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Zulu
Lançar ROV.
O alvo está bem à nossa frente.
Três submarinos U-boat perigosos feitos para destruir.
Quarenta dias submersos, e 17 dias na zona de operação.
Quatorze mil toneladas afundadas.
Agora se encontram destruídos no fundo do oceano.
"O submarino abriu fogo com uma metralhadora.
Eu senti as bombas explodindo."
Estes submarinos naufragados estão no fundo do mar
e caindo aos pedaços.
Alguns desaparecerão por completo.
É uma corrida contra o tempo encontrá-los
e ligar as pistas.
Vejam só isso. Está partido ao meio.
Eu nunca tinha visto um assim.
Para que estes destroços possam contar suas histórias
antes que seja tarde demais.
Três milhões de navios naufragados,
perdidos nas profundezas dos oceanos.
Ali está a proa. Puxa, ela é bonita.
Cada um é uma cápsula do tempo,
escondendo histórias de aventura e inovação...
O número de buracos naqueles destroços
é extraordinário.
...coragem e tragédia.
Estamos falando da morte de dez mil pessoas.
Agora a caçada começou,
para achar os navios, desvendar seus segredos...
Imagine estar em uma casa assombrada
com uma lanterninha.
Houve um acidente terrível.
Implorei que voltassem.
E tudo ficou quieto.
... e escutar suas vozes outra vez.
OPERAÇÃO NAUFRÁGIOS
ASSASSINOS DO FUNDO DO MAR
Uma equipe de arqueólogos marinhos
está partindo para uma missão.
Eles querem resolver um enigma de cem anos.
Vamos checar o local onde um submarino foi avistado.
O relato é de que é um U-boat.
É tudo que sabemos.
Vamos checar um local
que não está na história oficial publicada
de desaparecimentos de U-boats.
Então, do que se trata, é um mistério
O Innes está se dirigindo às Ilhas Scilly.
Um pequeno agrupamento de ilhas
a 40 quilômetros da ponta sudoeste da Inglaterra.
Os mergulhadores que encontraram os destroços
relataram sua localização a 48 km ao norte das Ilhas.
Em maio de 1917,
submarinos alemães aterrorizavam essas águas.
Hidroaviões patrulhavam a região à procura deles.
Um relato britânico relembra um encontro extraordinário
entre um U-boat e um dos aviões.
"Um submarino foi avistado e desviamos a rota para atacar.
O subtenente de voo William Anderson
soltou quatro bombas de 45 kg,
obtendo dois impactos certeiros.
O hidroavião circulou e avistou bolhas, espuma,
e quantidades consideráveis de óleo."
Uma aeronave agindo sozinha nunca havia afundado um U-boat.
Mas os registros alemães indicam
que um U-boat desapareceu na área naquela época.
Chamava-se UC66.
Seus destroços nunca foram encontrados e identificados.
Agora, Innes e sua equipe estão prontos
para iniciar a inspeção do local do naufrágio.
Eles irão utilizar um Veículo Submarino Operado Remotamente,
ou ROV,
equipado com câmeras conectadas ao navio de pesquisa.
O que eu quero é enviar o ROV até o local do naufrágio,
e ter uma visão do local.
Dar a volta nele com cuidado, definir do que se trata.
É um submarino? É alemão?
É da Primeira Guerra Mundial? De que classe ele é?
ROV, está pronto?
Sim. Em posição.
Todo mundo em posição
Lançar ROV.
Lá vai ele.
Essa parte é a mais estressante, de certa forma,
porque tentamos avaliar as condições
de quando o ROV alcançar os destroços.
Daqui consigo ver a parte de cima.
É, o alvo está aproximadamente 30 metros à nossa frente.
Aí está uma parte dele.
Isso é um hidroavião.
A frente do bombordo de um hidroavião.
Só sobrou a estrutura agora.
Originalmente, era cheio de cortiça,
com uma camada de metal na parte de fora.
São como abas em uma asa de aeronave.
O submarino é conduzido para cima e para baixo,
dá para estender ou baixá-las.
Foi estabelecido que é um submarino.
É um submarino,
mas é o que o Innes está à procura?
Consigo saber, só de ver, que é alemão,
e da Primeira Guerra Mundial.
Quando formos mais para cima, ficará mais aparente.
Em 1917,
as rotas marítimas em torno das Ilhas Scilly
eram cruciais à sobrevivência da Grã Bretanha.
