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IRMÃS, ANO DE 1918 UMA MANHÃ SOMBRIA
ALEXEI TOLSTOI THE ROAD TO CALVARY
BASEADO NO LIVRO HOMÓNIMO
EPISÓDIO 9
Bem, querida...
... festas felizes!
- Cristo ressuscitou. - Ressuscitou, sem dúvida.
- Seryozha! Seryozha, não vás! - Deixa-me, Sonya!
- Não! - Deixa-me, Sonya!
Seryozha...
- Afastem-se! - Seryozha...
Esperem! Não entrem na cave!
Seryozha...
Sonya...
Os nossos homens chegaram.
Sim, Cristo ressuscitou.
Ele ressuscitou, sem dúvida!
Vem cá, minha...
Oh, céus!
Oh, meu Deus!
Seryozha, vamos para casa. Não aguento mais.
Seryozha...
Bem, tens de pensar...
... no que é melhor e pior.
- Seryozha, vamos para casa. - Está bem.
Vamos.
Vamos, minha querida.
Samuel Grigorievich.
Samuel Grigorievich, meu caro!
Que aconteceu?
Os revolucionários atacaram o comboio.
- Oh, céus! - Levaram tudo.
Dinheiro, bens... tudo.
E a Ekaterina Dmitrievna?
Não consegui proteger a tua inquilina.
O Makhnó ficou com ela.
Não tem com que se preocupar, Ekaterina Dmitrievna.
Tudo está bem quando acaba bem.
- Obrigada, Alexei Ivanovich. - Não sou um monstro.
Não a entregarei ao Batko.
Leve-me à estação mais próxima.
Depois, sigo sozinha.
Irmã, diz à Ekaterina Dmitrievna o que se passa.
Que diz, senhora? Que estação?
A senhora pensa antes de falar?
Há alemães à esquerda, Vermelhos à direita, Brancos à frente
e o Makhnó atrás.
Teremos sorte se chegarmos vivos à aldeia. Depois, escondemo-nos.
MORTE
Como correu, Batko?
Que queres dizer?
Bem, causámos alguns estragos aos alemães, ao menos isso.
Correram para as nossas metralhadoras três vezes, tolos.
Há um campo cheio de corpos deles agora.
E é bom para o exército. Material gratuito.
Descarreguem!
Batko!
A comida está pronta!
A uma operação bem-sucedida.
Mais um copo?
- Não, tenho uma miúda à espera. - És um garanhão!
Vieste de uma batalha e vais ter com uma miúda.
Desaparece.
Mas que...
Olha! Acho que estão atrás de nós!
Que o Senhor nos valha!
O Senhor é a nossa única esperança agora.
Mexam-se!
Apanha os cavalos, Matryona!
Está ferido, senhor.
É só um arranhão.
E não me chame isso.
Não sou nenhum senhor.
- Tem álcool? - Há bebida de contrabando!
Vai buscá-la!
- E panos limpos também! - Certo!
Obrigado.
Obrigado.
De nada, Alexei Ivanovich.
Trabalhei num hospital.
É meu dever ajudar os feridos.
Assim.
Tão simples assim.
Tão simples assim?
Temos de os enterrar.
Claro! E porque não uma missa?
Eles queriam matar-nos!
Deixemo-los deitados no chão a ver Deus no céu!
Sabes, Alyosha.
Os cavalos vão voltar para os estábulos e os homens do Batko irão à tua casa!
Estou a dizer-te!
Não conhecem a minha aldeia, Dalny!
Vamos para lá!
Vamos para a minha casa. Vamos!
Como queiras, irmã.
Rapazes!
Batko, temos problemas!
O Krasilnikov matou os meus homens.
Apanhem o sacana. Enforquem-no com as mulheres e queimem-lhe a casa.
Sim, senhor!
Tu, tu, tu e tu! A cavalo!
Cerquem a casa!
Vejam nas traseiras!
Deitem-lhe fogo!
Já os apanhámos!
