

- Saia ou vou te expulsar. - Não…

- Está me machucando! - Por favor!

Estou dizendo. Tem que sair daqui agora.

- Por favor, controle-se. Calma. - Héctor!

- Me solte! - Mãe!

Nós vamos te tirar daqui!

- Senhora, acalme-se. - Me solte!

Filho!

- Senhora, por favor. Ei! - Alma! Aonde vai?

Suba, cara.

Devagar.

- Sente-se aí. - Vamos.

Não crie problema.

Pai!

QUARTEL-GENERAL 7ª REGIÃO MILITAR

Pai!

Alma!

Pai!

Alma!

É minha filha! Alma!

- Héctor! - Pai!

- Héctor! Filho! - Mãe!

- Héctor! - Pai!

Alma! Olhe dentro do castelo!

No castelo!

Pai! Não me deixe, pai!

Pai!

Rápido!

Rápido.

Vai.

Anda.

Estão todos aí, Sánchez.

Ótimo.

Todos muito bonitos.

García.

Senhor.

Recebemos instruções especiais pra um prisioneiro.

Ele não deveria estar aqui.

Leve-o à cadeia estadual.

É…

É um pedido…

É um pedido pessoal do capitão Avilés.

Héctor Díaz.

Héctor Díaz!

Aqui.

Posso ir embora agora?

- O quê? - Perguntou se pode ir embora.

É claro que não.

Avise ao capitão Avilés que, destes portões pra dentro,

tenho mais poder que o presidente.

Por que o senhor mesmo não o avisa?

Sabemos perfeitamente por que o trouxeram pra cá.

Pode levá-los.

Ninguém pode descobrir o que ele fez.

- Andem, senhoras. - Ajude-os, Sánchez.

Rápido, senhores. Por favor.

- Eles mandaram todos? - Sim.

Número oito.

Agora podem tirar a roupa.

Toda. Podem ir tirando.

Não me ouviu, idiota?

- Tire a roupa, idiota. - Calma, Seu Policial. Eu ajudo.

- Ele é meio… - "Seu Policial…"

Vai tirando.

A última moda, hein? Aproveite, bonitão.

Rápido, cara. Vá se trocar, loirinha.

Pelo que está oferecendo,

eu te levo até a fronteira, mas não atravesso.

Somos eu e meu filho.

O garoto custa o triplo.

O triplo?

O triplo, ou não os levo.

Entre, idiota. Vamos.

Aonde vai, babaca? Siga-me.

Trancinhas, você vai para os fundos.

Vou pegar seus colchões. Espere aqui, idiota.

Vamos. Anda, vagabundo!

O que está fazendo aqui?

É a sua pele?

Não me toque, babaca.

Desculpe.

Que caralho faz aqui! Eu te fiz uma pergunta!

Espere.

Chame o Tomás, tá bom?

Eles vão ficar aqui?

Sim.

Nem ferrando.

Tigre, são ordens lá de cima.

O que eles fizeram?

Esse aí, extorsão.

E o outro?

Não posso contar.

Vá se foder.

Querem que cuide dele.

O capitão.

- Saia. - Sim.

Você.

Hein?

Acomode-se aí.

Sim.

Com licença.

Pedro. Bravo.

Com licença.

E você?

Héctor.

Você fica aí.

Pegue seu colchão.

- Quer outra? - Vou parar aqui.

Queria que meu pai estivesse aqui.

Eu também queria que ele estivesse aqui em casa.

Por que o levaram? O que ele fez?

Não sei, minha menina.

- Ei! - Vamos, babaca.

- Não. - Levanta.

- Pronto, Tigre. - Eu…

Por que está aqui?

Não fui eu.

Não foi o quê?

- O que você fez? - A menina…

A menina caiu. Não fui eu.

- Ela caiu? - Não fui eu.

Matou uma menina.

Não.

O quê?

Como ousa, seu desgraçado.

Isso não se faz.

Quero ir com minha mãe.

Uma menina? Desgraçado.

- Isso não se faz. - Uma menina, desgraçado.

Uma menininha.

Ela caiu.

Porrada nele!

- Vai! - Vamos!

Vai!

Quase o mataram.

É um milagre que esteja vivo.

Terá que ficar aqui por alguns dias.

Como descobriram o que ele fez?