Suprimentos cruciais dos EUA, Canadá e África
vinham por essas rotas
em direção aos portos da Grã Bretanha.
Os U-boats também ficavam aqui, escondidos debaixo das ondas,
atacando os navios mercantes e suas escoltas navais.
Os alemães decidiram matar os britânicos de fome.
Eles são uma nação insular
e precisam ser reabastecidos por navios.
Se os navios afundassem, seria o fim deles.
Só em abril de 1917,
eles afundaram 430 navios dos Aliados e neutros,
mais de 14 navios por dia.
Se continuasse assim, os alemães ganhariam a guerra.
Pode prosseguir com a inspeção.
É. Certo, vamos começar a subir.
O Innes está investigando o naufrágio misterioso,
procurando por pistas para ajudá-lo a definir
se é mesmo o UC66 desaparecido.
A estrutura está bem aqui.
Essa é a torre de comando.
Tem um buraco bem grande e enferrujado,
o que é interessante.
E ali na frente...
Parece que tem um motor acima do topo.
É, tem um periscópio bem ali.
Tem outro periscópio ali no topo.
Por ora, parece promissor.
No começo da Primeira Guerra Mundial,
a Marinha Alemã tinha apenas uma grande frota de U-boats,
como eram chamados.
Mas U-boats menores foram desenvolvidos.
Os barcos UB, pequenos torpedeiros,
e os barcos UC,
que possuíam a capacidade de implantar minas terrestres.
O UC66 é um lança-minas da classe UC.
É um U-boat versátil que pode atacar diretamente
usando torpedos e armas de convés,
assim como implantar minas
para explodir navios desavisados.
Uma característica única dessa classe de U-boats
são os seis tubos lança-torpedos na proa.
Se o Innes encontrar tubos lança-torpedos
nesse U-boat,
será que ele terá todas as provas de que precisa
para provar que esse é o UC66 desaparecido há tempos?
O arqueólogo marinho Innes McCartney
está inspecionando os destroços
de um U-boat alemão da Primeira Guerra Mundial.
Eu nunca tinha visto um assim.
Essa é a parte frontal
e está caída em cima do lado estibordo.
Agora ele precisa de provas
para comprovar que é o U-boat lança-minas desaparecido,
chamado UC66.
É a parte de baixo dos tubos lança-torpedos.
Tem dois tubos. Eram seis. Então podemos contá-los.
Um, dois, três.
Quatro.
Cinco.
Tem mais um. Seis.
Ótimo. Tem seis.
Não tenho dúvida que é um lança-minas classe UC2.
Os destroços foram identificados como sendo dessa classe.
É um resultado.
Mas é o UC66,
o U-boat bombardeado por um avião
em 1917?
Parece que acabamos de passar
pela rachadura na forma do casco do barco.
Veja só isso. Está quebrado ao meio.
Esse U-boat sofreu uma catástrofe
que o mandou para o fundo do Atlântico.
É um lança-minas da classe UC2,
e como tal, e por conta da localização
e dos danos por bombeamento,
eu concluiria que é um UC66.
O U-boat recentemente identificado
encontra-se a 100 metros do fundo do oceano,
quebrado ao meio por uma enorme explosão
ao lado da torre de comando.
Exatamente como foi descrito
no relatório do piloto britânico.
Agora é possível erguer os destroços do UC66
e recontar a história de sua missão final.
O UC-66 havia recebido ordens
para implantar minas no Canal de Bristol,
e afundar navios ao longo da Costa Irlandesa
antes de retornar a Zeebrugge.
Então foi nessa hora que passou pelas Ilhas Scilly,
quando estava entrando na área onde iria começar o trabalho.
No dia 27 de maio de 1917,
o UC66 abriu fogo contra um navio dos Aliados.
O tiroteio foi ouvido em Tresco, nas Ilhas Scilly,
e em resposta,
enviaram um de seus hidroaviões em direção ao incidente.
Sua Majestade,
o hidroavião número 8656 chegou rapidamente ao local.
Na clara luz da manhã,
o piloto John Hoare avistou uma sombra escura
na superfície da água.
"Às nove e meia, eu avistei um submarino.
Desviei a rota para estibordo,
para que o submarino ficasse à bombordo da proa,
para atacar com o sol atrás de mim."
O U-boat viu a aeronave
e pareceu entrar na água, escondendo a parte traseira.
