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Cinco naufrágios,
embarcações de guerra,
cada um contendo um segredo a ser revelado.
Não havia nada além de lama, e de repente...
Estava por toda parte.
Agora, novas provas...
Estamos começando a ver o contorno curvo do casco.
As forças envolvidas em algo assim
são inimagináveis.
E depoimentos e testemunhas oculares...
Dá para sentir a onda de calor sendo liberada.
É tão clara que dá para ver os ossos das suas mãos.
Tem algo ali.
Revelam como a corrida armamentista nuclear
e seu legado devastador...
Alerta vermelho!
A pressão é incrível.
Ela esmaga como se você não existisse.
...transformaram nossas vidas para sempre.
O experimento tornou este um lugar,
até hoje, essencialmente desabitado.
Três milhões de navios naufragados,
perdidos nas profundezas dos oceanos.
Ali está a proa. Puxa, é bonita.
Cada um é uma cápsula do tempo,
escondendo histórias de aventura, inovação...
O número de buracos naqueles destroços
é extraordinário.
...coragem, tragédia.
Estamos falando da morte de dez mil pessoas.
Agora a caçada começou,
para achar os navios, desvendar seus segredos...
Imagine estar em uma casa assombrada
com uma lanterna pequena.
Abandonar o navio.
Houve um acidente terrível.
Eu implorei para que eles voltassem.
E tudo ficou quieto.
...escutar suas vozes outra vez.
OPERAÇÃO NAUFRÁGIOS
NAUFRÁGIOS NUCLEARES
Uma equipe de cientistas da Universidade de Delaware
está no Atol de Bikini, no meio do Oceano Pacífico,
para desvendar o legado
de um grande experimento do governo norte-americano.
Nós transformamos
este barco de alumínio de aparência bem modesta
na mais avançada plataforma de mapeamento sonográfico
a ser trazida para Bikini.
Equipada com um Sonar 3D,
uma equipe de apoio e mergulhadores,
a equipe de pesquisa está à procura de vestígios
de um exercício naval norte-americano
conhecido como "Operação Crossroads".
Levamos aproximadamente seis dias,
doze horas e trinta minutos para chegar aqui.
É o local mais distante em que eu e minha equipe
já estivemos para realizar uma expedição.
Hoje, o atol está tranquilo.
A vida marinha floresce,
ao lado de uma vegetação exuberante.
Mas, debaixo da água azul cristalina,
há um grande cemitério
de navios de guerra desaparecidos.
Envolveu 242 navios de diversos tipos,
25.000 instrumentos de medição diferentes.
Trouxeram 5.500 cabras, porcos e ratos
para testar o efeito.
Era para ser um espetáculo midiático,
então convidaram 170 jornalistas de diversos países
com o intuito de espalhar a notícia
por todo o mundo.
Bikini fica em uma das partes mais remotas
das Ilhas Marshall,
que são um dos locais mais remotos do planeta.
Estamos o mais distante possível das terras
e de regiões altamente populosas,
e é exatamente por esse motivo que escolheram essa área.
Bikini pode até ser remoto,
mas em 1946,
era o lar de uma comunidade próspera.
Havia 167 pessoas
que haviam morado lá por gerações.
Tinham uma vida simples,
com base na pesca
e alimentos proporcionados pela natureza.
Após ocupar o Atol de Bikini em 1944,
o exército americano passou a querer
expulsar os ilhéus.
Havia pessoas muito poderosas lá,
todas de uniforme.
Perguntaram aos bikinianos
se estariam dispostos a ir embora.
E os bikinianos...
Eles nunca pensaram que tinham escolha.
Disseram a eles,
com uma forte ênfase na moral cristã,
que era a vontade de Deus
que eles se mudassem para outra ilha,
e que estariam contribuindo à paz mundial
se fizessem isso.
Os bikinianos foram realocados a 200 quilômetros a leste,
para Rongerik, um atol bem menor.
E então, em um dia de julho de 1946,
sua terra natal foi transformada para sempre.
O experimento mais explosivo da história
está prestes a começar.
