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Música
And the window that looks out on Corcovado.
Oh, how lovely.
Esse amor uma canção pra fazer feliz
a quem se ama.
Muita calma pra pensar e ter tempo pra sonhar.
Da janela vê -se o corcovado, o Redentor que
lindo.
Quero a vida sempre assim, com você perto de mim,
até o apagar da velha chama.
O ano que vem vai ser tudo diferente, eu quero mudar a minha vida.
Pra começar, eu vou trabalhar com a segunda assenta, pra viver melhor,
Aguda. Amanhã de manhã você liga cedinho pra lavanderia porque tá até mantuando
a roupa por aqui. Pode deixar.
Falando em roupa, eu tenho uma pilha pra passar quando chegar em casa.
Eu também tenho planos pro ano que vem.
Vamos aproveitar que é o ano 2000.
Vai ser diferente, sei lá.
Ou pelo menos a gente acredita que vai ser diferente por ser 2000.
O mundo vai acabar.
Que besteira é essa?
Olha, eu vou arrumar um namorado.
Pra valer, com amor mesmo.
Porque esse 1999 que já tá acabando, graças a Deus, não foi nada, uma
Mas o Márcio era meu irmão. Eu sei, mas tinha a minha idade. E eu não quero. Eu
quero um homem mais velho do que eu, pra eu me sentir pelo menos um pouco mais
protegida. Um homem que saiba mais do que eu, entende?
Um homem mais vivido, mais viajado, mais seguro.
E bom de grana. Eu também gostaria de ter um grande amor.
O que é isso, Ivete?
O Viriato é um homem maravilhoso. Ele dança super bem. Eu sei, mas sabe aquela
coisa?
Aquela coisa que a gente sente.
Tesão? É, mas não é só tesão de campo.
Isso daí até que ainda tem, dá pro gasto, né? Mas é de estar junto, de
show, de curtir um cineminha, andar de braçadado no calçadão.
Uma onda assim mais romântica.
Estou entendendo.
Isso acabou.
Está acabando, né?
Uma tristeza, viu? Cada vez eu vejo mais o vereado como o pai da Raquel, meu
marido, e não como meu homem.
Eu sabia que você estava assim.
Ele não sabe, eu só estou falando para você.
Eita, vamos para a praia, a janela está lotada. Estou pronta, estou pronta.
Zilda, prepara uma boa salada que eu almoço depois.
Sem hora marcada, hein?
Tudo bem.
Liga pro mercadinho antes que feche. Pede laranja, abacaxi e mamão. Se tiver
maduro, pra hoje.
Maduro. Não passado e molega, como veio ontem, viu? E você pede pra ele escolher
direito, porque senão eu não compro mais lá. Liga logo antes que feche. Tá 10
horas, Helena?
Sim, nós podemos ficar na praia até 3 horas, 4 horas. Pronto.
Ó, chegou.
Oi!
Oi! Você tá indo, eu chegando.
Como eu queria que fosse o contrário. As mesas que eu não via uma noite de
sábado. Eu fui numa festa.
Dormi na casa da minha amiga.
Cheguei agora.
Vamos lá, vamos lá. Tchau, tchau, tchau.
Oi,
pai. Oi, filha. Eu estava preocupado. Pai, eu liguei ontem à noite. Avisei que
ia dormir na casa da Paula. Eu podia ter vindo mais cedo.
Sua mãe está até com dor de cabeça.
Não é a primeira vez, né?
Pai, tem dó, vai. Tá bom, tá bom. Vai dormir, vai.
Seu filho teve um pouco de febre ontem à noite.
Saco. Ah, eu quero fazer meu mapa astral com a Nani no primeiro dia do ano, só
pra ver o que vai dar.
Eu fui numa carta a mãe de janeiro, estamos no fim do ano e não aconteceu
do que ela falou.
Olha.
Olá. Olá.
Será que dá todo mundo?
Olha, se não der, a gente logo vai ver, né?
Ah, eu já fiquei presa no elevador, doido, quase morri.
Você viu só que amor, nunca vi coisa assim. Me passou, nem parou, mas
olhou só pra mim. Se voltar, vou atrás.
Você tem que falar direto, Ivete, essas coisas que você me falou.
Um cineminha, um chupinho, um clima romântico.
É, mas onde é que será que essa infeliz vai, ainda mais com uma criança no banco
da frente?
Bota essa criança no banco de trás.
Irresponsável.
Não sabe que é perigoso, não?
Essa lei aqui no Rio não pegou. Bota essa criança no banco de trás, que é
perigoso, minha senhora.
Qual é, tia? Você não é essa hora, pô. Me esquece.
Tia é a vovozinha.
Ai, Helena, eu vou é... ver se eu consigo uma oportunidade pra falar com o
Viriado sobre essa minha insatisfação.
É, tem que falar mesmo.
Essa situação tá me deixando doente.
E esse trânsitozinho miserável que não anda, hein?
Olha, tá tudo parado.
Vamos à praia aqui mesmo?
Ah, mas aqui não dá pra queimar tudo, né? Vamos pra barra.
Entendi. Você quer fazer topless.
Tá bom, eu topo. Também acho uma boa ficar queimadinha da cabeça aos pés.
Agora... Não deixa de falar com teu marido não, viu?
Prova teu casamento.
Se é infeliz, não tá com nada.
Estou dando uma volta, tia. Eu ainda não vi o seu carro novo.
É lindo.
Você vai adorar.
Que hora você vai para casa?
Não sei, por quê?
Ué, para te ver.
Para ver o carro.
Agora, sem chegar tarde, eu já estou dormindo. Você sai da nossa ordem.
Ei, qual é? Não enxerga, não!
Pelo amor de Deus!
Mas eu já te falei milhares de vezes, você não dirigir o carro falando no
celular é um perigo.
Foi você que me ligou.
É?
Ah, então vou desligar.
Tá, a gente se fala mais tarde.
Tá, tá, tá.
Ah, Edu, Edu, eu preciso de mais três convites pra sua festa.
Já te dei doze.
É que eu tenho mais três amigos que eu não posso deixar de convidar.
Tá, tchau.
A festa de formatura do Edu é sábado agora.
Eu não me aguento de orgulho e de alegria por ter um sobrinho, um filho
praticamente, médico.
O Alex, veterinário, precisa entrar de férias. Está muito cansado, não dá conta
do trabalho sozinho.
Pedro, eu aqui falando do meu sobrinho, que vai se formar em medicina e você me
vem com as férias do Alex?
Você não viu nada do que eu disse, né?
Desculpe, eu estava distraído.
Você só escuta os animais.
Vem me ajudar a montar, vai.
Você aqui no domingo. Marquei com o Pascoal, quero adiantar muita coisa.
chegando o Natal, depois o Ano Novo. E aí fica tudo só para depois do Carnaval,
como sempre acontece nesse país. E o Carnaval no que vem é em março.
Bacana, tá movimentado isso aqui hoje, hein? Vai dar a Deus.
Esse ano parece que todo mundo combinou de dar livro de presente de Natal.
Ótimo, sou bem mais barato que casca de bombom e mais importante, homem gordo.
Pede pro Luís fazer um café que eu tô em jejum até agora. Luís tá de folga, hoje
eu faço.
Mas olha, vai comer uma fruta também, hein?
Dona Anilda me disse que você anda se alimentando muito mal.
Dona, minha mãe é exagerada com todas as mães. O meu é trazer.
