All language subtitles for A Noite das Taras I (1980)

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Original subtitles

é imprescindível que entregue essa carta é questão de vida ou morte mas nem sei

quando eu vou chegar a São Paulo chegue quando chegar chegará a tempo

Não!

Não!

E aí

E

Obrigado.

Tem que me prometer também que não desistirá por nada.

Insista, insista.

Verá que no fim a pessoa atenderá.

Sim?

Dona Sibeli Marcondes. Sou eu. Traga essa carta para a senhora.

Da parte de quem?

Do Érico.

É Érico?

É. Do Érico?

É Érico?

É. Ele parecia desesperado porque a senhora recebesse essa carta e...

mas eu não conheço ninguém chamado Érico.

Por favor, não me julgue mal, mas a senhora tem que receber essa carta.

O Érico parecia muito aflito.

Que insistência. Eu não conheço nenhum Érico. Essa pessoa me é totalmente

diferente.

Mas... Não pode ser.

Ele parecia conhecer muito bem a senhora.

De onde é?

De Porto Alegre.

Ai, piorou.

Além de não conhecer o Érico, eu nunca estive em Porto Alegre. Não conheço

Alegre. Sinto muito.

Por favor, não lhe custa nada. É só receber a carta e eu vou embora.

Por quê?

Jogue -a fora.

Nunca jogue essa carta fora.

Nunca.

Não posso. A senhora tem que receber, por favor.

Entra.

Entra. Com licença.

Com licença.

Senta. Obrigado.

Senta.

Pode falar.

Não tenho nada para dizer, não. Só vim entregar a carta.

Por quê?

Já expliquei, porque o Érico pediu. Há quanto tempo você está com esta carta

para me entregar?

Uns dez dias.

Pelo correio viria mais rápido?

Eu acho que sim.

Me fale desse Érico.

Não me parece muito interessado em ler a carta.

Não.

De qualquer maneira, nada mais me interessa.

Só o Érico?

ou menos.

É estranho, curioso até, que uma pessoa que você não conhece envie uma carta de

um lugar onde você nunca esteve.

Mas foi assim.

E o Érico?

Quer saber como ele é?

Gostaria que me dissesse.

É, mas eu não sei.

Não esteve com ele?

Claro, só uma vez, quando ele me entregou a carta.

E então?

Estava muito escuro e foi muito rápido.

Por que eu devo acreditar nessa história?

Porque é verdade.

Ele é morto?

De meia idade.

Deve ter uns 40 anos.

Bom, fique à vontade.

Se procurar, você vai encontrar o que beber por aí.

Ei, a carta!

Tchau.

Por mais absurdo que pareça, você será muito importante para essa pessoa.

Importante como?

Você nunca a viu.

Você é o responsável por ela.

Essa não.

Olha, eu não tenho família. Eu sou marinheiro.

Isso me deixa livre de qualquer responsabilidade com as pessoas.

Um dia qualquer, tracarei num porto e tudo acabará para mim.

Ficarei em terra para sempre.

Talvez morta alguma bebedeira ou coisa parecida.

Fala como se fosse o dono do próprio destino. Isso. Mas não é. Nem você, nem

ela.

O que é?

Desculpe, dona, mas a senhora está bem?

Por favor, responda, senhora. Estou ótima.

Me espera na sala. Eu não vou demorar.

Obrigado. Não apresse. Eu tenho tempo de sobra.

Esteja atento. Quando tudo parecer bem, esse será o momento fatal.

Não deixe que ela engane. Haja rápido.

Agir como?

E por quê?

No momento certo, saberá o que fazer.

Tchau.

Ei. E essa carta?

Agora você pode me dizer a verdade.

É do Érico.

Você vai me repetir a mesma história.

É de Érico que eu não conheço. De Porto Alegre, onde eu nunca estive.

Mas é verdade.

Não, não.

Pode me dizer a verdade mesmo.

Seja ela qual for, eu estou bem agora.

Ouça.

Era a última noite que eu passava no porto. O navio zaparia de manhã.

E eu voltava pra bordo.

Eu tava caminhando. E ia fumar, mas não encontrei logo o isqueiro.

