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Original subtitles

Sinto muito.

Sei que n�o vai valer a pena

e que sou a �ltima pessoa que voc� queria escutar hoje.

N�o posso recuperar o que tirei de voc�.

Eu apenas posso tentar fazer o que � certo.

Por favor,

me perdoe.

Por favor,

me perdoe.

TR�S MESES DEPOIS

Meu Deus.

Oi.

Oi, amor.

Oi.

Dra. Mathur!

Dra. Mathur!

-Apaguem a luz. -Pode fechar as cortinas?

Oi, Alice.

Voc� acordou.

O que est� acontecendo?

Quem � voc�?

N�o est� reconhecendo o Peter?

� o seu marido.

Voc� sabe como se chama?

Voc� se chama Alice.

Alice Richardson.

Voc� sobreviveu a um disparo na cabe�a.

Do ponto de vista m�dico, acho que est� muito bem.

Voc� tem muita sorte.

A bala passou pelo l�bulo frontal direito.

O que significa?

N�o prejudicou nenhum tecido cerebral vital.

Quanto a disparos na cabe�a, este � o menos prejudicial.

Por que n�o me lembro de nada?

Les�es cerebrais graves resultam em dois tipos de amn�sia.

Voc� sofre de amn�sia retr�grada.

Afeta as lembran�as pr�vias � les�o.

A perda de mem�ria varia.

Podem ser horas, dias ou meses.

A perda de mem�ria de um ano em diante � bem rara,

mas, no seu caso...

Como era aquele neg�cio de "ter sorte"?

-Voc� est� bem? -Claro que n�o.

Minha esposa tamb�m n�o.

Como resolvemos isso? Como eu resolvo isso?

-N�o podemos. -E o que eu posso fazer?

As lembran�as voltar�o.

-S� resta esperar. -O que eu posso fazer?

Minha esposa n�o lembra de mim. Como a ajudo? Como resolvo isso?

-Tenho que fazer alguma coisa. -Saia.

Sinto muito.

Fora.

Sinto muito.

Sabe o que aconteceu comigo?

Temos teorias, mas n�o.

Sabemos que encontraram voc� em um parque

com um tiro na cabe�a.

� prov�vel que a pol�cia queira falar com voc�

-agora que acordou. -A pol�cia?

Ainda est�o investigando o caso.

Eles me pediram para n�o lhe dar detalhes.

N�o estou preparada para falar com a pol�cia.

N�o se preocupe. N�o v�o pression�-la demais.

Ainda.

Felizmente voc� teve muito tempo para se recuperar.

Quanto tempo eu fiquei aqui?

Voc� ficou tr�s meses em coma.

N�o est� na lista.

S� admitimos parentes imediatos na lista.

-Sou primo de segundo grau dela. -S� parentes pr�ximos.

Desculpe, mas � nossa pol�tica.

Entendo.

N�o quero deix�-la zangada.

O Peter ficou ao seu lado todos os dias.

Ele nunca perdeu a esperan�a.

Quer dizer que tenho que ir para casa com ele?

O principal, Alice, � o que voc� quer.

Quero me lembrar.

Peter, a dra. Mathur est� chamando voc� no escrit�rio.

Est� bem. Obrigado.

Quer voltar para casa j�?

Sim. Quer retomar sua vida.

Est� bem.

A Alice continua fr�gil.

Est� bem fisicamente,

mas ter� muito estresse mental e afetivo at� se acostumar.

Sua vida inteira � um mist�rio

e � imposs�vel saber o que poderia lhe trazer lembran�as.

Minha vida tamb�m virou um mist�rio.

N�o sei por que iriam querer matar a minha esposa.

N�o sei, Peter,

mas � bem raro que as lembran�as n�o voltem.

As lembran�as voltam sozinhas quando querem.

Podem demorar dias ou semanas,

mas voltam aos poucos.

� como um quebra-cabe�a.

Pode levar tempo para ela lembrar de como unir as pe�as.

Eu conto com voc�, Peter.

Se ela tiver perguntas, responda,

mas n�o a pressione

e n�o fale sobre seu passado depressivo.

Ela ainda est� se recuperando.

O principal � dar tempo a ela.

A Alice se sentir� uma estranha em sua pr�pria casa.

-Oi. -Oi.

Voc� dormiu?

N�o.

Lembra de alguma coisa?

N�o.

N�o faz mal.

A dra. Mathur disse que poderia levar semanas.

E agora?

Tentaremos voltar � normalidade, � nossa rotina di�ria.

Voc� ir� ver a m�dica duas vezes por semana.

Isto � esquisito, n�o �?

Claro que n�o.

� esquisito, sim.

Poder�amos nos conhecer.

Ser� �til.

Est� bem.

O que voc� faz?

