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Original subtitles

Em dois cursos de água distintos,

mergulhadores exploram

os destroços de navios atingidos...

Mergulhador dois, parada total.

...procurando entender como duas das maiores

missões marítimas da história fracassaram...

Eram jovens. Eles devem ter morrido de medo.

Eles só podem ter morrido de medo.

...quando líderes militares tomaram decisões

que mandaram centenas de homens para o fundo do mar.

Não havia tempo de resgatá-los.

Não havia tempo de fazer nada.

Três milhões de navios naufragados,

perdidos nas profundezas dos oceanos.

Ali está a proa. Puxa, é bonita.

Cada um é uma cápsula do tempo,

escondendo histórias de aventura, inovação...

O número de buracos naqueles destroços

é extraordinário.

Coragem, tragédia...

Estamos falando da morte de dez mil pessoas.

Agora a caçada começou,

para achar os navios, desvendar seus segredos...

Imagine estar em uma casa assombrada

com uma lanterninha.

Abandonar o navio!

Houve um acidente terrível.

Eu implorei para que eles voltassem.

E tudo ficou quieto.

...escutar suas vozes outra vez.

OPERAÇÃO NAUFRÁGIOS

INVASÃO FRACASSADA

Perto da tempestuosa costa oeste da Irlanda,

em 2015,

uma equipe de mergulhadores na Baía de Streedagh

investigava destroços misteriosos.

Ocorre um deslocamento de areia após as tempestades.

Então, às vezes, artefatos vão parar na praia.

Sempre que chove forte, vimos até aqui para mergulhar.

Lendas locais falam sobre navios naufragados

que foram arremessados contra as pedras.

E as vilas perto de Grange

celebram as vidas que foram perdidas.

Será que esses pedaços de madeira na praia

são provas de um desastre de um século atrás?

O Serviço de Monumentos Nacionais da Irlanda

decidiu investigar.

Nós tínhamos a expectativa de que havia material

que estava se soltando do fundo do mar

e indo parar na praia.

Mas, a fonte e a escala daquilo, nós não sabíamos.

Eles se dirigem para mergulhar no local do naufrágio.

Pela natureza da baía, devido às marés,

se você não tiver peso o suficiente,

vai ser jogado como em uma máquina de lavar.

O maior desafio é o clima, o movimento das ondas.

As águas são rasas, então o solo se movimenta.

Há muito movimento.

É muito difícil mergulhar, a menos que o clima esteja bom.

E cilindro de emergência? Oxigênio pra mergulhar

Certo, vazão de ar?

Mergulhe.

Cuidado com os cabos umbilicais.

Foi um mergulho complicado,

mas que gerou resultados excepcionais.

Mergulhador dois, parada total.

Mergulhador dois, parada total.

Coloque seu kit de mergulho no fundo do mar.

Quem lidera a expedição

é o arqueólogo sênior, Fionnbarr Moore.

Durante os últimos 20 anos,

criamos um banco de dados de cerca de 18 mil naufrágios.

Nós realizamos um número considerável

de escavações e inspeções ao longo dos anos,

para realizar registros e protegê-los.

Para administrar os locais mais vulneráveis.

A importância desse local

vai muito além das fronteiras da Irlanda.

Foi um momento extraordinário.

É um daqueles momentos decisivos quando se trata da sua carreira,

e de uma vida voltada à arqueologia.

As tempestades expuseram os resquícios

de não um, mas de três navios de madeira.

Estavam espalhados ao longo de uma área grande,

e mediam cerca de 1.8 por 40 metros.

Eram materiais dispersos,

e não navios saindo do fundo do mar.

No meio dos destroços, pistas cruciais.

Está feliz com isso, Jimmy?

Sim. Acho que encontramos algo.

Havia um belo arsenal complementar ali,

desde as munições até os armamentos menores,

como as balas de canhão.

Tem uma grande quantidade deles ali também.

De diferentes tipos, de pedra e ferro,

e diferentes tamanhos.

Os canhões e balas de canhão

são provas de que esses são navios de combate

de uma era longínqua.

E, gravado em uma arma, a equipe encontra outra pista.

A data de fabricação. Mil quinhentos e setenta.

A data e a lenda local confirmam uma possibilidade animadora.

Os navios podem ter feito parte

de um dos maiores conflitos militares

de todos os tempos,

a Armada Espanhola.

Eu mergulho há 30 anos

e nunca pensei que veria algo da Armada.

Em maio de 1588, após dois anos de planejamento,

o rei Felipe II da Espanha

lançou sua frota formidável de 130 navios de guerra.

