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Original subtitles

Este filme é uma ficção inspirada em factos verídicos.

Reflete a versão subjetiva dos autores sobre este caso e os seus protagonistas.

17 de Dezembro, 2012 Em Rambouillet

Bom dia, com quem estou a falar?

Bom dia, senhora. Eu limpo a casa da Sra. Kearney,

e quando cheguei à cave,

a senhora estava amarrada a uma cadeira.

Ela está ferida?

Tem um triângulo no estômago e uma faca na...

Na onde?

Entre as pernas.

- Onde vai, senhor? - Sou o marido da Maureen Kearney.

Alto! Calou!

A mulher está a sangrar?

Não. A faca...

Foi só o cabo que foi inserido...

Sr. Hugo?

A sua esposa está ali, mas vai ter de esperar, por favor.

- Vou buscar o resto. - Sim, obrigado.

- É o Sr. Hugo? - Sou.

Pode entrar agora.

Sem lesões internas.

Só a faca? Sem outra penetração?

Desculpe.

Pode vestir-se.

Tem caneta e papel?

Quero escrever tudo o que aconteceu.

- Claro. - Obrigada.

Por volta das 6h30 ou 7h00, na casa de banho,

estava a pôr maquilhagem.

De repente, empurraram um chapéu sobre a minha cabeça,

a tapar-me os olhos.

Senti como se me tivessem uma arma apontada às costas.

Mandou-me sentar numa cadeira e pôs-me fita adesiva na boca.

E depois...

A SINDICALISTA

A SINDICALISTA BASEADO NUMA HISTÓRIA VERÍDICA

CENTRAL NUCLEAR DE PAKS HUNGRIA

"É mais fácil despedir-nos a nós do que aos homens".

"Já passaram semanas. O gerente recusa-se a negociar".

Não aceita um plano de despedimento,

mas eu estou aqui para encontrar uma solução.

"Se ele nos despedir, o que vamos fazer"?

"Quer que nos prostituamos para alimentar os nossos filhos"?

Vou exigir que recebam formação e prometo que não serão abandonadas.

"Porque havemos de acreditar em si"?

Quando faço promessas, não são palavras vazias.

Luto para as cumprir!

Senhor Kovacs!

Chamo-me Maureen Kearney, venho de Paris para...

Já sei.

Estas mulheres têm direito a indemnizações pelo despedimento.

Não se esqueça que fazem parte do grupo AREVA.

Não quero saber dos sindicatos.

Sigo as leis do meu próprio país!

Um e-mail para Paris e terá de explicar a situação à direção.

SEDE DA AREVA PARIS

DELEGADA SINDICAL DA CFDT

Maureen!

O que fizeram os teus amigos socialistas?

O acordo com os Verdes?

Não nos vai ajudar.

12% dos eleitores apoiam-nos.

- Temos de falar... - Não posso, ela está à minha espera.

É por isso que fomos ao Japão.

Encontrei-me com o Primeiro-Ministro...

Sim?

- Não cheguei tarde? - Estamos a terminar.

Garantiu-me que tem grandes expectativas nos nossos esforços para travar a China.

Então, Maureen, como correu na Hungria?

Qual é o problema lá?

Está a despedir as mulheres.

Produzem menos.

São menos produtivas?

Menos rentáveis.

Como nunca tiram baixa,

mesmo doentes...

acontecem acidentes, defeitos na produção...

Porque não vão ao médico?

Sem qualquer cobertura de saúde, nem pública nem privada?

As mulheres da nossa subsidiária não podem ser despedidas assim.

Precisam de um plano de despedimento,

de receber formação...

Está bem, certo.

Luc, faz um estudo sobre isso,

e eu apresento-o na próxima reunião da direção.

Obrigada, Senhora.

As mulheres apoiam-se.

Quando duas mulheres trabalham juntas,

não estão a trabalhar, estão a apoiar-se?

Patético, Dumont.

Eu próprio trato do estudo, Senhora.

Obrigada.

Tens um minuto, Maureen?

Sim, eu...

É rápido, os meus filhos vêm almoçar.

É isto, Maureen, o Sarkozy vai despedir-me,

e vai nomear o meu sucessor antes das eleições.

Quem é?

Não é nenhuma "histérica de saia", segundo o secretário dele.

Espero que não seja o Oursel.

O Luc anda a mexer os cordelinhos há semanas.

Não tem experiência. É impossível!

Ele não nasceu para liderar.

Desde quando é que exigimos qualificações aos homens?

Não vai ser divertido trabalhar com ele.

Estás preparada para isso?

Alguém tem de o manter na linha.

Isso tranquiliza-me.

Sabes que estarei sempre aqui para te ajudar.

Adoro os teus brincos.

Presente do meu marido.

Todos estes anos, e ainda não sei o que escondes.

Estás a brincar? Ela é uma bluffadora nata.

Atrás desse ar doce.

Nada de conversa de mesa!

Estás dentro ou fora?

- Desisto. - Eu também.

Como vão as coisas na AREVA?

Tudo bem depois de Fukushima?

Poupa-nos à lição de ecologia, Fiona.

Ela está a tentar distrair-me.

Admitam, arruinámos o planeta por eles.

Estamos a deixar-lhes um caos. Tu também alinhas?

A AREVA emprega mais de 50 mil pessoas.

O meu trabalho é defendê-las.

Quanto ao jogo, vou com tudo.

Desisto.

Mostra. Aposto que não tens nada.

Eu sabia.

É só um jogo... Leva os teus 30 euros.

O teu dinheiro é radioativo.

Estás insuportável hoje.

Um dia tens de me dizer o que é que tens contra mim.

Estou a trabalhar nisso.

Está sempre a vibrar.

A AREVA inteira está a ligar-te.

Primeira notícia da noite, a Anne Lauvergeon,

CEO da AREVA.

Foi anunciado ontem:

Anne Lauvergeon não continuará a liderar a AREVA.

A decisão gerou polémica política,

com muitos a criticarem a decisão do presidente.

O seu substituto é um desconhecido.

Completamente desconhecido: Luc Oursel, um homem discreto.

O presidente diz que ele representa a continuidade na AREVA.

Vamos saber mais sobre ele e sobre esta nomeação...

A Confederação do Trabalho não costuma ser branda com a administração,

mas admiro-a, Sra. Lauvergeon.

Conduziu-nos para fora de uma era de estigma,

quando a energia nuclear parecia ultrapassada.

Foi um prazer trabalhar consigo,

e estamos orgulhosos do que construímos juntos.

Obrigada, Jean-Pierre.

Obrigada.

Foi maravilhoso trabalhar consigo durante tantos anos.

E os laços que criámos juntos são fortes.

Hoje quero agradecer

à mulher que nunca poupou esforços para defender os vossos interesses.

Uma mulher que, por vezes, vê a administração como adversária,

mas nunca como inimiga.

Estou a falar da Maureen, claro.

Foi precioso tê-la ao meu lado

quando enfrentei todos aqueles homens de fato!

Lembro-me de quando invadiste o meu gabinete.

- Em 1999, certo? - Sim.

Acabada de ser eleita como delegada sindical, e sem medo de nada,

exigia a todos,

e percebi logo que trabalharíamos bem juntas.

E assim foi. Obrigada.

Vou ter saudades dos nossos pequenos-almoços de sábado.

Aqueles profiteroles!

