Afrikaans
Akan
Albanian
Amharic
Arabic
Armenian
Azerbaijani
Basque
Belarusian
Bemba
Bengali
Bihari
Bosnian
Breton
Bulgarian
Cambodian
Catalan
Cebuano
Cherokee
Chichewa
Chinese (Simplified)
Chinese (Traditional)
Corsican
Croatian
Czech
Danish
Dutch
English
Esperanto
Estonian
Ewe
Faroese
Filipino
Finnish
French
Frisian
Ga
Galician
Georgian
German
Guarani
Gujarati
Haitian Creole
Hausa
Hawaiian
Hebrew
Hindi
Hmong
Hungarian
Icelandic
Igbo
Indonesian
Interlingua
Irish
Italian
Japanese
Javanese
Kannada
Kazakh
Kinyarwanda
Kirundi
Kongo
Korean
Krio (Sierra Leone)
Kurdish
Kurdish (Soranî)
Kyrgyz
Laothian
Latin
Latvian
Lingala
Lithuanian
Lozi
Luganda
Luo
Luxembourgish
Macedonian
Malagasy
Malay
Malayalam
Maltese
Maori
Marathi
Mauritian Creole
Moldavian
Mongolian
Myanmar (Burmese)
Montenegrin
Nepali
Nigerian Pidgin
Northern Sotho
Norwegian
Norwegian (Nynorsk)
Occitan
Oriya
Oromo
Pashto
Persian
Polish
Portuguese (Brazil)
Portuguese (Portugal)
Punjabi
Quechua
Romanian
Romansh
Runyakitara
Russian
Samoan
Scots Gaelic
Serbian
Serbo-Croatian
Sesotho
Setswana
Seychellois Creole
Shona
Sindhi
Sinhalese
Slovak
Slovenian
Somali
Spanish
Spanish (Latin American)
Sundanese
Swahili
Swedish
Tajik
Tamil
Tatar
Telugu
Thai
Tigrinya
Tonga
Tshiluba
Tumbuka
Turkish
Turkmen
Twi
Uighur
Ukrainian
Urdu
Uzbek
Vietnamese
Welsh
Wolof
Xhosa
Yiddish
Yoruba
Zulu
Gigantes adormecidos, contendo carregamentos letais.
Esses destroços são uma bomba relógio.
Tem 1.500 toneladas de explosivos ali.
Cada fator parece estar contra a gente.
Não poderia ser mais difícil do que isso.
Será que a nova tecnologia poderá nos proteger
de perigos escondidos em naufrágios tóxicos?
Se desmoronar em breve, é ali que vai acontecer.
Três milhões de navios naufragados,
perdidos nas profundezas dos oceanos.
Ali está a proa. Puxa, é bonita.
Cada um é uma cápsula do tempo,
escondendo histórias de aventura e inovação...
O número de buracos naqueles destroços
é extraordinário.
...coragem e tragédia.
Estamos falando da morte de dez mil pessoas.
Agora a caçada começou,
para achar os navios, desvendar seus segredos...
Imagine estar em uma casa assombrada
com uma lanterninha.
Abandonar navio!
Houve um acidente terrível.
Eu implorei para que voltassem.
E tudo ficou quieto.
...e escutar suas vozes outra vez.
OPERAÇÃO NAUFRÁGIOS
NAUFRÁGIOS TÓXICOS
O pesquisador de naufrágios Ingemar Lundgren
se dirige ao Mar do Norte
para estudar um navio da Segunda Guerra,
que encontra-se a apenas 10km da costa da Suécia.
Ele investiga o legado
de uma dramática história de fuga
da Segunda Guerra Mundial.
Um legado que atualmente ameaça centenas de quilômetros
do intocado litoral da Escandinávia.
É um trabalho urgente e importante.
Está cheio de óleo.
Ninguém sabe ao certo quantas toneladas de óleo,
mas devem ser quantidades enormes de óleo,
porque era um navio muito grande.
As correntes dessa área são bem fortes,
então se vamos pegar ou não condições climáticas
ideais para mergulhar é uma questão de sorte.
O Skytteren é conhecido
como os destroços marítimos mais perigosos da Suécia.
E se houvesse um vazamento no Skytteren,
seria desastroso.
Isso é um veículo submarino operado remotamente, ou ROV,
e possui um sistema de câmeras de alta resolução.
Ingemar e sua equipe utilizam fotogrametria 3D
para mapear o Skytteren.
