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Original subtitles

Atenção passageiros! Chegamos em Nova Canaã.

Seguiremos viagem dentro de 10 minutos.

Se este for o seu destino, por favor retire a sua bagagem.

A INTRUSA

Olá!

Estou a precisar da sua ajuda.

Não estou a tentar vender nada.

Não é nada disso.

Estou apenas a tentar encontrar alguém que morava aqui.

Ninguém morou aqui além de nós.

Quem está aí?

Quem é que está á procurar?

O nome é Millarca Karnstein?

Não.

Não conheço ninguém com esse nome.

Tem a certeza?

Acredite em mim.

Lembraria-me de um nome assim.

Principalmente por esta região.

Troy Pickett.

- Carmilla. - Olá, Olá.

Agora, será que...

Esse poderia ser um apelido?

Será que ela não poderia usar outro nome?

Não. Não poderia.

Ela passou por esta cidade...

E deixou este endereço para correio.

- Este endereço? - Sim.

Não haveria ninguém que more aqui.

Que possa conhecê-la?

Não.

Somos apenas eu e minha menina.

Convidaria-te para entrar...

Mas estamos de saída para a cidade.

Sinto muito não poder ajudá-la.

Tudo bem. Obrigado por tentar.

Tudo bem.

Posso dar-te uma boleia até a cidade?

Importaria-se?

Nem um pouco. Vou buscar o meu chapéu.

Olá. Gostaria de ter algumas informações do registo público.

Procuro por relatórios ou chamadas de emergência de um endereço em particular.

Qual é o endereço?

4880 Highway 58.

4880?

Sim.

É o endereço de Troy Pickett?

Isso mesmo.

Vai levar dois dias.

Não consegue adiantar?

Dois dias úteis.

O que foi?

Não se parece muito com uma detective.

Esteve em minha casa.

Porra...

Quero dizer... Desculpe.

- Teve sorte? - Não.

Tudo bem.

Apenas café.

Não vai comer?

Não. Obrigado.

Quer ir agora?

Olhe, não fiz o pedido porque...

Obrigado.

De nada.

Sente-se um pouco.

Obrigado por isto.

Tudo bem.

Só não chame a atenção que te cobro apenas o café.

Está a viajar sozinha?

Não está assustada?

Então, essa Millarca...

Está com algum problema?

Não.

Não que eu saiba.

Quem é ela?

Ou era...

Provavelmente era, mas nem isso ao menos eu sei.

Estou só á procura de rastos.

Ela deve-te dinheiro ou algo do tipo?

Ela era minha mãe.

Sinto muito.

Por que não disse antes?

Faria alguma diferença?

Creio que não.

Além disso, procuro por respostas.

Não por simpatia.

Desculpe ter dito que sinto muito.

Quando foi a última vez que a viste?

Nunca a vi.

Ela abandonou-te?

Obrigado pela comida.

És muito simpática.

Ela não morou na nossa casa.

Ele não mentiu sobre isso.

Tecnicamente.

Encontra-me aqui ás 15:00 e mostrarei-te o que estou a dizer.

Combinado.

- Pode não ser nada, mas... - Tudo bem.

Sou Carmilla Karnstein.

Laura Pickett.

- Estarei aqui, Laura. - Tudo bem.

O pai costumava alugar.

Ele parou porque dava-lhe muitas dores de cabeça.

- Faz quanto tempo? - Anos.

Mas creio é possível...

Que ela possa ter vivido aqui por mais tempo.

E ele...

Tenha-me esquecido.

Para onde vais agora?

Não sei.

Está a parecer um beco sem saída.

Aqui?

Ela te esquivaste bastante.

Teve uma tendência para fugir do aluguer.

Isso explica muita coisa.

Então, se não tem esperança de encontrares a tua mãe...

Estás a pensar em...

Seguir os passos da tua mãe.

E sentirás que estás próxima dela.

Tive uma ideia.