- Os profiteroles... - Obrigada.

Querida Anne,

que posso dizer... Podes contar connosco

para cuidarmos deste lugar maravilhoso.

Quem me conhece sabe que não vou baixar a guarda.

A luta continua!

Viva a AREVA!

Adeus, Luc.

Eu volto. Esta é a minha casa.

Aquele idiota não fica muito tempo na minha cadeira.

- Adeus, Anne. - Adeus.

Obrigada por tudo.

- Até breve. - Sim, até breve.

Sra. Kearney.

Desculpe-me,

o Sr. Oursel espera por si daqui a 10 minutos.

Muito bem.

Sra. Kearney.

Sente-se, por favor.

Ouvi dizer que se vai recandidatar como delegada sindical?

Sim.

É uma excelente ideia!

Vai ser o seu quinto mandato?

Sexto.

Deve saber que...

As relações laborais são uma das minhas prioridades.

E vou ficar muito feliz por continuar a trabalhar consigo, de forma construtiva.

O meu pai.

Era coronel da Marinha.

Tal como ele, tenho um sentido de dever,

e vou fazer tudo para corrigir o rumo da AREVA.

É a minha missão.

Daqui a uns dias vou visitar a central de Latina.

Pode vir comigo.

A Roma?

Se for para discutir o futuro dos trabalhadores da AREVA,

- por que não? Com todo o gosto. - Excelente.

Vamos inovar juntos.

E temos muito trabalho pela frente!

Acompanho-a à saída?

Conhece os nossos seminários de igualdade de género?

Sim, estou muito empenhada neles.

É por isso que os cortou do orçamento?

Tenho de fazer cortes

para ultrapassar a má gestão...

Então corta o programa que visa pôr mulheres na liderança?

É uma proposta, não está decidido.

Falamos disso em Roma, com uma grappa!

Não bebo.

Fique com a grappa, e eu fico com os seminários.

- Adeus. - Adeus.

Ainda não tinha dito, mas fui reeleita delegada sindical.

Não tinhas dito que ias desistir? O teu novo chefe é um pesadelo.

Pois é! Ele é perigoso.

Se eu não fizer nada, isto vai ser um desastre.

A Mulher-Maravilha ainda não pendurou o fato.

A Mulher-Maravilha, com os calções e o laço mágico.

Sou melhor do que isso, não?

Nada de mudar de emprego?

Mais dois anos e saio. É a última vez.

Está bem.

Vou fazer mais concertos e continuar a descontar para a reforma...

Obrigada, Xavier.

Não se preocupem, os americanos adoram o sotaque francês.

Para a próxima semana, se tiverem tempo,

leiam o Decreto Habeas Corpus.

Está bem?

Maureen! Viste o Philippe hoje?

- O que se passa? - Enviei-te um email.

Disse coisas malucas sobre os colegas na avaliação.

O RH quase o suspendeu.

Desculpa, não tive tempo desde que a Lauvergeon saiu.

Isto é urgente. Está em burnout.

Tenho de atender esta.

Sra. Kearney. Tenho informações que deve saber sobre a AREVA.

Quem é?

Trabalho na EDF.

Chame-me Tirésias.

Sra. Kearney. O seu telemóvel, por favor.

O que faz na EDF? Dediquei a vida à EDF.

Quando o Proglio chegou, puseram-me na rua.

A Lauvergeon é despedida e aparece você?

Não me tome por parva.

O Proglio quer destruir a AREVA.

Quer o setor nuclear sob controlo da EDF.

- Isso não é novidade. - Mas está prestes a conseguir.

Ele está a negociar em segredo com os chineses.

Para quê?

Para construir centrais com eles.

E afundar a AREVA.

Tem provas?

Isto é um memorando de entendimento com um consórcio chinês.

Entregue-o à comunicação social, vão interessar-se.

- Não confio em jornalistas. - Mas confia em mim?

É uma agitadora, e conhece pessoas.

E se os socialistas ganharem, tem influência.

A CGNPC terá acesso ao know-how da EDF

em centrais nucleares em França.

A CGNPC participará em novos projetos nucleares da EDF em França.

Bom dia, Sra. Kearney.

- Ela está à sua espera. - Obrigada.

Bom dia, Anne.

Então, problemas com o Oursel?

- O que se passa? - Bem...

A nova loucura dele

é fazer uma parceria com a EDF e os chineses

para construir centrais de baixo custo.

Sonha com grandes contratos internacionais.

Claro que tudo pelas costas.

A ideia não é dele.

É ele quem a está a liderar.

O Oursel é um peão.

O inimigo é o Proglio. É ele o predador.

Tem sede de poder.

A EDF é pequena demais. Ele quer ser o líder mundial da energia nuclear.

Está obcecado, e não vai desistir.

E vai adorar destruir o que eu construí.

Um acordo com os chineses seria péssimo para os nossos trabalhadores.

Temos de envolver os políticos.

Agora? Com as eleições à porta?

Nem sonhes.

Nenhum deles tem coragem de se meter.

Ainda por cima sem provas.

De onde veio isto?

De um homem da EDF que odeia o Proglio.

Nunca suspeitaste de nada?

Nem imaginas os truques sujos que ele me fez...

É incrível que tenhas conseguido isto.

Se eu conseguir provar que é autêntico, pode ser explosivo.

Se revelares isto, vais estar na linha da frente.

Sem mim para te proteger, vais ser atacada.

Sabes disso?

Estás preparada?

Estava a começar a amolecer...

Às 20h em ponto mostramos os resultados.

Estimamos que François Hollande tenha sido eleito presidente

com 51,9% dos votos.

Podias ter posto gravata.

Pelo menos tirei o colete do sindicato.

Quando se encontra um ministro, veste-se como um ministro.

MINISTRO DA ECONOMIA

Isto não está assinado.

Estás preocupada por nada.

Se assinarem, perdemos tudo.

É um risco real para os empregos.

Francamente, Maureen, a verdadeira urgência

é terminar o primeiro EPR da AREVA na Finlândia.

Houve atrasos, é verdade.

2,6 mil milhões de euros em multas.

Um braço, uma perna e dois rins!

Então sacrificam a AREVA?

Fukushima complicou a energia nuclear.

Se a EDF vos pode ajudar nestes tempos difíceis,

devem estar gratos.

É bom que o saber-fazer francês tenha mercado na China!

E depois?

Os chineses constroem cá e os nossos ficam no desemprego?

Compreendo, e obrigado por me alertar.

Mas ninguém quer que a AREVA ou os seus trabalhadores sofram.

Quem lhe disse?

Foi o Proglio?

Confie em mim.

Precisamos de nos globalizar.

A França já tem centrais nucleares por todo o mundo!

Mas eu vou proteger o know-how e os empregos da AREVA.

Isso é certo.

Está bem, sim.

Falamos depois. Obrigada.

A Lauvergeon continua a ser a tua chefe. Estão coladas uma à outra.

Vai buscar-me um prato em vez de dizer disparates.

Um presente da minha fonte na EDF.

É uma cópia do folheto da AREVA para Seul.

Reformataram-no e trocaram o azul por vermelho,

para parecer mais chinês.

Raios, estás a queimar as salsichas!

Toma, segura isto.

Se não é a Lauvergeon, é a China! Relaxa um pouco.

Gilles, isto é mesmo grave.

