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Não sei as palavras certas.
Devia cá estar um septão.
Foi um verdadeiro cavaleiro.
Nunca me bateu quando eu não merecia.
Porra.
Exceto daquela vez na Lagoa da Donzela.
Foi o estalajadeiro que comeu a tarte da viúva.
Não fui eu. Eu disse-lhe.
Ai, seu...
Já não importa.
Deixaria a sua espada, mas...
Ia ficar a enferrujar na terra.
Quem me dera que não tivesse morrido, ser.
Cuidarei bem dos cavalos.
Comeria como um rei se vos vendesse aos três.
Durante um ano ou dois.
E depois?
Ia acabar a cometer ilegalidades ou a pedir esmola.
Podíamos ir para uma cidade.
Porto Real? Porto Lannis?
Podia juntar-me à Guarda da Cidade.
"Pare de violar, ser!"
Encaixa na minha mão tão bem como encaixava na dele.
E há um torneio no Prado de Ashford.
Ora viva. És o moço de cavalariça?
Quero que esfregues o cavalo de sela e aveia para os três.
- Podes tratar deles? - Podia, se quisesse.
Nada disso. Trata dos cavalos.
Dou-te uma moeda se fizeres bem, se não levas um puxão de orelhas.
Sente-se onde quiser.
Há bom borrego assado com crosta de ervas aromáticas
e uns patos que o meu filho caçou. Qual vai querer?
Ambos.
Tem corpo para isso.
- Falta muito para Ashford? - Um dia de caminho.
O meu rapaz tratou-lhe do cavalo ou voltou a fugir?
- Não, ele está lá. - Metade da cidade foi para o torneio.
O meu também iria, se eu permitisse.
Juro que não lhe sei dizer porquê. Os cavaleiros são como os outros homens.
E nunca vi justa que mudasse o preço dos ovos.
Também vai para o torneio?
Sonhei contigo.
Fica longe de mim, ouviste?
Senhor?
Não lhe ligue, ser. Vou tratar da sua refeição.
- Meu senhor. - Seu ladrão!
Não quis ofendê-lo.
Tira essa armadura, agora.
Tens sorte que o Trovão não te deu um coice nessa tua cabeça tola.
É um cavalo de guerra, não um pónei.
Podia montá-lo tão bem como o senhor.
Cala-me essa boca insolente!
Sou um cavaleiro, ficas a saber.
Não parece um cavaleiro.
Os cavaleiros são todos iguais?
Não, mas também não se parecem consigo.
O seu cinto é feito de corda.
Desde que segure a minha bainha, serve.
Então, vai ao torneio?
Quer entrar na liça?
- Sim, acho que sim. - Leve-me consigo, ser. Por favor.
- E o que dirá a tua mãe? - Pouca coisa.
Está morta.
A estalajadeira não é tua...
- És órfão? - Também é?
Já fui.
Até o meu ser me acolher.
Ensinou-me a usar armas e a montar.
Ensinou-me tudo, na verdade.
O melhor que conseguiu.
Se me levasse para Ashford, poderia ser seu escudeiro, ser.
E poderia ensinar-me. O melhor que conseguir.
Não, não preciso de um escudeiro, rapaz.
Todo o cavaleiro precisa de um escudeiro. E parece precisar mais do que a maioria.
E tu pareces precisar de um bom puxão de orelhas.
Enche-me um saco de aveia. Vou para Ashford.
Sozinho.
Olha, rapaz.
Prometo-te, é melhor para ti não te associares a pessoas como eu.
Pela tua ajuda.
Amua à vontade. Sei que vais pegar nela assim que eu me for.
Peço desculpa.
Desejo falar com o mestre dos jogos.
O que quer, homem?
Apanhei-te outra vez!
Vim para o torneio.
O torneio do meu senhor é um concurso para cavaleiros.
É um cavaleiro?
E o cavaleiro não tem nome?
Dunk.
Ser Dunk.
Fui o escudeiro do Ser Arlan de Pennytree desde criança.
Ordenou-me cavaleiro antes de morrer, com a sua própria espada.
É a moeda dele na empunhadura.
É uma espada, isso é certo.
Mas nunca ouvi falar desse Arlan de Pennytree.
Disse que era o seu escudeiro?
Ele sempre quis que eu fosse cavaleiro, tal como ele era.
Serei cavaleiro um dia, Ser?
Como o senhor?
Quando estava a morrer, empunhou a sua espada longa e mandou-me ajoelhar.
Incumbiu-me de ser um bom cavaleiro, de defender os fracos e inocentes.
Servir o domínio com toda a minha força. E jurei que o faria.