Parei pra procurá -lo no bolso. E isso, sem que eu tenha percebido, acendeu -se

um isqueiro, oferecendo -me fogo.

E ele estava ali, na minha frente.

O Érico.

Eu não sabia de onde tinha vindo.

Ele estava ali.

Simplesmente. Obrigado, hein? Não há de queimar isso.

Como sabe que eu sou marinheiro?

É tão evidente assim?

Eu sei.

Bem, obrigado e boa noite.

Espere.

Gostaria que me fizesse um favor.

Não gostaria muito, mas não posso.

Tenho que voltar para bordo.

Vai para onde?

A próxima escala é o porto de Paranaguai. Depois Santos.

Ótimo.

Dizer que vai para São Paulo.

Eu sempre vou a São Paulo quando eu tacar no ministério.

Espere.

Portanto, poderá me fazer um favor.

Basta levar a sacada.

O endereço está aí.

E é importante?

Muito.

Etc, etc e etc.

Essa...

É a pura verdade.

Só porque o mistério continua.

Talvez, se você ler a carta, tudo se esclareça.

É. A diferença faz isso agora.

Mas o que é isso?

O que significa?

O que esse tal Érico quis dizer, afinal?

Tudo o que ele queria.

É que eu viesse até aqui.

Entendeu?

Mas como ele sabia?

E agora?

Agora o quê?

Devo voltar pra Santos.

O navio vai estar pra amanhã.

E tudo voltará como era antes.

E tudo que não aconteceu, acontecerá.

Mas, de qualquer maneira, estou muito agradecida.

Como será?

Eu vou ter que dormir nu. Não trouxe nenhuma outra roupa.

Você vai ficar comigo?

Vou. Amanhã a gente pensa no que vai fazer.

E o seu navio?

Se eu entendi o significado da carta, eu acho que a traquei para sempre.

Aqui?

Em você.

Você é o meu porto definitivo.

Alô, senhor.

Me dá esse congelo aí.

Ó, que hora você vai começar o show, hein?

Sou o senhorita, mas...

Ô,

meu chapa.

Hã?

Você tá taqueirando o meu garoto aí?

Eu não, pô.

Ele olhou ou não olhou para você, Benzinho?

Olhou. O que ele olhou, olhou.

Não olhei coisa nenhuma. Não olhou? Vai apanhar, seu puto!

Seu puto de merda!

Ei. Doe -se o saco, ué.

Acontece que isso aí é meu carro.

Tá bem, desculpe. Não, não. Entra. Vamos conversar.

Eu te dou uma carona.

Vamos conversar. Vem comigo, vem.

Vem. Vem.

Vem, entra lá no carro.

Vem.

Entra aí, vai entrando.

Melhorou, garotão?

Não tem medo?

Do quê?

De mim, pô.

Você é um bicho papão, por acaso?

Ou desconhecido?

Da minha parte, você me defendeu. E você?

Mais ou menos.

Então, tudo bem.

Vamos?

Por mim?

Faz dez minutos que estamos rodando e você ainda não disse onde vai.

Vou onde você for.

Por quê?

Porque não ia a lugar nenhum.

De fato, eu estava disposto a topar a primeira coisa que pintasse.

Falando dessa maneira, está me tratando como uma vagabunda?

Diz quanto é e toca para o hotel onde vamos separar.

Acho então que é isso?

E não é?

É. E o preço?

Não sou uma prostituta.

Se gosta de dar de graça, o problema é seu.

E quem vai pagar o hotel sou eu.

Tudo de graça?

Se me der o seu preço, lhe pago também.

Agora eu estou me sentindo puta.

Não seja idiota.

Que jóia, hein?

Essa é a minha mansão. O importante pra mim é que tem uma cama.

Põe a sua vontade.

Eu volto logo.

Calma.

Fique à vontade.

Eu volto já.

Puta que pariu!

Que

sacanagem

é essa? Fique calmo. Calmo!

Vira esse troço pra lá, porra! Eu tenho arma.

Portanto, sou eu quem dá as ordens.

A grana tá no bolso da calça aí. Não quero seu dinheiro.

