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Original subtitles

Eu pensei em começar do início.

Mas não é assim que eu me lembro.

Tudo é uma série de fragmentos.

Repetições.

Formação de padrões.

Quando não há palavras para a dor...

...deixe sua imaginação transformar o que você sabe.

Conglomerado é o movimento da terra na liberdade da água.

Um anel em volta de uma pedra é sorte.

Lisa e pequena.

Arenito é calmante e claro. Ardósia, naturalmente racional.

Arenito vermelho é o sangue da terra.

Você acredita no azul.

Desculpa.

Memórias...

...são histórias.

É melhor inventar uma com a qual você consiga viver.

I. PRENDER A RESPIRAÇÃO

Um rosto sorridente.

Flor.

Árvore de Natal.

Para.

Claudia, sobe pro andar de cima. Vai!

Agora!

Me avisa quando você terminar.

A gente pode ficar aqui a noite toda.

Porra!

É tão gostoso, Claudia. Eu realmente acho que isso vai

te fazer sentir melhor na hora.

Te fazer sentir melhor na hora.

Canta comigo, Belle.

Vamos, Lidia Belle. Canta comigo. Você sabe a letra toda.

Foi minha voz que sumiu.

Às vezes acho que ela saiu no papel.

-Eu escrevia... -...imagens e coisas verdadeiras...

-...mentiras alternadamente. -Isso me fazia sentir que...

-Me fazia sentir como outra pessoa. -Pelo amor de Deus!

-Eu escrevia palavras pra pertencer. -É sua filha!

Não filha.

Pra nadadores.

Pra segurança.

Pra garotas. Você me dá arrepios e me dá dor de cabeça.

Mãe.

O cabelo dela.

As cicatrizes dela.

A história dela.

Eu ganhei um prêmio por essa história, Belle.

E seu pai...

...ganhou um prêmio de arte por esse desenho.

Tão ausente ela estava.

E minha irmã. Minha adoração.

Minha irmã. Minha reverência.

Você parece uma mendiga com essa camisa folgada e feia.

Não te favorece em nada.

Olha pra mim.

Você tá tentando parecer um homem?

Minha irmã. Ela pega tudo.

Minha irmã. Ela pega tudo.

Na casa.

Sozinha no meu quarto.

Meus braços doem.

Minha irmã foi embora.

Minha mãe está...

...ausente.

Meu pai desenha casas no quarto ao lado. Ele fuma.

Oi, querida.

Eu espero até as cinco da manhã.

Eu peço pra

poder nadar.

Minha menininha.

Você tá crescendo tão rápido.

Adolescente.

No ensino médio. Não acredito.

Tá, façam fila. Garotas, hora da pesagem.

Vocês sabem como funciona. Um tapa pra cada quilo acima.

Torres.

Boa menina.

Isso. É isso aí.

Reimer. 1,5 quilo.

Vamos, querida.

Yuknavitch.

Uma pra você, caloura. Vamos fazer direito.

Quantos quilômetros são necessários

pra nadar

até um eu?

Quantos...

...malditos quilômetros?

Batemos o recorde! Caramba, batemos o recorde!

Nossas medalhistas de ouro do revezamento

medley do Florida Aquatic Swim Team

fizeram o melhor tempo do país inteiro.

Parabéns.

Os olheiros estão de olho, terceiranistas.

Então você quer mesmo isso, né?

Você só conseguiu três quartos.

Se eles quisessem você de verdade, teriam dado tudo, não é?

"Temos o prazer de oferecer uma bolsa parcial."

Metade. Você é melhor que isso.

A última.

Na minha cabeça, eu nadava voltas.

Você nem conseguiu bolsa integral.

Não me culpa.

Se eles não te querem, você não pertence lá.

Eu sentia o gosto de sangue.

A resposta é não.

Por quê?

Porque ele podia.

O quê?

E eu era dele.

Ei, olha pra mim.

Olha pra mim.

Eu só quero o melhor pra você. Você sabe disso.

Eu sabia que ele conseguia sentir.

Aquele músculo rosa.

Que aperta

e aperta...

Vocês deviam estar lá fora aquecendo.

...com toda força.

Lidia!

Precisa de ajuda?

