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Original subtitles

Obrigado, viu?

Quatro mulheres em três meses.

Quem fez isso é um criminoso organizado, meticuloso.

A mente dele tá aqui. Eu só não consegui entender porque a gente precisa de uma

psicóloga forense num caso onde nem sequer nós temos um suspeito. Talvez por

isso. A mulher tava lá no FBI fazendo curso.

Prazer, senador.

Eu sou um grande admirador seu.

Ele quis que a gente encontrasse só aqui dias.

É importante a família estar juntas nesse coquetel. Chama essa garotinha com

quem você passou a noite.

É ela.

Tem um rapaz aí amando o senador Otos. Entrega para ele os relatórios que eu

deixei separados em cima da minha mesa.

Oi. Oi.

Quer tomar um vinho?

Melhor não.

Enquanto vocês ficarem naquele coquetel, eu vou estar dando a entrada no papel

do divórcio. Aquele cara é tudo de bom.

Delicado. Cuncho aberto.

O que está acontecendo aqui? Polícia.

Você tá achando que fui eu que fiz isso? Eu quero falar com o meu pai. É o cara

do governador.

Foi o ato. A gente precisa levar ele pra delegacia imediatamente. Você não vai

dar um passo antes da gente falar com o governador?

Se ele cometer outro crime, eu vou responsabilizar você.

Quem cotou essa investigação, Vera, ainda sou eu.

O que diferença faz uma pessoa menos no mundo?

Sabe o que vai acontecer com você?

Deixa eu ir embora!

Quer?

Por favor, por favor, me deixa ir embora!

Quietinha. Por favor, deixa eu ir embora.

Deixa eu ir embora. Eu vou me casar antes que venha. Eu vou me casar antes

venha.

Você vai morrer.

Não. Não. Não.

Não. Não. Não.

A minha mulher, a minha namorada, levaram ela agora.

Eu vi, eu vi o cara que levou. Eu vi esse chale dela.

Voou pela janela do carro quando ele arrancou.

Ele tá num carro, num carro escuro, desses bem comuns, médios.

Foi agora.

Eu peguei um táxi e vim direto pra cá. Amigo, aqui não é uma delegacia, aqui é

uma força -tarefa.

Aqui a gente só cuida desses assassinatos aqui, ó.

Foi o nosso que está solto, porém, que pegou minha mulher.

As pessoas estão começando a pirar nesses caras.

Eu vi ela chegando.

Vamos pegar a estrada.

Local, qual o erro?

Um apelão para um barco. Estou descendo.

Tinha um cara atravessando a rua em direção ao carro.

Eu disse sim para abrir a porta.

Isso aqui é esse isqueiro.

Esse isqueiro é a minha mulher. A minha mulher não fuma.

A minha mulher não fuma. Isso aqui só pode ser dele.

Eu peguei com lenço pra não tirar nenhuma marca de digital.

Você tá vendo muito filme policial, amigo. Quem disse que ela não conhecia o

cara? Ninguém desaparece só porque tem meia hora que você não vê. É assim que

funciona a coisa. Olha aqui, a minha mulher sabia que eu tava descendo pra

a porta pra ela. Você escutou o que eu tô falando?

Eu tô escutando. Ela não sabia!

Não, grita. Eu desci pra abrir a porta, ninguém vai ver. Eu tô te entendendo.

Não precisa gritar. Eu vou verificar.

Pode ser? Eu vou verificar.

Já que ele tá aqui? Bom, se a perida tá com tempo pra verificar, vai verificar.

Vem cá, vem, vem.

Esse resultado demora, vai ficar pronto.

Põe na cadeira, por favor.

Vamos sentar, vamos conversar, você me conta devagar, tudo com calma.

Um cafezinho pra ele.

Pelo sim, pelo não, o que é que custa? E se tivesse sido mesmo um sequestro?

Difícil concluir depois de meia hora.

Se for mais esticada, não deu nem tempo de chegarem aos finalmentes.