E 73 anos depois,
a equipe de pesquisa tenta localizar
os destroços que afundaram durante a primeira fase
da Operação Crossroads.
Sim. A bombordo?
O sonar capta um objeto
em posição praticamente horizontal
no fundo da laguna.
Parece incrível!
Tem alguma coisa ali.
É a primeira vez que cientistas marinhos
localizaram destroços nesta parte da laguna.
É. É, com certeza tem uma linha saindo daqui.
É, parece que isso foi esmagado contra o fundo do mar.
Ao comparar sua localização na laguna
com o relatório de 1946 do governo,
a equipe concluiu
que esse pode ser o cruzador japonês Sakawa,
mas precisam confirmar.
Será que esses destroços são mesmo dele?
Um dos poucos grandes navios de guerra japonese
a sobreviver à guerra?
E bem ali,
no ponto mais alto dos destroços,
está a prova de que precisam.
Os resquícios de um dispositivo de monitoramento
instalado nos barcos da frota de teste.
Este só pode ser o Sakawa.
O levantamento dos mergulhadores hoje no Sakawa
vai nos ajudar na interpretação dos dados sonográficos.
Será a primeira oportunidade de uma pesquisa abrangente.
O Sakawa tem 168 metros de comprimento
e pesa mais de seis mil toneladas.
Entrou em serviço perto do final da guerra em 1944,
mas, a escassez de combustível devastadora do Japão,
fez que ele nunca saísse do território japonês.
Após a guerra,
foi utilizado para trazer soldados japoneses para casa,
até que foi entregue à Marinha dos Estados Unidos
como um troféu de guerra em 1946.
Era um navio novo e intacto no início dos testes.
Quanto resta dele hoje em dia?
Quando se mergulha até o Sakawa,
dá para ver a estibordo as dobras bem definidas.
Estes destroços foram esmagados.
Os danos são enormes.
Imagino que só uma temperatura bem alta,
um clarão, muito calor e compressão
seriam capazes de dobrar aço desta forma.
Ele levou uma surra.
Ninguém da equipe havia encontrado
um naufrágio como esse antes.
O que podemos ver
através dos dados sonográficos do Sakawa
são sinais de destroços danificados e retorcidos.
De volta à embarcação de pesquisa,
a equipe estuda as imagens do sonar.
O Sakawa foi bem danificado.
Teria sido fácil ignorar
essa pequena lombada que ele se tornou.
Seria esse o resultado
de uma explosão nuclear certeira?
O mundo nunca tinha visto esse tipo de teste,
os tipos de forças liberadas nesta laguna paradisíaca.
Uma equipe de pesquisa da Universidade de Delaware
encontrou destroços que nunca foram inspecionados,
um cruzador japonês
afundado pelos testes nucleares da Operação Crossroads.
Pode ser bem difícil
reconhecer imediatamente que é um navio,
o que é, na verdade,
um dos motivos de, nos anos 80 e 90,
ele não ter sido encontrado.
Podemos ver que os destroços estão bem enterrados.
O que parece estar exposto
é o lado estibordo dos destroços,
e um pouco da superestrutura da proa
e da popa do navio.
Os destroços retorcidos do Sakawa
condizem com um relatório militar
escrito um pouco antes de ele afundar.
Sua popa inteira recebeu muitos golpes.
Sua torreta traseira não era visível
acima do nível de seu convés principal.
Suas chapas laterais foram retorcidas
e dobradas 45 graus para dentro.
O Sakawa recebeu um golpe incrivelmente poderoso.
Dois testes foram conduzidos em 1946.
O primeiro foi um teste
de detonação de uma bomba atômica no ar.
Por que os Estados Unidos
decidiram brincar de guerra nuclear?
Era 6 de agosto de 1945,
e a jovem Kikue Shiota, de 21 anos, estava em casa,
na cidade japonesa de Hiroshima.
Era um dia incrivelmente lindo.
Houve um clarão de luz ofuscante,
como se mil lâmpadas fluorescentes
tivessem sido acesas todas ao mesmo tempo.
A casa de Kikue desmoronou.
A cidade foi destruída.