Não está cá ninguém!
- Vamos embora? - Regressemos!
Deus, nosso Senhor!
Para-os!
Para estes monstros!
Sabes, farei tudo.
Só preciso de dinheiro para um bilhete.
Pois.
- Queres que varra o pátio? - Pois.
Certo!
- Posso lavar e passar roupa também. - Senta-te.
Só quero...
Só quero ir ter com a minha filha.
Quem é que se importa se ainda estou vivo?
Apesar de... ... se calhar, nem ela se importar.
Ouve, Samuel Grigorievich.
Eu faço...
... e vendo graxa de sapatos.
Queres fazê-la e vendê-la comigo?
Ajudas-me? Dividimos a meias.
- Combinado! - Pronto.
- Já percebi. - Eu ajudo!
Sonya!
- Basta dizeres uma vez. - Uma toalha.
- Toma. - Posso...
... não dormir. - Então...
- Olha para ti! Estás lindo! - Claro!
- Obrigado! - Sim, seca-te lá.
- Sonechka. Obrigado! - Toma.
Sentes-te limpo, Samuilchik?
- Estás bem limpo! - Obrigado!
ENFERMARIA
Olha quem ele é! Olá, Vadim Petrovich.
- Estás melhor? - Graças a Deus.
Anda, junta-te a mim!
Toma um copo.
Obrigado.
- Não bebo de manhã. - Bem, eu começo à noite.
Porquê?
Quase morri, sabes.
Defendemos a estação.
Mas foi derramado muito sangue.
- Muitos homens morreram. - O Valeryan Onoli está vivo?
Sim.
Está em Rostov, de licença médica, ferido.
Em Rostov, dizes...
A questão é esta.
Também tenho de ir para Rostov.
- Tenho lá mulher. - Nem pensar, Roshchin.
Não podemos perder mais homens.
Já perdemos mais que o suficiente.
Pois.
Preparar!
Apontar!
Dispor, armas!
Direita, volver!
Marchar, em frente!
Basta de negócios!
- Mexam-se! - Permaneçam calmos!
Rápido, arrumem tudo.
- É judeu? - Que está a dizer?
Sim, que diz? Ele é grego! Não vê?
- É? - Sim!
Então, é um de nós? Um cristão ortodoxo, é?
Pronto, podem ir. Basta de negócios!
- Basta de negócios! - Foi um milagre ter acreditado.
Para um homem de fé, não.
Sergei Alekseevich.
Basta de negócios!
Não vê que os nossos homens estão cá? Para quê graxa?
Porque já a fizemos.
Que fazemos agora, mandamo-la fora?
Pois, até tem razão.
Está bem.
Compro uns frascos, para que acabem mais depressa.
Aqui tens. Três frascos pelo teu dinheiro.
Faça-me um favor e arranje algo para fazer.
E seria bom encontrar um sócio decente.
Não sou um sócio decente?
Não lhe ligues, Samuel Grigorievich.
Que digam o que quiserem.
- De qualquer modo, vendemos uns. - Mesmo!
Vermelhos!
Sacanas! Querem juntar-se aos seus!
Dispara, Roshchin! Não fiques parado!
Sacana!
Capitão...
Não consegue disparar sobre os seus homens, pois não?
Sempre suspeitei de que era um espião Vermelho.
Agora, vejo que tinha razão.
Voronov!
O Voronov está cá?
Que é isto, somos Brancos agora?
Onde está o Voronov?
Tenho uma mensagem urgente para o Voronov.
Sobre quê?
Os Brancos tomaram a estação de Torgovaya ontem.
- Estamos a sofrer baixas pesadas. - Sou o Voronov.
Diga-me o que se passa.
É uma emergência. Precisamos de reforços urgentes.
Então, que se passa?
Certo.
Ajudar-vos-emos num par de dias.
Par de dias? Não sobreviveremos a amanhã.
Camarada, a minha unidade está a descansar após a batalha.
Junte-se a nós. Um copo para o convidado!