Sou treinador da Texas Tech.

Prazer em te conhecer. Vamos conversar.

Gostaríamos de ter você no nosso time.

Sim.

Eu quase a amava.

Vamos, Belle.

Eu te conheço, Lidia. Eu sei o que você faz.

E é nojento. Tá me ouvindo?

É muito nojento, Lidia. Você devia ter vergonha!

Isso é controle.

Eu me controlo.

Você não sabe até onde eu consigo ir.

Meu quarto comporta o úmido e escuro do meu corpo.

Cheira ao meu suor

e cloro.

Oi. Não consegue dormir, né?

É, eu também não.

Vem cá. Quero conversar com você.

Desculpa se tenho sido tão dura com você ultimamente.

Acho que eu só...

...estou tão preocupada com você lá fora.

As coisas vão ser diferentes quando você for pra faculdade.

Quero que você me escute.

Ele contava o que os garotos iam fazer comigo.

Como eles iam enfiar suas mãos sujas por baixo da minha saia e me comer.

Apalpar meus peitos.

Chupar eles.

O quanto os garotos podiam ser nojentos.

As mãos deles, os quadris deles querendo entrar e subir.

E os paus deles.

E o dele.

Eu sento ao lado dele,

sentindo o calor dele sem nem olhar.

O que você tá fazendo aqui fora?

Qual é o seu problema?

Quero que você saiba

que eu te amo.

Você é uma puta do caralho.

Tem alguma coisa pra me dizer?

Vai se foder, seu filho da puta.

O que você acabou de dizer?

Vai se foder... seu filho da puta.

Me deixa em paz, caralho!

Tudo em que eu pensava

era na minha buceta escancarada.

Escancarada como uma boca... gritando.

Seu filho da puta!

Seu filho da puta.

Eu não sabia que um corpo de garota podia fazer isso.

Ejacular.

Minha comida, meus pensamentos, meus amigos, meu lugar.

Minha bebida, meus dias, minhas noites.

-Meu sexo, minhas drogas. -Meu.

Algo tão empurrado pra baixo num corpo

que tinha que explodir.

Eca!

Onde você pensa que vai?

Eu te conheço.

Você não vai a lugar nenhum.

Tão longe do meu pai.

Tão longe do meu pai...

Eu só quero...

Eu amo suas mãos.

Eu amo sua voz.

São meu pai e meu irmão que têm as vozes de verdade.

Eu sempre ouço elas na minha cabeça.

É verdade?

O que elas dizem?

Elas só cantam "Amazing Grace".

Vozes de Deus.

Me come.

Ah, mesmo?

Coitado do Philip.

Queria poder voltar e pedir desculpas.

Vão se foder, todos vocês!

Me chupa!

Ele é só um James Taylor comum

cantando com toda a alma aqui no Texas!

E às vezes eu me pergunto

Se você ainda pensa em mim

Esse mundo talvez nunca mude

Do jeito que sempre foi

E eu sei que a paz virá

Por que você sempre faz isso, Lidia?

É divertido, vai!

É divertido! Você sabe disso.

Você é um... medroso!

Vamos, aprende a aceitar...

...uma piada. Você é muito sensível.

Isso é uma das coisas mais patéticas que eu já vi.

Isso é o que... Isso é do que eu tô falando.

É como falar com uma maçaneta de porta.

Por que você não diz alguma coisa?

Por favor, diga qualquer coisa.

Eu sou uma vadia do caralho, então por

que você não faz nada sobre isso?

Você não é uma vadia.

Vai se foder, Philip!

Você nem me conhece, porra.

Philip significa "amante de cavalos".

Puta que pariu.

Ou "irmandade".

Acorda, seu filho da puta!

Ei, Lids. Quer sair daqui?

Ela tá bem. Eu levo ela de volta.

Ei, fecha a porta aí.

Só fecha a porra da porta!

Não te vi no treino.

É, fui expulsa.

De boa.

Eu ainda consigo sentir meu rosto.

O vício claramente existe em mim.

Mas quero te descrever outra coisa.

Algo menor.

É uma palavra menor.

Mãe?

Tão pequena que consegue viajar pela corrente sanguínea.

Sai daqui, Belle.

Sai daqui, Belle.