Vai lá, atende!

Diz-lhe para vir cá! Precisamos de mais salsichas, de qualquer forma.

Estou?

A Maureen trabalha como uma escrava, 24/7.

Já lá vão 20 anos nisto.

Sinceramente, isto não é o paraíso?

Daqui a uns anos podíamos mudar-nos para aqui.

Abrandar um bocado.

A Maureen está convencida?

- Maureen? - Sim?

Já pensaste em abrandar?

Eu, abrandar?

Eu nem sequer conduzo depressa.

O que anda a fazer a Federação do Trabalho?

"As perguntas à direção"? As queixas ao ministro?

Andamos há semanas a perguntar sobre os projetos com os chineses, e não respondem!

Não percebe nada de estratégia empresarial!

Estão a vender a nossa tecnologia à China.

Não sou parvo. Estão a conspirar com a Lauvergeon para me deitar abaixo.

Estás paranoico! Vês-la em todo o lado!

É emocionante sentir-te importante?

Não me toques!

Cuidado contigo.

Se não paras, levo-te a tribunal. Tenho apoios que tu não tens.

...é uma chatice.

- Por favor, senhor... - Desculpe, Sra. Kearney, tenho pressa.

- Não estou interessado. - O seu trabalho é salvar empregos!

- Não está interessado? - Não.

Leia isto, por favor!

O nosso setor nuclear está a ser vendido aos chineses.

Está bem, Maureen. Vou ler, prometo.

Ligue-me. Falamos.

- Está bem. - Obrigada.

A coisa está a aquecer.

É o Montebourg!

"Pare de distribuir panfletos aos deputados.

"É embaraçoso para mim..."

- O ministro está irritado. - E então?

Se está nervoso, é porque algo se está a passar.

Tem cuidado, isto agora é a sério...

Se é demasiado para ti, trato disto sozinha.

Henri Proglio ao telefone...

Temos de falar, já que está decidida a destruir a indústria nuclear.

Não estou a destruir nada.

Qual é a sua visão para os próximos dez anos?

Seja simpática e poupe-me às ideias velhas da Lauvergeon.

Eu não sou "simpática", e de certeza não vou ser simpática consigo!

Excelente. Então gostava da sua opinião esclarecida.

Mas esqueci-me: nem sequer é engenheira!

Siga o meu conselho: fique-se pelas aulas de inglês.

O que estás aqui a fazer?

O pai ligou-me do Havre...

Porque vieste? Isto não é nada.

Devo-te por todas as vezes que vieste à esquadra por minha causa!

Vai para casa, estou bem. Isto vai demorar uma eternidade.

Está tudo bem.

Apresentei queixa na polícia na semana passada.

Notei um tipo parado num carro à porta de casa o dia todo.

Achas que ele estava a vigiá-la?

Talvez. No dia seguinte seguiu-me, por isso tirei a matrícula.

Tem a certeza?

Não estarás a imaginar coisas?

És mesmo chata.

Fiona! Desculpa. Estou um bocado tensa...

Estás sempre tensa, e nunca queres ajuda.

O café é intragável. Queres um?

Sra. Kearney?

Pode entrar.

Eu espero por ti.

Esforça-te, querida!

Mandar bolas para a rede não o vai levar a Roland-Garros!

Já te disse que estou a escrever um livro?

Estou a ajustar contas com aqueles idiotas.

Tens a certeza que é boa altura?

O Hollande há de te oferecer algo eventualmente.

Com os escândalos que me tenta colar?

Não vou receber nada, e também não quero saber.

Vou tratar da minha vida sozinha!

Fiquei chocada por a AREVA estar a investigar o teu marido,

- a acusar-te... - É intimidação.

Recebo chamadas anónimas, ameaças...

Pensam que me assustam, mas eu já percebi o jogo deles!

Contratei um segurança para os meus filhos.

Tu também devias ter cuidado.

Eles não aceitam isto, ainda mais vindo de uma mulher.

Ter cuidado com quem, exatamente?

Além do Oursel e da trupe dele.

Alexandre Djouhri, amigo do Sarko que faz o trabalho sujo.

Agora estou na mira dele, mas depois serás tu.

Sinceramente, nem acredito...

Se se puderem vingar, vão fazê-lo. Acredita em mim.

Como vai o nosso assunto?

Estou a mover montanhas, mas ninguém ouve.

Tens de apontar alto. Muito alto.

O presidente?

E este tipo da EDF a entregar informações agora?

Coincidência estranha, não?

Disseste que eu podia sempre contar contigo...

Já não confias em mim?

Revelações sobre Alexandre Djouhri

Querem acrescentar mais datas, mas posso recusar.

Está tudo bem. Tenho tanto trabalho...

Chego a casa na terça...

Maureen, estás a ouvir-me?

- Estás a ouvir-me? - Sim!

Pensei que a chamada tinha caído. Sem rede.

A linha está péssima.

Tenho de carregar o camião. Amo-te.

Também te amo!

Gilles! Olá?

Mete-te na tua vida, ou então...

O jornal interno da EDF publicou isto!

O mês passado, em Avignon.

O Proglio e a sua equipa secreta ameaçam jornalistas que falam disto.

Que equipa secreta? Isto não é a Ucrânia...

Os jornalistas foram hackeados, e os dados roubados...

Espera aí!

Já viste este tipo antes?

Alexandre Djouhri? Um psicopata.

É intermediário em negócios sujos.

- Um homem dos sacos? - Sim, e não só.

Não me estás a contar tudo.

E a Lauvergeon?

Estudaram engenharia juntas.

A AREVA está a recuperar.

O nosso fluxo de caixa está equilibrado pela primeira vez em oito anos.

Tenho provas de que mente, Sr. Oursel.

O que ganhou com os chineses e a EDF

antes de aceitar assinar?

Se o acordo falhar e perdermos empregos, será sua culpa!

Vai ser por sua culpa!

Finalmente! Já era tempo...

Informou o governo?

Porque havia de lhe responder?

É uma marioneta da Lauvergeon!

Ela é uma mentirosa, pensa que é perfeita!

Tem tomates. Como você diria.

Também tenho provas.

Sei das suas reuniões secretas.

Não justifique os seus fracassos com conspirações imaginárias.

Você é capacho do Proglio.

Olá. Daqui fala a Maureen Kearney.

Gostaria de marcar uma reunião com o Presidente Hollande.

O mais rápido possível. É urgente.

Segunda-feira serve.

A qualquer hora. Eu organizo-me.

Obrigada.

Maureen, está tudo bem?

Teve um traumatismo grave no ombro direito.

Os tendões da coifa dos rotadores estão afetados,

o que está a causar a dor...

Vai ter de evitar carregar pesos e descansar...

Tens a certeza de que queres ir?

Não tens de arruinar a tua saúde...

Um ombro lesionado por 50 mil empregos é barato.

É mais do que uma lesão.

Não vou parar até apanhá-los, aqueles cabrões.

Estás obcecada, e isso é uma grande chatice!

Obrigada pelo apoio.

Certifica-te de que a eletricidade está cortada.

Bom dia.

Merda.

Queres que te leve à estação?

Desculpa o atraso.

Não estás convidada.

- O que faço? - Vai!

- Devo ir? - Sim.

Sente-se.

O que espera com essas ameaças legais?

Obstrução? A sério?