Pelo menos 70.000 pessoas morreram instantaneamente,
incluindo a irmã de 14 anos de Kikue.
Logo, sua mãe também se juntaria
aos milhares que morreram por exposição à radiação.
A Segunda Guerra terminou
com os dois primeiros ataques nucleares
da história militar.
O impacto global
das explosões em Hiroshima e Nagasaki
foi gigante.
De repente, mudou a natureza da guerra.
Bombas atômicas são tão destrutivas
que muitos começaram a questionar
o valor das armas convencionais.
Os Estados Unidos se tornaram uma superpotência,
mas seus líderes enfrentaram vários dilemas.
Será que o Exercício, a Força Aérea e a Marinha
ficariam vulneráveis
assim que um inimigo desenvolvesse a bomba atômica?
E neste caso,
qual braço das Forças Armadas
teria melhores condições de guerrear na era nuclear?
Defensores da Marinha queriam demonstrar
que uma frota naval resistir a bombas atômicas,
enquanto defensores da Força Aérea
queriam demonstrar que eles estavam vulneráveis.
A única maneira de resolver a questão
era com uma série de testes em larga escala.
Assim nasceu a Operação Crossroads.
E, em primeiro de julho de 1946,
o primeiro teste nuclear, nomeado Teste Able,
estava prestes a começar.
Quase cem navios foram selecionados
para servirem como alvos em um ataque na laguna.
Cruzadores, encouraçados, contratorpedeiros,
assim como navios alemães e japoneses capturados.
A bomba foi colocada em um Boeing B-29 Superfortress
da Força Aérea dos Estados Unidos.
Era bem parecida com a bomba de Hiroshima,
pelo modo como seria detonada no ar acima da frota.
E 95 navios-alvo estavam em posição.
Alguns continham equipamentos e animais
para se testar os efeitos da radiação.
Centenas de câmeras controladas remotamente
foram instaladas e estavam prontas.
Jornalistas e observadores do mundo inteiro
aguardavam o grande momento.
Chegou a hora de lançar a bomba atômica aérea
em Bikini.
O experimento mais explosivo da história
está prestes a começar.
Voando para Bikini a oito mil metros de altura,
às 8:59 da manhã,
o B-29 Superfortress lançou sua bomba atômica.
Ela detonou 158 metros acima da frota.
Dá para sentir a onda de calor sendo liberada.
É tão clara que dá para ver os ossos das suas mãos.
A bomba explodiu a apenas 384 metros do Sakawa.
A bola de fogo e a onda de choque
mandaram o cruzador leve direto para o fundo da laguna,
mas ele foi uma exceção.
Dos 95 navios, apenas 5 acabaram afundando,
e, dentre estes,
não havia nenhum dos navios grandes.
A expectativa na cabeça de várias pessoas
era que a arma nuclear varreria navios de guerra para longe,
mas isso não ocorreu.
Então, as pessoas pensaram:
"É só isso que eles têm para mostrar?"
Então, de certa forma,
o teste foi considerado um fracasso no começo,
levando em conta
sua incapacidade de destruir uma frota.
Para os observadores
da Força Aérea e das Forças Armadas,
o Teste Able foi uma decepção.
O grande espetáculo que nos prometeram
foi um fiasco.
Parecia que, até aquele momento,
a Marinha ainda era viável.
Mas, na laguna de Bikini,
a equipe de pesquisa descobriu mais um navio,
e desta vez é um dos grandes.
A endentação é inacreditável.
É enorme.
Um poderoso navio de guerra
afundado durante um segundo teste nuclear.
Seria essa a prova de que a Operação Crossroads
foi capaz de dar um golpe mortal atômico
nas Marinhas convencionais?
A equipe de pesquisa está na laguna de Bikini
procurando navios desaparecidos durante outro teste nuclear.
O barco está logo ali, certo?
Realizado um mês após o Teste Able,
o chamado Teste Baker, daquela vez,
foi bem diferente.
Assim que começamos a trabalhar com os dados do mapeamento,
fomos capazes de enxergar a cratera Baker,
e é imensa.
Tem mais de 600 metros de diâmetro.