Fica longe.

Isso não é pra você.

Eu não vou falar sobre nada.

Eu não vou falar sobre nada.

Eu não vou falar sobre nada.

Dorothy?

Vem. Levanta.

Me desculpa!

Me desculpa.

Sim. Lidia...

Você pode falar com a gente.

Ajuda.

Confia em mim.

Eu não vou falar sobre nada.

Eu sempre quero dizer... Sim.

Encontre sentido no trânsito da vida

limpando barreiras espirituais.

Tenho orgulho de você.

Você sabe disso?

Sei.

Quer casar comigo?

E crianças têm seus sonhos

Pra se agarrar

E como eles voam

Nos levam pra lua

Sim, eles se afastam de você

Eles se afastam de você

E eles se afastam de você

E mulheres têm a si mesmas Pra se agarrar

E como elas voam Me surpreendem

Elas se afastam de mim

Elas se afastam de mim

E elas se afastam de mim

Querida, você foi muito bem.

Você foi muito bem!

Fiz um chá pra você.

Não quero chá. O que a gente vai fazer?

Lidia...

Eu te amo.

E o que quer que você queira fazer, eu vou te apoiar.

Foi só isso?

Eu preciso de mais que nada

do homem mais passivo do planeta Terra!

Desculpa, estou meio doente.

Você não quer nada, e você me mata por não querer nada!

-No que você tava pensando? -Não sei.

Não sei. Não sei. É impossível pra caralho!

Não aguento o quanto ele é bonzinho. Simplesmente não aguento!

Não aguento a bondade dele.

Mas também não conseguia terminar.

Pensei que talvez exista um mundo onde eu...

...vá morar com você

em Eugene e faça algumas aulas que você dá.

Não sei. Talvez a gente possa formar uma pequena...

...família.

Porque acho que minha vida com ele vai ser uma triste música sertaneja.

-E essa é a única... -Lidia, eu disse sim.

Vem pra casa.

Tá bom.

Legal.

Porque ela me deixou uma vez

pra salvar a própria vida.

O que vocês duas estão fazendo aí atrás? Brincando com vocês mesmas?

Ué? Eu trago elas pra paisagem mais linda do mundo

e elas só ficam de besteira.

Olha pela janela maldita!

Claudia, pega o serrote debaixo do banco da sua mãe.

Vamos! Bora.

Aqui, querida.

Como alimento.

Como alimento.

Não quer?

Vem, querida. Só um golinho pra te esquentar.

Graças a Deus!

Cadê a árvore?

Ali.

É a imagem.

Bem-vinda em casa.

Entra. Eu pego isso.

-Porque estou grávida? -Sim.

Aqui.

Obrigada.

Caramba.

Obrigada, Claudia.

Lembra quando você costumava me fazer fazer coisas?

Tipo...

"Aqui. Morde essa maçã."

Empurra na minha boca.

-"Aqui. Cheira esse cinzeiro." -"Só assopra. Um, dois..."

Cinza na minha cara toda.

Eu faria qualquer coisa.

Você era incrível aos meus olhos.

Lembro quando eu descia depois que você se mudou pro porão.

Eu não entendia o quanto era esperto na época, mas...

Eu costumava olhar todas as suas coisas e mexer nelas.

Uma vez achei uma gilete na sua bolsa.

Me cortei com ela.

Ardia quando eu fazia xixi.

Eu sei que isso é um... sacrifício.

Não.

É só que...

Você era tão pequena.

Essa é uma forma de remendar a própria vida.

Talvez eu estivesse esperando por isso.

Respira.

Eu sei.

Vamos. Vamos.

Você...

...consegue.

Cadê ela?

Posso segurá-la?

Claro.

Só um momento. Estamos só limpando...

Os lábios dela são rosas.

São rosas.

Só joga o mais longe que puder.

Não tem graça.

Busca.

Desculpa.

Olha. Ela tá toda em você.

Você tá rindo, porra.

O que viveu e morreu entre nós

ainda me assombra.

II. DEBAIXO DO AZUL

Meu Deus, garota! Você é algum tipo de sereia?

Sou.

Tem algo a dizer?

Deixa pra lá.

Vem. Você merece isso.

Não quer vir comigo?