Acabei de chegar pra escola, vamos subir.
Você quer um cafezinho com mais?
Fala, Zilda.
A Camila ligou da Inglaterra. Queria falar com a senhora.
Mas ela não falou o que era?
Ah, então não deve ser importante. Eu ligo quando voltar da praia.
Outra coisa.
Vai, fala logo que eu estou dirigindo.
Não é possível, Zilda, que você não tenha notado ainda o telefone do
Vamos na praia.
Júlia, estamos indo. É só bater a porta.
Quem que está aí, hein?
É o Fred, a Clara e a Nina. Estão indo à praia.
Deixa eu falar com o Fred.
Mãe? Mãe.
Dá uma passada aqui.
Estamos levando os biscoitos.
Tudo bem.
Espera que a Nina vai falar.
Está difícil do Fred arrumar trabalho, viu?
Voltou, voltou.
Fala.
Ela fala vovó direitinho.
Ouviu, mãe?
Eu ouvi, eu ouvi.
Agora vão logo pra praia, que senão o sol vai fazer mal pra Nina.
Manda um beijo assim, ó.
Tá te mandando um beijo.
Tá, deixa eu falar com a Zilda.
Pega aqui, Zilda.
Oi. Minha mãe acha que é tarde pra levar a menina lá na praia.
Ela sempre quer me ensinar alguma coisa.
Eu também sou mãe. Também sei que horas do sol é bom pra minha filha.
Vambora. Dá uma olhada, vê se o telefone do Mercadinho não tá pregado na
geladeira.
Achou?
Então liga logo pro Mercadinho, porque senão ele fecha.
Isso é, você já não fechou, não é?
Tchau. Helena, olha o sinal!
O que aconteceu?
Batida. Essa conversão que puseram à esquerda. E pelo jeito o carro grande
está lá.
Será que machucou alguém?
Você viu o que você fez?
Eu? Foi você que avançou o sinal. Eu avancei o sinal?
E ainda tava no celular que eu vi. E já tinha desligado. Conversa, né, com você.
Ai, tô junto, eu vi.
Não discute, velho. Ai, Ana.
Tá sem cinto de segurança.
Eu sei que eu tô sem cinto de segurança.
E isso tá me valendo uma big de uma dor nas costas e no peito, tá legal?
Tá sendo ruim de muito. Vamos fumar farmácia? Não, não é nada. Daqui a pouco
faço um curativo quando chegar em casa.
E agora, hein? Como é que vai ser?
Você sabe quando eu comprei esse carro?
Ontem. Sabe quanto eu paguei?
100 mil. À vista. E olha lá o que você fez.
Como é que é, meu chapa? Não vai tirar esse carro daí, não?
Já vou tirar, não enche.
Eu acho que eu vou descer antes que esse menino comece a chorar.
Come pelo menos essa fatia de mamão, vai.
Você... Helena, minha vizinha.
Eu vou lá embaixo pra ver se eu posso ajudar. Você toma uma água, um café?
Não, obrigada. Eu vou ver a Helena.
Miguel, você pode ver aquele adiantamento pra mim? Sim, Ana. O pacote
adiantamento. Pra descontar em duas vezes. Não tem
jeito
de eu ver uma batida...
Desastre não me lembrar do que aconteceu com a Lívia e o Paulo.
Eu sei.
Toma pelo menos uma xicrinha de café, vai.
Helena, Helena, você se machucou? Não, não, tá tudo bem, tá só.
Deixa eu ver.
Não, não foi nada. Eu já disse.
Como é que a gente vai resolver isso, hein? Eu tenho o seguro.
Eu também tenho.
Deixa eu ver.
Tira a mão daí.
Vamos embora antes que apareça um guarda. Se ficar louco vai aparecer
guarda. Já perdi a praia mesmo. Posso ficar aqui o dia inteiro.
É, mas eu não. Olha, deixe que eu resolvo com o rapaz. Você vai pra casa,
ver esse ferimento que está sangrando muito.
Não, tá tudo bem. Eu só quero passar uma água no rosto. Então vamos daqui até a
livraria. Quem te dirige mal é teimosa.
Quem é que dirige mal aqui, hein? Você que deve ter pegado o carro do seu pai
escondido sem ele saber.
Não precisa ter medo que eu não vou fugir, tá?
Nossa, você tá lembrando muito. Dê um copo de água pras duas.
Ai, tá feio esse corte, hein?
Tá, acho que eu vou ter que passar na farmácia.
Acabou o nosso domingo, hein?
Nosso toque elétrico foi pro chão.
Olha, trouxe água com açúcar aqui, se vocês quiserem pra comer.
Obrigada. Não é a primeira vez que isso acontece aqui na frente?
É, tem ônibus que entra aqui sem olhar.
Você tá bem?
Tô, tô bem melhor, obrigada.
Desculpa a sujeira que eu fiz aí.
Não, mas... Onde é que tá aquela matosquela?
Você quer parar de andar atrás de mim?
Eu pago o conserto do seu carro. Conserto? Vou ter que trocar o carro,
ficar tudo tronco.
Mas tu fica com o meu, pronto, é seu.
Ah, deixa de conversa. Tá pensando que é a rainha do Leblon?
Não, a rainha da cocada preta. Mas isso não vem ao caso.
Bom, me diz o que você quer.
Vamos primeiro no pronto -socorro, que esse corte aí pode infeccionar.
Sabe o que pode dar um ferimento desse?
Hum... cupim? Ah, você está se divertindo, né? Isso pode dar uma
O que você entende disso?
Eu sou médico.
Ah, é?
Dá uns pontos. Está aqui no pronto -socorro.
Nem pensar.
Eu vou é passar numa farmácia. Deixa eu passar.
Negativo. Eu levo você.
Se não, dá disso que eu sou o culpado e mete um processo em cima de mim.
Eu não tenho tempo pra isso não, meu filho.
Ah, é? Pra que morrer?
Tem quem me enterre. Agora deixa eu passar?
Vai comigo, nem que seja arrastada.
Vai lá.
Tem que fazer um raio de fisiotórico. Pode ter paturado uma costela.
Mas você é muito dramático mesmo, hein?
Você deve matar os seus pacientes de susto.
Ah, te levo numa clínica que eu conheço.
Vamos no seu carro, que o meu tá todo ferrado. Vou ter que chamar o rebote.
Você viu como ela está sangrando?
Olha aí.
É, a senhora se machucou bastante.
Precisa ver um médico.
É só o que eu vejo na minha frente.
Eu acabei de bater justamente no médico.
Não quer um copo d 'água? Não, obrigada.
Não precisa.
Não, mas é melhor você tentar um pouco. Dá licença, por favor. Não repare não,
mas é que a senhora se machucou bastante, é melhor.
Ficou aqui muito...
Não me empurra!
Pode estar aqui, pronto.
Obrigada. Parecendo um pinguim.
Gracinha. Jatinha, fica aqui pra olhar meu carro.
Jatinha, fica aqui pra olhar meu carro.
Neste que eu fico.
Eu dirijo.
Eu dirijo. Tá maluca? Quer me matar?
Justo hoje que eu fui cruzar com você.
E eu com você.
Mas é que você tem cara de quem dá prejuízo.
Vai doer?
Só a picada.
Ai, eu não sabia que era uma coisa tão séria.
Não é, mas precisa desinfetar e dar um ou dois pontinhos.
É, vai pegar uns 4 ou 5, entendeu?