Usa as mãos para fazer com que siga por toda a cerca.

Por toda acerca. Isso.

Diminua...

Mais devagar, mais devagar.

Mais devagar.

Deixa comigo.

Assim está bem... Assim está bem...

Certo, por aqui.

Segue-me.

Mantem-na assim.

- Acho que ela está a ir bem. - Sim, com certeza.

Paai.

Sim madame...

Sabe aquela rapariga que veio a casa hoje?

Ela foi ao restaurante esta tarde.

Para falar consigo?

Não, para comer.

Mas falei com ela um pouco.

Sabe aquela mulher que ela está á procura?

Millarca?

É mãe dela.

É mesmo?

Ela morou na roulote, não foi?

Sim, por um tempo.

Por que não lhe contou?

Sabes, querida, é complicado.

A mãe dela era muito bera.

Estava envolvida com coisas muito más.

E contar isso para aquela miuda...

Não vejo lado bom nisso.

Mas era mãe dela.

Mais uma razão para ela não saber.

Pode parecer cruel.

Mas algumas vezes é melhor não saber.

E se não sou completamente sincero com ela...

É porque não quero vê-la magoada.

E essa é a verdade.

Ainda me sinto mal por ela.

Eu sei como te sentes...

Porque no final...

Sinto-me igual.

Que bom.

Porque disse que ela poderia ficar na roulote.

Apenas por algumas noites.

Por favor...

- Tudo bem. - Obrigado, pai.

- Vamos lá, pára com isso. - Obrigado.

Bom dia.

Pensei que talvez quisesses uma boleia para a cidade.

Obrigado, mas não preciso.

O pai vai caçar veados este final de semana.

Pensei que se ainda estiveres por aqui.

Poderíamos ir ao cinema ou algo parecido.

Apenas para saber...

E o teu pai também, ficar a saber.

Não estou a querer mudar-me.

Mas ficarás algumas noites, certo?

Apenas até decidir qual será o meu próximo passo.

Se fores até á cidade hoje, passa no restaurante às 15:00.

Levo-te para casa.

Tudo bem.

O meu quarto é subindo as escadas.

Se precisares de algo emprestado, podes levar.

Tudo bem.

Carmilla...

Acho que podíamos comer algo.

E depois mostro-te a cidade.

Para te sentires em casa.

Eu gostaria de ir ao cinema.

Não que eu goste de cinema, mas é um lugar para namorar.

Eu adoro essa foto.

Ela é linda.

É mesmo.

Talvez eu pudesse falar com ela sobre...

Ela morreu quando eu tinha oito anos.

Sinto muito.

Porra. Entendi agora.

O quê?

Por que não me contaste?

Vamos indo.

Desculpea, eu apenas...

Pronto.

Estás a ver um Mustang prateado?

Acho que o vi por ali.

Então...

O que dizes para alguém quando...

Achas que gostas dele, mas...

Não tens a certeza?

E você...

Laura. Não me leves a mal.

Por mais que eu quisesse ajudar...

Não sou a pessoa certa para dar conselhos sobre...

Homens, rapazes, seja o que for.

Tu não precisas.

Outra pessoa deveria fazer.

Eu entendo.

Amigas...

Uma tia...

Primas...

Alguém.

Sinto muito.

Pára de te desculpar.

Tu estsá bem. Vai-te divertir.

Vou ficar aqui, eu acho.

És demais.

Prometemos satisfazer a tua fome, a tua sede...

Vem conhecer a nossa pastelaria.

Vamos lá.

Se estiveres com sede experimenta a nossas bebidas.

Temos café e para acompanhar.

Um delicioso hot-dog.

Ela tem um encontro com um Mustang prateado.

Olá...

Estás linda.

Onde vamos?

Para lugar nenhum.

Não vieste aqui para veres o filme.

Pois não?

Não.

Vim para te ver.

Então olha para mim.

Anda cá.

Chega mais perto.

Gostas disto, não é?