Sob o comando do duque de Medina-Sidonia,

os espanhóis a nomearam de A Invencível Armada.

Era uma maravilha da época.

Sua missão era invadir e derrubar

o novo regime inglês.

A Espanha era o maior império do mundo,

quando os ingleses começaram a desafiar os espanhóis,

em termos de religião

e ao apoiar as rebeliões na Europa,

a Espanha decidiu fazer algo a respeito.

Durante anos,

os ingleses vinham executando ataques piratas

aos navios de tesouro da Espanha católica.

Ataques sancionados e parcialmente financiados

pela rainha protestante, Elizabeth I.

A Inglaterra era um estorvo enorme

por motivos ideológicos, políticos e econômicos.

Eles teriam que lidar com tal estorno.

A frota partiu em direção à Inglaterra,

decidida a torná-la domínio da Espanha.

Então, como foi que três navios da Armada

acabaram destruídos em pedaços na costa oeste da Irlanda,

a centenas de quilômetros de seu alvo?

Na baía de Streedagh,

Fionnbarr Moore confirma a identidade

de um dos navios à partir de um canhão.

Tinha a imagem da santa Matrona gravada nele.

A Matrona é uma santa muito venerada

até hoje em Barcelona.

Os arqueólogos têm certeza sobre a identidade do navio.

Ele se chama La Juliana, e foi construído

na costa próxima à Barcelona em 1570,

e foi requisitado pelo rei Felipe da Espanha

em 1586.

Os registros revelam que o La Juliana desapareceu

junto a outros dois outros navios mercantes,

o navio mercante veneziano La Lavia,

e o Santa Maria de Visión, construído em Dubrovnik.

Eles não eram da Espanha,

então o que faziam na frota de Felipe?

Mostra o grau da necessidade dos espanhóis,

que chegaram até a trazer esses navios de fora.

Os planos do rei Felipe eram tão ambiciosos

que seus próprios navios não eram suficientes.

Ele teria que requisitá-los de outro lugar.

Não foi nenhum problema para o maior império do mundo.

O poder da Espanha era tão grande

que, na Sicília ou em Lisboa,

se você visse um navio adequado para a Armada,

você tomava posse dele.

Nem o La Juliana,

nem os dois navios que naufragaram ao seu lado,

foram feitos para uma guerra.

Foi feito para ser uma embarcação mercante,

fornecendo principalmente grãos para a Sicília e Nápoles,

e trazendo grãos de volta pelo Mediterrâneo também.

O que esses navios mercantes do Mediterrâneo,

feitos para transportar carga,

estavam fazendo em uma frota militar?

Eles foram requisitados para servir

como navios navais auxiliares

para fornecer mantimentos ou como navios de tropas,

de um ponto a outro.

Os três navios faziam parte do Esquadrão Levante,

um dos dez esquadrões da Armada,

equipados principalmente com cargueiros

vindos de todo o Mediterrâneo.

Comparados aos galeões da frota,

eles possuíam sérios pontos fracos.

Como um capitão da Armada, Francisco de Cuellar, relembrou:

"Surgiu uma tempestade que abriu um grande buraco nele,

e começou, continuamente, a enchê-lo de água,

e não nos livramos dela com as bombas de água.

Não havia recursos nem socorro,

exceto aquele de Deus."

Os navios militares eram galeões,

com melhores condições e melhor armados.

Os navios mercantes eram principalmente carracas

ou, como os espanhóis chamavam, "naus."

Possuíam condições piores e pagaram o preço por isso.

Mergulhadores um e dois, distribuam seu peso.

Quando terminarem, me avisem.

A equipe na baía de Streedagh percebeu que estava olhando

para um tesouro de naufrágio espanhol

e um número sem precedentes de canhões da Armada.

Acho que no primeiro, se me lembro bem, havia cinco.

E, mais tarde, naquela semana, acharam mais um separado,

que era o maior deles.

Tinha dois metros. Era incrível.

Como o canhão já estava exposto,

a equipe decidiu levantá-lo

em vez de arriscar que fosse danificado pelas ondas

e deslocamentos de areia.

Desculpe, mergulhador dois,

você precisa levantar o canhão um pouco mais.

E mergulhador um, afrouxe.

Eles estão presos na ponta.

Alguns dos canhões possuíam sinais distintos de abrasão

e desgaste por conta do impacto da água e da areia.

A maioria das armas estava em ótimo.

No total, eles transferiram nove canhões,

todos do La Juliana para terra firme.

A maior coleção de canhões de bronze

já resgatada de um único naufrágio da Armada.

Foi incrível demais!

Foi emocionante,

e maravilhoso ver os detalhes nos canhões.