Tem uma semana para responder às nossas perguntas

sobre a aliança entre a EDF e os chineses.

Isto é chantagem?

Acha que uma sindicalista me pode intimidar?

Sr. Oursel, tenho 50 mil trabalhadores atrás de mim.

E ministros do governo.

E o Presidente Hollande também?

É uma mentirosa completa!

Tenho sacrificado a minha vida há meses para salvar a AREVA!

Não vou deixar que se atravesse no meu caminho.

Vou reduzi-lo a pó.

Leve-me a tribunal.

Força, se quiser!

Agora saia.

Fora!

Adeus, Sr. Oursel.

Vou-me deitar.

Amanhã tenho um dia em cheio.

- Levo-te ao cirurgião? - Não, está bem.

Depois vou ver o Hollande.

É a minha última hipótese.

Se não resultar, não sei o que fazer.

Talvez uma greve de fome?

Diverte-te com o jogo.

Ligas-me se aparecer uma cabeça de cavalo na cama?

- Estás bem? - Estou.

NÚMERO PRIVADO

Achas que me assustas?

Estás a perder o teu tempo.

Maureen?

Estou aqui!

Estás aí em cima?

Olá, Alto.

Cãozinho querido.

Quem é o melhor cão?

Ajuda-me.

Desculpa.

O que aconteceu?

Deixa-me ajudar-te. Vou tirar isto.

Estou há um ano a trabalhar num assunto sensível na AREVA.

Tinha uma reunião marcada com o Presidente Hollande.

Acho que há uma ligação.

Pode dizer-nos mais?

Estava a ser pressionada?

Estou habituada a levar umas pancadas. Faz parte do trabalho.

Tem inimigos fora do trabalho?

A Kearney foi atacada em casa. O que se passa?

Não está a achar que eu estou envolvido?

O seu trabalho é acalmar a situação.

Quando é que esta confusão sindical vai acabar?

Estou a impedir que a energia nuclear francesa exploda em pleno voo, senhor.

Esta confusão vai causar um incidente diplomático com a China.

É assim que vamos vender as vossas centrais?

Que se foda.

Boa noite.

Vou passear o Alto.

Vem!

Bom dia, Capitão.

Bom dia.

O ataque à Sra. Kearney...

Viu ou ouviu algo naquela direção?

O ataque à Sra. Kearney, na nº 10, ontem...

Estou a ouvir.

Aparentemente, sou como ela,

o que não facilita a vida.

Mas a nossa família é muito unida.

Vou deitar-me.

Como estão as coisas com a tua esposa?

Estamos juntos há 20 anos, portanto, há altos e baixos.

Mas amamo-nos.

A nossa relação era estritamente profissional.

Nunca tivemos uma relação privada de qualquer tipo,

embora, claro, depois de sair da AREVA, a nossa ligação se manteve...

cordial.

A Maureen é uma mulher decidida, mas via-se que estava a chegar ao limite.

Ela devia ter parado.

Ela foi longe demais.

Que tipo de mulher é ela?

Ela é uma mulher simples,

ou seja, direta.

Ela é uma lutadora, com muita energia.

E o mais surpreendente é que há algo de frágil nela,

ela precisa de se sentir sempre apoiada.

Talvez a Sra. Kearney se sinta negligenciada pelo marido,

o que explicaria o seu compromisso com o negócio da AREVA?

Não conheces a Maureen. O trabalho dela é a sua adrenalina.

Acho que é uma tentativa de intimidação.

Ela está a chatear alguém.

A Sra. Kearney partilhou consigo a pressão que estava a sofrer?

Sim.

Ela sentiu muita pressão sobre o acordo EDF-China,

algo que a chocou.

Obcecada, na verdade...

A Maureen é muito persistente,

mas encontrou resistência.

Ninguém acreditou nela.

Ela não sabia o que fazer.

A Sra. Kearney é uma delegada sindical insignificante que se entusiasma com nada.

Desesperada por estar no centro das atenções,

destacando as suas conexões políticas.

Sei que ela estava sob pressão.

A sua direção não estava a responder

quanto aos projetos AREVA-China.

Acha que o ataque está relacionado com as suas atividades sindicais?

Tenho dificuldades em acreditar nisso.

- Eu tratei-a durante dez anos. - Obrigado.

Teve ou tem

algum controlo psicológico sobre a Sra. Kearney?

Isto é uma pergunta séria?

Se a minha empregada não tivesse chamado a polícia, eu nunca teria feito nada.

Eu teria simplesmente desistido.

O meu trabalho e tudo o resto.

- Olá. - Bom dia.

Jean-Pierre Bachman. Tenho uma reunião com a Sra. Kearney.

- Já sabemos. Pode passar. - Obrigado.

Acabou de ser lançado. Ainda não leu?

Não.

Mas não consigo ler. Nem sequer o jornal.

Estou furioso comigo mesmo.

Devia ter levado as ameaças a sério.

Não fiques, a culpa é minha.

E está tudo bem, não estou morta.

Vou comer isso mais tarde.

Novidades do Oursel?

Já te mostrou o acordo com os chineses?

Ainda não.

Já o intimaram?

Não.

O conselho de empresa decidiu não o fazer...

Estamos todos tão chocados...

Está toda a gente com medo, a pensar quem será o próximo.

Podes levar isto contigo. Não o vou comer.

Descansa.

- Tenta esquecer isso tudo. - Esquecer?

Queres ver o "A" gravado no meu estômago?

Estás maluca? O que estás a fazer?

Não aguentava vê-las.

Não podes destruir a cena do crime!

E se houver provas?

Estas cadeiras estavam seladas?

Não.

- O que vai pensar a polícia? - Não querem saber.

Viste o que levaram como prova?

Vai correr tudo bem.

Agora estou aqui.

Como teu advogado, vou ajudar-te a esclarecer o ataque.

Obrigado.

Gostava de provar que foste vítima de uma campanha de desestabilização,

- feita para te deitar abaixo. - Por quem?

Consegue provar que a EDF ou a AREVA organizaram tal coisa?

Vamos descobrir.

Não importa quem possamos incomodar, mesmo que sejam espiões,

porque a verdade está do nosso lado.

Tenho de ir.

Tenho uma consulta com o meu psicólogo.

E preciso de cortar o cabelo.

Mas estamos a fazer isto por ti.

E também estou a fazer isto por mim.

Deixo-te o meu cartão, caso precises de falar comigo.

O teu cão parece simpático.

É, mas já é muito velho.

Vinhas para te encontrar com o meu marido?

O Tiresias?

Ele não vem.

Morreu há duas semanas.

Ataque cardíaco.

Vamos dar uma volta?

Lamento imenso.

Tinham um caso?

Não, ele só me estava a ajudar.

Devo parecer ridícula, mas precisava de saber.

Ele gostava de mulheres como tu.

Tem cuidado. Adeus.

Vou a Paris.

Tenho saudades do ar poluído!

Queres que te traga umas partículas finas?

Ótimo! Bom dia para ti.

Sim, bom dia.

Tudo certo!

Fico feliz por te ver de pé.

Depende do dia.

Como estás?

A cada remodelação do governo, dizem que vou entrar. Mas não.

São só rumores.

É por minha culpa...

Que disparate estás a dizer?

Somos ambas vítimas...

A investigação está a correr bem?

Fala-se de um intermediário

que se entusiasmou demais com as comissões...