Sou consultor de investimentos.

Digo para as pessoas em que gastar o dinheiro delas.

Tem muito trabalho?

�s vezes.

Tento n�o ficar o dia inteiro com isso.

Voc� deve ganhar bem.

-N�s vivemos bem. -E o que eu fa�o?

Ioga, defesa pessoal, leitura.

-Come�ou piano h� pouco tempo. -N�o trabalhava?

N�o. Voc� dizia que trabalhar n�o a deixa viver.

Como eu sou mimada.

Eu admiro isso.

Queria saber se voc� esqueceu de como tocar piano.

N�o sei.

Poder�amos descobrir.

O que mais eu sei fazer?

Temos que comemorar isso. Quer vinho?

N�o sei. Eu gosto de vinho?

N�o vamos estragar a surpresa.

-Eu gosto de vinho. -Eu sabia.

Como eu era?

Muito apaixonada.

Segura. Imprevis�vel.

Quando queria algo, voc� conseguia.

Voc� fez essa tatuagem espontaneamente.

-N�o foi rebeldia adolescente? -N�o.

Uma noite eu voltei e lhe perguntei o que significava.

Voc� disse que era um dia de corvos.

Quando a vi, pensei que tinha...

sido por algo importante.

Talvez lhe traga lembran�as.

Est� se sentindo bem?

Sim.

Desculpe. N�o sei o que aconteceu.

A dra. Mathur disse para n�o pression�-la,

por isso n�o se preocupe.

Que tal se eu cozinhar?

-Voc� tamb�m cozinha? -Sim.

Eu cozinhava?

Com eletrodom�sticos avan�ados, n�o.

Voc� ganhou na loteria comigo.

Sim.

Vou ao mercado buscar comida.

-Vai ficar bem sozinha? -Sim.

Acho.

N�o v� ao �tico.

N�s guardamos os cad�veres l�.

Que jogo perigoso...

Peter.

E a minha fam�lia?

Sinto muito, Alice. Voc� n�o tem fam�lia.

Estamos sozinhos.

S� eu.

Sinto muito.

Tudo bem.

J� volto.

Alice!

Quem � voc�?

� verdade o que a m�dica disse?

Ela me disse que voc� n�o se lembra de nada.

Desculpe, o que voc� quer?

Sou eu. Darren.

-Voc� deve lembrar de mim. -N�o.

Alice, n�s sa�mos juntos.

Voc� ia largar tudo isto.

N�o. Eu n�o faria isso. Sou casada.

Voc� fez isso antes do tiro. N�s t�nhamos planos.

J� dever�amos ter ido embora.

N�o sou dessas mulheres que enganam seus maridos.

Como voc� sabe?

N�o � justo.

� injusto o que voc� est� fazendo comigo.

Desculpe.

Eu sei que � dif�cil, mas � a verdade.

-V� embora. -Alice, n�s nos amamos.

Por favor. V�.

-Alice. -V� embora!

Alice.

Alice!

Alice!

-Peter? -Voc� acordou.

O que foi? Voc� est� bem?

Teve um pesadelo?

Lembrou de alguma coisa?

N�o.

Como eu cheguei aqui?

Cheguei em casa e voc� estava deitada aqui.

Voc� n�o lembra?

Gostaria que parassem de perguntar.

Desculpe.

Sinto muito.

Eu me confundi.

N�o veio mais ningu�m?

-Aqui em casa? -Esque�a.

Voc� tem raz�o. Deve ter sido um pesadelo.

"Por favor, ligue para mim. Darren."

Estou bem.

Mesmo.

Vou deitar para dormir bem a noite inteira.

-Se n�o se incomodar. -Claro que n�o.

N�o vai jantar?

N�o. Desculpe.

N�o quero que se preocupe.

Vou dormir em outro quarto o tempo que voc� precisar.

-Obrigada, Peter. -De nada.

-Boa noite. -Boa noite.

Quase esqueci. A dra. Mathur ligou.

Eu e ela pensamos que � muito cedo,

mas a pol�cia quer falar com voc�.

Amanh�.

Sabemos que atiraram na sua cabe�a e lhe deram por morta.

Gostaria de ajud�-la, detetive, mas sabe do meu problema.

Sim, mas passaram tr�s meses e n�o temos nada.

Nem a arma nem testemunhas.

Cada dia � mais dif�cil resolver o caso.

Qualquer lembran�a seria �til para n�s.

Vou tentar.

Obrigada.

A pergunta principal

� se algu�m conhecido pode ter feito isso.

Eu s� conhe�o cinco pessoas, e uma � a senhora, detetive.

Por que acha que � algu�m que conhe�o?

Quase sempre � assim.

Foi aqui.

N�o havia sinais de luta.

� um parque. Talvez tenha sido assaltada.