Cinco. Seis.

Alô.

- Aqui é o capitão Juan Avilés. - Capitão.

Meu pessoal me disse que quer mandar Héctor à prisão estadual.

Isso é verdade?

Sim, bem…

Acontece que o Sr. Navarro…

Cale a boca!

Acha que quero que o levem a outro lugar?

Você sabe o que é ter uma filha morta?

Não, senhor.

Se eu o mandei pra aí,

é porque quero que o matem de qualquer jeito.

Não importa como.

Sim, capitão.

O quê?

Tigre, o Pedro quer te pedir uma coisa.

Senhor, quero te pedir um favor.

Não seja idiota. O que você quer?

Sou músico.

E?

E não me deixaram trazer meu violão.

Não seja burro. Como iam te deixar trazer?

Sim, por isso estou perguntando se poderia me fazer o favor

de tentar trazer meu violão.

Um músico?

Sim.

E o que você toca?

Boleros, baladas, corridos, rancheiras, cancã, pop, reggaeton.

O que me pedir, senhor.

Pode deixar.

Que bom.

Filhos da puta, levantem-se!

Acharam que iam fazer justiça com o assassino da menina.

Porque são ótimos exemplos, não é?

Sabem com quem estão se metendo?

O pai da menina morta é o capitão Avilés.

Ouviram falar dele? Pedrito, já ouviu falar?

- Sim, eu sei quem ele é. - Sim.

Não ousem colocar um dedo nele de novo.

Só demos a ele o especial da casa.

Não é você quem decide.

O capitão é quem vai decidir.

Se algo mais acontecer com ele,

vai ver que não é intocável, babaca.

Vamos.

Iván.

Iván.

Iván.

Iván.

Nada.

Por mais que olhe, não vejo o que você vê.

O que aconteceu com você?

Olha…

O que aprendi aqui foi que o mais importante é nos perdoarmos.

O que foi?

Quer levar outra surra, idiota?

Tigre, lembre-se do que García nos pediu.

Relaxe.

Leve-o daqui. O Tigre está nervoso hoje.

Vamos. Venha.

Passa! Atrás!

Passa a bola!

Gol!

- Qual é seu problema? - Ei, vá se foder!

- Qual é, idiota? - Vou te matar.

- Pode vir, desgraçado. - Você está ferrado!

Não!

Vamos jogar futebol!

Não tem pra quem escrever?

Pra Ratinha.

Toma.

Obrigado.

A de cima.

Pedro.

Obrigado.

Aranha!

Joga!

Julio!

Pra Ratinha.

Não vai rolar, meu filho.

Ratinha, não tenha medo.

Alma! Venha aqui!

Olha, professora, ela não quer sair daqui.

E não quer ir à escola. Não sei o que fazer.

Alma! Venha aqui!

Não quero.

Alma, se voltar pra escola, prometo que te levo pra ver teu pai.

Eu prometo.

Não, eles não vão deixar.

Entre.

- Viemos ver Héctor Díaz. - Héctor Díaz?

Desculpe, ele não pode receber visitas.

- Temos uma autorização. - Bom dia. O que está havendo?

Viemos ver Héctor Díaz.

Não pode receber visitas.

- Como assim não pode? - Trouxemos um alvará judicial.

Estou dizendo que não pode. Que parte não entendeu?

Não podem passar por cima da lei.

E não pode falar assim.

- É um documento oficial. - Façam o que quiserem…

- Como assim? Não se meta! - Não me toque!

- Com licença… - Calma.

- Por favor, chame o diretor. - Estamos tentando explicar.

- Chame o diretor. - É um documento oficial!

É uma ordem judicial. Uma autorização.

Desgraçado.

- Não me toque! - Não toque nela!

- Alma! - Preciso falar…

- Alma! - Por favor.

Não…

Alma!

Alma!

- Alma! - Precisamos de reforços. Repito.

Alma!

Alma!

Alma!

Alma!

Alma!

Pai?

Pai?

Pai!

Roupas.

- Roupas… - Pai?

Ratinha?

Pai!

Alma!

Pai?

Alma!

Pai?

Alma!

Pai!

Alma!

Pai!

Estou aqui!

Estou te ouvindo!

Eu também.

Como você está?

Bem.

Você ganhou a corrida?