Qualquer cavaleiro pode ordenar um, de facto.
Houve testemunhas da ordenação?
Só um pintarroxo num espinheiro.
Esta é a cidade de Ashford, rapaz.
Sabe o que acontece a homens que inventam juramentos sagrados?
- Eu não estou... - Penduramo-lo, nu,
pelas mãos e pés.
Baixamo-lo, de cu, sobre uma estaca afiada e leva com ela até secar.
Chamam-lhe "Cadeira de Ashford".
Por isso, volto a perguntar,
houve testemunhas da ordenação além da merda de um pássaro?
Bem, isso...
Sabe, estava a chover.
Estou a gozar consigo.
"Cadeira de Ashford!"
Levou algum chuto na cabeça?
- É o Alcance, não as Terras Fluviais. - Cadeira de Ashford...
Acha que afastamos um flagelo de camponeses
que fala de entrar em torneios?
Precisaria de dinheiro.
Armadura, cavalos, homens, treino, que os deuses o ajudem.
Imagine o pobre agricultor a atacar o Lyonel Baratheon na liça.
- Isso seria... - Um entretenimento diferente.
Bem, não sou agricultor.
No entanto, veio vestido como tal.
Oiça, homem.
O meu senhor Ashford acha-se muito importante, só os deuses sabem porquê,
por isso devo afastar todos os cavaleiros donos de terras
e mercenários que vêm ao desafio.
Compreende? Há príncipes presentes.
Não, claro.
O seu falecido mestre.
Será conhecido pelos verdadeiros cavaleiros aqui reunidos?
Havia um toldo...
Com o estandarte da Casa Dondarrion.
Sim, Ser Manfred, dessa casa.
O Ser Arlan serviu o senhor seu pai em Dorne, há uns anos.
O Ser Manfred lembrar-se-á de nós.
Só pelo cheiro, sem dúvida.
Se ele aceitar falar consigo, traga-o aqui
antes de o torneio começar amanhã. Venham sozinhos.
- Assim farei. - Pronto.
Está ciente de que os derrotados no torneio entregam as suas armas,
armadura e cavalo aos vencedores e pagam para os reaver?
- Sim. - E tem dinheiro para pagar?
Céus, não.
Quer dizer, não vou precisar de dinheiro.
Sete car...
Fica de olho nesses dois. Linda menina!
Perdão, sers. Tenho de falar com o Ser Manfred.
Está a dormir, ser.
Acorde-o com um veado de prata.
Eu...
Não tenho nenhum.
Que cavaleiro não tem veados de prata?
- É um cavaleiro andante, não é? - Um quê?
É como um cavaleiro, mas mais triste.
Não, não estou triste...
Tem de dormir no mato, porque nenhum senhor o quer.
Isso é triste.
E o Ser Manfred também fodeu com a mulher dele.
Não, não tenho mulher.
É costume virem cá maridos.
Ele gosta de foder esposas.
Quase tanto como a nós.
Disse-me que está empenhado em tornar toda a gente do mundo ruiva.
Bem, nós já somos ruivas.
Pois somos.
Quando é que o Ser Manfred vai acordar?
É melhor tentar ao anoitecer.
Ao anoitecer.
- Adeus! - Sim.
Idiota.
Porque é que ela disse aquilo?
Não estou triste.
Certamente não ao ponto de merecer tal comentário.
Além disso, o Ser Arlan sempre disse que um cavaleiro andante
era o verdadeiro cavaleiro.
Após ganharmos o primeiro desafio,
teremos a armadura e o cavalo do perdedor, ou o seu ouro.
Isso não será triste.
Eu sei, eu disse "se ganharmos".
Não é crime contra o rei desfrutar de um bom pensamento.
Não brinques comigo, Raymond.
Não serves para nada, ratazana inútil.
Para onde está a olhar, cabrão de olhos azuis?
Isso que tem aí é uma espada longa?
Sim, é minha por direito.
Que coisa estranha de se dizer.
Sou o Ser Steffor Fossoway.
Enfrente-me.
Como vê, aqui o meu primo ainda não está maduro.
Faça-o, ser.
Posso não estar maduro, mas o meu primo está todo podre.
- Transforme-o em polpa. - Silêncio!
Agradeço, mas tenho assuntos a tratar.
Assuntos da tripa, só se for.
Com esse tamanho todo!
Sacana idiota!
Ser Grance!
Talvez devêssemos procurar aposentos mais calmos.
Porra.
- Ele ainda está a dormir. - Ainda?
À conta da gota nos pés.
Uma das pequenas misérias absurdas da vida, sem dúvida.