� pouco prov�vel. N�o lhe tiraram nada de valor.

N�o havia sinais de agress�o, nem cartuchos e nem p�lvora.

O sangue n�o era consistente com o percurso da bala.

O que quer dizer?

Que n�o atiraram em voc� aqui... Eles a trouxeram.

-Ent�o onde atiraram em mim? -N�o sabemos.

Deve ter sido perto porque estava com vida.

Pensamos em todas as possibilidades,

principalmente em seu marido.

Passaram tr�s meses e ainda n�o sabemos.

Qualquer informa��o seria �til para n�s.

Desculpe, detetive, mas eu nem reconhe�o a minha roupa.

Existe outra possibilidade, remota mas poss�vel,

sobre o percurso da bala.

Sua les�o parece autoinfligida.

Alice.

Voc� est� bem?

Desculpe.

N�o posso continuar.

-Alice. -N�o posso.

Alice.

Alice!

� poss�vel que lembre mal depois do acontecido?

Tive pacientes que inventaram lembran�as

por traumatismos graves.

O c�rebro pode gerar

lembran�as distorcidas ou falsas.

Poderia ser o meu caso?

Nesses casos, os pacientes acreditavam.

T�nhamos que dizer a eles que estavam recordando mal.

Que voc� seja consciente disto...

Por que voc� acha que est� lembrando mal?

� um pressentimento.

Talvez eu n�o queira que seja verdade.

Quando voc� descreve a lembran�a como algo que lhe foi imposto,

-algo involunt�rio... -Sim. Como uma fa�sca.

� o que chamamos de "pensamento intruso".

Costumam ser desagrad�veis.

E s�o muito comuns depois de experi�ncias traum�ticas.

Podemos faz�-los parar?

Podemos trat�-los com a terapia suficiente.

Essa porta que voc� abriu

tamb�m tem boas lembran�as que esperam ser encontradas.

Voc� pode come�ar do zero. Tem uma segunda oportunidade.

Voc� pode ser a pessoa que sempre quis ser.

Est� bem.

N�o pensei desta maneira.

Voc� consegue, Alice.

Voc� voltou.

Como foi?

Eu falei com a dra. Mathur e com os detetives do meu caso.

Eles t�m pistas? Ajudaram voc� em algo?

N�o. Eles me fizeram muitas perguntas.

Estou orgulhoso de voc�.

Queria devolv�-los para voc�.

Eles tiraram no hospital.

Entendo se n�o estiver pronta para coloc�-los de novo.

Eu te prometo que logo farei isso.

Est� bem. Quando estiver pronta.

ESTOU PERDENDO A PACI�NCIA.

QUERO SABER QUEM ATIROU NA MINHA ESPOSA.

Oi. � a Alice.

Temos que conversar.

Podemos nos encontrar amanh�?

N�o. Tinha pensado em um lugar...

Posso me sentar?

Sim.

N�o quero criticar seu lugar de encontro,

mas este parque � horr�vel.

Sim.

Eles me encontraram aqui.

Quem?

Quando atiraram em voc�?

Por que escolheu este lugar?

Pensei que me traria lembran�as.

Encontrei algo que n�o entendo, e n�o sei a gravidade disso.

O qu�?

Por que pergunta para mim e n�o para o seu marido?

E se ele n�o souber?

N�s j� temos um segredo.

Talvez tenha te contado mais alguma coisa.

Eu contei?

Voc� n�o era feliz, Alice.

Estava acomodada e tinham seus momentos bons,

mas voc� n�o era feliz.

Pelo menos voc� me disse isso.

Bom, mas o que s�o esses an�is?

S� sei que voc� era casada antes.

Voc� n�o gostava de falar disso.

Voc� n�o me deu uma cole��o de an�is de noivado,

se � o que quer saber.

-Talvez o Peter saiba. -N�o.

Acho que n�o. Ele tem car�ter forte.

Posso te dar um conselho?

N�o sei.

Ponha-os de volta onde estavam e se esque�a deles.

Voc� � boa nisso.

Desculpe. A mulher de antes teria rido.

Quanto mais me contam dessa mulher, menos eu gosto.

Acho que vou contar para o Peter.

-O qu�? -Isto.

Sobre a gente, talvez.

Voc� est� louca?

Talvez. Que tipo de pessoa eu sou?

Pe�o conselhos sobre meu casamento para o meu amante.

Fizemos aquilo por alguma raz�o.

N�o � que voc� era malvada, nem estava despeitada ou entediada.

-Ent�o por qu�? -Aquelas fotos da parede

podem parecer perfeitas para algu�m que n�o os conhece,

mas voc�s tinham problemas que faziam voc� sofrer.

Voc� mesma me disse que ele n�o parava de trabalhar.