O Teste Baker deixou sua marca na geografia de Bikini,
mas qual foi seu impacto na frota-teste nesta laguna?
O sonar captou uma embarcação.
Com 26 mil toneladas,
ela é quatro vezes maior
do que qualquer navio afundado pela primeira explosão.
Começamos a analisar o USS Arkansas,
que estava bem perto da cratera Baker.
Tem algum tipo de ondulação no...
Sim.
A imagem 3D criada pelo sonar
revelou alguns danos incomuns.
Olhando para alguns dos dados da nuvem de pontos,
dá para ver formação de cracas ao longo de seu casco,
e queremos investigar mais com os mergulhadores.
A 55 metros abaixo da superfície da laguna,
os mergulhadores avaliam os danos.
Lembre-se, isso é blindado, é aço grosso.
É um navio de guerra.
Foi como que empurrado até o núcleo do navio.
As dobras nele têm 2 ou 3 metros de profundidade,
e estão por toda a extensão do casco.
É de tirar o fôlego.
As forças de algo assim são inimagináveis.
Ambas as bombas utilizadas
nos testes Able e Baker são idênticas.
Mas, enquanto o Able afundou
apenas as menores embarcações da frota,
a explosão do Baker acabou
com um navio de guerra fortemente blindado.
Por quê?
Foi a primeira vez que tentamos averiguar
o que acontece quando se explode uma bomba atômica na água.
A bomba Baker foi suspensa como uma mina,
presa a uma corrente de âncora
a 27 metros abaixo de uma barcaça.
Era uma bomba atômica de 23 quilotons.
O mesmo tipo de bomba que havia dizimado Nagasaki.
As embarcações que sobreviveram ao primeiro teste
foram mais uma vez
firmemente ancoradas e preparadas.
O USS Arkansas foi posicionado
a apenas 230 metros da bomba Baker.
Obrigado.
Cinco.
Quatro.
Três.
Dois.
Um.
Fogo!
Toda a área-alvo pareceu pular para fora da água
como uma coluna enorme.
Foi lançada 1.500 metros no ar
e depois caiu como as Cataratas do Niágara.
A primeira coisa óbvia
é, claro, que foi extremamente espetacular.
A laguna inteira pareceu voar pelos ares.
A água engoliu a frota inteira
dentro de apenas dois ou três segundos.
O Arkansas foi posicionado perto do epicentro da explosão
por conta de sua idade e reputação de ser resiliente.
O Arkansas havia sobrevivido a ataques Kamikaze.
Era um barco forte, e um ótimo exemplo
do que uma arma nuclear é capaz de fazer
a uma embarcação bem protegida.
Quando a água baixou,
não havia mais o menor sinal do Arkansas.
Um relatório do governo norte-americano
descreveu o destino do Arkansas.
Pareceu ter sido esmagado
como que por uma martelada vinda de baixo.
Ele sofreu danos muito sérios.
Na verdade, costumava-se achar que era a marca negra
na haste da nuvem de cogumelo.
Mas a marca negra era, na verdade,
fuligem sendo expelida por seu funil,
por conta dos efeitos da onda de choque
na parte inferior do navio.
O velho Arkansas ganhou um lugar especial
na história naval.
Foi o primeiro navio de guerra afundado por uma arma nuclear.
O método de detonação da bomba Baker
fez toda a diferença.
Por se tratar de uma detonação subaquática,
os danos são muito maiores
porque o choque se propaga pela água
com muito mais eficácia do que pelo ar.
O Teste Baker pode até ter sido mais destrutivo que o Able,
as seria ele a arma do juízo final
que acabaria com o papel da Marinha convencional?
Quando a bomba explodiu, dentro de um segundo,
a água encobriu tudo completamente.
Escondido por trás da parede de água,
estava um grande avio de guerra japonês,
o Nagato.
Aquela parede de água
subiu dois quilômetros e meio de altura,
cheia de corais, cheia de leito marinho,
e depois desceu de novo.
O Nagato ainda flutuava.
A explosão Baker afundou um total de nove navios,
de modo que o total geral de ambos os testes foi de 14.