Só a proa e a torre de comando eram visíveis.
E quando o avião mergulhou para atacar,
o U-boat abriu fogo com uma metralhadora Maxim.
"O submarino abriu fogo com uma metralhadora,
disparando, pelo que pude ver, três rajadas,
por volta de dez cartuchos cada,
a terceira delas atravessando a máquina."
A metralhadora disparou no avião,
que ficou crivado de balas.
Apesar de todos os danos, o hidroavião voou baixo,
soltando quatro bombas de 45 kg.
Duas delas caíram bem ao lado da torre de comando do U-boat.
"Eu senti as bombas explodindo.
O subtenente de voo Anderson veio até a parte de trás,
e relatou que o submarino havia afundado pela proa,
com a popa saindo para fora da água."
O submarino explodiu...
e foi visto afundando com o nariz para baixo.
É o único incidente da Primeira Guerra Mundial
em que uma aeronave sozinha afundou um U-boat.
Foi esse incidente com o UC-66, e ele desapareceu dos registros.
É um acontecimento único, sem precedentes.
O naufrágio do UC66
foi uma derrota rara para os alemães,
em um momento em que os Aliados tiveram dificuldades
para conter a ofensiva dos U-boats.
Não há nenhuma defesa contra o U-boat.
Ele é notavelmente eficaz.
Os U-boats em atividade
nos meses finais da Primeira Guerra
ainda afundavam 100 navios por mês.
E, na maior parte das vezes, conseguiam escapar.
O Innes se uniu a uma equipe da Universidade Bangor
para procurar por U-boats.
Estamos perto de Anglesey, no meio do Mar da Irlanda,
em uma rota aproximadamente entre Liverpool e Dublin,
que era, na Primeira Guerra, uma rota bem cheia.
Em 1917,
o Mar da Irlanda era uma zona de caça
crucial para os U-boats.
Eles atacavam os navios dos Aliados,
que só conseguiam chegar a Liverpool e Bristol
cruzando essa área.
Os alemães decidiram que iriam até locais
onde houvesse concentração de navios,
e o Mar da Irlanda era perfeito,
porque eles poderiam atacar muitos navios ao mesmo tempo,
ao invés de persegui-los pelo Atlântico.
Submarinos alemães atuando no Mar da Irlanda
eram tão perigosos,
que os Aliados os chamavam de "Beco dos U-boats."
Apesar de os U-boats
terem caçado abundantemente neste lugar,
naufrágios de U-boats no Mar da Irlanda
são incrivelmente raros.
O Innes está vasculhando a área
com outro tipo de tecnologia subaquática especializada.
Aquilo é um barco a vapor de lado.
Usamos o dispositivo tecnológico chamado sonar multifeixe
ou só multifeixe,
e ele emite um leque de ondas acústicas,
são 512 por segundo, que refletem no fundo do mar,
e são captadas por um receptor e modeladas em três dimensões.
Com esse nível de detalhe, somos capazes de identificar
até a classe de uma embarcação desse tipo.
O número de naufrágios de Aliados aqui
prova o quão perigosos os U-boats são.
A área que estamos estudando
possui 226 navios desaparecidos na Primeira Guerra Mundial.
E foram afundados por 55 U-boats diferentes,
de oitenta e oito patrulhas que atuavam na área.
A média de naufrágios por uma patrulha de U-boats
é cerca de, por patrulha, dois ou dois navios e meio.
Enquanto o multifeixe sonda o fundo do mar,
Innes avista algo que não é um naufrágio de navio britânico.
Estes destroços são, sem dúvida, de um submarino.
Os submarinos são fáceis de identificar
em dados batimétricos,
por serem finos e terem formato de tubo,
com uma parte alta central.
E este é um clássico naufrágio de submarino,
como foi representado pela tecnologia.
Será esse um novo tesouro arqueológico marinho?
Um U-boat da Primeira Guerra Mundial.
O arqueólogo marinho Innes McCartney
está examinando os dados de sondagem
de um submarino localizado no fundo do Mar da Irlanda.
Estamos no fundo do mar, a 100 metros de profundidade,
e somos capazes de obter medidas em centímetros.
Está claro que esse é um antigo submarino alemão
da Primeira Guerra Mundial.
Outro navio que afundou ali perto
pode conter pistas.
Um chamado SS Agberi,
atacado por um U-boat em dezembro de 1917.
