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LENDAS DO KAMASUTRA
M�sica
Argumento
Produ��o
Realiza��o
Levanta-te, sua batoteira, isto devia ser futebol,
n�o podes placar.
- Vale tudo. - A Lisa detesta perder.
- � verdade. - � toda tua.
Peco a aten��o de todos.
Gostaria de fazer um brinde.
Parece que a Sally e eu vamos ter um beb�.
Ela jurou que se n�o acontecesse desta vez, desistiria.
- N�o creio. - O qu�?
Desta vez ele diz-nos que vamos conseguir.
Eu sei que ela � muito parecida contigo
e nenhuma de v�s desiste assim t�o facilmente.
E a ti, Lisa. Obrigado pelo amor que nos demonstraste.
Temos muita sorte por te termos.
E, � claro, acima de tudo, � minha linda esposa, Sally.
Obrigado por n�o desistires.
- Tens raz�o. - Sim, eu sei.
- J� esteve na �ndia? - Sim, umas quantas vezes.
Ele adora aquilo.
E voc�? J� esteve na �ndia?
N�o, n�o estive.
A Sally e o Gulsan tentaram convencer-me a ir o Ver�o passado,
mas eu n�o tive tempo e al�m disso pensei que ficaria deprimida.
Porqu�?
Porque s� ou�o falar em pobreza
e na densidade populacional e s�o problemas que n�o posso resolver.
Est�s a perder muita coisa do mundo.
- Talvez devesses levar-me. - Veremos.
- � aqui. - Estou ansioso.
Meu Deus. Fez um �ptimo trabalho, Gulshan.
Vai ser uma bela exposi��o.
- Um trabalho muito bom, Michael. - Obrigado.
Quando convenci o estado a fazer estas doa��es,
muitos na direc��o n�o acreditavam que muitas destas pe�as se salvassem,
estavam em muito mau estado.
Mas restaurou-as sem comprometer a integridade delas.
Estou ansioso para ver a cara deles
quando vierem � inaugura��o. Principalmente o Sr. Collins.
Sem d�vida.
Ainda n�o acabaste? Vamos perder o filme.
Desculpa, querida. Perdi-me nisto.
Podemos ir amanh� � noite?
S� se me compensares esta noite.
Isto n�o � lindo?
Sim, � magn�fico. O que �?
� uma divindade hindu do s�culo XII.
O que � que tem a �ndia?
J� alguma vez foste a um lugar em que assim que l� chegaste,
soubeste que era aquilo?
Isto �, de um modo que n�o h� palavras para o descrever.
� o que sinto em rela��o � �ndia.
Lisa.
Michael.
Por favor, n�o nos fa�as isto.
Olha, eu n�o queria pressionar-te.
Meu Deus.
Quero padr�es chocantes.
Quero padr�es de paix�o como nunca se viu antes nos meus desenhos.
Quero algo diferente. Quero brilho. Muito brilho.
Quero brilho ao ponto de fazer doer.
A parte de cima deve fazer contraponto.
N�o oposi��o. Contraponto com a parte de baixo.
E vice-versa, claro.
E quero l�grimas a brotar dos olhos das pessoas
por causa das cores e dos choques.
Cores e choques. Pode ser o nome para a nova colec��o.
Cores e choques.
Para come�ar, acho que gosto. Que achas?
Lisa?
Talvez ela esteja muito deprimida ou muito apaixonada.
Ol�! Ligou para o escrit�rio do Michael Boyce.
Por favor, deixe a sua mensagem. Eu ligarei logo que poss�vel.
Michael, est�s a�?
V� l�, Michael, atende, por favor.
- Quando � que esperas acabar o Buda? - S�o mais dois, tr�s dias no m�ximo.
Estou apenas � espera para ver como fica a �ltima camada.
Ouve, Michael, queria fazer-te uma pergunta.
Recebi agora uma chamada de um amigo meu da �ndia.
N�s estud�mos juntos em Bombaim.
Ele � o director de um projecto de escava��o
e renova��o de monumentos em Khajuraho.
- Conheces Khajuraho? - Sim, os templos.
Isto �, ouvi falar deles. Nunca l� estive.
Por acaso conheces algu�m que possa estar interessado numa coisa destas?
Sim. Eu.
- Tu? - Sim.
- E isto aqui? E eu? - Posso acabar quando regressar.
Na verdade, ia falar contigo para tirar umas f�rias.
- Passa-se alguma coisa? - Tudo.
Ol�. Fala o Michael. N�o posso atender agora,
portanto, deixe a sua mensagem. Eu ligarei logo que poss�vel.
Obrigado.
Michael, � a Lisa. Amo-te. Por favor, liga para mim.