Ele nunca tinha tempo para voc�. Era controlador, irasc�vel.

N�s n�o. T�nhamos o que voc� sempre quis.

N�s dois �ramos �rf�os e finalmente fomos felizes.

Voc� n�o se lembra disso.

Esta rela��o foi o melhor que aconteceu conosco.

N�o acredito em voc�.

Alice!

Voc� vai se arrepender de contar para ele.

Voc� est� enganado, Darren. O Peter me ama.

Quem ser�?

Por que me diz isso agora?

Achei que voc� saberia, que haveria uma explica��o.

N�o quero te esconder nada.

Que conveniente que n�o queira isso agora...

Est� brincando?

Voc� foi casada outras quatro vezes?

N�o sei.

Realmente sei o mesmo que voc�.

Vai incluir meu anel na sua cole��o?

Por acaso voc� fica sempre que haja dinheiro?

Voc� acha que eu sou assim?

N�o sei mais quem voc� �, Alice.

N�o acho que eu faria isso.

Eu tamb�m n�o achava.

-Quer que eu v� embora? -Fa�a o que quiser!

Qualquer coisa que tenha feito no passado.

Mas quero que fa�a isso agora.

Peter...

N�o � justo eu ficar zangado com voc�.

Nenhum de n�s sabe por que voc� escondeu isso de mim.

Para mim, � dif�cil confiar nas pessoas.

Meu �ltimo casamento n�o acabou bem.

O que aconteceu?

Desculpe. N�o precisa me contar.

Eu te contei uma vez e posso contar de novo.

Minha ex-mulher, J�lia, morreu h� dez anos.

Eu sinto muito, Peter.

Uma noite eu cheguei do trabalho e algu�m tinha entrado na casa.

A pol�cia j� estava l�. O corpo...

Ela estava na cama. Tinha sido esfaqueada v�rias vezes.

Ela era perfeita.

�ramos o casal perfeito,

mas, depois da morte dela, eu fiquei sabendo de certas coisas.

Acho que ela me tra�a.

Voc� queria ser sincera. Desculpe. Eu perdi a paci�ncia.

Acho que estou assustado.

N�o posso passar por isso de novo.

Alice.

Voc� foi a �nica coisa boa que aconteceu comigo desde ent�o.

N�o quero perder voc� tamb�m.

Irei at� a cidade hoje. Vai me fazer bem o ar fresco.

Precisa de companhia?

Como poderia me recusar?

� poss�vel que lembre mal depois do acontecido?

O c�rebro pode gerar lembran�as distorcidas ou falsas.

Por que voc� acha que lembra mal?

Talvez n�o queira que seja verdade.

Alice.

Por qu�?

N�o acredito.

Foi mentira?

Eu amo voc�.

Eu n�o acredito em voc�!

Olhe para mim. Olhe para mim! Por qu�?

Voc� estragou tudo!

Me diga que n�o me ama. Responda!

Me diga que n�o me ama! Fale de uma vez! Responda!

Vou matar voc�!

Droga!

Droga!

Fiquei surpreso com a sua liga��o.

Lembrei de algo e preciso saber o que significa.

N�o quer contar para o Peter para ver o que ele acha?

Vai me ajudar ou n�o?

Sim, o que �?

Tinha uma casa caindo aos peda�os. N�o sei onde.

Havia um homem que n�o reconheci.

Ele gritava comigo, furioso.

-Quebrou a parede com socos. -Droga.

Voc� tem certeza? Pode ter sido um sonho.

Talvez.

-Talvez seja quem... -Voc� contou para a pol�cia?

Ainda n�o.

N�o sei se � significativo. Agora � um rosto sem nome.

Alguma vez eu te falei se tinha medo de algu�m?

Darren.

Sim, voc� falou de algu�m,

mas � melhor eu n�o te dizer.

Por favor, Darren.

Voc� disse que tinha medo do Peter.

Mas n�o sou eu que deveria te dizer isso.

Se quiser saber mais, fale com a pol�cia.

ATIRARAM NA ESPOSA DO MAGNATA PETER RICHARSON

CASAMENTO, DINHEIRO E ASSASSINATO

ACUSADO DE MATAR A SUA ESPOSA

-Por que n�o me contou? -N�o era o meu papel.

Algu�m quer me matar e o Peter � suspeito de assassinato.

Isso aconteceu h� dez anos e ele foi absolvido.

Ele tinha um �libi e n�o havia evid�ncia concreta contra ele.

-Voc� o interrogou? -Claro.

E ele passou na prova do detector de mentiras.

N�s interrogamos muitas pessoas.

N�o ficamos sentados esperando voc� acordar.

Na perspectiva legal, ele n�o matou a sua esposa.

Tamb�m n�o h� evid�ncia de que ele quis fazer isso.