E aí, já montou o seu computador?
Que nada, nem as plantas peguei.
Quero ver esse viagem depois da festa do Comaturo, ver alguma coisa lá fora.
Tem grana, não tem problema, que pra mim as coisas estão difíceis pra caramba.
Não, tô pensando em abrir uma lojinha de pão de queijo já.
Ih, eu espero que não seja por incompetência.
Tem que ser até um problema pra quem se for.
Ah, engenharia também.
Meu filho tá formado há três anos e não consegue nada.
Tá dando aula num cursinho e se virando como pode.
Você tem filho?
Engenheiro? Com o Fred tem 25 anos.
Nossa, cara. Agora que eu vejo como a minha mulher é baleada.
Falar em mulher tem uma história ótima pra eu te contar. Você lembra da Renata?
Aquela louraça, saradérrima, que todo mundo caía matando em cima?
Claro que lembro. Encontrei com ela.
Casada. Adivinha com quem?
Com o Vicente, cara.
Aquele CDF, filho da mãe, que era o primeirão e tudo.
Jura? Vicente? Mas com ela ele não foi o primeirão.
O papai aqui, garante.
Mas que piada mais machista.
Meu Deus do céu.
Não é piada, é sério. Escuta, quanto tempo vai demorar pra você dar os
hein? Tô esperando a anestesia pra ser feita. E olha, ela já fez o efeito. Tá
prontinho, vamos lá.
Renata e Vicente. Vai demorar muito?
Vai demorar muito pra aquele garoto.
Vai lá, deixa os pontos comigo.
Ah não, você falou que nem foi buscar o diploma.
Você tá em ótimas mãos, Ian. Desculpa a brincadeira, hein? Ô, Edu, liga aí.
Vamos sair, ver os amigos.
Tô divorciado. Sem filhos. Graças a Deus.
Tá, tá. Tchau.
Tchau.
Quer dizer que não confia em mim?
Se você for médico como é motorista...
Vai ficar marca, hein?
Bem, não.
Não sei, não fica assim de nada.
Olha aí, hein? Se ficar uma cicatriz eu te processo.
Teus pais vão brigar com você por causa do carro.
Não vão, não.
Então tu é mulher.
Também não.
Eu não tenho pai nem mãe. Eles morreram num acidente quando eu era ainda garoto.
Por isso não vão ficar zangados comigo.
Mulher tá melhor que eu não sou casado.
Agora minha tia, essa vai ficar uma fera.
Chega mais perto, Pedro, que eu não mordo.
Ah, eu queria tanto que o Edu gostasse de cavalo, ao invés de ficar o tempo
tentando em carro.
Ele dá mais atenção a eles do que as namoradas que ficam telefonando lá pra
casa.
Tô pensando em dar uma viajada depois das festas pra ir atrás dos animais
Outra vez pensando em outra coisa, Pedro?
Desculpa. Tá bom, dá férias ao Alex.
Só não me deixe só aqui sozinho, hein? Pode ficar sossegada.
Eu tenho um tio lá no sul que tá mal de saúde.
Tá liquidando tudo, inclusive uns cavalos de montaria.
Aproveito e faço uma visita a ele. Tem quase um ano que eu não apareço.
E vejo se tem algum cavalo que vale a pena comprar.
Tudo bem, você é o administrador, você quem sabe se é pago para isso, né?
Só não desaparece, né? Da última vez que você foi voltar em uma semana, ficou
fora três meses.
Pedro, Alma, como estão?
Você pode não montar bem, mas você tem porte de grande cavaleiro. Bom,
para cavalgar por aqui neste passo, uma boa pose já é suficiente.
Vamos ver se a gente ainda está em forma?
Vamos.
Até já, Pedro. Até já.
Moleque, depois a gente conversa. Agora eu tô ocupado.
Eu só quero saber se você falou com ela sobre as minhas férias. Falei. Ela
deixou por minha conta.
Agora vê se manda alguém competente pra te substituir.
Vou mandar alguém do meu nível.
Tava pensando em alguém melhor do que você.
Você tá me guardando.
Tô falando sério. Agora se manda.
Já faz uma ligação pra celular.
Cuide do seu nariz.
Você fala demais.
Não fui eu quem pedi Se teu conselho fosse bom, tudo andia Eu
não quero ouvir Onde foi que eu errei?
Não foi assim que eu quis Infelizmente foi em você que eu me esperei
Ei, cadê?
Me devolve, não sei o que te atirei No quintal, lá fora, plantei teu medo
Ah,
acho que dessa vez ela cansou mais que eu, né?
Trata aquela chuca que tá me estranhando atrás.
Pra já, patrozinha.
Qual? Qual é que você aparece?
Logo no começo do ano.
Seu tio pergunta por você todos os dias.
Como é que ele tá?
A mesma coisa de sempre, sabe?
Tem dia que ele tá ruim, tem dia que ele tá... Ele tá pior.
Diga a ele, tô morrendo.
Diz.
Tá ouvindo, Pedro?
Tô. Vê se ele quer falar comigo.
Diz pra ele vir logo pegar os cavalos, se é que ele quer ainda comprar os
cavalos.
Mano, diz, pra ele não demorar, trazer dinheiro vivo.
Se não, eu vendo pra qualquer um aqui.
Tudo bem, eu já ouvi.
Nos primeiros dias de janeiro eu apareço aí.
Diz a ele,
se o José tiver morrido, ele vai vir.
Vai vir comigo.
O tempo todo é isso, sabe?
Só fala e morrer.
Pedro, espera só um minuto que eu vou chamar a Iris.
Porque se você liga, eu não chamo, meu Deus.
Ela vira bicho.
Um minuto, tá?
Iris! O Pedro no telefone!
Pedro!
Oi, Pedro!
Onde é que você tá?
Tô aqui no Rio.
Você não vem passar o Natal com a gente, não?
Não, não dá. Tenho muito trabalho.
Mas no comecinho de janeiro eu apareço aí.
Ah, Pedro, vem antes. Vem, eu tô morrendo de saudade de você.
Não dá, não dá. Mas em janeiro.
Menos de um mês.
Sabe quando você veio pela última vez? Em março. Poxa, faz quase um ano.
Não dá pra vir nem pra passagem do ano?
Não dá, meu bem. Não dá mesmo.
Se o mundo acabar como tá todo mundo falando aí, a gente nunca mais vai se
Te garanto que o mundo não acaba não antes de você se casar e ter um bando de
filhos. Só se for com você.
Em janeiro, então. Tá bom?
Tá, eu te estarei em janeiro, então. Mas no comecinho de janeiro, tá?
Na primeira semana.
Tchau. Uma beijoca.
Um beijo.
Tchau.
Eu não devia falar assim desse jeito.
Que jeito?
Assim, toda...
Toda menosa. Ele é casado, Iris.
Não quero casar com ele.
Mas parece que quer. Que quer alguma outra coisa.
Também casado não é defunto.
Pode descasar.
Nem desde o seu pai eu vi uma coisa dessa.
O que é que eu não posso ouvir?
Entra. Não é nada. Não é nada.
É sobre os cavalos. Aquele assunto que a gente conversou hoje de manhã. A Iris
não quer que você venda os cavalos de jeito nenhum.
E eu estou pedindo a ela para não aborrecer você com esse assunto.
Mas o assunto está resolvido. O Pedro vem buscar os cavalos.
Pronto. Passamos de dinheiro.