Nem sou aluna. Só fico no departamento de inglês.

Acha que o Kesey liga pras regras da universidade?

-Você vai se arrepender se não for. -Eles nem querem me matricular.

Besteira! Já contei pra ele sobre você.

Essas...

Ele vai te adorar.

Você não quer escrever um romance com Ken Kesey?

Oi, pessoal. Oi, todo mundo.

Você é um idiota.

Oi. Essa é a Lidia.

-Diz oi. -Oi.

E aí.

O que temos aqui?

Uma rebelde com notas altas?

Eu sei o que aconteceu com você.

A morte é uma merda.

Porra.

Jeff, pode enrolar um? Odeio sentar numa sala cheia de escritores.

A cadeira aguenta.

Quero que todos vocês...

Quero que todos vocês sejam vencedores.

Quero que sejam guerreiros.

Guerreiros. Vou dar a vocês o teste do guerreiro.

Merda boia. Creme sobe.

Merda boia. Jerry Rubin.

Creme sobe.

Ferlinghetti.

Lord Buckley.

Lenny Bruce.

Os grandes.

Quero que vocês sejam grandes.

Porra, porque alguém...

...tem que criar nossa cultura nos próximos 50 anos

e quero que sejam vocês. Só há duas regras. Um:

Não fale sobre o enredo do nosso romance

com ninguém que não seja dessa turma.

Dois: Eu sou 50 por cento da turma,

então só escrevemos juntos,

porque vamos publicar ou afundar juntos.

Nelson Algren disse:

"O trabalho do escritor

é arrastar o juiz até o cais,

pra fazer o Todo-Poderoso sentir como é estar lá embaixo."

Ele vai ficar bem.

Maconha nunca matou ninguém.

Então, manda ver.

De uma vez. Escrevam algumas frases bizarras.

Ei! Onde você está?

Não tome calmantes antes da aula.

Agora mergulha na sua imaginação. Vamos!

Mergulha na sua imaginação. Ninguém está na sala além de você e a caneta.

Melhor.

É isso. Isso é sensacional.

Eu escrevi "Demon Box" aqui.

Essa sala aqui é um espaço criativo. É um lugar criativo.

Ei, Bennett. Você não trouxe calmantes, né?

Esse tipo de droga fica no corpo, não na cabeça.

Fica no LSD, psilocibina, San Pedro.

Algo que possa quebrar seu ego pra você ouvir sua voz interior.

E você escreve a partir dessa voz.

Você quer que sua voz saia.

Jesus...

Não era pra isso acontecer.

Tenho joelhos de lutador.

Tá.

Vamos sair antes do sol se pôr.

Quero que vocês...

...conheçam alguém.

Vamos!

Vai se foder, Deus!

Deus errou nos mandamentos. Acho que há um décimo primeiro.

E deveria ser o primeiro mandamento. Tenha piedade.

Senhor, tenha piedade!

Imagina se todos tivessem piedade uns dos outros, onde estaríamos hoje.

Você vê um cara na rua precisando de dinheiro. Dá pra ele.

Tenha piedade. Ele precisa.

Ele não pediria se não precisasse.

Piedade.

Eles vão ter que me contratar pra reescrever a Bíblia.

O que você é, algum tipo de sereia?

Sou.

Sabe, quando Judd morreu, meu filho,

eu queria deixar de existir.

E todo mundo que falava comigo dizia alguma idiotice.

Ou nada.

Ninguém mais entende a morte.

Costumava ser sagrada. Tão sagrada.

Porra. Ninguém é grande o suficiente pra

carregar o que acontece com a gente.

Ninguém é grande o suficiente pra carregar o que acontece com a gente.

Tem algo a dizer?

Está nas suas mãos.

Tudo sobre meu pai estava nas mãos dele.

É tudo sobre coordenação.

Uma dança perfeitamente equilibrada.

De sombra e luz.

Antes de meu pai ser meu pai

ele era artista.

Seu pai ganhou um prêmio por esse desenho.

Antes de meu pai ser artista

ele era atleta.

Antes de meu pai ser meu pai...

...ele era bonito.

E ela também era.

Antes de meu pai ser meu pai

ele era um menino.

Apenas um menino

cuja mãe cortou sua língua.