Aposto que sim.

Vamos lá.

Só um pouco.

Vem.

O que é que fizeste com ela?

Quem és tu?

Sou a mulher que quer que desças do carro.

Vamos. Sai do carro.

Sai cabra.

Desliga o carro.

Sai do carro.

Vamos...

Queres que eu saia do carro?

Quero muito que desças do carro.

Carmilla.

Leva-me para casa.

Puta maluca.

Não podes deixá-lo safar-se assim.

São valentões do jardim da infância.

Quando sentem fraqueza, não param de explorá-la.

Não é bem assim.

Eu poderia ter dito não.

Então por que não disseste?

Queria atenção?

Este lugar é tão ruim que não se pode falar com um tipo...

Sem estar com caralho na boca?

Não me leves a mal...

Eu gosto de homens.

Só não ligo para estes idiotas...

O quê?

Laura.

Relaxa.

Certo?

Sim?

Sinto muito.

Já pensaste em ir embora?

Talvez estudar fora?

Já pensei nisso.

Comecei a guardar dinheiro, mas não consegui muita coisa.

Bem, poderia fazer outras coisas.

Gostaria de ficar por conta própria...

Mas odeio pensar em ficar sozinha.

Ficar sozinha não é tão mau.

Então...

Estás sozinha agora?

Não, estou contigo.

Entendeste o que eu disse.

Vou-me deitar.

O que é que fizeste hoje?

Só fui ao drive-in.

Com aquela miuda?

E sobre o que é que falaram?

Apenas falamos sobre miudos.

E o que fizeram depois?

Viemos embora.

Fomos ao trailer...

E vimos TV.

Anda cá.

Só estou a perguntar porque preocupo-me contigo.

Não precisas de te preocupar.

Não?

Estás grande o suficiente para te cuidares sozinha?

Sim.

E se aparecer um grande lobo mau?

Cuidarias disso?

- Sim. - A sério?

E se o diabo em pessoa aparecer...

E te agarrar?

Sabes...

Tu és tudo para mim.

Tudo para mim.

Queres saber?

Fiz um juramento quando a tua mãe morreu.

De que não me casaria ou sequer olharia para outra mulher.

Até que te casasses com alguém.

Mas pai, não me importaria se tu...

Não, não, não...

Vamos...

É a minha palavra.

E não vou quebrá-la.

Não importa o motivo. Entendeste?

Tu és o meu mundo, Laura.

Às vezes, quando te abraço...

E fecho os meus olhos...

Poderia jurar que estou com ela.

Tens o direito de ficar com raiva.

Vai-te lixar.

Que educada.

É assim que costumas falar com as pessoas?

Pessoas que te receberam e te deram um lugar para ficar?

Será difícil entenderes...

Mas estava a poupar-te.

Não, não estavas.

Só queria que eu me fosse embora.

Mas estás a esconder alguma coisa.

Consigo ver no teu rosto.

Vou-te contar tudo o que sei sobre a Millarca.

Se achas que isso te fará feliz.

Mas tenho o pressentimento de que não fará.

Anda cá!

Anda cá!

Não estou a pedir favores...

Ou ajuda.

Tudo o que quero...

Tudo o que sempre quis...

É saber como ela era...

Para onde pode ter ido quando saiu daqui.

Só isso.

Não vais descobrir isso nos relatórios policiais.

Sabes como é que ela veio parar aqui?

Ía pela estrada 20.

Com um rapaz negro a conduzir.

O nome dele era Dwight...

Algo do tipo.

Era no meio da noite.

Depois descobrimos que queriam chegar a Montgomery pela manhã.

Montgomery!

Assim que passaram por Nova Canaã.

Esse Dwight adormeceu.

Bateu com força no acesso à ponte.

Mas não morreram.

Nem um deles.

A tua mãe ficou mais ferida...

Porque o lado dela foi mais afectado no acidente.

Levaram-na para o hospital.