Luvas.

Como nas fragatas de Taiwan.

Ouviste dizer que somos tema de mexericos sociais?

Nós?

Porquê?

Dizem que eu estou por trás das fugas sobre os contratos com a China,

e que tu és a minha marioneta

e que te pedi para te sacrificares para salvar o meu império.

Isso é típico do Oursel.

Qualquer dia dizem que andamos a dormir juntas.

Disseste aos investigadores que nos encontrávamos?

Acho que não...

A minha cabeça anda muito baralhada.

Temos de saber.

É importante.

Pensando bem, tenho a certeza que não.

Não disse nada.

Ótimo. E não digas nada.

Eles estão sempre à procura de confusão.

Talvez devêssemos contar à polícia

sobre os subornos e os intermediários?

Quem? Eu?

Teria mais peso vindo de ti.

Não?

Por que não nos disseste sobre Paris?

Sabemos que viste a Lauvergeon no Lutetia.

Pensávamos que estavas a proteger-nos, não a espiar-nos.

Foste convocada pela unidade forense.

Com urgência.

Levo-te lá.

Até logo.

Se consente, gostava de fazer um novo exame ginecológico.

Também preciso de ver as marcas no seu estômago.

Espere aqui. Volto já.

Se não se importar, preciso de fazer um último teste.

Que teste?

Sente-se para eu poder inserir um espéculo de 8cm na sua vagina.

Do mesmo tamanho que a faca.

Tem autoridade para isso? Foi o capitão que lhe pediu?

Queremos apenas confirmar algumas coisas. Com a sua autorização, claro.

E se eu recusar?

E se eu recusar?

Já apliquei lubrificante.

Não se preocupe, será rápido. Abra as pernas.

Relaxe.

Está tudo bem?

Claro que está. Porque pergunta?

Pronto. Viu? Não foi nada.

Está alguém aqui?

Senti uma mão.

Obrigado. Estamos bem.

É o teu braço. Deve ter adormecido.

Não sinto nada.

Tens de o mexer. Adormeceu.

Faz o sangue circular.

Vai passar.

Há muito tempo que não me fazes uma massagem.

Queres?

Com os seguranças por todo o lado?

Que se lixe.

A minha empregada chegou. Foram horas até ela aparecer.

Ele não me matou.

Estava na casa de banho, a maquilhar-me,

a arranjar o cabelo.

Antes disso estava na cozinha, bebi uma chávena de chá.

Bebo muito chá.

Têm café? Para mim, aqui?

Já volto.

É incrível como ela recita aquilo, tão composta...

Se não falha, nem ao contrário, está a dizer a verdade.

Ou decorou tudo de cor, como uma boa mentirosa...

Deixa-a ferver mais dez minutos e depois trá-la ao meu gabinete.

Se fosse um homem com uma faca no cu, acreditavas nele?

Viste o relatório forense?

A faca teria sido expulsa pela vagina.

Esse médico nunca ouviu falar de pensos internos?

Quando ele te tapou os olhos, não reagiste?

Estava com demasiado medo. Fiquei paralisada.

Gritaste?

Acho que sim, mas ninguém ouviria.

Viste alguma coisa ao espelho?

Nada.

O teu cão estava em casa.

Latiu?

Nem se mexeu. Já é velho.

Quando ele gravou o "A" no teu estômago,

não resististe?

Foi estranho,

vi-me de fora...

Não doeu.

Depois de ele sair,

tentaste libertar-te?

Não consegui.

Pensei que me tinha aberto o ventre. Senti...

as minhas entranhas, nos meus joelhos.

O calor das minhas entranhas.

Lês muitos romances policiais, não é?

O que é que te atrai neles?

Porque é que sublinhaste estas passagens todas?

Os médicos dizem que ela não age como uma vítima de violação.

Acham que ela inventou tudo?

Não temos pistas, nem sequer das ameaças de que ela fala.

Temos de nos questionar...

Sem agressor, não há agressão?

Então foi tudo encenado?

Com automutilação? Seria gravíssimo.

Revistámos o consultório do psiquiatra dela.

Aqui está uma cópia do seu ficheiro clínico.

Vai ver, ela é psicologicamente instável.

Talvez tenha simplesmente perdido o controlo?

Há muita pressão política em torno deste caso.

Em altos cargos acham que a vida dela corre perigo.

Nem tu nem eu podemos errar.

Fui eleita pela federação para implementar um verdadeiro plano social.

Estás no jornal!

Nada de grave, espero?

França-China: Segredo de Estado

Kearney, um ataque encenado?

Inacreditável! Dizem que sou uma ex-alcoólica maluca.

Podias ter guardado este pasquim para ti!

Ela está de rastos, pai.

É pesado, e mexe com muita coisa.

Temos polícias no quintal, e jornalistas a escrever porcarias sobre nós.

Homens de farda são sexy!

Talvez fique cá esta noite.

Aceitam-me?

Posso arranjar substituto.

Os concertos vão fazer-te bem.

E o que pode acontecer aqui agora?

Vai antes que mude de ideias.

Obrigada.

Vamos, malta.

Só mais uma, por favor.

Fiquem mais um bocadinho.

Está bem. Mas é mesmo a última.

Um copo de Calvados?

- Obrigado por vires. - Claro, velho amigo.

Já passou algum tempo. Como tens estado?

Mal.

Isto já dura há demasiado tempo. Não me está a fazer bem.

A sindicalista?

Tens alguma pista?

O responsável pelo inquérito está a começar a duvidar da história dela.

A sério?

Sabias que ela tentou suicidar-se há uns anos?

Tenho-te dito: ela é maluca!

Quer deitar tudo abaixo, como uma kamikaze!

O Montebourg parece achar que ela tem verdadeiro poder de influência.

Poder para incomodar!

Ela faz-me parecer incompetente.

Põe-te no meu lugar!

Estou farto de ser o bode expiatório quando só tento resolver os erros dos outros.

Espero que consigas resolver isto rapidamente.

Sra. Kearney?

Capitão Brémont.

Pode vir à esquadra com o seu marido amanhã?

Sr. Hugo, venha comigo, por favor.

- Estás bem, Maureen? - Sim, tudo bem!

Tens de ser forte e manter a calma.

- Bom dia, Sra. Kearney. - Bom dia.

Entre.

Capitão de investigação Nicolas Brémont

A partir deste momento, está detida para interrogatório.

Está sob suspeita de denúncia falsa.

Mas isso é absurdo!

As análises feitas na sua casa são claras.

Não há impressões digitais que não sejam suas ou da sua família.

- Ele usava luvas! - Mesmo as luvas deixam vestígios,

partículas.

Também não encontrámos ADN.

Isso é impossível.

Tem razão, pois é.

Agressões sem agressor não existem.

Como resultado, a investigação por violação foi encerrada.

Por mais estranho que pareça,

deixou de ser vítima para passar a ser suspeita.

Não há provas nem testemunhas que corroborem a sua história.

Fui ameaçada e violada!

E a cicatriz? Quem fez aquilo?

Soltem-me! Não me toquem!

Por favor.

Reconhece esta fita-cola?

Não é fita-cola, é fita gaffer.

É do tipo que uso no trabalho. Tenho dela no anexo.

Isto veio das algemas improvisadas da sua mulher.

- Parece-se com a sua... - Pare de dizer que é minha.