Por isso eu n�o te falei nada.

N�o � assunto da pol�cia. � entre voc�s dois.

Desculpe.

Vivemos debaixo do mesmo teto e eu n�o o conhe�o nem um pouco.

Entendo a sua preocupa��o.

Acredite que estamos investigando direito.

-Posso perguntar uma coisa? -Claro.

Naquele dia, quando fui ao parque, voc� me seguiu?

Sim.

Algu�m quis mat�-la e n�o h� pistas.

Sim, estou seguindo voc�, e vou seguir de novo.

Encontraram o assassino da esposa do Peter?

Assassino ou assassina.

-N�o. -�timo.

Aonde voc� vai, bonito?

O que voc� encontrou?

-Martin. -Oi.

Encontramos uma arma. � do Peter.

-Como? -Sim.

-Fizeram an�lise bal�stica? -Estamos fazendo.

-Voc� tem a documenta��o? -Sim. O relat�rio est� aqui.

-Est� bem. -Estou indo para l�.

S� irei um dia ao encontro de patrocinadores.

Voltarei em um piscar de olhos.

Voc� est� bem?

Claro.

Voc� tem alguma coisa?

N�o.

Estou me preparando para minha primeira noite sozinha.

Voc� n�o vai ter problemas.

Pelo menos n�o vai ouvir roncos.

O que vai fazer?

Pensava revisar documentos para ver se lembro de algo.

Est� bem.

-O neg�cio dos an�is... -N�o se preocupe. J� falamos.

Sim, mas n�o quero ir e fazer de conta que n�o aconteceu.

Podemos come�ar do zero e quero fazer as coisas direito.

-Eu tamb�m. -Que bom!

N�o importa por qu�. S� importa que voc� voltou.

Vou sentir a sua falta. Eu ligo para voc� quando chegar.

Cuide-se.

N�o fique louca com os documentos, est� bem?

N�o se pressione.

CERTID�O DE CASAMENTO

CERTID�O DE CASAMENTO

PROCURA��O

Me diga que voc� n�o me ama. Responda!

Me diga que n�o me ama!

O que voc� fez?

Voc� n�o est� pensando em deixar Beth, n�o �?

-� uma brincadeira? -N�o. � uma promessa.

Temos que esperar o momento certo.

-Quanto tempo? -Ser� logo.

Ela n�o assinar� t�o f�cil.

A Beth � complicada.

Eu nunca senti isso pela minha esposa.

Eu amo voc�.

Eu amo voc�, Marcus.

Ela n�o assinar� t�o f�cil.

A Beth � complicada.

-Al�? -Alice. � a detetive Martin.

Oi, detetive.

Pode falar.

Onde voc� est�?

Fazendo compras.

Est� sozinha?

O que foi, detetive?

Encontramos a arma. Concorda com a Bal�stica.

Est� no nome do Peter.

Volte para casa o quanto antes.

Vamos esper�-lo l� para prend�-lo.

Alice? Voc� est� a�? Alice?

E a Alice? Ela est� bem?

-Peter... -Onde est�?

-Voc� est� preso. -O qu�?

Pela tentativa de assassinato de Alice Richardson.

-� um engano. Eu n�o fiz nada. -Vamos.

Posso falar com a minha esposa? Ela dir� que sou inocente.

O que est�o fazendo?

Detetive Martin.

Alice!

Alice!

Alice!

Est� bem.

Vamos voltar ao come�o.

Eu j� falei que n�o fiz nada.

Gostaria de acreditar em voc�, Peter, mas reconhece isto?

De onde tirou isso?

-Da cena do crime. -N�o.

Talvez a tenha deixado a�.

Tem suas impress�es digitais. Coincidem com a bal�stica.

Sim. Inclusive na bala tirada da cabe�a da sua esposa.

-A pistola n�o � sua? -N�o. Quer dizer...

Sim, mas faz meses que n�o a vejo.

Ela foi roubada.

-Roubada? -Sim.

-Denunciou o roubo? -N�o.

Por qu�?

Atiraram na minha esposa e me acusaram de matar a outra.

Como ficaria se denunciasse o roubo da minha pistola?

Como fica agora?

Quero meu advogado.

Alice Richardson ainda diz que n�o se lembra daquela noite

nem de nenhuma noite pr�via ao acidente.

A pol�cia pegou o homem certo

ou o Peter �, novamente...?

Obrigada.

Voc� n�o precisa ver isso.

Obrigada, mas eu j� vi em v�rios sites.

Como voc� est�?

Acho que bem.

Estou lembrando de coisas.

Pouco. Nada da tentativa de assassinato.

-Como o Peter est�? -Mostrando as garras.

Tem muita determina��o.

� que eu tenho

boas lembran�as do Peter.