O rapaz negro disse que tinha que ir para Montgomery.

Porque o pai dele estava doente à beira da morte

ou algo do tipo.

O carro foi totalmente destruído.

Então ele pegou no dinheiro do bolso da mulher...

E comprou uma passagem de autocarro.

Dá para acreditar?

Pois é.

Pois é.

Deixou-a no hospital inconsciente...

E deixou um bilhete a dizer...

"Volto em cinco dias".

Bem...

Podes imaginar o que aconteceu.

Ligaram para Montgomery, ligaram para os hospitais, mas...

Não encontraram ninguém chamado Dwight...

Dwight...

Se quiseres posso perguntar por aí o sobrenome dele.

Lewis.

Então sabes sobre ele.

Sei tudo sobre ele.

Então deram alta do hospital.

O que é que ela poderia fazer?

Sem dinheiro.

Parecia que não tinha para onde ir.

Então ela começou a trabalhar como empregada no restaurante.

No restaurante?

A minha espora Karen acolheu-a.

Laura e ela eram muito parecidas.

Por quanto tempo ela ficou?

Uns seis meses.

Depois de um ou dois meses...

Pedimos-lhe que ajudasse a pagar o aluguer.

A Laura era pequena e eu estava incapacitado.

Não era fácil pagar as contas.

Mas ela não nos pagou.

Karen chegou a pensar que ela estava a usar drogas.

Um dia ela não apareceu no trabalho.

Karen foi até á roulote e...

a Millarca tinha ido embora.

Levou uma TV e um rádio que tínhamos na roulote...

Que encontramos numa loja de penhores na cidade.

E não sabe para onde ela foi?

Quando se rouba alguém...

Geralmente não se conta para onde vai.

Eu ia te contar isso antes...

Mas não vi nada de bom nisso.

Vou-te pagar...

Pelas noites que passei na roulote.

Não.

Não precisas de fazer isso.

Mas digo-te uma coisa...

Se for seguir sua vida...

Gostaria que fizesses isso o quantos antes.

Laura costuma apegar-se às pessoas.

E não quero vê-la magoar-se mais.

Está bem.

Está bem.

Carmilla! Estou a entrar.

Existe a possibilidade daquela pesquisa...

Está aqui.

Laura?

Querida, estás bem?

Mandaste-a embora, não foi?

Não, não, não... Não mandei.

Apenas contei o que ela queria saber.

Eu gostava de tê-la aqui.

Eu gostava de ter alguém para conversar.

Eu sei.

Tu não a querias aqui porque tens ciúmes.

Não a querias aqui porque...

Se ela for igual à mãe dela, ela é perigosa.

Perigosa?

E não vou deixar que ela te magoe...

Como a mãe dela magoou a tua mãe.

Viste?

Viste o que acontece quando se pergunta demais?

Existem coisas na vida que é melhor não saber.

Como é que ela magoou a mãe?

Não te lembras dela, não é?

Ela trabalhava com a tua mãe no restaurante.

Sabias disso?

Ela e a tua mãe eram grandes amigas.

O que eu, na minha vida inteira, nunca entendi.

A tua mãe era boa, uma mulher cristã.

E essa Millarca... Não valia nada...

Sempre pensei que ela era algum tipo de cigana.

A tua mãe jurou que ela não era.

Começaram a vestir-se e agir iguais.

A forma com ela fez a cabeça da tua mãe.

Com o quê?

Como ela era bonita, maravilhosa...

Então?

Como ela era boa demais para viver aqui.

Como é que elas poderiam ir embora...

E abandonar-nos... Tu e eu.

Costumavam sair juntas...

E deixavam-me a tomar conta de ti sozinho.

Lembro-me de estar sentada na camionete, tarde da noite.

Isso mesmo.

Estavas a espionar.

Isso mesmo.

Tentei ser tolerante.

Poderia viver sem nada.

Se isso fizesse a tua mãe feliz.