Não o deixa pregar olho. Pobre coitado.
Sem dúvida, é só que...
Tenho alguma urgência em falar com ele,
para poder entrar na liça amanhã.
O que disse?
Refere-se à justa.
É muito perigoso.
Sim, bem...
Não tenho muitas opções, pois não?
E se quero servir num castelo...
Deve colocar o corpo em perigo para o deleite de estranhos.
Não é isso que nós fazemos?
Cala-te. É supostos estares morta.
Procure um ofício mais seguro, rapaz.
- Será mais feliz. - Diz uma prostituta a outra.
O escárnio é necessário?
Só estava a pedir alguma ajuda.
Tentarei falar com o Ser Manfred de manhã.
- Desculpe, rapaz. - Não pretendíamos escarnecê-lo.
Vemos muitos novatos em todos os torneios.
Todos com glória na mente, mas nenhuma nas mãos.
Talvez eu seja diferente.
Seja bom para o seu corpo, cavaleiro.
É o único que tem.
O nosso bravo herói avança,
deixando para trás tudo o que conhece.
Um pai e um amigo.
O mundo cruel lhe parece.
O destino traçou o seu caminho solitário
pelos corredores do acaso.
Um rapaz vindo do nada arrisca tudo,
aos olhares de soslaio não faz caso.
Talvez seja apenas tolo,
firmemente agarrado ao seu escudo espelhado.
A grande honra é a sua ambição.
Uma verdade deve ocultar.
Pois se sua humilde forma for exposta,
violento e ardente será o seu fim.
Se o dragão descobre
que de um homem disfarçado não passa!
Meio homem! Meio homem!
- Pareço-te meio homem? - Sim.
Meio homem, meio gigante.
Desculpe, não lhe devia ter pedido para enfrentar o meu primo.
Ele partir-lhe-ia a mão, ou um joelho, se pudesse.
Gosta de espancar os homens no campo,
caso os encontre na liça.
Mas não te vergou.
Tenho o sangue dele.
Mas ele é o ramo mais velho da macieira,
algo de que me está sempre a recordar.
Tu e o teu primo entram no torneio?
Ele vai entrar.
Eu até entrava, mas sou apenas um escudeiro.
Lutas bem para escudeiro.
Tem ar de desafiador.
Que escudo pretende atacar?
Não me faz diferença.
Isso é o que se deve dizer.
Embora faça toda a diferença do mundo.
Tem fome?
Sempre.
Lyonel Baratheon. Chamam-lhe Tempestade Risonha.
Pensei que fosse maior.
Há quatro mil anos...
- Há quatro mil anos... - Aonde vais?
Só oiço palermas. Não me consigo ouvir.
Tive um pensamento profundo, se alguém quiser ouvir.
Há quatro mil anos,
os nossos antepassados reuniram-se naquele grande campo
lá fora para se espancarem uns aos outros com paus e se divertirem um pouco.
E dizem que foi a primeira justa deste país.
Bem, eu digo...
Que raio é que eu ia dizer? A primeira justa?
Os homens não podiam ter concebido tal alegria.
Então, quem foi?
Quem foi?
Pronto, 100 moedas de ouro para o homem, animal ou deus que melhor me acertar.
Agora comam as aves para dançarmos!
Já alguma vez levou um murro na cara?
Desculpe, Ser Lyonel?
Os homens grandes...
... levam mais murros que os pequenos. Sabia disso?
Não, mas acredito.
É por isso que se curva?
Para não levar murros?
Não me curvo.
Passou a noite encolhido como uma donzela na noite de núpcias.
Não quis faltar-lhe ao respeito, ser. Digo-o com sinceridade.
No lugar onde cresci, aprendemos a passar despercebidos.
Os Sete lá de cima deram-lhe altura,
por isso, seja alto.
Ou nomeio-o herege e deito-lhe fogo.
Afogo-o, atiro-o de um penhasco...
Não sei. O que se faz aos hereges?
Ardem na fogueira, senhor.
Está bem.
O que me trouxe?
Ser, eu...
Peço perdão. Não sabia que...
Deseja cair nas minhas boas graças...
Mas vem de mãos vazias?
O Senhor Cafferen...
O cabrão presunçoso de vermelho.
Não tem dinheiro para pagar as rendas.
O povo dele passa fome todos os invernos, mas até ele trouxe esta...
... bugiganga das caves da família, pois sabe que todo o homem,
à sua maneira, deseja apenas a nossa ajuda ou a nossa cabeça.
Veio pela minha cabeça?
O quê?
Não.
Não.
Então, por que raio está na minha tenda?
Para comer.
Por acaso, faz sentido.