"Sem que houvesse nenhum sinal de um submarino,
observamos um torpedo se aproximando,
que nos atingiu embaixo do passadiço."
Os destroços do Agberi
se encontram a 1,5 km desta localização.
Innes descobriu que um U-boat chamado U87
atuava nesta área na época, mas nunca voltou para casa.
Seria este o U87 encontrado no fundo do Mar da Irlanda?
O comprimento total da estrutura principal dele
é de cerca de 59 metros.
Innes compara os dados batimétricos
com os modelos e registros dos U-boats desaparecidos.
Podemos obter medidas precisas dos mecanismos deste submarino,
a distância entre a proa e o passadiço, até a popa,
e tudo isso corresponde exatamente ao U87.
Os dados ajudam a construir uma imagem mais clara
do U87 localizado no fundo do mar.
O U87 foi o melhor modelo de submarino
que os alemães foram capazes de construir de 1916 a 1917.
O U87 foi fabricado em fevereiro de 1917,
e afundou no mesmo ano.
Mas durante esse tempo, afundou vinte navios.
E, em sua patrulha final, imagina-se que até três.
Seu impacto, na época da guerra, foi devastador.
Sem dúvidas.
O U87 pode ter sido bem sucedido durante sua curta vida,
mas está entre os restos mortais de suas vítimas.
Então, o que o afundou?
Os dados de sondagem revelam uma pista crucial.
Este U-boat sofreu danos críticos.
Na parte traseira do submarino, há um buraco.
A parte da popa é completamente inexistente.
Enquanto Innes continua analisando os dados,
avista outra coisa no fundo do mar.
Tem uma peça menor interessante
cerca de cento e 160 m ao sul
do que parece ter sido a popa do U-boat.
Tenho quase certeza que faz parte dele.
A popa foi separada da estrutura principal,
o casco foi partido ao meio por um grande impacto.
Então como o U87 foi destruído?
Era Natal em 1917.
Por conta de estragos infligidos pelos ataques de U-boats,
os Aliados adotaram um sistema de comboios.
Todos os navios mercantes seriam protegidos
por escoltas navais fortemente armadas.
O U87, sob o comando de Rudolf von Speth-Schülzburg,
estava à espreita sob as ondas.
Avistou um comboio a caminho de Liverpool,
e voltou à superfície, preparando-se para atacar.
Ele lançou seus torpedos contra o SS Agberi
e o atingiu.
O navio-patrulha britânico P56 correu para ajudar o Agberi.
"Quando chegamos, o Agberi estava sem governo.
Era evidente que havia sido atingido por torpedos.
Sua tripulação abandonou o navio."
Ao invés de mergulhar e escapar do local da batalha,
o U87 permaneceu por perto, pouco abaixo da superfície,
procurando por novas vítimas, e com o periscópio exposto.
Os alemães ficaram tempo demais.
Estavam observando o Agberi afundar.
E foi neste momento que o P56 avistou o periscópio do U87.
O tenente William Florence acelerou seu navio
em direção ao U87.
Sua embarcação estava carregada de cargas de profundidade.
"Passei o periscópio, e quando estávamos lado a lado,
o comando deu ordens para soltar as cargas.
Duas cargas Tipo D
foram imediatamente lançadas, a 24 metros."
Passou onde o periscópio estava
e soltou a carga de profundidade em cima do U-boat.
A carga de profundidade explodiu perto do U87
enquanto ele mergulhava.
A carga de profundidade é um barril cheio de explosivos.
Ela explode a uma certa profundidade.
Uma onda de choque gigante.
É bem letal para um submarino,
porque a onda de choque
explode os motores para fora dos suportes,
fere a tripulação, quebra as coisas de dentro,
faz as baterias quebrarem,
trazendo gases de cloro para dentro do submarino,
envenenando a tripulação.
Explosões abalaram o U-boat.
O efeito foi devastador.
Dá para imaginar o choque dentro do submarino
quando aquilo explodiu.
E, na verdade, causou tantos danos
que o U-boat retornou à superfície.
Na superfície,
o U87 estava completamente exposto ao inimigo,
e o P56 acelerou diretamente em sua direção.
O navio-patrulha P-56
foi construído com um aríete reforçado,
projetado para cortar U-boats ao meio dada a chance.
"O P56 prosseguiu em alta velocidade
em direção ao submarino com a intenção de colidir.
Antes de atingi-lo, os motores foram desligados
para que a proa afundasse e ele conseguisse um bom golpe."