Eles esperavam que toda a flotilha
acabasse no fundo do porto de Bikini,
então, de certa forma, foi um pouco decepcionante.
Enquanto a equipe de pesquisa vasculha a laguna,
o Atol de Bikini gradualmente revela
mais de seus segredos.
Estamos vendo algo que parece ser
um bloco de atracação através do sonar.
Em breve vamos conseguir ver os dados aqui.
Surpreendentemente, a embarcação parece ser
outro navio de guerra grande.
Estamos começando a ver o contorno curvo do casco.
Coincide com o tamanho e a configuração do Nagato.
O Nagato continuou flutuando após a explosão Baker,
mas como, ainda assim,
seus destroços estão no fundo desta laguna?
Mergulhar até o Nagato é uma visão e tanto.
Quando eu fui até a parte lateral do navio,
tive uma visão que nunca vou esquecer
enquanto estiver vivo.
Eram os dois barris de pólvora de 41 centímetros.
Se algum dia houve um navio ameaçador,
era o Nagato.
Tinha 220 metros de comprimento.
Este navio causava impacto.
Foi o primeiro navio
a carregar canhões de 41 centímetros.
O Nagato é, com certeza, um navio de guerra icônico.
O Nagato é conhecido
como o navio-chefe do almirante Yamamoto,
que planejou o ataque a Pearl Harbour.
Foi no passadiço que ele escutou pelas ondas de rádio
o famoso sinal: "Tora! Tora! Tora!"
Mais à frente, nos deparamos com o passadiço.
Ficamos cara a cara com o local
de onde o Yamamoto deu as ordens do ataque a Pearl Harbour.
Mas essencialmente, não há sinais visíveis
de danos causados por explosão em seu casco,
então por que os destroços do Nagato
vieram parar aqui?
Debaixo das ondas da laguna de Bikini,
encontra-se o navio de guerra Nagato.
Mais à frente,
nos deparamos com o passadiço.
Aquele templo tinha 13 metros de altura.
O navio-chefe japonês,
durante o ataque a Pearl Harbour,
foi construído para resistir a vários golpes.
Quando a guerra terminou,
era o único navio de guerra japonês
que continuava flutuando.
Para os americanos, ele era o alvo ideal,
e foi posicionado a 730 metros da segunda bomba teste.
Eu gostaria que navios de guerra japoneses
fossem levados para o mar
e que lançassem uma bomba atômica neles.
Não consigo pensar em nenhuma utilidade melhor.
O Nagato foi atingido pelo maremoto
gerado pela detonação subaquática.
Mas quando a água baixou,
ele reapareceu, ainda flutuando na superfície,
apenas adernando um pouco.
Como pode imaginar,
isso gerou um pouco de irritação extraoficial,
porque lá estava o Nagato resistindo à bomba atômica.
Após as duas detonações atômicas,
o casco do Nagato aparenta estar intacto,
e, ainda assim, aqui está ele, no fundo da laguna.
Devido ao mau estado de conservação
antes dos testes em Bikini,
a explosão Baker reabriu antigas feridas.
E, pouco a pouco, a água começou a entrar,
inundando seu lado estibordo.
O Nagato necessitava de apenas pequenos consertos,
mas, após o teste Baker,
até mesmo pisar a bordo poderia ser fatal.
Ninguém esperava
medidas altas de radiação do contador Geige
quando tentaram embarcar em alguns dos navios.
O Nagato era o que se chamava de "quente demais para manusear"
de acordo com a terminologia,
ou seja, não se podia embarcar nem para recuperar instrumentos.
O Nagato, agora uma carcaça radioativa,
foi abandonado,
e, cinco dias após a explosão Baker,
começou a afundar até o fundo da laguna.
O Teste Baker liberou a força total da guerra nuclear
em cima da frota de Bikini.
A explosão subaquática
levantou bilhões de toneladas de água e areia
bem alto no ar,
que, misturadas com o material radioativo da bomba,
caíram como uma chuva radioativa em cima dos navios,
tornando-os inutilizáveis.
Os efeitos da radiação
eram o golpe tenebroso das armas nucleares,
e uma ameaça escondida.