Mas não precisa vender todos, meu pai.
Eu não vou vender todos.
Dois eu vou separar para os filhos da Helena.
Helena.
Sabe nem se você está vivo ou morto.
É, minha filha. Tanto quanto você.
Filha. É.
Filha que há mais de 20 anos não dá notícias, né?
A culpa é mais minha do que dela.
E sabes outra coisa? Eu não quero mais falar sobre esse assunto.
Pronto, agora vai fazer um recheio.
Ah não, pra quê?
Deixa de ser teimosa.
Bateu o peito, tá toda dolorida, gemendo aí o tempo todo, tem que fazer um
recheio. Se eu soubesse disso, eu não tinha vindo.
Se eu soubesse que eu ia cruzar com você no meio do trânsito, eu não teria saído
de casa.
Eu pelo menos não teria saído com o meu carro novo.
Ih, mas você tá pensando nesse carro, tá falando nesse carro. Você devia ser
mecânico ao invés de médico.
Quer saber de uma coisa? Eu tô indo.
Perfeito. Raio X, vamos, deixa que eu te ajudo.
Como é teu nome?
Edu.
Eduardo? É, mas me chamam mais de Edu.
Só minha tia, quando briga comigo, é que me chama de Eduardo.
Hoje, por exemplo, é capaz dela perguntar. O que aconteceu com seu
Eduardo?
Mesma coisa que com meu filho Fred.
Desde pequenininho, quando eu fico zangada com ele, eu chamo ele de
Eu perguntei teu nome porque se eu morrer, eu vou deixar meu carro no
pra você.
E aí, seu, qual é?
Helena.
Prazer. Vamos pro Rio X, Helena?
Acabei de ligar pra livraria atrás de você.
Um acidente lá em frente, eu me atrasei, mãe.
O almoço está pronto, é só servir. Eu tomo um banho rápido.
Você chegou?
Tudo bem?
Como vai?
Quer trazer um pouco?
É, a gente tá morrendo de fome.
Eu não demoro.
O Ricardo tá indo embora na quarta -feira, por isso a gente tá se
Tô vendo.
Você vai pra onde?
Vou dar uma circulada pela Europa.
Vou passar o Natal e o Ano Novo em Roma. Os pais dele estão lá.
Aí depois eu vou pra Paris.
Vou estudar lá por uns dois anos.
Ótimo. Bravos.
Parabéns. Falei que a gente vai até Paris agora, hein, Márcio? Não, nós
Londres, minha filha. Mas é tão pertinho, seu Miguel.
É, claro.
Se quiser, vamos a Paris.
Qual é o tempo?
Música
Quero a vida sempre assim, com você perto de mim,
até o apagar da velha chama.
E eu que era triste, descrente desse
mundo, ao encontrar você eu conheci.
O que é felicidade, meu amor?
Só estou fazendo o que combinamos, Paulo. Nem mais, nem menos.
E o que nós combinamos também, você e eu, filha.
Mais dez minutinhos e eu te deixo em paz.
Seis. Vamos lá.
Sete.
Oito.
Até eu não falei pensando em você, meu querido.
Pra dizer a verdade, a vó nem lembrou. Nem eu, juro.
Claro que não.
O acidente do Paulo foi completamente diferente.
O Ricardo, me passa o arroz, por favor.
O trânsito tá muito estressante.
Obrigado. Vou descansar depois de meia hora. Você dirige o tempo todo falando
telefone. E pra que inventar um celular então, vó? É pra usar justamente na rua,
não é pra ficar em casa.
Eu também não saberia viver sem meu celular.
E antes dele, o que você fazia, então?
Esperava por ele, uai.
Você não comeu nada, viu?
Tô sem fome. Então deixa aí, deixa aí. Eu não consigo entender.
Como é que um aparelhinho tão novo passou a ter tanta importância na vida
pessoas?
Sabe o que eu penso?
Que o celular só deveria existir pra médicos.
Oi, Luísa, sou eu.
Não, não sei ainda, tô no traço.
Daqui a pouco eu vou pra casa, eu te ligo, a gente se fala de lá.
Não, não fui te pegar porque bati com o carro.
Quer dizer, bateram no meu carro.
Ah, tudo bem, não foi nada grave, mas fiquei enrolado, não deu.
Vou desligar, tá? Um beijo.
Obrigada pela versão que você deu de que bateram no seu carro.
Ué, e não bateram?
Você não bateu?
Outra vez a discussão.
Bateram, pronto.
Bateram um no outro, sem culpado.
Eu como única vítima.
Para de me paparicar, Zilda. Já estou me sentindo a própria mutilada de guerra.
Não foi nada, foi só um cortezinho na testa.
Dê um copo d 'água. Deixa que eu pego.
O que foi que você me deu, hein? Eu estou me sentindo um pouco sonada.
Um comprimido justamente para você ficar um pouco sonada.
Você não quer sentar, pelo menos, tomar alguma coisa?
Não, obrigada.
Bom, está entregue.
Agora eu vou cuidar do meu carro. Não, foi uma brincadeira.
Vamos ao assunto que interessa. Eu te dou o cartão da minha seguradora, te dou
meu nome completo, tudo direitinho.
Porque eu confesso, fui eu que errei. Eu não vi você cruzando.
O problema não é o seguro nem quem paga, porque eu também tenho, ele cobre tudo.
Por reação, o carro foi novo, eu tava com um programa pra hoje.
Não seja por isso, você fica com o meu o tempo que você quiser.
Não, não é isso, eu tenho outros casos em casa.
Tudo bem, esquece.
Daqui a quatro dias eu passo aqui e te pego pra tirar os pontos, tá?
Eu não posso ir tirar sozinha?
Pode, claro.
Procura lá aquele médico amigo meu. Não, não.
Se for você quem deu, é melhor você mesmo tirar.
E se não te der muito trabalho.
Trabalho nenhum.
Dá aí seu telefone.
Claro. E se puder me dar o paletó do smoking?
Ah, meu Deus, que cabeça minha.
Zilda, traz uma camisa.
Uhum.
Não vai levar o paletó hoje, não. Pelo menos isso.
Deixa por minha conta. Eu mando pra lavanderia.
Imagina. Não, não.
De jeito nenhum. Você pega ou eu te entrego depois.
Me deixa o seu telefone também.
Claro. Você não quer um copo d 'água?
Eu aceito um pouco d 'água, sim. Se quiser almoçar, fiz uma saladona
Lilda, o que é isso?
Convidar um rapaz pra passar fome?
Tem arroz, feijão, um pouco de frango também.
O Fred veio aqui comer com a Clara e a Nina e eu aumentei a comida.
Se você resolver ficar, você vai conhecer minha família.
Meu filho, minha nora e minha neta. Você tem neta também?
Tem, não é uma neta. Tá, é uma netinha de pouco mais de um ano.
Por que surpresa? Não tem o cara de avó?
Bem, eu tô acostumado a ver avós, mas... Menos... Mais ou menos? Mais velhas,
menos... Menos... Eu nunca vi uma avó de biquíni.
Se você for à praia comigo, você vai ver uma avó, inclusive, fazendo topless.
Bem, fico conhecendo a família da próxima vez.
Zilda, manda o paletó pra lavanderia, recomenda bem e pede urgência.
Pra quando você precisa do paletó?
Até sexta -sábado agora.
Festa rigor, hein?
Ah, frescura.
Mas acho que vai ser legal.