A gente endurece muito nessa profissão.

Posso te ajudar?

Pode, obrigada.

Obrigada.

Então por quê? Pra quê, Júnior?

Pra me desmoralizar publicamente? Pra jogar no lixo a minha candidatura? Foi

preso com droga? Foi isso, não foi, seu idiota? Vai começar tudo de novo?

Assassinato, Otto.

Assassinato. O quê?

Cachorro, filho da puta.

Senador, olha só, deixa eu te falar uma coisa. Quem matou alguém aqui foi você,

não fui eu, não. Eu o quê?

O que é, Otto?

A moça foi encontrada morta.

A moça? Gente, não adianta esconder de mais ninguém aqui.

A minha mãe já sabe, a polícia já sabe.

Eu já sei, Otto.

É pro seu governo. Eu estou pedindo o divórcio.

Você sabe o quê?

O que você já sabe?

Silvia! Silvia! Você pode dar licença, por favor?

Obrigado.

Eu não vou abrir.

Pode abrir, mãe.

Sou eu.

Não vale a pena escutar a explicação dele?

Por quê?

Seu pai nunca disse a verdade sobre coisa nenhuma.

Trinta anos de casada, eu nunca vi o Otto dizer uma única frase que não

ser virada do avesso se ele fosse conveniente.

Seu pai é o tipo de homem que pensa uma coisa, diz outra e faz o contrário.

Mano, não era como se eu fosse culpado, não.

Quem escolheu meu pai foi você.

Bom dia.

Bom dia, bom dia

Você acha mesmo que foi uma boa ter ido embora sem esperar o governador, hein?

Dias, eu não tenho estômago pra conchavos. Você se dá conta da situação

poderia ter criado? Por mais que você tentasse ser discreta.

Como é que ele repercutiu pro senador Otto sendo levado pela polícia no meio

daquele coquetel? Ele conseguiu, não conseguiu, não saiu fugido?

É impressionante. Como é que você não consegue dominar os seus ímpetos?

Aliás, você não tem controle, você parece ser uma força da natureza, isso

Dias!

Eu posso saber qual foi a ordem?

A regubinação foi agir com prudência. Prudência? Não vi o senador, mas agir

prudência.

Vera, você é uma mulher sozinha.

A qualquer momento, se ele der na telha, você pega suas malas e volta pro FBI.

Eu não tenho essa liberdade de fazer o que me dá na telha.

Eu tenho uma família pra carregar.

Eu sou obrigado a engolir meus sapos, sim. Eu até sei que você quer ser

secretário de segurança, Dias, mas a esse preço?

Sendo cúmplice desse homem naqueles crimes?

Omissão é cumplicidade.

Eu falei prudência, cautela. A gente pode ouvir o senador sem criar uma

que prejudique o homem, o governador, a campanha. Por enquanto ele é um

suspeito. E suspeito ainda não é culpado.

Por que alguém mataria na véspera de uma eleição praticamente ganha? Me fala.

Talvez ele esteja sendo chantageado.

Ou ele pode se sentir seguro o suficiente para fazer isso.

Psicopatas matam porque se sentem seguros, porque sabem que têm o controle

mãos. Eles gostam de manipular tudo e a todos ao seu redor. Eu só falei porque

me parecia improvável. E por que parecia improvável, Diaz?

Porque ele é um senador?

Ted Bundy era um político promissor.

Um advogado brilhante.

Matou mais de 35 mulheres.

Vici Key era um bom pai, chefe da congregação da igreja.

Aterrorizou nos Estados Unidos por mais de 20 anos.

Gacy, um bom pai, um bom marido, um empresário de sucesso.

Se vestia de palhaço para divertir as crianças enquanto matava adolescentes e

enterrava no próprio porão.

É isso que os protege.

Eles são improváveis.

Eles não se parecem com as pessoas que fazem essas coisas.