Antes de eu odiá-lo

eu o amava.

Olha pra cima. Se você não olha pra onde vai, você cai, entendeu?

No fim da descida você só freia o suficiente pra fazer a curva. Tá?

Vai. Olho na estrada!

Continua.

Cabeça erguida!

Olho na estrada. Você precisa frear!

Mike!

-Pega uma lanterna! -Por quê?

Acho que ela se machucou lá embaixo. Tá sangrando.

-O que aconteceu? -Só fecha a porra da porta!

Terminou o capítulo?

Tudo que eu era era meu corpo sangrando

Olá!

Sou escritora.

Obrigado.

Estamos reunidos aqui porque queremos ver o resultado.

Queremos testemunhar os resultados desse experimento,

um romance colaborativo

escrito por nós.

Então vamos dar as boas-vindas ao primeiro

dos palhaços não tão alegres ao palco

pra apresentar "Cavernas".

Lidia, vem aqui.

Vai dar certo.

Minha coxa atrás do joelho...

Você também? Minha bunda.

Atrás dos meus joelhos, e eles estão...

Pai da Lidia.

O que posso dizer? Sou um grande admirador.

Mike, certo?

Sim, isso mesmo.

Bom que você pôde vir.

Lidia e eu assistimos Um Estranho no Ninho

e Às Vezes Dá uma Grande Loucura juntos,

e são brilhantes. Quer dizer, livros brilhantes.

Sabe, Mike...

Lidia aqui...

Ela consegue acertar em cheio.

Quer que eu autografe?

Obrigada por vir, pai.

Para... Mike?

Pode ser.

"Para Mike."

"Seja...

...corajoso."

Aqui está, Mike.

-Aqui, cara. -Valeu.

Eu vi muitos escritores irem e virem.

Você tem o que é preciso.

Tenho uma coisa pra você.

Aqui.

Toma.

Vem da praia mais espiritual da Terra.

Segura.

Você pode segurar tudo.

Você vai segurar tudo, garota.

Então...

O que vem a seguir?

-A seguir? -A seguir. O que vem a seguir?

A seguir.

Quero escrever "O Som e a Fúria".

Claro que quer, amiga.

Ai, Jesus...

-Joga e vê se eu pego. -Pronto?

Merda!

Tudo dependia de ela entrar.

Não tem metáfora.

-Tá. -Foda-se metáforas.

-Tá. -É só uma pedra que caiu.

-Vou buscar a pedra e ir mijar. -Tá.

Isso aí! Você consegue.

Essa foi a última vez que o vi.

Você sabe escrever, garota!

Na minha versão, ele se afogou.

III. O MOLHADO

Caddie quer foder. Ela é insaciável,

e como o vizinho tem um volume enorme na calça

e um som que sai dele em vez de linguagem,

ela vai até ele e tira toda a roupa,

então ele a come no final

e a esmaga.

Ele a come até a morte, e ela adora!

Ela ri até chorar e uma ambulância precisa vir.

Mas é tarde demais.

Isso é "O Som e a Fúria".

Banal.

Já li "O Som e a Fúria".

Retrabalhar Faulkner é só coisa de faculdade.

Talvez tente algo original.

Meu Deus, eu odeio eles.

O que diabos ele sabe?

É original. É uma maldita pastiche.

Ei, quer ir pra praia? Reservei um quarto pra gente.

Oi, Hannah.

Na verdade, vamos trabalhar nisso no fim de semana.

Vem. Sua braguilha tá aberta.

Lids...

O que é isso?

Faz se tiver coragem.

Vem.

Qualquer coisa.

A qualquer hora.

Em qualquer lugar.

Por favor, cuidado.

Qualquer coisa. A qualquer hora. Em qualquer lugar.

Não sentir absolutamente nada.

-Vou buscar lenha. -Não faz nada que eu não faria.

Isso é tipo uma...

...viagem pra trepar?

O quê?

Eu nunca... Nunca gostei de buceta.

Eu queria ficar daquele jeito.

Além de todas as palavras.

Dentro do molhado sem nome.

Você tá bem?

Eu te amo, Lids.

Eu realmente te amo.

Te vejo depois.