Pelo menos engraçada. Um bando de médicos vestidos de metro.
Um bando de pinguins.
Vai formar médico cedo, hein? Tem gente muito mais nova do que eu. Eu ia ter
vergonha de me consultar com médico novo assim. Ainda mais bonito. Deus me
livre.
Bom... Apesar de tudo, foi um prazer conhecer você.
Vocês.
Tchau.
Desculpa, Edu. Eu tô me sentindo muito sem graça porque eu bati no teu carro.
Eu quase acabei com ele.
Quase não. Acabou mesmo.
É, pois é. Acabei mesmo.
E você ainda me socorreu.
Bom, você devia pelo menos cobrar pelos seus serviços profissionais. Afinal de
contas, você é um médico em início de carreira.
Você tá sempre preocupado em pagar.
Por quê?
Porque eu acho que eu nunca tive nada de graça em toda a minha vida. Sempre me
custou alguma coisa.
E nem sempre foi dinheiro.
Não me deve nada.
Tchau. Tchau.
Ah, deita um pouco e descansa. Mais um ou dois dias essa dor passa.
Eu espero.
Tchau. Tchau.
Abusa da analgésica, hein? Só toma se tiver dor forte.
Tchau. Tchau.
Ah, você não me deu seu telefone.
Nem você me deu o seu.
Será que perdemos a praia? Vamos ver se pelo menos a gente come alguma coisa no
lugar gostoso, que não sou bem bem gelada.
Ah, não. Do jeito que eu tô, mas nem pensar.
Vai pagar o domingo inteiro?
Não, nós já perdemos a praia mesmo.
E depois que o Fred tá chegando aí com a família... Eu tô me sentindo meio
saudada, com uma dor na coluna. Acho melhor ficar por aqui mesmo.
Pensamos nessa praia a semana inteira.
Deixa pra domingo que vem.
Come alguma coisa aí com a gente.
Também vou pra casa, vou atacar a empregada doméstica.
Obrigada por visitar a mãe com a Raquel. Eles iam almoçar por lá.
Eu aproveito e passo aquela roupa que tá amontoada.
Tchau. Cuidado pra não molhar os contos. Pode estar.
Tchau. Tchau.
Peguei no sono com esse sol na minha cara.
E aí, como é que foi?
Cinco pontinhos na testa.
Bom, primeira providência a tomar, conseguiu um rebote.
Alô, cidadão do Flamengo, aquele abraço.
Chacrinha continua balançando a panca.
E botinando a mão, comandando a massa.
E continua dentro do terreiro. Alô, alô, seu Chacrinha.
Alô, alô, Terezinha.
Alô, alô, seu Chacrinha.
Alô, alô, Terezinha. Aquele abraço. Alô, moça da favela.
Nossa, Edu, o que foi que aconteceu?
Bug do milênio, maninha. Antes da hora.
Vamos tentar colocar o carro na garagem, companheiro?
Que cacetada, hein, Edu?
Nem deu tempo de experimentar a máquina.
Minha tia já chegou?
Não faz nem nem agora.
Vai ficar uma arara.
Eu não sei que graça vocês acham em andar a cavalo.
Sinceramente, porque se é pra correr no jockey, tudo bem.
Tem emoção, né? Saltar na hípica também. Existe o risco, muita adrenalina e tal.
Mas ficar andando, hein?
Passeando ali.
Ora, senhor.
É bom pra pensar.
E o Danilo pensa?
Acho muito cansativo e dolorido. Pensa?
Cavalgar.
Você é muito preguiçoso.
Não sou, não.
De todos os maridos que eu tive, você é o mais preguiçoso.
Aliás, o único.
Hoje eu corri seis quilômetros e nadei 500 metros. Como é que eu sou
ó?
Se a alma você tem que ver o carro novo do Edu, você não vai acreditar.
Eu quero ver. E ele pensa mais nesse carro do que na festa de formatura.
quero ver essa beleza. Depois que inventaram o carro, o cavalo ficou
gente. Inútil.
O que te deu em você?
Mas nenhum dos meus maridos teve a coragem de dizer na minha frente as
barbaridades que você diz.
Deve ser por isso que eu te amo tanto.
Pela sua ousadia.
O que
aconteceu?
Fatalidade. Como fatalidade, Eduardo?
Bateram em mim.
Puxa, zerinho.
Que judiação.
Como é que aconteceu isso, cara?
Tava no Leblon.
Aquela hora que tu me ligou, logo em seguida. Eu tinha acabado de desligar.
Me acertaram em cheio.
Mas o que que eu peço sempre pra você, Eduardo?
E pra você também, Estela, que é tão teimosa quanto seu irmão. Tinha que
pra mim, né?
Não dirigir o carro enquanto tá falando no celular.
Mas exigia ter uma lei proibindo isso.
Foi você que me ligou, tia.
Eu? É.
Ó, eu ligo porque eu esqueço.
Mas é sua obrigação não atender.
Melhor ainda deixar o telefone desligado enquanto está dirigindo. Você não me
obedece. Você machucou? Não.
Graças a Deus.
E o outro que bateu em você?
Foi uma mulher.
Tinha que ser.
Mas tinha que ser por quê?
Eu dirijo há 20 anos e nunca bati em ninguém.
Sempre bateram em mim.
Ela é pior testa no retrovisor.
Tive que ir até o pronto -socorro. Eu mesmo cuidei dela. Levou 5 pontos.
Meu Deus do céu.
Bom. Mas tudo tem seu lado positivo.
Pelo menos você foi treinando como médico.
Que absurdo. Um carro zerinho em folha. Eu nem tinha visto ainda.
Ainda teve muita sorte de estar precisando de uns pontinhos na testa.
buracão aqui, uma fístula, como eles chamam, dependendo da localização e da
profundidade, pode virar até meningite.
Ai, vismaria. Eu tive uma sobrinha que morreu disso.
Teve sorte também de ter batido no carro de um médico.
A princípio ele foi super antipático, mas depois foi...
Gentil.
Bonito, você tinha que ver.
Ih, Zilda, você acha todo homem bonito.
Ah, a senhora também achou.
É, de a mesma idade que você.
Talvez até mais novo. E seu de menos.
Como de menos?
Podia ser meu filho.
É o que mais a gente viu por aí. Entre artistas, então, nós.
É, mas artista pode tudo, ninguém repara.
Conheço duas ou três que não são artistas.
É, pode ser, né? A mulher se sente mais jovem, mais valorizada.
Sei. Já teve um que era bem mais novo que você.
Bem mais novo também não.
Tá falando do Otávio. Ele tinha três anos a menos do que eu. Três anos é uma
diferença insignificante.
Eu acho que o contrário também dá maior pé.
Como assim, Clara?
Ah, uma mulher jovem, vinte e poucos anos.
Assim, como eu.
Se interessar por um cara mais velho, quarenta e cinco, cinquenta anos ou até
mais. Tem que ver se o sujeito funciona, né?
Você acha mesmo isso, Clara?
Acho. A Ruth, minha amiga, se deu super bem casando com um coroa 30 anos mais
velho do que ela.
Sabe, um cara realizado, sem problemas de dinheiro.
Só pensa em dar o melhor pra ela.
Porque, é claro, tem sempre aquela insegurança da diferença de idade. Então
vive no maior luxo.
Ela tem dois empregados, carro do ano, viagem de seis em seis meses.
É Paris, Nova York, Roma.