Não estou afim de aliviar ninguém, não. Eu só quero fazer as coisas do meu

jeito. Amanhã eu passo aqui para recolher as minhas coisas.

Não precisa de nenhuma justificativa oficial para me mandar embora. E também

me apareça como ofício agradecendo a minha estada por aqui.

Tô feliz.

Mamãe tá muito, muito, muito feliz.

Já tomou café da mamãe? Não. Não, não traz um café na cama pra sua mamãe.

Tem digitais aqui.

E bem nítidas.

Vamos colher.

Desculpa, Helda.

Eu preciso do telefone daquela repórter que vive pedindo informação.

Aquela menina do jornal pequena que fica cercando a gente no corredor até tarde.

Ok.

Aqui doutor.

Eu nunca te pedi isso.

Prontinho. Na digital do seu Ricardo.

Deu cícero pra jogar isso aqui no sistema.

Ele aqui.

Eduardo Bode.

E o que a gente tem sobre esse Eduardo Borges, Cícero? Por enquanto, só os

digitais. O que você quer me enviar de e -mail, celular?

Por enquanto, só quero saber quem ele é.

Só comigo.

Eu só posso dizer isso. Ela passou a noite com o senador Otto Weger. Foi você

que descobriu. Se contar que eu falei, eu desmento.

É, peraí, delegado.

É só isso?

Desculpa eu chegar assim, mas eu só vim aqui te dizer que eu tomei uma

providência ao meu modo.

Fazer a informação para uma jornalista que caso ela fale demais eu tenho como

desmentir. Com isso, Vera, o senador não escapa de seu ouvido.

Você sempre acha uma curva, né, Dias?

Existem maneiras de chegar lá sem necessariamente ter que bater de frente.

Vamos tomar um café?

Vamos, vamos.

Olha, enquanto você saiu da equipe, eu fiz questão de falar com o governador

caso você saísse, eu sairia também.

Você me avaliou muito mal, Vera.

Olha, em momento nenhum, abre mão dos meus princípios. Eu vou até...

Eu

te levo até o quarto.

Pergunta essa, Dias.

Mesmo porque eu não vou nem saber te responder direito.

Ah, você não conhece esse rapaz?

No sentido bíblico, até que conheço bem.

Mas eu tô interessada na reunião com o governador. Pode continuar contando, por

favor. Não, peraí, peraí. Só me diz uma coisa.

Você trouxe mesmo um estranho pra dentro da sua casa?

Trouxe.

Que cara é essa, Dias?

Vai ficar chocado porque viu um homem saindo da minha cama?

Esqueceu o que isso é comum no mundo dos solteiros? Pelo visto esqueceu. Isso é

uma irresponsabilidade total.

Saiba você que foi muito melhor do que ficar aqui, tomar um calmante, fumar dez

cigarros depois da decepção que você me fez ter ontem.

Açúcar ou adoçante?

Você se põe em risco.

O que é pior?

Você parece que não acredita nas suas próprias teorias. Eu acredito em mim,

Dias.

Tem funcionado muito bem.

Não gostei do cinismo de ontem não, viu, Nelson?

Foi o único jeito de entender essa disponibilidade pelo rapaz.

Compaixão, empatia, intuição. Ah, Elda, deleta, vai.

A moça apareceu?

Até o amor atrás, não.

Eu encaminhei o rapaz pra delegacia. Aqui não é lugar de registro, de

desaparecimento. Por mais que você tenha, tu tá interesse nesse cara.

Você não vai acreditar, Elda.

Eduardo Borges se formou em Direito, faz faculdade em Psicologia, é voluntário

do GAV e agora vem a bomba.

Tem antecedentes?

A ficha é limpa, limpíssima, disse bomba. Isso é bombinha.

Solta. Ele é ligado ao senador Otto.

Como é que é?

O Júnior disse pra polícia que eu passei a noite com a garota. Foi isso mesmo,

né? É.

E segundo o Dias, pelo horário que se deu a morte, se vocês passaram a noite

juntos, ela tava com você.