Eu amava-a muito.

A tua mãe começou a dormir no outro quarto.

Não sabia o que fazer além de lhe dar espaço.

Não demorou muito para eu perceber que algumas coisas mudaram.

Ela começou a parecer doente.

Estava a perder peso.

Mal tinha forças para se locomover.

Quando estávamos sozinhos, ela tentava fingir que nada mudava...

Mas não tinha como não perceber.

Sempre cansada...

Começou a ter tonturas...

Levei-a ao médico...

Eles pensaram que era alguma doença no sangue.

Fizeram uma porrada de exames...

Anemia.

Leucemia.

Não conseguiram encontrar nada.

Finalmente eu fartei-me e disse chega!

Disse que acabou.

Procurei por respostas eu mesmo.

Pedi ao Senhor que me guiasse.

Eu lembro-me.

E jejuei e orei.

Pedi por uma luz.

E então Ele colocou a resposta no meu coração.

O que é que Ele disse.

Vai dormir agora...

Estarei no quarto ao lado.

Tudo bem. Boa noite.

Deixa a luz acesa.

A luz do corredor está acesa.

Estou com medo.

Estarei bem aqui. Vai dormir agora.

Mas de alguma forma...

Eu sabia que tinha relação com a Millarca.

Então uma noite.

Eu decidi que saberia o que estava a acontecer.

O que é que fizeste?

Eu estava na roulote, que aluguei de Troy Pickett.

Karen Pickett estava comigo na roulote...

Porque tinha tido um desentendimento o marido.

Por favor, não.

Pára, Troy...

Não me magoes.

Troy, sou eu.

Temendo pela minha vida, Fugi pela velha estrada Oak.

Filho da mãe.

Precisas de vir comigo.

Esta noite.

Precisamos de ir.

Quanto antes melhor.

Onde estão as tuas coisas?

Não posso ir ainda.

Tenho uma coisa para te dizer.

Não precisas.

Eu li o relatório da polícia.

- Eu sei. - O relatório dizia porque ele fez isso.

Por que a espancou até quase á morte?

Por que tentou atropelá-la com a carrinha?

Eu não preciso de saber.

- Tu precisas de saber! - Jesus Cristo, Laura!

Não foi por isso que vieste?

Para descobrir quem ela era?

Quem elas eram?

O que é que elas eram?

A minha mãe, a tua mãe.

Elas eram amantes.

Sabias disso?

Já tinha suspeitado.

Mas elas eram algo mais.

Nunca vais acreditar em mim.

Laura...

Mas posso mostrar-te.

Nunca soube o quanto eu me parecia com a minha mãe até agora.

O quanto temos em comum.

Sempre me odiei por ser como eu sou.

Mas agora vejo que está tudo bem.

É como ela era.

É como eu deveria ser.

Foi assim que aconteceu naquela noite.

Quando o meu pai veio á roulote e olhou pela janela.

Elas estavam neste quarto.

Elas estavam nesta cama.

Assim como nós.

Elas estavam neste quarto.

Elas estavam nesta cama.

Assim como nós.

Elas estavam neste quarto.

Elas estavam nesta cama.

Assim como nós.

Elas estavam neste quarto.

Elas estavam nesta cama.

Assim como nós.

Carmilla... Está tudo bem.

Está tudo bem. Está tudo bem.

Ele contou-me tudo.

Deixa-me mostrar.

Rasga a minha carne.

Come-me.

Termina o que elas começaram.

Laura.

Senhor Jesus.

Bom dia pai.

Não precisas de ficar aqui, sabes disso.

Não posso partir.

Por que não?

Eu nasci aqui.

Aqui é o meu lugar.

Senhor atenda as nossas orações em nome de Jesus...

Amém.

Espere um pouco... O que é isso?

Cuidado... Estou bem.

Cortei-me numa lâmina no trabalho.

Está tudo bem.

Passou algum anti-sséptico?

Apenas come, certo?