Eu não achei que estariam lá após 427 anos.

Não fazia ideia de que veríamos aquilo.

Surpreendeu-nos bastante, para ser sincera.

O arsenal do La Juliana era uma prova

da potência incrível da Armada Espanhola,

e forneceu pistas

sobre como ele seria utilizado contra os ingleses.

No Museu Nacional da Irlanda, em Dublin,

os canhões do La Juliana

passam por um processo de conservação.

São mantidos na água para impedir maior corrosão.

Agora, nos tanques daqui,

estão os canhões que nós resgatamos em 2015,

perto da Unidade de Arqueologia Subaquática.

O La Juliana estava carregado de diferentes canhões.

Eles possuíam canhões de maior alcance,

e também de curto alcance.

E eles foram implantadas ao redor do barco

e utilizados dependendo da ameaça.

Apesar de construído para servir de cargueiro,

possuía armamentos pesados

e estava preparado para uma batalha.

Os canhões menores, os falcões, falconetes,

para combate a curta distância...

Eles tinham uma capacidade letal de infligir danos letais

em qualquer navio que se aproximasse deles.

Em julho de 1588,

a Armada do rei Felipe

se aproximou de seu alvo, a costa sul da Inglaterra,

em uma formação defensiva forte.

A Marinha menor da rainha Elizabeth

veio a seu encontro.

O galeão San Pedro, onde eu navegava,

foi fortemente danificado por balas de canhão pesadas,

as quais o inimigo estocava em diversos lugares.

Apesar dos danos serem consertados

do melhor jeito possível naquela hora,

ainda havia alguns buracos de bala escondidos,

que deixaram entrar muita água.

Os ingleses permaneceram

fora do alcance dos navios espanhóis,

e tentaram bombardeá-los com suas armas de longo alcance.

Mas a Armada escapou intacta.

E os navios do Levante

eram protegidos por galeões poderosos.

A Armada continuou pressionando, ainda uma ameaça formidável.

Outras provas encontradas perto da costa

revelam o quão formidável era a ameaça espanhola.

Os mergulhadores encontraram aríetes com rodas,

projetados para transportar armas de cerco.

Os aríetes de cerco eram máquinas resistentes

para carregar o peso enorme dessas armas de cerco.

Eles eram desmontados ou desmantelados,

e colocados nos porões dos navios

com as armas de carruagem e as armas de cerco,

e estavam prontos para ser remontados

quando chegassem à costa de Kent.

no meio da coleção de canhões do La Juliana,

estava um que seria transportado pelo aríete de cerco.

Temos esse canhão,

que foi enfeitada lindamente com desenhos de chamas.

Também tem dois relevos de golfinhos maravilhosos.

É uma arma grande.

É o que eles chamam de um Demi-canhão de cerco.

A ideia era montá-lo em uma carruagem de artilharia

e empurrá-lo por terra,

utilizando-o para destruir as forças defensivas

de cidades da Inglaterra

enquanto o Exército espanhol se dirigia a Londres.

Se os espanhóis alcançassem a costa,

os ingleses estariam perdidos.

Levava 18 mil soldados.

Levava 2500 canhões.

E, por conta da condição da milícia inglesa na época,

teria sido uma batalha desigual.

Se as forças espanholas tivessem chegado à costa,

com seus mantimentos e sua artilharia,

teria sido uma batalha bem desigual.

A bordo da Armada,

havia oito mil marinheiros e 18 mil soldados.

A grande maioria era inexperiente,

recrutados apressadamente para a campanha.

Eles planejavam buscar

mais 30 mil homens prontos para a batalha

na Holanda.

A força total de invasão

cruzaria os 32 quilômetros do Canal da Mancha

e marcharia até Londres.

Perto de Calais,

navios da Armada foram obrigados a aguardar no ancoradouro.

Estavam vulneráveis e expostos ao perigo.

Para os ingleses,

determinados a impedir a invasão,

era agora ou nunca.

Eles enviaram, na noite de 7 de agosto,

oito brulotes até os navios ancorados da Armada.

O capitão espanhol entrou em pânico,

levantou âncora e fugiu.

Os ingleses perseguiram a Armada

para longe do ponto de encontro das tropas extras do Felipe.

Os planos de invasão estavam em frangalhos.

A frota espanhola passou a ter outros problemas.

Ventos vindos do sul, pelos quatro dias seguintes,

continuaram a soprar e a empurrar

ambas as frotas para o Mar do Norte,

e que o Duque de Medina-Sidonia decidiu retornar para casa.