Não quero! Tive de lutar contra os Brancos para chegar aqui.
Arrisquei a minha vida!
Ou seja, ganhou o direito a descansar.
Vim buscar reforços.
Não vou sem eles.
Como se chama?
Ivan Illich Telegin.
Telegin?
A Daria Dmitrievna é sua mulher?
Conhece-a?
Tratou de mim no hospital.
Fez um bom trabalho.
Não deixava uma mulher daquelas pela guerra.
Mulheres assim não devem ficar sozinhas por muito tempo. Podem roubá-las.
- Parem com isso! - Calma!
O mesmo se aplica a si.
A sua mulher é rija.
Só falava de si.
Pronto! Acabou-se a bebida.
Temos de ajudar os camaradas.
Céus!
Nikanor Iurievich, que...
Temos... de esconder isto algures.
Que é isso?
- São... armas, granadas... - O quê?
Não te preocupes.
Não ficarão cá muito tempo. Tens alguma espécie de...
... arrecadação?
Claro.
Claro, entra.
Aí?
Entra.
- Cuidado! - Está tudo bem.
Está tudo bem.
Não te preocupes.
Daria Dmitrievna, isto é para ti.
Céus! Nikanor Iurievich, não há necessidade disto.
Fica com ele. Estou tão envergonhada.
- Não preciso. - Qual é o problema?
Estás a fazer a tua parte. O teu trabalho tem de ser pago.
Aceita. Aceita, por favor.
- Obrigada. - Aqui tens.
Eu...
... estava apaixonado por ti, Daria Dmitrievna.
Ainda estou....
... impressionado contigo.
Afasta-te.
Não.
Desculpa.
Desculpa, Daria Dmitrievna. Eu...
Eu sou um idiota.
Passei...
... das marcas.
Não voltará a acontecer.
Vim dizer-te que o nosso líder
te quer ver amanhã. - Não me vou encontrar com ele.
Compreendo que não o faças.
No entanto, eu ficarei em apuros. Apesar...
... de isto...
... não te dever preocupar...
Lamento...
... mesmo muito.
Lamento.
Lamento.
Não parece assim tão mau, pois não, Ekaterina Dmitrievna?
Olha. Não tentes tanto.
Ela é uma aristocrata. Isso não vai funcionar com ela.
"Dashenka, minha querida.
Estou numa espécie de prisão mental.
Ninguém me impede, mas não tenho sítio para onde fugir.
Também não há esperança.
Estou sozinha.
Tu estás longe.
O Vadim está...
... morto."
- Permissão para falar, Ivan Pavlovich? - Como está, capitão?
Estou a ficar melhor, mas...
... gostaria de me ausentar.
Claro.
Duas semanas?
Sim, senhor.
Mas, quando regressar,
é melhor ser transferido para outra unidade, Vadim Petrovich.
O Teplov fez queixa de si.
Suspeita das suas ligações aos bolcheviques.
Sei que é mentira.
Mas tem de perceber que seria complicado se ficasse aqui.
Eu percebo.
Aonde vai?
A Rostov.
Bem...
... pode levar o meu carro.
O motorista levá-lo-á diretamente à cidade.
Dê cumprimentos ao Savinkov,
se o vir.
Combinado.
Obrigado, Ivan Pavlovich.
Boa sorte!
ISAAC SOLOMONOVICH PRUSKIN
Pode entrar.
Sente-se.
Quem lhe deu isso?
O Nikanor Iurievich Kulichik.
Percebe que, ao juntar-se a nós,
está a correr um sério risco?
Estou livre e solteira.
Há muito que não faço nada.
Deixe-me apresentar-me, Savinkov.
Agora, ouça com atenção.
Irá a Moscovo.
Lá, dar-lhe-ão novas indicações.
Sou responsável pela operação toda.
Percebe que não há volta a dar?
Morrerá, se perder o sangue frio.
Vão estar à sua espera no Café Bom.