O U87 era um alvo fácil.
Não havia escapatória.
O P-56 o atingiu, passou bem por cima dele,
e efetivamente cortou a popa.
O U-boat afundou em segundos, matando toda sua tripulação.
Acho que a ação inteira acabou em questão de minutos.
Não havia dúvidas de que o U-boat fora destruído.
Na história mais ampla da Guerra,
o destino do U-87 era um sinal.
As vantagens dos U-boats começaram a ser corroídas
diante das novas táticas dos Aliados.
Havia uma variedade de tecnologias
para lidar com os U-boats
nos meses finais da Primeira Guerra.
Tinha a carga de profundidade.
Tinha o sistema de comboios.
Isso, em si, já mudou o jogo.
Nada mais teve um efeito parecido
com o do sistema de comboios.
Tudo isso começou lentamente, e com pequenos incrementos,
a colocar mais pressão nos U-boats
que operavam ao redor da Grã Bretanha.
Apesar disso, os U-boats continuaram
sendo uma força a ser reconhecida até o fim.
E apesar da Alemanha ter perdido a guerra
em novembro de 1918, ainda não era o fim dos U-boats.
Como estes destroços misteriosos
nas profundezas do Canal da Mancha.
Na Segunda Guerra Mundial,
afundou quatro navios sem jamais ser visto.
Mas como?
Innes está investigando
um dos mais importantes naufrágios de U-boat
da Segunda Guerra Mundial já descobertos.
Localizado a 32 km da costa sul da Grã Bretanha,
no fundo do Canal da Mancha.
As águas rasas daqui permitem
que os mergulhadores examinem os destroços
À primeira vista, parece um U-boat Tipo-7 padrão.
É um clássico U-boat de campanha costeira,
à princípio.
Está tombado.
Armamentos antiaéreos,
alguns dos outros equipamentos que esperaria encontrar
em um barco de 1944 a 1945.
Um U-boat Tipo 7 era a base da força alemã de U-boats
na Segunda Guerra.
Quase 800 U-boats
foram construídos durante a guerra,
com configurações diferentes.
Quando os mergulhadores exploram os destroços,
encontram provas de que o U-boat foi modificado
com um dispositivo chamado snorkel.
O snorkel permite
que os motores a diesel funcionem
enquanto o submarino está submerso,
o que significa que consegue evitar
a detecção por aeronaves e radares.
Se tivesse que subir até a superfície,
seria destruído antes de entrar em sua zona operacional.
A habilidade de percorrer longas distâncias rapidamente,
sem ser detectado,
era crucial para a estratégia alemã.
Até 1944,
os U-boats tinham uma prioridade principal,
impedir que comboios de Aliados
cruzassem o Canal da Mancha até a França,
após os desembarques da Normandia.
Mas essa não era uma missão simples.
O Canal da Mancha era perigoso para U-boats,
porque era uma das áreas
mais densamente e altamente fortificadas do mundo.
Havia patrulhas de superfície operando lá.
Havia observadores aéreos. Havia navios.
Havia cerca de 50 por cento de chance
de um capitão de U-boat não retornar
de uma missão no Canal da Mancha.
Servir em um U-boat após 1943
tornou-se, cada vez mais, uma missão suicida.
Então, a maioria dos U-boats afundava na primeira patrulha.
Além do equipamento militar dos Aliados,
os U-boats se depararam
com a mais nova variedade de tecnologias
desenvolvidas para encontrá-los.
Radares conseguiam identificá-los na superfície.
Os Aliados conseguiam captar e rastrear
qualquer sinal enviado.
E o mais letal de tudo,
os Aliados também possuíam o sonar.
Em termos de novas técnicas bélicas
que foram desenvolvidas para lutar contra os U-boats,
o sonar é provavelmente a mais importante de todas.
O sonar dava aos Aliados uma vantagem crucial,
a habilidade de ver sob a água.
Os U-boats passaram a ser visíveis a seu inimigo,
mesmo quando estavam totalmente submersos.
O sonar funciona a partir da emissão de pulsos sonoros,
depois mede a velocidade do eco.
Os U-boats eram vulneráveis ao sonar,
porque o sinal ricocheteava nos cascos de aço deles.
De repente, era possível identificar,
com exatidão e precisão,
onde os U-boats estavam debaixo d'água.