Não conseguiram lutar contra o vento,

então o Duque de Medina-Sidonia, comandante da Armada,

ordenou que a frota parasse de navegar contra ele,

e se dirigisse ao norte,

dando a volta pela ponta da Escócia

antes de partir para o ataque na Espanha.

Mas apenas dois terços dos homens

e metade dos navios,

voltariam para casa.

Na baía de Streedagh,

os arqueólogos encontram provas intrigantes

sobre a força motriz por trás da Armada,

gravadas em um canhão recuperado.

Esses canhões são únicos,

pois possuem retratos de santos neles.

Uma grande variedade de santos,

o tipo de santo que sabemos que era venerado

no final do período medieval.

É extraordinário.

O império mais poderoso do mundo

era extremamente católico romano.

E o rei Felipe, um religioso fanático,

era seu herói.

As imagens que estão nessas armas

refletem todo o propósito da Armada.

Elas trazem ela à vida.

Sua missão era restabelecer

a Igreja Católica na Inglaterra,

porque a Elizabeth havia declarado

que apoiava o crescimento da religião protestante.

Os homens a bordo da Armada eram católicos,

com o objetivo compartilhado de erradicar o Protestantismo.

Além disso,

tiravam sua coragem de santos mártires,

cujas imagens os cercavam.

E agora, mais do que nunca,

precisavam que os santos os protegessem.

Perseguidos por galeões ingleses e atingidos por ventos fortes,

eles enfrentaram uma batalha final

pela sua própria sobrevivência.

Era importante que permanecessem juntos

se apoiando mutuamente.

Tinham que manter a frota intacta.

Ao alcançar o norte da Escócia,

encontraram um novo oponente formidável,

o Oceano Atlântico Norte.

O plano era dar a volta por Shetland,

seguir mil quilômetros para o oeste,

do Atlântico até a latitude de 54 graus a norte.

E assim que alcançassem aquela latitude,

seguir para o sul, sudeste,

em uma direção que os levariam até a Galícia.

Mas eles subestimaram bastante as dificuldades.

Esses navios estavam acostumados

a navegar em climas mais tropicais.

E, passar pelo Atlântico,

especialmente o Esquadrão Levante,

com sua experiência no Mediterrâneo,

foi mesmo uma coisa bem perigosa.

Jogados de um lado a outro em mares cada vez mais revoltos,

os homens a bordo da La Juliana,

La Lavia e do Santa Maria de Visión,

passaram por um teste especialmente assustador.

Esses caras provavelmente nunca tinham visto o mar.

Para jovens acostumados

com o calor e as terras da Espanha central,

ver o que eles vivenciaram no Atlântico norte...

Eles devem ter morrido de medo.

Eles só podem ter morrido de medo.

Os cargueiros do Mediterrâneo estavam impotentes,

sendo atingidos por tempestades.

Os navios do Levante sofreram aquelas águas fortes.

Mas quando chegaram ao alto mar, com ventos fortes,

a ação das ondas começou a abrir seus remendos

e eles começaram a encher de água.

O navio La Lavia, vice-chefe da Armada,

rapidamente ficou para trás

e acabou ao lado de dois outros retardatários,

o Santa Maria de Visión e o La Juliana.

Enquanto mais navios

ficaram para trás da frota principal,

eles começaram a se agrupar para se apoiar.

Se um navio se deparasse com dificuldades,

os outros dois seriam capazes de ajudá-lo.

E foi assim que permaneceram enquanto,

sem que soubessem,

eram levados para cada vez mais perto

da rochosa costa oeste da Irlanda.

Inundados e caindo aos pedaços,

os navios do Levante procuraram abrigo

em um porto protegido,

antes que os ventos fortes se transformassem em um furacão.

Aqueles ventos puxaram os navios de volta

e para dentro da baía de Donegal

e para a praia de Streedagh.

Só lhes restava rezar para que parasse de ventar.

No quinto dia,

uma tempestade tão grande se formou,

com um mar que ia até o céu,

que os cabos não nos seguraram e as velas não nos serviram.

E fomos levados para a costa com todos os três navios.

Uma vez encalhados, os navios estavam condenados.

Aquelas ondas montanhosas

estavam batendo nos navios e os desintegrando.

No meio disso, havia homens a bordo,

observando o mar, observando as ondas,

se perguntando se valia a pena arriscar.

O que eles deveriam fazer? Conseguiriam se salvar?

Eu subi até o topo do tombadilho de meu navio,

após pedir proteção a Deus e a Nossa Senhora

e, deste local, assisti ao espetáculo terrível.

Era o fim da linha para os navios do Levante

na baía de Streedagh.