O que deseja, então? Nada. O problema é com a Suzana.

Eu sempre banco burro.

Pensei que ia dar uma bela trepada e já vi que vou ser um fodido nessa história.

Fala demais, hein, garotão?

No mar eu falo até sozinho.

Ah, é marinheiro, então.

Só podia ser pra entrar de gaiato assim.

Tudo bem?

Na tua opinião, na minha tá uma merda.

César assustou?

Ele não, esse berro aí.

Pode sair, César.

Que gente maluca.

É muito pra minha cabeça.

O que vai acontecer agora, hein?

Vamos, responda.

O que viemos fazer aqui?

Se o pau levantar depois do susto...

Me diz uma coisa aí.

Ela ficou mesmo com aquele pato? Não é pato, é peixe. Está com ele no forno.

É.

Quando ela der o nó de você nele, o cara não vai escapar mesmo.

Prefiro o sistema de macho. A gente dava mais umas porradas nele e pronto.

Ele entrava na nossa.

O método de Suzana é mais sutil.

Sutil?

Sempre gozando com a burrice da gente.

Um dia tu te dá mal, hein?

Sutil quer dizer mais fino, mais inteligente.

Esse negócio de trepar é sempre igual.

Esse sutil aí é que... Em vez da arma, ela usa a perereca.

Mais ou menos.

Dá a carta pra mim, vai.

O cara tá aguentando bem.

É, tava meio atrasado.

Você é bom de cama, já lhe disseram isso?

Não. De onde você veio?

De um navio.

Sei, entendi.

O que é?

Marinheiro é sempre marinheiro.

Que tal?

Não sei, não.

Mas, antes nunca?

Acho que não. Nunca ninguém me pediu.

Duvido. Vem cá, vem.

Eu já sei.

Você não precisa nem responder.

Coitado do pato. Quer dizer, do peixe.

Coitado por quê? Se não fosse ele, seria um de nós.

Um de nós?

Tá ficando bicho, cara.

Até parece que você não conhece esses dois.

Se nós não se cuidar, até nós entramos pelo cano. Aqui, ó.

Ah, vai tomar no cu. Põe cerveja aí.

Vem.

Vem.

Suzana, quem é esse cara, hein?

Quem? Ah, o César. É um dos meus homens. Tem mais dois aí.

Seus homens como?

Seus maridos?

Seu tolo. Não tenho marido nenhum.

Quis dizer marido, amante. É tudo a mesma coisa.

César é meu sócio. Os outros dois trabalham com a gente.

Qual a minha nessa jogada, hein?

Você é diferente.

Foi escolhido pra minha cama.

Ah, então o negócio é esse.

Quando está com tesão, você sai para a rua catando seus machos.

Mais ou menos.

E acha que vai acreditar nessa, Suzana?

E por que não acreditar?

Esquece, vai.

Esquece.

Obrigado.

Olha, o que eu não entendo é porque temos que levar o pato nessa.

É porque temos que matar um cara.

E acha que o marinheiro vai fazer isso?

Matar um cara e eu mato. Você mata a porra. Qual é a diferença?

É um plano aí que Suzana e César bolaram.

Se for sacanagem por nosso lado.

Não é.

Não é, senão... Nós acabamos com a raça deles.

Já vamos.

Vamos agir.

Ele está pronto?

Quase.

Susana vai abrir o jogo agora. Se falhar, nós agimos.

Você falou sério mesmo ou foi só de gozação? Falei sério.

Vai ser um assalto.

Não, uma aventura.

Essa aventura quer dizer brincadeira?

É isso, uma simples brincadeira.

Assaltar a casa rica assim?

Vai haver resistência e alguém pode se machucar.

Ouça, eu só quero as minhas joias.

Suas joias?

Quer dizer que o cara te roubou?

Roubou. Pra que servem os tiras, então?

Não é tão simples assim.

Ele é meu marido.

Então você quer assaltar sua própria casa?

Mais ou menos. Está começando a entender.

Estou entendendo cada vez menos.

É simples.

Alberto, meu marido, dorme sozinho com os dois empregados.