Em um atol 400 quilômetros a sudeste de Bikini
estão os destroços emborcados de um navio de guerra inimigo
utilizado nos testes.
Mas, desta vez,
é uma embarcação de última geração
que a Marinha dos EUA desejava manter.
Por conta do navio estar virado,
obviamente, sua orientação está de cabeça para baixo.
Através dos vãos das portas, vemos filas de lavatórios.
Há estantes de livros e armários,
e ainda podemos ver os suportes das camas
dentro dos destroços.
Não era um navio padrão de sua classe.
Esta embarcação já foi mundialmente famosa.
Então, outra antiga embarcação inimiga da Crossroads
era, no mínimo, ainda mais famosa que o Nagato.
Era o cruzador alemão Prinz Eugen.
Lançado ao mar em 1938 na presença de Adolf Hitler,
o Prinz Eugen desempenhou um papel fundamental
em uma das mais celebradas vitórias da Marinha Alemã
durante a guerra.
Esteve presente no Estreito da Dinamarca
quando o Bismarck afundou o Hood.
Foi o único navio de guerra alemão
a sobreviver intacto à guerra.
Sua tripulação o apelidou de “navio da sorte,”
e sua boa sorte o acompanhou até Bikini.
Não era à toa
que chamavam o Prinz Eugen de “navio da sorte,”
pois aquele navio sobreviveu a duas explosões atômicas.
Por que a sorte do Prinz Eugen finalmente acabou,
e por que seus destroços estão tão distantes de Bikini?
Naufragados em um atol nas Ilhas Marshall
estão os resquícios
de uma das embarcações de tecnologia mais avançada
da Marinha de Hitler.
O navio acabou ficando de cabeça para baixo.
A proa está a cerca de 35 metros de profundidade,
e a popa está para fora d'água.
Por ser um sobrevivente dos testes nucleares em Bikini,
a Marinha americana desejava ficar com ele.
Já que o Prinz Eugen
era uma das embarcações mais modernas
da Marinha alemã,
era de grande interesse para os americanos.
O objetivo era estudar
sua maquinaria alemã delicadamente projetada,
e seus telêmetros e lentes.
Mas tinha um grande problema
com as embarcações sobreviventes da frota-teste de Bikini,
a radiação.
Duas semanas após o Teste Baker,
o observador militar
enviou um memorando confidencial de volta à base.
A Marinha não tinha ideia
de que esse negócio de contaminação
seria um problema tão grande.
Eles estão quebrando a cabeça à procura de uma solução.
Tentativas de lavá-los e esfregá-los
falharam na maioria dos casos.
O Prinz Eugen foi um dos casos em que isso falhou.
O Prinz Eugen fazia parte de um grupo de navios
rebocados até o Atol de Kwajalein,
onde bateu em um recife de corais
e afundou.
Os navios podiam até ter saído de Bikini,
mas a radiação não.
Para quem queria retornar e se mudar para lá,
ainda não era seguro o suficiente
comer os cocos ou os peixes e caranguejos da região.
O experimento tornou este um lugar
até hoje desabitado.
Os nativos disseram "adeus" a seu lar em 1946,
mas as promessas feitas a eles na época
foram quebradas.
Disseram a eles que logo poderiam voltar,
mas, na verdade, a radiação residual
fez com que isso nunca acontecesse.
A radiação também afetou as ilhas vizinhas.
A história sobre o que aconteceu com essas pessoas
nas mãos do país mais poderoso do mundo
e o modo como trataram essas pessoas...
Detonaram 20 bombas de hidrogênio em suas ilhas.
Foi uma história realmente terrível,
e afetou todo mundo daqui para sempre.
Durante as décadas seguintes,
centenas de soldados e marinheiros
envolvidos nos testes nucleares
relataram problemas de saúde,
incluindo câncer, fragilidade óssea
e defeitos congênitos em seus filhos.
Seus raios podem ter efeitos estranhos na pele.
Os efeitos da radiação nos nativos das Ilhas Marshall
foram passados através de gerações
Em setembro de 1946,
com a frota-teste ainda praticamente intacta,
o presidente cancelou a Operação Crossroads.