Eles vão tirar milhares de fotos e juntá-las eletronicamente,
para ter uma ideia mais clara das condições dos destroços,
e o quão perto estão de desmoronar.
Em 2018,
a Marinha sueca fez um estudo sobre os destroços,
e utilizou mergulhadores e técnicas mais tradicionais
como filmagem de vídeo.
A visibilidade é baixa e, se você estiver filmando,
você verá apenas um ou dois metros adiante.
Não dá para tirar uma foto
que mostra todo o navio naufragado.
Com a técnica de fotogrametria podemos criar
um mapa topográfico do local de naufrágio
e apontar onde cada buraco e rachadura está,
e podemos tirar medidas exatas.
Estamos flutuando a 3 a 5 km por hora,
então temos que mergulhar rápido
e tentar chegar até os destroços.
Estamos começando a ver os destroços na quarta câmera,
que é a câmera de fotogrametria.
São destroços gigantes.
Seu tamanho absoluto o torna desafiador,
porque é uma grande área para se cobrir.
A visibilidade parece boa hoje.
Melhor do que a dos dias anteriores.
Mova.
Se puder mover para a esquerda, e aproximar da parte externa.
Naufrágios sempre me animaram.
Eu trabalhei bastante com arqueologia marinha,
investigando naufrágios do século 15 e 16...
E é sempre a história que me interessa.
O Skytteren é bem interessante.
Faz parte da história da Segunda Guerra Mundial.
O SS Skytteren foi construído em 1900
para servir como transatlântico.
Em 1928,
foi vendido para uma empresa norueguesa
e transformado em um baleeiro,
equipado com tanques especiais
para levar quantidades enormes de óleo.
Quando a Segunda Guerra começou,
ele passou a fazer parte
da grande frota comercial norueguesa,
um prêmio valioso para o novo inimigo da Noruega,
a Alemanha nazista.
Quando a Noruega foi dominada pelos alemães,
alguns navios noruegueses acabaram em portos suecos
e receberam abrigo.
Hitler, que possuía uma pequena marinha mercante,
precisava desesperadamente de novos navios.
Ele voltou sua atenção ao porto sueco de Gotemburgo,
onde dez navios noruegueses se encontravam,
incluindo o Skytteren.
A Alemanha exigiu os navios.
Com a Marinha alemã no controle do Báltico,
parecia que a Suécia,
apesar de oficialmente ser uma nação neutra,
não tinha opção.
Os alemães queriam controlar o acesso ao Mar Báltico.
Só havia um pequeno canal de 18 km
que era fortemente vigiado pelos U-boats alemães.
Os alemães queriam controlar o canal,
queriam controlar qualquer manobra no Mar Báltico.
E, é claro, isso incluía os navios suecos.
GOTEMBURGO
Mas, pelas costas dos alemães,
um plano secreto foi formado
para levar dez navios em segredo
pelas águas controladas pelos nazistas
até a Grã Bretanha.
Foi chamado de Operação Performance,
e o SS Skytteren fazia parte dela.
Apenas alguns dias antes da operação começar,
George Binney, capitão da frota de fuga Briton,
enviou uma carta para todos os tripulantes.
Hoje, finalmente, vamos à Inglaterra determinados,
aconteça o que acontecer, a prestar contas da viagem,
como convém a marinheiros noruegueses e britânicos.
De fato, corremos um risco, mas o que importa?
Se der certo, navios esplêndidos vão servir à causa dos aliados
e, com seus carregamentos,
ajudarão a levar suprimentos de guerra,
Que Deus proteja nossos navios durante essa viagem.
Tarde da noite no dia 31 de março de 1942,
o Skytteren e seus nove navios irmãos
partiram de Gotemburgo.
Mas ele nunca chegou à Grã Bretanha,
e agora encontra-se a 74 m de profundidade,
ainda carregando mais de 170 toneladas de óleo.
Para aqueles a bordo do navio de pesquisa,
o óleo não é o único problema.
Obstáculos no navio naufragado,
como redes de pesca, pedaços de escombros,
gruas se projetando,
dificultam a fotogrametria.
Está cheio de incrustações marinhas.
O cabo está empurrando a gente.
Bastante, na verdade.
Temos 150 m de cabo de amarração na água.
E quando a corrente empurra,
também empurra o cabo de amarração para longe.
E o cabo puxa o ROV, o que complica a manobra.
É extremamente difícil.