Na água,

como nos livros,

você pode deixar sua vida.

Peguei! Peguei.

-Lembro de uma infância feliz. -Vem, vem!

-Mergulhamos, nadamos, competimos. -Você foi rápida dessa vez.

Rimos como outras crianças.

Lembro de nomes completos como Evie Kosenkranius

e Lynn Colella-Bell.

Lynn Colella-Bell. Lynn Colella-Bell. Lynn Colella-Bell.

Fazendo loops de música na minha cabeça.

Mononucleose?

Não é a doença do beijo?

Não. Não seja bobo.

Tudo vai ficar bem, Belle. Vai ver. Você vai melhorar.

E seu pai vai cuidar bem de você.

-Né? -A gente se vira.

Mamãe vai vender umas casas.

Oi, querida.

Minha menininha.

Em poucos dias vai passar.

-A linguagem me permite expressar... -Isso aí.

...como quatro semanas podem ser anos.

É a superfície maleável de uma página branca.

Você mostrou isso pra alguém?

Não.

Pele, cicatrizes...

As pessoas sempre me perguntam por que meu trabalho é tão sombrio.

O que você sabe sobre dor, Lidia?

Eu sei

que isso importa pra mim.

Vou cuidar de você.

Entende?

Me pede o que você quer agora.

Não é verdade, anjo.

Eu...

...quero que você...

Bata isso pra fora de mim.

...me chicoteie.

Onde você quer ser chicoteada, anjo?

Em todo lugar.

Leve isso pra algum lugar.

Leve a dor pra algum lugar.

Mãe.

Tenho orgulho de você.

Não estou tentando te deixar desconfortável.

Estou tentando ser precisa.

IV. RESSUSCITAÇÕES

"Aí mamãe choramingou, papai cheirou minha buceta.

Meu melhor momento foi atingido, ele declarou.

Eu tinha certeza do que ele queria dizer. É o momento da verdade.

Eu vou, vou, vou, me masturbo.

Minhas mãos vão se partir. Nem reconheço meu corpo.

Não importa. Sei que você é minha. Eu te fiz, eu te faço.

Jurei viver pelo prazer. Minha língua é enorme. Vai até a cintura.

Você vê seu verdadeiro pai em seu momento de verdade.

Deus Todo-Poderoso, nada importa. Você é meu Deus, minha filha.

Eu te adoro. Faz com que eu possa te satisfazer. Olha pra ela.

Ela é grande na minha mão retorcida. Beija.

Meu pai declarou de novo, eu sou Deus porra e criei Deus. Puta merda!

Só olha pra Deus e ele está feliz porque eu o fiz gozar.

Deus está no céu. Eu estou no céu e eu morri.

Eu gozo toda na sua cara. Eu lambi a porra dele.

-Isso me enoja.

ALEGORIAS DA VIOLÊNCIA

Quem diabos você pensa que é?

A filha do meu pai.

Sou uma mulher que fala consigo mesma em mentiras.

Puta que pariu.

Ano um.

Vodka!

Eu bebo vodka, quase o tempo todo.

-Uma dose direto, direto. -E não sentia nada sobre mim mesma.

Bebemos, rimos, fodemos. Fazemos sombras de corpos fodendo em tinta.

Fazemos performance. Performamos a nós mesmos.

Vai se foder, Deus!

Abre a porta!

Gravamos nossos nomes nos braços uma do outro.

Eu fiz isso por você!

Fodemos infectados.

Estava bem na minha frente, Devin. Vi exatamente o que aconteceu.

-Você nem entende. -O quê?!

Que vou casar com você.

Por Mike e Dorothy!

Fico tão feliz que eles foderam.

Pra pular pro ano seis quando histórias

submersas começam a arranhar

e gritos começam um ritmo onde a bebida fica mais alta...

Vai beijar mulheres que eu conheço e não conheço!

O que é um casal ao longo do tempo senão uma repetição?

Vou te dar uma repetição. Sua conversa

fiada tá tomando conta da casa!

Estava tomando conta da casa.

Não quero foder.

Quero ler.

Vai se foder.

Eu não queria beber.

Eu queria escrever.

O que é um casal ao longo do tempo?

Ano sete. Terminei minha tese.

Ano oito tirei um doutorado.