Nos �ltimos oito anos, o Mike viveu cada ano numa cidade.
Eu sei. Por que me est�s a fazer isto?
Por ser tua irm� e por estar um bocadinho preocupada
pelo facto de te teres apaixonado por um tipo
que s� conheces h� dois meses. - Ele n�o � um tipo qualquer.
N�o. � um homem que n�o consegue ficar na mesma cidade mais de um ano
e tu esperas que ele fique contigo.
N�o. N�o ficou. Est�s feliz agora?
Lisa.
Por onde tens andado?
N�o te via desde a festa.
Est� tudo bem?
Est�s bem?
- Eu estava bem. - N�o, n�o estavas.
- Sim, estava. - N�o, n�o estavas.
Eu estava bem. At� aqui a gorda encher-me com a teoria...
de terceira categoria, para mandar na minha vida.
Quero apenas que me digas a verdade.
Ela s� fez uma coisa desde que rompeu com o Michael.
No que me diz respeito, n�s n�o rompemos.
O que � que vais fazer quando ele partir?
Ele n�o te contou?
Contou-me o qu�? De que est�s a falar?
- Lisa. - O que �?
O Michael aceitou um trabalho na �ndia. Ele parte esta semana.
Entre, est� aberta.
- Ol�. - Ol�.
H� dias que ando a ligar para ti e tu n�o atendes.
Por que n�o ligaste para mim?
Tenho andado a pensar muito e tu j� sabes.
Quando come��mos, n�o esperava que isto avan�asse t�o depressa.
Acho que o melhor para ti e para mim,
para n�s os dois, � deixarmo-nos de ver,
antes que um de n�s sofra e...
Eu j� estou a sofrer.
ias contar-me sobre a �ndia?
Sim, ia ligar para ti e dizer-te porque me ia embora.
N�o acredito que seja isto o que tu queres, Michael.
Sabes o que eu quero?
Quero acordar de manh� contigo ao meu lado.
Todos os dias at� ao fim das nossas vidas.
Quero envelhecer contigo. S� n�s os dois vivendo uma vida normal.
Ent�o, por que fazes isto?
Porque eu n�o sou normal. N�o posso levar uma vida normal.
N�o te quero fazer isto. Amo-te demasiado.
Tenta compreender isto.
Eu s� compreendo que sabemos que nos amamos.
E tu n�o tens de partir.
N�o me est�s a ouvir.
Depois da primeira noite que pass�mos juntos, devia ter sumido.
V� l�, Lisa, que tipo de vida esperas de algu�m como eu?
- Eu aguento. - Esquece.
- N�o, eu tenho algo a dizer aqui. - Tu n�o compreendes.
N�o, sabes que mais? Tu � que n�o compreendes.
N�o te compete dizer que acabou, meteres-te num avi�o e fugir.
Sabes do que estou fugir, Lisa? Da realidade.
Se eu ficar um ano, dois, talvez tr�s, sabes o que vai acontecer?
Vais conhecer outra pessoa, algu�m que possa satisfazer-te
do modo que eu gostaria. Algu�m que te ame na totalidade.
Eu desejo-te tanto, todos os dias da minha vida.
E cada dia que n�o o posso ter, isso mata-me.
A realidade � esta. Esta � a minha realidade.
Sou feliz com aquilo que podemos ter.
Mudar�s de ideias quando o conheceres.
Acredita em mim em que mudar�s.
Sabes quem compreender� melhor que ningu�m?
Eu.
E sabes quem sofrer� mais com isso?
Eu.
Eu n�o te vou fazer sofrer.
E o que acontecer� quando vires que a situa��o n�o tem solu��o?
Eu sou impotente.
Lisa, eu sou impotente. Isso n�o vai mudar.
N�o sabes isso.
Todos os dias, h� medicamentos novos no mercado, Michael.
Li algures que 30% � porque ele n�o est� interessado,
30% � porque ela n�o est� interessada,
20% � biol�gico,
15% � psicol�gico e 5% eles n�o sabem.
Eu estou nos 5%, isto �, isso nem sequer � um risco.
Vou arriscar. Vou contigo para a �ndia.
Vou para a �ndia. Se nada acontecer enquanto l� estivermos,
sairei da tua vida, deixar-te-ei em paz.
Mas eu sei que queres isto tanto quanto eu,
e n�o vou desistir sem aproveitar esta �ltima oportunidade.
Fora daqui, fora de L.A.
Longe de tudo e de todos,
s� n�s os dois.
Por favor, querido, devemo-nos isto.
Khajuraho, �ndia
Talvez mais tarde.
Ol�. Procuro Prashant Singh.