É o navio mais desafiador com que já trabalhei,
e nós já pesquisamos centenas de naufrágios.
E esse é, com certeza, o pior.
É um pesadelo de se trabalhar, totalmente insano.
O risco de perder o ROV está lá sempre que mergulhamos,
e o nível de estresse é enorme.
Não estamos arriscando nossa vida,
mas estamos arriscando perder equipamentos caros,
e daí a missão seria um fracasso.
É ótimo vê-lo aqui de volta.
Tome cuidado.
Pronto.
Sobe.
Tem um prazo que precisamos cumprir
para terminar o trabalho,
e o clima está nos prejudicando,
as correntes estão nos prejudicando.
Quanto mais tempo levar, mais estressante será.
Esperamos acabar esse trabalho a tempo.
Esses destroços são uma bomba relógio.
Através de dados de correntes oceânicas
e padrões de vento na área,
uma simulação de vazamento de óleo
revela a dimensão da devastação
caso o Skytteren se rompa e perca seu carregamento.
Uma mancha de óleo de 500 mil litros,
atingindo primeiro a Suécia,
e depois se estendendo até a Noruega,
destruindo os ecossistemas únicos
do litoral da Escandinávia.
Nós sentimos a pressão
e nos importamos com o meio ambiente,
nos importamos com o que fazemos.
Estamos dando nosso melhor para fazer a diferença.
Por enquanto, coletamos 15 mil imagens,
e estimamos que vamos precisar de mais 15 mil imagens.
São muitos dados a serem processados.
Estamos aqui há três semanas.
Só Deus sabe quanto tempo vai demorar,
mas nós não vamos desistir.
Para entender os destroços ainda melhor,
Ingemar e sua equipe usam uma tecnologia mais conhecida.
Bom, vamos usar um sonar de varredura lateral.
Ele envia ondas sonoras para a esquerda e direita,
então você consegue ter um retrato geral
de todo o local de naufrágio.
Não tem a mesma resolução da fotogrametria,
mas cria um bom retrato geral dos destroços.
Vá para frente e inicie a inspeção.
Um fundo bem plano aqui.
Algumas pedrinhas aqui e ali, mas bem plano.
Aqui está.
Olha só, isso é a proa.
O navio naufragado está ali, pousado de lado.
Ótima imagem.
Como foi que o Skytteren se tornou
o naufrágio mais ameaçador da Suécia?
A resposta está nos incidentes dramáticos
durante sua tentativa de furar o bloqueio dos nazistas
em março de 1942.
Furar o bloqueio era o conceito
de tentar levar navios noruegueses
que, por conta da invasão da Noruega,
acabaram em portos da Suécia, até a Grã Bretanha.
E foi uma ideia dos britânicos,
em conjunto com os suecos e noruegueses,
para tentar livrar esses navios do controle alemão.
Alguns desses navios mercantes continham outra carga valiosa...
passageiros.
As pessoas que estavam
nas embarcações da Marinha Mercante
queriam, seja lá por qual razão, queriam fugir dos nazistas.
Muitas delas, e a maioria,
eram noruegueses que fugiram para a Suécia
quando os alemães invadiram a Noruega.
E, é claro, isso era ilegal
sob o domínio nazista e as leis nazistas.
Eles eram procurados como prisioneiros por nazistas.
Então, esses dez navios, em sigilo total,
começaram a se preparar para a viagem.
Meu nome é Reidun.
Tenho 86 anos,
e acho que sou a última sobrevivente
do Skytteren.
Essa sou eu e minha mãe, meu pai, antes da guerra.
Após a invasão dos nazistas,
58 mil noruegueses fugiram para a Suécia neutra,
incluindo a família de Reidun.
Muitos estavam desesperados para chegar à Grã Bretanha,
onde um governo norueguês estava em exílio,
organizando um movimento de resistência.
Meu pai queria lutar
contra os alemães na Grã Bretanha,
e ele queria que sua família estivesse com ele.
A família de Reidun descobriu o plano
de mandar seus navios à Grã Bretanha,
e decidiu correr o risco.
E o navio que escolheram foi o Skytteren.
Estávamos morando no Skytteren antes de deixar Gotemburgo.
Era um navio bem grande, e eu era a única criança.
O Skytteren e seus nove navios irmãos
partiram tarde de Gotemburgo no dia 31 de março.
Eu lembro que a lua brilhava muito.
Acho que não demorou para os alemães aparecerem
e começarem a disparar.