Ela não dormiu lá. Ela foi embora.

Saiu.

Esse menino não sabe o que diz e fala.

Em vez de ficar com a boca fechada, fala.

Vamos considerar que ele não teve outra opção.

Você também acha que eu fiz isso?

Olha só, seja lá o que você consiga provar, a versão de um senador

matando amante, aspirante a modelo durante a campanha é imbatível.

Dá licença, desculpa atrapalhar.

Senador, olha aqui você na internet, que bonito.

Ai, cacete.

Vamos ter que soltar um comunicado já. Coisa nenhuma.

Vou à polícia agora.

Acabo com essa palhaçada já.

Peraí, Otto.

Eles vão vir à tarde pegar o seu depoimento. Não se precipita.

Otto, eu já combinei tudo com o dia.

O que é que é isso?

Obrigado.

E aí

Tensa.

Ainda bem que ele te avisou que vinha. Se ele te pega com aquela camiseta que

você costuma dormir, já é.

Ah, eu quero uma coisa assim, ó.

Que me deixe poderosa.

Mas também que me exiba muito minhas gordurinhas.

Já que você tem gordurinha aí, raiva. Eu tenho.

Não tem, não.

Hum, lindo.

Adorei.

Gostou?

Bate com segurança.

Sabe aquela coisa de não querer, de decepcionar? Foi tudo tão rápido.

Sei lá, quem é que ele está esperando que eu seja?

Seja você, ora.

Você está linda. Está um arraso.

Um mês sem pegar táxi, um mês sem jantar fora, um mês sem comprar nada pra poder

pagar essas lingeries.

Mas falei que a gente podia achar mais barato.

Mais barato não é igual, Dina.

Porra, eu tô suspindo, tô desrequintada.

Pelo menos minhas lingeries têm que ser também.

E se passar no mercado, vamos comigo?

Que mercado que é? Vai deixar isso em casa ou vai direto pro salão? Fazer uma

esconda. Fazer uma esconda. Você é uma idiota! Tá louca!

Ó, tu me ouve. Isso é uma exposição desnecessária.

Exposição é ficar em casa vendo esse bato crescer.

O Dias tá apostando na oposição, é isso?

Ele acha que é a oposição que vai dar a secretaria de segurança pra ele. Ele me

disse que não sabe como isso vazou.

Só falta você me dizer que acredita.

A polícia não afirma nada.

Não temos comprovação de nada.

Nós soubemos dessa notícia como vocês, pelo site do jornal. Nós vamos ouvir o

senador. Vamos apurar os fatos. Ei, ei, ei! Outro briga!

Olha, a imprensa tá aí. Vambora, vambora! Vaza, porra!

Vaza, porra!

Senador! Só o que me faltava. Vambora!

Mãe, Edu, lembra?

Você completamente

louco. Louco, louco.

Esse cara teve que ir ontem para pegar o material do senador Watson.

Tenho quase certeza que é ele.

Coincidência, hein?

Não acredito em coincidência.

Chame esse Eduardo Borges aqui agora.

Localize esse homem e traz.

Nelson, não adianta nada para ele. Quero pegar ele de surpresa.

O rapaz que eu conheci ontem, aquele é tu, foi a única pessoa útil nisso tudo.

Me safou de um escândalo naquele coquetel, porque os outros... Meu filho

detona na polícia. O Dias, que por influência minha, tá nesse cargo, me

pra mostrar serviço porque é um incompetente e não sabe resolver o caso.

Você... Eu o quê?

Você não detectou nada, você não soube avaliar, não soube sentir o cheiro da

armação.

Espera aí, Otto.

Para que eu preciso de um assessor, Cis? Para que eu preciso de um assessor?

Foi o Mendes.

Aurélio Mendes passou essa nota para a imprensa.

Eu procurei ontem para tratarmos do divórcio.

Como é?

Você foi procurar o representante da oposição para me... Só tem abutre à

volta. E quem é que poderia defender os meus interesses?