Outras pessoas usam o mesmo.

A fita, o chapéu, a faca...

Tudo o que foi usado no ataque veio da vossa casa.

Profissionais que aparecem de mãos vazias é estranho, não acha?

Os vizinhos não viram nada.

Nenhum rasto de estranhos na vossa casa.

O tipo não vai deixar ADN por todo o lado.

Está a ver, Sr. Hugo,

não acreditamos na história da sua mulher.

A história do contrato com os chineses...

talvez tenha fugido ao controlo?

Agora precisa de nos ajudar a fazer com que ela confesse.

Vocês são doentes!

Um já chega.

Aceita continuar o interrogatório?

- Posso ir à casa de banho primeiro? - Claro. Levamo-la.

A sua mulher é ex-alcoólica?

Vai ao psiquiatra?

E depois?

Achamos que a sua mulher encenou tudo

antes da empregada chegar.

As algemas com fita.

Uma criança de dez anos conseguiria soltar-se.

Chega.

Já tive o suficiente.

Acalme-se, Sr. Hugo.

Acalmar?

Quando acham que ela se automutilou?

Estão completamente loucos!

- Sente-se. - Sento-me se me apetecer!

Estou acusado de alguma coisa?

Acusaram-me de algo?

Estava a dizer ao seu advogado que seria útil irmos a sua casa,

recriar as condições do dia do ataque.

Aceita?

Estava a maquilhar-me.

Depois alguém puxou-me um chapéu pela cabeça.

De frente para o espelho, não viu o atacante?

Não.

Muito bem, continue...

Senti uma arma nas costas.

Fez-me sentar naquele banco,

e tapou-me a boca com fita.

Depois mandou-me levantar e obrigou-me a ir para a lavandaria.

Mostre-nos.

Com licença.

Disse que o seu cão não reagiu?

É surdo e quase cego. Às vezes reage, outras vezes não.

Como for mais conveniente...

Fez-me sentar numa cadeira.

Onde está ela?

A memória era demasiado dolorosa, por isso...

Queimámo-la.

Com certeza.

Vou buscar outra.

Depois de se sentar?

Começou a atar-me. Primeiro os pés, depois as mãos.

Ficou irritado, não conseguia ver nada.

Disse que era o meu último aviso.

Pensei que me ia esfaquear.

Depois começou a cortar linhas...

no meu estômago.

Ele já tinha a faca?

Não, encontrou-a aqui. É nossa.

Onde a guardam?

Na gaveta da direita.

Levante um pouco, ela prende.

Entendi.

Quem beneficiaria em silenciá-la?

Alguns intermediários, talvez?

- Num contrato desses... - Tem provas?

Está completamente sozinha.

Todos a abandonaram.

Começando pelo seu marido.

Quer ouvi-lo dizer isso?

O "A" gravado na sua barriga...

foi para incriminar a AREVA?

E queimar a cadeira foi para destruir provas?

Em que romance policial encontrou isso?

Sobretudo,

porque não tentou expulsar a faca que estava na sua vagina?

Tentei, acho...

Seria melhor dizer-me a verdade.

Não está mesmo a ajudar-me...

Não gosto de pessoas como você.

Já chega disto, não?

Se não confessar,

um rolo compressor político e mediático vai esmagá-la.

Nunca mais vai recuperar.

Nem a sua família.

Por isso, diga a verdade.

Será mais fácil se falar agora.

Fale!

Não quero que volte a acontecer.

Com tudo o que passou,

é normal perder o controlo.

Inventei tudo. Fiz tudo isto.

Devo ter quebrado.

Posso fumar um cigarro, por favor?

Obrigada.

- Vai-se embora? - Sim.

Obrigado pela hospitalidade.

Talvez não devesse, mas eu e os colegas queríamos dizer-lhe...

Tenha cuidado.

Esteja atenta.

Sr. E Sra. Oursel, a vossa mesa está pronta.

Obrigado.

Até breve, Sr. Cazeneuve.

Adeus.

Com licença, volto já.

Sr. Montebourg! Soube da novidade?

Eu disse-lhe!

A sindicalista é maluca.

Inventou tudo. Foi tudo encenado.

Ouvi na rádio.

Mas sejamos prudentes.

Ainda tem dúvidas? Aquela mulher está completamente louca!

Se tivesse feito o seu trabalho, nada disto teria acontecido.

A minha cabeça está a andar à roda!

Respira, Luc.

Respira.

- Dói-me. - Vou dar-te o teu medicamento.

Que tipo de trabalho faz para estar aqui a esta hora?

Escrevo livros.

De que género?

Romances policiais.

Adoro policiais.

Em que está a trabalhar?

Estou a escrever sobre uma mulher que encena a própria violação.

Isso é sombrio.

Muito sombrio.

Como acaba?

Olá, Maureen, é o Jean-Pierre.

Aconteça o que acontecer, para nós, serás sempre a vítima.

Um grande abraço.

O que é que ele está a fazer?

Capitão, tenho algo.

Sim?

22 de junho de 2006, três homens mascarados atacaram uma mulher.

O marido trabalhava na Veolia, a empresa de águas.

Violaram-na e fizeram incisões na pele.

Há malucos por todo o lado!

O modo de operação é parecido com o da Maureen Kearney.

Sem provas, sem testemunhas, sem ADN.

Não devíamos investigar isto?

Esse artigo é tudo o que tens?

A polícia não tem o processo. Nem o Ministério Público.

Foi tudo destruído.

- Não sejas paranoica, é o procedimento. - Sim, mas...

Chambard, acorda!

Vamos ter a confissão por escrito dela.

O caso Kearney está encerrado.

Deixa de perder tempo.

É uma ordem.

Podes ir agora.

É grave?

Grave foi o que aconteceu ontem com a polícia.

Foi inacreditável.

Queres que eu retire o que disse?

Nada bate certo.

Não faz sentido.

Se começarmos de novo, vão ser anos, e vai destruir-nos.

Vou escrever uma confissão e seguir em frente.

Vais explicar também como te amarraste sozinha?

Podes mostrar-me?

Queres fita-cola?

Estás a tentar proteger-nos, mas sei que te vais arrepender.

Não percebo. Já não é por exaustão?

Exaustão não se manifesta assim.

Isto foi mais, digamos...

como perder o juízo, ou síndrome de Münchhausen.

Quando se inventam sintomas imaginários,

para chamar a atenção.

Como ninguém me ouvia,

e eu estava sob pressão, completamente encurralada,

a única solução era ser uma vítima.

Uma violação ou agressão não se nega.

Assim obrigo as pessoas a ouvirem, e fico no centro de um grande escândalo.

Funciona.

O quê?

Tens a certeza disto?

"Introduzi uma faca na minha vagina..."

Tens razão.

Não é possível.

Não consigo. Nunca recuperaria disso.

Sra. Kearney!

Um dos juízes está indisponível. A audiência foi adiada.

E a reabertura da investigação? Por violação e atos bárbaros?

Apresentei um pedido, mas ainda não há resposta...

O que é mais importante do que a minha audiência?

- Acalme-se. - Já chega! Nada de acalmar!

Tiveram tempo para me arrancar uma confissão, mas não para reabrir o meu caso?

- Não me toques, dói. - Vamos embora.

Não se preocupe, vai correr tudo bem.

Vamos deixar o seu ombro como novo.