Também me lembro do meu pai dizendo à minha mãe
que aquilo não era nada bom.
Os alemães estavam incrivelmente bem preparados.
Possuíam embarcações navais de vários tipos
espalhadas por todo lado,
e foi uma fuga muito perigosa.
Era quase impossível de se imaginar
que esses dez navios realmente seriam capazes
de passar por essa série de embarcações navais,
U-boats e minas que os alemães haviam colocado.
Mesmo se esses navios pudessem escapar,
o Luftwaffe estava esperando para atacá-los.
Tudo aconteceu muito rápido.
Quando os alemães começaram a atirar,
o capitão deu ordens para que explodissem o navio,
porque ele não queria que os alemães o tomassem.
O capitão do Skytteren afundou o navio
detonando explosivos na sala de caldeiras.
Uma pessoa acabou morrendo,
mas a família de Reidun e o resto dos passageiros
conseguiram embarcar nos botes salva-vidas.
Eu lembro de dizer "Remem,"
porque eu tinha o ouvido, o Skytteren,
estava prestes a afundar.
Eu lembro das pessoas falando
que talvez afundássemos junto com o navio.
É disso que eu mais me lembro.
Fiquei assustada com aquilo.
Eu lembro do Skytteren envolto em chamas
quando estava pegando fogo.
Eu lembro que estava começando a fazer assim.
Os passageiros do Skytteren
tentaram fugir de volta para Gotemburgo,
mas a temperatura congelante fez com que camadas de gelo
se formassem ao longo do arquipélago.
Nós não conseguimos ir adiante por conta do gelo.
E então os alemães chegaram lá.
Mas eu não tinha medo dos alemães.
Eu os odiava.
A fuga do bloqueio foi um desastre.
Apenas dois navios chegaram à Grã Bretanha.
Dois outros conseguiram retornar à Gotemburgo.
O restante foi afundado pelos alemães
ou então por suas tripulações.
19 pessoas morreram,
e 233 foram capturadas e mantidas na Alemanha,
incluindo Reidun e sua família.
O pai de Reidun foi separado de sua família
e enviado à Rheinsberg, para o campo de concentração.
O destino dos prisioneiros foi terrível.
O problema era que,
os prisioneiros de guerra noruegueses
que os alemães consideravam traidores perigosos,
porque eles haviam fugido da Noruega
diante da invasão dos nazistas,
eram tratados com severidade e brutalidade.
Após três anos separados,
Reidun e sua família finalmente se reencontraram
quando a guerra acabou.
Mas a apenas 160 km de onde a Reidun mora,
o legado subaquático
da fuga mal sucedida de sua família
continua sendo uma ameaça.
Não sei como eu me sinto sobre o Skytteren.
Faz tantos anos.
Sim, se vazar óleo do Skytteren,
isso vai, é claro, me afetar também,
porque eu moro em uma área próxima.
Espero que resgatem o barco, retirarem o óleo,
para que não possa causar danos à costa da Suécia ou Noruega.
É claro.
Espero mesmo.
Eu não sei.
Ingemar está no fim
de sua pesquisa de mineração de dados
sobre o SS Skytteren.
O que essa tecnologia de ponta vai revelar
sobre o estado desse gigante carregado de óleo,
quase 80 anos após ter afundado?
As condições são boas o bastante,
de modo que, pela primeira vez,
poderemos terminar isso e entregar um bom relatório.
Ricky, consegue me dar só cinco metros?
Destroços gigantes.
Podemos até ver os rebites e as placas.
Encontramos muitas provas
de que o casco está em condições piores do que imaginávamos.
A lateral do barco
foi extremamente afetada pela corrosão.
Esse navio não foi soldado, foi rebitado.
Muitos desses rebites sofreram muita erosão,
e dá para ver que as placas estão começando a ficar soltas.
Todas essas 30 mil imagens
vão ser transformadas em uma só imagem,
com a qual seremos capazes de realmente estudar
todos os danos no casco detalhadamente.
Temos uma grande tarefa à nossa frente para terminar.
Após um mês de trabalho meticuloso,
Ingemar conseguiu completar o mapeamento 3D do Skytteren.
Está pronto para apresentar suas descobertas
a Fredrik Lindgren,
na sede da Agência Sueca de Gestão Marinha
e Aquática em Gotemburgo.
Ao meu ver,
há indícios de desmoronamento iminente
nessa área aqui.
É essa a rachadura que você viu?
Sim, exatamente.