Saberá quem são, quando os vir.
Terão uma caveira como alfinete de gravata.
Faça o que lhe disserem.
Adeus.
Tragam uma maca.
Tragam uma maca!
Que aconteceu?
Um médico!
Os Vermelhos...
... tomaram a estação.
Pronto, calma.
E então?
Está morto.
Deus dê paz à sua alma.
Atenção!
Capturámos a aldeia!
Que quer dizer com...
"A aldeia é nossa"?
Ouviram-me! Mexam-se!
Sigam-me!
Mexam-se!
Perderam a cabeça!
Parem com a pilhagem!
Parem!
Parem!
Não me ouvem? Parem!
Parem!
Tira as mãos da galinha!
Tira as mãos, já disse!
São soldados do Exército Vermelho, então!
Tirem as mãos, já disse!
Tirem as mãos!
- Solte-me! - Pronto, queridinha!
- Largue-me! - Não sejas tímida!
- Solte-me! - Vejamos o que temos aqui.
Socorro!
Parem com a pilhagem!
Vão-se embora!
Vão-se embora!
Corto-te aos pedaços, sacana!
Está tudo bem.
Pronto. Não tenha medo.
Não tenha medo.
Vá para casa! Vamos! Fuja!
Porque estás a dar ordens?
Os teus homens arriscaram a vida por vocês!
Roubar pessoas é contra a lei!
Não foi para isso que tomámos a aldeia!
Fui eu que a tomei!
É melhor que me agradeças por vos ter ajudado!
Que queres dizer?
Quero dizer que eu sei a arte da guerra e tu não.
Quem achas que és, o Napoleão?
Entreguem as vossas armas!
Vais a tribunal marcial!
Sua ratazana!
Estão às minhas ordens.
Devolvam tudo o que roubaram.
Quem desobedecer será executado.
Percebido?
Vamos, devolvam tudo.
Sou o vosso comandante a partir de agora.
E sou um oficial Vermelho!
Quem não gostar pode ir já embora!
Não vou impedir-vos.
- Devolvam as coisas às pessoas. - Sim, senhor.
Devolveram tudo?
Obrigado, Ivan Illich.
Não pensei que ia morrer às mãos do Voronov.
Foi por pouco!
Eu já...
... não compreendo nada.
Já não podemos confiar nos amigos. O inimigo também já não é o mesmo.
Obrigado!
Ahmed.
Toma as chaves.
Se o meu marido voltar da guerra
ou se a minha irmã vier, dá-lhes as chaves, por favor.
E a carta. Não te esqueças da carta.
Pode confiar em mim.
Volte um dia.
Que Alá a proteja.
Obrigada.
"Ivan, Katya,
deixo as chaves do apartamento ao nosso porteiro.
Quem sabe qual de nós regressará primeiro,
mas quero que saibam..."
"A minha vida mudou drasticamente.
Já não resta amor no meu coração.
Parece que se tornou de pedra.
Não consigo aguentar o que se está a passar.
Já só resta ódio.
Não sei como será o futuro.
Não sei se sobreviverei..."
- Posso comprar um bilhete para Moscovo? - Não temos.
"Apenas rezo por uma coisa,
rezo por vocês... para que estejam vivos."
O que foi?
Quem procura?
O poeta Bessonov mora aqui.
Talvez.
Apenas nos mudámos há três dias e não conhecemos ninguém.
Que espera? Mexa-se!
Está aberta!
ALEXEI ALEKSEEVICH BESSONOV
Volta antes do jantar!
- Sim, avó! - Sim, avó!
Agafia?
Senhor!
Não acredito que está vivo!
Estou, sim.
Que se passa?
Crianças, roupa...
... banheiras...
O comité de habitação confiscou o apartamento.
E colocou outras pessoas lá.
Tive sorte. Deixaram-me ficar a viver no seu estúdio.
Quem é?
É meu convidado!
Está de visita! Entre, Aleksei Alekseevich!