E isso, é claro, foi devastador para os U-boats,
porque passaram a lançar cargas de profundidade
ou qualquer uma das novas armas que tinham para atacá-los.
O desaparecimento de U-boats cresceu drasticamente.
Os mergulhadores examinando os destroços
avistaram algo incomum.
O U-boat está coberto de painéis de borracha.
A descoberta deste U-boat
com painéis de borracha é muito significativa,
porque os alemães estavam sempre procurando maneiras
de esconder os U-boats.
De fato, é uma tecnologia anti-sonar.
Os painéis de borracha efetivamente o tornam invisível
ao olho que tudo vê do sonar.
De certa forma,
pode-se dizer que foi a primeira tentativa
de criar algo como um U-boat furtivo.
A ideia era meio que absorver o sinal do sonar,
para que não fosse criada uma reflexão sonora,
para fazer com que o U-boat parecesse um buraco na água.
Os alemães deram um codinome
para sua nova tecnologia furtiva, Alberich.
Em homenagem a uma personagem da mitologia alemã
que possuía um manto da invisibilidade.
O Alberich oferecia a possibilidade
de tornar todos os seus U-boats invisíveis ao sonar.
Uma descoberta incrível.
Foi desenvolvido para fazer uma coisa,
ou seja, amortecer os pulsos do sonar
para que o submarino ficasse invisível,
e nós sabemos que foi muito eficaz.
Se esse U-boat era invisível,
por que foi encontrado totalmente destruído
no fundo do Canal da Mancha?
O arqueólogo marinho Innes McCartney
descobriu um U-boat no Canal da Mancha
envolto em uma camada de borracha.
Foi projetada para torná-lo invisível
ao sonar do aparelho de detecção dos Aliados.
Os destroços mostram sinais de danos graves.
Na popa, uma perfuração indica uma explosão violenta.
Se a camada de borracha tornava o U-boat invisível,
o que aconteceu?
Um trabalho de pesquisa meticuloso
permitiu que Innes identificasse este U-boat misterioso.
Não há registros de U-boats afundados no local.
Era questão de verificar os registros cuidadosamente,
e constatar submarinos Alberich e que fim tiveram.
Dos 12 U-boats conhecidos por ter revestimento Alberich,
apenas sete fizeram parte de operações,
e é o primeiro a fazer parte de uma patrulha
que se encaixa no perfil.
Ficou claro que o único U-boat com revestimento Alberich
que entrou no Canal da Mancha e nunca mais retornou,
foi o U480.
Apesar de acabar naufragando,
o U480 foi um U-boat muito bem sucedido.
Em agosto de 1944,
com o capitão Hans-Joachim Förster no comando,
estava em uma patrulha de caça no Canal da Mancha,
contando com sua nova tecnologia furtiva Alberich
para continuar escondido do sonar.
Entrou no Canal da Mancha,
encontrou uma boia de navegação e parou embaixo dela,
e então só aguardou, no fundo, escutando.
Quando ouvia um comboio se aproximando,
o submarino só subia até profundidade de periscópio,
lançava um torpedo...
e depois descia de novo.
Ele ficou lá por alguns dias e afundou quatro navios.
Entrar no Canal da Mancha,
afundar quatro navios e sair de novo,
é excepcional, sem precedentes.
Era uma patrulha devastadora
que pegava os comboios dos Aliados
completamente desprevenidos.
É uma tecnologia bem simples, mas é altamente eficaz.
Como os Aliados Ocidentais não a conheciam,
não sabiam que era usada,
não entendiam por que não encontravam o U-boat.
Ninguém conseguia descobrir onde o U-boat estava,
de onde vinha, onde desaparecia.
Enquanto os Aliados tentavam
desvendar o mistério deste assassino invisível,
o U480 retornou à base triunfante.
Sentindo-se confiante,
o capitão Förster decidiu quebrar o silêncio no rádio
e comunicar o grande sucesso de sua tripulação.
"De Förster.
Quarenta dias submerso. 17 dias na zona de operação.
Quatorze mil toneladas afundadas.
Na perseguição de cargas de profundidade,
cinco metros acima do fundo.
Alberich funciona bem.
Apesar de o capitão ter criptografado sua mensagem
usando a máquina Enigma,
ela foi interceptada e rapidamente decodificada.
A esta altura da Guerra,
o Bletchley Park e seu homólogo americano,
a sala secreta, estavam preparados
com equipamentos de decodificação,
e foram capazes de decodificar rapidamente
as mensagens da Enigma vindas dos U-boats.