Estou irritada e ainda tenho que limpar a cozinha.

Poderias ajudar mais por aqui.

Não posso ficar.

Sabes disso.

Apenas por algumas noites.

Já deixei pago.

Laura...

Por favor.

Não é tão complicado.

Só precisas de ir para casa e fazer as tuas malas.

E podemos partir.

Eu vou. Eu vou.

Preciso de um pouco de tempo para dar uma desculpa.

Não precisas de dar desculpas...

És uma pessoa adulta.

Sinto muito.

Se disseres "sinto muito" mais uma vez

Juro por Deus que eu...

E outra coisa.

O quê?

Estava a pensar em tentar uma vez...

Sem a faca.

- Carmilla... - Relaxa.

Jesus, Laura.

Eu tentei contar-te.

Não é apenas por elas.

Sou eu.

É quem eu sou.

- Mas eu não me corto mais. - Eu juro.

Eu sei, porque agora eu faço os cortes por ti.

Anda cá.

É apenas pele.

Chega de cortes, Laura.

Certo.

Certo.

Chega de cortes.

Nem eu. Nem tu.

Não precisamos da faca, Laura.

Não precisas de te magoar.

Chega de sangue.

Chega de culpa.

Chega de medo.

Chega de dor.

Preciso de facas.

Preciso do sangue.

Preciso da culpa.

Para sentir a dor.

Como tu sabes...

Se nunca amaste de outra maneira.

Laura. Olha para mim...

Concentra-te nos meus olhos.

É assim que o amor deve ser.

Tens passado tempo com aquela miuda?

Um pouco.

Depois de tudo o que contei?

- Ela não é a mãe dela. - É mesmo?

E tu?

Não és como a tua mãe?

Ou és totalmente diferente?

- Não saberia. - Sim.

Algumas vezes as pessoas não sabem quem são até envelhecer.

Pensam que não tem nada em comum com os seus pais.

Mas apanham-se a fazer as mesmas coisas que eles faziam.

Acreditando nas mesmas coisas.

Cometendo os mesmos erros.

Eu odeio o meu pai.

E percebo que estou a agir como ele todos os dias.

Só estou a tentar fazer com que

não cometas os mesmos erros que a tua mãe.

Mas o que é que havia de errado com minha mãe?

Pára de discutir.

Igual á tua mãe.

Não ouvia ninguém. Pensas que é esperta.

Vê onde a tua mãe foi parar.

A Millarca não matou a minha mãe.

Tu estavas lá?

O cancro matou a minha mãe.

Sim, foi o que os médicos disseram.

E tu sabes mais do que os médicos.

Eu sei o que vi com os meus olhos.

Vi a tua mãe morrer por nada.

E olhei no rosto daquela mulher.

- Pai. - Se pudesses ver o que eu vi.

Nunca vi uma aparência tão maligna.

Pára com isso!

Vais-me ouvir?

Ouve-me!

Pára de reclamar e resmungar...

E presta atenção em quem quer ajudar-te.

Vocês acham-se tão espertos.

Tu, ela, os médicos...

Mas não puderam fazer nada para a salvar.

Mas eu sim.

Sim, tentaste passar por cima dela com a tua carrinha.

Fiz mais que isso.

O que é que fizeste?

Apanhei-a em flagrante.

Laura.

Laura.

Não acabei de falar contigo.

Laura.

Laura.

Laura.

Querida. Eu...

O pai que ver-te.

Preciso de te ver.

Só preciso de olhar para ti querida.

Para saber que ainda não é tarde demais.

Se eu soubesse que algo de mau te podesse acontecer.

Meu Jesus.

Não é o que estás a pensar.

Meu Deus.

Não é!

Pai espera.

Para onde é que vais?

Maldição!

Pai?

Não te mexas.

Tens de esperar pela ambulância.

Jesus! Apenas fica quieta.

A ajuda está a chegar.

Raios!

Aonde é que vais?