Nunca tinha visto isso.
Se isso significa que essa seção inteira
está prestes a desmoronar e há óleo atrás dela,
com certeza não é uma boa notícia.
Muitos indícios de corrosão,
quase como flocos gigantes de milho.
É um caos enorme, esse casco.
Podemos olhar essa área, mais detalhadamente,
no seu computador?
É claro.
Dá para ver claramente que há um buraco de corrosão.
Sim.
Nos 78 anos desde que ele afundou,
as placas do casco do Skytteren sofreram corrosão,
indo de 1,5 cm de grossura a 0,5 cm.
Esta é a única coisa separando o óleo do oceano.
E há, pelo menos, uma rachadura se formando.
Não é uma questão de se,
é uma questão de quando ele vai começar a vazar óleo.
Isso não vai terminar bem.
O diagrama do Skytteren original
mostra onde o óleo está armazenado.
Ao sobrepor esse desenho
com a nova imagem do navio naufragado,
Ingemar revelou que a rachadura no casco
está bem ao lado do óleo.
Estou preocupado, isso é muito perturbador.
Uma operação de resgate de óleo no Skytteren
deveria ser priorizada, com toda certeza.
O objetivo final é conduzir uma operação
de remoção de óleo no Skytteren.
Para que possamos fazer isso,
precisamos de bastante informações de base.
Dados sobre a área onde o navio está localizado
e planos de arranjo geral do navio.
Então essa é uma das questões, ou um dos motivos,
pelo qual instigamos essa investigação
com fotogrametria do Skytteren.
A agência do Fredrik teve uma experiência recente
conduzindo uma operação de resgate de óleo
bem sucedida em outro navio, o Finnbirch,
que afundou na Suécia em 2006.
Mais de 59 mil litros de diesel
e mais de 86 mil litros de óleo combustível pesado
foram recuperados dos destroços.
O motivo pelo qual ainda não realizamos
uma operação de remoção de óleo no Skytteren é esse.
Estamos lidando com um navio naufragado
que encontra-se no fundo do mar desde 1942.
Então, ele obviamente deteriorou muito.
Então isso, é claro, apresenta riscos
quando você conduz uma operação de resgate de óleo.
Quando você coloca flanges e perfura o casco do navio,
há o risco de deteriorar uma parte do buraco.
A imagem 3D vai fornecer informações
quando fizermos o planejamento de onde perfurar os destroços,
mas também pode fornecer informações
sobre os perigos na coluna de água acima deles.
E a operação de resgate de óleo no Skytteren
não é o único risco tóxico nessas águas.
Apenas 5 km a oeste dos destroços
está um cemitério enorme,
lotado de embarcações perigosas da Segunda Guerra Mundial.
Há outros navios naufragados nas águas suecas
que contém munições, armas químicas de guerra.
No geral, nessa área,
há cerca de 28 navios naufragados.
Na área encontramos armas químicas de guerra
chamadas Clark um e dois,
e também algo chamado óleo de arsênio
encontrado em lagostas norueguesas,
em camarões e em amostras de sedimentos.
Em mais de 50 por cento das amostras,
foram encontrados traços de gás mostarda.
Por que há tantos destroços altamente tóxicos
concentrados na mesma área?
A resposta está em um plano secreto pós-guerra
executado pelos vitoriosos aliados,
chamado de Operação Baú de Davy Jones.
Marcados, para contar ao mundo o que eles contêm.
Tem 45 quilos de gás mostarda, o rei dos gases de batalha.
Os aliados venceram a guerra e herdaram um grande problema.
Centenas de milhares de munições não utilizadas,
incluindo algumas das armas mais letais do mundo.
Alguém em Washington teve uma ideia.
A Operação Baú de Davy Jones foi a parte americana
de um projeto mais amplo ao final da Segunda Guerra,
de despejar munições químicas no fundo do mar.
Era o fim da guerra,
houve automaticamente muita pressão política e pública
para desmobilizar e economizar dinheiro.
As pessoas só queriam ir para casa.
Houve um ímpeto global para se livrar
de estoques de explosivos convencionais
e munições químicas,
rapidamente e em segurança ao fim da guerra.
Então, um projeto foi criado realisticamente,
em que os poderes aliados os levariam até o mar
e os despejariam ao mar
em certas áreas designadas ao redor do mundo,
ou então afundariam embarcações desnecessárias e indesejadas
com munições a bordo.