- Ele est� no Templo Lakshman. - Obrigado.
- Ol�. Procuro Prashant... - Suba.
- Prazer em conhec�-lo. - Igualmente.
- Foi dif�cil chegar at� aqui? - N�o, nem por isso.
Um pouco moroso. H� muita gente nas ruas.
Hoje, come�a aqui um festival. Acontece uma vez por ano.
Milhares de pessoas v�m de v�rias aldeias.
� um carnaval muito grande e muito interessante. Tem de ver.
Est� bem.
Este � o Templo Lakshman.
Foi constru�do no s�c. X.
Temos feito muitas restaura��es nos relevos.
O Gulshan disse-me que j� esteve na �ndia.
- Sim, umas duas vezes. - Disse que trazia a sua mulher.
Sim, a Lisa est� c�.
- Ent�o, temos de jantar juntos. - Boa ideia.
Este � um grande problema.
A chuva e o vento corroem esta parte do templo.
Portanto, toda a estrutura ficou muito fraca.
Sim, estou a ver.
Mas o seu problema, Michael, est� l� dentro.
Desculpe, tem de descal�ar os sapatos.
Est� a ser feito muito trabalho aqui dentro.
Sim, tir�mos alguns dos pain�is para facilitar o nosso trabalho.
O trabalho de restaura��o est� a ser feito h� j� dois meses.
- Estou a ver. - N�s estamos atrasados.
E n�o temos muito mais tempo. Por favor.
- O trabalho � t�o complexo. - Pois �.
E veja, a orelha direita est� partida.
Parece ser uma combina��o de gr�s e pedra calc�ria.
- Sim, tem raz�o. - Posso arranjar isto.
E esta � a est�tua do senhor Vishnu que restauramos recentemente.
- Est� excelente. - N�o est�?
E aquela � a est�tua onde quero que trabalhe. A segunda.
N�o sabemos de onde veio.
Estava aqui quando o templo foi escavado.
- � diferente. - � verdade.
� um estilo �nico de escultura e de relevo.
Uns dizem que ela � uma deusa, outros dizem que � da realeza.
Michael.
- Michael? - Sim.
Vamos?
Como est�o?
Tem uma audi�ncia e tanto, menina.
Os meus mais recentes admiradores.
Somos todos teus admiradores. Eu sou de uma classe separada.
Como � que correu?
Muito bem, tens de ver estes templos.
Estou esfomeada.
- Vamos os dois. - Sim.
Vou tomar um banho.
- Nunca te tinha visto a desenhar. - J� te disse, tu inspiras-me.
- Est�o lindos. - Obrigado.
Desenha-me.
P�e a cabe�a na tua m�o.
Assim.
Inspirado?
O Prashant est� � nossa espera no templo.
E assim, h� algumas escolas de pensamento,
por exemplo, as Mithunas s�o a derradeira uni�o...
da alma com o divino.
As Mithunas s�o as posi��es.
A outra autoridade � que as esculturas er�ticas
salvaram o templo de ser atingido por um rel�mpago.
A raz�o para isso � o senhor Indra,
o senhor das chuvas, dos rel�mpagos e dos trov�es.
Ele nunca danificar� nada relacionado com isso.
Porque o senhor Indra � um grande amante do kama.
Kama como em kamasutra?
Kama � amor, e sutra � manual.
Michael!
Michael!
Ol�, Prashant.
- Ol�, Michael. - � a Lisa. Lisa, o Prashant.
- Que se passa? - A est�tua foi roubada.
- Qual delas? - A mulher em p�.
Querida, vemo-nos no hotel, est� bem?
- Adeus. Prazer em conhec�-lo. - Adeus.
T�xi!
Obrigada, obrigada. Adeus.
Procur�mos por todo o lado, Michael, mas n�o h� rasto dela. Veja.
Temos seguran�a 24 h por dia, n�o sei como isto p�de acontecer.
Michael?
Desculpe, mas temos de cumprir certas formalidades policiais.
Tudo neste mundo depende do Karma, felicidade e infelicidade, �xitos...
�xitos e contrariedades, alegrias e tristezas.
- Sabe isto de cor? - Alguma coisa.
Quando se est� apaixonado na �ndia, vemos o Kamasutra como um guia.
Qual deles compro? H� aqui mil vers�es diferentes.
Aquele escrito pelo s�bio Vatsyayana � o �nico que vale a pena ler.
Vats... Vats...
- Vatsyayana. - J� percebi.
O seu sari � muito bonito.
Obrigada.
Provavelmente pare�o uma turista,
mas onde � que come�a e termina?
Na verdade, � muito simples. Posso mostrar-lhe como se usa.