E precisa de mim pra isso? Pra que servem esses piratas que tem aí?

É que Alberto os conhece.

Ele vai ver apenas uma pessoa.

Você. E quando amanhecer, seu navio estará longe daqui.

Porra, quer saber de uma coisa?

Foi a trepada mais cara que eu já dei na minha vida.

Mas vai receber um bom dinheiro por esse serviço também.

Tá, quanto?

Cem mil.

E nós o deixaremos no porto.

Topa? Por essa grana toda tem uma porrada de marginais que pode fazer esse

serviço. Só que não é trabalho para marginal, entendeu?

Quando seu navio voltará a Santos?

Daqui a seis meses, um ano.

Sei lá, pô.

Só sei que nunca mais eu vou voltar pra essa cidade de São Paulo.

Tá percebendo como você é o homem perfeito para o que eu desejo?

Para de olhar seu relógio. É, o tempo tá ficando crítico.

Ele topou.

Viadinha do caralho. Tudo bem. Já entendi, gente.

Tudo bem.

Pode guardar o berro.

Ah, é um hábito.

Hábito esquisito esse, hein?

Já se divertiram bastante?

Espere lá embaixo, que eu já desço.

Já entendi.

Tudo bem.

Como é que esse cara pode ser tão bobo assim, hein? Por quê?

Entrar de pato numa fria dessa?

Só que ele não sabe o que vai acontecer.

E quem escapa de Suzana?

Você também entrou na dela, não entrou?

Pra mim ela não deu.

Onde se conclui que você é mais bobo que o marinheiro?

É meio tolo o que eu vou lhe dizer, mas sabe, até que eu gostei de você.

Gostou como?

Da cama?

É claro que o amor só existe se sobreviver a passagem pela cama.

Posso dizer que você é a mulher mais estranha que passou pela minha vida.

É aqui.

Vai ser meio difícil entrar.

Vai ser não. Nós temos a duplicata das chaves.

Espera aqui.

Rudy, vem.

Mas o que vamos fazer?

Você faz o que eu mandar.

E vocês obedeçam apenas as ordens.

. .

.

.

. . .

Sua cadela!

Sua cadela!

Sua cadela!

Vocês são os criminosos.

Não da maneira que pensa.

É apenas um acerto de contas final com meu marido.

Porra! Isso vai dar cana pra todo mundo.

Acontece que o assaltante morreu no assalto. Essa será a conclusão da

Ah!

Você tem um cigarro aí?

Dá pra você me arranjar um?

Diz que com massa eu tenho mais.

Dá aqui, me dá um.

Eu troco a minha parte por sanduíche.

Você não quer comprar essa flauta não, hein?

Compra, vai.

Compra. Só pra ajudar a gente.

Qual é o problema?

O negócio tá fraco. Barriga não espera freguês.

Não temos grana nem pra dividir um prato feito.

Sei.

Estão com fome?

Oba, você matou a sarada.

O que é isso?

E daí?

Nós gostei.

Estão prestando atenção?

Claro. A gente não precisa de boca pra ouvir.

Mas ouviram mesmo?

Com 18 anos, você foi morar em Santos.

É, foi aí que parou a história.

E depois?

Foi o instante do alumbramento da minha vida.

Alumbramento? Sim.

Descobri que o mar era mágico.

Obrigado.

Feiticeiro. Good.

Gostei da sacada.

Tu é poeta?

Não.

Sou um simples marinheiro de navio mercante.

É um navegador?

É o caso.

Adoro a palavra navegador.

Pô, mas deixa ele continuar com a história.

Como ia dizendo, eu era um rapaz do interior.

Mais do que isso.

Um caipira mesmo.

Trabalhava na terra.

Trabalhava duro.

A fazenda tinha uns 5 mil alquim.

Tudo era café.

Um mar de café.

E nesse mar eu nafraguei.

Angústia.

Tédio.

Desespero.

Durante esse tempo todo, eu sonhava com o mar.

Como é que era?

Como é que eram seus navios?

Como é que não afundava?

Um dia deu a louca.

Eu disse pra mim mesmo.