N�o acredito que faria isso.

E a casa da qual lhe falei?

A de Beth Crowe? Minha equipe a revistou.

Voc� tem raz�o. Talvez tenha sofrido o disparo l�.

Ainda n�o encontramos nada.

Podem revist�-la de novo?

Sei que n�o quer acreditar em mim, mas a evid�ncia est� l�.

O Peter tem antecedentes. Aceite isso.

-Ele � o respons�vel. -Procurem mais uma vez, por mim.

Preciso ter certeza de que foi o Peter.

Eu n�o lembro, mas sinto que n�o � poss�vel.

Farei o que puder.

-Posso lhe dar um conselho? -Sim.

Se for a julgamento, afaste-se. Procure aproveitar a vida.

Quando soubermos de tudo, siga com sua vida.

Vou tentar.

Precisa de mais alguma coisa?

N�o. Obrigada.

Meu amigo Darren me ajuda com as compras.

Que bom! Qual � o sobrenome dele?

-Montgomery. Por qu�? -Por curiosidade.

Detetive Martin, ele � o Darren.

-Muito prazer. -Igualmente, Darren.

-Faz tempo que conhece a Alice? -H� anos, n�o �? Do Arizona.

Voc� disse isso, n�o �?

Sim. Est�vamos no mesmo bar. O resto � hist�ria.

Deve ser legal ter um velho amigo que ajude voc� a lembrar.

Sim. Foi muito bom.

Perfeito. Cuide bem dela.

Por favor. A Alice sabe se cuidar sozinha.

Estou vendo.

Eu posso.

Obrigada.

Alguns morderam a isca com a not�cia.

Dizem que a conhecem.

Sempre d� certo.

Marjory, que achou oportuno me contar que � cabeleireira,

disse que atendeu a Alice v�rias vezes no Arizona.

-Na �poca se chamava Eileen. -Est� bem. Obrigada, Marjory.

James, do Novo M�xico.

Disse que se parece com Jenny Scheiber,

com quem saiu h� uns anos.

Pode me mostrar?

Sim.

Obrigada.

-Voc� ainda tem um amigo no FBI? -Sim.

Pode pedir a ele que procurar isto

e veja se est� no banco de dados?

-Que nome eu procuro? -Darren Montgomery.

Qualquer informa��o me serve.

Est� bem.

Vou fazer uma investiga��o.

Chegou uma mensagem para voc�.

Dizem que vir� uma mulher que quer falar com voc�.

-Disseram o nome? -Sim.

Beth Crowe.

Vamos falar do que aconteceu?

A detetive parecia muito interessada em n�s.

Ela est� me protegendo.

Eu lhe contei sobre o Arizona?

Voc� disse que nos conhecemos l�.

Eu pensei muito e n�o lembro de ter dito isso a voc�.

Voc� deve ter me dito.

Eu acho estranho porque � verdade.

Se eu n�o lhe disse, voc� deve ter lembrado. Foi isso?

N�o.

Eu n�o me lembro de quase nada.

Voc� deve ter falado, e eu lembrei.

Acho que sim.

Obrigado.

Encontrou algo a partir da foto?

Era disso que eu queria falar com voc�.

Acabei de falar com meu amigo.

Procurou o rosto, mas n�o havia nada.

-N�o estava no banco de dados? -N�o.

Havia muitos Darren Montgomery mas n�o o que buscamos.

Felizmente eu encontrei isto.

-O que �? -Uma ordem de restri��o.

-Pedida por Stacy A. Montgomery. -A esposa dele?

Acho que sim.

Voc� n�o viu nenhum atestado de �bito?

-N�o. Por qu�? -Porque...

Em tese Darren Montgomery est� morto.

Foi uma semana boa, n�o �?

Ficamos juntos.

Sim.

-Apesar da situa��o. -E se fosse assim todos os dias?

Eu e voc�, em um lugar novo.

N�o podemos ir embora. Minha vida est� aqui.

N�o est�.

Pense. Podemos ir ao banco, esvaziar sua conta conjunta

e depois come�aremos uma nova vida.

-O dinheiro � do Peter. -N�o. � seu.

Metade seu, mas n�o importa. Ele quis matar voc�.

Voc� n�o quer saber nada. Eu entendo voc�.

Mas pense nisso.

Voc� merece.

Podemos deixar tudo para tr�s.

Come�ar do zero.

Detetive Martin.

Vieram falar com a sra. por causa do caso Richardson.

N�o posso agora. Pode anotar seu nome e telefone?

-Claro. -Est� bem.

Sou Beth Crowe.

Tenho informa��o que pode te interessar.

Est� bem. Venha comigo.

Por que n�o? N�o � o que voc� sempre quis?

-Liberdade total. -N�o sei o que quero, Darren.