Acha que eu devia comprar um?
Claro que sim. Eles vendem saris aqui. Venha comigo.
- Nem sei o seu nome. - Loni.
- � muito bonito. - Obrigada.
- � um nome indiano? - Sim.
- Eu chamo-me Lisa. - Ol�, Lisa.
Trabalho para um estilista estou aqui � procura de padr�es e materiais,
e estou a ficar preocupada porque n�o encontro o que procuro.
Por que n�o vai a Jhansi? Encontrar� a� uma maior selec��o.
Este � o seu g�nero.
- Gosta? - Sim, � lindo.
- Vamos experiment�-lo? - Est� bem.
- Se precisarem de mim, estou aqui. - Obrigada.
Geralmente, vestimos o sari sobre uma combina��o.
Esta � a primeira loja onde entro e parece que estou em L.A..
Que quer dizer?
Tudo o resto aqui � volta � t�o antigo, e em L.A.,
se algo tem mais de 50 anos, � derrubado e � constru�do algo novo.
A s�rio? Eu moro numa casa que tem cinco mil anos.
- Verdade? - Sim.
E a minha casa tem apenas dez anos e a canaliza��o j� se foi.
Aonde � que foi a canaliza��o?
N�o, � apenas uma express�o que usamos
quando a canaliza��o n�o funciona.
Deixe-me ver.
Acho que est� muito bonita.
Sinto-me muito sensual.
Espero que o meu namorado goste.
Ele devia fech�-la em casa. Eu fechava.
Vai ser uma boa fotografia.
A comida chegou, est� na hora de comer.
Estou esfomeada. Isto parece interessante.
Tem cuidado, est� quente.
N�o, n�o est�. � delicioso.
Bem, surpreende-me.
- N�o devias estar surpreendido. - Toma, experimenta isto.
Experimentaste isto?
- Isto � maravilhoso. - Tu �s maravilhosa.
- Eu sei. - V� l�, poupa-me.
N�o, � maravilhoso. � esta vista. Adoro isto aqui.
Ol�, Lisa.
- Loni! Como est�? - Bem.
Quer fazer-nos companhia?
Claro.
Loni, � o Michael, Michael, � a Loni.
- Ol�. - Ol�, Michael.
- A Loni ajudou-me a comprar o sari. - E onde � que ele est�?
Num dia como este, devia t�-lo vestido.
N�o me sinto � vontade com ele.
Que disparate.
Ela n�o fica linda com ele, Michael?
Ainda n�o a vi com ele.
Espere at� ele ver.
Vou descobrir o nome da loja em Jhansi, para si.
- �ptimo. - O que � que h� em Jhansi?
H� uma loja em Jhansi que tem lindos materiais indianos.
Sim, devo conseguir encontrar todos os tecidos que o Billy procura.
A Lisa disse-me que trabalha nos templos.
Sim, durante umas quatro semanas.
Talvez mais, se eles encontrarem a est�tua em que eu devia trabalhar.
- Que aconteceu? - Algu�m a roubou.
Talvez tenha apenas desaparecido.
De que est� a falar? As coisas n�o desaparecem assim.
Pode acontecer aqui.
Conhe�o aquela a que se refere.
Pensava que ningu�m sabia quem ela era.
Ela viveu h� mais de mil anos.
Ela sonhava ser uma cortes� na casa de Abhisarika.
Ela contribuiu muito para o modo como o Kamasutra foi escrito.
Est�s a interrogar-te por que estamos aqui?
N�o est�s curioso sobre a minha viagem?
Espero apenas que tenha sido bem sucedida.
Muito bem sucedida, Vinayaka.
Ent�o, podemos terminar o kamasutra?
S� quando o que for escrito for observado.
Como � que faremos isso?
Consegui com que possas observar a cortes� Abhisarika
do Rei de Pataliputra. Tens de fazer isto por mim, Vinayaka.
Eu?
Varanasi foi a minha �ltima viagem nesta vida.
�s o �nico em quem posso confiar.
N�o destruirei a vossa confian�a, meu guru.
O Kamasutra guiar� os homens e as mulheres
ao longo de um caminho f�sico e espiritual
sobre o qual s� li, nunca vi.
S� quando o que � escrito � observado, pode ser verificado.
Mas lembra-te, Vinayaka,
lembra-te do teu voto de celibato.
Este � o pal�cio da senhora Abhisarika?
Sim. Entre.
- Senhora. - Sim?
Para que serve esta pasta?
A amarela � feita de acafr�o-da-�ndia.
� uma erva da m�e natureza.
Ayurveda diz que funciona como um depilat�rio antis�ptico
e mant�m a pele macia.