Sim. Ganhei o primeiro lugar.

Você é a melhor.

Obrigada, papai!

Pai, não nos deixam entrar.

Vou te tirar daqui.

Sim.

- Alma? - Ei! Menina!

- Alma! - Me solta!

- Vamos. - Alma, vai pro castelo!

- Vamos! - Me solta!

Solte-a!

- Me solta! - Não podem entrar aqui!

- Me solta! - Solte-a! Não me toque!

Solte a Alma!

Mãe!

Solte a Alma!

Héctor, vamos te tirar daqui!

Soltem-na!

Soltem-na!

Chega, seus desgraçados! Chega!

- Levem-no pra cela. - Pedro, ajuda aqui.

Héctor, vamos lá pra dentro. Vem.

- Levante-se. - Vamos.

Anda. Vamos.

Não aconteceu nada, pessoal.

Mexam suas bundas! Vamos!

Vão cuidar da vida!

- Você escutou, cara? - Sim.

Ei! Olá!

Espera! Aonde você vai?

Para!

Ei!

Oi. Qual é seu nome?

- Você é da polícia? - Não.

Ignacio.

O que está fazendo aqui?

Meu pai me disse pra procurar uma coisa.

O quê?

Não sei, mas preciso encontrar.

Por quê?

Porque ele está na cadeia.

Dizem que ele fez algo muito ruim.

Ele não fez nada de errado.

Ele disse pra ficarmos aqui,

e minha mãe e eu vimos que ele não fez nada pra menina.

- Sério? - Sim.

Pinky!

Pedrito.

- Seu pacote. - Caraca.

- Bom dia. - Nossa. Obrigado.

Beleza. Até mais.

- Certo. - Se cuida.

Muito obrigado, senhor.

Disseram que vão dar um fim nesse cara.

Disseram que o médico emitiu um atestado dizendo que ele não bate bem.

Esse cara está lascado.

Alma, coma. Não brinque com a comida.

Queria que minha mãe estivesse aqui.

Sua mãe está no Céu.

Com a Virgem.

E por que as pessoas têm que ir pro Céu?

- Você está bem, vovó? - Sim.

Porque Deus as chama.

Você também vai pro Céu?

Espero que sim.

Mas, se você for, quem vai cuidar de mim?

Não, minha menina.

Vou ficar aqui com você até você crescer.

Quantos dias faltam pro meu pai voltar?

Escuta…

Só pense que, a cada nascer do sol,

seu pai está mais perto de voltar pra casa.

Quem cuida da sua filha?

Minha mãe.

Sua mãe?

E onde está sua esposa?

Amanda?

Ela virou um anjo.

Alma não se lembra dela, mas eu me lembro.

E como se apaixonou por ela?

Nos bailes.

Ela dançava muito bem.

E…

começamos a namorar e… logo nos tornamos pais.

Eles foram pra casa…

E os primos da Amanda chegaram,

e… eu abri a porta.

E…

Tudo bem, Héctor.

Tudo bem.

O Cinza mandou lembranças.

Pode vir, desgraçado. Pode vir.

Desgraçado!

Não!

- Saia! - Ai!

Não.

O que você fez?

- Arde! - O que houve?

- Foi esse desgraçado! - Arde!

Fica de olho nele!

Guardas!

Vamos ver. Vamos ver esse corte.

Você vai ficar bem. Fica calmo.

Tá bom?

- Por que se meteu, idiota? - Socorro!

Por quê?

- Guardas! - Não.

Socorro!

Por favor! Alguém!

Está doendo muito.

Sinto muito. Me perdoa.

Parem.

Como ele escondeu a faca?

Estava dentro da porra do violão.

Começo a duvidar se o que disseram sobre Héctor e a menina foi mesmo assim.

E se foi um acidente?

Tenho minhas dúvidas se esse cara é capaz de matar alguém.

Não sabe nem como usar as mãos pra se defender.

E se isso foi um mal-entendido e só querem ferrar com ele?

Separá-lo da filha…

Devíamos fazer algo pra tirá-lo daqui.

Estou ocupado, cara. Feche a porta.

Capitão.

Diretor.

- Deixe-nos a sós, García. - É melhor que ele fique.

Você sabe por que mandei o Héctor pra cá.

E quando quer resolver esse assunto?