Haviam sobrevivido à viagem de 1600 km da Espanha,

às batalhas marítimas com os ingleses,

mas o clima da costa da Irlanda os derrotou.

Muitos se afogaram dentro dos navios,

outros se lançaram ao mar.

Acabaram afundando, e não retornaram à superfície.

Outros gritavam alto nos navios, invocando a Deus.

O próprio capitão de Cuellar se agarrou a seu barco,

tentando pensar no melhor jeito de se salvar.

Vieram quatro ondas, uma após a outra,

e sem saber como ou sem saber como nadar,

elas me arrastaram até a costa, onde eu emergi,

incapaz de me levantar,

todo coberto de sangue e cheio de ferimentos.

Segundo de Cuellar,

1100 homens se afogaram em cerca de uma hora.

Aqueles que alcançaram a costa, enfrentaram outro teste.

Agentes leais à monarquia inglesa protestante

os aguardavam e receberam permissão

para torturá-los e executá-los.

Qualquer um dos sobreviventes que chegou à costa

teve sorte se sobreviveu às 72 horas seguintes,

porque por mais perigoso que tivesse sido o naufrágio,

se fossem pegos pelas tropas da monarquia na costa,

com certeza morreriam.

Apesar de seus ferimentos,

Francisco de Cuellar foi um dos poucos sortudos.

Com a ajuda de simpatizantes locais,

ele foi capaz de voltar para casa.

E graças a seu relato,

temos um registro permanente

dos incidentes dramáticos e terríveis

que ocorreram na baía de Streedagh.

É fácil esquecer

que tantas pessoas morreram nesta costa

e na água perto da costa.

Mas os moradores relembram e as pessoas daqui,

já faz uns bons anos,

celebram o que aconteceu aqui todo mês de setembro.

A memória continua viva.

A praia tem uma atmosfera.

E quando você mergulha lá,

fica pensando que é um túmulo de guerra.

Esses homens morreram pelo seu rei e seu país.

É preciso ter certo respeito por eles,

e eu admito que, apesar de estranho,

É um lugar bem especial e tem uma atmosfera.

A derrota da Armada Espanhola deu um grande golpe

no prestígio do Império Espanhol.

O rei Felipe não contava com o clima,

e a determinação de seus inimigos.

Séculos depois,

outro ataque marítimo teve um desfecho trágico,

mas desta vez os derrotados foram os britânicos.

Aconteceu aqui,

no Estreito de Dardanelos, na Turquia,

onde naufrágios excepcionais lançam luz

sobre uma invasão do século vinte.

Dardanelos abriga uma coleção

de navios naufragados da Primeira Guerra Mundial.

Um deles se encontra a 70 metros de profundidade,

e é quase impossível alcançá-lo.

Dardanelos é um canal bem movimentado.

Tem um tráfego marítimo intenso,

o que torna o mergulho perigoso

e, às vezes, até impossível.

O pesquisador marinho Selcuk Kolay,

que vem, há décadas, investigando esses naufrágios,

parte com sua equipe para coletar informações

utilizando sensores multifeixe 3D.

Estamos retornando aos estreitos por baixo,

e vamos subir pela rota principal.

Deve ser bem arriscado fazer manobras assim

no meio dos estreitos, onde o tráfego é intenso.

Tem dois navios-petroleiros grandes vindos do sul.

O navio naufragado lança luz sobre um dia desastroso

que os britânicos subestimaram seu adversário turco.

E soluciona um mistério de cem anos

sobre como se deu o violento fim do navio.

Ver um navio grande desse tipo, aparentemente bem poderoso,

virar e afundar de repente,

é um choque para qualquer oficial naval.

Alguns meses após o início da guerra,

o combate na Frente Ocidental perdeu forças.

Para acabar com o impasse,

o chefe da marinha britânica, Winston Churchill,

criou um plano para expulsar a Turquia,

aliada da Alemanha, da guerra,

enviando uma frota de invasão por Dardanelos,

para ameaçar a cidade de Constantinopla.

Churchill acreditava que a Marinha sozinha

seria capaz de dar conta do recado.

Ele queria fazer isso.

Ele queria aparecer com a Marinha em Constantinopla.

E ele achou que os turcos se renderiam.

Os comandantes de Churchill decidiram usar

uma combinação de frotas britânicas e francesas.

Os encouraçados dreadnought da Grã-Bretanha,

não podiam ser usados,

porque eram necessários no Mar do Norte.

Mas isso não foi visto como um problema.

Apesar dos turcos possuírem um império,

era considerado o império menos desenvolvido.

Eles não eram europeus de verdade.

Os turcos eram considerados basicamente fracos.