E isto � pasta de s�ndalo.
Padmini, tira um bocadinho e aplica-a nos meus seios.
Sim, senhora.
Mant�m-nos firmes e d�-lhes uma fragr�ncia.
- V�s como eles ainda est�o firmes? - Sim, senhora.
Keshani, deixa-me ver-te.
A �ltima coisa que uma cortes� pode ser � t�mida.
A n�o ser que fa�a parte de um jogo que � pago a troco de um pre�o.
Espero que o Suka n�o o estivesse a incomodar.
Deve estar muito cansado depois da viagem, Vinayaka.
Sim.
Eu sou a Lochani. A senhora deseja v�-lo.
Senhora, o disc�pulo do s�bio Vatsyayana est� aqui.
Obrigado por permitir que viesse aqui, senhora.
Gosta do seu quarto?
Sim, estou muito confort�vel. Obrigado.
�ptimo.
Quando nos conhecemos em Varanasi,
pensei que o s�bio Vatsyayana me mandaria um monge.
� um monge?
N�o, n�o sou. Serei em breve, se Deus quiser.
Devia ficar desapontada por n�o ser?
N�o sou juiz do seu desapontamento.
Estou aqui para observar para o meu guru, e s� para ele.
Como � que pode observar com os olhos postos no ch�o?
Se est� aqui para observar, Vinayaka, observe.
Olhe para mim.
Habitue-se a esta vis�o.
Est� em casa de Abhisarika.
Sim, senhora.
Aprendeu a Vedas e a Shastras com o seu guru.
� o seu disc�pulo preferido.
Diga-me qual � o significado do meu nome.
Significa a Sedutora.
Muito bem, e ela?
- Vilasini. - Mulher de prazer.
- Eu sou Ragini. - Melodia.
E qual � o significado do meu nome?
Lochani significa aquela com olhos grandes.
Olhos grandes? N�o olhos grandes bonitos?
Lochani, leva o nosso convidado ao seu quarto para ele descansar.
Ele tem muitas noites longas pela frente.
Sim, senhora.
- Que significa Vinayaka? - E o nome de Deus.
Um disc�pulo com o nome de Deus.
Era a forma do nome da minha m�e.
Mudar� para Vinaya quando me tornar um monge.
Que significa Vinaya?
- Significa o humilde. - Assenta-lhe bem.
Foram tomadas todas as medidas para poder observar.
Obrigado.
Pallava chegou. Por favor, venha comigo.
Diga-me, Vinayaka,
que sabe sobre uma cortes�?
As cortes�s s�o conhecidas pela sua beleza,
as suas maneiras e conhecimento das artes.
Pr�ncipes e Princesas s�o muitas vezes enviados a cortes�s
para aprenderem as artes do prazer.
Elas t�m uma posi��o alta na sociedade.
As cortes�s s�o chamadas as caras da sorte do destino.
Os astr�logos dizem que ver uma cortes�
antes de partir numa viagem d� sorte.
O meu guru escreve que uma cortes� deve ser tratada com respeito.
Recita-o muito bem.
O meu guru ensinou-me bem.
A senhora destinou este canto do quarto dela para observ�-la.
Obrigado.
Vinayaka fez o que o seu guru lhe pediu.
Ele observou Abhisarika a fazer amor.
Vim dizer-lhe que hoje � o festival sagrado
e a senhora pediu para que estivesse presente.
Por favor, d�-me as minhas roupas.
Viu a senhora nua a fazer amor com Pallava a noite passada.
Porque � que � t�o t�mido?
Este recipiente � feito de prata.
O Rei enviou-o � senhora com �gua do Rio Ganges.
O meu guru fez a cerim�nia da minha inicia��o no rio sagrado.
Como � se tornou disc�pulo do s�bio?
A minha m�e morreu quando eu tinha cinco anos.
Sinto muito.
Ele tomou conta de mim desde essa altura.
Ele � tanto meu pai como meu guru.
E agora vai tornar-se monge?
- Se tiver de acontecer. - Por que n�o aconteceria?
N�o sei a resposta para o porqu�.
Assim como n�o sei a resposta para o se.
� uma cortes�?
N�o sou uma cortes�.
A minha m�e tamb�m morreu quando eu era muito nova.
A senhora cuidou de mim desde essa altura.
Ela ensinou-me tudo o que eu sei.
Devo-lhe a minha vida.
Noite ap�s noite, Vinayaka observou e ilustrou Abhisarika
nas v�rias posi��es do Kamasutra.
De novo a observar, Vinayaka?
O qu�?
Observou a senhora na cama com Pallava noite ap�s noite.