Amanhã.

Amanhã?

Não disse que aqui tem mais poder que o presidente?

E você quer provar isso?

Não.

Acredito em você.

Mas, lá fora,

quem tem o poder sou eu.

Certo.

Mas vamos fazer isso na semana que vem.

Assim, vou estar quase me aposentando.

Se deixar tudo em ordem, eu te ajudo

a jogar essa bomba no colo do próximo diretor.

Ai, cacete!

Tigre.

Em que posso te ajudar?

Preciso de um favor seu.

Do que precisa?

- Vamos pegá-la de uma vez. - Espera. Podem nos ver.

Concentre-se, Nacho. Concentre-se.

Tá bom.

- Um… - Não.

- Dois… - Espera, cara! Espera.

- O que estão vendo? - Cacete.

- Olha ela aí. - O quê?

O que estão fazendo?

Seu pai nos mandou aqui.

Meu pai?

O que posso fazer por vocês?

Padre, o Tigre está pedindo um favor.

Um favor?

Na verdade, viemos pedir um favor pra ela.

Certo, Sánchez, toma cuidado.

Não deixa cair, Gutiérrez.

Vem.

Tomem cuidado aqui.

Reyes.

E aí, seus otários? Anda! Mexe a bunda.

- Cuidado. - Sombrinha.

Sombrinha.

Seu chefe está te chamando.

Passou. Segurem firme.

Vai!

E aí, Bucky? Tudo bem? Vamos.

E aí, García?

- Pra onde? - Vamos por aqui.

Cuidado com a cabeça dela.

Isso, assim. Passou.

Isso.

Senhores, trouxe uma visita.

Nossa.

Ai, Alma!

VOVÓ, FUI VER MEU PAI

Héctor.

Trouxemos uma coisa.

Talvez isso o faça se sentir melhor depois do que houve na semana passada.

- Pai! - Alma!

- Alma! - Pai!

Oi!

Cuide deles. Tá bom?

Pai…

eles são maus?

Não, eles são meus amigos.

Esse é o Tigre. Tomás.

Esse senhor é o Iván.

Tá bom.

- Pai. - Hum?

Encontrei o garoto no castelo.

Ele disse que viu tudo.

O que foi que ele viu?

Que meu pai não fez nada.

Espera, vem cá.

Tem certeza de que o garoto disse que seu pai não fez nada?

Sim.

- Quem? - É o Medina.

- Ela está dentro da Virgem. - O quê?

Sim, a mesma que entregamos há pouco.

Vocês moram aqui?

Bem, é só por um tempo.

Aqui é como um hospital.

E estamos todos doentes.

E qual é a doença?

Bem, eu…

Eu estou doente

porque amei muito uma mulher

e queria me casar com ela, mas ela não quis.

Então…

eu a machuquei.

E também me machuquei.

E qual é a sua doença?

É…

Eu tive que…

transformar em anjo

alguém que tinha o diabo dentro do corpo.

- E… - E é por isso que ele está aqui também.

Mas está quase curado.

Quer saber? Você tem que ir agora.

Promete que, quando meu pai se curar, vão mandá-lo pra mim?

Eu prometo.

É melhor mesmo.

E qual é a doença dele?

A língua dele dói, e ele não consegue falar.

Você desenhou isso?

Esta árvore é aquela árvore.

Os guardas estão vindo.

Senhor.

- Abra. - Certo.

E a menina?

Que menina?

Onde ela está?

Não finjam que a Virgem está falando com vocês.

Ou vão me dizer que ninguém sabe onde a menina está?

Um, dois, três! Achei a Alma dentro da Virgem.

Tudo bem.

E qual é a sua doença?

Além de criminosos, blasfemam.

Vem, menina. Você vai com o García.

Vamos.

Sim. Pai?

- Alma! - Héctor!

- Vamos. - Fica aí.

E?

Não vão dizer nada?

Muito bem.

Dois dias em isolamento.

Morales, leve-o ao meu escritório.

Acha mesmo que ele matou a menina?

Você mesmo viu.

Quando perguntou da filha, ele disse sem hesitar,

como se estivesse brincando de esconde-esconde.

Seu amigo matou a filha do capitão Avilés.

A menina nos disse que conheceu um garoto que viu tudo,

e jura que não foi esse cara.