E tá super realizada, super feliz.
Sabe o que eu acho, Clara?
Que o amor é que conta. Não importa a idade do homem.
Nem a situação financeira dele.
O que vale é o amor.
O amor é que manda na gente.
Minha mãe diz que quando a necessidade entra pela porta, o amor foge pela
janela.
Tua mãe teve uma experiência muito dura com os dois casamentos que ela teve,
queridinha. Por isso que ela tem uma opinião tão pequena sobre o amor.
Essa menina está se alimentando muito mal.
Você não está vendo? Ela comeu metade da comida.
Já falaram sobre isso com o pediatra?
O Jaime disse que ela está ótima.
Meu amor, vamos comer no quarto da vovó? Vamos.
Eu vou ligar a televisão e vou encontrar um desenho bem bonito pra você. Tá bom?
Se ela está acostumada a comer bem na televisão, depois fica difícil.
Você hoje está cheia de teorias, hein, Clara?
Deixa ela comigo.
Senta com a vovó um pouquinho que nós vamos comer direitinho. Olha aqui, olha
só.
Você vai ficar muito tempo?
Só vou dar uma olhada no futebol.
Eu vou indo então.
Tô morrendo de dor de cabeça.
Dá um beijo na sua mãe e vê se não demora que eu tenho que dar um banho, né
menino?
É beber.
Vamos dar água para beber.
Linda que é a água.
Vamos dar para beber?
Papai chegou.
Papai chegou.
Muito bem.
Já sabe montar. Agora precisa aprender a desmontar.
Mas ele é que deveria ter medo de você, que tem um chicote na mão.
Vai lá, trata bem dele pra ele fazer a mesma coisa com você, vai.
Posso falar com você agora?
Fala.
Olha, já tem alguém pra me substituir nas férias. Por que não me disse antes?
Então não deixou?
Olha, eu vou te mandar a minha sócia.
Mulher?
Na Ípica só querem ela.
No Jockey não dá outra.
Então por que ela não fica na Ípica e no Jockey?
Ah, mas ela não vai sair não.
Ela vai acumular, como todo mundo.
Mulher veterinária.
Por que você atrasava? O que mais tem é mulher veterinária.
Ela formou o primeiro lugar na turma dela.
Pergunta na época e no jogo.
Pergunta quem é a veterinária 5.
Eles vão te dizer.
Vamos lá, garota.
Vem cá!
Vem cá!
E aí
E quando é que eu começo?
Em janeiro.
Ano novo, novo trabalho.
Ai, ótimo.
Então deixa eu aproveitar meu domingo. Depois com tanta coisa pra fazer, não
sobrar um minuto pra mim.
Romeu!
Ei, você não quer almoçar comigo?
Não, muito cedo pra mim, Alex.
Depois a gente se fala. Tchau.
A
Camila de
Londres outra vez.
Oi, mãe.
Te liguei ontem de noite, hoje cedo, você nem me ligou de volta.
É que eu não parei até agora, minha filha.
Eu tive uns problemas aqui, mas eu ia te ligar mais tarde.
Tô morrendo de saudade, mãe, não aguento mais.
Quero voltar logo.
São só dois meses.
Dois meses ainda.
Passa logo?
Passar o Natal eu não novo aqui sozinha.
Mas você tem os seus amigos.
Mas não tem minha família.
Camila... Assim você me deixa numa situação difícil.
Teu curso tá no fim.
Eu prometi que eu ia ir pra te pegar.
Nós combinamos, lembra?
Ah, mãe, vai demorar muito ainda.
Mas eu fico com você. Nós passeamos por Londres. A gente se diverte um pouco.
Lembra quando nós falamos nisso?
Vou passar o último Natal do século, o último Réveillon, sozinha.
Você sabia que ia ser assim.
Nós combinamos, Camila.
E depois você estava toda animada.
É, eu estava.
Você brigou com o Pedro?
Não, mãe, não é que brigamos, mas... Ele ia passar aqui, né? Agora vai passar em
Paris com os pais.
Só vai voltar depois do Réveillon.
Então é isso.
Eu... Eu lamento.
Eu lamento muito, minha filha.
Eu não sei se te conforta, mas... Eu também vou passar a festa sozinha.
É, você aí, o Fred vai pra Bahia, vai pra sogra.
Só que você tá aí no Rio, né, mãe? Eu tô aqui.
Sozinha por quê? Você tá sem namorado?
Totalmente. E o Márcio?
Acabou. Ele voltou pra mulher.
Ela ficou doente, os filhos se pressionaram.
Muito bem.
A gente montava mais as mil maravilhas, não é?
Não tem muito jeito, né?
São só mais dois meses, minha filha.
Depois eu passo aí pra te pegar. A gente fica juntas uma semana.
Uma semana, mãe?
Você falou que ia tirar férias da clínica.
É, eu pensei, mas não vai dar.
Eu tô atolada de trabalho e... Eu só vou poder passar uma semana.
Aguenta, minha filha.
Aguenta firme.
É pro teu bem.
Mãe, como é que tá o dia aí?
Tá lindo.
Eu fui pra praia, bati com um carro, depois voltei pra casa.
Você se machucou?
Não, não. Foi uma batidinha leve.
Mas eu perdi a praia, né? Uma chatice.
Tá.
Então me liga no Natal, tá, mãe?
Se resolver ir pra Londres, eu te ligo de lá.
Tá.
Se cuida.
Um beijo.
Outro. Eu te amo.
Eu te adoro.
Mãe. O que é?
Se acabar mesmo o mundo agora no ano 2000, como estão dizendo.
Como é que a gente fica?
Eu aqui e você aí.
Não vai acabar.
Não antes de nós duas ficarmos juntas outra vez.
Pode confiar em mim.
Eu te amo. Um beijo.
Outro.
Aconteceu alguma coisa com o caminho?
Não, não aconteceu nada.
Eu estou uma bobona.
Uma manteiga derretida, como dizia meu pai.
Vendendo os animais, a gente pode pelo menos dispensar metade dos empregados.
Por que metade?
Dispensa todos.
Nós sempre precisamos de alguns, porque eu não dou conta dessa casa sozinha.
Mas é pouco tempo, não tem? Eu não aguento essa casa sozinha, nem que seja
um dia.
Deixa ficar a cozinheira, os dois rapazes pra limpar.
Os dois são dispensos, pronto, não se fala mais nisso.
E a Iris?
A Iris não ajuda em nada.
E brigando.
Brigando.
Afinal de contas, que cavalo era aquele?
Vivia atrás de mim o dia inteiro.
E agora?
Está com os filhos da Helena.
Uma irmã que ela nem conhece.
Você também não conhece os filhos da Helena?
O guri tinha três anos quando saiu daqui.
E daí?
Se eu não conhecesse...
Os netos.
São meus netos.
Pronto.
E a Iris é sua filha.
É nossa filha.
Mas o que a Iris vai fazer com um cavalo no Rio de Janeiro?
O que?
Mas aqui é Rio de Janeiro, homem.
Nós não estamos daqui na fazenda.
Mas assim que eu fechar os olhos, vocês vão se mudar para o Rio de Janeiro.
Eu sei.
Bom, se é assim, o que os filhos da Helena vão fazer com os Cavalos?
Também moram no Rio de Janeiro.
Você nem sabe onde.
Eu tenho um telefone.
Tem.
Nunca me falou nada.
Já ligou pra ela alguma vez?