É a chefe do nosso apartamento. Está sempre a fazer queixas ao comité.
Eras melhor a limpar o pó, Agafia.
Já não tenho tempo.
A minha filha e genro abandonaram a aldeia e mudaram-se para cá. Têm três filhos.
Tenho tanto trabalho!
O dia todo!
Nunca tenho tempo,
nem para uma chávena de chá.
Na verdade, gostaria de tomar chá.
Estou cansado da viagem.
E tenho fome também.
Claro.
Sente-se. Sirva-se.
Temos água quente, aqueci o samovar.
Temos chá de groselha preta.
Tome.
Mas não temos pão!
O resto da minha roupa?
A sua roupa...
Reajustei-a para o meu genro. E vendi os casacos.
Precisamos de dinheiro!
Não se chateie comigo, senhor. Não sabia que estava vivo.
Que faço agora? Não faço ideia.
Certo.
A minha filha e genro trabalham no turno da noite na fábrica.
Pode dormir aqui esta noite.
Faço-lhe a cama no chão.
Mas, amanhã...
... a minha filha e genro regressam. - Obrigado pela tua hospitalidade.
Não te preocupes, Agafia.
O meu neto acordou!
O que queres?
Sou Alexei Bessonov, o poeta.
E então?
Tiraram-me o apartamento enquanto estava na guerra
e não tenho onde viver.
Está a falar do apartamento nove?
Bem, não é culpa nossa.
Foi considerado morto.
Solucionaremos isso.
Receberá um quarto.
Isso não é uma opção. Preciso de trabalhar.
Preciso de escrever.
O camarada Sapozhkov prometeu-mo.
Camarada Bessonov, não se preocupe,
pode voltar para o seu apartamento, se quiser.
- Quero. - Realojaremos todos hoje.
Mas, esta noite, terá de dormir num hotel.
Obrigado.
Comité de habitação ao telefone. Tire todos do apartamento nove.
Temos de acomodar um poeta proletário.
Enfiamo-los no oito e no dez.
- Ivan Illich! - Sim?
Serviste no exército do czar?
Servi como tenente.
Agora, és capitão.
Obrigado.
Quero-te numa missão de reconhecimento.
Temos um uniforme Branco.
Consegues fazer-te passar por um.
A tua história será a seguinte. Serves no exército do Kornilov,
deram-te licença e estás a ir para casa para veres a tua mulher.
Vais de Rostov para Samara.
Observa tudo, no caminho.
Assim, veremos quem está onde.
É uma boa ideia, irmos para trás das linhas do inimigo,
mas, se os nossos me apanharem de Branco,
executam-me. - Não te preocupes, dou-te um papel.
Esconde-o dentro do uniforme.
Mostra-lo, caso precises.
- Sofia Ivanovna! - Sim?
Meu Deus!
Sou eu, o Roshchin.
- Vadim Petrovich? - Sim.
Está...
Está mesmo vivo?
Não está morto?
Quem lhe disse que morrera?
O Valeryan Onoli.
Disse à Ekaterina Dmitrievna o mesmo.
Por isso, ela foi-se embora.
Para onde foi? São Petersburgo?
Sim, mas não chegou lá.
Soube que os soldados do Makhnó atacaram o comboio.
Onde está agora?
O Makhnó capturou-a.
Ponha-se à vontade.
Entre, ponha-se à vontade.
Volto num instante. Só um instante!
Comprem-nos graxa de sapatos!
Esconde a lama dos vales e das estepes!
Comprem-nos graxa de sapatos!
Senhor, compre graxa de sapatos!
- Senhor... - Seryozha!
Seryozha!
Para com a venda.
O Vadim Petrovich voltou.
Quem voltou?
O Roshchin.
- O marido da Katya. - Espera!
- O quê? - Que dizes?
- Está mesmo vivo? - Está!
Vamos, mexe-te.
Muito bem!
- Arrumemos tudo! - Claro.
Será mais barata amanhã!
- Compre um e leve outro grátis! - Vamos embora.