Olha…

se o senhor sondasse um pouco, poderia sair como herói,

e poderiam parar de investigar

os suicídios e acidentes

que aconteceram durante sua gestão como diretor.

E me indispor com o capitão Avilés?

Pense nisso.

O que quer ser? Herói ou vilão?

Você nunca me viu, entendeu?

- Leve-o de volta à cela. - Sim, senhor.

- Alma pode ficar pro jantar? - Não, ela não pode. Vamos.

- Só um pouquinho? - Vamos, Héctor.

O Tigre me disse que, quando meu pai se curar,

ele o mandaria pra mim.

- Vamos, Héctor. - Alma, adeus!

Eu te amo muito, pai.

- Seja boazinha com a vovó. - Sim.

- Chega. - Raio de Ratinha!

- Vou te levar pra casa. - Tá bom.

Sabe se alguém viu o que aconteceu?

Sim.

Professora!

Vem cá! Vou te contar tudo!

Professora!

- Vem cá! - Vamos trazer meu pai de volta!

Sei que temos que trazê-lo de volta!

Minha avó precisa saber do meu pai!

Professora! Ele acreditou em mim!

Sério?

Sim, contei sobre o Ignacio, o garoto que conheci,

e ele vai procurá-lo.

Que bom.

Cadê minha avó?

Vem.

Alma…

- Aconteceu uma coisa. - O quê?

- Sua avó estava doente, lembra? - Sim, eu lembro.

- Ai, Alma, sinto muito. - Por quê?

Sua avó se foi.

Ela foi pro Céu.

Ela virou um anjo?

Ela me prometeu que ia ficar comigo.

Vem cá.

Vou ficar com você até seu pai ser solto.

Sinto muito.

Roupas, Tigre.

Essa é sua.

Deixa aí.

- Tomás! - Aqui.

Wilson!

Obrigado.

Analisando os detalhes, sim.

Tem uma árvore.

Está vendo?

Você não era mudo?

Preciso dizer uma coisa.

Tigre! Este!

Este é seu.

- Vem cá. Me acompanha. - Este.

Aqui.

Isso é do banheiro.

Eu tinha uma filha.

O nome dela era Amanda.

Ela começou a sair com um homem.

Eu nunca quis.

Ele a levou.

Quando…

eu a vi de novo, descobri que…

tiveram uma menina.

Eu disse aos meus sobrinhos:

"Peguem umas barras."

Fomos à casa dele, chamamos e ele saiu.

Demos uma surra nele.

Pensamos que o tínhamos matado.

Entrei em casa procurando por ela.

Eu a arrastei pra fora.

E aí…

quando eu estava dirigindo de volta, nós dois começamos a brigar e…

Bateu o carro.

Sim…

Quando abri os olhos…

percebi que…

tínhamos batido numa árvore e que…

Que ela,

minha filha…

tinha virado um anjo.

Desde então, não consigo parar de olhar pra árvore.

Acha que Deus vai abrir a porta pra que eu fique com ela?

Eu causei muitos danos.

A ela.

Ao Héctor.

Iván, não conseguiu salvar a vida da sua filha.

Mas ainda pode salvar a vida da sua neta.

Capitão.

Alguma novidade?

Sim.

Boa noite, senhores.

Correspondência.

Tigre, tem uma pra você.

Uma pra você.

Pra você não tem nada.

- Carta da Alma. - Sim, tem uma da Alma, Héctor.

Continuem se divertindo.

Carta da Alma.

Quer ajuda?

Você lê.

"Pai,

no outro dia, voltei pra casa

e procurei a minha avó,

mas ela não estava.

A professora me disse

que ela tinha virado um anjo."

Ela virou um anjo, minha mãe?

Sinto muito, Héctor.

Está faltando.

Foi tudo o que consegui.

Tá bom, podem subir.

- Deixa a gente no muro? - Deixo.

- Não, mãe. - Vamos.

- Não quero ir. - Anda!

Eu disse à menina que ia contar tudo.

Vamos, Ignacio.

Vamos!

Depressa, anda! Vão lá pra trás!

Vá pegar mais.

Abra!

Ignacio?

Precisamos que venha depor.

- Não. - Não. Sim.

Não, por favor.

Alma!

O que aconteceu?

- Adivinha. - O quê?