Várias vezes.
E?
Ela não retornou.
Que bela filha.
Foi sempre uma empregada que atendeu.
Mas é, a moça não deu o recado.
Você quer se enganar?
Aí eles viram o Rio de Janeiro da cabeça.
Assim que eu morrer, ela vai arrumar a trouxa dela e vai correndo para o Rio de
Janeiro. Não vai nem esperar a milita do 7º dia.
Eu vou com tudo, hoje eu não fico de fora Essa saudade apertar, eu pego o rei
meto -lhe fora Nada te rouba, um peão apaixonado Te deixou em outro estado, a
mulher que mais adora Eu vou com tudo, hoje eu não fico de fora Essa saudade
apertar, eu pego o rei e meto -lhe fora
Pula foi, pula cavalo, pula cavalo e foi Coração pula no peito, lembrando a dor
que se foi Foi felicidade, felicidade sim Coração pula no peito, saudade
que não tem fim Foi felicidade, felicidade sim Coração pula no peito,
saudade que não tem fim
Hora de descansar. Já comeram, já foram muito bem tratados. E olha que eu ainda
nem almocei, hein? Se é que isso interessa a vocês.
O que você quer? O que foi?
O que você tem?
O que?
Andou se machucando por aí? Alguém machucou você?
Isso vai doer, mas tem que tirar, senão pode infeccionar.
Agora que aquele veterinário idiota tinha que estar aqui pra me ajudar.
Ó, doeu, hein?
Vem cá, deixa eu fazer uma limpeza.
E depois eu vou te fazer uma cobertura antibiótica.
Tá?
Vai ficar muito tempo.
Que irrita saber que depois de todo esse trabalho
pra deixar o presente bonito, a pessoa que recebe nem repara.
Abre e sai rasgando tudo.
Eu já vi um monte de gente fazendo isso e eu fico pra morrer.
Oi, meu bem.
Oi, amor.
Tudo bom?
Tudo.
Tá com a cara cansada.
Domingo, aquele Aras é fogo. Eu tô sem comer nada.
E isso é que faz mal.
A geladeira lá em casa tá feia.
Eu termino aqui num minuto e faço alguma coisa pra você. Não, eu me viro
sozinho. Pode deixar.
Tchau.
Minha mãe sempre diz que o que vocês precisam é ter um filho.
Casamento sem filho fica que nem sopar rala.
Pobre, não gosta de nada.
Menina, o que você sabe sobre casamento?
Foi minha mãe quem disse, não fui eu.
Eu bem que queria ter um filho.
Sempre queria.
Mas ele não quer.
Já jantou?
Comi uma salada e tomei um copo de leite.
Essa geladeira está feia, Pedro. Sabe da coisa que você gosta?
Estou cansado, Silvia. Eu tive um dia cheio. Quero tomar um banho e dormir.
Todos os maridos que eu conheço descansam no final de semana,
domingo. Menos você.
É o meu trabalho. Você também não estava lá na sua floricultura?
É, mas você chegou e eu parei.
Me desculpe.
Estou precisando tirar férias. Urgente.
Nós estamos precisando.
Desde a nossa lua de mel que não saímos para viajar, não é?
A Luísa ligou duas vezes, Edu.
É, a Estela me falou.
Não adianta você tratar a moça assim. Me dá a toalha.
Não tô mais assim.
Ah, então fala com ela civilizadamente, né?
Não adianta não atender.
Ela viu que você tava em casa e precisava me quis falar.
Ah, tá bom, tia. Chega.
Depois eu me explico pra ela.
Que? Por que você se irrita comigo?
Eu não tô irritado com você, tia. Tô cansado. Tive um domingo infernal.
Vou ter que comprar outro carro, esperar que me entregue. É final de ano. Claro
que só vão me entregar outro em janeiro, sei lá que dia.
Enfim, vou ter que mudar meus planos aí.
Se você estivesse pensando na sua festa de formatura, não ia estar tão
preocupado com o carro.
Ah, a festa está pronta, tudo propensado.
Fala nisso, onde é que está o smoking que você disse que estava dentro do
Botei lá em cima da cadeira.
Onde é que está o paletó do smoking?
Ficou com a moça.
Que moça?
A moça que bateu no meu carro.
Ela tava de biquíni, ia pra praia e ficou sem nada.
Tica até o pronto -socorro, botou o paletó nas costas, sujou, ficou lá pra
mandar lavar.
Que história mais estapafúrdia, Edu.
Então a moça que bateu no seu carro é que vai lavar o seu paletó de smoking?
Não vai lavar, tia. Vai mandar lavar.
Eu não quero me meter, não. Eu não quero bancar tia chata. Mas que história mais
mal contada que você arranjou, hein? Ah, é pura verdade.
A gente dormia, né? A gente conversa. Parece coisa de novela.
Bom, boa noite.
Tenha bons sonhos.
Você também.
Você viu só que amor Nunca vi coisa assim Me passou, nem parou Mas
olhou só pra mim Se voltar, vou atrás Vou pedir, vou falar, vou dizer
que o amor foi feitinho pra dar.
Olha, é como o verão, quente o
coração.
Salta de repente para ver a menina que vem.
Ela vem, sempre tem esse mar no olhar e vai ver, tem de ser.
Nunca tem quem amar.
Hoje sim, disse sim. Já cansei de esperar.
Nem parei, nem dormi. Só pensando em me dar.
Peço.
Isso, dona Mara. Dois e meia. Está marcado. Está bom? Isso, querida.
Você está usando a blusa do uniforme da escola, menina. O que tem?
Tem que salvar de férias. Tem que economizar pra quando você voltar pra
Não aguento mais lavar essa roupa todo dia. Já tá ficando amarelado. Com cheiro
de cachorro molhado. Porque eu cego no ferro.
Vai, menina. Acaba com esse jogo.
Tá bom. Já tá terminando.
Corta um pouquinho.
Eu tive sorte porque apareceu a chance de eu viajar e eu me inscrevi logo no
primeiro dia.
Fiquei no Japão quatro meses.
Eu tava formado há pouco tempo. Quer dizer, foi uma grande oportunidade que
tive, né? Não posso me queixar.
A vaidade também tem que ter limite.
Eu tenho uma cliente de 60 anos que quer aparentar 50.
Ela fez lipo, colocou silicone nos seios, agora bota tanta maquiagem que
que tem 70.
Olha, eu acho correto a pessoa querer mudar o visual.
Agora, se a pessoa tentar corrigir a natureza, ela se vinga.
E ele chegou, nossa, que gato!
É. Chegou pontualmente. Pera aqui, pera aqui.
Olha, você me desculpa, mas a Antônia vai tomar conta de você direitinho
eu vou ter que tirar os pontos da testa, tá bom? Tchau.
Aí, carro novo, hein?
Que nada.
Esse é do marido da minha tia.
Outro novo mesmo só ano que vem.
Cada vez que eu me lembro, me sinto tão culpada.
Sabe que eu até sonhei com você.
Sonho bom, espero.
Trabalho de mestre, modéstia à parte.
Não vai ficar nem sinal.
Jura? Deixa eu ver.
Você é craque mesmo, hein?
Eu que não levava fé.
Me avisa quando você abrir um consultório que eu vou virar tua
Vamos botar ela em casa?
Por quê?
Ai, esqueceu, Edu.
Eu juro que eu nem lembrava.
Tá novo.
Você também é craque.