O Almirantado Britânico sabia sobre Alberich,
tinham ouvido o termo no rádio,
tinham uma vaga noção
de que era uma tecnologia de amortecimento de som,
provavelmente de borracha,
mas não faziam ideia de como era.
A Inteligência Britânica ligou os pontos.
Foram capazes de fazer a conexão do U480
com o submarino que operava com tanto sucesso no Cana.
Em 6 de janeiro de 1945,
o U480 deixou a segurança de sua Base Naval do Báltico
e, mais uma vez,
dirigiu-se à sua velha zona de caça.
Desta vez, os Aliados estavam à escuta,
caso o U480 quebrasse o silêncio no rádio novamente.
Em 19 de janeiro,
o U480 recebeu um sinal de rádio
para voltar à velha zona de patrulhamento.
A Inteligência Britânica decifrou a mensagem.
Os Aliados sabiam que o U-boat estava a caminho
do Canal da Mancha,
e indo direto para uma armadilha.
O U-boat U480 estava a caminho do Canal da Mancha
para uma nova missão.
A tripulação estava confiante
de que o escudo de borracha Alberich
os tornava invisíveis ao sonar dos Aliados.
Mas os britânicos sabiam sobre a rota do U480
e elaboraram um plano para destruí-lo.
Em um relatório confidencial,
um dos especialistas em minas da Marinha Real Britânica,
o comandante John Cowie, escreveu:
"Acredito que há uma grande probabilidade
de um U-boat ter problemas
se implantarmos 2 ou 3 mil minas na área original."
O Comandante John Cowie sabia
que havia um grande inventário de minas
na Grã Bretanha, sem ser usadas,
e teve a ideia de implantá-las pelas rotas de comboio
como se fossem campos minados para afundar os U-boats.
"Não acredito que devemos parar de implantá-las.
Até uma mina pode tornar as coisas mais perigosas
do que atualmente."
O plano foi aprovado,
e começaram a preparar um campo minado
abaixo da superfície que apenas atingiria os U-boats.
Um campo minado normalmente flutua
cerca de dois ou três metros abaixo da superfície.
A ideia era que a embarcação inimiga
batesse contra a mina,
explodisse e afundasse o navio.
Um campo minado anti-U-boats
flutua muito mais abaixo da superfície.
É conhecido como um campo minado armadilha-profunda.
O campo minado armadilha-profunda é simples,
mas bem ardiloso.
O comboio consegue passar em segurança sobre ele,
mas um submarino passando pela área
acaba entrando bem no meio dele.
Não tem janelas. Não pode dizer:
"Tem uma mina. Vamos evitá-la."
Se as minas são implantadas desta forma,
é bem difícil que um U-boat veja a mina.
Eles colocaram minas no mesmo lugar
em que o U-boat estava no mês de agosto passado,
quando atingiu navios com tanto sucesso.
Implantaram minas,
mas de maneira que ficassem suspensas debaixo d'água
para que os navios normais ainda pudessem utilizar a rota.
No final de janeiro de 1945,
o U480 retornou ao Canal da Mancha,
pronto para mais uma patrulha.
Desta vez, havia um campo minado à espera.
Em um minuto,
o submarino inundou e tudo acabou.
Sem a menor chance de escapar,
os quarenta e oito tripulantes morreram afogados.
Para o U480, o revestimento Alberich,
que o protegeu da detecção pelo sonar,
não foi páreo para os campos minados.
O tempo acabou para os U-boats outrora poderosos.
Os Aliados ficaram mais organizados,
e materiais e tecnologias foram desenvolvidos
para destruir os U-boats.
De modo que, no final daquele conflito,
eles já eram excepcionalmente ineficazes.
Como visto em exemplos notáveis,
eles eram simplesmente executados.
Em maio de 1945, a Alemanha se rendeu.
Pela segunda vez em 30 anos,
seus pioneiros U-boats e suas tripulações
não foram suficientes,
mas por pouco.
O U-boat provou seu valor como arma de combate,
assim como arma contra o comércio inimigo,
a carga inimiga.
Os U-boats foram extraordinariamente eficazes,
afundando mais de um milhão de toneladas de cargas
só no Atlântico.
A destruição dos U-boats foi extremamente importante,
mas o legado que eles deixaram
e os danos que causaram ficarão para sempre na História.
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