Parece que o diretor sabe onde estão.

Sério?

Estão sendo levados pra depor.

- Quer que a gente vá com ele? - Sim! Vamos!

Vamos! Não. E o seu casaco?

- Seus sapatos? - Só vou pegar a jaqueta.

- Vai de chinelo? - Vou.

Toma cuidado.

Se quer atravessar, sabe o que tem que dizer.

Héctor sempre quis nos ajudar.

Ele nos escondeu pra que nada nos acontecesse.

Mas estava louco por causa dos tênis.

Nós vimos como ele matou a menina.

Ignacio! Isso não é certo!

Ele não fez nada com a menina!

Ela queria dar os tênis pro Héctor.

- Fica quieto! - Ela caiu! Foi um acidente!

Está bem.

Obrigado pela declaração.

Podem se retirar.

- É mentira, escute o menino! - Mãe, diga a verdade!

Por favor, Lorenza!

- Fala pra sua mãe contar a verdade! - Alma!

Ei, venha.

Diga a verdade!

- Não pode ficar assim! - Mãe!

- Alma. - Ignacio!

Por favor!

- Alma. - Ignacio!

Alma… Bonito.

Alma.

- Ignacio! - Mãe, diga a verdade!

Tudo certo?

Tudo.

A mãe disse um monte de mentiras.

O garoto pediu pra ela contar a verdade, mas ela o levou.

O que houve com a menina?

Pelo que sei, está morando com a professora.

Mas, quando o Héctor morrer, vão levá-la a um orfanato.

Coitadinha.

Agora vão matar o Héctor.

Sabe como eles são.

Queria poder fazer alguma coisa por esse cara.

Não, já era.

Um, dois, três e já!

Vai ficar tudo bem.

E se eu ficar?

Não vão deixar.

Obrigado.

Cuidado aqui.

Cuidado, Héctor.

Alma!

- O quê? - Venha aqui.

Tá bom.

Vem.

- Oi, Alma. - Oi.

Mandaram pra você, pra próxima competição.

Não! Está louco, Iván? Não podemos fazer isso.

Não estou pedindo, Tigre.

2 DIAS ANTES

Eu sabia.

De tanto ver aquela merda no teto, seu cérebro fritou.

Explique pra ele.

Devo isso à minha filha.

Devo isso ao Héctor.

Devo isso à Alma, minha neta.

Tá bom.

Tem certeza?

Finalmente consegui sonhar com minha filha.

Eu a vi e a abracei.

Contei pra ela o que eu ia fazer.

Ela sorriu pra mim.

Tenho certeza.

Leo! Vai lá pra fora, cara.

Está com diarreia ou o quê? Está, não está? Vai lá.

Aonde vai?

Agora não pode entrar. Vai lá pra fora.

Senhor…

Gostaria de dizer uma coisa sobre o Iván.

Confio em vocês.

Não vão me deixar na mão, hein?

Pode deixar.

- O que houve? - Fuga no pavilhão 5.

- Andem logo, pessoal! Vamos! - Vamos!

Andem logo, seus porras! Vão!

Rápido, gente! Vamos!

Obrigado por tudo.

Tigre.

Boa viagem.

- Obrigado. - Obrigado.

Obrigado.

Não sei quanto isso vale,

mas compre os melhores tênis que puder pra Alma.

Outro. Isso, Héctor.

Perdoe-me, Héctor.

Pelo que fiz a você.

E à Amanda.

Você e Alma serão muito felizes.

Cadê o capitão Avilés?

Estamos prontos, senhor.

Vamos.

Estão vindo, Nachito.

Prepare-se, cara. Prepare-se.

Como ensaiamos, cara.

- Agora. Puxe. - Lá vem ele. Esconda-se.

Que merda é essa?

O que aconteceu?

Já deveria estar aqui.

Você pode atestar que esperamos por ele.

Ele disse que o queria morto de qualquer jeito.

Pode ir.

ARQUIVO DO CASO

Escapou durante o motim de ontem à noite.

Sim, senhor.

Vou notificar as autoridades de todos os municípios próximos.

- Pode ir. - Sim, senhor.

ATESTADO DE ÓBITO

Alma!

Pai!

Pai!

Alma!

A CELA DOS MILAGRES

Legendas: Rubens Martins

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