O que � que aprendeu?
O que o meu guru escreveu � verdade.
A sua senhora fez uma parte muito importante da verifica��o.
O que � que compreendeu dessa verificac�o?
O meu guru compreende.
Eu confio aprender tudo o que ele desejar ensinar-me,
quando ele o desejar fazer.
Pode um cego apreciar as cores de um arco-�ris?
Que quer dizer?
Pode um surdo apreciar a suavidade de uma melodia?
N�o percebo o que est� a tentar dizer.
J� alguma vez fez amor com uma mulher?
N�o.
Ent�o, como � que pode verificar o que observou quando nunca o fez?
O meu guru diz que um investigador deve ser objectivo.
Ele n�o se deve envolver.
Isto n�o se trata de argumentos, Vinayaka.
Trata-se de sentimentos.
E os sentimentos n�o se aprendem.
O que � que sente?
Lochani!
Criei-te desde a tua inf�ncia e ensinei-te muitas coisas, Lochani.
Aprendeste as artes da poesia, da m�sica e da dan�a.
Sim, senhora.
Qual foi a primeira li��o que te ensinei?
A primeira coisa.
Uma cortes� n�o se apaixona.
Nunca te esque�as disso.
Noite ap�s noite, Lochani ficou por perto a observar Vinay,
Abhisarika a lutar para controlar a sua crescente atrac��o por ele.
- Que aconteceu depois? - Conto-vos depois.
Isso n�o � justo.
Est�o na �ndia. T�m de aprender a esperar.
A s�rio?
Vidas.
O Michael compreende. N�o � verdade?
Est� a ficar tarde, dev�amos ir andando.
Podemos deix�-la em algum lado?
N�o, obrigada. Eu vou sozinha.
Michael.
- Que est�s a fazer? - A ler o Kamasutra.
Sim, isso vejo eu.
N�o fala aqui de uma Lochani nem de uma Abhisarika.
Quem se rala? N�o deixa de ser uma excelente hist�ria.
H� mais alguma novidade sobre a est�tua?
N�o.
Creio que � trabalho de algum contrabandista de antiguidades.
Antes da Independ�ncia eram os estrangeiros, os brit�nicos.
Os Mughals roubou todos os tesouros indianos.
E agora s�o os pr�prios indianos.
A cobi�a pessoal e ningu�m se rala com a heran�a do pa�s.
- Tem uma fotografia dela? - Sim.
Importa-se que eu a veja?
Claro que n�o. � s� um segundo. Eu volto j�.
- Pode ficar com ela. - Obrigado.
- At� logo. - Tudo bem.
Est�s fant�stica.
Nada mal para uma branca, n�o?
Est�s linda.
Est�s linda.
Desculpa.
N�o.
Eu � que pe�o desculpa.
Vamos desistir, n�o est� a resultar.
Michael, acab�mos de chegar.
Porque � que desistes t�o facilmente?
- Ol�, Lisa. - Ol�, Loni.
Esta � a morada da loja em Jhansi.
Obrigada. Quer sentar-se?
Obrigada.
- Quer um caf�? - N�o, obrigada.
O Michael gostou do sari?
Sim, gostou.
Que se passa?
Nada. Eu estou bem.
N�o, n�o est�.
Tive uma ideia e estava errada.
O Michael?
Eu sei o que � estar apaixonada por algu�m como o Michael.
Nem sequer a conhe�o e estou...
� o que facilita mais as coisas.
Estamos aqui e uma vez que vamos embora,
nunca mais nos veremos.
E faz sofrer.
Tem andado a ler o Kamasutra?
Partes dele.
Leu as misturas das ervas?
- Os afrodis�acos? - Sim.
Estaria disposta a tentar tudo,
mas n�o sei se o Michael alinhar�.
Ent�o, n�o a ama o suficiente.
A� vem ele.
- Ol�. - Ol�.
Ol�, Michael.
Ol�, Loni.
- N�o se vai embora, pois n�o? - Tenho de ir.
- Por que n�o janta connosco? - Gostaria imenso. Mas tenho de ir.
- De certeza? - Sim.
Decerto que o verei novamente, Michael.
- Adeus, Lisa. - Adeus.
Adeus.
- Por que fizeste isto? - Fiz o qu�?
Convidaste-a para jantar.
Estava a ser simp�tico. Tentava retribuir o favor. Que mal tem isso?
Nenhum. Normalmente n�o �s assim.
- Bom dia. - Bom dia.
Que horas s�o?
Sete.
A que horas vais para Jhansi?
�s oito.
Quanto tempo leva a chegares l�?
Tr�s horas para ir, tr�s horas para voltar.