Quando abrir uma lavanderia, me avisa. Eu vou ficar sua cliente.
Eu também sei fazer um cafezinho especial.
Você espera?
Não, não posso.
Eu tenho uma reunião com a turma para resolver algumas coisas. Eu sou o
presidente da comissão de festas.
Então fica para outro dia.
Você queria pagar o meu trabalho, não queria?
Queria e ainda quero.
Olha aqui.
Dois convites para a minha festa sábado. Eu espero você lá.
É o que eu estou cobrando pelos meus serviços profissionais.
Pode ir comigo se você quiser.
Ou sozinha. Vou estar lá, minha família vai estar. Você fica conosco na nossa
mesa.
Muito obrigada pelo convite, eu dou mais. Nem mais, nem menos.
É o meu preço.
Tá bom, eu vou.
Se a senhora vai comprar peru pro Natal, pro Ano Novo, tem que andar de presa,
porque não tem quase lugar nenhum.
Desculpe, eu não sabia.
Tira os pontos, dona Helena. Ficou ótimo, olha, nem parece.
Põe tudo lá dentro, Vilda.
Eu tô falando porque tá acabando tudo.
No mercadinho não tem tender nem peru, só porco. Eu não vou fazer ceia nem
Eu vou passar o Natal e o Ano Novo na base da salada. Pra ver se eu entro no
2000 com dois quilos a menos.
Pra quê? Você tá tão bem.
Obrigada. Mas eu quero estar melhor.
Eu pensei em ficar aqui, né? Fazer companhia pra senhora. Não, tudo bem. Eu
bem sozinha.
Eu vou à praia no dia 31.
E aí, seu filho?
Meu filho vai passar as festas com os sogros na Bahia.
E a minha filha... Você tem uma filha também?
Tenho, de 22 anos.
Ela estuda na Inglaterra, só volta em março.
Eu tenho umas fotos dele daqui pra te mostrar, vem cá.
Essa aqui é minha nora, meu filho e minha neta.
Uma foto recente, tirada há dois meses.
Simpáticos todos.
A menina é linda, né? É linda.
Esse aqui é meu pai comigo, quando eu tinha uns 21 pra 22 anos.
E esta aqui é a minha queridíssima filha Camila.
Ela me mandou essa foto mês passado.
Pra eu não esquecer dela, ela escreveu.
Como se eu pudesse.
Uma família muito bonita.
E, bem, você, seus pais, seus filhos, sua neta e... Meu marido, o pai das
crianças, morreu quando eles eram pequenos.
Bom. Agora eu conheço a família toda.
No sábado eu te apresento a minha. Mas ao vivo.
Tô atrasado.
Não, Edu.
Se você abrir a porta, você não volta.
Peraí.
Bom, te vejo no sábado. Tá bom.
Ah, Edu.
É a rigor.
É. Por quê? Algum problema?
Não, eu perguntei por perguntar.
Eu acho que eu ainda entro no meu vestido longo.
Olha, pra dizer a verdade, a última vez que eu fui numa festa vestido a rigor,
foi a minha, viu? Isso já faz tempo.
Você não vai me deixar na mão, hein, Laerte?
Mas Helena, por que o Fred não vai com você?
Porque meu filho tá com uma gripe infernal, aquela gripe que vem dos
Unidos. Você vai comigo.
Helena, meu irmão, eu acho que ele nem serve mais em mim.
É, mas eu tô com o mesmo problema.
Eu tenho uma vizinha que é costureira que tá arrumando meu vestido pra ver se
ele dá em mim.
E agora voltou, a moda de roupa longa. Pois é, justamente agora que eu tenho
ir nessa bendita festa.
Se o seu smoking não servir, alugamos um. É o que todo mundo faz.
O Edu disse que a maioria dos alunos vai com o smoking alugado.
Natalina, e o Tid? No sábado à noite, com quem que eu vou deixar? Vai, fica
comigo, dorme lá em casa.
Domingo você pega. O Tid dá muito bem com a Raquel, vai ficar numa boa.
É, não tem saída, né?
Não.
Progresso, Edu.
Aqui estão as provas totalmente revisadas. E no dia que eu prometi,
Pascual, Pascual, muito obrigado.
Obrigado você, Miguel, sempre.
A Ana me deu o dinheiro, está tudo certo.
Você me tirou de um sufoco, rapaz. Me diz uma coisa, aquela sua vizinha,
Pascual, que bateu o carro em frente no domingo. A Helena?
Como é que ela está?
Está bem, está bem. O rapaz que bateu, o médico, deu uns pontinhos, mas já
tirou.
Acabaram ficando tão amigos que ela vai à festa de formatura dele.
Eu não devia ter prometido ir a essa festa.
Por quê, Helena? Festa é coisa que não se perde, viu?
Festa de formatura é uma chatice.
Eu lembro da do Fred.
Eu bocejava o tempo todo.
E olha aquela formatura do meu filho.
Ah, festa assim tem cada um bonito.
Ah, um monte de criança.
Tudo menino recém -desmamado.
Eu bem que queria um menino desses pra mim. Médico, formado. Melhor ainda se
fosse pediatra.
Parece que foi feito no seu corpo.
Eu nunca fui numa festa rigor.
Quer ir no meu lugar?
Eu me conformava em ficar lá na frente só olhando o pessoal chegar.
Acho que eu vou bater uma foto pra mostrar pra Camila quando ela voltar da
Inglaterra. Dá uma rodadinha aí pra gente ver. Tá, vai. Da hora.
Eu não acredito que o Edu, como presidente da comissão de festas, tenha
essa decoração horrorosa.
Ah, mas a ideia foi dele, filha.
Não acredito.
Boa. Estava combinando com a galera de praia nesse nosso trabalho.
Vamos. Vai ser tão bom.
Vou falar com o Edu.
pela formatura. Obrigado. A decoração tá um maço.
É, foi ideia minha. Ah, claro. Logo vim. Maravilhosa.
Engraçado. Eu achei pesada.
Você não pegou o espírito da coisa.
É que precisa ter um humor muito apurado pra gostar.
Eu não preciso ser hipócrita pra agradar o meu namorado, não é, Tessa? Mas eu
preciso ser muito esperta pra conservá -lo.
Tchauzinho, Edu. Valeu.
Foi nosso que confiou nessa menininha, não é?
Nem você, né?
Arrumar uma briga numa festa na frente de todo mundo? Tem dó.
Ela tá provocando.
É muita areia pro caminhão da Luísa. Sei se ela baba muito por ele. Não, mas eu
já vi ela caindo no braço com uma menina na praia.
Ela que se meta comigo.
Você ainda não fala nada sobre mim.
Falar o quê?
Você ainda não disse sobre mim.
A lenda.
Será que dá pra você falar isso olhando pra mim, Edu? Dá?
Da próxima vez que você falar alto comigo desse jeito, eu te deixo plantada
a gente estiver.
Por que você tem sempre que brigar comigo, Edu?
Tchau.
Você brigou com a Luísa? Ela está toda chorosa.
É uma chata. Ah, eu concordo, né? Mas... Por que você está procurando tanto que
você ainda não se pegou? Nada, tia. Estou olhando.
Eu não se acho alguém conhecido.
Chegou.
Jane.
Quero a vida sempre assim, com você
perto de mim, até o apagar da velha chão.
Eu que era triste, descrente desse mundo,
ao encontrar você eu conheci
o que é felicidade, meu amor.
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