Eu garanto que voc� quer isto.

Sempre fal�vamos disto.

Vamos embora com o dinheiro.

Eu n�o sou assim.

Acho que conhe�o bem voc�, Alice.

N�o.

Talvez conhe�a a velha Alice, mas n�o me conhece.

� melhor voc� ir embora.

Quer mesmo que eu v� embora?

Sim.

Voc� quer saber quem �? Saia e entre na minha caminhonete.

Vou lhe mostrar bem quem voc� �.

N�o posso recuperar o que tirei de voc�.

Eu apenas posso tentar fazer o que � certo.

Por favor,

me perdoe.

Veja.

Veja a data.

Ela me deixou essa mensagem na noite em que a atacaram.

N�o sei o que queria, mas deve ter deixado algu�m zangado.

-Claro. Prendemos o marido. -Me deixe adivinhar.

Ele � rico.

� o que ela faz.

A Alice acabou com a minha vida.

Mas ela n�o se chamava Alice, e sim Claire.

Claire?

N�o sab�amos esse.

Ent�o sabem o que ela faz.

E se voc� me disser o que ela lhe fez?

Meu marido, Marcus, e eu

est�vamos casados h� seis anos quando ela apareceu.

Logo percebi que ele tinha um caso.

Nunca soube mentir.

Uma noite eu os segui.

Pensei que iriam para um motel,

mas foram para uma casa.

-Era um desastre. -Eu estive l�.

Esquisito. A procura��o est� no seu nome.

O Marcus trabalhava com im�veis.

Nem sabia que era dele,

at� que ele morreu e come�aram a tirar tudo de mim.

Quem lhe tirava tudo?

O banco.

De alguma forma, aquela cretina teve acesso �s nossas contas.

Elas as esvaziou e desapareceu.

-Acenda aquela luz. -Ficamos sem nada.

Tivemos que vender tudo para pagar as d�vidas.

O Marcus n�o soube como lidar com isso.

Ele se suicidou.

De quem � esta casa?

Dele.

Voc� o reconhece?

Como se chamava?

Marcus Crowe.

-Marcus Crowe. -Sim. "Crowe" � "corvo".

Parece conhecido para voc�?

N�o.

Quem �?

Algu�m que lamenta ter conhecido voc�.

O que voc� quer me mostrar?

Est� no outro quarto.

Tem certeza de que voc� n�o lembra quem �?

Absoluta.

Ela me tirou tudo.

Quero garantir que n�o vai machucar ningu�m de novo.

N�o perdi o meu toque.

J� viu algum um homem que possa estar trabalhando com ela?

Acho que n�o.

Posso te perguntar uma coisa?

Acha mesmo que ela esqueceu tudo?

Uma coisa � achar.

Outra � provar.

Aqui 3W56. Temos um 10-16 em Marchess Lane 523.

Alice.

� a Detetive Martin.

Vou l� para cima. Voc� revista embaixo.

Desculpe a pancada.

Espero que n�o tenha esquecido mais nada.

-Por que est� fazendo isto? -Chega. Cansei da amn�sia.

Sei que come�ou a se lembrar, a lembrar da nossa rela��o.

Voc� falou para a detetive que nos conhecemos no Arizona.

Eu nunca teria dito isso.

Isso me faz pensar que voc� lembra

outras coisas que n�o me contou.

-N�o. Quero ir para casa. -Para casa?

N�o.

Voc� n�o tem casa, Alice.

Essa casa � do Peter.

Eu tive um �ltimo golpe de sorte,

e voc� teve que estragar tudo.

Teve Peter, Lucas no Arizona e James no Novo M�xico.

Voc� se chamava Jenny, Eileen, Claire ou Alice.

�s vezes era apenas uma qualquer.

�s vezes voc� dava um jeito de ficar noiva.

Isso facilitava as coisas.

Voc� arranjava dinheiro e fug�amos.

Chega.

�amos nos livrar do Peter

e voc� soube do suic�dio do Marcus.

Eu amo voc�, Marcus.

Depois, voc� fez essa tatuagem boba.

Voc� se sensibilizou e quis confessar tudo para a pol�cia.

Voc� achou que eu a deixaria ir?

Voc� era a minha favorita.

Voc� se lembrou disso, certo?

Um mist�rio a menos.

Alice?

Alice?

-Viu alguma coisa? -Liberado.

Encontrei algo com a foto.

Veja. Darren, Peter e a primeira esposa do Peter.

O Darren j� o tinha marcado.

Nunca marcamos o Peter.

Foi o meu primeiro trabalho, mas foi antes de conhec�-la.

Desta vez n�o voltei pelo dinheiro dele.

Se o tivesse conseguido, teria sido a cereja do bolo.

Ent�o por qu�?