A maioria dos navios resistiram às bombas atômicas.
Isso significava que a Marinha voltaria ao normal?
Navios contaminados se tornaram fornos radioativos,
e seriam capazes de queimar todos os seres vivos a bordo
com uma radiação invisível, mas fatal.
O que uma bomba atômica é capaz de fazer
é imobilizar uma flotilha naval.
Não destruindo os navios,
mas fazendo que as tripulações desses navios
adoeçam ou morram.
Até novembro,
quase todos os animais utilizados no Teste Baker
haviam morrido de envenenamento por radiação.
O resto da frota atômica
também estava altamente contaminada,
incluindo o Prinz Eugen da sorte.
Atracado no Atol de Kwajalein, começou a afundar em dezembro.
Por conta do último impacto gigantesco
de uma explosão nuclear,
algumas válvulas subaquáticas se soltaram,
e aquilo selou seu destino.
Seria um reparo simples, se fosse seguro embarcar nele.
A Marinha dos Estados Unidos precisava agir rápido.
Decidiram que ele seria levado até a praia do atol.
Enquanto era rebocado até a praia,
a onda de sorte do Prinz Eugen
terminou com a chegada de uma ventania tropical forte.
O vento soprava de lado contra o cruzador,
e os dois rebocadores não tinham força
para rebocá-lo até o local da praia designado.
Ele acabou batendo contra um recife de corais
e virando de cabeça para baixo,
afundando bem ali no Atol de Kwajalein.
Seus destroços emborcados estão lá até hoje
e se tornaram uma atração turística.
O naufrágio do Prinz Eugen é um lembrete
de como a Operação Crossroads mudou o futuro da guerra.
A Operação Crossroads
é um símbolo espetacular do fim do navio de guerra,
porque hoje em dia eles são inúteis.
Vulneráveis a explosões nucleares
e radiação fatal,
navios de guerra se tornaram alvos fáceis.
A necessidade, agora,
era de embarcações secretas e furtivas.
Nos anos 50,
os americanos haviam descoberto que usar energia nuclear
era um ótimo jeito de gerar vapor
para turbinas para mover submarinos.
O submarino nuclear é capaz
de navegar oculto debaixo d'água por meses,
e atingir alvos com seus mísseis nucleares
sem ser detectado.
A Guerra Fria se tornou um jogo de esconde-esconde.
Submarinos movidos a energia nuclear
conseguem ficar ocultos à espreita
perto da costa inimiga por meses.
Mas isso nem sempre os torna seguros.
O Thresher era como se alguém tivesse pegado um submarino
e passado por um triturador.
Estava por toda parte.
Os testes nucleares em Bikini
prenunciaram um novo tipo de guerra.
O conflito naval foi para baixo das ondas.
Os submarinos eram a linha de frente
da Guerra Fria.
Não era possível escutar um submarino nuclear.
Rainha do oceano.
Em 1963,
encarregado de neutralizar a ameaça soviética,
está o mais moderno submarino de ataque
movido a energia nuclear da Marinha dos EUA.
O Thresher, do ponto de vista tecnológico,
foi o submarino mais avançado já construído.
Mergulhava mais,
e navegava mais rápido do que qualquer outro.
Mas logo após ser lançado,
as coisas deram terrivelmente errado
para o USS Thresher.
E hoje,
a 2,4 km do Atlântico Norte,
estão seus resquícios destruídos.
O que podemos ver aqui
é o campo de escombros do Thresher,
mas foram completamente triturados.
É uma carnificina.
Em 1985,
o explorador marítimo Dr. Bob Ballard
estava em uma missão confidencial
para desvendar um mistério da Guerra Fria.
Por que o USS Thresher,
outrora o submarino nuclear da Marinha dos EUA
mais avançado e moderno,
afundou com toda a tripulação?
No dia 9 de abril de 1963,
o navio novo em folha Thresher
zarpou de Portsmouth, em Nova Hampshire,
para realizar testes marítimos.
O que os americanos queriam era operar em profundidades
que os soviéticos não seriam capazes.