Diz-me para onde é que vais.

Mostra-me.

O que é que estás a fazer aqui?

Tinha que te ver.

Mas tu não podes.

Ele vai-te matar.

Só quero conversar.

Não posso.

Por quê?

Porque ele mandou?

Não vai demorar.

Ele pode entrar aqui.

Será apenas um minuto.

Alguma coisa mudou?

Algo mudou Karen?

Algo mudou?

Ele vem aí.

Vou abrir a porta.

Não me deste boa noite.

Desculpa, só estou muito cansada.

O quê?

Quero descansar.

Por que não desces para verr TV comigo?

Amanhã.

Eu vou, prometo.

Não precisas de te preocupar, Não te preocupes mais comigo.

Não mais. Eu amo-te.

Boa noite.

Serei bem silênciosa.

A serpente tentou-a.

E ela caiu em pecado.

Aqui nesta cama.

Tu és minha.

Vamos ficar juntas.

Tu e eu somos uma.

Para sempre.

Eu sabia que não havia salvação para a tua mãe.

Eu falhei com ela.

Não podia sofrer vendo a bruxa viver.

Então eu cortei-a.

Tu mataste-a.

Eu tinha a obrigação moral de proteger a minha família.

Se pelo menos tivesse feito antes...

O que eu sabia no meu coração ser certo.

Talvez...

Eu poderia tê-la salvado.

Mas era tarde demais.

Pedimos-te em oração em nome de Jesus...

Amém.

Millarca já havia contaminado o sangue da tua mãe.

E a tua mãe, não só permitiu...

Como gostou!

O seu sangue, a sua alma, estavam envenenados.

Só o que pude fazer foi tentar afastar o mal.

Deixei-a sob o meu controle.

E dediquei-me a cuidar de vocês duas.

Procurando por sinais de sangue.

Sangue dela.

Teu sangue.

Esperando pelo dia em que Millarca ou alguém como ela...

Viria até nós.

E com certeza viria.

Tu já tens idade para saber o que eu fiz e o porquê...

E entender que se aquela rapariga aparecer aqui hoje...

O que é que significa?

O que é que significa?

Que ela é igual á mãe dela.

E o que eu fiz com a mãe dela...

Vou ter que fazer com ela também.

Não pai...

Ela virá.

Espera e verás.

Por favor pai.

Por favor. Deixa-me tratar disso, por favor.

Tu não entendes.

Pai por favor.

Ela nunca me magoou.

Ela curou-me.

Laura.

Carmilla, não!

Carmilla, não!

Não Carmilla, não! Precisas de sair daqui.

Só depois que eu te soltar.

Só saio contigo comigo.

- Não, não posso! - Pára!

Não, por favor.

Escuta.

Tens que sair daqui.

Não Carmilla, precisas de fugir.

Pára!

- Pára! - Tens que sair daqui.

Estou bem, precisas de ir.

Precisas de ir, entendeste?

Não vais de precisar de voltar aqui.

Deixa-me aqui, apenas vai!

Por favor... Vai, vai!

Sai daqui. Não te quero aqui.

Precisas de ir.

Olha para mim Carmilla...

Tens que ir... Ele está á tua espera.

É uma armadilha.

Precisas de ir.

Precisas de ir.

Por favor, vai!

Precisas de ir.

Ele matou a tua mãe.

Ele vai matar-te também.

Eu avisei-te para não voltares.

Afasta-te pai.

Vai-te lixar! Vai-te lixar!

Ela me feriu bastante, Laura.

Precisamos de chamar a polícia para trazer ajuda aqui.

Precisas de ligar agora.

Carmilla?

Porra.

Lá vai ela.

Não é tão bonita agora.

Devias ter ido embora.

Perdeste bastante sangue.

Não sintas vergonha, se fores vais desmaiar ou algo assim.

Tudo bem. Tudo bem.

A mãe ama-te.

Adaptação para PT Slay4r

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