Os Aliados enviariam antigos encouraçados pré-dreadnought.

Eram considerados antiquados e descartáveis,

mas à altura da tarefa de bombardear as forças turcas

supostamente "mais fracas."

Mas atualmente,

muitos desses navios dos Aliados e encontram no fundo do mar

aqui em Dardanelos.

Entre os destroços, acessíveis aos mergulhadores,

está um enorme encouraçado britânico

que descansa perto de uma rota de navegação.

É um dos grandes encouraçados antigos,

cujos destroços não se encontram em nenhum outro lugar.

O HMS Irresistible fazia parte da frota britânica,

mas ele nunca voltou para casa.

Empresas de resgate, durante os anos 60,

extraíram a maquinaria, cortando o casco

e fazendo um buraco grande embaixo do navio.

Então, dá para olhar dentro, ver a casa das máquinas vazia.

Afundado no mesmo dia em que o Irresistible,

está o navio naufragado que Selcuk Kolay está investiga.

Foi destruído horas antes do HMS Irresistible,

e é a chave para entender os fracassos dos Aliados

em 1915.

O encouraçado francês Bouvet, construído nos anos 1890,

era um navio de guerra rápido e formidável.

Mas em 1915, assim como o HMS Irresistible,

passou a ser considerado o segundo melhor.

E é por isso que foi escolhido

para a supostamente fácil operação em Dardanelos.

Segundo a perspectiva de Londres,

se perdessem alguns deles, não importava tanto.

É claro que na hora,

se você visse navios sendo afundados

e seus homens caindo na água,

sua perspectiva talvez fosse diferente.

Alguns navios infelizmente não estão inteiros

devido aos danos infligidos ao longo dos anos.

Conseguimos identificar os escombros ao seu redor.

É o mesmo caso do Bouvet, nosso alvo atual.

Veremos em que estado ele se encontra

daqui a alguns minutos.

O explorador marítimo Selcuk Kolay e sua equipe

encontraram os destroços do Bouvet

de ponta cabeça, 70 metros abaixo deles.

Isso é uma imagem do Bouvet.

Não estou acreditando. Lá está ele.

O navio naufragado está inteiro,

com sinais claros de danos em seu casco.

A equipe espera poder solucionar um mistério duradouro.

O que aconteceu com o encouraçado francês,

e por que os Aliados perderam tantos navios em apenas um dia?

Em fevereiro de 1915,

a frota de invasão dos Aliados se reuniu no Mar Egeu,

preparada para dar início ao ataque.

A batalha começou com um ataque contra a fortaleza

que defende o acesso a Dardanelos.

Começou com os fortes externos sendo bombardeados.

Agora, esses fortes externos eram em Kumkale e Seddülbahir.

Eles tinham que destruir esses primeiro,

depois a segunda camada de fortes,

e a camada interior.

Esse era o plano.

No começo,

o plano parecia estar funcionando.

Transformamos o forte número um em um inferno.

Pedras e fumaça, chamas, poeira e estilhaços...

Tudo misturado no ar.

Não fomos atingidos, mas foi por pouco.

Acho que nossa cadência de tiro atrapalhou o ataque deles.

Ainda certos de uma vitória fácil,

os Aliados deram uma pausa quando o tempo fechou.

Mas depois da tempestade, eles tiveram um choque.

Os fortes externos estavam praticamente intactos

e abriram fogo novamente.

Tudo isso fazia parte das táticas dos turcos.

Eles tiram seus artilheiros de vista,

e depois os chamam de volta,

colocam homens para atirar quando é necessário.

É isso que eles fazem. E é bem eficaz.

Descobri que observar as armas dos inimigos disparando

e esperar cerca de quinze segundos

pelo barulho do projétil vindo até nós,

era uma experiência extremamente estressante.

Eu ficava me perguntando se eu seria o próximo.

Falhas sérias já começavam a aparecer

na estratégia dos Aliados.

Qualquer pessoa racional sempre saberá

que navios não podem lutar contra fortes

em pé de igualdade,

porque um deles está flutuando.

É esse o ponto.

Navios afundam, fortes não.

Churchill sabia disso.

Membros sênior da equipe o haviam informado a respeito,

mas ele os ignorou porque sabia mais que eles.

Enquanto os navios se dirigiam aos estreitos,

tornou-se claro que o inimigo estava bem motivado,

bem armado e muito bem escondido.

E o almirantado não contava com o fato

de que os turcos receberiam ajuda dos alemães.

Forneceram ajuda militar especializada.

Forneceram o comandante-em-chefe do Exército,

que, na verdade, defenderia toda a área.