Cerca de 180 mil toneladas de armas químicas
foram despejadas no Escagerraque,
e depois outras 55 mil toneladas de armas químicas
foram despejadas no Mar Báltico.
Remover armas químicas de navios naufragados
é um risco totalmente diferente.
É preciso indústrias especializadas
capazes de destruí-las,
para realizarem o processo de destruição.
Nessa área, há muita pesca comercial.
Onde há destroços,
os peixes se aglomeram perto deles.
E então são usadas redes de arrasto de fundo,
que podem espalhar os agentes de guerra química
para uma área bem maior.
A prática de despejo em alto mar
continuou por décadas após a Segunda Guerra,
mas nunca na mesma escala.
Nos anos 70,
já havia um reconhecimento internacional
de que isso gerava impacto ao meio ambiente.
E então, alguns acordos entraram em vigor em 1974.
Até os anos 90, a maioria havia concordado.
Então, em 98, foi determinado
que ninguém poderia despejar em alto mar.
Diante de vários destroços da Segunda Guerra
se deteriorando rapidamente,
as autoridades ao redor do mundo estão sendo obrigadas
a focar nos perigos que eles representam.
Perto do sudeste da Inglaterra,
encontra-se um navio afundado que ninguém pode se aproximar.
O navio SS Richard Montgomery está no estuário do Rio Tâmisa.
Sua presença pode acabar sendo catastrófica
para a cidade próxima de Sheerness.
BEM-VINDOS A SHEERNESS VOCÊS VÃO SE DIVERTIR MUITO
O Dr. Nick Bradbeer é um arquiteto naval
que passou sua vida profissional analisando navios.
Estamos no estuário do rio Tâmisa,
no limite da zona de exclusão perto dos destroços.
Aquela é a metade superior dos destroços do Montgomery.
Dá para ver os mastros acima da água.
Essas boias delimitam a área onde nenhum navio pode entrar.
O Richard Montgomery é constantemente monitorado
por câmeras de televisão
para garantir que nada vá colidir com ele.
Agora mesmo, sinto que estamos perto demais,
e sei que tem 1.500 toneladas de explosivos bem ali,
a apenas 15 metros de profundidade.
Essas águas de maré são turvas,
mas o Nick sabe o que há lá embaixo.
Graças às imagens de sondagem incrivelmente detalhadas,
geradas por inspeções subaquáticas avançadas
para o governo do Reino Unido.
Essas fotos 3D reproduzem, com precisão,
todos os resquícios de um cargueiro dos anos 40.
Um navio que estava, e ainda está,
lotado de munição da Segunda Guerra Mundial.
Morteiros, minas, cargas de profundidade.
Mais 1.500 toneladas de explosivos ao todo.
Mas por quê?
A resposta está nos dias mais sombrios
da Segunda Guerra Mundial.
Os U-boats de Hitler
estavam tentando matar os britânicos de fome,
e os aliados precisavam de mais navios mercantes.
A solução era navios americanos da classe Liberty,
construídos de forma rápida e barata
a partir do mesmo modelo.
O Richard Montgomery era um deles.
Os navios Liberty eram muito importantes
para o esforço de guerra,
porque eles eram muito baratos e rápidos de se construir.
Construíram milhares deles,
e eles levavam carregamentos, levavam tropas,
levavam todo tipo de suprimento para a Grã Bretanha,
impedindo que os britânicos fossem colocados contra parede.
Essa é uma imagem do SS Richard Montgomery
sem nenhuma fachada.
Nick se reuniu com o historiador local Colin Harvey
para saber mais sobre o que aconteceu
com o Richard Montgomery em agosto de 1944.
Em sua primeira missão, o governo americano disse:
“Leve um carregamento de munições.”
Então o enviaram à Ilha Hog, na Filadélfia,
para ser carregado com 6700 toneladas de bombas
e depois levá-las ao Reino Unido.
Essa carga preciosa
fez do Montgomery um alvo principal.
Os alemães fizeram o que podiam para tentar bloquear os navios,
não apenas usando U-boats, mas uma campanha de minas,
em que eles lançaram minas do ar em paraquedas
e também dos U-boats.
Então o estuário do Tâmisa era alvo dos alemães.
Mas o Richard Montgomery
não foi atingido por uma mina ou um torpedo.
E é por isso que todas as armas a bordo
ainda são perigosas.
Ele encalhou no banco de areia da Ilha de Sheppey,
que encontra-se bem no centro do estuário.