Eu sabia que ele poderia ser �til para mim um dia.

Ele foi absolvido do assassinato da esposa,

mas esse estigma persegue voc� por muito tempo.

Coitada da J�lia.

N�o era t�o esperta quanto voc�.

Parece que o Darren estava muito c�modo com a Julia.

Foi meses antes do assassinato da esposa do Peter.

Voc� a matou?

Matou a esposa do Peter?

Acontece quando fico nervoso. Voc� n�o deixa pistas.

Neste caso s� precisei deixar a pistola do Peter na cena.

N�o importou a eles que tenha aparecido tr�s meses depois.

Claro.

-Voc� � um monstro. -N�o! Sou detalhista!

Pelo menos n�o parti o cora��o deles antes de roub�-los.

Isso sim � monstruoso.

Envie um alerta de busca de Alice e Darren.

-Agora mesmo. -Fique aqui, caso voltem.

-Vou pedir refor�os. -Aonde voc� vai?

Ao �nico lugar que pensei.

Eu sinto muito mesmo.

Eu me importo muito com voc�.

S� diga por qu�.

Por que n�o me deixou aqui depois de atirar em mim?

-Por que tanto inc�modo? -Eu quis fazer isso, mo�a.

Eu fui ao banco na manh� seguinte.

N�o acreditava que o dinheiro estava congelado. Meu dinheiro!

Voc� pediu ao banco para congelar a conta at� o div�rcio.

Como voc� vai conseguir o dinheiro, Darren?

Eu n�o posso "descongel�-lo" se estiver morta.

A� � que est�.

Eles v�o me descobrir e rastrear a conta,

-e voc� n�o conseguir� nada. -Vou me arriscar.

� melhor do que deix�-la viver.

Adeus, Alice.

Voc� colocou microfones?

Traidora.

Respire pela �ltima vez.

Alice.

Alice.

Siga o meu dedo.

Est� bem. Obrigado.

Parece que ela est� bem, detetive.

Eu escutei a grava��o.

Voc� sabe que essa confiss�o tamb�m prejudica voc�, n�o �?

Sim.

Eles a examinar�o e depois a levarei para a delegacia.

Eu sei.

Est� bem.

Vamos para o hospital.

-Detetive. -Sim?

N�o esque�a o seu casaco.

Sim.

Como est� se sentindo?

N�o t�o bem.

E a sua mem�ria?

Eu lembro um pouco todos os dias.

Escute.

Queria agradecer por tudo.

-� o meu trabalho. -N�o.

Pelo que disse sobre uma segunda oportunidade.

Acho que a antiga Alice queria isso.

Vou voltar para minhas coisas.

Pensei que n�o veria voc� de novo.

N�o sabia se devia vir.

Sinto muito ter magoado voc�.

Algo daquilo foi real?

Ou foi uma mentira desde o come�o?

N�o sei.

Pelo menos agora voc� sabe o que aconteceu com a Julia.

Sim.

Adeus, Alice.

Adeus, Peter.

-Deixaram isso na recep��o. -Eles disseram quem?

N�o. N�o fa�o a m�nima ideia.

-Voc� ainda tem d�vidas? -Voc� nem imagina.

-Viu o atestado de �bito? -N�o. Voc� viu minha gravata?

-Voc� tem gravata? -Sim. Tenho uma.

O chefe quer me ver de terno e gravata.

Ele n�o vai notar que voc� est� sem.

-Voc� est� muito bonito. -Obrigado.

Como?

"Detetive Martin:

estou mandando a �ltima identidade da minha cole��o.

N�o vou precisar mais dela.

A prop�sito, obrigada pelo atestado de �bito.

Isso me poupou muito inc�modo.

Encontrar isso em seu bolso foi um golpe de sorte."

-Detetive. -Sim?

N�o esque�a o seu casaco.

"Eu deixei um presente para voc�.

N�o � para voc�, mas preciso que o entregue.

Acho que j� conhece a Beth Crowe.

Sei que n�o substituirei o que tiramos dela, mas � um come�o."

Sentimos muito a sua perda, sra. Montgomery.

Mas com a documenta��o em ordem e as contas ativas

poder� acessar seus fundos de qualquer parte do mundo.

Obrigada.

"Quando lerem isto j� ser� tarde demais.

J� terei ido embora h� tempo.

Acredite que n�o me encontrar�.

Eu prejudiquei muita gente.

Pelo menos devolverei o que eu e Darren lhes tiramos."

"Vou embora para encontrar um novo eu.

Ainda n�o decidi que nome adotar.

N�o quero me apressar porque deve durar a vida inteira.

Atenciosamente,

Alice, Stacy, Claire, Jenny, Eileen

e outras identidades que ainda n�o descobriu,

mas tenho certeza de que descobrir�."

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