Também forneceram um oficial naval,

o Almirante von Usedom,

e ele coordenou o fortalecimento das defesas

em Dardanelos.

O Almirantado Britânico precisava obter resultados,

então eles adiantaram o ataque principal

no dia 18 de março.

Na linha de frente,

alvos dos disparos de obuseiros escondidos nas colinas,

estavam os navios da Marinha Real.

Na próxima linha de batalha

estavam navios de guerra franceses,

incluindo o Bouvet.

O objetivo era chegar a cerca de 7300 metros,

e destruí-los completamente.

Mas a cadência de tiro dos navios franceses

era tão forte que não conseguiam chegar mais perto

do que 8200 metros.

Os navios franceses estavam sendo atingidos

por uma quantidade incrível de tiros.

Se é que alguém já foi para o inferno,

aqueles dois cruzadores franceses foram.

Às vezes era impossível vê-los por causa da água espirrada

pelos morteiros que explodiam à sua volta.

O forte disparava sem parar.

A cadência de tiro gerada pelos turcos

era assustadora.

Eles não iam fugir.

Não seriam fáceis de se derrotar.

Estavam defendendo seu país.

Era uma batalha tremenda.

O Bouvet abriu fogo por duas horas desgastantes.

Testemunhas em terra ou em navios próximos

descreveram o que aconteceu a seguir.

O Bouvet começou a se retirar,

mas naquele momento,

uma nuvem de fumaça vermelha e preta

surgiu da parte de baixo do navio,

que pode ter atingido uma mina.

Imediatamente depois disso,

houve uma explosão muito mais violenta.

A cor da fumaça era amarela e depois preta avermelhada,

coincide com o que é chamado de "poudre B'', pólvora B,

que deflagrou

e causou uma gigante inundação interna

nas duas salas de caldeiras, em ambos os lados,

fazendo o navio adernar.

O Bouvet afundou rapidamente.

Registros da época mostram

que ele afundou em cerca de dois minutos e meio.

Isso é incrivelmente rápido.

Se você mesmo cronometrar.

Não é quase nada de tempo.

Não havia tempo de escapar.

Não havia tempo de resgatá-los.

Não havia tempo de fazer nada.

E então ele afundou por completo.

Por um instante, a proa pontuda da embarcação

apareceu claramente na água iluminada pelo sol,

como um triângulo negro, e depois ela também desapareceu.

O Bouvet afundou. Eram exatamente duas da tarde.

Grande parte da tripulação, mais de 600 homens,

afundou junto com o navio.

Não sabia de que um navio poderia desaparecer tão rápido.

Isso nos chocou bastante por um momento.

Eu sei que fiquei assustado.

A velocidade com que ele afundou chocou todo mundo.

Encouraçados são feitos

para resistir a golpes e continuar lutando.

Mas a causa exata da destruição do Bouvet

permanece um mistério.

Foi um morteiro ou foi uma mina?

Os Aliados achavam que havia ocorrido

uma desminagem nos estreitos.

Mas eles subestimaram os turcos mais uma vez,

o que lhes custou a campanha inteira.

Alguns dias antes do ataque principal,

um lança-minas turco chamado de Nusret,

um nome homenageado na história naval turca

veio e colocou um campo minado

na baía onde os navios dos Aliados viriam

após bombardear e sair do estreito.

Então foi colocado bem em frente ao local

onde os turcos achavam que os Aliados virariam.

Mas o Bouvet foi afundado por uma mina?

O pesquisador marinho Selcuk Kolay

examina indícios de danos

nas sondagens em 3D do Bovet naufragado.

Aqui os tubos lança-torpedos foram recuperados

no começo dos anos 60.

Mas há uma marca, claramente visível,

que é uma prova de danos catastróficos.

Há um amassado,

que tem por volta de cinco a sete metros de comprimento,

que está cerca de 60 metros atrás da proa.

E novamente, claramente aqui,

a meia-nau danificada.

O tamanho dos danos

deixam claro que esse foi o golpe fatal.

Mas isso não esclarece

se esse navio foi atingido por uma mina ou um morteiro.

Temos quase certeza de que os danos

foram causados por uma explosão secundária do paiol.

E pode ter destruído qualquer vestígio

do dano original infligido no navio,

seja por um morteiro ou por uma mina.

Durante anos,

a história oficial era de que o Bouvet

foi afundado por uma mina,

fato que é sempre divulgado com alarde

pela imprensa britânica.

E há provas que confirmam essa teoria.

O tamanho do buraco,

que tinha cerca de quatro a cinco metros de diâmetro,

é o tamanho do estrago que se espera

de uma mina que era usada em Dardanelos,

que pesava cerca de 70 quilos.