Presa no banco de areia,
a tripulação tentou resgatar o carregamento.
Essa sequência de eventos
mostra uma tripulação atravessando
para descarregar munições do Montgomery.
E aqui é possível ver os tripulantes descarregando.
Essas são cargas de profundidade.
Mas o tempo e a maré estavam contra eles,
assim como o projeto de seu navio.
A tripulação do Richard Montgomery
fez de tudo para descarregar sua carga letal,
mas só estava causando mais problemas.
Quando começaram a levar as munições para fora,
e vê-se que essa extremidade não contém munições,
assim que a maré subiu, a parte de trás levantou
e o navio começou a se partir no meio.
Ele quebrou em dois e afundou.
Muitos navios sobreviveriam
a um encalhamento em um banco de areia.
Esse navio Liberty não foi capaz,
porque os aliados priorizam a quantidade acima da qualidade.
Eles precisavam de navios, então foram mal construídos.
Sabe-se que navios Liberty possuíam falhas estruturais.
Eram feitos de um tipo de aço,
que tornava-se frágil em temperaturas baixas.
A construção de má qualidade dos navios Liberty
é um dos motivos pelo qual o Montgomery
é tão perigoso atualmente.
Eles foram projetados em uma época
que não havia tanto conhecimento sobre mecânica estrutural.
Não se sabia sobre rachadura por fadiga.
Então eram projetados com características
como escotilhas quadradas com quinas pontiagudas,
o que nunca faríamos hoje em dia.
Essas quinas podem causar concentração de tensão,
o que causa rachaduras.
Um mapeamento com sonar recente revelou
que, após quase 80 anos, as rachaduras estão se ampliando
e os destroços estão começando a desmoronar.
Há várias coisas que chamaram minha atenção no relatório.
A primeira delas é uma área na estrutura
que está mudando depressa.
A cabine do convés,
a estrutura onde a tripulação guiava o navio,
está começando a desmoronar.
O segundo problema é que o porão número dois,
que até onde sabemos contém bombas,
tem uma rachadura grande
sendo formada na lateral do navio,
e o revestimento do convés acima está desmoronando aos poucos.
Uma coisa que ficou mais clara do que em inspeções anteriores,
é que os dados do sonar de varredura lateral
revelaram o formato da carga dentro do porão três.
E mostraram claramente que alguns dos itens expostos
têm formato cilíndrico
e aparentam estar empilhados em três ou quatro fileiras.
Isso sugere que são bombas, ainda empilhadas no porão.
Com munições ainda empilhadas
dentro de um navio naufragado sofrendo corrosão,
o que pode ser feito para torná-lo seguro?
Se Richard Montgomery explodir, os danos serão imediatos.
Os destroços estão a 2,4 km da cidade de Sheerness,
e a 4,8 km dos terminais de regaseificação
da Ilha de Grain.
A estratégia tem sido monitorar os destroços,
em vez de intervir.
O perigo é que uma movimentação perto dos explosivos
pode levar à detonação
de uma parte ou de todo o carregamento.
A carga estrutural que segura os conveses
não vai aguentar, e eles vão desmoronar.
Se eles desmoronarem e os destroços desabarem,
as munições vão escapar para o fundo do mar.
Até uma única bomba de 450kg é bem explosiva.
E bombas sendo levadas pela maré ou correntes,
podem acabar se espalhando, e seria difícil monitorá-las.
Não se sabe muito sobre a estabilidade das munições
após ficarem submersas por tanto tempo.
Em outubro de 2020,
a Marinha da Polônia realizou uma detonação controlada
de uma bomba Tallboy de 5 m de comprimento,
que pesava mais de 5 toneladas,
demonstrando o quão explosivo esse material pode ser.
Mesmo depois de 75 anos.
Localizado no meio de uma rota de navegação movimentada,
o Richard Montgomery
está em perigo constante de movimentação.
A movimentação no fundo do mar, onde são feitas dragagens
para manter o canal aberto
para navios-petroleiros e tráfego marítimo,
tem gerado uma inclinação dos destroços.
Então há um risco das munições vazarem.
E então há o risco
de elas ficarem presas nas redes de pescadores
ou irem parar na costa.
Pode aparecer uma munição em uma praia em algum lugar,
onde há membros do público.
Já houve relatos de incêndios na superfície do naufrágio,
provavelmente causados por fósforo branco
que vazou do porão.
O fósforo vem de armas que foram banidas
por leis internacionais.