Ano dez.

Fingimos.

Você disse

que me amaria até eu morrer.

Você disse que morreríamos juntos de amor.

Você me disse isso.

Cadê você?

Cadê o homem?

Quem amaria uma mulher como eu?

Nem pense.

A data da sua leitura é 15 de junho de 1998.

"A data da sua leitura."

O quê?

Recebam...

...lendo um trecho de sua primeira

coleção de contos "Suas Outras Bocas".

Lidia Yuknavitch.

Lidia, por favor.

"O dia em que minha filha nasceu.

Depois que segurei o futuro.

Natimorta.

E rosa.

E lábios de rosa.

E lábios de rosa nos meus braços tremendo.

Pequenas tragédias são difíceis de organizar.

Cronologia nos convence de que estamos indo a um lugar real.

'Nadadores, em suas marcas.'

Um tiro de pistola.

Um tiro de pistola soltou nossa carne tensa.

Pais eram frequentemente insustentáveis enquanto

as pequenas mulheres nadavam por suas vidas.

'Nada.

Nada!

Rápido!

Vamos, querida.

Mais forte.

Mais forte!

Mais rápido!'

Uma cacofonia de homens inchando

e pressionando contra o movimento molhado.

Quantas vezes deslizei para as profundezas cloradas

e secretamente esperei trocar essa pele sem valor

e produzir algo...

...anfíbio

e sem gênero?

A questão é

que essa coisa de deixar tudo entrar

e esperar pra ver o que sai

é assustador

e idiota.

E está começando a me deixar puta

eu ter que pensar nisso tudo.

O que estou dizendo é...

Há uma mulher num quarto que está cansada de olhar pra baixo

e sangrar

e aguentar, desejar e ansiar

e está cansada de estar aberta

sem esperança de se costurar.

Não é que eu queira que isso desapareça.

É só que

eu quero...

Querer...

...vir de outro lugar.

Há momentos com anos entre eles que aparecem com grande força."

-Me lembra por que estamos aqui.

-Pensei que foi ideia sua. -Vim com você.

Delírio.

Mulheres adultas são idiotas.

Não sei.

Ela implorou.

Eu mudei meu nome.

Lidia! Lidia!

-Vira ele.

-Me ajuda!

"Matar.

Ou sugar o matar de volta.

E bombear pra dentro

da história de outra pessoa.

Meu pai perdeu a memória por falta de oxigênio naquele dia.

Eu não o matei.

Eu não o salvei.

Estou aprendendo a viver em terra."

Obrigada por...

Seus pais leram a história? O que eles acharam?

Aproveite Nova York. Arranje um agente.

Lidia, prazer em conhecê-la. Obrigada por estar aqui.

Com licença.

Você tem algo...

...um pouco mais forte?

Obrigada.

Carol Houck Smith, Norton Publishing.

Foi muito impressionante o que você fez lá.

Obrigada.

Não, sério. Não pareceu fácil.

Tem mais de onde isso veio?

Talvez algo mais longo?

Você deveria me mandar algo.

É só que

algo em mim tinha nascido...

...natimorto.

V. O OUTRO LADO DE SE AFOGAR

É uma pequena pedra que carrego.

A vergonha de querer algo bom.

Minha vida!

Lixo do caralho.

Ei, o que você tá fazendo? Continua trabalhando.

Oi.

O bloco de cortes. Avaliação de pares.

Quem quer começar?

É muito útil. Você não pode viver a vida errada.

É a história que te contaram. A sua é igualmente importante. É sua.

Deve doer, mas fico feliz por você.

Tô nem aí!

Algo pequeno e específico chamou minha atenção,

um detalhe importante,

um hematoma no osso do nariz dela

que me fez perceber que seus olhos eram azuis, como os meus.

Quanto?

Pago 100 dólares pro cafetão dela. Peço pra ela entrar.

Peço pra ela sentar.

Na história eu digo:

"É assim que é ser eu.

Uma mulher que ensina inglês,

olhando pra uma mulher que chupa paus

que passa o dia todo no meu sofá

fumando.

Quando olho pra ela, acho que ela parece com Maria.