Às 7h47 da manhã do dia 10 de abril,
350 quilômetros a leste de Boston,
o Thresher começou seu teste de mergulho profundo.
Enquanto mergulhava,
o Thresher era monitorado pelo USS Skylark.
Enquanto o Thresher mergulhava, receberam um relatório
dizendo que estavam tendo pequenos problemas.
Pequenos problemas.
Temos flutuação positiva.
Tentando esvaziar tanques.
Cinco minutos depois,
receberam outro relatório ininteligível,
a não ser por:
"Ultrapassando profundidade teste."
O capitão do Skylark relatou ter ouvido um chiado alto,
mas não houve nova comunicação com o Thresher.
Às nove horas da noite, não restavam dúvidas.
O submersível do Bob Ballard
levou duas horas para descer os 2.590 metros
até o que havia sobrado o Thresher.
Eu cheguei lá e não havia nada,
só havia lama, solo oceânico, e então...
Estava por toda parte.
Espalhado ao longo de 1,6 km do fundo do mar,
ele claramente havia sido destruído
por uma explosão imensamente poderosa.
Seu trabalho era caçar e destruir
os submarinos soviéticos perto da nossa costa.
Nesse jogo de alto risco,
será que o Thresher havia afundado
após um confronto com um submarino soviético?
Eu estava sempre esperando
ouvir um torpedo subaquático de alta velocidade
vindo em minha direção.
O ocorrido com o USS Thresher e sua tripulação
permaneceu envolto em mistério por mais de 50 anos,
mas agora a verdade está começando a vir à tona.
As primeiras pistas são os canos dobrados no fundo do mar,
projetados para resfriar o reator nuclear.
Um relatório naval confidencial
já os havia identificado como um ponto fraco.
Ballard acredita que um ou mais começaram a vazar.
NOVEMBRO DE 1962 ÍNDICE DE FUGA 13,8%
Então começou a entrar água, com uma pressão extrema.
Quando ela entrou, foi como um jato.
E gerou um curto-circuito no sistema elétrico,
e quando isso ocorre,
o reator nuclear automaticamente desliga.
Com o desligamento do reator nuclear,
não havia energia para mover os propulsores.
Eles não funcionam. Ficam parados.
O Thresher ficou preso a 300 metros de profundidade.
única forma de escapar seria bombeando ar comprimido
nos tanques de lastro para trazê-lo à superfície.
Mas ninguém nunca mergulhou tão fundo,
e os tanques de lastro estavam congelados.
E a última mensagem foi:
"Ultrapassando profundidade de colapso."
O Thresher foi projetado para suportar pressões
encontradas a profundidades de até 390 metros,
mas o submarino continuou mergulhando.
Então, eles sabiam que iam colapsar.
E essa é uma morte horrível, porque não há o que fazer.
Ele afundou 730 metros.
Nesta profundidade,
a pressão é de 70 quilos por centímetro quadrado.
Uma implosão é uma explosão gigantesca,
e aquilo destruiu o submarino.
Uma tragédia para a tripulação e suas famílias,
e para a nação.
Quando eu vejo os destroços do USS Thresher,
vejo um cemitério.
Vejo 129 homens que perderam a vida.
DEDICADO AOS HOMENS DO USS THRESHER
O número oficial de submarinos desaparecidos
durante a Guerra Fria é nove,
mas a quantidade de informações sigilosas
mantidas até hoje é tão grande, que é difícil dizer.
Muitos submarinistas corajosos de ambos os lados
perderam suas vidas
em uma guerra naval não declarada,
uma guerra que teve início no Atol de Bikini.
Atualmente, há mais de mil ogivas nucleares no mar.
Ninguém nunca detonou uma em um momento de raiva.
É incrível.
Mas, no fim, se resume ao fato
de que quem aperta o botão é humano.
Provavelmente não quer fazer isso.
Será que as armas nucleares
tornaram a guerra tão catastrófica
que acabou se tornando inconcebível?
Pode ser esse o caso.
Mas essa equação depende
de líderes agindo de forma racional.
Também depende de sorte, e a questão é,
quando nossa sorte acabará?
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