E o navio corre outro risco muito sério.
Levando em conta que é uma rota marítima movimentada,
em média cinco mil embarcações passam por ela todo ano,
houve pelo menos 24 quase-acidentes.
O Richard Montgomery pode acabar tendo outro destino.
Talvez o mais perigoso de todos.
Ser atingido por outra embarcação.
Ele foi claramente demarcado, e é aceso à noite,
está nas cartas náuticas do Almirantado.
Mas já houve alguns quase-acidentes.
Houve um recentemente em que um capitão norueguês
passou perto de atingir os destroços
antes de ser avisado.
Em agosto de 2020,
quase 3030 toneladas de nitrato de amônio
explodiram no porto de Beirute, no Líbano,
causando 177 mortes
e um estrago de 10 bilhões de dólares.
Armazenados em um depósito
e sem nada para amortecer a explosão,
a onda de choque se propagou 8 km cidade adentro,
quebrando janelas e danificando prédios,
enquanto o abalo sísmico comprometeu fundações
e destruiu bairros próximos.
O dispositivo de Beirute
estava em uma área urbana com construções,
cheia de prédios densamente habitados
a uma curta distância do ponto de detonação.
Então, é claro, houve um estrago generalizado,
não apenas por conta da explosão,
mas causado por todos os objetos que foram lançados
pela onda de choque para o resto da cidade.
E 3030 toneladas de nitrato de amônio
possuem a potência explosiva
de até 1200 toneladas de explosivos.
Uma quantidade menor do que a encontrada
a bordo do Richard Montgomery.
O Montgomery pode até ter mais material explosivo,
mas está submerso e, portanto,
não haveria estilhaços em alta velocidade
percorrendo distâncias consideráveis.
Se todo o material do navio explodir ao mesmo tempo,
haverá uma espécie de bolha de ar quente enorme
e uma pressão gerada debaixo d'água.
Um relatório do governo estima
que uma explosão danificaria prédios,
quebraria janelas e causaria perda auditiva
nas pessoas dentro do raio da explosão.
Isso levaria à formação de uma coluna de água bem alta.
Navios com quantidades menores de explosivos
já explodiram e geraram colunas de 45 a 60 m de altura,
então seria claramente visível no litoral.
Isso também criaria uma onda de até 4 m
projetada em todas as direções,
sobretudo em direção ao litoral habitado.
A onda de 5 km de largura
se deslocaria pelo estuário do Tâmisa
e atingiria as costas das Ilha de Sheppey,
Ilha de Grain, Southend-on-Sea e Ilha de Canvey.
Um tsunami desse tamanho causaria danos consideráveis.
Dependeria, é claro,
do estado das defesas costeiras da área,
e da formação rochosa do litoral.
Qualquer onda de 4 m
vai causar danos aos prédios, danos consideráveis aos prédios.
Um relatório de 2005 estima que uma explosão gigante
causaria um estrago de um bilhão de libras.
1,5 bilhões na cotação atual.
Será que uma única explosão poderia mesmo ocorrer?
É bem improvável, mas com certeza não impossível.
Acho que a grande questão é que caminho devemos seguir?
Quatro opções foram sugeridas.
Destruí-lo com uma explosão controlada.
Mas é uma coisa bem complicada e desafiadora de se planejar.
Há muitos explosivos lá embaixo,
ele está bem próximo de uma cidade,
e há o risco da explosão destruir algumas,
mas não todas as bombas,
então poderia espalhar algumas das bombas.
Há a possibilidade de remover individualmente as bombas
para levá-las a um local seguro e lidar com elas em outro lugar,
que é uma opção que requer muito esforço,
e que também apresenta riscos.
Eles propuseram cobrir o navio com concreto,
mas, infelizmente, não removeria todos os riscos.
E, se houvesse uma explosão,
viraria uma explosão que lançaria
centenas de toneladas de concreto,
então acho que foi descartado.
A quarta opção é deixar os destroços em paz
e continuar a monitorá-los.
A menos que haja indicação
de que algo perigoso provavelmente acontecerá,
pode ser a melhor opção.
Por ora, o SS Richard Montgomery permanece intocado,
mas monitorado de perto.
Mas uma hora os governos do mundo todo
terão que fazer mais do que simplesmente monitorar
os níveis de perigo dos naufrágios tóxicos
que se encontram em suas costas.
Can't find what you're looking for?
Get subtitles in any language from opensubtitles.com, and translate them here.