Mas o professor Ayhan Aktar,

da Universidade de Bilgi, em Istambul,

tem estudado o relatório de um oficial de artilharia

que sugere uma teoria diferente.

Ele narra o seguinte sobre o dia 18 de março.

Deixe-me ler para vocês.

"Eu dei a ordem para atirar

e conseguimos três impactos certeiros,

e disparamos incessantemente contra o convés frontal.

Um dos tiros destruiu seu leme.

O navio começou a adernar muito.

Finalmente, ele também desapareceu

nas águas do Dardanelos."

O professor Aktar acredita

que foram os artilheiros turcos que afundaram o Bouvet,

mas isso tem sido ignorado há décadas.

Consegue imaginar os oficiais otomanos em 1915?

Eles sabiam que haviam atingido o Bouvet e o afundado.

Mas quando o relato oficial dos britânicos saiu,

era a história ou a narrativa dos vencedores.

Foram os homens que estavam vencendo a guerra

contaram a história.

Parece que é mais fácil para os britânicos

colocar a culpa de sua derrota em minas turcas fortuitas,

do que na habilidade e precisão de artilheiros turcos.

O Bouvet foi atingido entre os funis,

e é exatamente onde um artilheiro miraria

para assegurar a maior probabilidade de acerto.

Aqueles artilheiros turcos determinados,

nós temos que admirá-los,

porque estavam sob ataque

de armas pesadas dos pré-dreadnoughts.

Os homens naqueles fortes eram heróis.

Mas nada disso justifica como ele afundou tão rápido.

O próprio Bouvet encheu de água rapidamente,

de modo que atingiu o fundo do Dardanelos

a 70 metros de profundidade,

com tanta força que enterrou a popa na lama,

e a proa ficou para fora da lama,

sem nem mesmo tocar no fundo.

Desde o desastre,

surgiram questões acerca do projeto do Bouvet.

A Marinha francesa mandou um encouraçado

que não servia para a guerra?

As salas de caldeiras,

que ficam em ambos os lados desse paiol central,

são separadas por um anteparo no centro.

O anteparo,

uma parede que passa pelo centro do navio,

teria funcionado como uma barreira

entre os lados bombordo e estibordo.

Havia um paiol com pólvora e ogivas

diretamente entre essas duas salas de caldeiras.

Se houvesse algum dano nessa área,

ele teria causado uma explosão,

que poderia ter inundado

quase um terço do comprimento do navio.

Tudo em um só lado,

o que teria feito o navio adernar bem rápido.

Mas há uma última prova que parece mostrar

que o Bouvet estava condenado desde o início.

Especialistas da Marinha francesa

e do Ministério da Defesa,

planejaram um experimento

com um modelo em escala do Bouvet.

O professor Larrie Ferreiro fez parte do projeto.

O experimento reproduziu o que as testemunhas viram.

Um balanço que começou bem devagar.

E depois ficou mais e mais rápido,

sem parar, até que ele virou totalmente.

A equipe descobriu que o projeto do Bouvet

continha tantos erros, que ele jamais teve chance.

Descobrimos que o anteparo no centro,

que muitos construtores navais achavam que era um defeito,

no fundo não era o problema.

Esse navio teria afundado,

não importa se um dos lados tivesse inundado

ou os dois lados,

em menos de um minuto.

Na verdade,

o formato do casco do Bouvet o tornou naturalmente instável.

Dá para ver que o navio foi construído

com laterais inclinadas para dentro.

Isso é chamado de adelgaçamento,

que foi projetado para que as torretas,

no centro da meia-nau do navio,

tivessem um boa curva de disparo na frente e atrás.

Apesar de os projetistas de navios de guerra

terem resolvido os problemas de instabilidade

de cascos adelgaçados, para o Bouvet,

esse era seu calcanhar de Aquiles.

O navio teria tombado em menos de um minuto,

e isso é culpa do formato adelgaçado do casco,

que era tão instável.

Mas o encouraçado também estava condenado

por conta da total incapacidade dos Aliados

de prever a habilidade,

poder e determinação das forças turcas.

Os Aliados subestimaram completamente

a força da oposição dos turcos.

Acharam que eles eram inúteis.

Os turcos provaram que eram fortes demais.

E foram capazes de se proteger.

São os turcos que merecem ser parabenizados.

Dois locais de naufrágios, com séculos de diferença...

Um lembrete duro das vidas que foram perdidas

quando comandantes militares

enviaram navios para águas desconhecidas

e subestimaram seus inimigos.

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