- Vais ficar bem? - Sim.
Terei oportunidade de ver mais alguma coisa do pa�s.
A Loni diz que esta loja � espectacular. Portanto...
Espero que consigas o que procuras.
Michael.
Sim.
Que vamos fazer?
N�o sei. Talvez n�o haja nada para fazer.
Isto �, ambos estamos aqui e estamos empenhados nisto, certo?
Certo.
E tu pr�prio disseste que este lugar � diferente.
� diferente de tudo aquilo que conhecemos, certo?
Certo.
Portanto, se houvesse algo de diferente que pudesses tentar,
e diferente de tudo aquilo que conheces,
mas provavelmente a �ltima coisa que desejarias experimentar.
N�o achas que pelo menos era uma coisa em que devias pensar?
N�o percebo do que est�s a falar.
Est� bem.
Mesmo que algu�m se subjugue, mas n�o consiga consumar,
para isso existe a ci�ncia dos afrodis�acos.
Ora, s�o as sementes da pimenta, moratta, patari e picar
com p�ra esmagada e misturada no leite.
V� l�, Michael, que achas?
Queres que eu coma essa coisa?
N�o saberia onde arranjar metade das coisas que disseste.
N�o, provavelmente posso perguntar � Loni.
Por que irias perguntar � Loni?
Porque est�vamos sobre a �ndia, sobre o Kamasutra.
- Continuo � procuro de um modo. - Contaste-lhe?
Michael, eu estou a procurar qualquer coisa em todo o lado.
Para n�s, est� bem? Pensei que acreditasses nisto.
N�o creio que fosse isso o falado. Contaste-lhe, n�o contaste?
Responde ao raio da pergunta! Sim ou n�o?
V� l�, n�o sei por que est�s assim t�o chateado.
Pelo facto de eu ter dito a algu�m ou se por ter sido � Loni.
- Porque � que n�o respondes? - Que quer isso dizer?
Desde que conheceste esta mulher que o teu comportamento � diferente.
Eu vejo o modo como olhas para ela.
O modo como olho para ela? Como � que olho para ela, Lisa?
�s t�o inteligente, se tens respostas para todas as perguntas,
porque � que n�o me dizes como � que olho para ela?
Talvez do modo como eu desejava que olhasses para mim.
Pois.
Ol�. Vim de muito longe a Jhansi,
� procura de tecidos indianos aut�nticos.
Sim, senhora. Sente-se, por favor.
Espero que tenha o que procuro.
Desculpe. Reconhece-a?
Sabe onde a posso encontrar?
- Sim ou n�o? - N�o.
Sim, vou levar este.
E o top?
- Este top? - Sim.
N�o, o vermelho.
- Ol�. - Ol�.
Queria saber se a teria visto.
Sim.
Sabe onde ela mora?
Ela veio c� uma vez.
Mas n�o sei onde ela est� agora.
Acho que � tudo. Pode embrulhar isto enquanto eu pago?
Sim.
- Prashant. - Ol�, Lisa.
O Michael n�o est� aqui. Ele saiu cedo hoje.
- Sabe onde ele foi? - N�o, ele n�o me disse.
H� aqui alguma casa que tenha mil anos?
Sim. H� uma. Fora da cidade.
Mas ningu�m mora l�. Est� em ru�na.
- Junto a uma ponte? - Sim, � isso mesmo.
Obrigada.
Eu sabia que viria.
Como � que sabia que eu viria?
Sabia simplesmente.
Que lugar � este, Loni?
Venha, deixe-me mostrar-lhe.
J� c� esteve antes, sabe disso.
Estamos aqui agora, tal como estivemos antes.
Quem � voc�, Loni?
Quer ouvir o resto da hist�ria?
N�o quero isto.
N�o quero ir para o Rei, senhora.
Sabes o que significa o Rei escolher-te?
Ser�s respeitada. Ser�s rica.
Que mais podes desejar?
N�o quero ser rica nem respeitada,
se significa que tenho de ser uma cortes� do Rei.
Esqueces-te com quem est�s a falar.
Eu sou a cortes� do Rei e deves-me a tua vida.
N�o tens escolha,
ser�s aquilo para que est�s destinada.
Vinayaka. Vinayaka.
A Lochani est� com problemas.
Que aconteceu?
Vinayaka, se a senhora o v�.
- Por que est� a chorar? - N�o estou a chorar.
Est� a mentir.
N�o, n�o estou. V�, estou bem.
Por favor, conte-me o que se passa.
Amanh�, vou ser enviada ao Rei.
Porqu�?
N�o tenho escolha.
Lamento muito.
N�o tenha pena de uma cortes�.