Júlio, você vai conhecer o mar.

Vai entrar nele.

Vai ser marinheiro.

E agora?

Eu sou marinheiro.

Bacana, amigo. Tu tá na tua, falou? Tu tá curtindo a tua felicidade.

Mas eu não sou feliz.

Qual o teu amor? De nada. Mulher pra marinheiro.

É como o bacia se vazear o saco. É só chegar no porto, pegar uma dona,

a porra dentro dela.

Cara, você não sente falta de um amor?

Talvez seja isso.

Mas você nunca teve ninguém.

Uma vez num barco.

A gente viajava pelo mar do Japão.

Um outro marinheiro?

Um grumete.

Você comeu o cu dele?

Pombas, uma bacalha. Ele tá falando de amor.

Foi só uma questão de amor.

Traduz isso pra minha burrice.

Efebo?

Quer dizer... Rapaz... Jovem...

Mas... Quando queremos dizer que um deles é Efebo...

Queremos dizer também... Que é belo.

Só que...

Você está adivinhando que nossa casa é uma bagunça? Não tem importância.

Você tem

fósforo?

Aonde acende a luz? Em lugar nenhum.

Cortaram a luz aqui na base da vela.

As velas estão no chão.

Comente tanto que nem tenho vontade de falar. Só de bugiar.

Então não fala, pô.

Você pode fazer o que quiser.

Obrigado.

É mesmo.

Se tiver vontade de fazer xixi, pega uma vela e sai por aí. Vai acabar

encontrando banheiro.

Tô com uma coceira na bunda. Tá querendo que a gente vá coçar pra você, é?

Puxa, que ideia genial.

Segura isso.

Coça pra mim.

É aqui que você tá coçando? Na bunda toda.

Assim, ó.

Ai,

tô toda arrepiada.

Já vi tudo.

Ela tá ficando com tesão.

Tem uma maneira melhor de se encostar traseiro.

Não vem não, que eu não sou a bondeira.

Esse negócio é gostoso.

Esse sacana sabe fazer as coisas mesmo.

Será que ele é bom numa trepada?

Daqui ele não sai sem levar chumbo. Eu vou comer ele.

Não para, não para.

Deixa eu tomar fôlego.

Isso cansa.

Sim, começou.

Assim é demais.

Vai tomar seu banho. A banheira sumiu. Está lá dentro.

Não vai me coçar mais não, é?

Agora coça você um pouco.

Você é casado?

Não. Que pergunta careta.

Ora, tem cara que é casada e tem cara que não é.

Eu não sou.

Marujo! Mas por quê?

Eu não sou.

Estou sempre no mar.

Marujo!

Ô, Marujo!

Eu já vou indo.

Alguém aí está afim de dar pra ele?

Comecei de uma porta.

Mas é só descansar um pouquinho que eu vou pensar no caso.

Vamos dar uma surra de buceta nele, certo?

Todas? É um negócio assim pra deixar ele satisfeito o ano inteiro, Gu.

Até que dá pra pensar no caso, hein?

Será que ele tem um baseado?

Ah, não.

Esse cara não tem cara de quem traz essas coisas, não, hein?

Pega água ali pra mim.

É só encher o balde? Depois você me ajuda a tomar banho.

Tem algum programa pra hoje?

Nenhum.

Se eu não encontrasse vocês, eu nem saberia o que fazer na cidade.

Você nem parece marinheiro.

Não? Não.

Sabe como são os marinheiros? Os do cinema são diferentes de você. Todos

dos navios loucos pra testar. Não é assim?

Talvez. Negócio de marinheiro é mulher de zona, né?

Nem sempre.

Você não vai cantar nenhuma de nós?

Pra quê?

Ora, pra trepar você não gosta disso.

Quando desembarcou?

Foi hoje à tarde.

Estivemos quatro meses no mar. Então deve estar com o saco lá embaixo.

Mais ou menos.

Tá me fundindo a cuca. Qual é a tua final, hein?

Bem, eu vou levar a água.

Puta que pariu. Será que esse cara é bicha?

Toda vez que você toma um banho, dá toda essa mão de óleo. Ali tem um chuveiro.