Vadim Petrovich...
Se ao menos tivéssemos sabido que estava vivo,
nunca teríamos deixado a sua mulher ir.
Quem diria que o Valeryan é tão filho da mãe. Meu Deus!
Se não o tivesse encontrado na cidade,
a Katerina Dmitrievna estaria connosco agora.
- Sergei Alekseevich, posso falar contigo? - Claro.
Podes ajudar-me?
Claro.
Sofia Ivanovna...
Se ao menos tivesse sido mais corajoso,
teria salvado a tua inquilina do Makhnó.
Mas estou tão velho,
já não sirvo para nada.
Por favor!
Ninguém te culpa.
Não.
Valeryan!
- Que bom ver-te! - Sergei Alekseevich!
Tenho negócios a tratar contigo.
Entre.
Não, é demasiado para mim!
Dói-me a perna.
O Selivanov, o restaurateur, voltou a Rostov. Mas ninguém sabe.
Ele quer vender o restaurante e mudar-se para Paris.
Vai vendê-lo ao desbarato! Já só restam paredes.
Para mim...
Não importa quem governa,
é sempre preciso restaurantes. Certo?
Brancos, Vermelhos...
Cinzentos, não importa.
Por fim, interessa-se por algo viável, Sergei Alekseevich.
Não é o mesmo que vender graxa com um judeu.
- Até me dói o coração quando o vejo! - Também não gosto.
Pois. Então, em relação ao restaurante...
Não sei se consigo sozinho.
Que achas de ser meu sócio?
Onde está o Selivanov?
Está aqui.
Estás vivo.
Não acredito.
Porque não?
Talvez porque me deste um tiro?
O quê?
Que estão a tramar?
Sugiro que acabemos com isto.
Quiseste matar-me.
Vou dar-te essa oportunidade.
Toma.
Aceita!
Mas, desta vez, não me vais dar um tiro pelas costas.
Olhas-me nos olhos.
Achas-te nobre?
Um aristocrata...
... de sangue azul...
E eu, o filho do dono de uma fábrica, não sou nada, comparado contigo, certo?
Mentiras!
Sou o futuro! Vais morrer!
Filhos da mãe!
Querem gozar comigo!
Sempre me desprezaram!
São como Abel, uns santos!
Acham que sou o Caim aqui, não é? Não! Não é verdade!
Não sou um cobarde!
Não sou vilão nem traidor!
Quero viver!
- E irei! - Se não és cobarde,
dispara. - Sobreviverei!
Sob qualquer regime, percebes?
- Fá-lo! - Sobreviverei!
- E tu morrerás! - Fá-lo, seu falhado!
Tu, a tua mulher, filhos, morrerão todos! Toda a tua linhagem morrerá!
Bem, Vadim Petrovich...
... surpreendeste-me.
Tens sangue-frio!
Ele podia ter disparado.
Não, não podia.
Um cobarde só atira pelas costas.
Obrigado pela ajuda, Sergei Alekseevich.
Esquece isso!
Não protegi a Ekaterina Dmitrievna.
O responsável por ela era eu.
Vou à procura dela.
Os vossos documentos, oficiais.
Não o acorde, não dorme há dois dias.
Viemos do quartel-general do general Romanovsky.
Deram-nos licença médica.
Boa sorte.
Sigam-me.
Obrigado, Vadim.
Operadora.
Passe-me ao HQ 412.
Departamento de contraespionagem?
Daqui, capitão Onoli.
Soube que há um homem a esconder judeus e comissários Vermelhos na cidade.
Estou a falar do tenente-coronel Tyotkin.
Sim.
Escreva a morada.
Escreva-a.
Mexam-se!
Mexa-se, velho!
Mexam-se!
- Mexam-se! - Mexam-se!
Vamos, mexam-se!
Eu disse para se mexerem!
Mexam-se!
Quem se esconde aí?
Seu judeu filho da mãe!
Legendas: Vânia Cristina
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