Algum correligionário seu?

O escritório do Assis que está ajudando você a desviar o patrimônio. Você é uma

histérica, Silvia. Você é uma histérica!

Aqueles terrenos também.

Passa os terrenos por nome do laranja, que eu valho muito.

É dinheiro em caixa.

Isso. Isso. Faz uma venda.

Silvia não vai precisar assinar. Eu tenho a procuração dela.

Pegue.

O Mendes tem isso?

Eu posso fazer ele desmentir qualquer coisa que ele diga.

Mas eu quero a procuração de volta.

E todos os bens que você desviou do meu nome.

Não foi no salão, cadê a escova?

Opa!

Você acredita que ele estava aqui, escondido na escada, me esperando quando

cheguei? Conta tudo, não me esconde nada.

Parece que a gente se conhece de uma vida toda.

Você sabe aqueles medos que eu tinha?

Inseguranças. Eu nem pensei nelas. Eu não consegui nem lembrar delas.

Ela se emociona, pai.

Isso não foi. Foi feitiço. Foi aquela sensação, assim, que você tá

reencontrando uma pessoa.

Não, você acaba de ver, mas não é que você tá conhecendo, você tá mesmo

reencontrando. Ele sentiu isso também. Ele disse, ele falou que tá

impressionado pelo que ele tá sentindo por mim.

Uau! Ele fez um batom, ele passou na minha boca da cor que ele gosta.

Aliás, eu amo essa cor em você.

Nossa.

Meu filho, eu fiz coisas que nem parecia eu.

Um homem que presta atenção em detalhes, sabe? Que gosta de enfeitar uma mulher,

de fazer ela se sentir uma princesa, se sentir uma rainha.

Ele é assim.

Cadê o batom? Me mostra.

Ele levou o batom, mas ele comprou a pensar em mim.

Pensa na minha boca.

Essa é nova.

Você se sente o centro do mundo, perto do cara.

Ai, eu que não tô acostumada com isso. Tá fazendo bem pro seu amor próprio,

gostei. De noite ele vem jantar.

E ele falou que eu não tenho que preocupar com nada, que quem vai fazer

ele, que ele que vai cozinhar, que ele vai trazer o vinho, que eu não tenho que

fazer nada, que ele que vai fazer tudo.

Vai trazer vinho.

Vai trazer comida, sei lá o que ele vai fazer, se vai cozinhar. Me ajuda aqui.

Me ajuda.

Bom dia, bom dia.

Não, não, não. Se você largar os medicamentos, você vai ficar muito pior.

Claro, você vai se sentir pior.

Esquece essa palavra, meu amigo. Esquece isso.

Então?

Pensa em vida.

Isso, vida.

Pensa que nem tudo na sua vida foi tão ruim quanto parece agora.

Você também teve momentos bons, não teve?

Então, pensa neles.

Você tem um papel e uma caneta aí na mão?

Eu espero.

Aí?

Então, agora eu quero que você anote dez momentos bons que você teve na sua

vida.

Isso, dez.

Como?

Olha aí, você já me disse dois, cara.

Olha, você pode me ligar amanhã, nesse mesmo horário que eu vou estar te

esperando.

Isso.

Eu só quero uma chance pra te ouvir, só isso.

Abraço. Eu entendo.

Nada.

O moço continua o próprio.

Eu admiro a sua paciência, sabia?

Eu já fico exausta. Esse povo é viciado em ligar pra cá.

Eles só querem ser ouvidos, Estela. Só isso.

Você é bem jovem, mas você tem uma tolerância com a fragilidade dos outros,

Você sabe que você é muito bonito?

Bonito e raro.

Eu sou ateimoso, dona Estela. Isso sim.

Não adianta. Eu não consigo desistir das pessoas. É de mim.

Isso não é raro?

Imagina, meu amor.

As pessoas são confinadas ao próprio umbigo, sabia?