QUATRO ANOS MAIS TARDE

ABRIL DE 2017

Processos por falsas declarações são raros.

As acusações contra si são fracas.

Devem ser arquivadas.

Mas temos de falar de algo que encontrei no seu processo...

O quê?

A sua primeira violação.

O difícil é que, na altura,

os advogados do arguido conseguiram lançar dúvidas sobre o seu testemunho.

Sim,

porque, nessa altura, quando o tipo que me deu boleia...

me violou, eu não o enfrentei.

Mas havia outro problema nesse ataque...

Não usava roupa interior...

...debaixo das collants?

- Sim. - Tinha vinte anos.

Mesmo assim, o violador

beneficiou de "atenuantes".

Só apanhou três anos, dois com pena suspensa.

O tribunal não acreditou em mim.

Já não era uma “boa vítima”, não é?

É isso?

Este tribunal não pode mudar...

Não quero ir para a prisão.

Vai correr bem.

Dizem que ela é severa, mas justa.

Caso número três.

Estado contra Maureen Kearney

Falsa declaração

a uma autoridade judicial, resultando em investigações desnecessárias.

Não se bebe de garrafas no tribunal. Isto não é um piquenique.

Aproxime-se do banco e diga a sua identidade.

O meu nome é Maureen Kearney.

Afirma ter sido violada e sujeita a atos de barbárie

na sua casa a 17 de dezembro de 2012.

A investigação da polícia de Versalhes

revelou inconsistências no seu testemunho,

e admitiu ter imaginado os factos antes de retirar essa declaração.

Recordo que arrisca uma pena máxima

de seis meses de prisão e uma multa de 7500 euros.

Como responde à acusação de falsa declaração?

Sou inocente.

Fui mesmo atacada a 17 de dezembro de 2012.

A que horas?

Entre as 6:30 e as 7:00, creio eu.

Foi o que disse no meu depoimento.

Não perguntei o que memorizou com o seu advogado.

Perguntei o que se lembra.

Há muita coisa de que já não me lembro.

Quando achamos que vamos morrer,

o cérebro não reage normalmente.

Está habituada a jogos de poder. O sindicalismo não é um conto de fadas.

Está claro que isso a afetou.

Levou os seus confrontos com o Sr. Oursel para o lado pessoal.

Não,

não levei para o lado pessoal.

O Luc Oursel era irascível. Era conhecido por isso.

Lamento que tenha morrido tão jovem. Gostaria de ouvir a sua versão.

Esse caso deixou-o doente, como se tivesse sido devorado por dentro.

Voltemos aos factos. O que tinha contra ele?

O Sr. Oursel deixava todos em stress. Podia ser muito agressivo.

Atirou-me com uma cadeira.

Tinha-o pressionado durante semanas.

Ele explodiu. Já estava à espera?

Estava obcecada com o contrato com a China.

A sua filha disse que tinha tendências suicidas...

Começou a tomar antidepressivos pouco antes dos factos que relata.

Não tem sonhos estranhos

quando toma esses medicamentos?

Não, eu...

Não estava a sonhar.

Como explica que o agressor tenha vindo de mãos vazias?

Não sei. Nunca ataquei ninguém.

Disse que o agressor lhe atou os pés antes das mãos.

Isso não é lógico.

Nem usar fita torcida para prender as mãos.

Mas faz sentido se foi a própria a fazê-lo,

não acha?

Baixar as collants parece pouco prático para um agressor.

Rasgar seria mais lógico.

Não usava cuecas por baixo das collants?

Outra inconsistência

é ter dito que passaram seis horas

entre a agressão e a chegada da sua empregada.

Seis horas durante as quais

não teve qualquer reação fisiológica para expulsar a faca da sua vagina.

Como explica isso?

Sra. Kearney?

Pode responder à pergunta?

Maureen.

Aqui é o Duchesne.

Acabei de falar com o escrivão.

Foste considerada culpada, com pena suspensa de cinco meses

e uma multa de 5000 euros.

Até saíste bem.

Vamos começar.

É a tua vez, Sr. Secretário-Geral

da Federação dos Sindicatos da Energia Nuclear!

Ainda podemos brincar agora que fazes parte da elite?

Dizes tu?

Força, joga.

Cuidado. Podes pensar que consegues mudar o mundo, mas isso paga-se caro.

Vou recorrer.

Tens a certeza?

Já falaste com o teu advogado?

Ainda não.

Primeiro vou rever o processo,

tentar encontrar novas pistas.

Ou pelo menos procurá-las.

Tentar perceber.

E depois...

procuro outro advogado.

Trunfo!

Ganhei!

...biológico, feito com as melhores técnicas artesanais...

Obrigado, Sr. Ministro Montebourg.

E agora, as notícias...

Sr. Montebourg!

Sou o Gilles, marido da Maureen Kearney.

A Maureen...

Foi uma grande injustiça. Como é que ela está?

Está a recuperar.

Ainda bem. Aquilo foi um escândalo...

Sei que ela quer recorrer, e compreendo.

Diga-lhe que pode contar comigo.

Espero sinceramente que seja ilibada e se descubra quem fez aquilo.

Tudo de bom.

Gilles, acorda! O alarme de incêndio!

Liga para os bombeiros!

Mas que raio estás a fazer? Anda!

Larga-me!

É estranho.

Não consigo ver onde começou o incêndio.

Mas está apagado e não há perigo.

Podem voltar para casa.

- Tenham um bom dia. - Obrigada.

120/70. Vai ficar bem.

Arriscaste a vida por isto.

Eu não menti.

O meu registo policial diz que sou maluca e mentirosa...

Eu não menti!

Não interessa o que eles pensam!

Interessa sim! É a minha última oportunidade.

Tenho de encontrar provas de que não menti.

Então...

E da próxima vez?

Se a casa toda virar um churrasco,

o que fazemos?

Precisas de ajuda? Sozinha não parece fácil.

E antes de prender as mãos, tens de pôr o gorro...

Sem falar do resto...

Ninguém tentou!

Ninguém me perguntou como é que eu fiz isto, na realidade.

Louco, não?

Fecha os cortinados. Se alguém te vir, não ajuda em nada o teu caso.

- Olá, Sra. Kearney. - Olá.

Obrigada por ter vindo encontrar-me.

Hesitei.

Não estava entusiasmada por voltar a vê-la, Sra. Chambard.

Compreendo.

Podemos sentar-nos?

Na altura eu era agente auxiliar,

e não gostei de como a sua agressão foi investigada.

Refere-se àquela que eu inventei do nada?

Durante a investigação, encontrei algo.

Os meus superiores não se convenceram, mas...

Ex-CEO da Veolia: "Recebi ameaças de morte."

Inquérito Preliminar Depoimento da Vítima

Eram três, com máscaras de esqui...

Gostava de o ter feito mais cedo.

- Posso ficar com isto? - Claro.

O meu marido era engenheiro na Veolia,

em tratamento de águas.

Estava a trabalhar num novo contrato

de vários milhares de milhões de euros nos países do Golfo.

Foi apresentado ao homem num almoço com um investidor...

"Aquele sem quem o Henri Proglio não seria ninguém".

Alexandre Djouhri.

Uns dias depois, num outro almoço,

as coisas aqueceram.

Djouhri queria a sua comissão de 20%.

O investidor recusou, e o meu marido apoiou-o.