Para mim, nunca ser� uma cortes�.
Ser� sempre a Lochani.
Estes bonitos olhos grandes n�o foram feitos para chorar.
Vinayaka.
Vinayaka.
Vinayaka.
Vinayaka.
- Viram o Vinayaka? - Ele partiu de manh� cedo.
- Para onde foi ele? - Voltou para o seu guru.
Tenho andado � tua procura, Lochani.
Despachem-se, meninas, t�m de prepar�-la.
Est�s linda.
Ele deixou isto para ti.
Encontrei isto no quarto dele.
Mulheres como n�s nunca t�m o que querem verdadeiramente.
Aceitamos o que nos � dado.
Despachem-se, meninas, ela n�o tem muito tempo.
A carruagem est� � espera.
- Guru. - N�o me toques.
Perdeste o direito de me chamar Guru.
Nunca acreditei que tu, Vinayaka,
logo tu, tra�sses a minha confian�a.
Tu...
Por que est�s aqui?
Vim dizer-vos, s�bio, que a culpa n�o foi do seu disc�pulo,
foi minha. Se houver um castigo, o castigo deve ser para mim.
N�o, eu fiz a escolha.
Desiludi-vos, meu guru.
Mere�o o vosso castigo.
Posso fazer uma pergunta, s�bio?
A senhora Abhisarika contou-me que v�s dissestes em Varanasi,
que sem sexualidade a vida desapareceria.
Vinayaka � diferente.
Talvez n�o seja. Talvez seja um homem normal.
Um homem com necessidades e desejos normais.
Um homem para quem escrevestes o trabalho de uma vida.
Se ele � esse tal homem, por que o rejeitais
e continuais a dizer que o amais como vosso filho?
Ele fez um juramento.
Acho que o fizestes fazer um juramento.
Um juramento para vencer a sua lux�ria, a sua cobi�a,
os seus afectos, a sua f�ria.
Primeiro, dev�eis encontr�-lo em v�s, s�bio.
N�o vencestes a vossa pr�pria f�ria.
N�o passas de uma cortes�.
Instrui os outros, n�o me instruas a mim.
Roubaste a �nica pessoa nesta vida, que eu considerava pura.
E agora queres que o perdoe por quebrar o juramento dele?
Enviaste-lo a n�s em vez de irdes v�s pr�prio.
- Porque t�nheis medo. - Lochani.
Eu posso ser uma cortes�, mas v�s n�o sois um Guru.
Vinayaka, a partir deste momento,
nesta vida e em todas aquelas que a tua alma nascer,
arder�s com todos os desejos
que provocaram a viola��o do teu juramento.
Mas ser�s impotente para os satisfazer.
- E tu, Lochani,... - N�o, por favor, Guru, n�o.
Por roubares esta vida, a tua vida ser� roubada.
S�bio, h� um Deus acima de si.
Um Deus que ama.
Amaldi�oai-nos se quiserdes,
mas o nosso amor � mais forte do que qualquer maldi��o.
Ficaremos juntos, se n�o for nesta vida...
ent�o, noutra.
Vinayaka,
ele enviou-te para mim, n�o percebes?
Estamos juntos porque era esse o destino.
Que nos acontecer�?
Estamos juntos.
O nosso amor � mais forte do que a maldi��o de Vatsyayana.
Foi-nos devolvida a nossa vida.
Estamos juntos agora.
E ningu�m nos pode separar outra vez.
N�o tenhas medo.
Eu n�o tenho medo.
Lochani, ouve-me, est� bem?
No meu pa�s tudo isto � imposs�vel.
Essa tem sido a minha luta
desde o primeiro dia em que pisei os templos.
Desde o primeiro dia em que te vi.
Mas quem eu fui e quem eu sou s�o duas pessoas diferentes.
Onde quer que a minha alma tenha andado, est� aqui agora.
Estou aqui agora.
Estamos aqui agora.
A Lisa e eu...
As pessoas existem em vidas diferentes por raz�es diferentes.
Existimos naquela altura para nos conhecermos,
existimos agora para vivermos a nossa vida juntos.
A Lisa voltar� a amar outra pessoa.
Eu compreendo o que est�s a dizer e n�o o nego,
mas se esta � a vida que eu tenho de viver,
eu quero viv�-la com a Lisa.
� esse o meu compromisso.
N�o mudaste.
Para ti, o dever est� sempre primeiro que o amor.
Michael, n�o precisas de sofrer mais.
Esperei vidas por ti.
Esperarei mais uma.
Esperarei por ti.
Michael.
- Michael. - Lisa, eu...
N�o, n�o me digas.
Subtitle Ripped By Queo @ iNSPiRE
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