Quando vejo uma imagem de Cristo

imagino Maria tão consumida, magra e cansada

e tão furiosa à beira da exaustão que

mal consegue carregar o próprio rosto.

Na história eu digo:

"O que devo fazer?

Ensiná-la?"

Isso é o que eu, uma viciada em recuperação,

penso quando me dão algo tão infinitamente

pequeno quanto palavras pra acreditar.

Olho pra ela.

Ofereço palavras.

As pessoas sempre me dizem:

"Aquelas coisas nas suas histórias aconteceram de verdade?"

Não é essa a pergunta

quando se trata da vida?

Isso realmente aconteceu comigo?

Andy.

Não sei.

Coisas que acontecem com a gente são verdadeiras.

Mas escrever é outra história.

Esperava que a gente pudesse discutir meu manuscrito.

Claro. Com certeza.

Também quero te emprestar meu carro.

Vi você pegando ônibus

e acontece que tenho dois carros.

Você entende muito sobre uma pessoa quando a vê na água.

Obrigada.

-Por quê? -Por me deixar nadar com você.

Li algumas das suas histórias. Sei que natação é importante.

Sempre deixo meus alunos escolherem o lugar.

Queria dizer que já te vi algumas vezes antes.

Li que Ken Kesey dava aula na universidade,

quando eu estava no exterior. Me inscrevi pro curso,

mas já estava cheio.

-Caramba. Que engraçado! -Pois é, eu sei.

Eu te vi andando pelo departamento de escrita criativa.

Eu estava na leitura que você fez no Gerlinger.

É estranho. Estranho.

Estranho.

Foi um dia estranho pra mim.

Por quê?

Meu pai...

...foi meu...

Meu pai...

Seu pai?

...abusou de mim.

Seu pai.

Como?

Sexualmente.

Que merda.

Espero que ele tenha levado um karma pesado.

Na verdade, levou.

Que bom.

Faz muito tempo. Eu era uma pessoa completamente diferente então.

Então, quem você é agora?

Eu sou sua professora.

E aí, professora, vai aceitar meu carro?

Não sei direito como contar como é

ver a pequena mulher nadando pela própria vida.

Quer dizer...

Você tá completamente maluco?

Não.

Você acha que sou outra pessoa.

Consigo ver a mãe em você.

Há mais na sua história do que você imagina.

-É lindo. -É sim.

Lindo.

A gente só vai por aqui, pra esquerda.

E o quarto?

Disseram que vai ficar pronto amanhã, com certeza.

Deve ter sido uma viagem estranha.

Obrigada.

Você nunca precisa me agradecer.

-Estou bem. -Tem certeza?

Tenho.

Oi, pai.

-Marilou? -Não, sou eu. Sou a Lidia.

Eu sei, querida.

Eu li esse livro.

-É? -Sim.

Sabe quem escreveu?

Você.

Isso mesmo.

Você leu todas as histórias?

Tinha uma sobre natação.

Eu gostei dessa.

Obrigada.

Mas não muito lisonjeira pra mim.

Ganhei um prêmio por essa história.

Fui pra Nova York.

É, nada mal.

É bonito aqui.

É uma casa de verdade que você tem aqui.

Muito bem.

Muito bem feito.

As memórias mais seguras estão trancadas

no cérebro de pessoas que não lembram.

Pega ela, Mike!

Você sabe que eu não nado. - Claudia, busca sua irmã!

Debaixo d'água pra sempre.

Isso aí, amigo.

Olha, eu tô nadando!

O que foi?

A água vai entrar no meu nariz, nos meus ouvidos e no meu cérebro.

Miles...

Quantas vezes você viu a mamãe nadar?

Muitas vezes, né?

Você já pensou

que eu nunca tive água no cérebro?

A água nunca entrou no meu cérebro.

Quer ver? Olha isso.

Me diz quanta água entra no meu cérebro. Tá?

Viu?

Tá, vai.

Tenho uma brincadeira muito importante.

Vou colocar minha cabeça inteira debaixo d'água.

E a gente vai olhar um pro outro debaixo d'água.

-Que brincadeira é essa? -Eu inventei.

O segredo é

inventar coisas.

Não é besteira o que eu tô dizendo.

Entra.

A água vai te segurar.

Legendas e sincronização: vdmnk

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