Foi despedido da Veolia com um pretexto qualquer.

O Djouhri e o investidor...

foram notícia de primeira página quando discutiram no George V.

O meu marido contou à polícia

sobre subornos pagos pela Veolia no Médio Oriente,

e a nossa vida virou um inferno.

Começámos a receber ameaças.

Fomos à polícia, e aí começou o filme de terror.

"Fecha a boca" e "Estás morto" no carro, na caixa do correio...

Uma tarde estava sozinha, a trabalhar em casa.

As crianças tinham acabado de sair.

Estava calor e a porta dos fundos estava aberta.

Eram três, todos vestidos de preto,

com máscaras de esqui.

Quando entraram, não consegui fazer nada.

Era impossível defender-me.

Arrastaram-me para a cozinha,

ataram-me as mãos,

e deitaram-me na mesa.

Usaram um x-ato para me marcar uma cruz no estômago,

e um caixão sobre o peito esquerdo.

Depois violaram-me os três,

um de cada vez.

Parecia que durava horas, e perdi os sentidos.

Quando fomos à polícia,

os detetives disseram que deviam ser profissionais.

Sem impressões, sem ADN...

Não tinham pistas, e o meu relato não era muito coerente.

Perguntaram-se se eu teria inventado tudo.

Esta investigação merece nota negativa. Nunca vi nada assim.

Está cheia de erros e mentiras, e sem uma única prova.

Só prova uma coisa: a opinião do agente que a redigiu.

É uma honra que a Sra. Kearney me tenha escolhido para a defender.

O Sr. Temime demonstrou

que eu não podia ter atado as mãos sozinha nas costas.

Sofria de uma rotura no ombro na altura da agressão.

O meu cirurgião vai testemunhar.

Outras novas provas vão permitir finalmente revelar a verdade.

Pode dizer-nos mais?

A mulher de um funcionário da Veolia apresentou queixa

por uma agressão semelhante à da minha cliente.

Quase ninguém soube disso.

Os media mal noticiaram o caso.

Qual é a sua teoria do caso?

É possível que os mesmos agressores tenham atacado ambas as mulheres,

com seis anos de diferença.

A escolha das vítimas: duas mulheres com passados complexos,

algo frágeis, que já tinham sido agredidas sexualmente.

Tentativas depravadas de quebrar mulheres

vistas como elos fracos

por homens que não deixaram nada ao acaso.

Tem provas?

Entre.

- Sra. Kearney. - Bom dia, Sr. Brémont.

Quis informá-lo pessoalmente que vai receber uma notificação.

Vou recorrer da minha condenação.

Então aqui tem os meus registos telefónicos de 2012.

Realcei para si as duas chamadas anónimas

que, segundo a sua investigação, não existiram.

Pode ficar com isso.

É só uma primeira prova para deixar de transformar vítimas em culpadas.

Vemo-nos em tribunal, Sr. Brémont?

Adeus.

19 de Setembro de 2018

Maureen!

Estamos contigo. Boa sorte!

Felizmente para a minha cliente, a sua mente permitiu-lhe escapar do seu corpo.

Não gritou de dor quando o agressor lhe introduziu

um objeto à força na vagina.

A faca? Ela não a sentiu.

Não sentiu nada, na verdade.

Não sabia onde estava nem o que estava a acontecer.

Já não estava ali.

Foi criticada por não se ter defendido,

por não se tentar libertar das amarras,

por ter ficado paralisada.

Convenientemente esqueceram-se também

de que qualquer movimento do ombro

lhe provocava descargas elétricas no corpo.

O seu pequeno corpo foi ferido, torturado,

amordaçado de surpresa,

e encapuzado,

não se defendeu

de um agressor que podia muito bem estar armado?

A Sra. Kearney não foi uma boa vítima.

Uma verdadeira vítima, segundo os senhores investigadores,

não se comporta como ela.

Esqueceram-se também: todas as impressões digitais

eram da mão esquerda da Sra. Kearney, sendo ela destra.

Na altura dos factos, não podia usar a mão direita,

muito menos atar as mãos sozinha atrás das costas com fita.

Nenhuma das análises de ADN dos objetos do local do crime

foi conservada.

Nenhuma!

As provas enviadas para o laboratório forense nunca voltaram.

Todas as amostras desapareceram,

como por magia!

Maureen Kearney

foi imediatamente considerada uma mentirosa.

Porquê?

Pois é...

Havia aquela primeira agressão sexual...

Como tinha sido violada aos 20 anos,

a Sra. Kearney teria então tendência para inventar outra violação?

A Sra. Kearney é hoje culpada por ter sido vítima ontem?

Não é isso que está a sugerir, Sra. Procuradora?

A 7 de Novembro de 2018, o tribunal de recurso de Versalhes

absolveu Maureen Kearney das acusações que pendiam sobre ela.

Na sua sentença, o tribunal denunciou as falhas evidentes da investigação.

Primeiro exemplo:

Eles dizem que devemos sempre usar o uniforme escolar.

Na sequência desta sentença,

nenhuma investigação sobre a agressão a Maureen Kearney foi reaberta.

Até hoje, o seu agressor continua por identificar.

Em 2016, quando a AREVA foi desmantelada,

a atividade de 'reatores' foi transferida para a EDF,

que manteve apenas 1200 engenheiros da AREVA.

A EDF associou-se depois ao grupo chinês CGNPC

para construir centrais nucleares em Inglaterra,

dando-lhe assim acesso ao know-how e tecnologias desenvolvidas pela AREVA.

Assim, desde 2020, a China tem construído centrais nucleares 100% chinesas

com o objetivo de as vender em todo o mundo... incluindo em França.

Comissão de inquérito da Assembleia Nacional

sobre o setor nuclear francês

Senhoras e senhores, silêncio por favor.

A sessão está aberta.

Sra. Kearney, faça agora o juramento

de dizer a verdade, toda a verdade e nada mais que a verdade.

Levante a mão direita e diga: "Juro."

Juro.

Obrigado, senhora. Tem a palavra.

Obrigada, Sr. Presidente.

Excelentíssimos Deputados e Relatores,

após o desmantelamento da AREVA, e o desastre que se seguiu,

como eu previa,

e proclamei durante meses,

milhares de empregos foram destruídos.

Podem procurar pelos milhares de vítimas sem nome, sem rosto, sem voz

na imprensa ou noutro lugar,

mas não resta nada.

Nem um vestígio, exceto eu.

Sou a única que ainda tem um nome, um rosto e uma voz.

Durante muito tempo, fui a "senhora do sindicato da AREVA".

Ou pelo menos era assim que me chamavam.

O meu nome é Maureen Kearney.

Não menti,

e não inventei nada.

Dedicado à Hélène, minha irmã.

Henri Proglio nega envolvimento em agressões reais ou supostas

contra duas pessoas, cuja existência desconhecia

durante os seus mandatos na Veolia e EDF.

Nem a polícia nem a justiça o interrogaram.

Quanto à alegada proximidade desleal entre EDF, AREVA e chineses,

a Inspeção Geral das Finanças nunca encaminhou o caso à justiça,

e nenhuma acusação foi feita contra Henri Proglio.

Por fim, a única cena do filme em que Henri Proglio aparece

é uma "pequena distorção da realidade", segundo as palavras do realizador.

A SINDICALISTA

Legendas: Nisbgui

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