Cada um só pensa em si. Eu mesma, eu falo, falo, falo, mas eu... Estela,

Não é verdade.

Por isso que eu vim ser voluntária aqui.

Pra exercitar a minha empatia com o outro. Quer um café?

Não, obrigada, amor.

Você sabia que é muito fácil amar a humanidade, né? O difícil mesmo,

suportar o próximo.

Uma frase de Sarta que eu adoro, ele diz... O inferno são os outros.

Por que essa cara, Edu? Você quer que me sinta mais culpada do que eu já me

sinto? Como que é sentir culpa?

Você não vai fazer piada do meu desabafo, tá?

Não, porque este aqui é sério.

Adoro você, sabia?

Menina, e a história do senador, hein? O que que tem, senador?

Você não viu?

Como é que é? É, tá na internet.

Edu. Oi.

Estão chamando você na portaria.

Eu? É a polícia.

Polícia?

Aurelio Mendes quer atacar a candidatura do Otto.

Eu nunca disse a ele que o Otto dormiu fora de casa. Meu Deus, eu nunca fiz

confidências a esse senhor.

Eu fui ao escritório dele a pedido de uma amiga levar um papel, um documento,

nada mais.

Essa senhora está me atacando por quê?

Não procurei ninguém da imprensa pra falar de Otto Weigand.

E ela disse e disse.

Despejou nessa mesa aqui todos os podres do marido.

Todas as falcatruas de Otto Weigand.

Ó, escuta só essa.

Eu tinha um primo do congresso.

Não teve oportunidade de ter uma negociação com esse Otto Weigand.

Esse homem tinha que estar na cadeia faz tempo.

Crápula.

Perigoso.

Eu fico me perguntando como é que um homem como esse, um representante do

do Rio de Janeiro, um senador da república, age da forma como esse homem

ser punido. Isso é um absurdo!

Cachorro!

Eduardo Borges.

Senta aí, Eduardo.

Com licença.

Você tem ideia do porquê que você tá aqui?

Pra falar a verdade, eu não tenho a mínima ideia.

Meu isqueiro.

Foi assaltado ontem à noite, delegado.

Posso?

Olha, eu até fiz um boletim de ocorrência hoje cedo.

Eu fiz esse boletim não só pela minha carteira, pelos meus documentos, mas por

conta desse isqueiro, que ele é muito importante pra mim.

É um isqueiro de família, presente do meu avô.

Eu pensei que nem fosse reavir.

Tá aqui.

Como é que vocês encontraram ele?

Você acha que seria capaz de fazer um retrato falado desse cara que te roubou?

Era só um?

Eu acredito que alguém devia estar dando cobertura.

Eu tava indo pro meu carro e ele apareceu do nada.

Eu evitei ficar olhando pra ele. Ele tava armado.

Tá achando que a vida é fácil? Fácil pra quem, seu merda?

Prelegado, conte comigo pro que você precisar.

Tudo que você puder lembrar ajuda.

Claro.

Houve um sequestro ontem à noite.

Com essa moça aqui.

Nossa, bonita, coitada.

A gente está preocupado que essa moça possa ter sido mais uma vítima desse

matador de mulheres.

Até agora, nenhum pedido de resgate.

Nada que caracterize um sequestro.

Você tem ideia onde o senador Otto possa ter ido ontem à noite depois que ele

saiu do coquetel, Eduardo?

Infelizmente, em relação a isso, eu não vou poder ajudar o senhor, delegado.

Eu não sei.

Ele falou que precisava ficar sozinho.

E disse também que precisava extravasar.

Extravasar.

Quer dizer que voltamos ao senador?

Tudo em dica.

Inclusive, o Dias está lá dentro, interrogando o tal do Edu.

Você vai lá?

Não vou perder a chance de deixar o Dias me contar essa reviravolta, não.

Não avisaram ainda que você chegou?

Dias, rapaz, está aí.

Manda entrar.

É o namorado da moça que desapareceu.

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