Comer.
Como se chama, homem?
Dunk. Ser Dunk.
Isso é ridículo.
Gosta de dançar?
Quem não gosta?
As ondas encapelavam-se, dava para sentir o sal no ar.
Mas tinha ido para descobrir o que os homens fazem quando morrem no mar.
Por isso, lá fui eu rumo à tempestade.
Não teve medo?
Dentro de cada homem há muitos homens.
Tinha de o fazer.
As Terras da Tempestade sempre o fizeram.
E se eles o fizeram, eu também podia fazer.
Era melhor não me afligir.
Eu aflijo-me muito.
Às vezes, acho que me aflijo demasiado.
E depois fico aflito por causa de tanta aflição.
- Sou rápido e forte, é verdade. - Claro.
- Mas o senhor também é. - Claro.
Além disso, treinou espada e lança
com os melhores mestres de armas do domínio.
Quer dizer, que hipóteses tenho eu, realmente?
Não tem hipóteses nenhumas.
Mas é uma grande honra testarmo-nos contra um adversário digno.
Com todo o respeito, ser...
Para si, é fácil falar.
Tem um nome, uma herança.
Basta-me uma derrota e não poderei comprar de volta o meu próprio cavalo.
Um cavaleiro sem cavalo não é cavaleiro nenhum.
Pois.
Então, o que devo fazer?
Não sei.
Estou mesmo muito bêbedo.
Pronto.
Obrigado.
Desculpe.
Ser Arlan de Pennytree.
Serviu o senhor seu pai na perseguição ao Rei Abutre nas Montanhas Vermelhas.
- Eu era apenas um rapaz... - Não disseste que eras dornês?
Não, ele disse que era prendado como um dornês.
Não, eu disse que prendi dorneses.
Talvez possamos falar de manhã.
Não conheço o seu cavaleiro miserável nem a si, irmão. Vá-se embora.
Mas o Ser Arlan foi ferido ao serviço do seu pai.
Como pôde esquecê-lo?
O senhor meu pai levou 800 homens para aquelas montanhas.
Já esquecemos homens que sofreram muito mais do que ferimentos.
Por favor, não poderei desafiar
a menos que um cavaleiro ou senhor atestem por mim.
Que tenho eu que ver com isso?
Tu!
O que...
O que estás a fazer?
A cozinhar um peixe.
Quer um bocado?
Não... Quer dizer... Como chegaste aqui? Roubaste um cavalo?
Vim numa carroça de cordeiros.
Carroça de cordeiros!
É melhor dares com outra.
Não me pode obrigar a ir. Fartei-me daquela estalagem.
Não aceito mais insolência da tua parte, rapaz.
Devia atirar-te para cima do meu cavalo e levar-te a casa.
Teria de ir a cavalo até Porto Real.
Perderia o torneio.
Porto Real? És da Baixada das Pulgas?
Não.
Está bem.
O que faz aquilo ali?
Lavei-os.
Fiz a fogueira, apanhei o peixe e tratei dos cavalos.
Teria montado o seu toldo, mas não o encontrei.
Ali está o meu toldo.
Aquilo é uma árvore.
Sim, e é o único toldo de que um verdadeiro cavaleiro precisa.
Prefiro dormir sob as estrelas do que numa tenda cheia de fumo.
E se chover?
- A árvore vai abrigar-me. - As árvores deixam passar água.
Pois deixam.
Como se chama?
Dunk.
Ser Dunk. Não é nome para um cavaleiro.
É diminutivo de "Duncan"?
É. Sim.
Ser Duncan de...
Ser Duncan, o Alto.
Nunca ouvi falar.
Conheces todos os cavaleiros dos Sete Reinos?
Os bons.
Tens nome, ladrão?
- Egg. - Egg.
Bem, Egg,
devia bater-te e mandar-te à tua vida.
Mas não pareces comer muito.
E se jurares fazer o que te mando...
... deixo-te servir-me no torneio.
Depois disso, bem...
Logo se vê.
Não tenho muito, mas se provares que vales a pena,
terás roupa no corpo e comida na barriga.
A roupa pode ser tosca e a comida carne e peixe salgado,
mas não passarás fome.
E prometo não te bater.
Exceto quando mereceres.
Sim, meu senhor.
"Ser."
Sou apenas um cavaleiro andante.
Uma estrela cadente dá sorte a quem a vê.
Dorme, rapaz.
Os outros cavaleiros já estão nos seus toldos,
de olhar posto na seda em vez do céu.
Queres levar um puxão de orelhas?
Então, a sorte é só para nós?
Tradução: Cláudia Pereira
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