Ué, não seria mais prático? Não, na banheira é mais divertido.

Você vai tomar banho também?

Seria uma boa ideia. Por quê?

Porque precisa reforçar a água.

O negócio é esse aí.

Certo, vamos trazer mais gente pra cá.

Good ideia. E isso resolve? Se você traz pra casa cinco pessoas que estão na

merda, mais cinco que estão na merda, qual é a soma?

Merda. Olha, quem falou que o dono da casa fui eu. Hoje a gente paga até

-feira ou rua pra todo mundo.

Quanto é?

Vinte e cinco milhas.

Estamos fodidos.

E o Maruj?

Qual é a ideia?

Os marinheiros sempre descem com a grana.

Tá pensando em roubar o coroa, é?

Roubar, não.

Vamos fazer em...

Pequena escala, o que os banqueiros fazem em grande escala.

Apropriação em débita.

Mas isso é desonesto. Quando se trata de sobrevivência, vale tudo.

E eu não estou falando de roubar assim como se a gente fosse ladra. Explica pra

mim se dá pra gente entender.

Olha, ele deve estar com tesão.

Lá vem sujeira.

Essas bancaraputona eu não topo. Se for pra dar pra ele, eu dou numa boa e

pronto. E por que a gente não pede dinheiro?

assim ele pode negar. E depois? Mas temos que bolar qualquer coisa.

A mangueira é bem mais fácil. Agora você já pode entrar.

Com o meu tamanho vai sobrar pouco espaço.

Melhor. A gente fica embolado.

É pra já.

Tá combinado? A gente fica provocando ele até que... E se ele nem ligar pra

gente?

Puxa. Não. Não pode ser tão broxa assim.

Lava aí.

Onde? Tá perguntando de gozação ou tá perguntando mesmo?

Perguntando mesmo.

O que é que tá bem na sua cara, hein?

O que foi?

Nada.

Por que você veio se esconder aqui?

Quem está escondida?

Qual é o grilo, menina?

Você está encucada.

Ah, estou pensando nessa vida.

Já sei.

Não sabe nada.

Claro que sei.

Não está mais segurando a barra, não é isso?

Às vezes a gente cansa disso.

Você tinha todo o conforto em casa antes.

Não é por isso.

Claro que é.

A liberdade custa caro, não aprendeu?

Não quero papo, não chateia.

Tá querendo o quê, hein?

É assim.

De dentro do navio. Da polpa para a proa.

Bom bordo fica à direita.

Este bordo...

Fica à esquerda. Que barato.

O que aquelas duas estão fazendo?

Adivinha. Eu acho que a Lina está assando o marinheiro. Vamos aproveitar

ver se ele tem dinheiro?

Você ainda continua com a ideia de direito? E não.

Vem. Um.

Dois.

Três.

Um.

Dois.

Três. Está se divertindo?

Muito.

Me beija.

Não quer me beijar?

Estou mal público.

Divirta -se, hein?

Porra, esse cara é milionário. Porra, a gente pode viver um ano com essa grana.

Por que não?

Porque eu sou cagona, tenho medo de fazer sujeira. Good.

A gente dá um jeito nisso.

Tá melhor?

Tô bem melhor.

Vem, vamos cuidar do marinheiro.

O que foi?

A minha sacola e minhas calças sumiram.

Deve ser gozação delas.

Pensei que a minha calça tivesse voado.

Está bem segura.

Pelo silêncio.

Acho que está na hora de pôr o meu barco para navegar.

Não.

Opa. O que é isso aí, hein? A festa nem começou.

Vem. O que foi?

Vem cá.

Me ajuda aqui.

Vai. Vai.

Vai.

Deita aí.

Daqui.

Deita. O comandante deu ordem.

O marinheiro obedece. Deita.

Amém.

O que é

isso?

Amém.

Vai meter agora.

Ele está quase piscando.

Como é que está aí?

Como é que está aí?

Tá morto.

Vamos depressa buscar socorro.

Depressa, gente. Vista, se vamos.

Anda logo.

Quanto vale 100 dólares?

Tá, amor.

Viva!

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